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terça-feira, 18 de julho de 2017

Missões na Bahia: Fonte abundante de água viva


O semiárido baiano tornou-se para 15 jovens missionários da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil uma fonte abundante de água viva que brota da presença de Jesus no meio do seu povo.

Esta foi a conclusão depois de uma semana de missão na Pró-paróquia de Nossa Senhora da Piedade, em Cocal, povoado do município de Brotas de Macaúbas (BA), pertencente à Diocese de Barra, cujo pastor é o bispo franciscano Dom Luís Flavio Cappio.

Jovens missionários de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro não se intimidaram com as distâncias e longas horas de viagem, nem tampouco pelo clima frio e nebuloso de alguns dias da semana, desfazendo a ideia de que somente no Sul é que faz frio.

No entanto, se a temperatura insistia em se manter baixa, o calor da acolhida e do carinho do povo baiano aqueceu o coração de todos que encerraram as missões com lágrimas de despedidas e a promessa de retornarem assim que possível.

Divididos em cinco equipes, os jovens viveram uma experiência de fraternidade e missão. Acolhidos nas casas das famílias, puderam partilhar o pão e a ação, a vida e a fé, os sonhos e os desafios desse povo que insiste em testemunhar a beleza de um Deus que se faz simples e pequeno.


No dia a dia com as comunidades se experimentava a certeza de que ‘quanto menor a casinha, mais sincero é o bom dia’. O amor e o cuidado de Jesus se manifestou de diferentes formas: pelas mãos que preparavam com carinho o cuscuz matinal; pelo olhar sincero e atento das crianças que foram as fiéis companheiras durante as visitas; pela perseverança do irmão embriagado que não deixava de participar de nenhuma celebração, acreditando ali encontrar forças para se libertar do vício; pelo serviço incansável das lideranças que preparavam tudo com tamanho dedicação; pelo trabalho dos jovens na arte de plantar não somente flores em sua comunidade, mas em cultivar sonhos para sua juventude; no balão reaproveitado pelas crianças, que no encher e esvaziar desse tão simples objeto nos davam uma verdadeira lição de um novo mundo possível; pela ousadia dos jovens missionários que investiram não somente seu dinheiro para uma tão longa viagem, mas partilharam suas vidas e seus dons para fazer o Reino de Deus acontecer. Enfim, tudo falava de Deus e expressava o rosto Daquele que se fez para nós o caminho.

Visitas às famílias, reuniões formativas, orações do terço e momentos celebrativos reforçaram ainda mais a fé e a devoção do povo. O cuidado com a Casa Comum também foi trabalhado com todos os jovens das escolas, que participaram da Semana do Meio Ambiente, realizando estudos e atividades de conscientização sobre o tema. Tal semana foi concluída com um mutirão de limpeza na comunidade do Cocal, dando direito a premiação dos alunos que mais se destacaram em todo o projeto.


Além disso, a juventude da região teve oportunidade de conhecer um pouco mais  a espiritualidade franciscana durante uma animada tarde de encontro, que foi concluída ao pé da fogueira com cantos, danças e apresentações, demonstrando a alegria de serem jovens e que os sonhos que os animam são os mesmos em qualquer canto do país.

Coroando essa Semana Missionária, toda a comunidade paroquial reuniu-se para uma manhã de retiro e aprofundamento das 7 dores de Maria, que foram dramatizadas pelos jovens e que se tornaram mais próximas da vida do povo.

Por fim, gratidão é a palavra que define essa grande experiência: aos jovens, pela coragem e dedicação; a Frei Moisés Beserra de Lima, pároco local, pela organização e acolhida; às fraternidades e Paróquias da Província, pelo apoio e incentivo; e ao povo de Cocal, pela partilha alegre e sincera, que fez do semiárido baiano um local de chuva abundante capaz de irrigar os corações de todos nós.

“A experiência da missão para mim foi singular, pois me senti em casa em todos os lugares que passei. O povo de Cocal é  desapegado e generoso,  de modo que sempre oferece tudo o que tem, sem medo de ‘perder’ o pouco que tem. Comumente se ouvia:  ‘A casa é sua. Fique à vontade’. Para o povo que visitei, pode até faltar muitas coisas, mas para o missionário que vem para o meio desse povo, não falta nada!”, avaliou Frei Marcos Schwengber.

"A missão para mim é uma das maneiras mais lindas de demonstrar o amor ao próximo, pois poder sair de nossas casas e levar um sorriso, um abraço e palavras de fé e oração para as famílias muitas vezes esquecidas pela sociedade e sermos acolhidos tão bem, é muito gratificante, principalmente pelo afeto e amizade que nós criamos com os moradores de Cocal”, completou o jovem Paulo Vidal, de Santo Amaro da Imperatriz (SC).

Frei Diego Atalino de Melo e Frei Gabriel Dellandrea

Serviço de Animação Vocacional

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Papa Francisco - Jesus não se impõe, mas se propõe doando-se


Cidade do Vaticano – O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, neste domingo (16/07), com os fiéis e peregrinos de várias partes do mundo, presentes na Praça São Pedro. Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice disse que “quando Jesus falava usava uma linguagem simples e usava também imagens que eram exemplo de vida cotidiana a fim de ser compreendido facilmente por todos. Por isso, as pessoas o ouviam com boa vontade e apreciavam a sua mensagem que chegava diretamente ao coração”.

Não era uma linguagem complicada de entender como as dos doutores da lei daquele tempo, que não se entendia muito bem, pois “era cheia de rigidez e distanciava as pessoas”. “Com essa linguagem, Jesus faz entender o mistério do Reino de Deus. Não era uma teologia complicada e o exemplo disso nos é apresentado no Evangelho de hoje.”

Generosidade

“O semeador é Jesus. Observamos que com essa imagem, Ele se apresenta com um que não se impõe, mas se propõe. Não nos atrai conquistando-nos, mas doando-se. Ele propaga com paciência e generosidade a sua Palavra, que não é uma gaiola ou uma emboscada, mas uma semente que pode dar fruto”, disse Francisco, se estivermos dispostos a acolhê-la.

“Portanto, a parábola diz respeito sobretudo a nós. De fato, fala mais do terreno que do semeador. Jesus faz, por assim dizer, uma radiografia espiritual do nosso coração, que é o terreno sobre o qual cai a semente da Palavra. O nosso coração, como um terreno, pode ser bom e então a Palavra dá fruto, mas pode ser também duro, impermeável. Isso acontece quando ouvimos a Palavra, mas ela bate com força sobre nós, como numa estrada.”

Coração superficial

Entre o terreno bom e a estrada existem dois terrenos intermédios que, de várias medidas, podem existir em nós.

“O primeiro é o pedregoso. Vamos imaginá-lo! Um terreno pedregoso é um terreno onde não há muita terra. A semente germina, mas não consegue se enraizar profundamente. Assim, é o coração superficial, que acolhe o Senhor, quer rezar, amar e testemunhar, mas não persevera, se cansa e nunca decola. É um coração sem consistência onde as pedras da preguiça prevalecem sobre a terra boa, onde o amor é inconstante e passageiro. Quem acolhe o Senhor somente quando quer, não dá fruto.”

Vícios

Depois, há o último terreno, o espinhoso, cheio de sarças que sufocam as plantas boas. “O que essas sarças representam? «A preocupação do mundo e a sedução da riqueza», diz Jesus. As sarças são os vícios que lutam com Deus, que sufocam a presença: sobretudo os ídolos da riqueza mundana, o viver com avidez, para si mesmo, para o ter e o poder. Se cultivamos essas sarças, sufocamos o crescimento de Deus em nós. Cada um pode reconhecer as suas pequenas ou grandes sarças que não agradam a Deus e impedem ter um coração limpo. É preciso arrancá-las, caso contrário a Palavra não dá fruto.”

O Papa disse ainda que “Jesus nos convida hoje a nos olhar por dentro, a agradecer pelo nosso terreno bom e a trabalhar os terrenos que ainda não são bons. Perguntemo-nos se o nosso coração está aberto para acolher com fé a semente da Palavra de Deus. Perguntemo-nos se em nós as pedras da preguiça são ainda numerosas e grandes. Devemos encontrar e chamar por nome as sarças dos vícios. Encontremos a coragem de recuperar o terreno, levando ao Senhor na confissão e na oração as nossas pedras e nossas sarças”.

Purificar o coração

“Ao fazer isso”, sublinhou Francisco, “Jesus, o Bom semeador, ficará feliz de realizar um trabalho adicional: purificar os nossos corações, removendo as pedras e os espinhos que sufocam a sua Palavra”.

O Papa pediu à Virgem Maria, que hoje recordamos com o título de Nossa Senhora do Carmo, para que nos ajude a purificar o coração e conservar nele a presença do Senhor.

Saudações

Após a oração mariana do Angelus, o Santo Padre saudou todos os fiéis de Roma, os peregrinos de várias partes do mundo, famílias, grupos paroquias e associações.
Saudou de modo particular as Irmãs de Nossa Senhora das Dores que celebram 50 anos da aprovação pontifícia do instituto. Saudou também as Irmãs Franciscanas de São José que comemoram 150 anos de fundação, os diretores e hóspedes da “Domus Croata” de Roma, no 30° aniversário de sua instituição.

O Papa dirigiu uma saudação especial à comunidade católica da Venezuela, presente na Itália, renovando sua oração por esse “amado país”.

#santododia - Bem-aventurado Inácio de Azevedo e companheiros


Inácio de Azevedo nasceu em Portugal, na cidade do Porto, em 1527. Seus pais, Manuel e Violante, eram descendentes de famílias lusitanas, ricas e poderosas. Desde pequeno foi educado sob preceitos cristãos e recebeu também vasta cultura acadêmica. Aos dezoito anos, tornou-se administrador dos bens da família, pois tinha inteligência acima da média.

Mas sua vocação era a religião. Após um retiro na cidade de Coimbra, entrou para a Companhia de Jesus em 1548. Cinco anos depois, recebeu a ordenação sacerdotal. Seus estudos eram tão avançados e seus conhecimentos tão extensos que, mesmo sem terminar o curso de teologia, foi nomeado reitor do Colégio Santo Antonio, em Lisboa.
Em 1565, foi escolhido pelos jesuítas para representá-los, em Roma, na eleição do novo geral, que era ninguém menos que o próprio Francisco Borja, hoje santo. Admirado com a capacidade de Inácio, deu-lhe a incumbência de vistoriar as missões jesuítas nas Índias e no Brasil. Tal viagem de inspeção durou três anos.

No Brasil, a evangelização começara havia apenas dezesseis anos, mas o trabalho dos jesuítas dava frutos em profusão. A Companhia de Jesus já estava presente em sete tribos no interior e, no litoral, possuía escolas e seminários.

Ao voltar, Inácio relatou ao geral que o trabalho ia muito bem, mas poderia render ainda mais se houvesse um número maior de missionários. Recebendo autorização do superior, recrutou jesuítas na Espanha e Portugal. Após cinco meses de preparativos, ele e mais trinta e nove companheiros partiram para o Brasil, em 5 de junho de 1570, num navio mercante.

Na mesma data, partiu também uma embarcação de guerra comandada por dom Luis Vasconcelos, governador do Brasil, onde seguiam mais trinta jesuítas. Oito dias depois, os dois navios pararam na ilha da Madeira, para esperar ventos mais fortes e melhor direcionados. O navio de guerra ali permaneceu, mas o capitão do mercante, que era Inácio, resolveu zarpar em direção às ilhas Canárias.

Apesar dos boatos da existência de piratas calvinistas no caminho, que estariam no encalço dos jesuítas, ele não quis ouvir os conselhos de não seguir viagem. Inácio e seus parceiros preferiram permanecer a bordo e não desistir, pois não temiam a morte. Ela, de fato, os encontrou em alto mar. O navio foi atacado pelo corsário calvinista francês Jacques Sourie, que partira de La Rochelle, justamente no encalço dos missionários. O navio foi dominado, os tripulantes e demais passageiros poupados, mas todos os jesuítas foram degolados imediatamente. Era o dia 15 de julho de 1570.

O culto a Inácio de Azevedo e companheiros foi aprovado pelo papa Pio IX em 1854. A festa ocorre no dia do trânsito dos quarenta de jesuítas martirizados pelas mãos de piratas calvinistas. São venerados como os "Mártires do Brasil".

Fonte: Paulinas

domingo, 16 de julho de 2017

#santododia - Nossa Senhora do #Carmo


A festa de Nossa Senhora do Carmo é relacionada à Ordem Carmelitana, cuja origem é bem antiga. Na Ordem Carmelitana tem-se a tradição, segundo a qual o profeta Elias, vendo aquela nuvenzinha, que se levantava no mar, bem como a pegada de homem, teria nela reconhecido no símbolo, a figura da futura Mãe do Salvador. Os discípulos de Elias, recordando aquela visão do mestre, teriam fundado uma Congregação, com sede no Monte Carmelita, com o fim declarado de prestar homenagens à Mãe do Mestre. Essa Congregação ter-se-ia conservado até os dias de Jesus Cristo e existido com o Título Servas de Maria.

Manifestação de Maria a São Simão Stock

Historicamente documentadas são as seguintes datas da Ordem de Nossa Senhora do Carmelo. Foi no século XII que o calabrez Bertoldo, com alguns companheiros, se estabeleceu no Monte Carmelo. Não se sabe se encontraram lá a Congregação dos Servos de Maria ou se fundaram uma deste nome; certo é que receberam em 1209 uma regra rigorosíssima, aprovada pelo Patriarca de Jerusalém - Alberto. Pelas cruzadas esta Congregação tornou-se conhecida também na Europa. Dois nobres fidalgos da Inglaterra convidaram alguns religiosos do Carmelo, para acompanhá-los e fundar conventos na Inglaterra, o que fizeram.

Pela mesma época vivia no condado de Kent um eremita que, há vinte anos, vivia em solidão, tendo por residência o tronco oco de uma árvore. O nome desse eremita era Simão Stock. Atraído pela vida mortificada dos carmelitas recém-chegados, como também pela devoção Mariana que aquela Ordem cultivava, pediu admissão como noviço na Ordem de Nossa Senhora do Carmo. Em 1225, Simão Stock foi eleito coadjutor Geral da Ordem, já então bastante conhecida e espalhada.

O papa Honório III aprovou a regra da Ordem. Simão Stock visitou os Irmãos da ordem no Monte Carmelo, e demorou-se com eles seis anos.

Um capítulo geral da Ordem, realizado em 1237, determinou a transferência para a Europa de quase todos os religiosos, os quais, para se verem livres das vexações dos Sarracenos, procuraram a Inglaterra, onde a Ordem possuía já 40 conventos.

No ano de 1245, foi Simão Stock eleito Superior Geral da Ordem e a regra teve aprovação do Papa Inocêncio IV.

A Ordem de Nossa Senhora do Carmo, colocada sob a proteção da Santa Sé, começou a ter, então, uma aceitação extraordinária no mundo católico. Para isto concorreu poderosamente a Irmandade do Escapulário, que deve a fundação a Simão Stock.

Em 16 de julho de 1251, estando em oração fervorosa, Nossa Senhora lhe apareceu. Veio trazer-lhe um escapulário. "Meu dileto filho - disse-lhe a Rainha do céu - eis o escapulário, que será o distintivo de minha Ordem. Aceita-o como um penhor de privilégio, que alcancei para ti e para todos os membros da Ordem do Carmo. Aquele que morrer vestido deste escapulário, estará livre do fogo do inferno".

Simão Stock tratou então de divulgar a irmandade do escapulário e convidar o mundo católico a participar dos grandes privilégios anexos. Entre os devotos do escapulário de Nossa Senhora do Carmo, vêem-se Papas, Cardeais e Bispos. O Escapulário teve uma aceitação favorável e universal entre o povo católico. Neste sentido, só é comparável ao Rosário.

Oração a Nossa Senhora do Carmo

Ó bendita e imaculada Virgem Maria, honra e esplendor do Carmelo! Vós que olhais com especial bondade para quem traz o vosso bendito escapulário, olhai para mim benignamente e cobri-me com o manto da vossa maternal proteção. Fortificai minha fraqueza com o vosso poder, iluminai as trevas do meu espírito com a vossa sabedoria, aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade. Ornai minha alma com a graça e as virtudes que a tornem agradável ao vosso divino Filho. Assisti-me durante a vida, consolai-me na hora da morte com a vossa amável presença e apresentai-me à Santíssima Trindade como vosso filho e servo dedicado; e lá do céu, eu quero louvar-vos e bendizer-vos por toda a eternidade.
Amém!

Fonte: Paulinas.

sábado, 15 de julho de 2017

Santo do dia: São #Boaventura


João de Fidanza, filho de João de Fidanza e Maria Ristelli, nasceu em Bagnoregio, do distrito de Viterbo, dos Estados Pontifícios, em 1221. Curou-se na infância de grave doença, depois de uma invocação a São Francisco de Assis feita por sua mãe, a que faz referência o próprio São Boaventura (Sermo de B. Francisco, serm.3).

Pelo ano 1234 seguiu para a Faculdade das Artes, de Paris, onde se graduava pelo ano 1240. Ingressou aos 17 anos na Ordem dos Franciscanos, onde assumiu o nome de Boaventura. Talvez estivesse motivado pela devoção a São Francisco que lhe vinha da infância, e ainda pela admiração a Alexandre de Hales, por quem se deixara orientar doutrinariamente, enfim pelo apreço em que levava o espírito da Ordem, como se infere de suas mesmas palavras.

A teologia a estudou provavelmente sob Alexandre de Hales (+ 1245), porque o chama de pai e mestre. Boaventura principia o magistério em 1248 como bacharel bíblico, com o Comentário ao Evangelho de S. Lucas; conforme os estatutos da Universidade, dois anos depois, como bacharel sentenciário, explicaria a Sentenças, o que teria feito, então, em 1250 e 1251; na mesma sequência deveria chegar ao doutorado em teologia em 1253. Frente às dificuldades criadas então aos religiosos, parece que Boaventura só conseguiu o reconhecimento do título em 1257.

Mas, abandonou exatamente, então, o magistério, passando então ao posto de Geral da Ordem franciscana; tinha 36 anos. Dedicou-se à causa da Ordem, à sua espiritualidade e à pregação em geral. Em 1273 foi feito cardeal e bispo de Albano.

Exerceu especiais incumbências no Concílio de Lyon, quando foi conseguida a união com a Igreja Grega (6-7-1274), a qual todavia foi precária. Oito dias após o Concílio faleceu o cardeal (14-7-1274). Foi canonizado em 1482 e declarado doutor da Igreja em 1587.

Boaventura chegara mais cedo a Paris que São Tomás; enquanto o primeiro se graduava em artes em Paris em 1240, Tomás chegará a Paris em 1245, para seguir em 1248 para Colônia. Boaventura completa o tirocínio para a conquista do grau de mestre em 1253, Tomás, que retornara a Paris, lecionou ali de 1252 a 1259, depois seguindo para a Itália (1259-1268).

Cessou, porém o magistério de Boaventura em 1257. Entretanto Boaventura não paralisou as suas preocupações intelectuais. Foi a um tempo, um homem de estudo, de ação e além de místico. Não participou das controvérsias tomistas de 1270, mas apoiou tacitamente a oposição, que era agostiniana.

A obra literária de S. Boaventura é relativamente grande, principalmente tendo em consideração que lecionou apenas 10 anos (1248-1257), de quando datam os livros do tipo escolar. São de interesse filosófico:

Comentários sobres as Sentenças (c. 1248-1255);
Quaestiones disputates, sendo 7 De scientia christi, 8 de Mysterio Trinitatis, 4 de perfectione evangelica;
Itinerarium mentis ad Deum (1259);
Breviloquium (antes de 1257);
De reductione artium ad theologiam;
e os tratados sobre os Tópicos, Meteoros, e De generatione de Aristóteles.
Deixou também numerosos sermões e escritos de natureza mística. São Boaventura morreu no dia 15 de Julho do ano de 1274.

ORAÇÃO - Concedei-nos, Pai todo-poderoso, que, celebrando a festa de São Boaventura, aproveitemos seus preclaros ensinamentos e imitemos sua ardente caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

15º domingo do Tempo Comum - Uma semente, muitos destinos

Frei Gustavo Medella

Um semeador que sai a semear só um tipo de semente: boa. Vários tipos de solos e destinos para a semente: pedras, espinhos e terra boa, sem contar as que caem à beira do caminho. “Uma semente, muitos destinos” – quase título de uma produção hollywoodiana… No entanto, trata-se de mais um artifício pedagógico de Jesus, como podemos ver na liturgia deste 15º Domingo do Tempo Comum,  para revelar a seus ouvintes como funciona a parceria divino-humana que o Senhor propõe. Em seu projeto, o Senhor escolhe e deseja contar com as pessoas e respeita plenamente a liberdade de cada uma delas.

O Semeador e a semente têm padrão irrepreensível, garantia total que só pode ser dada por quem possui como atributos a onipotência, a onipresença e a onisciência. Já o terreno… Este precisa ser trabalhado, cultivado com afinco, dedicação, esmero ou, como se diz mais modernamente, com força, fé e foco.

Em sua bondade infinita, o Semeador não se cansa de semear com generosidade. Ao terreno  – cada coração humano em seu mistério de graça e pecado – cabe a responsabilidade de cuidar (ou não) da semente de vida, sentido e salvação que Deus, teimosa e amorosamente, sai a semear. A “Terra boa” procura ser aquele coração que se dá conta da preciosidade da semente e da total solicitude do Semeador e chega à conclusão que dar frutos de bênção não é um peso, um castigo, uma imposição, mas a única atitude possível a quem alcança a graça de sentir plenamente amado por “Aquele que é Amor".

terça-feira, 11 de julho de 2017

Jesus curava todo mal e toda enfermidade - Palavra da Hora

Santo do dia: São #Bento


As informações sobre a vida de Bento nos foram transmitidas pelo seu biógrafo e contemporâneo, Papa são Gregório Magno. No livro que enaltece o seu exemplo de santidade de vida, ele não registrou as datas de nascimento e morte. Assim, apenas recebemos da tradição cristã o relato de que Bento viveu entre os anos de 480 e 547.

Bento nasceu na cidade de Nórcia, província de Perugia, na Itália. Pertencia à influente e nobre família Anícia e tinha uma irmã gêmea chamada Escolástica, também fundadora e santa da Igreja. Era ainda muito jovem quando foi enviado a Roma para aprender retórica e filosofia. No entanto, decepcionado com a vida mundana e superficial da cidade eterna, retirou-se para Enfide, hoje chamada de Affile. Levando uma vida ascética e reclusa, passou a se dedicar ao estudo da Bíblia e do cristianismo.

Ainda não satisfeito, aos vinte anos isolou-se numa gruta do monte Subiaco, sob orientação espiritual de um velho monge da região chamado Romano. Assim viveu por três anos, na oração e na penitência, estudando muito. Depois, agregou-se aos monges de Vicovaro, que logo o elegeram seu prior. Mas a disciplina exigida por Bento era tão rígida, que esses monges indolentes tentaram envenená-lo. Segundo seu biógrafo, ele teria escapado porque, ao benzer o cálice que lhe fora oferecido, o mesmo se partiu em pedaços.

Bento abandonou, então, o convento e, na companhia de mais alguns jovens, entre eles Plácido e Mauro, emigrou para Nápoles. Lá, no sopé do monte Cassino, onde antes fora um templo pagão, construiu o seu primeiro mosteiro.

Era fechado dos quatro lados como uma fortaleza e aberto no alto como uma grande vasilha que recebia a luz do céu. O símbolo e emblema que escolheu foram a cruz e o arado, que passaram a ser o exemplo da vida católica dali em diante.

As regras rígidas não poderiam ser mais simples: "Ora e trabalha". Acrescentando-se a esse lema "leia", pois, para Bento, a leitura devia ter um espaço especial na vida do monge, principalmente a das Sagradas Escrituras. Desse modo, estabelecia-se o ritmo da vida monástica: o justo equilíbrio, do corpo, da alma e do espírito, para manter o ser humano em comunhão com Deus. Ainda, registrou que o monge deve ser "não soberbo, não violento, não comilão, não dorminhoco, não preguiçoso, não detrator, não murmurador".

A oração e o trabalho seriam o caminho para edificar espiritual e materialmente a nova sociedade sobre as ruínas do Império Romano que acabara definitivamente. Nesse período, tão crítico para o continente europeu, este monge tão simples, e por isto tão inspirado, propôs um novo modelo de homem: aquele que vive em completa união com Deus, através do seu próprio trabalho, fabricando os próprios instrumentos para lavrar a terra. A partir de Bento, criou-se uma rede monástica, que possibilitou o renascimento da Europa.

Celebrado pela Igreja no dia 11 de julho, ele teria profetizado a morte de sua irmã e a própria. São Bento não foi o fundador do monaquismo cristão, que já existia havia três séculos no Oriente. Mas merece o título de "Pai do Monaquismo Ocidental", que ali só se estabeleceu graças às regras que ele elaborou para os seus monges, hoje chamados "beneditinos". Além disto, são Bento foi declarado patrono principal de toda a Europa pelo papa Paulo VI, em 1964, também com justa razão.

Fonte: Paulinas

domingo, 9 de julho de 2017

Santo do dia: Santa Madre Paulina


Amábile Lúcia Visintainer nasceu no dia 16 de dezembro de 1865, em Vigolo Vattaro, província de Trento, no norte da Itália. Foi a segunda filha do casal Napoleão e Anna, que eram ótimos cristãos, mas muito pobres.

Nessa época, começava a emigração dos italianos, movida pela doença e carestia que assolava a região. Foi o caso da família de Amábile, que em setembro de 1875 escolheu o Brasil e o local onde muitos outros trentinos já haviam se estabelecido no estado de Santa Catarina, em Nova Trento, na pequena localidade de Vigolo.

Assim que chegou, Amábile conheceu Virgínia Rosa Nicolodi e tornaram-se grandes amigas. As duas se confessam apaixonadas pelo Senhor Jesus e não era raro encontrá-las, juntas, rezando fervorosamente. Fizeram a primeira comunhão no mesmo dia, quando Amábile já tinha completado doze anos de idade.

Logo em seguida, o padre Servanzi a iniciou no apostolado paroquial, encarregando-a da catequese das crianças, da assistência aos doentes e da limpeza da capela de seu vilarejo, Vigolo, dedicada a são Jorge. Mas mal sabia o padre que estaria confirmando a vocação da jovem Amábile para o serviço do Senhor.

Amábile incluía, sempre, Virgínia nas atividades para ampliar o campo de ação. Dedicava-se de corpo e alma à caridade, servia consolando e ajudando os necessitados, os idosos, os abandonados, os doentes e as crianças. As obras já eram reconhecidas e notadas por todos, embora não soubesse que já se consagrava a Deus.

Com a permissão de seu pai, Amábile construiu um pequeno casebre, num terreno doado por um barão, próximo à capela, para lá rezar, cuidar dos doentes, instruir as crianças. A primeira paciente foi uma mulher portadora de câncer terminal, a qual não tinha quem lhe cuidasse. Era o dia 12 de julho de 1890, data considerada como o dia da fundação da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, que iniciou com Amábile e Virgínia atuando como enfermeiras.

Essa também foi a primeira congregação religiosa feminina fundada em solo brasileiro, tendo sido aprovada pelo bispo de Curitiba, em agosto 1895. Quatro meses depois, Amábile, Virgínia e Teresa Anna Maule, outra jovem que se juntou a elas, fizeram os votos religiosos; e Amábile recebeu o nome de irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Também foi nomeada superiora, passando a ser chamada de madre Paulina.

A santidade e a vida apostólica de madre Paulina e de suas irmãzinhas atraíram muitas vocações, apesar da pobreza e das dificuldades em que viviam. Além do cuidado dos doentes, das crianças órfãs, dos trabalhos da paróquia, trabalhavam também na pequena indústria da seda para poderem sobreviver.

Em 1903, com o reconhecimento de sua obra, madre Paulina foi convidada a transferir-se para São Paulo. Fixando-se junto a uma capela no bairro do Ipiranga, iniciou a obra da "Sagrada Família" para abrigar os ex-escravos e seus filhos depois da abolição da escravatura, ocorrida em 1888. Em 1918, madre Paulina foi chamada à Casa-geral, em São Paulo, com o reconhecimento de suas virtudes, para servir de exemplo às jovens vocações da sua congregação. Nesse período, destacou-se pela oração constante e pela caridosa e contínua assistência às irmãzinhas doentes.

Em 1938, acometida pelo diabetes, iniciava um período de grande sofrimento, iniciando com a amputação do braço direito, até a cegueira total. Madre Paulina morreu serenamente no dia 9 de julho de 1942, na Casa-geral de sua congregação, em São Paulo.

Ela foi beatificada pelo papa João Paulo II em 1991, quando o papa visitou, oficialmente, o Brasil. Depois, o mesmo pontífice canonizou-a em 2002, tornando-se, assim, a primeira santa do Brasil.

Conheça mais sobre Santa Paulina no site: http://www.santuariosantapaulina.org.br/

Fonte: Paulinas

sábado, 8 de julho de 2017

Caminhos do Evangelho - 14º domingo do Tempo Comum

#Liturgia - 14º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura: Zc 9,9-10
Sl 144
2ª Leitura: Rm 8,9.11-13
Evangelho: Mt 11,25-30

* 25 Naquele tempo, Jesus disse: «Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27 Meu Pai entregou tudo a mim. Ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar.

28 Venham para mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso. 29 Carreguem a minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas vidas. 30 Porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve.»

* 25-30: Com sua palavra e ação, Jesus revela a vontade do Pai, que é instaurar o Reino. Contudo, os sábios e inteligentes não são capazes de perceber a presença do Reino e sua justiça através de Jesus. Ao contrário, os desfavorecidos e os pobres é que conseguem penetrar o sentido dessa atividade de Jesus e continuá-la. Jesus veio tirar a carga pesada que os sábios e inteligentes haviam criado para o povo. Em troca, ele traz novo modo de viver na justiça e na misericórdia: doravante, os pobres serão evangelizados e partirão para evangelizar.

 Bíblia Sagrada – Edição Pastoral

Jesus, a violência e a mansidão - Pe. Johan Konings

Percebe-se a violência crescente no mundo. O terrorismo acorda nas pessoas a vontade de responder com violência. Está certo usar de violência para enfrentar a violência? Conforme o plano de Deus, não. Seu enviado é o mestre “manso” e humilde, cujo “jugo” é suave. O evangelho ensina a revelação da mansidão de Jesus aos pequeninos e mansos, os não-violentos. A pregação de Jesus provoca opção a favor ou contra. Contra ele optam as ambiciosas cidades da Galileia (cf. Mt 11,20-24). A favor, os humildes que escutam sua palavra e a põem em prática (Mt 11,25-30). Os que recebem sua revelação, não os que estão cheios de si, vão conhecer o interior de Jesus. Jesus é o mestre dos humildes, porque ele é, no sentido bíblico, manso, não opressor. E assim é também sua doutrina.

O profeta Zacarias já sabia que o Messias não poderia ser um rei violento e opressor (1ª leitura). Essa expectativa, Jesus a realizou de modo surpreendente. A missão do Messias não se realiza pela violência e pela opressão, mas pela mansidão de um pedagogo, que deixa penetrar, nos humildes, gota por gota, o espírito de amor e solidariedade, que faz crescer o verdadeiro Reino de Deus. Por isso, o mistério de Deus e de seu Filho se manifesta no coração dos humildes, enquanto os poderosos o rejeitam.

Jesus convida os “cansados”. Eles são muitos entre nós hoje. Os que já não aguentam o arrocho salarial, a subnutrição, a degradação da vida social e pública, a violência econômica, a exclusão em todas as suas formas. Será que Jesus tem uma solução para esses “cansados”? Contrariamente à pretensa “lei natural” do poder do mais forte, a comunidade de amor e solidariedade lhes oferece, mais e melhor do que o consumismo da tevê e dos shopping-centers, aquilo que os torna realmente felizes: valorização fraterna, sustento mútuo e, sobretudo, a certeza de “estar na linha de Deus”.

Aos cristãos cabe conscientizar o povo – pobres e ricos – de que a mera força e opressão não resolvem nada, mas afastam as pessoas do espírito de Cristo. E perguntemos: em nossas comunidades, existe verdadeira “mansidão” ou, pelo contrário, reinam práticas opressoras? Aplicarmos uma “pedagogia da mansidão”, deixando a grama crescer no chão em vez de puxá-la para fazer crescê-la mais rápido?

Jesus veio como libertador manso e humilde, não como revolucionário armado, porque o reino do amor fraterno não pode ser implantado pela violência, mas somente pela convicção interior. Essa é sua resposta ao poder da força, contra o qual o pequeno não pode resistir quando se quer medir com ele no mesmo nível.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

CONFIRA A REFLEXÃO DE FREI GUSTAVO MEDELLA:

segunda-feira, 3 de julho de 2017

#SantodoDia São #Tomé


Embora na nossa memória a presença de São Tomé faça sempre pensar em incredulidade e nos lembre daqueles que “precisam ver para crer”, sua importância não se resume a permitir a inclusão na Bíblia da dúvida humana. Ela nos remete, também, a outras fraquezas naturais do ser humano, como
a aflição e a necessidade de clareza e pé no chão. Mas, e principalmente, mostra a aceitação dessas fraquezas por Deus e seu Filho no projeto de sua vinda para nossa salvação.

São três as grandes passagens do apóstolo Tomé no livro sagrado. A primeira é quando Jesus é chamado para voltar à Judéia e acudir Lázaro. Seu grupo tenta impedir que se arrisque, pois havia ameaças dos inimigos e Jesus poderia ser apedrejado. Mas ele disse que iria assim mesmo e, aflito, Tomé intima os demais: “Então vamos também e morramos com ele!”

Na segunda passagem, demonstra melancolia e incerteza. Jesus reuniu os discípulos no cenáculo e os avisou de que era chegada a hora do cumprimento das determinações de seu Pai. Falou com eles em tom de despedida, conclamando-os a segui-lo: “Para onde eu vou vocês sabem. E também sabem o caminho”. Tomé queria mais detalhes, talvez até tentando convencer Jesus a evitar o sacrifício: “Se não sabemos para onde vais, como poderemos conhecer o caminho?”. A resposta de Jesus passou para a história: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim”.

E a terceira e definitiva passagem foi a que mais marcou a trajetória do apóstolo. Foi justamente quando todos lhe contaram que o Cristo havia ressuscitado, pois ele era o único que não estava presente ao evento. Tomé disse que só acreditaria se visse nas mãos do Cristo o lugar dos cravos e tocasse-lhe o peito dilacerado. A dúvida em pessoa, como se vê. Mas ele pôde comprovar tanto quanto quis, pois Jesus lhe apareceu e disse: “Põe o teu dedo aqui e vê minhas mãos!… Não sejas incrédulo, acredita!” Dessa forma, sua incredulidade tornou-se apenas mais uma prova dos fatos que mudaram a história da humanidade.

O apóstolo Tomé ou Tomás, como também é chamado, tinha o apelido de Dídimo, que quer dizer “gêmeo e natural da Galiléia”. Era pescador quando Jesus o encontrou e o admitiu entre seus discípulos.

Após a crucificação e a ressurreição de Jesus, pregou entre os medos e os partas, povos que habitavam a Pérsia. Há também indícios de que tenha levado o Evangelho à Índia, segundo as pistas encontradas por são Francisco Xavier no século XVI. Morreu martirizado com uma lança, segundo a antiga tradição cristã. Sua festa é comemorada em 3 de julho.

Fonte: Paulinas

Das Homilias sobre os Evangelhos, de São Gregório Magno, Papa.

Meu Senhor e meu Deus !

Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio (Jo 20,24). Era o único discípulo que estava ausente. Ao voltar, ouviu o que acontecera, mas negou-se a acreditar. Veio de novo o Senhor, e mostrou seu lado ao discípulo incrédulo para que o pudesse apalpar; mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz de suas chagas, curou a chaga daquela falta de fé. Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Pensais ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que, ao voltar, ouvisse contar, que, ao ouvir, duvidasse, que, ao duvidar, apalpasse, e que, ao apalpar, acreditasse?

Nada disso aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de modo admirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé. A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da ressurreição.

Tomé apalpou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: Acreditaste, porque me viste? (Jo 20,28-29). Ora, como diz o apóstolo Paulo: A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem (Hb 11,1). Logo, está claro que a fé é a prova daquelas realidades que não podem ser vistas. De fato, as coisas que podemos ver não são objeto de fé, e sim de conhecimento direto. Então, se Tomé viu e apalpou, por qual razão o Senhor lhe disse: Acreditaste, porque me viste? É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e proclamou a fé na sua divindade, exclamando: Meu Senhor e meu Deus! Por conseguinte, tendo visto, acreditou. Vendo um verdadeiro homem, proclamou que ele era Deus, a quem não podia ver.

Alegra-nos imensamente o que vem a seguir: Bem-aventurados os que creram sem ter visto (Jo 20,29). Não resta dúvida de que esta frase se refere especialmente a nós. Pois não vimos o Senhor em sua humanidade, mas o possuímos em nosso espírito. É a nós que ela se refere, desde que as obras acompanhem nossa fé. Com efeito, quem crê verdadeiramente, realiza por suas ações a fé que professa. Mas, pelo contrário, a respeito daqueles que têm fé apenas de boca, eis o que diz São Paulo: Fazem profissão de conhecer a Deus, mas negam-no com a sua prática (Tt 1,16). É o que leva também São Tiago a afirmar:A fé, sem obras, é morta (Tg 2,26).

sábado, 1 de julho de 2017

#Solenidade de São #Pedro e São #Paulo


1ª Leitura - At 12,1-11
Salmo - Sl 33(34),2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 5)
2ª Leitura - 2Tm 4,6-8.17-18
Evangelho - Mt 16, 13-19

Naquele tempo:
Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe
e ali perguntou aos seus discípulos:
"Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?"
Eles responderam:
"Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias;
Outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas".
Então Jesus lhes perguntou:
"E vós, quem dizeis que eu sou?"
Simão Pedro respondeu:
"Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo".
Respondendo, Jesus lhe disse:
"Feliz es tu, Simão, filho de Jonas,
porque não foi um ser humano que te revelou isso,
mas o meu Pai que está no céu.
Por isso eu te digo que tu és Pedro,
e sobre esta pedra construirei a minha Igreja,
e o poder do inferno nunca poderá vencê-la.
Eu te darei as chaves do Reino dos Céus:
tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus;
tudo o que tu desligares na terra
será desligado nos céus".

Palavra da Salvação.

Quem sou eu perante Deus? – Pe. João Batista Libânio, sj

Essas três leituras são tão bonitas, que não vou me deixar levar somente pela tradição de apenas explicar o Evangelho. Todas merecem uma palavrinha. Todas elas são uma grande metáfora. Eu sempre gosto de olhar sob esse aspecto.

Na primeira, aquela descrição que vocês ouviram. No fundo, uma metáfora de cada um de nós que está aqui. Quantas vezes os poderosos gostam, se divertem, prendendo, punindo, castigando, tratando mal as pessoas? A história da Igreja conheceu milhões de cristãos que sofreram isso. Simplesmente porque os poderosos quiseram. Mas quando Pedro é preso, é sustentado – frase bonita – pela oração da comunidade. De vez em quando é bom que tomemos consciência disso. Às vezes estamos atravessando uma época difícil, uma situação dolorosa. Nos sentimos sozinhos, mas não é verdade. Nunca estamos sozinhos. Mesmo que as pessoas não mencionem o nosso nome. Não é necessário isso, porque somos essa comunidade. Saibam que vocês sempre são sustentados pela oração de todos, em qualquer momento em que estiverem.

Pedro está na prisão e aí aparece um anjo. Esses anjos são as coisas mais lindas que temos na vida. Claro que não são os anjos que vem de cima. Deus não precisa mandar anjos do céu porque nos deu tantos aqui na Terra. Muitas vezes não percebemos nem descobrimos esses anjos. São aqueles que trazem uma palavra de consolo, aqueles que abrem as nossas prisões. Quantas vezes estamos presos nas nossas tristezas, na nossa dor, fechados em nós mesmos, presos por tantos apegos? Chega o anjo e abre a porta para que saiamos. Quantos estão presos na droga, na vida fútil, presos nas televisões da vida, e vem o anjo e abre a porta?! No começo não nos damos conta de que a porta foi aberta. Diz a leitura que caem as cadeias.

Aquelas cadeias que nos atavam por tanto tempo caem, simplesmente, porque o anjo apareceu. Pode ser a mãe, o pai, o irmão, um amigo, um colega, até uma pessoa estranha que, de repente, nos diz uma palavra. É o anjo que abre a porta e faz as cadeias caírem. E nós, sonâmbulos, caminhamos como Pedro. As portas da cidade se abrem, não só as da prisão. As portas da cidade, da política, que nos jogam para um mundo maior. Também se abre esta grande porta da história. Quem conhece Jerusalém, imagina aquelas grandes portas se abrindo para Pedro. E ele cai em si. Esse momento é importante, quando caímos em nós mesmos, quando tomamos consciência de que estamos sendo livres e libertados, de que há um anjo que nos está conduzindo. Deus nunca deixará de colocar anjos em nossa vida! É que, muitas vezes, não os vemos, embora Ele os coloque, e muitos.

Paulo usou uma metáfora bonita das Olimpíadas. Ele se imaginou como alguém que estava correndo, como aqueles corredores das maratonas que ele conheceu na Grécia ou em Roma. Não a maratona das Olimpíadas, para ganhar uma medalha qualquer, que ficará guardada depois daquela glória pequena de um momento e que todos irão esquecer. Quem se lembra dos vencedores das Olimpíadas de quarenta, trinta anos atrás? Paulo diz: “Essa minha medalha é eterna. Eu nunca a esquecerei”. E ninguém nunca esquecerá. Até hoje falamos de Paulo e pouco falamos das Olimpíadas gregas. Não sabemos os nomes daqueles atletas. Mas de Paulo falamos, porque a sua medalha tinha o sangue da entrega da sua vida.

O Evangelho pode ir e pode voltar. Vem Jesus e pergunta a cada um de nós: “Quem vocês dizem que eu sou?” Mas não há um lugar só para responder. Aqui, é claro que respondemos: “Você é aquele que se nos entrega na Eucaristia!” Mas e na rua, no trabalho? Em cada lugar a resposta é diferente. Não é aquela fórmula: “Tu és o Messias, o Filho de Deus!” Não! Tu és aquele que eu persigo, mas é aquele que me chama. Tu és aquele que me envia, aquele que está sempre ao meu lado. Tu és aquele que abre os meus olhos. Tu és... Há tantos “Tu és” para Jesus! Ele é tão diferente em cada momento. Muitas vezes nos prendemos às frases. O que importa é a experiência da vida, que é abundante. As frases são vazias. Que fiquem para os gramáticos e a vida fique para nós. Este “Tu és” vai nos dar milhares de respostas de quem é Jesus.

Mas eu queria deixar-lhes outra pergunta e essa eu não posso responder. Essa vocês irão responder individualmente. Se Jesus perguntasse: “Que dizes de ti mesmo? Quem és tu?” Vocês diriam logo o nome. Mas o nome é algo tão externo! Pode-se ir ao cartório e mudar, porque não gostou. Quem sabe, por exemplo, que Leonardo Boff se chama Genésio? Ninguém sabe. O nome dele é Genésio Boff, mudou para Leonardo, que é um nome tão bonito e todos o conhecem assim. Portanto, o nome não basta.

Ah, eu sou advogado, médico, engenheiro, professora, estudante, estou quase formado... É pouco. As profissões passam, ainda mais hoje. Muda-se de profissão a cada hora. Fica-se desempregado. É pouco definir alguém pela profissão. Então, como vamos nos definir? Quem somos nós? Guardem essa pergunta e respondam-na. Será que são capazes de responder quem são vocês? Quando eu estava pensando nesta homilia, me perguntava: quem sou eu? Invertam. Imaginem que o Senhor encontra cada um de vocês e faz esta pergunta: “Quem é você?”

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol 2.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Os pobres são os primeiros a sentir efeitos da #corrupção, afirma #Papa


Cidade do Vaticano - “Encorajo-os no compromisso de vocês em favor do bem comum em nosso continente americano, e a colaboração entre todos possa favorecer a construção de um mundo sempre mais humano e mais justo.”

Foi a exortação do Papa Francisco aos cerca de 200 membros da Organização Internacional Ítalo-Latino-Americana, recebidos em audiência esta sexta-feira (30/06) na Sala Clementina, no Vaticano, por ocasião do 50º aniversário da organização.

No discurso que dirigiu aos presentes, o Santo Padre destacou, entre as finalidades da organização, promover o desenvolvimento e a coordenação, bem como identificar as possibilidades de assistência recíproca e de ação comum entre os países membros.

Atendo-se a este fim, o Pontífice articulou seu discurso em três aspectos que considera importantes para o momento atual: identificar as potencialidades, coordenar e promover.

Discorrendo sobre o primeiro aspecto, Francisco destacou que os países da América Latina são ricos de história, cultura e recursos naturais; ademais, têm um povo “bom” e solidário com os outros povos, como “foi comprovado por ocasião das recentes calamidades naturais, como se ajudaram reciprocamente, dando exemplo a toda a comunidade internacional”.

O Santo Padre observou que todos esses valores sociais estão presentes, mas devem ser apreciados e reforçados:

Apesar desses bens do continente, a atual crise econômica e social atingiu a população e produziu o aumento da pobreza, do desemprego, da desigualdade social, bem como a exploração e o abuso da nossa casa comum. Diante dessa situação é preciso uma análise que leve em consideração a realidade das pessoas concretas, a realidade do nosso povo.”

Destacando o segundo aspecto, o Papa frisou que é preciso coordenar os esforços para dar respostas concretas e para fazer frente às instâncias e às necessidades dos filhos e das filhas dos nossos países.
“Coordenar não significa deixar que os outros façam e no final aprovar, ao invés, comporta muito tempo e muito esforço; é um trabalho que não aparece e é pouco apreciado, mas necessário”, observou ainda, atendo-se em seguida ao fenômeno da emigração na América Latina:

“Diante de um mundo globalizado e sempre mais complexo, a América Latina deve unir os esforços para fazer frente ao fenômeno da emigração; e grande parte de suas causas já deveriam ter sido enfrentadas há muito tempo, mas nunca é tarde demais.”

Após recordar que a emigração sempre existiu, frisou que esta nos últimos anos teve um incremento jamais visto antes. “Nosso povo, impelido pela necessidade, vai em busca de ‘novos oásis’, onde possa encontrar maiores estabilidades e um trabalho que assegure maior dignidade à vida”.

Mas nessa busca, acrescentou o Pontífice, muitas pessoas sofrem a violação de seus direitos”; muitas crianças e jovens são vítimas do tráfico de seres humanos e são exploradas, “ou caem nas redes da criminalidade e da violência organizada.

“A emigração é um drama de divisão: dividem-se as famílias, os filhos se separam dos pais, distanciam-se da terra de origem, e os próprios governos e os países se dividem diante dessa realidade. É preciso uma política conjunta de cooperação para enfrentar esse fenômeno. Não se trata de buscar culpados e de esquivar-se de responsabilidades, mas todos somos chamados a trabalhar de maneira coordenada e conjunta.”

Por fim, atendo-se ao terceiro aspecto, Francisco observou que entre as muitas ações que se poderiam realizar, considera emergir por importância “a promoção de uma cultura do diálogo.

Em seguida, o Santo Padre reconheceu que alguns países da América Latina estão passando por momentos difíceis em nível político, social e econômico:

“Os cidadãos que dispõem de menos recursos são os primeiros a perceber a corrupção que existe nos vários estratos sociais e a má distribuição das riquezas. Sei que muitos países trabalham e lutam para realizar uma sociedade mais justa, promovendo uma cultura da legalidade”, reconheceu Francisco.
O Papa prosseguiu destacando que “a promoção do diálogo político é essencial, tanto entre os vários membros desta Associação, quanto com os países de outros continentes, de modo especial com os da Europa, por laços que os unem”.

O diálogo é indispensável, concluiu Francisco, “mas não o ‘diálogo entre surdos’! Requer uma atitude receptiva que acolha sugestões e partilhe aspirações”.

A Organização Internacional Ítalo-Latino-Americana é um organismo criado em Roma em 1966, cujos países membros são Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Itália, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

#Santo do dia - São #Pedro e São #Paulo


A liturgia comemora São Pedro e São Paulo, os dois grandes Apóstolos da primeira comunidade cristã, como mestres e confessores da fé. Esta solenidade é uma das mais antigas da Igreja, sendo anterior até mesmo à comemoração do Natal. Já no século IV havia a tradição de, neste dia, celebrar três missas: a primeira na basílica de São Pedro, no Vaticano; a segunda na basílica de São Paulo Fora dos Muros e a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde as relíquias dos apóstolos ficaram escondidas para fugir da profanação nos tempos difíceis.

E mais: depois da Virgem Santíssima e de são João Batista, Pedro e Paulo são os santos que têm mais datas comemorativas no ano litúrgico. Além do tradicional 29 de junho, há: 25 de janeiro, quando celebramos a conversão de São Paulo; 22 de fevereiro, quando temos a festa da cátedra de São Pedro; e 18 de novembro, reservado à dedicação das basílicas de São Pedro e São Paulo.

O Papa Bento XVI apresenta Pedro e Paulo como “fundamentos da Igreja”: “Os dois Santos padroeiros de Roma, mesmo tendo recebido de Deus carismas e missões diferentes, são ambos fundamentos da Igreja una, santa, católica e apostólica, permanentemente aperta à dinâmica missionária e ecumênica”.

Antigamente, julgava-se que o martírio dos dois apóstolos tinha ocorrido no mesmo dia e ano e que seria a data que hoje comemoramos. Porém o martírio de ambos deve ter ocorrido em ocasiões diferentes, com são Pedro, crucificado de cabeça para baixo, na colina Vaticana e são Paulo, decapitado, nas chamadas Três Fontes. Mas não há certeza quanto ao dia, nem quanto ao ano desses martírios.

A morte de Pedro poderia ter ocorrido em 64, ano em que milhares de cristãos foram sacrificados após o incêndio de Roma, enquanto a de Paulo, no ano 67. Mas com certeza o martírio deles aconteceu em Roma, durante a perseguição de Nero.

Há outras raízes ainda envolvendo a data. A festa seria a cristianização de um culto pagão a Remo e Rômulo, os mitológicos fundadores pagãos de Roma. São Pedro e são Paulo não fundaram a cidade, mas são considerados os “Pais de Roma”. Embora não tenham sido os primeiros a pregar na capital do império, com seu sangue “fundaram” a Roma cristã. Os dois são considerados os pilares que sustentam a Igreja tanto por sua fé e pregação como pelo ardor e zelo missionários, sendo glorificados com a coroa do martírio, no final, como testemunhas do Mestre.

São Pedro é o apóstolo que Jesus Cristo escolheu e investiu da dignidade de ser o primeiro papa da Igreja. A ele Jesus disse: “Tu és Pedro e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja”. São Pedro é o pastor do rebanho santo, é na sua pessoa e nos seus sucessores que temos o sinal visível da unidade e da comunhão na fé e na caridade.

São Paulo, que foi arrebatado para o colégio apostólico de Jesus Cristo na estrada de Damasco, como o instrumento eleito para levar o seu nome diante dos povos, é o maior missionário de todos os tempos, o advogado dos pagãos, o “Apóstolo dos Gentios”.
São Pedro e são Paulo, juntos, fizeram ressoar a mensagem do Evangelho no mundo inteiro e o farão para todo o sempre, porque assim quer o Mestre.

A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Judite, Ema e Anastácio.

Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo - Estes mártires viram o que pregaram

O martírio dos santos apóstolos Pedro e Paulo consagrou para nós este dia. Não falamos de mártires desconhecidos. Sua voz ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do mundo a sua palavra (Sl 18,5). Estes mártires viram o que pregaram, seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade.

São Pedro, o primeiro dos apóstolos, que amava Cristo ardentemente, mereceu escutar: Por isso eu te digo que tu és Pedro (Mt 16,19). Antes, ele havia dito: Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo (Mt 16,16). E Cristo retorquiu: Por isso eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra construirei minha Igreja (Mt 16,18). Sobre esta pedra construirei a fé que haverás de proclamar. Sobre a afirmação que fizeste: Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo, construirei a minha Igreja. Porque tu és Pedro. Pedro vem de pedra; não é pedra que vem de Pedro. Pedro vem de pedra, como cristão vem de Cristo.

Como sabeis, o Senhor Jesus, antes de sua paixão, escolheu alguns discípulos, aos quais deu o nome de apóstolos. Dentre estes, somente Pedro mereceu representar em toda parte a personalidade da Igreja inteira. Porque sozinho representava a Igreja inteira, mereceu ouvir estas palavras: Eu te darei as chaves do Reino dos Céus (Mt 16,19). Na verdade, quem recebeu estas chaves não foi um único homem, mas a Igreja una. Assim manifesta-se a superioridade de Pedro, que representava a universalidade e a unidade da Igreja, quando lhe foi dito: Eu te darei. A ele era atribuído pessoalmente o que a todos foi dado. Com efeito, para que saibais que a Igreja recebeu as chaves do Reino dos Céus, ouvi o que, em outra passagem, o Senhor diz a todos os seus apóstolos: Recebei o Espírito Santo. E em seguida: A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos (Jo 20,22-23).

No mesmo sentido, também depois da ressurreição, o Senhor entregou a Pedro a responsabilidade de apascentar suas ovelhas. Não que dentre os outros discípulos só ele merecesse pastorear as ovelhas do Senhor; mas quando Cristo fala a um só, quer, deste modo, insistir na unidade da Igreja. E dirigiu-se a Pedro, de preferência aos outros, porque, entre os apóstolos, Pedro é o primeiro.

Não fiques triste, ó apóstolo! Responde uma vez, responde uma segunda, responde uma terceira vez. Vença por três vezes a tua profissão de amor, já que por três vezes o temor venceu a tua presunção. Desliga por três vezes o que por três vezes ligaste. Desliga por amor o que ligaste por temor. E assim, o Senhor confiou suas ovelhas a Pedro, uma, duas e três vezes.

Num só dia celebramos o martírio dos dois apóstolos. Na realidade, os dois eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo o seguiu. Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos apóstolos. Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações destes dois apóstolos.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Papa na Audiência Geral: O cristão jamais deve perder a esperança


Cidade do Vaticano – Cerca de 20 mil pessoas participaram da Audiência Geral com o Papa Francisco na Praça São Pedro nesta quarta-feira, 28 de junho, a última antes da pausa de verão, já que as audiências serão retomadas em agosto. O Papa dedicou a sua catequese à esperança como força dos mártires.

Ao enviar os discípulos em missão, explicou Francisco, Jesus adverte que o anúncio do Reino comporta sempre uma oposição: “Vocês serão odiados por causa do meu nome. Os cristãos amam, mas nem sempre são amados”, disse o Papa. Portanto, os cristãos são homens e mulheres contra a corrente, que vivem seguindo um estilo de vida indicado por Jesus – um estilo que Francisco definiu “estilo de esperança”.

A única força é o Evangelho

Para se parecer com Cristo, é preciso ser desapegado das riquezas e do poder. O cristão percorre o seu caminho com o essencial, mas com o coração repleto de amor. De fato, jamais deve usar a violência. A única força é o Evangelho. A perseguição, portanto, não é uma contradição. Se perseguiram o Mestre, porque seríamos poupados da luta? Porém, em meio à batalha, o cristão jamais deve perder a esperança. Há Alguém que é mais forte do que o mal: mais forte do que as máfias, de quem lucra sobre a pele dos desesperados, de quem espezinha os outros com prepotência.

Os cristãos, portanto, devem sempre estar na outra margem do mundo, aquela escolhida por Deus: não perseguidores, mas perseguidos; não arrogantes, mas mansos; não impostores, mas honestos.

Perfume de discipulado

Esta fidelidade ao estilo de Jesus foi chamada pelos primeiros cristãos com o nome de “martírio”, que significa “testemunho”. O vocabulário oferecia muitas outras possibilidades: heroísmo, abnegação, sacrifício de si. Mas os primeiros cristãos escolheram um nome “com perfume de discipulado”.

“Os mártires não vivem para si, não combatem para afirmar as próprias ideais, e aceitam morrer somente por fidelidade ao evangelho. O martírio não é nem mesmo o ideal supremo da vida cristã, porque acima dele está a caridade, isto é, o amor a Deus e ao próximo. A ideia de que quem comete atentados suicidas seja chamado mártir repugna os cristãos: neste ato, não há nada que possa se aproximar da atitude de filhos de Deus.

“Que Deus nos doe sempre a força de ser suas testemunhas. Que Ele nos doe viver a esperança cristã sobretudo no martírio confidencial de fazer o bem e com amor os nossos deveres de todos os dias”, encerrou o Papa. Ao final da Audiência, ele concedeu a sua bênção apostólica.

NÃO EXISTE UMA BOA SOCIEDADE SEM UM BOM SINDICATO

Não existe uma boa sociedade sem um bom sindicato: antes da Audiência Geral, o Papa Francisco recebeu os delegados da Confederação Italiana dos Sindicatos dos Trabalhadores (Cisl), que estão reunidos em Congresso.

O discurso do Pontífice partiu do tema em debate: “Pela pessoa, pelo trabalho”. De fato, afirmou, pessoa e trabalho são duas palavras que podem e devem estar juntas. “O trabalho é a forma mais comum de cooperação que a humanidade gerou na sua história, é uma forma de amor civil”.

Cultura do ócio

Certamente, a pessoa não é só trabalho, também é preciso repousar, recuperar a “cultura do ócio”, “é desumano” os pais que não brincam com os filhos, disse Francisco. Crianças e jovens devem ter o trabalho de estudar e os idosos deveriam receber uma aposentadoria justa. “As aposentadorias de ouro são uma ofensa ao trabalho, assim como as de baixa renda, porque fazem com que as desigualdades do tempo de trabalho se tornem perenes.”

Novo pacto social

Francisco definiu como “míope” uma sociedade que obriga os idosos a trabalharem por muitos anos e uma inteira geração de jovens sem trabalho. Para isso, é urgente um novo pacto social para o trabalho e indicou dois desafios que o movimento sindical deve enfrentar hoje: a profecia e a inovação.

Profecia

A profecia é a vocação mais verdadeira do sindicato, é “expressão do perfil profético da sociedade”. Mas nas sociedades capitalistas avançadas, o sindicato corre o risco de perder esta natureza profética e se tornar demasiado semelhante às instituições e aos poderes que, ao invés, deveria criticar. Com o passar do tempo, o sindicato acabou por se parecer com a política, ou melhor, com os partidos políticos. Ao invés, se falta esta típica dimensão, a sua ação perde força e eficácia.

Inovação

O segundo desafio é a inovação. Isto é, proteger não só quem está dentro do mercado de trabalho, mas quem está fora dele, descartado ou excluído. “O capitalismo do nosso tempo não compreende o valor do sindicato, porque esqueceu a natureza social da economia. Este é um dos maiores pecados. Economia de mercato: não. Dizemos economia social de mercado, como nos ensinou São João Paulo

Mulheres e jovens

Para Francisco, talvez a nossa sociedade não entenda o sindicato porque não o vê lutar suficientemente nos lugares onde não há direitos: nas periferias existenciais, entre os imigrantes, os pobres, ou não entende simplesmente porque, às vezes, a corrupção entrou no coração de alguns sindicalistas. Não se deixem bloquear. Francisco pediu mais empenho em prol dos jovens, cujo desemprego na Itália é de 40%, e das mulheres, que ainda são consideradas de segunda classe no mercado de trabalho.

Renascer das periferias

Habitar as periferias pode se tornar uma estratégia de ação, uma prioridade do sindicato de hoje e de amanhã, indicou o Papa. “Não existe uma boa sociedade sem um bom sindicato. E não há um bom sindicato que não renasça todos os dias nas periferias, que não transforme as pedras descartadas da economia em pedras angulares. Sindicato é uma bela palavra que provém do grego syn-dike, isto é, “justiça juntos”. Não há justiça se não se está com os excluídos.”

#Santo do dia - Santo #Irineu de #Lyon


Santo Irineu de Lyon O nome “Irineu” vem do grego e significa Pacífico e pacificador. Grande bispo e mártir,  tornou-se o mais importante dos escritores cristãos do século II. Nascido na Ásia Menor, foi discípulo de São Policarpo, que por sua vez conviveu diretamente com o Apóstolo São João, o Evangelista.

Padre da Igreja, grego de nascimento, filho de pais cristãos, nasceu na ilha de Esmirna, no ano 130. Muito culto e letrado em várias línguas, Irineu foi ordenado por são Policarpo, que o enviou para a Gália, atual França, onde havia uma grande população de fiéis cristãos procedentes do Oriente. Lá, trabalhou ao lado de Fotino, o primeiro bispo de Lyon, que, em 175, o enviou a Roma para, junto do papa Eleutério, resolver a delicada questão doutrinal dos hereges montanistas. Esses fanáticos, vindos do Oriente, pregavam o desprezo pelas coisas do mundo, anunciando o breve retorno de Cristo para o juízo final.

Contudo tanto o papa quanto Irineu foram tomados pela surpresa da bárbara perseguição decretada pelo imperador Marco Aurélio. Rapidamente, em 177, ela atingiu a cidade de Lyon, ocasionando o grande massacre dos cristãos, todos mortos pelo testemunho da fé.

Um ano depois, Irineu retornou a Lyon, onde foi eleito e aclamado sucessor do bispo mártir Fotino. Nesse cargo ele permaneceu vinte e cinco anos. Ocupou-se da evangelização e combateu, principalmente, a heresia dos gnósticos, além das outras que proliferavam nesses primeiros tempos. Obteve êxito, junto ao papa Vitor I, na questão da comemoração da festa da Páscoa, quando lhe pediu que atuasse com moderação para manter a união entre a Igreja do Ocidente e a do Oriente.

A sua obra escrita mais importante foi o tratado “Contra as heresias”, onde trata da falsa gnose, e depois, de todas as outras heresias da época. O texto grego foi perdido, mas existem as traduções latina, armênia e siríaca.

Importante não só do lado teológico, onde expôs já pronta a teoria sobre a autoridade doutrinal da Igreja, mas ainda do lado histórico, pois documentou e nos apresentou um quadro vivo das batalhas e lutas de então.

Mais tarde, um outro tratado, chamado “Demonstração da pregação apostólica”, foi encontrado inteiro, numa tradução armênia. Além de vários fragmentos de outras obras, cartas, discursos e pequenos tratados.

Irineu morreu como mártir no dia 28 de junho de 202, em Lyon, e sua festa litúrgica ocorre nesta data. As relíquias de santo Irineu estão sepultadas, junto com os mártires da Igreja de Lyon, na catedral desta cidade.

A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Argemiro e Vicência

terça-feira, 27 de junho de 2017

Santo do dia: Nossa Senhora do #Perpétuo Socorro


A devoção à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro nasceu de um ícone milagroso, roubado de uma igreja, na ilha de Creta, Grécia, no século XV. Trata-se de uma pintura sobre madeira, de estilo bizantino, através do qual o artista, sabendo que a verdadeira feição e a santidade de Maria e de Jesus jamais poderão ser retratadas só com mãos humanas, expressa a sua beleza e a sua mensagem em símbolos.

Nesse quadro a Virgem Maria foi representada a meio corpo, segurando o Menino Jesus nos braços. O Menino segura forte a mão da Mãe e observa assustado, dois anjos que lhe mostram os elementos de sua Paixão. São os Arcanjos Gabriel e Miguel que flutuam acima dos ombros de Maria. A belíssima obra é atribuída ao grande artista grego Andréas Ritzos daquele século e pode ter sido uma das cópias do quadro da Virgem pintado por São Lucas, segundo os peritos.

Diz a tradição que no século XV, um rico comerciante se apropriou do ícone para vendê-lo em Roma. Durante a travessia do Mediterrâneo, uma tempestade quase fez o navio naufragar. Uma vez em terra firme, foi para a Cidade Eterna tentar negociar o quadro. Depois de várias tentativas frustradas, acabou adoecendo. Procurou um amigo para ajuda-lo, mas logo faleceu. Antes, porém contou sobre o ícone e lhe pediu para leva-lo à uma igreja, para ser venerado outra vez pelos fiéis. A esposa do amigo não quis se desfazer da imagem. Após ficar viúva, a Virgem Maria apareceu à sua filha e lhe disse para colocar o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro numa igreja, entre as basílicas de Santa Maria Maior e São João Latrão. Segundo a menina, o título foi citado pela Virgem sem nenhuma recomendação.

O ícone foi entronizado na igreja de São Mateus, no dia 27 de março de 1499, onde permaneceu nos três séculos seguintes. A notícia se espalhou e a devoção à Virgem do Perpétuo Socorro se propagou entre os fiéis. Em 1739, eram os agostinianos irlandeses exilados do seu país, os responsáveis dessa igreja e do convento anexo, no qual funcionava o centro de formação da sua Província, em Roma. Ali, todos encontravam paz sob a devoção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Três décadas depois os agostinianos irlandeses foram designados para a igreja de Santa Maria em Posterula, também em Roma, e para lá também seguiu o quadro da “Virgem de São Mateus”. Mas alí já se venerava Nossa Senhora da Graça. O ícone foi colocado na capela interna e acabou quase esquecido. Isto só não ocorreu, por causa da devoção de um agostiniano remanescente do antigo convento.

Mais tarde, já idoso ele quis cuidar para a devoção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, não ser esquecida e contou a história do ícone milagroso à um jovem coroinha. Dois anos depois de sua morte, em 1855 os padres redentoristas compraram uma propriedade em Roma, para estabelecer a Casa Generalícia da Congregação fundada por Santo Afonso de Ligório. Mas não sabiam que aquele terreno era da antiga igreja de São Mateus, escolhida pela própria Virgem para seu santuário. No final desse ano ingressou com a primeira turma do noviciado aquele jovem coroinha.

Em 1863, já padre, ajudou os redentoristas a localizarem o ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, depois da descoberta oficial dessa devoção nos livros antigos da igreja de São Mateus. O quadro entregue pelo próprio Papa Pio I, com a especial recomendação: “Fazei que todo o mundo A conheça”, foi entronizado no altar-mor do seu atual santuário, em 1866. Outras cópias seguiram com esses missionários para a divulgação da devoção a partir das novas províncias instaladas por todo o mundo. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi declarada Padroeira dos Redentoristas, sendo celebrada no dia 27 de junho.

Fonte: Paulinas

#Papa Francisco festeja 25 anos de ordenação episcopal


Cidade do Vaticano  – O Papa Francisco celebrou seus 25 anos de ordenação episcopal com uma Missa concelebrada com os Cardeais na Capela Paulina, no Vaticano (27/06). De brasileiros, estavam presentes os Cardeais João Braz de Aviz, Cláudio Hummes, Raymundo Damasceno Assis e Sérgio da Rocha.

Em sua homilia, comentando a primeira leitura, o Pontífice falou de três imperativos inseridos no diálogo entre Deus e Abraão: levantar-se, olhar e esperar. Expressões que marcam não só o caminho que Abraão deve percorrer, mas também a sua atitude interior.

Levantar-se significa não ficar parado, realizar a missão em caminho e o símbolo é a tenda. Olhar é fixar o horizonte, cuja mística consiste em estar cada vez mais distante enquanto se avança. Esperar é a força de ir avante, com o ânimo de um “escoteiro”. “A esperança não tem muros”, disse o Papa.

“O Senhor hoje nos diz o mesmo: levante-se, olhe e espere. Essa palavra de Deus vale também para nós, que temos quase a mesma a idade de Abraão”, brincou. Francisco pediu aos Cardeais que não fechem a sua vida e a sua história:

“Quem não nos quer bem, diz: ‘somos a gerontocracia da Igreja’. É uma zombaria, não sabe o que diz. Não somos gerontes (*), somos avôs. E se não sentimos isso, devemos pedir a graça de senti-lo. Avôs para quais os netos olham e esperam de nós a experiência sobre o sentido da vida. Avôs não fechados. Para nós, ‘levante-se, olhe e espere’ se chama sonhar. Somos avôs chamados a sonhar e dar o nosso sonho à juventude de hoje, que necessita disso, porque tirarão dos nossos sonhos a força para profetizar e levar avante a sua missão”.

O Senhor, acrescentou o Papa, pede aos avôs da Igreja que tenham a vitalidade para dar aos jovens, sem se fechar, para oferecer à juventude o melhor, para levar avante a profecia e o trabalho. “Peço ao Senhor que dê a todos nós esta graça, também para quem ainda não é avô, como o presidente do Brasil (referindo-se ao presidente da CNBB, Dom Sérgio da Rocha), que é um jovenzinho, mas você chegará lá. A graça de ser avôs, a graça de sonhar e dar esse sonho aos nossos jovens, eles precisam disso”.

Antes da bênção final, o Papa Francisco agradeceu aos Cardeais “por esta oração comum neste aniversário”, pedindo o perdão pelos seus pecados e a perseverança na fé, na esperança e na caridade.

Ordenação em Buenos Aires

O Padre Jorge Mario Bergoglio soube que seria Bispo Auxiliar de Buenos Aires no 13 de maio de 1992, notícia que foi aprovada oficialmente por João Paulo II uma semana depois, no dia 20. No dia 27 de junho daquele mesmo ano, 1992, recebeu a ordenação episcopal na Catedral de Buenos Aires das mãos do Cardeal Antonio Quarracino, então Arcebispo da capital argentina.

* GERONTE (em grego Gerón) “ancião”. Na antiga Grécia, especialmente nas cidades dorias, era o membro do conselho de anciãos que assessorava ao rei em questões políticas. O Conselho de Gerontes de Esparta, a gerúsia, era um órgão governativo composto por um conselho de 28 gerontes com mais de 60 anos e presidido por dois reis.

“IRMÃOS ORTODOXOS”

O Papa Francisco recebeu em audiência na manhã desta terça-feira a delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, presente em Roma por ocasião da Festa dos Santos Pedro e Paulo. O Papa agradeceu Sua Santidade o Patriarca Bartolomeu e o Santo Sínodo, por terem “enviado” os “queridos irmãos” como seus representantes para compartilhar “a nossa alegria desta festa”.

Pedro e Paulo, disse o Papa, discípulos e apóstolos de Jesus serviram o Senhor com estilos diferentes e de modos diferentes. Todavia, mesmo na diversidade, ambos testemunharam o amor misericordioso de Deus Pai, do qual, ao seu modo, cada um fez uma profunda experiência, chegando a oferecer em sacrifício a própria vida.

Francisco recordou em seguida que por isso, desde os tempos antigos, a Igreja no Oriente e no Ocidente reúne em uma só celebração a memória do martírio de Pedro e de Paulo. Em seguida falando da presença da delegação de Constantinopla em Roma o Papa acrescentou: “O intercâmbio de delegações entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla, por ocasião das respectivas festividades patronais, aumenta em nós o desejo de restabelecer a plena comunhão entre católicos e ortodoxos, que já antecipam no encontro fraterno, na oração partilhada e no comum serviço ao Evangelho”.

A experiência do primeiro milênio, – continuou o Papa – em que os cristãos do Oriente e do Ocidente participavam da mesma mesa eucarística, de um lado preservando juntos as mesmas verdades de fé, e do outro, cultivando várias tradições teológicas, espirituais e canônicas compatíveis com o ensinamento dos Apóstolos e dos Concílios ecumênicos, é ponto de referência necessário e fonte de inspiração para a busca do restabelecimento da plena comunhão nas atuais condições, comunhão que não seja uniformidade homologada.

O Santo Padre disse ainda que a presença da Delegação de Constantinopla oferece a oportunidade para recordar que este ano se celebram os 50 anos da visita do Beato Paulo VI ao Fanar, em julho de 1967, e da visita do Patriarca Athenágoras a Roma, em outubro daquele mesmo ano.

“O exemplo desses corajosos pastores, movidos unicamente pelo amor a Cristo e sua Igreja, nos encoraja a prosseguir no nosso caminho em direção à plena unidade”. Francisco recordou ainda o recente encontro no Cairo com o Patriarca Bartolomeu, onde – disse -, “pude constatar mais uma vez a profunda consonância de visão sobre alguns desafios que tocam a vida da Igreja e do mundo contemporâneo”.

No próximo mês de setembro em Leros, na Grécia, irá se reunir o Comitê de Coordenação da Comissão mista internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa. “Faço votos que esta reunião, disse Francisco, em um clima espiritual de escuta da vontade do Senhor e na viva consciência do caminho que muitos fiéis católicos e ortodoxos em várias partes do mundo já realizam juntos, seja rica de bons resultados para o futuro do diálogo teológico”.

O Papa concluiu pedindo que se rezem uns pelos outros para que o Senhor “nos conceda de sermos instrumentos de comunhão e de paz, confiando na intercessão dos Santos Pedro e Paulo e de Santo André”. Pediu ainda que continuem a rezar por ele.

A delegação presente no Vaticano nestes dias é guiada pelo Arcebispo de Telmessos, metropolita Job, nomeado ano passado copresidente da Comissão mista internacional para o diálogo entre as Igrejas ortodoxas e a Igreja católica.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Papa: cristão não precisa de horóscopo, aberto às surpresas de Deus


Cidade do Vaticano - O Papa Francisco celebrou a missa, nesta segunda-feira (26/06), na capela da Casa Santa Marta.

“O cristão verdadeiro não é aquele que se instala e fica parado, mas aquele que confia em Deus e se deixa guiar num caminho aberto às surpresas do Senhor”, frisou o Pontífice em sua homilia. 

Citando a Primeira Leitura, extraída do Livro do Gêneses, Francisco refletiu sobre Abraão, pois nele “há o estilo da vida cristã, o estilo nosso como povo”, baseado em três dimensões: o despojamento, a promessa e a bênção. “O Senhor exorta Abraão a sair de seu país, de sua pátria, da casa de seu pai”, recordou o Papa: 

“O ser cristão tem sempre esta dimensão do despojamento que encontra a sua plenitude no despojamento de Jesus na Cruz. Sempre há um vai, um deixa, para dar o primeiro passo: ‘Sai da tua terra, da tua família e da casa do teu pai’. Se fizermos memória veremos que nos Evangelhos a vocação dos discípulos é um ‘vai’, ‘deixa’ e ‘vem’. Também nos profetas, não é? Pensemos a Eliseu, trabalhando a terra: ‘Deixa e vem’.”

“Os cristãos”, acrescentou o Papa, “devem ter a capacidade de serem despojados, caso contrário não são cristãos autênticos, como não são aqueles que não se deixam despojar e crucificar com Jesus. “Abraão “obedeceu pela fé”, partindo para a terra a ser recebida como herança, mas sem saber o destino preciso: 

“O cristão não tem um horóscopo para ver o futuro. Não procura a necromante que tem a bola de cristal, para que leia a sua mão. Não, não. Não sabe aonde vai. Deve ser guiado. Esta é a primeira dimensão de nossa vida cristã: o despojamento. Mas, por que o despojamento? Para uma ascese parada? Não, não! Para ir em direção a uma promessa. Esta é a segunda. Somos homens e mulheres que caminham para uma promessa, para um encontro, para algo, uma terra, diz a Abraão, que devemos receber como herança.” 

No entanto, enfatizou Francisco, Abraão não edifica uma casa, mas “levanta uma tenda”, indicando que “está a caminho e confia em Deus”, portanto, constrói um altar “para adorar ao Senhor”. Então, “continuar a caminhar” é estar “sempre em caminho”:

“O caminho começa todos os dias na parte da manhã; o caminho de confiar no Senhor, o caminho aberto às surpresas do Senhor, muitas vezes não boas, muitas vezes feias – pensemos em uma doença, uma morte - mas aberto, pois eu sei que Tu me irás conduzir a um lugar seguro, a um terra que preparaste para mim; isto é, o homem em caminho, o homem que vive em uma tenda, uma tenda espiritual. Nossa alma, quando se ajeita muito, se ajeita demais, perde essa dimensão de ir em direção da promessa e em vez de caminhar em direção da promessa, carrega a promessa e possui a promessa. E não deve ser assim, isso não é realmente cristão”.

“Nesta semente de início da nossa família” cristã, observou o Papa, aparece outra característica, a da bênção: isto é, o cristão é um homem, uma mulher que “abençoa”, que “fala bem de Deus e fala bem dos outros” e que  “é abençoado por Deus e pelos outros” para ir para frente. Este é o esquema da “nossa vida cristã”, porque todo mundo, “também” os leigos, devemos “abençoar os outros, falar bem dos outros e falar bem a Deus dos outros”. Muitas vezes, acrescenta o Pontífice, estamos acostumados “a não falar bem” do próximo, quando - explica – “a língua se move um pouco como quer”, em vez de seguir o mandamento que Deus confia ao nosso pai” Abraão, como “síntese da vida”: de caminhar, deixando-se “despojar” pelo Senhor e confiando em suas promessas, para sermos irrepreensíveis. Enfim, concluiu Francisco, a vida cristã é “tão simples”.