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sábado, 22 de julho de 2017

Liturgia: Nem sempre “agora” é o melhor momento


Frei Gustavo Medella

“Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração”.

Carlos Drummond de Andrade

A estrofe acima faz parte do poema de "Sete Faces", do mineiro Carlos Drummond de Andrade. Apresenta certo espanto do autor diante da complexidade do mundo interior que cada ser humano traz em si. Brilhante a intuição do poeta em perceber que todo o dinamismo do mundo externo faz ecos e representa a trama de pensamentos, sentimentos, expectativa, medos e valores que as pessoas trazem no coração.

E é por este entrelaçado novelo de humanidade que Deus se interessa. Dono de todo poder, conforme atesta o Livro da Sabedoria, não resolve as questões a partir de um automatismo maquinal que promete soluções mágicas, mas respeita o tempo e os processos de cada um de seus filhos e filhas (Cf. Sb 12,18). Além de Justiça e Bondade, o Deus de Jesus Cristo também se revela Paciência.

Nesta dinâmica se pode compreender a Parábola do Joio e do Trigo. A pressa dos empregados em resolver logo o problema é compreensível. Quanto antes estivessem livres daquela ameaça, tanto melhor. Melhor ainda se o joio não tivesse sido semeado. Seria a situação ideal. No entanto, diante da realidade das duas sementes que coabitam a mesma terra, a sabedoria do Senhor revela que o mais prudente e recomendável é esperar a hora da colheita, quando trigo e joio se tornarem identificáveis.

Assim caminha o ser humano, entre o cenário que sonha e aquele que vive na realidade. Administrar os próprios dramas internos e lidar com as situações exteriores que são contrárias é tarefa desafiadora, que deve ser empreendida à luz da fé. Acreditar que, mesmo quando o joio parece predominar, as boas sementes da graça de Deus continuam presentes e vão dar os frutos no tempo oportuno é a grande lição que o Evangelho deste 16º Domingo do Tempo Comum apresenta. É o convite para uma espera ativa e cheia de esperança de quem deseja trabalhar pela construção do Reino.

Confira o vídeo da TV Franciscanos:

Santo do dia: Santa Maria Madalena


 Hoje a Igreja celebra a memória de Santa Maria Madalena. Na cultura popular costumamos nos referir à santa como símbolo de arrependimento. Quem nunca ouviu a expressão "cara de Maria Madalena arrependida"?

É justamente assim que os artistas retrataram Maria Madalena ao longo dos séculos. A feição é, em geral, de uma penitente. É comum encontrarmos em sua representação jóias, que significam a vida de luxúria que ela deixou para trás, também a caveira, que representa a morte, e a cruz, símbolo máximo da união a Jesus Cristo. Segundo a tradição, Maria Madalena foi a primeira testemunha da ressurreição de Jesus e uma das grandes seguidoras de Jesus.

Saiba mais sobre a história de Maria Madalena que celebramos nesta sexta-feira:

Magdala — aldeia situada na margem ocidental do lago de Genesaré, na Galileia — é a terra natal de Maria, denominada propriamente de Madalena, que se distingue totalmente da outra Maria, a de Betânia, irmã de Lázaro e Marta.

Maria Madalena é a fiel discípula que segue o mestre da Galileia à Judeia junto com muitas outras mulheres, que entregavam seus haveres a Jesus e aos apóstolos. É ainda ela quem está ao lado de Maria, a Mãe de Jesus, junto à cruz, compartilhando as dores da crucificação e a morte do Filho. É também quem permanece em vigília amorosa na madrugada do primeiro dia e é a primeira a correr ao sepulcro.

Aquela que, em seu ardente amor, foi premiada pelo Ressuscitado, que se fez conhecer pronunciando-lhe apenas o nome, com se faz com quem é familiar: "Maria!". É a ela que o Salvador confia o grande anúncio da ressurreição: "Vai a meus irmãos e dize-lhes que Subo a meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus".

Esta é a Madalena que a Igreja hoje comemora, com presença obrigatória no calendário geral. Anteriormente, a liturgia ocidental — influenciada pelos escritos de são Gregório Magno e pela identidade de nome — confundira numa só pessoa Maria de Betânia e Maria de Magdala. Tal identificação fora sempre recusada pela tradição da igreja oriental e pelos escritos dos padres gregos. Com ambos está concorde agora o novo Calendário romano.

Constitui pura lenda a viagem e a estada de Madalena na Gália. Segundo uma antiga tradição grega, Maria Madalena teria ido viver em Éfeso junto à mãe de Jesus e ao apóstolo João.

(Retirado do livro "Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente", Paulinas Editora)

Fonte: Paulinas 

Das homilias de São Gregório Magno, Séc.VI

Maria Madalena, tendo ido ao sepulcro, não encontrou o corpo do Senhor. Julgando que fora roubado, foi avisar aos discípulos. Estes vieram também ao sepulcro, viram e acreditaram no que a mulher lhes dissera. Sobre eles está escrito logo em seguida: Os discípulos voltaram então para casa (Jo 20,10). E depois acrescenta-se: Entretanto, Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando (Jo 20,11).

Este fato leva-nos a considerar quão forte era o amor que inflamava o espírito dessa mulher, que não se afastava do túmulo do Senhor, mesmo depois de os discípulos terem ido embora. Procurava a quem não encontrara, chorava enquanto buscava e, abrasada no fogo do seu amor, sentia a ardente saudade daquele que julgava ter sido roubado. Por isso, só ela o viu então, porque só ela o ficou procurando. Na verdade, a eficácia das boas obras está na perseverança, como afirma também a voz da Verdade: Quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10,22).

Ela começou a procurar e não encontrou nada; continuou a procurar, e conseguiu encontrar. Os desejos foram aumentando com a espera, e fizeram com que chegasse a encontrar. Pois os desejos santos crescem com a demora; mas se diminuem com o adiamento, não são desejos autênticos. Quem experimentou este amor ardente, pôde alcançar a verdade. Por isso afirmou Davi: Minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus? (Sl 41,3). Também a Igreja diz no Cântico dos Cânticos: Estou ferida de amor (Ct 5,8). E ainda: Minha alma desfalece (cf.Ct 5,6).

Mulher, por que choras? A quem procuras? (Jo 20,15). É interrogada sobre o motivo de sua dor, para que aumente o seu desejo e, mencionando o nome de quem procurava, se inflame ainda mais o seu amor por ele.

Então Jesus disse: Maria (Jo 20,16). Depois de tê-la tratado pelo nome comum de mulher sem que ela o tenha reconhecido, chama-a pelo próprio nome. Foi como se lhe dissesse abertamente: Reconhece aquele por quem és reconhecida. Não é entre outros, de maneira geral, que te conheço, mas especialmente a ti. Maria, chamada pelo próprio nome, reconhece quem lhe falou; e imediatamente exclama: Rabuni, que quer dizer Mestre (Jo 20,16). Era ele a quem Maria Madalena procurava exteriormente; entretanto, era ele que a impelia interiormente a procurá-lo.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Missões na Bahia: Fonte abundante de água viva


O semiárido baiano tornou-se para 15 jovens missionários da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil uma fonte abundante de água viva que brota da presença de Jesus no meio do seu povo.

Esta foi a conclusão depois de uma semana de missão na Pró-paróquia de Nossa Senhora da Piedade, em Cocal, povoado do município de Brotas de Macaúbas (BA), pertencente à Diocese de Barra, cujo pastor é o bispo franciscano Dom Luís Flavio Cappio.

Jovens missionários de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro não se intimidaram com as distâncias e longas horas de viagem, nem tampouco pelo clima frio e nebuloso de alguns dias da semana, desfazendo a ideia de que somente no Sul é que faz frio.

No entanto, se a temperatura insistia em se manter baixa, o calor da acolhida e do carinho do povo baiano aqueceu o coração de todos que encerraram as missões com lágrimas de despedidas e a promessa de retornarem assim que possível.

Divididos em cinco equipes, os jovens viveram uma experiência de fraternidade e missão. Acolhidos nas casas das famílias, puderam partilhar o pão e a ação, a vida e a fé, os sonhos e os desafios desse povo que insiste em testemunhar a beleza de um Deus que se faz simples e pequeno.


No dia a dia com as comunidades se experimentava a certeza de que ‘quanto menor a casinha, mais sincero é o bom dia’. O amor e o cuidado de Jesus se manifestou de diferentes formas: pelas mãos que preparavam com carinho o cuscuz matinal; pelo olhar sincero e atento das crianças que foram as fiéis companheiras durante as visitas; pela perseverança do irmão embriagado que não deixava de participar de nenhuma celebração, acreditando ali encontrar forças para se libertar do vício; pelo serviço incansável das lideranças que preparavam tudo com tamanho dedicação; pelo trabalho dos jovens na arte de plantar não somente flores em sua comunidade, mas em cultivar sonhos para sua juventude; no balão reaproveitado pelas crianças, que no encher e esvaziar desse tão simples objeto nos davam uma verdadeira lição de um novo mundo possível; pela ousadia dos jovens missionários que investiram não somente seu dinheiro para uma tão longa viagem, mas partilharam suas vidas e seus dons para fazer o Reino de Deus acontecer. Enfim, tudo falava de Deus e expressava o rosto Daquele que se fez para nós o caminho.

Visitas às famílias, reuniões formativas, orações do terço e momentos celebrativos reforçaram ainda mais a fé e a devoção do povo. O cuidado com a Casa Comum também foi trabalhado com todos os jovens das escolas, que participaram da Semana do Meio Ambiente, realizando estudos e atividades de conscientização sobre o tema. Tal semana foi concluída com um mutirão de limpeza na comunidade do Cocal, dando direito a premiação dos alunos que mais se destacaram em todo o projeto.


Além disso, a juventude da região teve oportunidade de conhecer um pouco mais  a espiritualidade franciscana durante uma animada tarde de encontro, que foi concluída ao pé da fogueira com cantos, danças e apresentações, demonstrando a alegria de serem jovens e que os sonhos que os animam são os mesmos em qualquer canto do país.

Coroando essa Semana Missionária, toda a comunidade paroquial reuniu-se para uma manhã de retiro e aprofundamento das 7 dores de Maria, que foram dramatizadas pelos jovens e que se tornaram mais próximas da vida do povo.

Por fim, gratidão é a palavra que define essa grande experiência: aos jovens, pela coragem e dedicação; a Frei Moisés Beserra de Lima, pároco local, pela organização e acolhida; às fraternidades e Paróquias da Província, pelo apoio e incentivo; e ao povo de Cocal, pela partilha alegre e sincera, que fez do semiárido baiano um local de chuva abundante capaz de irrigar os corações de todos nós.

“A experiência da missão para mim foi singular, pois me senti em casa em todos os lugares que passei. O povo de Cocal é  desapegado e generoso,  de modo que sempre oferece tudo o que tem, sem medo de ‘perder’ o pouco que tem. Comumente se ouvia:  ‘A casa é sua. Fique à vontade’. Para o povo que visitei, pode até faltar muitas coisas, mas para o missionário que vem para o meio desse povo, não falta nada!”, avaliou Frei Marcos Schwengber.

"A missão para mim é uma das maneiras mais lindas de demonstrar o amor ao próximo, pois poder sair de nossas casas e levar um sorriso, um abraço e palavras de fé e oração para as famílias muitas vezes esquecidas pela sociedade e sermos acolhidos tão bem, é muito gratificante, principalmente pelo afeto e amizade que nós criamos com os moradores de Cocal”, completou o jovem Paulo Vidal, de Santo Amaro da Imperatriz (SC).

Frei Diego Atalino de Melo e Frei Gabriel Dellandrea

Serviço de Animação Vocacional

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Papa Francisco - Jesus não se impõe, mas se propõe doando-se


Cidade do Vaticano – O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, neste domingo (16/07), com os fiéis e peregrinos de várias partes do mundo, presentes na Praça São Pedro. Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice disse que “quando Jesus falava usava uma linguagem simples e usava também imagens que eram exemplo de vida cotidiana a fim de ser compreendido facilmente por todos. Por isso, as pessoas o ouviam com boa vontade e apreciavam a sua mensagem que chegava diretamente ao coração”.

Não era uma linguagem complicada de entender como as dos doutores da lei daquele tempo, que não se entendia muito bem, pois “era cheia de rigidez e distanciava as pessoas”. “Com essa linguagem, Jesus faz entender o mistério do Reino de Deus. Não era uma teologia complicada e o exemplo disso nos é apresentado no Evangelho de hoje.”

Generosidade

“O semeador é Jesus. Observamos que com essa imagem, Ele se apresenta com um que não se impõe, mas se propõe. Não nos atrai conquistando-nos, mas doando-se. Ele propaga com paciência e generosidade a sua Palavra, que não é uma gaiola ou uma emboscada, mas uma semente que pode dar fruto”, disse Francisco, se estivermos dispostos a acolhê-la.

“Portanto, a parábola diz respeito sobretudo a nós. De fato, fala mais do terreno que do semeador. Jesus faz, por assim dizer, uma radiografia espiritual do nosso coração, que é o terreno sobre o qual cai a semente da Palavra. O nosso coração, como um terreno, pode ser bom e então a Palavra dá fruto, mas pode ser também duro, impermeável. Isso acontece quando ouvimos a Palavra, mas ela bate com força sobre nós, como numa estrada.”

Coração superficial

Entre o terreno bom e a estrada existem dois terrenos intermédios que, de várias medidas, podem existir em nós.

“O primeiro é o pedregoso. Vamos imaginá-lo! Um terreno pedregoso é um terreno onde não há muita terra. A semente germina, mas não consegue se enraizar profundamente. Assim, é o coração superficial, que acolhe o Senhor, quer rezar, amar e testemunhar, mas não persevera, se cansa e nunca decola. É um coração sem consistência onde as pedras da preguiça prevalecem sobre a terra boa, onde o amor é inconstante e passageiro. Quem acolhe o Senhor somente quando quer, não dá fruto.”

Vícios

Depois, há o último terreno, o espinhoso, cheio de sarças que sufocam as plantas boas. “O que essas sarças representam? «A preocupação do mundo e a sedução da riqueza», diz Jesus. As sarças são os vícios que lutam com Deus, que sufocam a presença: sobretudo os ídolos da riqueza mundana, o viver com avidez, para si mesmo, para o ter e o poder. Se cultivamos essas sarças, sufocamos o crescimento de Deus em nós. Cada um pode reconhecer as suas pequenas ou grandes sarças que não agradam a Deus e impedem ter um coração limpo. É preciso arrancá-las, caso contrário a Palavra não dá fruto.”

O Papa disse ainda que “Jesus nos convida hoje a nos olhar por dentro, a agradecer pelo nosso terreno bom e a trabalhar os terrenos que ainda não são bons. Perguntemo-nos se o nosso coração está aberto para acolher com fé a semente da Palavra de Deus. Perguntemo-nos se em nós as pedras da preguiça são ainda numerosas e grandes. Devemos encontrar e chamar por nome as sarças dos vícios. Encontremos a coragem de recuperar o terreno, levando ao Senhor na confissão e na oração as nossas pedras e nossas sarças”.

Purificar o coração

“Ao fazer isso”, sublinhou Francisco, “Jesus, o Bom semeador, ficará feliz de realizar um trabalho adicional: purificar os nossos corações, removendo as pedras e os espinhos que sufocam a sua Palavra”.

O Papa pediu à Virgem Maria, que hoje recordamos com o título de Nossa Senhora do Carmo, para que nos ajude a purificar o coração e conservar nele a presença do Senhor.

Saudações

Após a oração mariana do Angelus, o Santo Padre saudou todos os fiéis de Roma, os peregrinos de várias partes do mundo, famílias, grupos paroquias e associações.
Saudou de modo particular as Irmãs de Nossa Senhora das Dores que celebram 50 anos da aprovação pontifícia do instituto. Saudou também as Irmãs Franciscanas de São José que comemoram 150 anos de fundação, os diretores e hóspedes da “Domus Croata” de Roma, no 30° aniversário de sua instituição.

O Papa dirigiu uma saudação especial à comunidade católica da Venezuela, presente na Itália, renovando sua oração por esse “amado país”.

#santododia - Bem-aventurado Inácio de Azevedo e companheiros


Inácio de Azevedo nasceu em Portugal, na cidade do Porto, em 1527. Seus pais, Manuel e Violante, eram descendentes de famílias lusitanas, ricas e poderosas. Desde pequeno foi educado sob preceitos cristãos e recebeu também vasta cultura acadêmica. Aos dezoito anos, tornou-se administrador dos bens da família, pois tinha inteligência acima da média.

Mas sua vocação era a religião. Após um retiro na cidade de Coimbra, entrou para a Companhia de Jesus em 1548. Cinco anos depois, recebeu a ordenação sacerdotal. Seus estudos eram tão avançados e seus conhecimentos tão extensos que, mesmo sem terminar o curso de teologia, foi nomeado reitor do Colégio Santo Antonio, em Lisboa.
Em 1565, foi escolhido pelos jesuítas para representá-los, em Roma, na eleição do novo geral, que era ninguém menos que o próprio Francisco Borja, hoje santo. Admirado com a capacidade de Inácio, deu-lhe a incumbência de vistoriar as missões jesuítas nas Índias e no Brasil. Tal viagem de inspeção durou três anos.

No Brasil, a evangelização começara havia apenas dezesseis anos, mas o trabalho dos jesuítas dava frutos em profusão. A Companhia de Jesus já estava presente em sete tribos no interior e, no litoral, possuía escolas e seminários.

Ao voltar, Inácio relatou ao geral que o trabalho ia muito bem, mas poderia render ainda mais se houvesse um número maior de missionários. Recebendo autorização do superior, recrutou jesuítas na Espanha e Portugal. Após cinco meses de preparativos, ele e mais trinta e nove companheiros partiram para o Brasil, em 5 de junho de 1570, num navio mercante.

Na mesma data, partiu também uma embarcação de guerra comandada por dom Luis Vasconcelos, governador do Brasil, onde seguiam mais trinta jesuítas. Oito dias depois, os dois navios pararam na ilha da Madeira, para esperar ventos mais fortes e melhor direcionados. O navio de guerra ali permaneceu, mas o capitão do mercante, que era Inácio, resolveu zarpar em direção às ilhas Canárias.

Apesar dos boatos da existência de piratas calvinistas no caminho, que estariam no encalço dos jesuítas, ele não quis ouvir os conselhos de não seguir viagem. Inácio e seus parceiros preferiram permanecer a bordo e não desistir, pois não temiam a morte. Ela, de fato, os encontrou em alto mar. O navio foi atacado pelo corsário calvinista francês Jacques Sourie, que partira de La Rochelle, justamente no encalço dos missionários. O navio foi dominado, os tripulantes e demais passageiros poupados, mas todos os jesuítas foram degolados imediatamente. Era o dia 15 de julho de 1570.

O culto a Inácio de Azevedo e companheiros foi aprovado pelo papa Pio IX em 1854. A festa ocorre no dia do trânsito dos quarenta de jesuítas martirizados pelas mãos de piratas calvinistas. São venerados como os "Mártires do Brasil".

Fonte: Paulinas

domingo, 16 de julho de 2017

#santododia - Nossa Senhora do #Carmo


A festa de Nossa Senhora do Carmo é relacionada à Ordem Carmelitana, cuja origem é bem antiga. Na Ordem Carmelitana tem-se a tradição, segundo a qual o profeta Elias, vendo aquela nuvenzinha, que se levantava no mar, bem como a pegada de homem, teria nela reconhecido no símbolo, a figura da futura Mãe do Salvador. Os discípulos de Elias, recordando aquela visão do mestre, teriam fundado uma Congregação, com sede no Monte Carmelita, com o fim declarado de prestar homenagens à Mãe do Mestre. Essa Congregação ter-se-ia conservado até os dias de Jesus Cristo e existido com o Título Servas de Maria.

Manifestação de Maria a São Simão Stock

Historicamente documentadas são as seguintes datas da Ordem de Nossa Senhora do Carmelo. Foi no século XII que o calabrez Bertoldo, com alguns companheiros, se estabeleceu no Monte Carmelo. Não se sabe se encontraram lá a Congregação dos Servos de Maria ou se fundaram uma deste nome; certo é que receberam em 1209 uma regra rigorosíssima, aprovada pelo Patriarca de Jerusalém - Alberto. Pelas cruzadas esta Congregação tornou-se conhecida também na Europa. Dois nobres fidalgos da Inglaterra convidaram alguns religiosos do Carmelo, para acompanhá-los e fundar conventos na Inglaterra, o que fizeram.

Pela mesma época vivia no condado de Kent um eremita que, há vinte anos, vivia em solidão, tendo por residência o tronco oco de uma árvore. O nome desse eremita era Simão Stock. Atraído pela vida mortificada dos carmelitas recém-chegados, como também pela devoção Mariana que aquela Ordem cultivava, pediu admissão como noviço na Ordem de Nossa Senhora do Carmo. Em 1225, Simão Stock foi eleito coadjutor Geral da Ordem, já então bastante conhecida e espalhada.

O papa Honório III aprovou a regra da Ordem. Simão Stock visitou os Irmãos da ordem no Monte Carmelo, e demorou-se com eles seis anos.

Um capítulo geral da Ordem, realizado em 1237, determinou a transferência para a Europa de quase todos os religiosos, os quais, para se verem livres das vexações dos Sarracenos, procuraram a Inglaterra, onde a Ordem possuía já 40 conventos.

No ano de 1245, foi Simão Stock eleito Superior Geral da Ordem e a regra teve aprovação do Papa Inocêncio IV.

A Ordem de Nossa Senhora do Carmo, colocada sob a proteção da Santa Sé, começou a ter, então, uma aceitação extraordinária no mundo católico. Para isto concorreu poderosamente a Irmandade do Escapulário, que deve a fundação a Simão Stock.

Em 16 de julho de 1251, estando em oração fervorosa, Nossa Senhora lhe apareceu. Veio trazer-lhe um escapulário. "Meu dileto filho - disse-lhe a Rainha do céu - eis o escapulário, que será o distintivo de minha Ordem. Aceita-o como um penhor de privilégio, que alcancei para ti e para todos os membros da Ordem do Carmo. Aquele que morrer vestido deste escapulário, estará livre do fogo do inferno".

Simão Stock tratou então de divulgar a irmandade do escapulário e convidar o mundo católico a participar dos grandes privilégios anexos. Entre os devotos do escapulário de Nossa Senhora do Carmo, vêem-se Papas, Cardeais e Bispos. O Escapulário teve uma aceitação favorável e universal entre o povo católico. Neste sentido, só é comparável ao Rosário.

Oração a Nossa Senhora do Carmo

Ó bendita e imaculada Virgem Maria, honra e esplendor do Carmelo! Vós que olhais com especial bondade para quem traz o vosso bendito escapulário, olhai para mim benignamente e cobri-me com o manto da vossa maternal proteção. Fortificai minha fraqueza com o vosso poder, iluminai as trevas do meu espírito com a vossa sabedoria, aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade. Ornai minha alma com a graça e as virtudes que a tornem agradável ao vosso divino Filho. Assisti-me durante a vida, consolai-me na hora da morte com a vossa amável presença e apresentai-me à Santíssima Trindade como vosso filho e servo dedicado; e lá do céu, eu quero louvar-vos e bendizer-vos por toda a eternidade.
Amém!

Fonte: Paulinas.

sábado, 15 de julho de 2017

Santo do dia: São #Boaventura


João de Fidanza, filho de João de Fidanza e Maria Ristelli, nasceu em Bagnoregio, do distrito de Viterbo, dos Estados Pontifícios, em 1221. Curou-se na infância de grave doença, depois de uma invocação a São Francisco de Assis feita por sua mãe, a que faz referência o próprio São Boaventura (Sermo de B. Francisco, serm.3).

Pelo ano 1234 seguiu para a Faculdade das Artes, de Paris, onde se graduava pelo ano 1240. Ingressou aos 17 anos na Ordem dos Franciscanos, onde assumiu o nome de Boaventura. Talvez estivesse motivado pela devoção a São Francisco que lhe vinha da infância, e ainda pela admiração a Alexandre de Hales, por quem se deixara orientar doutrinariamente, enfim pelo apreço em que levava o espírito da Ordem, como se infere de suas mesmas palavras.

A teologia a estudou provavelmente sob Alexandre de Hales (+ 1245), porque o chama de pai e mestre. Boaventura principia o magistério em 1248 como bacharel bíblico, com o Comentário ao Evangelho de S. Lucas; conforme os estatutos da Universidade, dois anos depois, como bacharel sentenciário, explicaria a Sentenças, o que teria feito, então, em 1250 e 1251; na mesma sequência deveria chegar ao doutorado em teologia em 1253. Frente às dificuldades criadas então aos religiosos, parece que Boaventura só conseguiu o reconhecimento do título em 1257.

Mas, abandonou exatamente, então, o magistério, passando então ao posto de Geral da Ordem franciscana; tinha 36 anos. Dedicou-se à causa da Ordem, à sua espiritualidade e à pregação em geral. Em 1273 foi feito cardeal e bispo de Albano.

Exerceu especiais incumbências no Concílio de Lyon, quando foi conseguida a união com a Igreja Grega (6-7-1274), a qual todavia foi precária. Oito dias após o Concílio faleceu o cardeal (14-7-1274). Foi canonizado em 1482 e declarado doutor da Igreja em 1587.

Boaventura chegara mais cedo a Paris que São Tomás; enquanto o primeiro se graduava em artes em Paris em 1240, Tomás chegará a Paris em 1245, para seguir em 1248 para Colônia. Boaventura completa o tirocínio para a conquista do grau de mestre em 1253, Tomás, que retornara a Paris, lecionou ali de 1252 a 1259, depois seguindo para a Itália (1259-1268).

Cessou, porém o magistério de Boaventura em 1257. Entretanto Boaventura não paralisou as suas preocupações intelectuais. Foi a um tempo, um homem de estudo, de ação e além de místico. Não participou das controvérsias tomistas de 1270, mas apoiou tacitamente a oposição, que era agostiniana.

A obra literária de S. Boaventura é relativamente grande, principalmente tendo em consideração que lecionou apenas 10 anos (1248-1257), de quando datam os livros do tipo escolar. São de interesse filosófico:

Comentários sobres as Sentenças (c. 1248-1255);
Quaestiones disputates, sendo 7 De scientia christi, 8 de Mysterio Trinitatis, 4 de perfectione evangelica;
Itinerarium mentis ad Deum (1259);
Breviloquium (antes de 1257);
De reductione artium ad theologiam;
e os tratados sobre os Tópicos, Meteoros, e De generatione de Aristóteles.
Deixou também numerosos sermões e escritos de natureza mística. São Boaventura morreu no dia 15 de Julho do ano de 1274.

ORAÇÃO - Concedei-nos, Pai todo-poderoso, que, celebrando a festa de São Boaventura, aproveitemos seus preclaros ensinamentos e imitemos sua ardente caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

15º domingo do Tempo Comum - Uma semente, muitos destinos

Frei Gustavo Medella

Um semeador que sai a semear só um tipo de semente: boa. Vários tipos de solos e destinos para a semente: pedras, espinhos e terra boa, sem contar as que caem à beira do caminho. “Uma semente, muitos destinos” – quase título de uma produção hollywoodiana… No entanto, trata-se de mais um artifício pedagógico de Jesus, como podemos ver na liturgia deste 15º Domingo do Tempo Comum,  para revelar a seus ouvintes como funciona a parceria divino-humana que o Senhor propõe. Em seu projeto, o Senhor escolhe e deseja contar com as pessoas e respeita plenamente a liberdade de cada uma delas.

O Semeador e a semente têm padrão irrepreensível, garantia total que só pode ser dada por quem possui como atributos a onipotência, a onipresença e a onisciência. Já o terreno… Este precisa ser trabalhado, cultivado com afinco, dedicação, esmero ou, como se diz mais modernamente, com força, fé e foco.

Em sua bondade infinita, o Semeador não se cansa de semear com generosidade. Ao terreno  – cada coração humano em seu mistério de graça e pecado – cabe a responsabilidade de cuidar (ou não) da semente de vida, sentido e salvação que Deus, teimosa e amorosamente, sai a semear. A “Terra boa” procura ser aquele coração que se dá conta da preciosidade da semente e da total solicitude do Semeador e chega à conclusão que dar frutos de bênção não é um peso, um castigo, uma imposição, mas a única atitude possível a quem alcança a graça de sentir plenamente amado por “Aquele que é Amor".

terça-feira, 11 de julho de 2017

Jesus curava todo mal e toda enfermidade - Palavra da Hora

Santo do dia: São #Bento


As informações sobre a vida de Bento nos foram transmitidas pelo seu biógrafo e contemporâneo, Papa são Gregório Magno. No livro que enaltece o seu exemplo de santidade de vida, ele não registrou as datas de nascimento e morte. Assim, apenas recebemos da tradição cristã o relato de que Bento viveu entre os anos de 480 e 547.

Bento nasceu na cidade de Nórcia, província de Perugia, na Itália. Pertencia à influente e nobre família Anícia e tinha uma irmã gêmea chamada Escolástica, também fundadora e santa da Igreja. Era ainda muito jovem quando foi enviado a Roma para aprender retórica e filosofia. No entanto, decepcionado com a vida mundana e superficial da cidade eterna, retirou-se para Enfide, hoje chamada de Affile. Levando uma vida ascética e reclusa, passou a se dedicar ao estudo da Bíblia e do cristianismo.

Ainda não satisfeito, aos vinte anos isolou-se numa gruta do monte Subiaco, sob orientação espiritual de um velho monge da região chamado Romano. Assim viveu por três anos, na oração e na penitência, estudando muito. Depois, agregou-se aos monges de Vicovaro, que logo o elegeram seu prior. Mas a disciplina exigida por Bento era tão rígida, que esses monges indolentes tentaram envenená-lo. Segundo seu biógrafo, ele teria escapado porque, ao benzer o cálice que lhe fora oferecido, o mesmo se partiu em pedaços.

Bento abandonou, então, o convento e, na companhia de mais alguns jovens, entre eles Plácido e Mauro, emigrou para Nápoles. Lá, no sopé do monte Cassino, onde antes fora um templo pagão, construiu o seu primeiro mosteiro.

Era fechado dos quatro lados como uma fortaleza e aberto no alto como uma grande vasilha que recebia a luz do céu. O símbolo e emblema que escolheu foram a cruz e o arado, que passaram a ser o exemplo da vida católica dali em diante.

As regras rígidas não poderiam ser mais simples: "Ora e trabalha". Acrescentando-se a esse lema "leia", pois, para Bento, a leitura devia ter um espaço especial na vida do monge, principalmente a das Sagradas Escrituras. Desse modo, estabelecia-se o ritmo da vida monástica: o justo equilíbrio, do corpo, da alma e do espírito, para manter o ser humano em comunhão com Deus. Ainda, registrou que o monge deve ser "não soberbo, não violento, não comilão, não dorminhoco, não preguiçoso, não detrator, não murmurador".

A oração e o trabalho seriam o caminho para edificar espiritual e materialmente a nova sociedade sobre as ruínas do Império Romano que acabara definitivamente. Nesse período, tão crítico para o continente europeu, este monge tão simples, e por isto tão inspirado, propôs um novo modelo de homem: aquele que vive em completa união com Deus, através do seu próprio trabalho, fabricando os próprios instrumentos para lavrar a terra. A partir de Bento, criou-se uma rede monástica, que possibilitou o renascimento da Europa.

Celebrado pela Igreja no dia 11 de julho, ele teria profetizado a morte de sua irmã e a própria. São Bento não foi o fundador do monaquismo cristão, que já existia havia três séculos no Oriente. Mas merece o título de "Pai do Monaquismo Ocidental", que ali só se estabeleceu graças às regras que ele elaborou para os seus monges, hoje chamados "beneditinos". Além disto, são Bento foi declarado patrono principal de toda a Europa pelo papa Paulo VI, em 1964, também com justa razão.

Fonte: Paulinas

domingo, 9 de julho de 2017

Santo do dia: Santa Madre Paulina


Amábile Lúcia Visintainer nasceu no dia 16 de dezembro de 1865, em Vigolo Vattaro, província de Trento, no norte da Itália. Foi a segunda filha do casal Napoleão e Anna, que eram ótimos cristãos, mas muito pobres.

Nessa época, começava a emigração dos italianos, movida pela doença e carestia que assolava a região. Foi o caso da família de Amábile, que em setembro de 1875 escolheu o Brasil e o local onde muitos outros trentinos já haviam se estabelecido no estado de Santa Catarina, em Nova Trento, na pequena localidade de Vigolo.

Assim que chegou, Amábile conheceu Virgínia Rosa Nicolodi e tornaram-se grandes amigas. As duas se confessam apaixonadas pelo Senhor Jesus e não era raro encontrá-las, juntas, rezando fervorosamente. Fizeram a primeira comunhão no mesmo dia, quando Amábile já tinha completado doze anos de idade.

Logo em seguida, o padre Servanzi a iniciou no apostolado paroquial, encarregando-a da catequese das crianças, da assistência aos doentes e da limpeza da capela de seu vilarejo, Vigolo, dedicada a são Jorge. Mas mal sabia o padre que estaria confirmando a vocação da jovem Amábile para o serviço do Senhor.

Amábile incluía, sempre, Virgínia nas atividades para ampliar o campo de ação. Dedicava-se de corpo e alma à caridade, servia consolando e ajudando os necessitados, os idosos, os abandonados, os doentes e as crianças. As obras já eram reconhecidas e notadas por todos, embora não soubesse que já se consagrava a Deus.

Com a permissão de seu pai, Amábile construiu um pequeno casebre, num terreno doado por um barão, próximo à capela, para lá rezar, cuidar dos doentes, instruir as crianças. A primeira paciente foi uma mulher portadora de câncer terminal, a qual não tinha quem lhe cuidasse. Era o dia 12 de julho de 1890, data considerada como o dia da fundação da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, que iniciou com Amábile e Virgínia atuando como enfermeiras.

Essa também foi a primeira congregação religiosa feminina fundada em solo brasileiro, tendo sido aprovada pelo bispo de Curitiba, em agosto 1895. Quatro meses depois, Amábile, Virgínia e Teresa Anna Maule, outra jovem que se juntou a elas, fizeram os votos religiosos; e Amábile recebeu o nome de irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Também foi nomeada superiora, passando a ser chamada de madre Paulina.

A santidade e a vida apostólica de madre Paulina e de suas irmãzinhas atraíram muitas vocações, apesar da pobreza e das dificuldades em que viviam. Além do cuidado dos doentes, das crianças órfãs, dos trabalhos da paróquia, trabalhavam também na pequena indústria da seda para poderem sobreviver.

Em 1903, com o reconhecimento de sua obra, madre Paulina foi convidada a transferir-se para São Paulo. Fixando-se junto a uma capela no bairro do Ipiranga, iniciou a obra da "Sagrada Família" para abrigar os ex-escravos e seus filhos depois da abolição da escravatura, ocorrida em 1888. Em 1918, madre Paulina foi chamada à Casa-geral, em São Paulo, com o reconhecimento de suas virtudes, para servir de exemplo às jovens vocações da sua congregação. Nesse período, destacou-se pela oração constante e pela caridosa e contínua assistência às irmãzinhas doentes.

Em 1938, acometida pelo diabetes, iniciava um período de grande sofrimento, iniciando com a amputação do braço direito, até a cegueira total. Madre Paulina morreu serenamente no dia 9 de julho de 1942, na Casa-geral de sua congregação, em São Paulo.

Ela foi beatificada pelo papa João Paulo II em 1991, quando o papa visitou, oficialmente, o Brasil. Depois, o mesmo pontífice canonizou-a em 2002, tornando-se, assim, a primeira santa do Brasil.

Conheça mais sobre Santa Paulina no site: http://www.santuariosantapaulina.org.br/

Fonte: Paulinas

sábado, 8 de julho de 2017

Caminhos do Evangelho - 14º domingo do Tempo Comum

#Liturgia - 14º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura: Zc 9,9-10
Sl 144
2ª Leitura: Rm 8,9.11-13
Evangelho: Mt 11,25-30

* 25 Naquele tempo, Jesus disse: «Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27 Meu Pai entregou tudo a mim. Ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar.

28 Venham para mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso. 29 Carreguem a minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas vidas. 30 Porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve.»

* 25-30: Com sua palavra e ação, Jesus revela a vontade do Pai, que é instaurar o Reino. Contudo, os sábios e inteligentes não são capazes de perceber a presença do Reino e sua justiça através de Jesus. Ao contrário, os desfavorecidos e os pobres é que conseguem penetrar o sentido dessa atividade de Jesus e continuá-la. Jesus veio tirar a carga pesada que os sábios e inteligentes haviam criado para o povo. Em troca, ele traz novo modo de viver na justiça e na misericórdia: doravante, os pobres serão evangelizados e partirão para evangelizar.

 Bíblia Sagrada – Edição Pastoral

Jesus, a violência e a mansidão - Pe. Johan Konings

Percebe-se a violência crescente no mundo. O terrorismo acorda nas pessoas a vontade de responder com violência. Está certo usar de violência para enfrentar a violência? Conforme o plano de Deus, não. Seu enviado é o mestre “manso” e humilde, cujo “jugo” é suave. O evangelho ensina a revelação da mansidão de Jesus aos pequeninos e mansos, os não-violentos. A pregação de Jesus provoca opção a favor ou contra. Contra ele optam as ambiciosas cidades da Galileia (cf. Mt 11,20-24). A favor, os humildes que escutam sua palavra e a põem em prática (Mt 11,25-30). Os que recebem sua revelação, não os que estão cheios de si, vão conhecer o interior de Jesus. Jesus é o mestre dos humildes, porque ele é, no sentido bíblico, manso, não opressor. E assim é também sua doutrina.

O profeta Zacarias já sabia que o Messias não poderia ser um rei violento e opressor (1ª leitura). Essa expectativa, Jesus a realizou de modo surpreendente. A missão do Messias não se realiza pela violência e pela opressão, mas pela mansidão de um pedagogo, que deixa penetrar, nos humildes, gota por gota, o espírito de amor e solidariedade, que faz crescer o verdadeiro Reino de Deus. Por isso, o mistério de Deus e de seu Filho se manifesta no coração dos humildes, enquanto os poderosos o rejeitam.

Jesus convida os “cansados”. Eles são muitos entre nós hoje. Os que já não aguentam o arrocho salarial, a subnutrição, a degradação da vida social e pública, a violência econômica, a exclusão em todas as suas formas. Será que Jesus tem uma solução para esses “cansados”? Contrariamente à pretensa “lei natural” do poder do mais forte, a comunidade de amor e solidariedade lhes oferece, mais e melhor do que o consumismo da tevê e dos shopping-centers, aquilo que os torna realmente felizes: valorização fraterna, sustento mútuo e, sobretudo, a certeza de “estar na linha de Deus”.

Aos cristãos cabe conscientizar o povo – pobres e ricos – de que a mera força e opressão não resolvem nada, mas afastam as pessoas do espírito de Cristo. E perguntemos: em nossas comunidades, existe verdadeira “mansidão” ou, pelo contrário, reinam práticas opressoras? Aplicarmos uma “pedagogia da mansidão”, deixando a grama crescer no chão em vez de puxá-la para fazer crescê-la mais rápido?

Jesus veio como libertador manso e humilde, não como revolucionário armado, porque o reino do amor fraterno não pode ser implantado pela violência, mas somente pela convicção interior. Essa é sua resposta ao poder da força, contra o qual o pequeno não pode resistir quando se quer medir com ele no mesmo nível.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

CONFIRA A REFLEXÃO DE FREI GUSTAVO MEDELLA:

segunda-feira, 3 de julho de 2017

#SantodoDia São #Tomé


Embora na nossa memória a presença de São Tomé faça sempre pensar em incredulidade e nos lembre daqueles que “precisam ver para crer”, sua importância não se resume a permitir a inclusão na Bíblia da dúvida humana. Ela nos remete, também, a outras fraquezas naturais do ser humano, como
a aflição e a necessidade de clareza e pé no chão. Mas, e principalmente, mostra a aceitação dessas fraquezas por Deus e seu Filho no projeto de sua vinda para nossa salvação.

São três as grandes passagens do apóstolo Tomé no livro sagrado. A primeira é quando Jesus é chamado para voltar à Judéia e acudir Lázaro. Seu grupo tenta impedir que se arrisque, pois havia ameaças dos inimigos e Jesus poderia ser apedrejado. Mas ele disse que iria assim mesmo e, aflito, Tomé intima os demais: “Então vamos também e morramos com ele!”

Na segunda passagem, demonstra melancolia e incerteza. Jesus reuniu os discípulos no cenáculo e os avisou de que era chegada a hora do cumprimento das determinações de seu Pai. Falou com eles em tom de despedida, conclamando-os a segui-lo: “Para onde eu vou vocês sabem. E também sabem o caminho”. Tomé queria mais detalhes, talvez até tentando convencer Jesus a evitar o sacrifício: “Se não sabemos para onde vais, como poderemos conhecer o caminho?”. A resposta de Jesus passou para a história: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.

E a terceira e definitiva passagem foi a que mais marcou a trajetória do apóstolo. Foi justamente quando todos lhe contaram que o Cristo havia ressuscitado, pois ele era o único que não estava presente ao evento. Tomé disse que só acreditaria se visse nas mãos do Cristo o lugar dos cravos e tocasse-lhe o peito dilacerado. A dúvida em pessoa, como se vê. Mas ele pôde comprovar tanto quanto quis, pois Jesus lhe apareceu e disse: “Põe o teu dedo aqui e vê minhas mãos!… Não sejas incrédulo, acredita!” Dessa forma, sua incredulidade tornou-se apenas mais uma prova dos fatos que mudaram a história da humanidade.

O apóstolo Tomé ou Tomás, como também é chamado, tinha o apelido de Dídimo, que quer dizer “gêmeo e natural da Galiléia”. Era pescador quando Jesus o encontrou e o admitiu entre seus discípulos.

Após a crucificação e a ressurreição de Jesus, pregou entre os medos e os partas, povos que habitavam a Pérsia. Há também indícios de que tenha levado o Evangelho à Índia, segundo as pistas encontradas por são Francisco Xavier no século XVI. Morreu martirizado com uma lança, segundo a antiga tradição cristã. Sua festa é comemorada em 3 de julho.

Fonte: Paulinas

Das Homilias sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, Papa.

Meu Senhor e meu Deus !

Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio (Jo 20,24). Era o único discípulo que estava ausente. Ao voltar, ouviu o que acontecera, mas negou-se a acreditar. Veio de novo o Senhor, e mostrou seu lado ao discípulo incrédulo para que o pudesse apalpar; mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz de suas chagas, curou a chaga daquela falta de fé. Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Pensais ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que, ao voltar, ouvisse contar, que, ao ouvir, duvidasse, que, ao duvidar, apalpasse, e que, ao apalpar, acreditasse?

Nada disso aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de modo admirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé. A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da ressurreição.

Tomé apalpou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: Acreditaste, porque me viste? (Jo 20,28-29). Ora, como diz o apóstolo Paulo: A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem (Hb 11,1). Logo, está claro que a fé é a prova daquelas realidades que não podem ser vistas. De fato, as coisas que podemos ver não são objeto de fé, e sim de conhecimento direto. Então, se Tomé viu e apalpou, por qual razão o Senhor lhe disse: Acreditaste, porque me viste? É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e proclamou a fé na sua divindade, exclamando: Meu Senhor e meu Deus! Por conseguinte, tendo visto, acreditou. Vendo um verdadeiro homem, proclamou que ele era Deus, a quem não podia ver.

Alegra-nos imensamente o que vem a seguir: Bem-aventurados os que creram sem ter visto (Jo 20,29). Não resta dúvida de que esta frase se refere especialmente a nós. Pois não vimos o Senhor em sua humanidade, mas o possuímos em nosso espírito. É a nós que ela se refere, desde que as obras acompanhem nossa fé. Com efeito, quem crê verdadeiramente, realiza por suas ações a fé que professa. Mas, pelo contrário, a respeito daqueles que têm fé apenas de boca, eis o que diz São Paulo: Fazem profissão de conhecer a Deus, mas negam-no com a sua prática (Tt 1,16). É o que leva também São Tiago a afirmar:A fé, sem obras, é morta (Tg 2,26).

sábado, 1 de julho de 2017

#Solenidade de São #Pedro e São #Paulo


1ª Leitura - At 12,1-11
Salmo - Sl 33(34),2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 5)
2ª Leitura - 2Tm 4,6-8.17-18
Evangelho - Mt 16, 13-19

Naquele tempo:
Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe
e ali perguntou aos seus discípulos:
"Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?"
Eles responderam:
"Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias;
Outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas".
Então Jesus lhes perguntou:
"E vós, quem dizeis que eu sou?"
Simão Pedro respondeu:
"Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo".
Respondendo, Jesus lhe disse:
"Feliz es tu, Simão, filho de Jonas,
porque não foi um ser humano que te revelou isso,
mas o meu Pai que está no céu.
Por isso eu te digo que tu és Pedro,
e sobre esta pedra construirei a minha Igreja,
e o poder do inferno nunca poderá vencê-la.
Eu te darei as chaves do Reino dos Céus:
tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus;
tudo o que tu desligares na terra
será desligado nos céus".

Palavra da Salvação.

Quem sou eu perante Deus? – Pe. João Batista Libânio, sj

Essas três leituras são tão bonitas, que não vou me deixar levar somente pela tradição de apenas explicar o Evangelho. Todas merecem uma palavrinha. Todas elas são uma grande metáfora. Eu sempre gosto de olhar sob esse aspecto.

Na primeira, aquela descrição que vocês ouviram. No fundo, uma metáfora de cada um de nós que está aqui. Quantas vezes os poderosos gostam, se divertem, prendendo, punindo, castigando, tratando mal as pessoas? A história da Igreja conheceu milhões de cristãos que sofreram isso. Simplesmente porque os poderosos quiseram. Mas quando Pedro é preso, é sustentado – frase bonita – pela oração da comunidade. De vez em quando é bom que tomemos consciência disso. Às vezes estamos atravessando uma época difícil, uma situação dolorosa. Nos sentimos sozinhos, mas não é verdade. Nunca estamos sozinhos. Mesmo que as pessoas não mencionem o nosso nome. Não é necessário isso, porque somos essa comunidade. Saibam que vocês sempre são sustentados pela oração de todos, em qualquer momento em que estiverem.

Pedro está na prisão e aí aparece um anjo. Esses anjos são as coisas mais lindas que temos na vida. Claro que não são os anjos que vem de cima. Deus não precisa mandar anjos do céu porque nos deu tantos aqui na Terra. Muitas vezes não percebemos nem descobrimos esses anjos. São aqueles que trazem uma palavra de consolo, aqueles que abrem as nossas prisões. Quantas vezes estamos presos nas nossas tristezas, na nossa dor, fechados em nós mesmos, presos por tantos apegos? Chega o anjo e abre a porta para que saiamos. Quantos estão presos na droga, na vida fútil, presos nas televisões da vida, e vem o anjo e abre a porta?! No começo não nos damos conta de que a porta foi aberta. Diz a leitura que caem as cadeias.

Aquelas cadeias que nos atavam por tanto tempo caem, simplesmente, porque o anjo apareceu. Pode ser a mãe, o pai, o irmão, um amigo, um colega, até uma pessoa estranha que, de repente, nos diz uma palavra. É o anjo que abre a porta e faz as cadeias caírem. E nós, sonâmbulos, caminhamos como Pedro. As portas da cidade se abrem, não só as da prisão. As portas da cidade, da política, que nos jogam para um mundo maior. Também se abre esta grande porta da história. Quem conhece Jerusalém, imagina aquelas grandes portas se abrindo para Pedro. E ele cai em si. Esse momento é importante, quando caímos em nós mesmos, quando tomamos consciência de que estamos sendo livres e libertados, de que há um anjo que nos está conduzindo. Deus nunca deixará de colocar anjos em nossa vida! É que, muitas vezes, não os vemos, embora Ele os coloque, e muitos.

Paulo usou uma metáfora bonita das Olimpíadas. Ele se imaginou como alguém que estava correndo, como aqueles corredores das maratonas que ele conheceu na Grécia ou em Roma. Não a maratona das Olimpíadas, para ganhar uma medalha qualquer, que ficará guardada depois daquela glória pequena de um momento e que todos irão esquecer. Quem se lembra dos vencedores das Olimpíadas de quarenta, trinta anos atrás? Paulo diz: “Essa minha medalha é eterna. Eu nunca a esquecerei”. E ninguém nunca esquecerá. Até hoje falamos de Paulo e pouco falamos das Olimpíadas gregas. Não sabemos os nomes daqueles atletas. Mas de Paulo falamos, porque a sua medalha tinha o sangue da entrega da sua vida.

O Evangelho pode ir e pode voltar. Vem Jesus e pergunta a cada um de nós: “Quem vocês dizem que eu sou?” Mas não há um lugar só para responder. Aqui, é claro que respondemos: “Você é aquele que se nos entrega na Eucaristia!” Mas e na rua, no trabalho? Em cada lugar a resposta é diferente. Não é aquela fórmula: “Tu és o Messias, o Filho de Deus!” Não! Tu és aquele que eu persigo, mas é aquele que me chama. Tu és aquele que me envia, aquele que está sempre ao meu lado. Tu és aquele que abre os meus olhos. Tu és... Há tantos “Tu és” para Jesus! Ele é tão diferente em cada momento. Muitas vezes nos prendemos às frases. O que importa é a experiência da vida, que é abundante. As frases são vazias. Que fiquem para os gramáticos e a vida fique para nós. Este “Tu és” vai nos dar milhares de respostas de quem é Jesus.

Mas eu queria deixar-lhes outra pergunta e essa eu não posso responder. Essa vocês irão responder individualmente. Se Jesus perguntasse: “Que dizes de ti mesmo? Quem és tu?” Vocês diriam logo o nome. Mas o nome é algo tão externo! Pode-se ir ao cartório e mudar, porque não gostou. Quem sabe, por exemplo, que Leonardo Boff se chama Genésio? Ninguém sabe. O nome dele é Genésio Boff, mudou para Leonardo, que é um nome tão bonito e todos o conhecem assim. Portanto, o nome não basta.

Ah, eu sou advogado, médico, engenheiro, professora, estudante, estou quase formado... É pouco. As profissões passam, ainda mais hoje. Muda-se de profissão a cada hora. Fica-se desempregado. É pouco definir alguém pela profissão. Então, como vamos nos definir? Quem somos nós? Guardem essa pergunta e respondam-na. Será que são capazes de responder quem são vocês? Quando eu estava pensando nesta homilia, me perguntava: quem sou eu? Invertam. Imaginem que o Senhor encontra cada um de vocês e faz esta pergunta: “Quem é você?”

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol 2.