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terça-feira, 18 de julho de 2017

Missões na Bahia: Fonte abundante de água viva


O semiárido baiano tornou-se para 15 jovens missionários da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil uma fonte abundante de água viva que brota da presença de Jesus no meio do seu povo.

Esta foi a conclusão depois de uma semana de missão na Pró-paróquia de Nossa Senhora da Piedade, em Cocal, povoado do município de Brotas de Macaúbas (BA), pertencente à Diocese de Barra, cujo pastor é o bispo franciscano Dom Luís Flavio Cappio.

Jovens missionários de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro não se intimidaram com as distâncias e longas horas de viagem, nem tampouco pelo clima frio e nebuloso de alguns dias da semana, desfazendo a ideia de que somente no Sul é que faz frio.

No entanto, se a temperatura insistia em se manter baixa, o calor da acolhida e do carinho do povo baiano aqueceu o coração de todos que encerraram as missões com lágrimas de despedidas e a promessa de retornarem assim que possível.

Divididos em cinco equipes, os jovens viveram uma experiência de fraternidade e missão. Acolhidos nas casas das famílias, puderam partilhar o pão e a ação, a vida e a fé, os sonhos e os desafios desse povo que insiste em testemunhar a beleza de um Deus que se faz simples e pequeno.


No dia a dia com as comunidades se experimentava a certeza de que ‘quanto menor a casinha, mais sincero é o bom dia’. O amor e o cuidado de Jesus se manifestou de diferentes formas: pelas mãos que preparavam com carinho o cuscuz matinal; pelo olhar sincero e atento das crianças que foram as fiéis companheiras durante as visitas; pela perseverança do irmão embriagado que não deixava de participar de nenhuma celebração, acreditando ali encontrar forças para se libertar do vício; pelo serviço incansável das lideranças que preparavam tudo com tamanho dedicação; pelo trabalho dos jovens na arte de plantar não somente flores em sua comunidade, mas em cultivar sonhos para sua juventude; no balão reaproveitado pelas crianças, que no encher e esvaziar desse tão simples objeto nos davam uma verdadeira lição de um novo mundo possível; pela ousadia dos jovens missionários que investiram não somente seu dinheiro para uma tão longa viagem, mas partilharam suas vidas e seus dons para fazer o Reino de Deus acontecer. Enfim, tudo falava de Deus e expressava o rosto Daquele que se fez para nós o caminho.

Visitas às famílias, reuniões formativas, orações do terço e momentos celebrativos reforçaram ainda mais a fé e a devoção do povo. O cuidado com a Casa Comum também foi trabalhado com todos os jovens das escolas, que participaram da Semana do Meio Ambiente, realizando estudos e atividades de conscientização sobre o tema. Tal semana foi concluída com um mutirão de limpeza na comunidade do Cocal, dando direito a premiação dos alunos que mais se destacaram em todo o projeto.


Além disso, a juventude da região teve oportunidade de conhecer um pouco mais  a espiritualidade franciscana durante uma animada tarde de encontro, que foi concluída ao pé da fogueira com cantos, danças e apresentações, demonstrando a alegria de serem jovens e que os sonhos que os animam são os mesmos em qualquer canto do país.

Coroando essa Semana Missionária, toda a comunidade paroquial reuniu-se para uma manhã de retiro e aprofundamento das 7 dores de Maria, que foram dramatizadas pelos jovens e que se tornaram mais próximas da vida do povo.

Por fim, gratidão é a palavra que define essa grande experiência: aos jovens, pela coragem e dedicação; a Frei Moisés Beserra de Lima, pároco local, pela organização e acolhida; às fraternidades e Paróquias da Província, pelo apoio e incentivo; e ao povo de Cocal, pela partilha alegre e sincera, que fez do semiárido baiano um local de chuva abundante capaz de irrigar os corações de todos nós.

“A experiência da missão para mim foi singular, pois me senti em casa em todos os lugares que passei. O povo de Cocal é  desapegado e generoso,  de modo que sempre oferece tudo o que tem, sem medo de ‘perder’ o pouco que tem. Comumente se ouvia:  ‘A casa é sua. Fique à vontade’. Para o povo que visitei, pode até faltar muitas coisas, mas para o missionário que vem para o meio desse povo, não falta nada!”, avaliou Frei Marcos Schwengber.

"A missão para mim é uma das maneiras mais lindas de demonstrar o amor ao próximo, pois poder sair de nossas casas e levar um sorriso, um abraço e palavras de fé e oração para as famílias muitas vezes esquecidas pela sociedade e sermos acolhidos tão bem, é muito gratificante, principalmente pelo afeto e amizade que nós criamos com os moradores de Cocal”, completou o jovem Paulo Vidal, de Santo Amaro da Imperatriz (SC).

Frei Diego Atalino de Melo e Frei Gabriel Dellandrea

Serviço de Animação Vocacional