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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Santo do dia: Santo Antônio Maria Claret


Antônio Claret i Clará nasceu no dia 23 de dezembro de 1807, em Sallent (Espanha). É o quinto filho de uma família de onze irmãos. No ano do seu nascimento acontecia a invasão francesa da península Ibérica. Não são tempos fáceis, suas primeiras recordações estão marcadas pela guerra. Nem vê uma família acomodada. Seus pais não dispõem de outras rendas que sua capacidade empreendedora e seu trabalho constante na fábrica de tecidos que ocupava o andar térreo da casa da família. No lar aprendeu a orar e a trabalhar.

Sua educação e formação vêem-se afetadas pelo vai-e-vem de uma época agitada. Depois das primeiras letras, aprendidas na escola de Sallent, foi a Barcelona para uma formação específica, orientada a melhorar os negócios da família. Ele aprende, trabalha e estuda, enfrenta a vida, saboreia o êxito, experimenta a decepção e acaricia projetos ambiciosos; mas, movido pela Sagrada Escritura, descobre um horizonte novo e, ao completar 22 anos, ingressa no Seminário. A partir de então viveu para Deus e, num longo e intenso processo de discernimento, foi descobrindo sua vontade. Curiosamente, nunca esqueceu os estudos de técnica têxtil, deixou os teares, mas logo começou a tecer com o fio do Evangelho.

Viver para evangelizar

Ordenado sacerdote em 1835 é destinado à sua cidade natal, onde enfrentou os desafios que Igreja passava na época, viveu junto ao povo atento às necessidades de seus irmãos e logo sentiu que Deus o chamava para algo mais, sentindo coração pulsava por uma evangelização sem fronteiras.

Em 1839, ofereceu-se à Congregação da "Propaganda Fide" para ser Missionário Apostólico: evangelizar como os apóstolos, edificar a Igreja onde fosse necessário. Ingressou no Noviciado da Companhia de Jesus (Jesuítas), mas depois de seis meses abandonou por causa de uma enfermidade. Regressou à sua diocese de origem, porém a vontade de ser Missionário Apostólico logo se verá confirmada com a nomeação oficial da Santa Sé para a propaganda da fé. Tem com isso a certeza de que Deus o queria missionário.

Claret pregou incansavelmente durante oito anos, percorrendo sua terra natal. Porém, seu sonho era de ir a outras terras se realizou em 1848, quando foi enviado às Ilhas Canárias. A atividade destes anos não se restringiu à pregação, mas se enriqueceu com o apostolado escrito, fundou a Livraria Religiosa, criou associações, atendia durante várias horas no confessionário, bem como direções espirituais. Na intensa pregação do Evangelho, Claret chegou a duas conclusões: o povo está faminto da Palavra de Deus, a messe é grande, o campo imenso e os operários são poucos. Este discernimento o fez procurar colaboradores que se sentissem animados pelo mesmo espírito evangelizador. Fundou, em 16 de julho de 1849, a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Missionários Claretianos).

Todos os seus projetos pareceu frustrarem-se quando, pouco depois de ter fundado a Congregação, foi nomeado Arcebispo de Santiago de Cuba. Mesmo assim, aceitou a nomeação por obediência, porém com clara determinação de ser um Arcebispo Missionário. Os seis anos que passou em Cuba foram transformados em uma grande campanha evangelizadora. Tudo o que aprendera aplicou ao seu serviço missionário. Preocupou-se tanto pela formação moral, catequética e cristã como pela educação, a promoção social e a dignificação humana dos fiéis da diocese. Nesse período colaborou com Antônia Paris na fundação da Congregação das Religiosas de Maria Imaculada (Missionárias Claretianas).

Como toda grande personalidade não só teve colaboradores eminentes, mas também reuniu inimizades. Em 1856, em Holguín, sofreu um atentado que quase acabou com sua vida. Chamado pela rainha Isabel II para ser seu confessor, em 1857, deixou Cuba e regressou a Espanha.

Um pássaro em gaiola de ouro

Em Madri passou onze anos como confessor da jovem Rainha e, ao mesmo tempo, evangelizador da corte, da cidade e de toda a Espanha, pois tinha que acompanhar a soberana em suas viagens oficiais. Foram os anos mais duros da sua vida. Sentia que o palácio real era uma jaula de ouro, mas com sabedoria pastoral aproveitou de todas oportunidade para evangelizar. Em colaboração com o Núncio, fez de seu cargo um serviço para a reforma de toda a Igreja, implicando-se na delicada questão da nomeação dos Bispos. Se em Cuba sofreu perseguições, em Madri se acentuou a tormenta: nem todos entendiam seu trabalho pastoral e alguns o consideravam um personagem incômodo e atentavam repetidas vezes contra sua fama, sua honra e sua vida. Ele orava, trabalhava e padecia.

O silêncio lhe foi imposto; se não podia pregar nas Igrejas, pregava nos conventos onde também atendia confissões; se não podia agir, fazia com que outros trabalhassem: organizou associações e promoveu iniciativas nas quais os leigos podiam ser cada vez mais ativos; discretamente, apoiou seus Missionários para que ampliassem seu serviço evangelizador. Viveu pobre, era tudo menos um cortesão.

Exílio e canonização

Em 1868 abandona a Espanha, foi exilado com a rainha; em Paris, apesar de suas enfermidades, ajudou na pastoral da ampla colônia latino-americana da capital francesa. Muito debilitado de saúde, participou do Concílio Vaticano I. Morreu no dia 24 de outubro de 1870 na Abadia cisterciense de Fontfroide, no sul da França.

Antônio Claret foi beatificado no dia 25 de fevereiro de 1934, pelo Papa Pio XI que o considerou "apóstolo incansável dos tempos modernos". No dia 7 de maio de 1950 foi canonizado por Pio XII.

Fonte: Claretianos