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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Papa em Santa Marta: Não adianta falar como Jesus e viver como pagão


Cidade do Vaticano – Nesta sexta-feira (26/05), o Papa Francisco presidiu a Missa matutina na capela da Casa Santa Marta e na homilia, afirmou que “as Escrituras nos indicam três pontos de referência no caminho cristão”.

O primeiro é a memória. Jesus ressuscitado diz aos discípulos que o precedam na Galileia: este foi o primeiro encontro com o Senhor. E “cada um de nós tem a sua própria Galileia”, aquele lugar aonde Jesus se manifestou pela primeira vez, o conhecemos e “tivemos a alegria e o entusiasmo de segui-lo”. Para ser um bom cristão, precisamos sempre nos lembrar do primeiro encontro com Jesus ou dos seguintes”. Esta é “a graça da memória”, que “no momento da provação, me dá a certeza”.

O segundo ponto de referência é a oração. Quando Jesus sobe ao Céu, ele não se separa de nós: “Fisicamente sim, mas fica sempre ligado, para interceder por nós. Mostra ao Pai as chagas, o preço que pagou por nós e pela nossa salvação”. Assim, “devemos pedir a graça de contemplar o Céu, a graça da oração, a relação com Jesus na oração que neste momento nos ouve, está conosco”: “Enfim, o terceiro: o mundo. Antes de ir, Jesus diz aos discípulos: ‘Ide mundo afora e façam discípulos’. Ide. O lugar dos cristãos é o mundo no qual anunciar a Palavra de Jesus, para dizer que fomos salvos, que Ele veio para nos dar a graça, para nos levar com Ele diante do Pai”.

Esta é – observou Francisco – a “topografia do espírito cristão”, os três lugares de referência de nossa vida: a memória, a oração e a missão; e as três palavras de nosso caminho: Galileia, Céu e Mundo: “Um cristão deve agir nestas três dimensões e pedir a graça da memória: “Que não me esqueça do momento que me elegeu, que não esqueça do momento em que nos encontramos”, dizendo ao Senhor. Depois, rezar e olhar ao Céu, porque Ele está ali para interceder. Ele intercede por nós. E depois, sair em missão… não quer dizer que todos devem ir ao exterior; ir em missão é viver e dar testemunho do Evangelho; é fazer saber aos outros como é Jesus. Mas fazer isso com o testemunho e com a Palavra, porque se eu falar como Jesus e como a vida cristã, mas viver como um pagão, não adianta. A missão não funciona”.

Se, ao contrário, vivemos na memória, na oração e em missão – concluiu Francisco – a vida cristã será bela e também alegre: “E esta é a última frase que Jesus nos diz no Evangelho de hoje: “Naquele dia, no dia em que viverem a vida cristã assim, vocês saberão tudo e ninguém poderá lhes tirar a alegria”. Ninguém, porque terei a memória do encontro com Jesus e a certeza que Jesus está no Céu e intercede por mim, está comigo, eu rezo e tenho a coragem de dizer, de sair de mim, dizer aos outros e dar testemunho com a minha vida que o Senhor ressuscitou, está vivo. Memória, oração e missão. Que o Senhor nos dê a graça de entender esta topografia da vida cristã e seguir adiante com alegria, aquela alegria que ninguém pode nos tirar”.

VISITA PASTORAL

Neste sábado (27/05), o Papa Francisco irá à cidade italiana de Gênova – noroeste da Península – em visita pastoral. Um dos compromissos mais aguardados é, certamente, o encontro com as crianças enfermas e seus familiares no Hospital pediátrico “Giannina Gaslini”. Na tarde desta quarta-feira o Santo Padre fez uma bela surpresa aos pequenos pacientes daquela estrutura hospitalar.

Leonardo Contin da Costa, especial para este site.

Pró-Vocações realiza manhã de espiritualidade em Angelina


Florianópolis (SC) - A manhã do domingo, 21 de maio, era fria e de garoa fina na cidade de Angelina, em Santa Catarina. Mas nada disso espantou os benfeitores do Pró-Vocações e Missões Franciscanas de diversas cidades catarinenses a participar da manhã de Espiritualidade Franciscana. O calor humano dos benfeitores e a acolhida alegre e contagiante de Frei Alexandre Rohling (Frei Xandão) fez com que todos se sentissem confortáveis no encontro. A manhã de Espiritualidade Franciscana aconteceu aos pés da montanha que abriga a gruta de Nossa Senhora de Lourdes, em meio à natureza repleta de verde, cachoeiras e pássaros. Frei Xandão conduziu a manhã de reflexão falando sobre o amor, sentimento que deve conduzir os passos de todos os seres humanos, especialmente aqueles que se propõem a seguir a São Francisco de Assis. Ele também recordou outra característica de São Francisco, a alegria, através da meditação da passagem da Perfeita Alegria, em que o santo de Assis afirma que, mesmo diante de um dia frio e cansativo de trabalho e missões, se o guardião do convento não permitir a entrada dos frades em sua casa, ainda assim é preciso manter a alegria e o amor. O encontro seguiu com a missa na Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição, a matriz de Angelina, onde frei Xandão agradeceu a todos os benfeitores e recordou que os frades sempre rezam por todos eles diariamente e, em especial, todo dia 4 de cada mês. Frei Xandão também apresentou trechos marcantes da história de vida de São Francisco e meditou com os benfeitores sobre modelos de vida que merecem ser revisados, diminuindo o consumismo desenfreado e se preocupando com questões ambientais, como a redução do uso de automóveis nas cidades e o menor consumo de água e energia. Como gesto concreto ao final do encontro, foi plantado na floresta aos pés da gruta de Nossa Senhora de Lourdes, um ipê amarelo, para que todos os benfeitores – e também os moradores de Angelina – se recordem por muitos anos deste encontro na cidade. Confira a seguir alguns depoimentos de benfeitores que participaram do encontro:

“Gostei muito das falas de Frei Xandão, especialmente da história de vida de São Francisco de Assis. Participei do encontro com minha mãe, Tereza Lopes Coelho, e o que mais gostamos foi da árvore plantada em nome dos benfeitores. Como somos de Angelina, nos comprometemos a sempre olhar e cuidar do ipê plantado ao fim do encontro.” (Sueli Coelho, de Angelina/SC)

“A alegria contagiante de Frei Xandão foi uma calorosa acolhida para todos nessa manhã de chuva fina em Angelina. Frei Xandão soube motivar a todos para que perseverem como benfeitores e para que encontrem mais pessoas também dispostas a colaborar com a formação de novos frades e com as missões na África. Sempre é uma alegria este encontro, pois se fortalecem os laços de amizade, bem como a fé e a espiritualidade, que nos movem a continuar na caminhada franciscana. Saímos renovados e com muita alegria e esperança para espalhar a todos a Paz e o Bem!” (Lizete Contin, de Florianópolis)

Leonardo Contin da Costa, especial para este site.









quarta-feira, 24 de maio de 2017

Audiência Geral: A verdadeira esperança passa através de derrotas


Cidade do Vaticano – A terapia da esperança: foi o que propôs o Papa Francisco aos cerca de 20 mil fiéis reunidos na Praça São Pedro na Audiência Geral da quarta-feira (24/05).

Em sua catequese, o Pontífice comentou a experiência dos dois discípulos de Emaús, de que fala o Evangelho de Lucas. Dois homens caminhavam desiludidos após a morte de Jesus. Caminhavam tristes, porque viram morrer as esperanças que tinham depositado em Jesus, sendo a cruz erguida no Calvário o sinal mais eloquente da derrota que não tinham previsto.

O encontro de Jesus com os dois discípulos parece casual. Caminham pensativos e um desconhecido se aproxima: é Cristo, que então começa a sua “terapia da esperança”. “Quem a faz? Jesus. Antes de tudo, pergunta e escuta, pois o nosso Deus não é um Deus intrometido”, disse o Papa.

Mesmo conhecendo o motivo da desilusão, deixa que falem de sua amargura. O resultado é uma confissão que mais se parece com um refrão da existência humana: «Nós esperávamos, mas…»

“Quantas tristezas, quantas derrotas, quantas falências existem na vida de cada pessoa! No fundo, somos todos um pouco como esses dois discípulos. Quantas vezes nos encontramos a um passo da felicidade e ficamos desiludidos. Mas Jesus caminha com todas as pessoas cabisbaixas. E caminhando com elas, de forma discreta, lhes restitui a esperança.”

A verdadeira esperança passa através de derrotas. Nos Livros Sagrados não se encontram histórias de heroísmo fácil, nem campanhas fulminantes de conquista. Deus não gosta de ser amado como um General que leva o seu povo à vitória, aniquilando os adversários. A presença do Senhor lembra uma chama frágil que arde num dia de frio e vento; e, para aparecer ainda mais frágil esta sua presença neste mundo, foi esconder-Se num lugar que todos desdenham.

Com os dois discípulos, Jesus repete o gesto fulcral da Eucaristia: tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, o entregou. Neste gesto está também o significado de como deve ser a Igreja: o destino de cada um de nós. Jesus nos toma, pronuncia a bênção, e espedaça a nossa vida – porque não há amor sem sacrifício – e a oferece aos outros, a todos.

O encontro de Jesus com os dois discípulos é rápido. Mas nele está todo o destino da Igreja. Nos fala que a comunidade cristã não está fechada numa cidadela fortificada, mas caminha no seu ambiente mais vital, isto é, na rua. E ali encontra as pessoas, com suas esperanças e suas desilusões. A Igreja oferece escuta a todos, para depois oferecer a Palavra de vida. E então o coração das pessoas volta a arder de esperança.

“Todos na nossa vida tivemos momentos difíceis, momentos em que caminhávamos tristes, desiludidos, sem horizonte, somente com um muro diante de nós. Jesus sempre está do nosso lado, para nos dar esperança, para nos aquecer o coração. Ele nos diz: vai avante, estou com você, prossiga.”

O segredo do caminho que conduz a Emaús está aqui: apesar das aparências contrárias, nós continuamos a ser amados por Deus; Ele jamais deixará de nos querer bem. “Deus caminhará conosco sempre, sempre, mesmo nos momentos mais dolorosos, nos momentos mais duros, de derrota. Ali está o Senhor. E esta é a nossa esperança, prossigamos com esta esperança, porque Ele está do nosso lado caminhando conosco, sempre!”


TRUMP E O PAPA FRANCISCO

Com um aperto de mão e um sorriso de ambos, começou na manhã desta quarta-feira (24/05) no Vaticano o primeiro encontro entre o Papa Francisco e o Presidente dos EUA, Donald Trump.

Atravessando uma cidade blindada desde sua chegada, na noite de terça-feira (23/05), Trump deixou a Villa Taverna, residência do embaixador dos Estados Unidos onde estava alojada sua delegação, e chegou ao Pátio de São Dâmaso às 8h20 (3:20 em Brasília), sob fortes medidas de segurança e uma comitiva presidencial de dezenas de automóveis.

O Presidente entrou no Estado do Vaticano através da porta do Perugino, depois de seguir pela Via da Conciliação sob os olhos de centenas de passantes e fiéis que estavam a caminho da Praça São Pedro, para participar da audiência geral.

Trump estava acompanhado de sua esposa, Melania, a filha mais velha, Ivanka, o genro, Jared Kushner, e uma delegação de cerca de 20 pessoas, 12 das quais entraram no Palácio e estiveram com o Papa.

A audiência particular, a portas fechadas, numa sala anexa à biblioteca, começou às 8h33 (3h33 em Brasília) e durou 27 minutos. Foi possível ouvir Trump referir que esta era uma ‘grande honra’. Durante a audiência, esposa e filha do Presidente dos EUA visitaram a Capela Paulina e a Sala Regia, e depois aguardaram conversando com a delegação e representantes do Vaticano em uma sala adjacente.

Em seguida, a comitiva foi chamada para o momento da troca de presentes e os habituais cumprimentos diante dos fotógrafos. O Papa ofereceu a Donald Trump as edições em inglês da mensagem para o Dia Mundial da Paz 2017 – dedicada à não-violência -, assinada especialmente para o Presidente dos EUA; das exortações “A Alegria do Evangelho” e “A Alegria do Amor”, sobre a família; bem como do documento sobre o cuidado da casa comum, a carta encíclica “Laudato sí”, que abrange a questão ecológica.

Como é tradição em audiências a Chefes de Estado, Francisco ofereceu também um medalhão do seu Pontificado com dois ramos de oliveira entrelaçados, símbolo da paz que se sobrepõe à guerra, explicando detalhadamente o seu significado.

Por sua vez, o líder estadunidense presenteou o Papa com uma coletânea dos cinco livros escritos por Martin Luther King e uma peça do monumento de granito que honra o ativista afro-americano em Washington e uma escultura de bronze. Um dos livros, “The Strength to Love” (“A Força do Amor”, 1963), traz a assinatura de Luther King.

De acordo com nota da Casa Branca, a peça do monumento em granito é uma “homenagem à esperança, visão e inspiração do ativista para as gerações vindouras”. Com a peça e os livros, Trump também entregou uma cópia do discurso que o Papa ofereceu a uma sessão do Congresso dos EUA em setembro de 2015, na qual foi celebrado o legado de Luther King.

Já a escultura de bronze foi feita à mão por um artista estadunidense não-identificado e representa “a esperança de um amanhã pacífico”, pois evoca dois valores universais: a unidade e a resistência, ainda segundo a Casa Branca.

Antes das fotografias, Francisco cumprimentou com cordialidade Melania Trump, a quem perguntou “se já haviam comido uma pizza” e abençoou um terço que a esposa do Presidente tinha nas mãos. Também a filha, Ivanka, disse algumas palavras ao Papa, que a ouviu em silêncio.

Depois de se despedirem do Pontífice, Trump e sua delegação, incluindo o Secretário de Estado, Rex W. Tillerson, e o conselheiro de Segurança Nacional, H. R. McMaster, se reuniram com o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, acompanhado por Dom Paul Gallagher, secretário do Vaticano para as relações com os Estados.

Segundo a programação, o Presidente e toda a delegação devem conhecer ainda a Capela Sistina e a Basílica de São Pedro; e na sequência, a primeira-dama visita o Hospital Pediátrico do Menino Jesus, propriedade da Santa Sé, enquanto a filha, Ivanka, segue para a Comunidade de Santo Egídio, no bairro de Trastevere.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Santo do dia - Nossa Senhora #Auxiliadora


Nossa Senhora Auxiliadora - 24 de maio

A Virgem Maria sempre foi venerada e festejada por todos os cristãos, que invocam o seu socorro e auxílio nas horas de sofrimento e aflição. Porque à Ela fomos confiados como seus filhos por Jesus na Cruz e à nós cristãos do mundo todo foi indicada como Mãe, através de João Evangelista, também aos pés da Cruz.

Essa festa, entretanto, remonta o século XVI, quando a expressão "Auxiliadora dos Cristãos" foi introduzida na Ladainha de Nossa Senhora pelo Papa São Pio V, após a vitória dos cristãos sobre os muçulmanos na batalha nas águas de Lepanto, em 1571. Os soldados do exército cristão depois de receberem a Eucaristia, invocando o nome de Maria, Auxílio dos Cristãos, foram à luta. Três horas mais tarde conquistaram a vitória, e gritando "Viva Maria", hastearam a bandeira de Cristo.

A data que se comemora hoje com esse título está ligada à dominação do conquistador Napoleão que prendeu o Papa Pio VII. No século XIX , o imperador francês Napoleão Bonaparte espalhava o terror pelo mundo, com suas incessantes conquistas sangrentas. Invadiu também Roma, prendeu o Papa e o mandou para uma das terríveis prisões da França. Ali, durante cinco anos Pio VII passou por horríveis sofrimentos. Só ao fim desse período, quando o poder político de Napoleão começou a desaparecer, e as pressões do mundo inteiro a surtir efeito, o pontífice foi libertado.

O Papa entrou solenemente em Roma, aclamado pela população. Recuperou a Santa Sé e voltou a exercer suas funções, atribuindo a própria sobrevivência à Mãe Maria. Dessa forma, em 1815, instituiu a festa de Nossa Senhora Auxiliadora, a ser celebrada no dia 24 de maio. A devoção se propagou e muitos países de vários continentes a celebram como sua padroeira, como a Austrália católica, a China, a Polônia, a Argentina. É também muito antiga esta devoção nos países do Leste Europeu.

Porém o maior devoto e propagador do culto à Nossa Senhora Auxiliadora foi o grande educador e inovador São João Bosco, que desde o início colocou toda a sua obra de sacerdote e fundador sob a sua proteção e auxílio. Ele fundou: a Congregação de São Francisco de Sales, cujos sacerdotes são conhecidos como "Salesianos de Dom Bosco"; as "Filhas de Maria Auxiliadora" e os "Cooperadores Salesianos" para leigos e sacerdotes. Foram esses missionários que espalharam com a sua chegada a devoção e a celebração da festa de Nossa Senhora Auxiliadora, em todos os cantos do planeta. E foi assim que ela chegou, também, no Brasil.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Papa em Santa Marta: Abrir o coração ao Espírito Santo para testemunhar Jesus


Cidade do Vaticano – Somente o Espírito Santo nos ensina a dizer: “Jesus é o Senhor”. Foi o que afirmou o Papa Francisco na Missa matutina (22/05) na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que devemos abrir o coração para ouvir o Espírito Santo e, assim, poder testemunhar Jesus Cristo.

Francisco desenvolveu sua homilia a partir do longo discurso de Jesus aos seus discípulos na última Ceia. O Papa falou de modo especial sobre o Paráclito, o Espírito Santo, que – observou – nos acompanha e “nos dá a segurança de sermos salvos por Jesus”. O Espírito Santo é o Defensor enviado por Jesus para nos defender diante do Pai.

O Espírito Santo, companheiro de caminhada da Igreja

Francisco recordou que é o Espírito Santo que nos ensina a dizer: ‘Jesus é o Senhor”:

“Sem o Espírito, nenhum de nós é capaz de dizer, ouvir e viver Jesus. Em outras partes deste longo discurso, Jesus diz do Espírito: ‘Ele os conduzirá à plena Verdade’, nos acompanhará rumo à plena Verdade. ‘Ele lhes fará lembrar de todas as coisas que eu disse; lhes ensinará tudo’. Isto é, o Espírito Santo é o companheiro de caminhada de todo cristão, é o também o companheiro de caminhada da Igreja. E este é o dom que Jesus nos dá”.

Abrir o coração ao Espírito Santo para que possa entrar

O Espírito Santo, disse, é “um dom: o grande dom de Jesus”, “aquele que não nos deixa errar”. Mas onde mora o Espírito?, perguntou o Papa. Na Primeira Leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos, encontramos a figura de Lídia, “comerciante de púrpura”, alguém que “sabia fazer as coisas”, a quem “o Senhor abriu o coração para aderir à Palavra de Deus”:

“O Senhor abriu o seu coração para que o Espírito Santo entrasse e ela se tornasse discípula. É justamente no coração que levamos o Espírito Santo. A Igreja o chama como ‘o doce hóspede do coração’: está aqui. Mas num coração fechado ele não pode entrar. ‘Ah, então onde se compram as chaves para abrir o coração?’. Não: também este é um dom. É um dom de Deus. ‘Senhor, abra-me o coração para que entre o Espírito e me faça entender que Jesus é o Senhor’”.

O Papa reiterou que esta é uma oração que devemos fazer nesses dias: “Senhor, abra-me o coração para que eu possa entender aquilo que Tu nos ensinaste. Para que eu possa recordar as Tuas palavras. Para que eu chegue à plena verdade”.

Abrir realmente o coração

Portanto, coração aberto “para que o Espírito entre, e nós, ouvir o Espírito”. Dessas duas Leituras é possível fazer duas perguntas:

“Primeira: eu peço ao Senhor a graça de ter um coração aberto? Segunda pergunta: eu busco ouvir o Espírito Santo, as suas inspirações, as coisas que Ele diz ao meu coração para que eu prossiga na vida cristã, e possa testemunhar também eu que Jesus é o Senhor? Pensem nessas duas coisas hoje: o meu coração está aberto e eu faço o esforço de ouvir o que o Espírito de me diz. E assim iremos avante na vida cristã e daremos também nós testemunho de Jesus Cristo.”

sexta-feira, 19 de maio de 2017

6º domingo da Páscoa - As razões de nossa esperança


Frei Gustavo Medella

No trecho de sua Carta que está na 2ª Leitura deste 6º Domingo da Páscoa, São Pedro pede que sempre estejamos prontos para dar as razões de nossa esperança a todo aquele que nos pedir (Cf. Pd 3,15). Não se trata de um texto decorado, de uma resposta pronta que se aprende em livros ou apostilas. As razões da esperança brotam do próprio Cristo e é o Espírito que as suscita em nossos corações. Não devemos apresentá-las com empáfia ou arrogância, mas, conforme orienta o Apóstolo, este deve sempre ser um exercício de mansidão e respeito (Cf. Pd 3,16).

É um Ministério Perene assumido por Cristo e que, segundo os planos divinos, deve ser perpetuado na vida e na missão da Igreja, que somos todos nós. O mundo todo sai ganhando quando um cristão assume com empenho a missão de viver e testemunhar as razões de sua esperança com mansidão e respeito. É nesta conduta que está a força da Igreja que, conforme o Papa Francisco, “não cresce por proselitismo, mas por atração”. Sendo assim, nossa primeira missão de batizados e batizadas não é a de engrossar as fileiras de um grupo religioso denominado católico romano, mas a de vivermos o amor-serviço em sua dimensão mais comprometida e transformadora.

Aí está o testemunho mais eficaz e encantador que podemos encarnar a fim de sermos, por causa de Cristo, capazes de oferecer um sentido sólido e profundo à vida daqueles que nos procuram. Aproximando-nos das Solenidades da Ascensão e de Pentecostes, peçamos ao Pai e ao Filho, a Força do Defensor, o Espírito de Consolação que nos permite sermos consoladores daqueles que encontramos no percurso de nossa estrada existencial. 

 CONFIRA A REFLEXÃO NA WEB TV FRANCISCANOS:
 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Papa na Audiência Geral: Deus é um sonhador, porque sonha a transformação do mundo


Cidade do Vaticano - Maria Madalena, apóstola da esperança: este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral de quarta-feira, 17.

Aos cerca de 20 mil fiéis presentes na Praça S. Pedro, entre os quais brasileiros da Bahia, de Fortaleza e Brasília, o Pontífice deu prosseguimento ao ciclo sobre a esperança no contexto do mistério pascal, falando daquela que, por primeiro, viu Jesus ressuscitado.

Após a sua morte e assim que o descanso do Sábado o permitiu, Maria Madalena foi até o sepulcro para completar os ritos fúnebres. Ao chegar, viu que alguém tinha removido a pedra que estava à porta do sepulcro e logo pensou que tivessem roubado o corpo de Jesus. Este trajeto rumo ao sepulcro, disse o Papa, espelha a fidelidade de tantas mulheres que são devotas por anos às ruelas dos cemitérios, em memória de alguém que não existe mais. “Os elos mais autênticos não são interrompidos nem mesmo pela morte: há quem continua a amar mesmo que a pessoa amada tenha ido embora para sempre”, afirmou Francisco em meio aos aplausos dos fiéis.

Deus nos chama pelo nome

Ela advertiu os discípulos e, em seguida, voltou novamente ao sepulcro com uma dupla tristeza: a morte de Jesus e o desaparecimento de seu corpo. Porém, desta vez, foi surpreendida pelo aparecimento de dois anjos e, finalmente, do próprio Jesus, a quem reconhece quando este a chama pelo nome: Maria!

“Como é belo pensar que a primeira aparição do Ressuscitado tenha ocorrido de modo assim tão pessoal!”, disse Francisco. “Tem alguém que nos conhece, que vê o nosso sofrimento e a nossa desilusão, que se comove e nos chama pelo nome. Em volta de Jesus, há muitas pessoas que buscam a Deus; mas a realidade mais prodigiosa é que, muito antes, há um Deus que se preocupa com nossa vida. Cada homem é uma história de amor que Deus escreve sobre esta terra. A cada um de nós Deus chama por nome, nos olha, nos espera, nos perdoa, tem paciência. É verdade ou não?”, perguntou o Papa aos fiéis.

Revolução não é como um conta-gotas

A ressurreição de Jesus é uma revolução que transformou a vida de Maria Madalena e transforma a vida de cada um de nós. Uma revolução que não vem como conta-gotas, mas é como uma cascata que se expande por toda a existência. Esta não é marcada por “pequenas felicidades”, mas por ondas que levam tudo.

Nosso Deus é sonhador

Francisco convidou os fiéis a imaginarem este instante em que Deus nos chama por nome e diz: 

“Levante-se, pare de chorar, porque vim libertar!”. Jesus, prosseguiu, não se adapta ao mundo, tolerando que prevaleçam a morte, o ódio, a destruição moral das pessoas... “O nosso Deus não está inerte, permito-me dizer que nosso Deus é um sonhador, que sonha a transformação do mundo e a realizou no mistério da Ressurreição.”

O Papa concluiu falando novamente de Maria Madalena. Esta mulher que, antes de encontrar Jesus estava à mercê do maligno, agora se transformou em apóstola da nova e maior esperança. “Que a sua intercessão  nos ajude a viver também nós esta experiência: na hora do pranto e do abandono, ouvir Jesus Ressuscitado que nos chama por nome, e com o coração repleto de alegria anunciar: Vi o Senhor! Mudei de vida porque vi o Senhor. Esta é a nossa força e esta é a nossa esperança.”

terça-feira, 16 de maio de 2017

Papa em Santa Marta: A paz de Deus não se pode comprar


Cidade do Vaticano - A verdadeira paz nós não podemos fabricá-la nós mesmos. Foi o que afirmou o Papa Francisco na Missa desta manhã na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que “uma paz sem Cruz não é a paz de Jesus” e lembrou que só o Senhor pode nos dar a paz no meio das tribulações.

“Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz”. Francisco desenvolveu a sua homilia, partindo das palavras de Jesus aos seus discípulos na Última Ceia. O Papa se deteve em seguida sobre o significado da paz dada pelo Senhor. A passagem dos Atos dos Apóstolos da Primeira Leitura de hoje, - destacou o Papa -, fala das muitas tribulações sofridas por Paulo e Barnabé em suas viagens para proclamar o Evangelho. “Esta é a paz que Jesus dá?”, pergunta-se o Papa. E em seguida observou que a paz que Ele dá não é aquela que o mundo dá.

O mundo quer uma paz anestesiada para não nos fazer ver a Cruz

“A paz que nos dá o mundo – comentou - é uma paz sem tribulações; oferece-nos uma paz artificial” uma paz que se reduz à “tranquilidade”. É uma paz, - disse ainda -, “que somente olha para seus próprios interesses, suas próprias certezas, que não falte nada”, um pouco como era a paz do homem rico. Uma tranquilidade que nos torna “fechados”, que não se vê “além”:

“O mundo nos ensina o caminho da paz com a anestesia: nos anestesia para não ver outra realidade da vida: a Cruz. Por isso Paulo diz que se deve entrar no Reino dos céus através do caminho com tantas tribulações. Mas se pode ter paz na tribulação? De nossa parte, não: nós não somos capazes de fazer uma paz de tranquilidade, uma paz psicológica, uma paz feita por nós porque há tribulações: há quem tenha uma dor, uma doença, uma morte ... existem. A paz que Jesus dá é um presente: é um dom do Espírito Santo. E esta paz está no meio das tribulações e segue em frente. Não é uma espécie de estoicismo, o que faz o faquir: não. É outra coisa”.

A paz de Deus não se pode comprar, sem Cruz não é verdadeira paz

A paz de Deus, - retomou o Papa - é “um dom que nos faz seguir em frente”. Jesus, depois de ter dado a paz aos discípulos, sofre no Jardim das Oliveiras e ali “oferece tudo à vontade do Pai e sofre, mas não falta o consolo de Deus”. O Evangelho, de fato, narra que “lhe apareceu um anjo do céu para consolá-lo”.

“A paz de Deus é uma paz real, que esta na realidade da vida, que não nega a vida: a vida é assim. Há sofrimento, há os doentes, há tantas coisas ruins, há guerras... mas a paz de dentro, que é um dom, não se perde, mas se vai em frente carregando a Cruz e o sofrimento. Uma paz sem Cruz não é a paz de Jesus: é uma paz que se pode comprar. Podemos fabricá-la nós mesmos. Mas não é duradoura: termina”.

Peçamos a graça da paz interior, dom do Espírito Santo

Quando alguém fica com raiva, - observou Francisco -, “perde a paz”. Quando meu coração “fica turbado - acrescentou - é porque não está aberto à paz de Jesus”, porque eu não sou capaz de “levar a vida como ela vem, com as cruzes e as dores que vêm”. Em vez disso, devemos ser capazes de pedir a graça, de pedir ao Senhor a Sua paz:

“Devemos entrar no Reino de Deus através de muitas tribulações. A graça da paz, de não perder a paz interior. Um Santo dizia, falando sobre isso: 'A vida do cristão é um caminho entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus' (Santo Agostinho, De Civitate Dei XVIII, 51 nota). O Senhor nos faça compreender como é esta paz que Ele nos dá com o Espírito Santo”.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Regina Coeli - Diálogo e amizade para acabar com a violência


Cidade do Vaticano – O Papa dedicou seu encontro com os fiéis na manhã deste domingo (14/05) à peregrinação realizada em Fátima (Portugal) nos últimos dias. Cedo pela manhã, o Pontífice manteve o seu hábito de ir à Basílica de Santa Maria Maior, onde permaneceu por cerca de 20 minutos diante do ícone de Maria Salus Popoli Romani, em ação de graças pelo êxito da peregrinação.

Papa recorda peregrinação a Fátima

Na Praça São Pedro, antes de rezar a oração Mariana do Regina Coeli, Francisco fez um relato dos momentos mais salientes desta visita aos pés da Virgem Mãe, realizada ‘como peregrino de esperança e de paz’.

Iniciando, o Papa falou do momento de silêncio, em contemplação, que viveu na Capela das Aparições, sexta-feira (12/05), logo após a chegada:

“No centro de tudo esteve e está o Senhor Ressuscitado, presente em meio a seu Povo na Palavra e na Eucaristia. Presente em meio aos muitos doentes, protagonistas da vida litúrgica e pastoral de Fátima, como em todo Santuário mariano”.

Em seguida, o Papa lembrou que a Virgem, em Fátima, quis escolher o coração inocente e a simplicidade dos pequenos Francisco, Jacinta e Lucia para depositar sua mensagem:

“Estas crianças a acolheram dignamente, e foram reconhecidas como testemunhas críveis, ao ponto de ser modelos de vida cristã. Sua santidade não é consequência das aparições, mas da fidelidade e do ardor com que corresponderam ao privilégio recebido de ver Maria. Depois do encontro com a ‘bela Senhora’, rezavam frequentemente o terço, faziam penitência e ofereciam sacrifícios pelo fim da guerra e pelas almas mais necessitadas da divina misericórdia”.

“Com a canonização de Francisco e Jacinta, quis propor a toda a Igreja o seu exemplo de adesão a Cristo e de testemunho evangélico, e recomendar a toda a Igreja que cuide das crianças”.

Convidando os fiéis a se deixarem guiar pela luz que provém de Fátima, o Papa lembrou:

“Ainda em nossos dias, precisamos muito de orações e penitência para implorar a graça da conversão, assim como o fim das muitas guerras em tantos lugares do mundo, que se estendem sempre mais, assim como o fim dos absurdos conflitos, grandes e familiares, que desfiguram o rosto da humanidade”.

“Que o Coração Imaculado de Maria seja sempre o nosso refúgio, a nossa consolação e o caminho que nos conduz a Cristo”.

O Papa Francisco convidou ao diálogo e à reconciliação para acabar com as guerras no mundo, “especialmente no Oriente Médio”, onde muitas pessoas sofrem as “trágicas violências” de questões religiosas ou étnicas.

"Confio a Maria, Rainha da Paz, a sorte dos povos atingidos por guerras e conflitos, especialmente no Oriente Médio" disse, da sacada do Palácio Apostólico, de onde rezou o Regina Caeli, oração que substitui o Angelus no tempo pascal.

Francisco prosseguiu dizendo que “atualmente, muitas pessoas inocentes sofrem duramente, cristãs, muçulmanas ou de minorias como os yazidis, que padecem trágicas violências e discriminações”.

“À minha solidariedade, uno a recordação na oração e agradeço as pessoas engajadas que fornecem ajudas humanitárias. Encorajo as comunidades a optar pelo caminho do diálogo e da amizade social para construir um futuro de respeito, segurança e paz, distante de todo tipo de guerra”.

ORAÇÃO PELAS MÃES

O Papa Francisco exortou as instituições a dedicar uma atenção ‘concreta’ à vida e à maternidade neste domingo (14/05) em que na Itália, no Brasil e em vários países do mundo se comemora o Dia das Mães.

O Pontífice afirmou que este chamado é "particularmente significativo" hoje.

“Recordemos com gratidão e carinho todas as mães, inclusive as que estão no céu”, instou, pedindo aos fiéis presentes na Praça (e todos os que o viam e ouviam) a permanecer alguns instantes em silêncio, rezando pela sua própria.

“Confiemos todas elas a Maria, mãe de Jesus”.

Antes de se despedir, o Papa pediu orações para si e desejou a todos um ‘bom almoço’.

domingo, 14 de maio de 2017

LITURGIA: Seguir o caminho de Jesus



1ª Leitura: At 6,1-7
Sl: 32
2ª Leitura: 1 Pd 2,4-9
Evangelho: Jo 14,1-12

-* 1 Jesus continuou dizendo: «Não fique perturbado o coração de vocês. Acreditem em Deus e acreditem também em mim. 2 Existem muitas moradas na casa de meu Pai. Se não fosse assim, eu lhes teria dito, porque vou preparar um lugar para vocês. 3 E quando eu for e lhes tiver preparado um lugar, voltarei e levarei vocês comigo, para que onde eu estiver, estejam vocês também. 4 E para onde eu vou, vocês já conhecem o caminho.» 5 Tomé disse a Jesus: «Senhor, nós não sabemos para onde vais; como podemos conhecer o caminho?» 6 Jesus respondeu: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7 Se vocês me conhecem, conhecerão também o meu Pai. Desde agora vocês o conhecem e já o viram.»

8 Filipe disse a Jesus: «Senhor, mostra-nos o Pai e isso basta para nós.» 9 Jesus respondeu: «Faz tanto tempo que estou no meio de vocês, e você ainda não me conhece, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que você diz: ‘Mostra-nos o Pai’? 10 Você não acredita que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que digo a vocês, não as digo por mim mesmo, mas o Pai que permanece em mim, ele é que realiza suas obras. 11 Acreditem em mim: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditem nisso, ao menos por causa destas obras. 12 Eu garanto a vocês: quem acredita em mim, fará as obras que eu faço, e fará maiores do que estas, porque eu vou para o Pai.

* 14,1-14: Jesus é o verdadeiro caminho para a vida. Através da encarnação, Deus, doador da vida, se manifesta inteiramente na pessoa e ação de Jesus. A comunidade que segue Jesus não caminha para o fracasso, pois a meta é a vida. Jesus não apresenta apenas uma utopia, mas convida a percorrer um caminho historicamente concreto. Inspirada nos sinais que Jesus realizou, a comunidade criará novos sinais dentro do mundo, abrindo espaços de esperança e vida fraterna.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral

Seguir o caminho de Jesus - José Antonio Pagola

Os catecismos costumam falar de alguns "traços" ou atributos que caracterizam a verdadeira Igreja de Cristo. Como confessamos no credo, a Igreja de Cristo é "una, santa, católica e apostólica": Não poderíamos, certamente, reconhecê-Ia numa Igreja de comunidades que se defrontam, em que predomina a injustiça, que excluem os outros ou abandonam a fé inicial pregada pelos apóstolos.

Mas há algo que é condição prévia e não podemos esquecer: Uma Igreja verdadeira é, antes de tudo, uma Igreja que "se parece" com Jesus. Se ela não tem algum traço parecido com Ele, nessa mesma medida estamos deixando de ser sua Igreja, por mais que continuemos repetindo que pertencemos a uma Igreja santa, católica e apostólica.

Parecer-se com Jesus significa reproduzir hoje seu modo de vida e sua maneira de ser; encarnar-nos na vida real das pessoas como Ele se encarnava; despertar confiança em Deus no coração das pessoas e, sobretudo, amar como Ele amava. Jesus disse: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" A maneira de caminhar para o Pai é seguir seus passos.

Pode-se notar que a Igreja é de Jesus se ela se preocupa com os que sofrem, se ela se arrisca a perder prestígio e segurança por defender a causa dos últimos, se ela ama acima de tudo os desvalidos. Se amamos a Igreja temos que preocupar-nos em fazer que nela e a partir dela as pessoas sejam amadas como Jesus as amava.

Uma Igreja onde as pessoas são amadas e se busca uma vida mais digna e feliz para todos "se faz notar" hoje, porque é isso precisamente que mais falta no mundo: nas relações entre povos ricos e pobres, na economia controlada pelos poderosos, na sociedade dominada pelos fortes.

Por outro lado, só assim a Igreja se torna digna de fé. Se não sabemos reproduzir hoje o amor de Jesus, é inútil procurar fazer-nos dignos de fé por outros meios. As pessoas verão que somos como todos: incapazes de guiar-nos só pelo amor compassivo. Não seremos "Igreja de Jesus", pois nos faltará o traço que melhor o caracterizou. Jesus terá deixado de ser para nós "o Caminho, a Verdade e a Vida".

Do livro “O caminho aberto por Jesus”, de José A. Pagola, Editora Vozes.

CONFIRA A REFLEXÃO DE FREI GABRIEL DELLANDREA PARA ESTE 5º DOMINGO DA PÁSCOA:

sábado, 13 de maio de 2017

Santo do dia: Nossa Senhora de #Fátima


No dia 5 de maio de 1917, o mundo ainda vivia os horrores da Primeira Guerra Mundial, então o papa Bento XV convidou todos os católicos a se unirem em uma corrente de orações para obter a paz mundial com a intercessão da Virgem Maria. Oito dias depois ela respondeu à humanidade através das aparições em Fátima, Portugal.

Foram três humildes pastores, filhos de famílias pobres, simples e profundamente católicas, os mensageiros escolhidos por Nossa Senhora. Lúcia, a mais velha, tinha dez anos, e os primos, Francisco e Jacinta, nove e sete anos respectivamente. Os três eram analfabetos.

Contam as crianças que brincavam enquanto as ovelhas pastavam. Ao meio-dia, rezaram o terço. Porém rezaram à moda deles, de forma rápida, para poder voltar a brincar. Em vez de recitar as orações completas, apenas diziam o nome delas: "ave-maria, santa-maria" etc. Ao voltar para as brincadeiras, depararam com a Virgem Maria pairando acima de uma árvore não muito alta. Assustados, Jacinta e Francisco apenas ouvem Nossa Senhora conversando com Lúcia. Ela pede que os pequenos rezem o terço inteirinho e que venham àquele mesmo local todo dia 13 de cada mês, desaparecendo em seguida. O encontro acontece pelos sete meses seguintes.

As crianças mudam radicalmente. Passam a rezar e a fazer sacrifícios diários. Relatam aos pais e autoridades religiosas o que se passou. Logo, uma multidão começa a acompanhar o encontro das crianças com Nossa Senhora.

As mensagens trazidas por ela pediam ao povo orações, penitências, conversão e fé. A pressão das autoridades sobre os meninos era intensa, pois somente eles viam a Virgem Maria e depois contavam as mensagens recebidas, até mesmo previsões para o futuro, as quais foram reveladas nos anos seguintes e, a última, o chamado "terceiro segredo de Fátima", no final do segundo milênio, provocando o surgimento de especulações e histórias fantásticas sobre seu conteúdo. Agora divulgado ao mundo, soube-se que previa o atentado contra o papa João Paulo II, ocorrido em 1981.

Na época, muitos duvidavam das visões das crianças. As aparições só começaram a ser reconhecidas oficialmente pela Igreja na última delas, em 13 de outubro, quando sinais extraordinários e impressionantes foram vistos por todos no céu, principalmente no disco solar. Poucos anos depois, os irmãos Francisco e Jacinta morreram. A mais velha tornou-se religiosa de clausura, tomando o nome de Lúcia de Jesus, e permaneceu sem contato com o mundo por muitos anos.

O local das aparições de Maria foi transformado num santuário para Nossa Senhora de Fátima. Em 1946, na presença do cardeal representante da Santa Sé e entre uma multidão de católicos, houve a coroação da estátua da Santíssima Virgem de Fátima. Em 13 de maio de 1967, por ocasião do aniversário dos cinqüenta anos das aparições de Fátima, o papa Paulo VI foi ao santuário para celebrar a santa missa a mais de um milhão de peregrinos que o aguardavam, entre eles irmã Lúcia de Jesus, a pastora sobrevivente, que viu e conversou com Maria, a Mãe de Deus.

Esta mensagem de Fátima foi um apelo à conversão, alertando a humanidade para não travar a luta entre o bem e o mal deixando Deus de lado, pois não conseguirá chegar à felicidade, pois, ao contrário, acabará destruindo-se a si mesma. Na sua solicitude materna, a Santíssima Virgem foi a Fátima pedir aos homens para não ofender mais a Deus Nosso Pai, que já está muito ofendido. Foi a dor de mãe que a fez falar, pois o que estava em jogo era a sorte de seus filhos. Por isso ela sempre dizia aos pastorzinhos: "Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas".

Fonte: Paulinas

Rezemos com confiança o Ato de entrega a Nossa Senhora de Fátima:

Bem-Aventurada Virgem de Fátima, com renovada gratidão pela tua presença materna unimos a nossa voz à de todas as gerações que te dizem bem-aventurada.

Celebramos em ti as grandes obras de Deus, que nunca se cansa de se inclinar com misericórdia sobre a humanidade, atormentada pelo mal e ferida pelo pecado, para a guiar e salvar.

Acolhe com benevolência de Mãe o ato de entrega que hoje fazemos com confiança, diante desta tua imagem a nós tão querida.

Temos a certeza que cada um de nós é precioso aos teus olhos e que nada te é desconhecido de tudo o que habita os nossos corações. Deixamo-nos alcançar pelo teu olhar dulcíssimo e recebemos a carícia confortadora do teu sorriso.

Guarda a nossa vida entre os teus braços: abençoe e fortalece qualquer desejo de bem; reacende e alimenta a fé; ampara e ilumina a esperança; suscita e anima a caridade; guia todos nós no caminho da santidade.

Ensina-nos o teu mesmo amor de predileção pelos pequeninos e pelos pobres, pelos excluídos e sofredores, pelos pecadores e os desorientados; reúne todos sob a tua proteção e recomenda todos ao teu dileto Filho, nosso Senhor Jesus.

Amém.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Papa: para compreender a fé, devemos estar sempre em caminho


Cidade do Vaticano – O Povo de Deus está sempre em caminho para aprofundar a fé: foi o que disse o Papa na missa celebrada na manhã de quinta-feira (11/05) na capela da Casa Santa Marta.

A homilia foi centralizada na Primeira Leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos, em que São Paulo fala da história da salvação desde que o Povo de Israel saiu do Egito até Jesus.

“A salvação de Deus – disse o Papa – está em caminho rumo à plenitude dos tempos, “um caminho com santos e pecadores”. O Senhor “guia o seu povo, com momentos bons e momentos ruins, com liberdade e escravidão; mas guia o povo rumo à plenitude”, rumo ao encontro com o Senhor. No final, portanto, está Jesus. Todavia, observou o Papa, “não acaba ali”. De fato, Jesus “deixou o Espírito”. E justamente o Espírito Santo “nos faz recordar, nos faz entender a mensagem de Jesus: começa um segundo caminho”. A Igreja vai avante assim, disse ainda Francisco, com muitos santos e pecadores; entre graça e pecado”.

Escravidão e pena de morte eram aceitas, hoje são pecado mortal

Este caminho, prosseguiu, é necessário “para entender, para aprofundar a pessoa de Jesus, para aprofundar a fé” e também para “entender a moral, os Mandamentos”. E o que no “passado parecia normal, que não era pecado, hoje é considerado pecado mortal”:

“Pensemos na escravidão: quando íamos à escola, nos diziam o que os escravos faziam, eram trazidos de um lugar, vendidos em outro, na América Latina se vendiam, se compravam … É pecado mortal. Hoje dizemos isso. Mas então se dizia: ‘Não’. Ou melhor, alguns diziam que era permitido, porque essas pessoas não tinham alma! Mas era preciso ir adiante para entender melhor a fé, para entender melhor a moral. ‘Ah, Padre, graças a Deus que hoje não existem mais escravos!’. E existem ainda mais!... mas pelo menos sabemos que é pecado mortal. Fomos para frente: o mesmo com a pena de morte que era normal, uma vez. E hoje dizemos que a pena de morte é inadmissível”.

O povo de Deus está sempre em caminho

O mesmo vale para as “guerras de religião”. Em meio a este “esclarecimento da fé”, “esclarecimento da moral”, retomou o Papa, “existem os santos, os santos que todos conhecemos e os santos escondidos”. A Igreja “está cheia de santos escondidos” e “esta santidade é que nos leva para frente, rumo à segunda plenitude dos tempos, quando o Senhor virá, no final, para ser tudo em todos”. Foi assim que o “Senhor Deus quis se mostrar para o seu povo: em caminho”:

“O povo de Deus está em caminho. Sempre. Quando o povo de Deus para, se torna prisioneiro numa estrebaria, como um burro, ali: não entende, não vai para frente, não aprofunda a fé, o amor, não purifica a alma. Mas há outra plenitude dos tempos, a terceira. A nossa. Cada um de nós está em caminho rumo à plenitude do próprio tempo. Cada um de nós chegará ao momento do tempo pleno e a vida acabará e deverá encontrar o Senhor. E este é o nosso momento. Pessoal. Que nós vivemos no segundo caminho, a segunda plenitude dos tempos do povo de Deus. Cada um de nós está em caminho. Pensemos nisso: os apóstolos, os pregadores, os primeiros, tinham necessidade de fazer entender que Deus amou, escolheu, amou o seu povo em caminho, sempre”.

“Jesus – prosseguiu Francisco – enviou o Espírito Santo para que pudéssemos ir em caminho” e é justamente “o Espírito que nos impulsiona a caminhar: esta é a grande obra de misericórdia de Deus” e “cada um de nós está em caminho rumo à plenitude dos tempos pessoal”. O Papa então destacou que é preciso se questionar se acreditamos que “a promessa de Deus era em caminho” e que ainda hoje a Igreja “está em caminho”.

Confessar-se é um passo no caminho rumo ao encontro com o Senhor

Quando nos confessamos, também devemos nos perguntar se, além da vergonha pelos nossos pecados, compreendemos que “aquele passo que eu dei é um passo no caminho rumo à plenitude dos tempos”. “Pedir perdão a Deus – advertiu – não é algo automático”:

“É entender que estou a caminho, num povo em caminho e que um dia – talvez hoje, amanhã ou daqui 30 anos – me encontrarei cara a cara com aquele Senhor que jamais nos deixa sós, mas nos acompanha neste caminho. Pensem nisso: quando me confesso, penso nessas coisas? Que estou em caminho? Que é um passo rumo ao encontro com o Senhor, rumo à minha plenitude dos tempos? E esta é a grande obra de misericórdia de Deus”.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Papa na Audiência Geral - Não somos órfãos, Maria é Mãe da esperança


Cidade do Vaticano – “Maria, Mãe da esperança” foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (10/05). Na Praça S. Pedro, cerca de 20 mil fiéis participaram do evento, entre os quais inúmeros brasileiros da “Obra de Maria” e de Belo Horizonte.

Maria e as mães do nosso tempo

No caminho da sua maternidade, Maria teve que atravessar mais do que uma noite sombria. Ainda jovem, respondeu “sim” à proposta que o Anjo Gabriel lhe fez de ser a mãe do Filho de Deus, embora nada soubesse do destino que A esperava.

“Naquele instante, Maria se parece como uma de tantas mães do nosso mundo, corajosas até o extremo quando se trata de acolher no próprio ventre a história de um novo homem que nasce”, disse o Papa, acrescentando que Ela é uma mulher que não se deprime face às incertezas da vida; nem uma mulher que protesta e se lamenta contra a sorte que muitas vezes se Lhe apresentava hostil. Pelo contrário, é uma mulher que aceita a vida como vem, com os seus dias felizes, mas também com as suas tragédias.

Maria simplesmente "estava"

Na noite mais escura de Maria, da crucifixão do seu Filho, Ela permaneceu ao pé da cruz, desconhecendo o destino de ressurreição do seu Filho. Neste episódio, os Evangelhos são lacônicos e discretos, registram com um só verbo a presença da mãe. “Ela estava.” Nada dizem de sua reação nem sua dor, que ficou para a criatividade de poetas e pintores.

“As mães nunca desistem nem abandonam. As mães não traem”, afirmou Francisco. Os Evangelhos somente dizem: ela estava. No momento mais cruel, Ela sofria com o Filho. Estava. Ela simplesmente estava ali. Os sofrimentos de uma mãe... Todos nós conhecemos mulheres fortes, que levaram avante os sofrimentos de seus filhos.”

Não somos órfãos

Depois, em Pentecostes, no primeiro dia da Igreja, reencontramos Maria como Mãe da Esperança em meio àquela comunidade de discípulos tão frágeis: um tinha negado o Mestre, muitos tinham fugido, todos tinham medo. Maria simplesmente estava lá no seu modo normal de ser, como se fosse algo natural: a Igreja primitiva, envolvida pela luz da Ressurreição, mas também pela incerteza e o medo dos primeiros passos a dar no mundo.

“Por isso, todos nós A amamos como Mãe. Não somos órfãos, todos temos uma mãe no céu”, disse ainda Francisco. Maria nos ensina a virtude da espera, mesmo quando tudo parece sem sentido, pois confia no mistério de Deus. “Nos momentos de dificuldade, que Maria possa sempre amparar os nossos passos, possa sempre dizer ao coração: levanta-se, olhe para frente, para o horizonte. Ela é Mãe de esperança.”

Peregrinação a Fátima

Ao saudar os fiéis língua portuguesa, o Papa recordou sua iminente viagem a Portugal, “como peregrino a Fátima, para confiar a Nossa Senhora as sortes temporais e eternas da humanidade e suplicar sobre os seus caminhos as bênçãos do Céu. Peço a todos que me acompanhem, como peregrinos da esperança e da paz: as suas mãos em prece continuem a sustentar as minhas”.

Saudação à Rússia

Francisco dirigiu também uma saudação especial a uma delegação de jovens sacerdotes do Patriarcado de Moscou, presente no Vaticano a convite do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. “Que Deus abençoe a Rússia e o empenho da Igreja ortodoxa em prol do diálogo entre as religiões e o bem comum.”

COM MENSAGEM A TAWADROS, PAPA CELEBRA DIA DA AMIZADE COPTA-CATÓLICA

Celebra-se neste dia 10 de maio o Dia da Amizade Copta-Católica, instituído em 2013. Nesta ocasião, o Papa Francisco enviou uma mensagem ao Patriarca Tawadros II e agradeceu mais uma vez a hospitalidade que recebeu no Egito, durante sua recente viagem ao país no final de abril.
Viagem ao Egito

No texto, o Pontífice menciona de modo especial a Declaração Conjunta assinada no Cairo: “Estou grato pelo fato que reforçamos a nossa unidade batismal no Corpo de Cristo, declarando juntos ‘que com uma só alma e um só coração buscaremos, com toda sinceridade, não repetir o Batismo ministrado em uma de nossas Igrejas a quem desejar se unir à outra’”.

Os vínculos de fraternidade entre nós, escreve ainda o Papa, “nos estimulam a intensificar os nossos esforços comuns, perseverando na busca de uma unidade visível na diversidade, sob a guia do Espírito Santo”. Neste percurso, acrescentou, somos amparados pela poderosa intercessão e pelo exemplo dos mártires.

“Desejo garantir a minha contínua oração por Sua Santidade e pela paz no Egito e no Oriente Médio”, finalizou o Pontífice.

História

No dia 10 de maio de 2013, o Papa Francisco e o Patriarca Tawadros II se reuniram no Vaticano para recordar os 40 anos do histórico encontro entre o Papa Paulo VI e o então Patriarca Shenouda III e, desde então, esta data foi escolhida para se celebrar o  Dia da Amizade Copta-Católica.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Papa Francisco: caridade e bondade, estilo cristão


Cidade do Vaticano - Não resistir ao Espírito Santo, mas acolher a Palavra com docilidade: è a exortação do Papa Francisco na homilia pronunciada na manhã de terça-feira (09/05) na Casa Santa Marta. Bondade, paz e domínio de si são frutos daqueles que acolhem a Palavra, a conhecem e têm familiaridade com ela. Antes de iniciar, o Papa ofereceu a missa às irmãs da Casa Santa Marta, “que celebram o dia de sua fundadora, Santa Luisa de Marillac”.  

Depois de refletir nos últimos dias sobre a resistência do Espírito Santo, as Leituras do dia falam de um comportamento contrário, característico dos cristãos, que é “a docilidade ao Espírito Santo”. E esta atitude foi o fulcro da homilia do Papa.

Depois do martírio de Estêvão, começou uma grande perseguição em Jerusalém. Somente os Apóstolos permaneceram, enquanto os ‘crentes’, os ‘leigos’, se dispersaram em Chipre, na Fenícia e em Antioquia, anunciando a Palavra apenas aos judeus. Mas em Antioquia, alguns começaram a anunciar Jesus Cristo também aos gregos, ‘pagãos’, porque sentiam que o Espírito Santo os impulsionava a fazer isto. “Foram dóceis”, explicou Francisco.  

O Apóstolo Tiago, em sua carta, exorta a “acolher com docilidade a Palavra”. É preciso ser abertos e não “rígidos”. O primeiro passo no caminho da docilidade è, portanto, “acolher a Palavra”, ou seja, abrir o coração. O segundo é “conhecer a Palavra”, conhecer Jesus, que diz: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”. Conhecem porque são dóceis ao Espírito.

E depois existe o terceiro passo: a “familiaridade com a Palavra”:
“Levar sempre conosco a Palavra; lê-la, abrir o coração à Palavra e ao Espírito, que è quem nos faz entender a Palavra. E o fruto de receber a Palavra, de conhecê-la, de levá-la conosco, desta familiaridade com a Palavra, è grande… o comportamento de uma pessoa que age assim é de bondade, benevolência, alegria, paz, domínio de si, mansidão”.

Este é o estilo que dá a docilidade ao Espírito, prossegue Francisco:

“Mas eu devo receber o Espírito que me traz a Palavra com docilidade, e essa docilidade, não resistir ao Espírito vai me levar a este modo de vida, a este modo de agir. Receber com docilidade a Palavra, conhecer a Palavra e pedir ao Espírito Santo a graça de torná-la conhecida e, em seguida, dar espaço, para que esta semente germine e cresça nas atitudes de bondade, benignidade, benevolência, paz, caridade, domínio de si: tudo isso faz parte do estilo cristão”.

Na Primeira Leitura se narra que, quando em Jerusalém chega a notícia de que pessoas provenientes de Chipre e Cirene proclamavam a Palavra aos gentios em Antioquia, se assustaram um pouco e enviaram para lá Barnabé, perguntando-se - observou o Papa - como era possível que se pregasse a Palavra aos não circuncisos e como era possível que quem pregava não eram os Apóstolos, mas “essas pessoas que nós não conhecemos”. E “é bonito”, disse o Papa que quando Barnabé chegou a Antioquia e viu “a graça de Deus”, se alegra e exorta-os a “permanecerem com o coração resoluto, fiel ao Senhor”, porque ele era um homem “cheio do Espírito Santo”:

“Há o Espírito que nos guia para não cometermos erros, a aceitar com docilidade o Espírito, conhecer o Espírito na Palavra e viver segundo o Espírito. E isso é o oposto às resistências que Estevão criticava aos líderes, aos doutores da Lei: 'Vocês sempre resistiram ao Espírito Santo'. Resistimos ao Espírito, fazemos resistência a Ele? Ou o acolhemos? Com docilidade: essa é a palavra de Tiago. 'Acolher com docilidade'. Resistência contra docilidade. Vamos pedir essa graça”.

E o Papa conclui observando, “um pouco fora da homilia”, que “foi precisamente na cidade de Antioquia, onde nos foi dado o sobrenome”. Em Antioquia, na verdade, pela primeira vez os discípulos foram chamados cristãos. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Frei Almir Guimarães - O caminho de Francisco

Papa: não resistir ao Espírito Santo, acolher surpresas de Deus


Cidade do Vaticano - O Papa Francisco celebrou a missa matutina, nesta segunda-feira (08/05), na Casa Santa Marta. Em sua homilia, ressaltou que o “Espírito Santo movimenta a Igreja e faz a comunidade cristã se mover”. 

Segundo o Santo Padre, esta verdade a nós encontramos em particular na primeira leitura do dia extraída dos Atos dos Apóstolos. 

O Espírito Santo realiza milagres, coisas novas e “alguns certamente tinham medo dessa novidade da Igreja”: 

“O Espírito é o dom de Deus, desse Deus, nosso Pai, que sempre nos surpreende. O Deus das surpresas. Por que? Porque é um Deus vivo, um Deus que habita em nós, um Deus que move o nosso coração, um Deus que está na Igreja, caminha conosco e neste caminhar nos surpreende sempre. Assim como Ele teve a criatividade de criar o mundo, o Deus que nos surpreende tem a criatividade de criar coisas novas todos os dias.”

Isso pode criar “dificuldade” como acontece a Pedro que foi contestado pelos outros discípulos quando souberam que “também os pagãos tinham acolhido a Palavra de Deus”. Para eles, Pedro tinha exagerado e o repreenderam porque, segundo eles, era um “escândalo”. E disseram a Pedro: “Você, pedra da Igreja! Para aonde quer nos levar?”

Pedro fala de sua visão, “um sinal de Deus” que lhe faz “tomar uma decisão corajosa”. “Pedro, reiterou o Papa, “é capaz de acolher a novidade de Deus”. Diante de muitas surpresas do Senhor, “os Apóstolos devem se reunir, discutir e chegar a um acordo” para dar “o passo adiante que o Senhor deseja”: 

“Sempre, desde os tempos dos profetas até hoje, existe o pecado de resistir ao Espírito Santo: a resistência ao Espírito. Este é o pecado repreendido por Estevão aos membros do Sinédrio: ‘Vocês e seus pais resistiram sempre ao Espírito Santo’. A resistência ao Espírito Santo. Não. Sempre foi feito assim e deve ser feito assim. Não venha com essas novidades, Pedro! Fique tranquilo. Tome um ansiolítico para acalmar os nervos. Fique tranquilo! É o fechar-se para a voz de Deus. O Senhor, no Salmo, fala ao seu povo: ‘Não endureça o seu coração como os seus pais.” 

O Senhor, afirmou o Papa referindo-se ao Evangelho do dia sobre o Bom Pastor, nos pede sempre para não endurecer o nosso coração. “O que o Senhor deseja é que existam outros povos”, outros rebanhos, “mas haverá um só rebanho e um só pastor”. Os que eram julgados pagãos, condenados, quando aceitavam a fé eram considerados “fiéis de segunda categoria: ninguém dizia, mas de fato era assim”: 

“O fechamento, a resistência ao Espírito Santo, aquela frase que fecha sempre, que bloqueia a pessoa: sempre foi feito assim. Isso mata. Isso mata a liberdade, mata a alegria, mata a fidelidade ao Espírito Santo que sempre age na frente fazendo a Igreja progredir. Mas, como eu posso saber se algo é do Espírito Santo ou da mundanidade, do espírito do mundo, ou do espírito do diabo? Como posso? E preciso pedir a graça do discernimento. O instrumento que o Espírito nos dá é o discernimento. Discernir, em todo caso, como se deve fazer. Foi o que fizeram os Apóstolos: se reuniram, falaram e viram qual era o caminho do Espírito Santo. Ao contrário, os que não tinham esse dom ou não tinham rezado pedindo esse dom, permaneceram fechados e inertes.” 

Nós cristãos devemos entre as muitas novidades “saber discernir, discernir uma coisa da outra, discernir qual é a novidade, o vinho novo que vem de Deus, qual é a novidade que vem do espírito do mundo e qual é a novidade que vem do diabo”. 

“A fé nunca muda. A fé é a mesma, porém, em movimento, cresce e se expande”. Recordando um monge dos primeiros séculos, São Vicente de Lerino, o Papa sublinhou que “as verdades da Igreja vão adiante: se consolidam com os anos, se desenvolvem com o tempo, se aprofundam com a idade, para que sejam mais fortes com o tempo, com os anos, se expandam com o tempo e sejam mais elevadas com a idade da Igreja”. 

“Peçamos ao Senhor a graça do discernimento para não errar o caminho e não cair na inércia, na rigidez e no fechamento do coração”, concluiu o Papa. 

sexta-feira, 5 de maio de 2017

4º domingo da Páscoa - Resistir à tentação de “pular a cerca”



O povo conhece a voz de Jesus

1ª Leitura: At 2, 14a.36-41
Sl: 22
2ª Leitura: 1Pd 2, 20b-35
Evangelho: Jo 10, 1-10

* 1 «Eu garanto a vocês: aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas,  mas sobe por outro lugar, é ladrão e  assaltante. 2 Mas aquele que entra pela  porta, é o pastor das ovelhas. 3 O porteiro abre a porta para ele, e as ovelhas ouvem a sua voz; ele chama cada uma de suas ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4 Depois de fazer sair todas as suas ovelhas, ele caminha na frente delas; e as ovelhas o seguem porque conhecem a sua voz. 5 Elas nunca vão seguir um estranho; ao contrário, vão fugir dele, porque elas não conhecem a voz dos estranhos.» 6 Jesus contou-lhes essa parábola, mas eles não entenderam o que Jesus queria dizer.

Jesus é o único caminho - * 7 Jesus continuou dizendo: «Eu garanto a vocês: eu sou a porta das ovelhas.  8 Todos os que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os ouviram.  9 Eu sou a porta. Quem entra por mim, será salvo. Entrará, e sairá, e encontrará pastagem. 10 O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral


Missa em Santa Marta: Não aos rígidos de vida dupla, na Igreja é necessário mansidão


Cidade do Vaticano – Também hoje, na Igreja, existem pessoas que usam a rigidez para encobrir os próprios pecados. Esta foi a advertência que o Papa Francisco fez na homilia da missa celebrada esta sexta-feira (05/05) na capela da Casa Santa Marta.

Comentando a Primeira Leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos, o Pontífice falou sobre a figura de São Paulo que, de rígido perseguidor, se tornou manso e paciente anunciador do Evangelho.

“A primeira vez que aparece o nome de Saulo – observou Francisco – é na lapidação de Estevão”. Saulo era um “jovem, rígido, idealista” e estava “convencido” da rigidez da Lei.

Não aos rígidos de vida dupla

Era rígido, comentou o Papa, mas “era honesto”. Ao invés, Jesus “teve que condenar os rígidos que não eram honestos”:

“São os rígidos de vida dupla: se mostram belos, honestos, mas quando ninguém os vê, fazem coisas feias. Ao invés, este jovem era honesto: acreditava nisso. Quando falo disso, penso em muitos jovens que caíram na tentação da rigidez, hoje, na Igreja. Alguns são honestos, são bons, devemos rezar para que o Senhor os ajude a crescer no caminho da mansidão”.

Francisco prosseguiu dizendo que outras pessoas “usa a rigidez para encobrir as fraquezas, pecados, doenças de personalidade e usam a rigidez” para se afirmar sobre os outros. O Papa observou que Saulo, crescido nesta rigidez, não pode tolerar aquela que para ele é uma heresia e, assim, começa a perseguir os cristãos. “Pelo menos – comenta o Pontífice com amargura – deixava as crianças vivas: hoje, nem isso”.

Saulo então vai a Damasco para capturar os cristãos e conduzi-los prisioneiros a Jerusalém. E no caminho há o encontro “com outro homem que fala com uma linguagem de mansidão: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’”.

De perseguidor, São Paulo se torna evangelizador

A criança, disse, “o rapaz rígido, que se fez homem rígido – mas honesto! – se fez criança e se deixou conduzir para onde o Senhor o chamou. A força da mansidão do Senhor”. Saulo se torna então Paulo, anuncia o Senhor até o fim e sofre por Ele:

“E assim, este homem da própria experiência prega aos outros, de uma parte a outra: perseguido, com muitos problemas, inclusive na Igreja, também teve que sofrer com o fato que os próprios cristãos brigassem entre si. Mas ele, que tinha perseguido o Senhor com o zelo da Lei, dirá aos cristãos: ‘Com o mesmo que se afastaram do Senhor, pecaram, com a mente, com o corpo, com tudo, com os mesmos membros agora sejam perfeitos, deem glória a Deus’”.

Que os rígidos sigam o caminho da mansidão de Jesus

“Existe o diálogo entre a suficiência, a rigidez e a mansidão”, disse o Papa. “O diálogo entre um homem honesto e Jesus que lhe fala com doçura”. E assim, destacou, “começa a história deste homem que conhecemos ainda jovem, na lapidação de Estevão, e que acabará traído por um cristão”. Para alguns, a vida de São Paulo “é uma falência”, assim como aquela de Jesus:

“Este é o caminho do cristão: ir avante pelos vestígios que Jesus deixou, vestígios da pregação, do sofrimento, da Cruz, da ressurreição. Peçamos a Saulo, hoje, de modo especial pelos rígidos que existem na Igreja; pelos rígidos-honestos como ele, que têm zelo, mas erram. E pelos rígidos hipócritas, os de vida dupla, aqueles aos quais Jesus dizia: ‘Façam o que dizem, mas não o que fazem’. Hoje, rezemos pelos rígidos”.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Papa em Santa Marta: Igreja deve estar em pé, em caminho e em escuta

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Cidade do Vaticano – Antes de iniciar sua série de audiências esta quinta-feira (04/05), o Papa Francisco celebrou a missa na capela da Casa Santa Marta.

Em sua homilia, o Pontífice comentou três palavras extraídas da Primeira Leitura do capítulo 8 dos Atos dos Apóstolos, convidando os fiéis a relerem este trecho depois com calma em casa. A primeira expressão é “Prepara-te e vai”, dirigida por um Anjo a Filipe. “Este é um sinal da evangelização”, disse o Papa. De fato, a vocação e a grande consolação da Igreja é evangelizar:

“Mas para evangelizar, “prepara-te e vai”. Não diz: “Fique sentado, tranquilo, em casa”: não! A Igreja, para ser sempre fiel ao Senhor, deve estar em pé e em caminho: “Prepara-te e vai”. Uma Igreja que não se levanta, que não está em caminho, adoece”.

Uma Igreja parada, acrescentou o Papa, acaba fechada com tantos traumas psicológicos e espirituais, “fechada no pequeno mundo das fofocas, das coisas... fechada, sem horizontes”. “Prepara-te e vai, em pé e em caminho. Assim deve agir a Igreja na evangelização”, destacou.

“Aproxima-te desse carro e acompanha-o” é a exortação sucessiva que Filipe recebe do Espírito, e a segunda expressão evidenciada pelo Pontífice. No carro, havia um eunuco etíope, que foi a Jerusalém para adorar Deus e que, enquanto viajava, lia o profeta Isaías. Trata-se da “conversão de um ministro da economia” e, portanto, destacou o Papa, de “um grande milagre”. O Espírito exorta Filipe a se aproximar daquele homem, “não lhe diz para pregar”, afirmou Francisco, ressaltando a importância de uma Igreja que saiba ouvir a inquietação do coração de todo o homem:

“Todos os homens, todas as mulheres têm uma inquietação no coração, boa ou ruim, mas há uma inquietação. Ouça aquela inquietação. Não diz: “Vai e faça proselitismo”. Não, não! “Vai e ouve”. Ouvir é o segundo passo. O primeiro é “Prepara-te e vai”; o segundo, “ouve”. Aquela capacidade de escuta: o que as pessoas sentem, o que sente o coração dessa gente, o que pensam... Mas pensam coisas erradas? Mas eu quero ouvir essas coisas erradas, para entender bem onde está a inquietação. Todos temos uma inquietação dentro de nós. O segundo passo da Igreja é encontrar a inquietação das pessoas”.

Depois, é o próprio etíope que, vendo Filipe se aproximar, lhe pergunta de quem falava o Profeta Isaías e o convida a subir e sentar-se junto a ele. Então, “com mansidão” – destacou o Papa – Filipe começa “a pregar”. Assim, “a sua inquietação encontra uma explicação que enche de esperança o seu coração”. “Mas isso – prosseguiu Francisco – foi possível porque Filipe se aproximou e ouviu”.

Enquanto o etíope ouvia, o Senhor trabalhava dentro dele. Deste modo, o homem entende que a profecia de Isaías se referia a Jesus. A sua fé em Jesus então cresceu a tal ponto que, quando chegaram onde estava a água, pede para ser batizado. “Foi ele quem pediu o Batismo, porque o Espírito tinha trabalhado no coração”, notou o Papa, exortando a deixar o Espírito trabalhar no coração das pessoas. Depois do Batismo, o Espírito, “que está sempre presente”, pega Filipe e o leva a outra parte, e o eunuco “cheio de alegria” prosseguiu o seu caminho.

A terceira palavra que o Papa destaca é, por fim, a alegria: “a alegria do cristão”. Francisco concluiu a homilia fazendo votos de que a Igreja esteja “em pé”, “mãe” que ouve e, “com a graça do Espírito Santo”, “encontra a Palavra a dizer”:

“A Igreja mãe que dá à luz a tantos filhos com este método digamos – usemos a palavra – este método que não é proselitista: é o método do testemunho à obediência. A Igreja, que hoje nos diz: “Alegra-te”. Alegrar-se, a alegria. A alegria de ser cristãos inclusive nos momentos mais duros, porque depois da lapidação de Estevão, teve início uma grande perseguição e os cristãos se espalharam por todos os lugares, como a semente que o vento leva. E foram eles que pregaram a Palavra de Jesus. Que o Senhor nos dê a graça a todos nós de viver a Igreja assim: em pé e em saída, em escuta das inquietações das pessoas e sempre em alegria”.