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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Papa: Converter-se não é mudar de roupa mas de atitude


Cidade do Vaticano – “Nós, cristãos de hoje, temos a alegria de proclamar e testemunhar a nossa fé, porque houve aquele primeiro anúncio, porque houve aqueles homens humildes e corajosos que responderam generosamente ao chamado de Jesus”. Foi o que disse o Papa Francisco na sua alocução que precedeu a oração mariana do Angelus na Praça de São Pedro neste domingo (22/1), na qual ele comentou a passagem do Evangelho sobre o início da pregação de Jesus na Galileia e o chamado dos apóstolos.

“O Evangelho deste domingo narra o início da pregação de Jesus na Galileia. Ele deixa Nazaré, um vilarejo nas montanhas, e se estabelece em Cafarnaum, um importante centro à margem do lago, habitado principalmente por pagãos, o ponto de cruzamento entre o Mediterrâneo e o interior da Mesopotâmia. Esta escolha significa que os destinatários de sua pregação não são apenas seus compatriotas, mas todos aqueles que chegam à cosmopolita “Galileia das nações”.
Vista da capital Jerusalém, aquela terra – continuou Francisco – é geograficamente periférica e religiosamente impura, por causa da mistura com aqueles que não pertenciam a Israel. Da Galileia não se esperavam certamente grandes coisas para a história da salvação. No entanto, dali se espalha a “luz” sobre a qual refletimos nos domingos passados: a luz de Cristo.

A mensagem de Jesus espelha a de Batista, anunciando o “reino dos céus”. Este reino não comporta o estabelecimento de um novo poder político, mas o cumprimento da aliança entre Deus e seu povo, que vai inaugurar uma época de paz e justiça. Para realizar este pacto de aliança com Deus, – afirmou o Papa – cada um é chamado a converter-se, transformando sua maneira de pensar e de viver. Não se trata de mudar as roupas, mas as atitudes!
“O que diferencia Jesus de João Batista – destacou o Papa – é o estio, o método. Jesus escolhe ser profeta itinerante. Ele não espera as pessoas, mas se move ao encontro delas”.

As primeiras saídas missionárias de Jesus ocorrem ao longo do lago da Galileia, em contato com a multidão, especialmente com os pescadores. Alí Jesus não só proclama a vinda do reino de Deus, mas procura os companheiros para associar à sua missão de salvação. Neste mesmo lugar encontra dois pares de irmãos: Simão e André, Tiago e João; Ele os chama dizendo: “Sigam-me, eu vos farei pescadores de homens”. O chamado os alcança no auge de suas atividades diárias: o Senhor se revela a nós não de modo extraordinário ou sensacional, mas na quotidianidade de nossas vidas. A resposta dos quatro pescadores é imediata e pronta: “No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram”.

“Nós, os cristãos de hoje, temos a alegria de proclamar e testemunhar a nossa fé porque houve aquele primeiro anúncio, porque houve aqueles homens humildes e corajosos que responderam generosamente ao chamado de Jesus”.

“Às margens do lago, em uma terra impensável, nasceu a primeira comunidade de discípulos de Cristo. A consciência destes princípios inspire em nós o desejo de levar a palavra, o amor e a ternura de Jesus em todos os contextos, até mesmo ao mais impermeável e resistente. Todos os espaços da vida humana são terreno onde lançar as sementes do Evangelho, para dar frutos de salvação”.

Francisco concluiu pedindo que a Virgem Maria nos ajude com a sua intercessão materna a responder com alegria ao chamado de Jesus e nos coloque a serviço do Reino de Deus.

Em seguida concedeu a todos a sua Benção Apostólica.

Após a oração do Angelus o Papa Francisco dirigiu novamente suas palavras aos fiéis reunidos na Praça São Pedro recordando que estamos vivendo a “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos”, que no Brasil celebramos entre Ascensão e Pentecostes. Este ano o tema escolhida é uma expressão de São Paulo que indica o caminho a seguir: “O amor de Cristo nos impulsione à reconciliação”.

O Santo Padre recordou que na próxima quarta-feira, na conclusão da Semana de Oração irá presidir a celebração das Vésperas na Basílica São Paulo fora dos Muros, da qual participarão os fiéis e as irmãs de outras Igrejas e Comunidades cristãs presentes em Roma. A Rádio Vaticano transmite ao vivo a celebração com comentários em português, a partir das 14h25, hora de Brasília.

Terremoto na Itália
O Papa Francisco recordou ainda os momentos difíceis que a população da Itália central está passando devido ao terremoto e as fortes nevadas que novamente colocaram à dura prova principalmente as regiões de Abruzzo, Marcas e Lázio.

“Estou próximo com a oração e afeto às famílias que tiveram vítimas entre seus entes queridos – acrescentou. Encorajo todos aqueles envolvidos com grande generosidade nos trabalhos de auxílio e assistência; bem como as Igrejas locais, que estão trabalhando para aliviar os sofrimentos e as dificuldades. Muito obrigado por essa proximidade, pelo seu trabalho e ajuda concreta que que vocês levam”.

Obrigado, disse ainda o Papa e convido vocês – dirigindo-se ao fiéis – para rezar juntos a Nossa Senhora pelas vítimas e também por aqueles que com grande generosidade se empenham nos trabalhos de socorro”. Francisco então recitou uma Ave Maria com os fiéis e peregrinos na Praça São Pedro.

Ano Novo Lunar em 28 de janeiro

O Papa Francisco dirigiu ainda uma saudação aos “milhões de homens e mulheres que se preparam para comemorar o Ano Novo Lunar em 28 de janeiro, no Extremo Oriente e várias partes do mundo”. “A minha saudação cordial chegue a todos os seus familiares – disse Bergoglio – com a esperança de que esses se tornem sempre mais uma escola onde se aprenda a respeitar o outro, a comunicar e a cuidar uns dos outros de modo desinteressado. Que a alegria do amor propague-se no seio das famílias e a partir delas irradie-se em toda a sociedade”.

O Papa saudou ainda os “fiéis de Roma e os peregrinos de vários países, em especialmente o grupo de jovens do Panamá e estudantes Instituto “Diego Sánchez” de Talavera la Real (Espanha).