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sábado, 29 de outubro de 2016

O caminho para a liberdade - 31º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura: Sb 11,22 – 12,2
Sl 144
2ª Leitura: 2Ts 1,11 – 2,2
Evangelho: Lc 19, 1-10

1 Jesus tinha entrado em Jericó, e estava atravessando a cidade. 2 Havia aí um homem chamado Zaqueu: era chefe dos cobradores de impostos, e muito rico. 3 Zaqueu desejava ver quem era Jesus, mas não o conseguia, por causa da multidão, pois ele era muito baixo. 4 Então correu na frente, e subiu numa figueira para ver, pois Jesus devia passar por aí. 5 Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima, e disse: «Desça depressa, Zaqueu, porque hoje preciso ficar em sua casa.» 6 Ele desceu rapidamente, e recebeu Jesus com alegria. 7 Vendo isso, todos começaram a criticar, dizendo: «Ele foi se hospedar na casa de um pecador!» 8 Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: «A metade dos meus bens, Senhor, eu dou aos pobres; e, se roubei alguém, vou devolver quatro vezes mais.» 9 Jesus lhe disse: «Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. 10 De fato, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.»

* 19,1-10: Zaqueu é o exemplo para qualquer rico que deseja alcançar a salvação. Sua conversão começa com o desejo de conhecer Jesus de perto. Continua, quando se une ao povo para se encontrar com Jesus e acolhê-lo em sua própria casa. A conversão se completa quando Zaqueu se dispõe a partilhar seus bens e devolver com juros o que roubou.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral

O caminho para a liberdade - Pe. João Batista Libânio

Vamos tentar entender os pequenos pormenores que eu frisei durante a leitura. Comecemos por uma comparação: em uma outra ocasião, Jesus encontrara um cego e lhe perguntara o que ele queria. Ele respondeu simplesmente: “Que eu veja!”, sem nenhum outro complemento. Jesus o atendeu. Hoje, Lucas dá um passo à frente, vai mais fundo na realidade, e diz que Zaqueu queria ver Jesus.

Ver, todos nós aqui podemos, pois aqui, nesta igreja, não há nenhum cego. Nós vemos tantas coisas, principalmente nesta sociedade panótica, que nos oferece tantas atrações. Mas, para Lucas, ver é pouco. Zaqueu era rico, certamente, deveria ter tudo, mas ainda não tinha visto Jesus. E nós, depois de termos visto tantas coisas, será que queremos ver Jesus?

Como Zaqueu, somos pequenos diante daquele que queremos ver e, para isso, precisaremos subir. Somos pequenos de coração e precisamos nos abrir para a verdadeira grandeza que é Deus. Nas primeiras páginas do Gênesis está escrito que Deus planta no paraíso a grande árvore da ciência do bem e do mal. Subir na árvore é querer discernir, perceber o que há de bem, o que há de mal, o que há de bom e também o que não é tão bom. Para ver Jesus, nós precisamos nos encher de vida, de coragem, de entusiasmo. Como Zaqueu, nós queremos ver o bem por excelência, que é Jesus, por isso ele sobe na árvore, mas se engana, pois, antes de ver, ele é que foi visto por Jesus. Esta é a grande beleza de Deus: Ele nos vê antes que o vejamos. Todas as vezes que voltarmos o nosso olhar para Jesus, tenhamos a certeza de que será Ele que nos olhará antes. Precisamos estar atentos, pois, se estivermos distraídos, esse olhar nos escapará. Jesus vê Zaqueu e o chama pelo nome. Como é lindo quando alguém sabe o nosso nome, que é o símbolo da nossa existência, da nossa história, de tudo o que carregamos nesta vida! Zaqueu se assusta ao encontrar o olhar de Jesus. Será que algum dia já encontramos o olhar de Jesus chamando-nos pelo nome?

Jesus não permite que Zaqueu continue simplesmente contemplando-o, manda que ele desça depressa da árvore para que abra-lhe a casa do seu coração, pois lá Ele faria morada. É isto que Jesus está dizendo a cada um de nós: que abramos a porta de nosso coração para que Ele possa entrar e habitar. É no nosso coração que Ele quer morar, basta que o abramos. Será que vocês vêm a esta igreja realmente para verem Jesus? Ou será que entram e saem sempre do mesmo jeito? Hoje Ele está dizendo para todos nós que voltemos às nossas casas levando-o em nossos corações, pois é aí que Ele quer morar.

Zaqueu não era nenhum modelo de virtude e, quando esbarra com o olhar de Jesus, se desmancha em conversão. Para Deus, não importam os nossos pecados, mas a abertura de nosso coração. Depois de encontrar o olhar de Jesus, não poderemos continuar vivendo como vivemos até agora. Zaqueu resolve se desfazer de tudo que o prendia. Precisava ser livre, mas não apenas no sentido material. Naquele momento, Zaqueu fez a grande experiência de liberdade – uma das mais lindas que o ser humano pode fazer, quando olha para tudo que o cerca e tem a consciência de que nada daquilo o prende. Só Deus lhe basta! É uma experiência difícil, reconheço, principalmente para os jovens, mas exercitemo-nos, pelo menos um instante. Olhando para tudo o que nos cerca, sintamo-nos livres, pois o que realmente importa é a presença de Deus em nossa vida.

Diante dessa verdade maior, todas as outras experiências são relativas. Amém.


Confira a reflexão de Frei Gustavo Medella para este 31° domingo do Tempo Comum: