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quinta-feira, 16 de março de 2017

Santo do dia: José Gabriel del Rosario #Brochero


Presbítero e Missionário, primeiro santo argentino.

José Gabriel del Rosario Brochero nasceu em 16 de março de 1840, em Santa Rosa de Río Primero, Córdoba.

Entrou no seminário maior de Córdoba em 5 de março de 1856, aos 16 anos. Um amigo escreveu: “muitas vezes ouvi Brochero falar que a constante preocupação de sua juventude foi o sacerdócio... Não sabia que vocação seguir: se a laical ou a sacerdotal... Seu espírito flutuava e seu coração sofria com esta indecisão. Um dia, dominado por esta preocupação, assistiu a um sermão no qual se descreveram as exigências e os sacrifícios de uma e da outra... e apenas concluiu escutá-lo, a dúvida já não atormentava sua alma, e ser sacerdote era para ela uma resolução inquebrantável” (Cárcano, Ramón J.).

Foi ordenado presbítero em 4 de novembro de 1866 por Dom Vicente Ramírez de Arellano. Em 10 de dezembro do mesmo ano celebra sua primeira Missa na capela do Colégio Seminário “Nuestra Señora de Loreto”, quando esta se encontrava na casa por detrás da Catedral, onde hoje se encontra a pracinha do Fundador.

Em dezembro de 1869 assume o Curado de São Alberto, sendo San Pedro a vila que fazia cabeceira naquele departamento. Por aquele tempo o extenso Curado de San Alberto (de 4.336 quilômetros quadrados) contava com pouco mais de 10.000 habitantes que viviam em lugares distantes, sem estradas e sem escolas, espalhados pelas Serras Grandes de mais de 2.000 metros de altura. Era triste o estado moral e a indigência material daquela gente. O coração apostólico de Brochero não desanima, senão que, desde o primeiro momento, dedicará sua vida inteira não somente a levar o Evangelho, senão, a educar e promover a seus habitantes.

No ano seguinte de sua chegada, começou a levar a homens e mulheres a Córdoba, para fazer os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, percorrendo uns 200 km, cruzando as serras. Ditas cujas travessias requeriam três dias no lombo de uma mula e as caravanas muitas vezes superam umas quinhentas pessoas. Mais de uma vez foram surpreendidos por fortes tormentas de neve.

Ao regressarem, após nove dias de silêncio, oração e penitência, seus as pessoas iam mudando de vida, seguindo o Evangelho e buscando o desenvolvimento econômico da região.

Em 1875, com a ajuda de seus paroquianos, começou a construção da Casa de Exercícios da então Villa del Transito (localidade que hoje leva seu nome). Foi inaugurada em 1877 com inscritos que superaram umas 700 pessoas, passando pela mesma, durante o ministério paroquial do Santo, mais de 40.000 pessoas. Também construiu a casa para as religiosas, o Colégio de meninas e a residência para os sacerdotes.

Com seus paroquianos construiu mais de 200km de caminhos e várias igrejas, fundou povoados e preocupou-se pela educação de todos. Solicitou perante as autoridades e obteve “mensagerias”, oficinas de correio e estafetas telegráficas. Projetou o ramal ferroviário que atravessaria o Vale de Traslasierra unindo Villa Dolores e Soto para retirar a seus queridos serranos do isolamento e pobreza em que se encontravam, “abandonados de todos, porém, não por Deus”, como gostava de repetir.

“Um sacerdote que viveu uma verdadeira paixão pelo Evangelho, que testemunhou e transmitiu em meio de uma considerável transformação cultural o nosso país depois dos acontecimentos de organização nacional. Sem ingenuidade, porém também sem ceder a lamentos ou enfrentamentos estéreis, dedicou-se com empenho e com espírito construtivo à maravilhosa tarefa de evangelização. De sua paixão pelo Evangelho brotava também sua paixão por seus irmãos e o desejo de brindar-lhes as condições de uma vida digna. Por isso trabalhou incansavelmente por levantar templos ou capelas, a casa de Exercícios Espirituais e a Villa del Transito, escolas e outras obras que asseguraram a todos uma existência que mereceria o título de humana e cristã” (Mons. Carlos Náñez, homilia da Missa Crismal de 01 de abril de 2010).

Poucos dias depois de sua morte, o diário católico de Córdoba escreve: “É sabido que o Cura Brochero contraiu a enfermidade que o levou à tumba porque visitava frequentemente e até abraçava a um leproso abandonado por aí”. Devido à sua enfermidade, renunciou ao Curado, vivendo uns anos com suas irmãs em seu povoado natal. Porém, respondendo à solicitude de seus antigos paroquianos, regressou à sua casa de Villa del Transito, morrendo leproso e cego no dia 26 de janeiro de 1914.
  
O processo de canonização iniciou-se na década de 1960. Foi declarado Venerável pelo papa São João Paulo II em 2004. Foi beatificado na pequena localidade cordobesa de Villa Cura Brochero em 14 de setembro de 2013, logo após a comprovação sua intercessão milagrosa ante o menino Nicolás Flores , que esteve às portas da morte, com perda de massa óssea do crânio e de massa encefálica como resultado de um acidente automobilístico sofrido em Falda del Cañete (Córdoba).

A recuperação da menina Camila Brusotti, logo haver sido golpeada por sua mãe e seu padrasto e de sofrer um infarto massivo no hemisfério cerebral direito, foi considerada como um acontecimento extraordinário e inexplicável pela ciência médica por parte de uma junta composta por sete médicos e como um milagre por parte do tribunal eclesiástico de Roma. Segundo a Comissão Teológica, esse fato aconteceu pela intercessão de Brochero.

Em 22 de janeiro de 2016, o papa Francisco assinou o decreto que confirma o segundo milagre. Sua canonização aconteceu no dia 16 de outubro de 2016. 

Em carta enviada ao Arcebispo de Santa Fé e Presidente da Conferência Episcopal Argentina, D. José María Arancedo, o Papa Francisco expressou sua alegria com, na época, a beatificação do "Cura Brochero". Ele afirmou: "Gosto de imaginar hoje Brochero pároco em cima da sua mula com a franja branca (malacara), enquanto percorria as longas sendas áridas e desoladas dos duzentos quilómetros quadros da sua paróquia, procurando de casa em casa os vossos bisavós e trisavós, para lhes pedir se necessitavam de algo e para os convidar a fazer os exercícios espirituais de santo Inácio de Loyola. Conheceu todos os cantos da sua paróquia. Não ficou nas sacristias a pentear as ovelhas do rebanho.

O Cura Brochero era uma visita do próprio Jesus a cada família. Levava consigo a imagem da Virgem, o livro de orações com a Palavra de Deus, o necessário para celebrar a Missa diária. Convidavam-no a beber mate, dialogavam e Brochero falava com eles de um modo que todos entendiam, porque lhe saía do coração, da fé e do amor que sentia por Jesus.

Aquela coragem apostólica de Brochero cheia de zelo missionário, aquele fervor do seu coração compassivo como o de Jesus que lhe fazia dizer: «Ai de mim se o diabo me roubar a alma!», levou-o a conquistar para Deus até pessoas de má fama e concidadãos difíceis. Contam-se milhares de homens e mulheres que, graças ao trabalho sacerdotal de Brochero, abandonaram vícios e desavenças. Todos recebiam os sacramentos durante os exercícios espirituais e, com eles, a força e a luz da fé para ser bons filhos de Deus, bons irmãos, bons pais e mães de família, numa grande comunidade de amigos comprometidos no bem de todos, que se respeitavam e ajudavam reciprocamente.

Numa beatificação a actualidade pastoral é muito importante. 

O Cura Brochero tem a actualidade do Evangelho, foi um pioneiro no deslocar-se até às periferias geográficas e existenciais para levar a todos o amor, a misericórdia de Deus. Não permaneceu fechado no escritório paroquial, desgastou-se nas suas viagens de mula e acabou adoecendo de lepra, por tanto ter procurado o povo como sacerdote de rua, da fé. Jesus quer precisamente isto hoje, discípulos missionários, «callejeros» da fé!

Brochero era um homem normal, frágil, como qualquer um de nós, mas conheceu o amor de Jesus, deixou-se forjar no coração pela misericórdia de Jesus. Soube sair do túnel «eu-me-meu-para mim», do egoísmo mesquinho que todos temos, vencendo a si mesmo, superando com a ajuda de Deus as forças interiores das quais o demónio se serve para nos acorrentar nas modalidades, na procura do prazer do momento, na pouca vontade de trabalhar. Brochero ouviu a chamada de Deus e escolheu o sacrifício de trabalhar para o seu Reino, para o bem comum que a dignidade enorme de cada pessoa merece como filha de Deus, e foi fiel até ao fim: continuava a rezar e a celebrar a missa até quando já era cego e tinha lepra.

Deixemos que o Cura Brochero entre hoje, com a mula e o resto, na casa do nosso coração e nos convide à oração, ao encontro com Jesus, que nos liberta dos vínculos para sair pelas estradas à procura do irmão, para tocar a carne de Cristo naquele que sofre e necessita do amor de Deus. Só assim poderemos saborear a alegria que o Cura Brochero experimentou, antecipação da felicidade da qual agora goza como beato no céu.

Peço ao Senhor que vos conceda esta graça, que vos abençoe, e rezo à Virgem Santa para vos proteger. (Papa Francisco, 14 de setembro de 2013.)