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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Oração do Angelus: Papa Francisco faz novo apelo pela Síria


“Não devemos esquecer que Aleppo é uma cidade, que ali se encontram pessoas: famílias, crianças, anciãos, pessoas enfermas... Infelizmente, nos acostumamos com a guerra, a destruição, mas não devemos esquecer que a Síria é um país repleto de história, de cultura, de fé. Não podemos aceitar que isso seja negado pela guerra, que é um cúmulo de arbitrariedades e de falsidades.”

“Apelo ao compromisso de todos, a fim de que seja feita uma escolha de civilidade: não à destruição, sim à paz, sim ao povo de Aleppo e da Síria”, acrescentou Francisco durante a Oração do Angelus deste domingo (11/12).

O pensamento do Santo Padre voltou-se também para os atentados que nas últimas horas atingiram vários lugares, entre os quais o Cairo, no Egito, onde um atentado numa igreja próxima da Catedral copta de São Marcos deixou dezenas de mortos e feridos.

“Rezemos também pelas vítimas de alguns ferozes ataques terroristas que nas últimas horas atingiram vários países. Os lugares são vários, mas, infelizmente, única é a violência que semeia morte e destruição, e única é também a resposta: fé em Deus e unidade nos valores humanos e civis.”

Francisco quis expressar sua particular proximidade ao Papa Tawadros II – Papa da Igreja copta ortodoxa e Patriarca de Alexandria, no Egito - e a sua comunidade, rezando pelos mortos e pelos feridos.

Alegrai-vos sempre no Senhor

Na alocução que precedeu a oração mariana, o Papa Francisco ressaltou que o terceiro Domingo do Advento é caracterizado pelo convite de São Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor, repito-vos, alegrai-vos, o Senhor está próximo” (Fil 4,4-5).

“A alegria à qual nos exorta o Apóstolo não é uma alegria superficial ou puramente emotiva, e nem mesmo mundana ou a alegria do consumismo. Não, não é esta, mas se trata de uma alegria mais autêntica, da qual somos chamados a redescobrir o sabor. O sabor da verdadeira alegria.”

É uma alegria que toca o íntimo do nosso ser, continuou o Pontífice, “enquanto esperamos Jesus que veio trazer a salvação ao mundo, o Messias prometido, nascido em Belém, nascido da Virgem Maria”.

Referindo-se à liturgia dominical, o Papa disse-nos que esta nos dá o contexto adequado para compreender e viver esta alegria. A salvação é finalmente anunciada: “Sede fortes! – diz o profeta Isaías (35,4). “Eis que o vosso Deus vem para salvar-vos. E imediatamente tudo se transforma: o deserto floresce, a consolação e a alegria invadem os corações”.

Salvação trazida por Jesus alcança o ser humano em sua totalidade e o regenera

Estes sinais anunciados pelo Profeta como reveladores da salvação já presente, se realizam em Jesus, frisou o Santo Padre.

“Não são palavras, são fatos que demonstram como a salvação, trazida por Jesus, alcança o ser humano em sua totalidade e o regenera. Deus entrou na história para libertar-nos da escravidão do pecado; colocou sua tenda no meio de nós para partilhar a nossa existência, curar as nossas chagas, enfaixar nossas feridas e doar-nos a vida nova. A alegria é o fruto dessa intervenção de salvação e do amor de Deus.”

“Somos chamados a deixar-nos envolver pelo sentimento de júbilo. Este júbilo, esta alegria”, acrescentou Francisco fazendo uma oportuna e pertinente apreciação: “Um cristão que não é alegre, falta-lhe alguma coisa ou não é cristão. A alegria do coração, a alegria interior nos leva adiante e nos dá a coragem. O Senhor vem, vem em nossa vida como libertador, vem libertar-nos de todas as escravidões internas e externas.”

Reconhecer, nos mais fracos e necessitados, o Senhor que vem

O Papa lembrou ainda que o Natal está próximo, que os sinais de seu aproximar-se são evidentes em nossas ruas, em nossas casas, acrescentado que “estes sinais convidam-nos a acolher o Senhor que sempre vem e bate à nossa porta, bate em nosso coração, para vir próximo a nós, convidam-nos a reconhecer Seus passos entre aqueles irmãos que nos passam ao lado, especialmente os mais fracos e necessitados”.

Por fim, exortou-nos a partilhar esta alegria com os outros, dando conforto e esperança aos pobres, aos doentes, às pessoas sozinhas e infelizes.

PAPA SE ENCONTRA COM SEMINARISTAS

“Um sacerdote que se separa do povo não é capaz de dar a mensagem de Jesus.” Foi o que disse o Papa Francisco no discurso espontâneo feito no sábado (10/12) à comunidade do “Pontifício Seminário Romano Regional Pugliese Pio XI”, cujo texto integral foi publicado à noite pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

Ao todo, mais de 300 pessoas recebidas pelo Santo Padre na Sala Clementina, no Vaticano, em sua maioria, seminaristas da referida região do sul da Itália. Tendo entregado o discurso preparado para a ocasião, o Pontífice falou sem texto.
Francisco pediu aos sacerdotes que estejam próximos do povo, que sejam pais, que deem ao povo as carícias de Jesus e que não tenham medo da pobreza, que “é mãe e muro”.

Tratou-se de um discurso intenso, espontâneo e exortativo. O Papa recomendou aos futuros presbíteros que sejam, antes de tudo, pais para os fiéis. E aludiu aos escândalos dos sacerdotes: “A imprensa compra bem aquelas notícias, paga bem por elas. Porque é assim: a regra do escândalo tem uma alta cotação na bolsa da mídia! Como formar um sacerdote a fim de que sua vida não seja um falimento, não desmorone? Só isso! Não, mais que isso! Para que sua vida seja fecunda. Sim, fecunda! Não somente para que seja um bom padre que segue todas as regras. Não, não. Que dê vida aos outros! Que seja pai de uma comunidade. Um sacerdote que não é pai não serve.”

Em seguida, recordou a história de tantos bravos párocos na Itália. “Olhem para seus pais na fé”, exortou Francisco, e peçam a graça da “memória eclesial”.

É preciso assumir a longa tradição de bravos sacerdotes, que a Igreja tem, levá-la adiante e deixá-la como herança: “Padres que recebem a paternidade dos outros e a dão aos outros”.

Sacerdotes sejam próximos do povo

E para entender o que significa ser próximo do Povo, Francisco falou de um pároco de uma pequena localidade, que conhecia o nome de cada paroquiano. “Proximidade com o povo”, como Jesus que se fez próximo “a ponto de assumir nossa carne”. Em seguida, fez referência ao que dissera antes o Reitor, que havia citado uma imagem em que o pé de Jesus impede que se feche a Porta da Misericórdia: “Um sacerdote que se separa do povo não é capaz de dar a mensagem de Jesus. Não é capaz de fazer as carícias de Jesus ao povo; não é capaz – e tomo a sua imagem – de colocar o pé para que a porta não se feche. Proximidade às pessoas. E proximidade significa paciência; significa gastar a vida, porque – falemos a verdade – o santo Povo de Deus cansa, cansa! Mas que bonito encontrar um sacerdote que termina o dia cansado e que não precisa de pastilhas para dormir bem!”

A pobreza protege o sacerdote: é mãe e muro

O Papa deteve-se em seu discurso sobre a pobreza, que é “mãe e muro” e protege. Por vezes se tem a paróquia e se quer outra coisa, quem sabe abrir uma escola. “Se você tem medo da pobreza, sua vocação está em perigo”, disse Francisco, porque “a pobreza será aquilo que fará sua doação ao Senhor crescer” e servirá de muro “para protegê-lo, porque a pobreza na vida consagrada, na vida dos sacerdotes, é mãe e muro”.

Quando um sacerdote se distancia do povo faz mal à Igreja. Não há outro caminho a não ser o da Encarnação: “As propostas gnósticas são muitas hoje, e um indivíduo pode ser um bom sacerdote, mas não católico, gnóstico, mas não católico. Não, não! Católico, encarnado, próximo, que sabe acariciar e sofrer com a carne de Jesus nos doentes, nas crianças, no povo, nos problemas, nos muitos problemas que nosso povo tem. Essa proximidade os ajudará muito, muito, muito!”

A coisa mais importante é estar com Jesus

Em seguida, Santo Padre exortou os sacerdotes a passar tempo diante do Tabernáculo: “Não deixar Jesus sozinho no Tabernáculo!”, exclamou, porque é Ele que dá a força, e “você deve ser para seu povo como Jesus”. Francisco ressaltou que a coisa mais importante é estar com Jesus: é Ele quem fará o resto: “Porque a Igreja não é uma Ong, e a pastoral não é um plano pastoral. Isso ajuda, é um instrumento; mas a pastoral é o diálogo, o colóquio contínuo – quer sacramental, quer catequético, quer de ensinamento – com o povo. Estar próximo do povo e dar aquilo que Jesus me diz. E a pastoral, quem a leva adiante? O Conselho pastoral da diocese? Não. Também este é um instrumento. O Espírito Santo a leva adiante.”

Portanto, no centro está o Espírito Santo. e o Pontífice exortou a saber distinguir as inspirações que vêm do Espírito Santo daquelas que, ao invés, são do outro espírito, o espírito maligno. E pediu para se refletir, na vida pastoral, sobre a “docilidade ao Espírito” e sobre o “zelo apostólico”.

Os quatro pilares na vida do seminarista

O Papa recordou os quatro pilares na vida do seminarista: a oração, a vida comunitária, a vida de estudo e a vida apostólica. Também o estudo é importante, porque o mundo não tolera o papelão de um sacerdote que não entende as coisas, ressaltou. Para Francisco, todos os quatro pilares são necessários na formação e se falta um deles, a formação não é equilibrada. Por fim, exortou-os, caso tivessem algum problema com o bispo, que o fizessem saber ao próprio por primeiro, e não aos outros nos mexericos: “Vocês jamais fofocam!” – ressaltou.

Irmã Bernadetta e o sacerdote que mantém o telefone no criado-mudo

Francisco havia iniciado seu discurso recordando a figura de uma Irmã, Bernadetta, que era “da região de vocês”, disse aos seminaristas da Puglia.

Na Argentina, contou o Papa, ela vivia próximo “da nossa casa de formação”. Como mestre de noviços e também como Provincial, quando havia algum problema com alguém, mandava a pessoa em questão falar com essa Irmã. “E ela, dois “bofetes espirituais” e a coisa se resolvia”, disse o Pontífice, que elogiou a “sabedoria das mulheres de Deus, mães”, “que sabem dizer as coisas que o Senhor quer que sejam ditas”.

Francisco rendeu homenagem a essa Irmã e a todas aquelas mulheres sábias que “consagram a vida ao Senhor” e que se fazem próximas na formação dos padres nos seminários”. Em seguida, concluiu seu discurso sobre a vida sacerdotal com um ícone, o do pároco que mantém o telefone no criado-mudo e que, se chamado, se levanta a qualquer hora da noite, para acorrer até um doente ou para dar os sacramentos:

“Este é o zelo apostólico, isto é consumir a vida no serviço aos outros. E no final o que nos resta? Que coisa? A alegria do serviço do Senhor!”