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sexta-feira, 5 de maio de 2017

4º domingo da Páscoa - Resistir à tentação de “pular a cerca”



O povo conhece a voz de Jesus

1ª Leitura: At 2, 14a.36-41
Sl: 22
2ª Leitura: 1Pd 2, 20b-35
Evangelho: Jo 10, 1-10

* 1 «Eu garanto a vocês: aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas,  mas sobe por outro lugar, é ladrão e  assaltante. 2 Mas aquele que entra pela  porta, é o pastor das ovelhas. 3 O porteiro abre a porta para ele, e as ovelhas ouvem a sua voz; ele chama cada uma de suas ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4 Depois de fazer sair todas as suas ovelhas, ele caminha na frente delas; e as ovelhas o seguem porque conhecem a sua voz. 5 Elas nunca vão seguir um estranho; ao contrário, vão fugir dele, porque elas não conhecem a voz dos estranhos.» 6 Jesus contou-lhes essa parábola, mas eles não entenderam o que Jesus queria dizer.

Jesus é o único caminho - * 7 Jesus continuou dizendo: «Eu garanto a vocês: eu sou a porta das ovelhas.  8 Todos os que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os ouviram.  9 Eu sou a porta. Quem entra por mim, será salvo. Entrará, e sairá, e encontrará pastagem. 10 O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral


Resistir à tentação de “pular a cerca”


Frei Gustavo Medella

Na sabedoria popular, “pular a cerca” significa agir às escondidas para realizar um ato que a própria consciência de quem o pratica acusa como errado. Se assim não fosse, passaria pela porta, sem preocupação em ser notado, sem a intenção de se esconder. O caminho legítimo e seguro é o da porta. Por ali se entra e sai, por ali as pessoas são recebidas, enviadas, acolhidas. No Evangelho deste 4º Domingo do Tempo da Páscoa (Jo 10,1-10), Jesus se define como a “porta das ovelhas”. Dentre as possíveis compreensões desta afirmação do Mestre, fica uma provocação decisiva para aqueles que se identificam como cristãos: “chegar às ovelhas sem passar por Cristo é ilegítimo e desonesto”.
Esta questão poderia ser abordada em termos institucionais, como uma avaliação da ação pastoral da Igreja, por exemplo. No entanto, nesta reflexão pretendo lançar um breve olhar sobre o relacionamento humano. Como cristãos, quais têm sido os caminhos que utilizamos para ter acesso às pessoas? Será que entramos através de Cristo, com caridade e respeito, gratuidade e espírito de fraternidade? Passar pelo "Cristo Porta" significa adentrar na vida da pessoa com sua licença, oferecendo a ela a oportunidade de se tornar alguém melhor, em todos os sentidos. O verdadeiro discípulo sabe que os relacionamentos que constrói precisam necessariamente ter como via o desejo de se tornar presença do Senhor na vida do rebanho.

Por outro lado, quando não nos deixamos orientar por Cristo e pelo seu modo de ser e de agir, corremos o risco de sermos usurpadores, tenhamos ou não consciência. É muito triste quando alguém que se diz cristão se utiliza deste "rótulo" para se aproximar dos outros em busca de vantagens pessoais, à procura de benefícios financeiros, investindo no cultivo de um culto a si mesmo. Quem se comporta assim invade a vida do outro, "pula a cerca do respeito" e produz tristeza e desilusão na vida do rebanho. Basta lembrarmos, sem citar nomes, da quantidade de fraudes e extorsões praticadas por muitos que se dizem "apóstolos", "bispos", "missionários", "pastores", mas que não passam de meros exploradores de muitas ovelhas perdidas.

Desta constatação fica a consciência de que, em maior ou menor proporção, todos podemos estar sujeitos a instrumentalizar as relações em benefício próprio. Por isso se faz necessário um discernimento permanente, animado por um desejo sincero e perseverante de seguir com atenção e disciplina os passos do Bom Pastor.