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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Santo do dia: Santo Afonso Rodriguez


Afonso Rodriguez exerceu a princípio a profissão de mercador de tecidos na cidade de Segóvia, onde nasceu no dia 25 de julho de 1531. Deus, porém, que o chamava a uma vida mais perfeita, permitiu-lhe padecer uma série de provações, destinadas a desapegá-lo completamente do mundo.

Sofreu alguns prejuízos consideráveis no negócio, depois que a morte lhe levou a esposa e uma filha, às quais amava ternamente. Contudo, restava-lhe um filho, poderoso consolo para tão aflito coração; mas este morreu pouco tempo depois de sua mãe e de sua irmã.

Afonso, adorando a mão de Deus que o feria, desde então se dedicou totalmente às obras de mortificação cristã, e entregou-se à prática de grandes austeridades. Assim passou três anos, consultando Deus e suplicando-lhe que lhe desse a conhecer a sua vontade. Foi então que se decidiu pela Companhia de Jesus, na qual entrou no ano de 1509, e pronunciou os votos finais em 5 de abril de 1585.

Seus superiores confiaram-lhe o cargo de porteiro do colégio de Maiorca, humilde função que o santo religioso desempenhou até o fim de sua vida, durante numerosos anos. Foi neste posto, aparentemente tão insignificante, que se elevou à mais alta santidade, conservando a ideia de Deus continuamente presente no seu espírito, vivendo em permanente mortificação, obedecendo com humildade perfeita aos seus superiores, e dando provas de uma ilimitada caridade, de uma complacência e uma mansuetude inalteráveis, fosse em relação a seus irmãos, fosse em relação aos alunos e aos estrangeiros que frequentavam o colégio.

Várias vezes, viram-no arrebatado em êxtase enquanto orava, mas os dons de Deus não lhe enchiam de vaidade o coração. Afonso Rodriguez considerava-se o maior dos pecadores e os favores que recebia do Senhor só serviam para incutir nele sentimentos da mais profunda humildade.

Esse santo religioso morreu no dia 31 de outubro de 1617, aos 86 anos, e foi considerado objeto de uma veneração toda especial, tanto por parte do povo do lugar, como por parte de seus irmãos. No ano de 1627, o Papa Urbano VIII começou a informar-se sobre as suas virtudes.

Foi beatificado por Leão XII, em 20 de setembro de 1828, e canonizado por Pio IX.

Angelus: O olhar de Jesus vai além de pecados e preconceitos


Cidade do Vaticano – “O olhar de Jesus vai além dos pecados e dos preconceitos”: foi o que disse o Papa na manhã deste domingo, ao rezar com os fiéis na Praça S. Pedro a oração mariana do Angelus.

Em sua alocução, Francisco comentou o Evangelho do dia, que narra o encontro de Jesus com Zaqueu em Jericó. Zaqueu era um rico cobrador de impostos, colaborador dos ocupantes romanos e, portanto, um explorador de seu povo. Ao chegar a Jericó, também Zaqueu queria ver Jesus, mas a sua condição de pecador público não lhe permitia se aproximar do mestre; além do mais, era pequeno de estatura; por isso sobe numa figueira para esperar Jesus passar.

Necessidade de conversão

Quando chega perto da árvore, Jesus ordena que Zaqueu desça, porque deve ficar em sua casa. No desenho de salvação da misericórdia do Pai, explicou o Papa, há também a salvação de Zaqueu, um homem desonesto e desprezado por todos, e por isso necessitado de conversão. De fato, o Evangelho diz que, quando Jesus o chamou, todos começaram a murmurar, dizendo: ‘Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!’.

“Se Jesus tivesse dito: ‘Desça você, explorador, traidor do povo, e venha falar comigo para fazer as contas’, certamente o povo teria aplaudido”, comentou Francisco. Mas Jesus, guiado pela misericórdia, buscava justamente Zaqueu.

Jesus não se detém nas aparências, mas olha para o coração

“O olhar de Jesus vai além dos pecados e dos preconceitos”, repetiu duas vezes o Papa. Jesus vê a pessoa com os olhos de Deus, que não se detém no mal passado, mas entrevê o bem futuro; não se resigna aos fechamentos, mas sempre abre novos espaços de vida; não se detém nas aparências, mas olha para o coração.” Jesus olhou o coração ferido de Zaqueu e foi ali.

Às vezes, prosseguiu, nós buscamos corrigir ou converter um pecador repreendendo-o, reforçando seus erros e o seu comportamento injusto. A atitude de Jesus com Zaqueu nos indica outro caminho: de mostrar a quem erra o seu valor, aquele valor que Deus continua vendo não obstante tudo. “Assim se comporta Deus conosco: não fica preso no nosso pecado, mas o supera com o amor e nos faz sentir a saudade do bem. Todos sentimos esta saudade do bem depois de um erro. Não existe uma pessoa que não tenha algo de bom”, disse o Pontífice, que concluiu:

“Que a Virgem Maria nos ajude a ver o bem que existe nas pessoas que encontramos todos os dias. O nosso Deus é o Deus das surpresas!”

O Papa pediu também orações por sua viagem à Suécia: “Nos próximos dois dias, realizarei uma viagem apostólica à Suécia, por ocasião da comemoração da Reforma, em que católicos e luteranos se reunirão na lembrança e na oração. Peço a todos vocês que rezem para que esta viagem seja um nova etapa no caminho de fraternidade rumo à plena comunhão.”

O mesmo pedido foi feito no Twitter, com a seguinte mensagem: “Peço que rezem por minha viagem à Suécia, para que possa contribuir para a unidade de todos os cristãos”.

No início da noite de sábado (29/10), como faz habitualmente antes de uma viagem, o Papa Francisco foi à Basílica de Santa Maria Maior para confiar a Nossa Senhora a sua visita à Suécia.

sábado, 29 de outubro de 2016

O caminho para a liberdade - 31º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura: Sb 11,22 – 12,2
Sl 144
2ª Leitura: 2Ts 1,11 – 2,2
Evangelho: Lc 19, 1-10

1 Jesus tinha entrado em Jericó, e estava atravessando a cidade. 2 Havia aí um homem chamado Zaqueu: era chefe dos cobradores de impostos, e muito rico. 3 Zaqueu desejava ver quem era Jesus, mas não o conseguia, por causa da multidão, pois ele era muito baixo. 4 Então correu na frente, e subiu numa figueira para ver, pois Jesus devia passar por aí. 5 Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima, e disse: «Desça depressa, Zaqueu, porque hoje preciso ficar em sua casa.» 6 Ele desceu rapidamente, e recebeu Jesus com alegria. 7 Vendo isso, todos começaram a criticar, dizendo: «Ele foi se hospedar na casa de um pecador!» 8 Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: «A metade dos meus bens, Senhor, eu dou aos pobres; e, se roubei alguém, vou devolver quatro vezes mais.» 9 Jesus lhe disse: «Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. 10 De fato, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.»

* 19,1-10: Zaqueu é o exemplo para qualquer rico que deseja alcançar a salvação. Sua conversão começa com o desejo de conhecer Jesus de perto. Continua, quando se une ao povo para se encontrar com Jesus e acolhê-lo em sua própria casa. A conversão se completa quando Zaqueu se dispõe a partilhar seus bens e devolver com juros o que roubou.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral

O caminho para a liberdade - Pe. João Batista Libânio

Vamos tentar entender os pequenos pormenores que eu frisei durante a leitura. Comecemos por uma comparação: em uma outra ocasião, Jesus encontrara um cego e lhe perguntara o que ele queria. Ele respondeu simplesmente: “Que eu veja!”, sem nenhum outro complemento. Jesus o atendeu. Hoje, Lucas dá um passo à frente, vai mais fundo na realidade, e diz que Zaqueu queria ver Jesus.

Ver, todos nós aqui podemos, pois aqui, nesta igreja, não há nenhum cego. Nós vemos tantas coisas, principalmente nesta sociedade panótica, que nos oferece tantas atrações. Mas, para Lucas, ver é pouco. Zaqueu era rico, certamente, deveria ter tudo, mas ainda não tinha visto Jesus. E nós, depois de termos visto tantas coisas, será que queremos ver Jesus?

Como Zaqueu, somos pequenos diante daquele que queremos ver e, para isso, precisaremos subir. Somos pequenos de coração e precisamos nos abrir para a verdadeira grandeza que é Deus. Nas primeiras páginas do Gênesis está escrito que Deus planta no paraíso a grande árvore da ciência do bem e do mal. Subir na árvore é querer discernir, perceber o que há de bem, o que há de mal, o que há de bom e também o que não é tão bom. Para ver Jesus, nós precisamos nos encher de vida, de coragem, de entusiasmo. Como Zaqueu, nós queremos ver o bem por excelência, que é Jesus, por isso ele sobe na árvore, mas se engana, pois, antes de ver, ele é que foi visto por Jesus. Esta é a grande beleza de Deus: Ele nos vê antes que o vejamos. Todas as vezes que voltarmos o nosso olhar para Jesus, tenhamos a certeza de que será Ele que nos olhará antes. Precisamos estar atentos, pois, se estivermos distraídos, esse olhar nos escapará. Jesus vê Zaqueu e o chama pelo nome. Como é lindo quando alguém sabe o nosso nome, que é o símbolo da nossa existência, da nossa história, de tudo o que carregamos nesta vida! Zaqueu se assusta ao encontrar o olhar de Jesus. Será que algum dia já encontramos o olhar de Jesus chamando-nos pelo nome?

Jesus não permite que Zaqueu continue simplesmente contemplando-o, manda que ele desça depressa da árvore para que abra-lhe a casa do seu coração, pois lá Ele faria morada. É isto que Jesus está dizendo a cada um de nós: que abramos a porta de nosso coração para que Ele possa entrar e habitar. É no nosso coração que Ele quer morar, basta que o abramos. Será que vocês vêm a esta igreja realmente para verem Jesus? Ou será que entram e saem sempre do mesmo jeito? Hoje Ele está dizendo para todos nós que voltemos às nossas casas levando-o em nossos corações, pois é aí que Ele quer morar.

Zaqueu não era nenhum modelo de virtude e, quando esbarra com o olhar de Jesus, se desmancha em conversão. Para Deus, não importam os nossos pecados, mas a abertura de nosso coração. Depois de encontrar o olhar de Jesus, não poderemos continuar vivendo como vivemos até agora. Zaqueu resolve se desfazer de tudo que o prendia. Precisava ser livre, mas não apenas no sentido material. Naquele momento, Zaqueu fez a grande experiência de liberdade – uma das mais lindas que o ser humano pode fazer, quando olha para tudo que o cerca e tem a consciência de que nada daquilo o prende. Só Deus lhe basta! É uma experiência difícil, reconheço, principalmente para os jovens, mas exercitemo-nos, pelo menos um instante. Olhando para tudo o que nos cerca, sintamo-nos livres, pois o que realmente importa é a presença de Deus em nossa vida.

Diante dessa verdade maior, todas as outras experiências são relativas. Amém.


Confira a reflexão de Frei Gustavo Medella para este 31° domingo do Tempo Comum:

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Jesus em oração é a pedra angular da Igreja, afirma Papa


Cidade do Vaticano - O fundamento da nossa vida cristã é que Jesus reza por nós. Foi o que afirmou o Papa Francisco na missa celebrada na manhã desta sexta-feira, 28, na capela da Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que cada escolha de Jesus, cada gesto e até mesmo o fim de sua vida terrena na Cruz foi marcada pela oração.

Como faz habitualmente, Francisco fez sua homilia partindo das leituras do dia e comentou o Evangelho, em que Jesus escolhe seus discípulos depois de uma longa e intensa oração.

A pedra angular

“A pedra angular é o próprio Jesus”, disse o Papa. “Sem Ele, não há Igreja.” Francisco, porém, destaca um detalhe do Evangelho de São Lucas que faz refletir:

“Jesus foi para a montanha rezar e passou toda a noite em oração a Deus’. E depois aconteceu tudo: as pessoas, a escolha dos discípulos, as curas, a expulsão dos demônios… A pedra angular é Jesus, sim: mas Jesus que reza. Jesus reza. Rezou e continua rezando pela Igreja. A pedra angular da Igreja é o Senhor diante do Pai, que intercede por nós. Nós rezamos para Ele, mas o fundamento é Ele que reza por nós”.

A nossa segurança é Jesus em oração

“Jesus sempre rezou pelos seus discípulos, inclusive na última Ceia, disse o Papa. Antes de realizar qualquer milagre, Jesus reza. Francisco cita como exemplo a ressurreição de Lázaro: Jesus reza ao Pai”:

“No Jardim das Oliveiras, Jesus reza; na Cruz, termina rezando: a sua vida terminou em oração. E esta é a nossa segurança, este é o nosso fundamento, esta é a nossa pedra angular: Jesus que reza por nós! Jesus que reza por mim! E cada um de nós pode dizer isto: estou certo, estou certa de que Jesus reza por mim; ele está diante do Pai e me cita. Esta é a pedra angular da Igreja: Jesus em oração”.

Refletir sobre o mistério da Igreja

O Papa propõe o episódio, antes da Paixão, quando Jesus se dirige a Pedro com a advertência”: “Pedro… Satanás vos pediu para vos cirandar como o trigo. Mas eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça”:

“E aquilo que diz a Pedro o diz a você, e a você, e a você, e a mim, e a todos: ‘Eu rezei por você, eu rezo por você, eu agora estou rezando por você’, e quando vem no altar, Ele vem para interceder, para rezar por nós. Como faz na Cruz. E isso nos dá uma grande segurança. Eu pertenço a esta comunidade, forte porque tem como pedra angular Jesus, mas Jesus que reza por mim, que reza por nós. Hoje nos fará bem na Igreja; refletir sobre este mistério da Igreja. Somos todos como uma construção, mas o fundamento é Jesus, é Jesus que reza por nós. É Jesus que reza por mim”.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Santo do dia: Santo Antônio de Sant'Ana Galvão


Frei Antônio de Sant’Ana Galvão nasceu em 1739, em Guaratinguetá, Estado de São Paulo, Brasil; cidade que na época pertencia à Diocese do Rio de Janeiro.

Com a criação da Diocese de São Paulo, em 1745, Frei Galvão viveu praticamente nesta diocese: 1762-1822. O seu ambiente familiar era profundamente religioso. O pai, Antônio Galvão de França, Capitão-Mor, pertencia às Ordens Terceiras de São Francisco e do Carmo, dedicava-se ao comércio e era conhecido pela sua particular generosidade. A mãe, Izabel Leite de Barros, teve o privilégio de ter onze filhos e morreu com apenas 38 anos com fama de grande caridade, a tal ponto que depois da morte não se encontrou nenhum vestido: tudo fora dado aos pobres.

Antônio viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, pois seus pais gozavam de prestígio social e influência política. O pai, querendo dar uma formação humana e cultural segundo suas possibilidades econômicas, mandou o Servo de Deus com 13 anos para Belém (Bahia) a fim de estudar no Seminário dos Padres Jesuítas, onde já se encontrava seu irmão José.

Ficou neste Colégio de 1752 a 1756 com notáveis progressos no estudo e na prática da vida cristã. Teria entrado na Companhia de Jesus, mas o pai, preocupado com o clima antijesuítico provocado pela atuação do Marquês de Pombal, aconselhou Antônio a entrar na Ordem dos Frades Menores Descalços da reforma de São Pedro de Alcântara.

Estes tinham um Convento em Taubaté, não muito longe de Guaratinguetá. Aos 21 anos, no dia 15 de abril de 1760, Antônio ingressou no noviciado do Convento de São Boaventura, na Vila de Macacu, no Rio de Janeiro.
Durante este período distinguiu-se pela piedade e pelas práticas das virtudes, tanto que no “Livro dos Religiosos Brasileiros” encontramos grande elogio a seu respeito.

Aos 16 de abril de 1761 fez a profissão solene e o juramento, segundo o uso dos Franciscanos, de se empenhar na defesa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, doutrina ainda controvertida, mas aceita e defendida pela Ordem Franciscana.

Um ano depois da profissão religiosa, Frei Antônio foi admitido à ordenação sacerdotal aos 11 de julho de 1762. Os Superiores permitiram a sagrada ordenação porque julgaram suficientes os estudos teológicos feitos anteriormente.

Este privilégio foi também um sinal evidente da confiança que os Superiores nutriam pelo jovem clérigo. Depois de ordenado foi mandado para o Convento de São Francisco em São Paulo, com a finalidade de aperfeiçoar os estudos de filosofia e teologia, como também exercitar-se no apostolado.

Sua maturidade espiritual franciscano-mariana teve expressão máxima na “entrega a Maria” como o seu “filho e escravo perpétuo”, entrega assinada com o próprio sangue aos 9 de novembro de 1766.

Terminados os estudos, em 1768, foi nomeado Pregador, Confessor dos leigos e Porteiro do convento cargo este considerado importante, porque pela comunicação com as pessoas permitia fazer um grande apostolado, ouvindo e aconselhando a todos.

Foi confessor estimado e procurado, e quando era chamado ia sempre a pé, mesmo aos lugares distantes. Em 1769-70 foi designado Confessor de um Recolhimento de piedosas mulheres, as “Recolhidas de Santa Teresa” em São Paulo.

Neste Recolhimento encontrou a Irmã Helena Maria do Espírito Santo, religiosa de profunda oração e grande penitência, observante da vida comum, que afirmava ter visões pelas quais Jesus lhe pedia para fundar um novo Recolhimento.

Frei Galvão, como confessor, ouviu e estudou tais mensagens e solicitou o parecer de pessoas sábias e esclarecidas, que reconheceram tais visões como válidas. A data oficial da fundação do novo Recolhimento é 2 de fevereiro de 1774.

Irmã Helena queria modelar o Recolhimento segundo a ordem carmelitana, mas o Bispo de São Paulo, franciscano e intrépido defensor da Imaculada, quis que fosse segundo as Concepcionistas, aprovadas pelo Papa Júlio II em 1511.

A fundação passou a se chamar “Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência” e Frei Galvão, o fundador de uma instituição que continua até os nossos dias.

O Recolhimento, no início, era uma Casa que acolhia jovens para viver como religiosas sem o compromisso dos votos. Foi um expediente do momento histórico para subtrair do veto do Marquês de Pombal que não permitia novas fundações e consagrações religiosas. Para toda decisão de certa importância, em âmbito religioso, era necessário o “placet regio”.

Aos 23 de fevereiro de 1775 morreu, quase improvisamente, Irmã Helena. Frei Galvão encontrou-se como único sustentáculo das Recolhidas, missão que exerceu com humildade e grande prudência. Entrementes, o novo Capitão-General de São Paulo, homem inflexível e duro (ao contrário do seu predecessor), retirou a permissão e ordenou o fechamento do Recolhimento.

Frei Galvão aceitou com fé e também as Recolhidas obedeceram; mas não deixaram a casa, resistindo até os extremos das forças físicas. Depois de um mês, graças à pressão do povo e do Bispo, o Recolhimento foi reaberto.

Devido ao grande número de vocações, o Servo de Deus se viu obrigado a aumentar o Recolhimento. Para tanto contribuíram as famílias das Recolhidas, muitas das quais, sendo ricas, podiam dispor dos escravos da família como mão-de-obra.

Durante catorze anos (1774-1788) Frei Galvão cuidou da construção do Recolhimento. Outros catorze anos (1788-1802) dedicou à construção da igreja, inaugurada aos 15 de agosto de 1802. A obra, “materialização do gênio e da santidade de Frei Galvão”, em 1988, tornou-se “patrimônio cultural da humanidade” por decisão da Unesco.

Frei Galvão, além da construção e dos encargos especiais dentro e fora da Ordem Franciscana, deu muita atenção e o melhor das suas forças à formação das Recolhidas. Para elas, escreveu um regulamento ou Estatuto, excelente guia de vida interior e de disciplina religiosa.

O Estatuto é o principal escrito, o que melhor manifesta a personalidade do Servo de Deus. O Bispo de São Paulo acrescentou ao Estatuto a permissão para as Recolhidas emitirem os votos enquanto permanecessem na Casa religiosa.

Em 1929, o Recolhimento tornou-se Mosteiro, incorporado à Ordem da Imaculada Conceição (Concepcionistas). A vida discorria serena e rica de espiritualidade quando sobreveio um episódio doloroso: Frei Galvão foi mandado para o exílio pelo Capitão-General de São Paulo.
Este homem violento, para defender o filho que sofrera uma pequena ofensa, condenou à morte um soldado (Gaetaninho). Como Frei Galvão assumiu a defesa do soldado, foi afastado e obrigado a seguir para o Rio de Janeiro.

A população, porém, se levantou contra a injustiça de tal ordem, que imediatamente foi revogada. Em 1781, o Servo de Deus foi nomeado Mestre do noviciado de Macacu, Rio de Janeiro, pelos qualidades pessoais, profunda vida espiritual e grande zelo apostólico.

O Bispo, porém, que o queria em São Paulo, não lhe fez chegar a carta do Superior Provincial “para não privar seu bispado de tão virtuoso religioso […] que, desde que entrou na religião até o presente dia, tem tido um procedimento exemplaríssimo pela qual razão o aclamam santo”.

Frei Galvão foi nomeado Guardião do Convento de São Francisco, em São Paulo, em 1798, e reeleito em 1801. A nomeação de Guardião provocou desorientação nas Recolhidas da Luz. Á preocupação das religiosas é necessário acrescentar aquela do “Senado da Câmara de São Paulo” e do Bispo da cidade, que escreveram ao Provincial: “todos os moradores desta Cidade não poderão suportar um só momento a ausência do dito religioso. […] este homem tão necessário às religiosas da Luz, é preciosíssimo a toda esta Cidade e Vilas da Capitania de São Paulo; é homem religiosíssimo e de prudente conselho; todos acodem a pedir-lho; é o homem da paz e da caridade”.

Graças a estas cartas, Frei Galvão tornou-se Guardião sem deixar a direção espiritual das Recolhidas e povo de São Paulo. Em 1802, Frei Galvão recebeu o privilégio de Definidor pela solicitação do Provincial ao Núncio Apostólico de Portugal, porque “é um religioso que por seus costumes e por sua exemplaríssima vida serve de honra e de consolação a todos os seus Irmãos, e todo o Povo daquela Capitania de São Paulo, Senado da Câmara e o mesmo Bispo Diocesano o respeitam corpo um varão santo”.

Em 1808, pela estima que gozava dentro de sua Ordem, foi-lhe confiado o cargo de Visitador-Geral e Presidente do Capítulo, mas devido ao seu estado de saúde foi obrigado a renunciar, embora desejasse obedecer prontamente.

Em 1811, a pedido do Bispo de São Paulo, fundou o Recolhimento de Santa Clara em Sorocaba, no Estado de São Paulo. Ai permaneceu onze meses para organizar a comunidade e dirigir os trabalhos iniciais da construção da Casa. Voltou para São Paulo e ali viveu mais 10 anos.

Quando as suas forças eram insuficientes para o ir-e-vir diário do Convento de São Francisco ao Recolhimento, obteve dos Superiores (Bispo e Guardião) a autorização para ficar no Recolhimento da Luz.

Durante a última doença, Frei Antônio passou a morar num “quartinho” (espécie de corredor) atrás do Tabernáculo, no fundo da igreja, graças à insistência das religiosas, que desejavam prestar-lhe algum alivio e conforto.

Terminou sua vida terrena aos 23 de dezembro de 1822, pelas 10 horas da manhã, confortado pelos sacramentos e assistido pelo Padre Guardião, dois confrades e dois sacerdotes diocesanos.

Frei Galvão, a pedido das religiosas e do povo, foi sepultado na Igreja do Recolhimento, que ele mesmo construíra. O seu túmulo sempre foi, e continua sendo até os nossos dias, lugar de peregrinação constante dos fiéis, que pedem e agradecem graças por intercessão do “homem da paz e da caridade” e fundador do Recolhimento de Nossa Senhora da Luz, cujo carisma é a “laus perennis”, ou seja, adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento, vivida em grande pobreza e continua penitência com alegre simplicidade.

Escreveu Lúcio Cristiano em 1954: “Entre os heróis que plasmaram o destino de São Paulo, merece lugar de destaque a inconfundível figura de Frei Antônio de Sant’Ana Galvão, o apóstolo de São Paulo entre os séculos XVIll e XIX”, cuja lembrança continua viva no coração do povo paulista.

O Processo de Beatificação e Canonização iniciado em 1938 foi reaberto solenemente em 1986 e concluído em 1991. Aos 8 de abril de 1997 foi promulgado pelo Papa João Paulo II o Decreto das Virtudes Heróicas e aos 6 de abril de 1998, o Decreto sobre o Milagre. Frei Galvão foi declarado bem-aventurado no dia 25 de outubro de 1998.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Santo do dia: Santo Antônio Maria Claret


Antônio Claret i Clará nasceu no dia 23 de dezembro de 1807, em Sallent (Espanha). É o quinto filho de uma família de onze irmãos. No ano do seu nascimento acontecia a invasão francesa da península Ibérica. Não são tempos fáceis, suas primeiras recordações estão marcadas pela guerra. Nem vê uma família acomodada. Seus pais não dispõem de outras rendas que sua capacidade empreendedora e seu trabalho constante na fábrica de tecidos que ocupava o andar térreo da casa da família. No lar aprendeu a orar e a trabalhar.

Sua educação e formação vêem-se afetadas pelo vai-e-vem de uma época agitada. Depois das primeiras letras, aprendidas na escola de Sallent, foi a Barcelona para uma formação específica, orientada a melhorar os negócios da família. Ele aprende, trabalha e estuda, enfrenta a vida, saboreia o êxito, experimenta a decepção e acaricia projetos ambiciosos; mas, movido pela Sagrada Escritura, descobre um horizonte novo e, ao completar 22 anos, ingressa no Seminário. A partir de então viveu para Deus e, num longo e intenso processo de discernimento, foi descobrindo sua vontade. Curiosamente, nunca esqueceu os estudos de técnica têxtil, deixou os teares, mas logo começou a tecer com o fio do Evangelho.

Viver para evangelizar

Ordenado sacerdote em 1835 é destinado à sua cidade natal, onde enfrentou os desafios que Igreja passava na época, viveu junto ao povo atento às necessidades de seus irmãos e logo sentiu que Deus o chamava para algo mais, sentindo coração pulsava por uma evangelização sem fronteiras.

Em 1839, ofereceu-se à Congregação da "Propaganda Fide" para ser Missionário Apostólico: evangelizar como os apóstolos, edificar a Igreja onde fosse necessário. Ingressou no Noviciado da Companhia de Jesus (Jesuítas), mas depois de seis meses abandonou por causa de uma enfermidade. Regressou à sua diocese de origem, porém a vontade de ser Missionário Apostólico logo se verá confirmada com a nomeação oficial da Santa Sé para a propaganda da fé. Tem com isso a certeza de que Deus o queria missionário.

Claret pregou incansavelmente durante oito anos, percorrendo sua terra natal. Porém, seu sonho era de ir a outras terras se realizou em 1848, quando foi enviado às Ilhas Canárias. A atividade destes anos não se restringiu à pregação, mas se enriqueceu com o apostolado escrito, fundou a Livraria Religiosa, criou associações, atendia durante várias horas no confessionário, bem como direções espirituais. Na intensa pregação do Evangelho, Claret chegou a duas conclusões: o povo está faminto da Palavra de Deus, a messe é grande, o campo imenso e os operários são poucos. Este discernimento o fez procurar colaboradores que se sentissem animados pelo mesmo espírito evangelizador. Fundou, em 16 de julho de 1849, a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Missionários Claretianos).

Todos os seus projetos pareceu frustrarem-se quando, pouco depois de ter fundado a Congregação, foi nomeado Arcebispo de Santiago de Cuba. Mesmo assim, aceitou a nomeação por obediência, porém com clara determinação de ser um Arcebispo Missionário. Os seis anos que passou em Cuba foram transformados em uma grande campanha evangelizadora. Tudo o que aprendera aplicou ao seu serviço missionário. Preocupou-se tanto pela formação moral, catequética e cristã como pela educação, a promoção social e a dignificação humana dos fiéis da diocese. Nesse período colaborou com Antônia Paris na fundação da Congregação das Religiosas de Maria Imaculada (Missionárias Claretianas).

Como toda grande personalidade não só teve colaboradores eminentes, mas também reuniu inimizades. Em 1856, em Holguín, sofreu um atentado que quase acabou com sua vida. Chamado pela rainha Isabel II para ser seu confessor, em 1857, deixou Cuba e regressou a Espanha.

Um pássaro em gaiola de ouro

Em Madri passou onze anos como confessor da jovem Rainha e, ao mesmo tempo, evangelizador da corte, da cidade e de toda a Espanha, pois tinha que acompanhar a soberana em suas viagens oficiais. Foram os anos mais duros da sua vida. Sentia que o palácio real era uma jaula de ouro, mas com sabedoria pastoral aproveitou de todas oportunidade para evangelizar. Em colaboração com o Núncio, fez de seu cargo um serviço para a reforma de toda a Igreja, implicando-se na delicada questão da nomeação dos Bispos. Se em Cuba sofreu perseguições, em Madri se acentuou a tormenta: nem todos entendiam seu trabalho pastoral e alguns o consideravam um personagem incômodo e atentavam repetidas vezes contra sua fama, sua honra e sua vida. Ele orava, trabalhava e padecia.

O silêncio lhe foi imposto; se não podia pregar nas Igrejas, pregava nos conventos onde também atendia confissões; se não podia agir, fazia com que outros trabalhassem: organizou associações e promoveu iniciativas nas quais os leigos podiam ser cada vez mais ativos; discretamente, apoiou seus Missionários para que ampliassem seu serviço evangelizador. Viveu pobre, era tudo menos um cortesão.

Exílio e canonização

Em 1868 abandona a Espanha, foi exilado com a rainha; em Paris, apesar de suas enfermidades, ajudou na pastoral da ampla colônia latino-americana da capital francesa. Muito debilitado de saúde, participou do Concílio Vaticano I. Morreu no dia 24 de outubro de 1870 na Abadia cisterciense de Fontfroide, no sul da França.

Antônio Claret foi beatificado no dia 25 de fevereiro de 1934, pelo Papa Pio XI que o considerou "apóstolo incansável dos tempos modernos". No dia 7 de maio de 1950 foi canonizado por Pio XII.

Fonte: Claretianos

Benfeitores se reúnem em Rodeio (SC) para encontro regional

 

Frei Alexandre Rohling

Foi realizado neste domingo, dia 23 de outubro, na Paróquia São Francisco de Assis em Rodeio (SC), o Encontro Regional de Benfeitores. O sol raiava e os benfeitores, vindos de diversas cidades de Santa Catarina, chegavam para a manhã de encontro. O tema deste ano foi “30 anos pelas vocações e o ano da misericórdia”.

Conduzi a manhã de espiritualidade, onde os benfeitores ouviam atentamente e, na medida que era partilhado o tema de reflexão, eles pediam a palavra para relatar aos presentes as suas experiências e recordar o tempo em que se dedicam a ajudar na manutenção das casas de formação e na missão em Angola.

O relógio já marcava 11 horas e nós todos subimos para o Noviciado Franciscano afim de celebrarmos juntos a Santa Missa. O presidente da celebração foi Frei Diego Atalino de Melo. 

Ele partilhou com os benfeitores a explicação do belo mural que compõe a igreja do Noviciado. Era visível nos benfeitores a alegria por estarem juntos neste domingo de encontro de benfeitores.

Deixo nosso agradecimento a Frei Pedro da Silva, pároco da igreja Matriz e aos membros do Conselho Paroquial o nosso sincero desejo de saúde, felicidades e paz!

Muito obrigado pelo carinho com que fomos recebidos e fica o gostinho de um breve retorno para um próximo encontro regional de benfeitores.










Novena de Frei Galvão - 9º dia


Paz e Caridade! Duas características marcantes, que se completam e dizem muito sobre uma pessoa.

Paz é mais que a ausência da guerra ou de conflitos. Você já se sentiu em paz em algum momento? Sem nenhuma aflição, sem nenhuma preocupação. Como é difícil sentir paz nos dias de hoje. Nosso pensamento sempre nos afasta da paz. A violência no mundo, nas relações, a disputa por poder e dinheiro, o desemprego, os problemas financeiros, tudo isso nos tira a paz.

Muitas vezes relacionamos a caridade à ajuda financeira a alguém que necessita. Ser caridoso vai além de ajudar o próximo financeiramente. A caridade se dá nas relações, mesmo as mais próximas. O dicionário nos diz: caridade é a virtude teologal que conduz ao amor a Deus e ao nosso semelhante.

Que a Paz e a Caridade, presentes na vida e na missão de Frei Galvão, estejam presentes em nossas vidas e em nossas relações.

SAUDAÇÃO/ INTRODUÇÃO

A você que reza conosco, Paz e Bem! São João Paulo II, quando beatificou o Santo Frei Galvão, o chamou de “o Homem da Paz e da Caridade”. Frei Galvão viveu momentos muito duros em sua vida. E, mesmo assim, conseguiu conservar a paz. Sua vida foi admirável, sobretudo, na prática da caridade para com os pobres, pagando dívidas deles, quando podia, e tratando os escravos com bondade e consideração. Neste último dia de nossa novena, queremos aprender com Frei Galvão a sermos sempre construtores da Paz e a colocar a caridade acima de todas as virtudes.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém

PALAVRA DE DEUS (2Cor 13, 11-13)

“Irmãos, sede alegre, trabalhai em aperfeiçoar-vos, deixai-vos exortar, tende um mesmo sentir, vivei em paz e o Deus da caridade e da paz estará convosco. Saudai-vos reciprocamente no ósculo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo e a caridade de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós”.

COMPROMISSO DO DIA

Quero me esforçar para ser muito caridoso hoje, fazendo o bem para um pobre, visitando uma pessoa que vive na solidão, procurando não falar nada de negativo sobre pessoas amigas e cumprimentando a todos que eu encontrar com a saudação franciscana: Paz e Bem!

ORAÇÃO FINAL/ BÊNÇÃO

Senhor Deus, que sois a plenitude do amor, concedei a todos os devotos do Bem-aventurado Santo Frei Antônio Sant’Ana Galvão a graça de viverem a caridade acima de todas as coisas, para que, deixando de lado toda discórdia seja um só coração e uma só alam, e possam construir juntos uma sociedade cheia de paz e verdadeira fraternidade. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Que o pelo auxílio de Frei Galvão, o Senhor aumente em nossas vidas e em nossos corações a caridade e a paz: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.


domingo, 23 de outubro de 2016

Novena de Frei Galvão - 8º dia


Você já conheceu uma pessoa santa? Uma pessoa verdadeiramente boa? Muitas vezes estas pessoas que passam por nossas vidas não são sequer católicas ou cristãs. São pessoas com valores, que não se deixam afetar pelo mundo e pela lógica de se beneficiar às custas dos outros, muitas vezes prejudicando o próximo.

São pessoas que emanam uma luz especial. Pessoas como Dom Luciano Mendes de Almeida, arcebispo de Mariana, em Minas Gerais, que trabalhou muitos anos em São Paulo e morreu em 2006. Ele será beatificado em breve pelo Vaticano, mas quem conheceu Dom Luciano sabia que ali estava um santo, uma pessoa diferente. E por que ele era diferente? Porque viveu radicalmente o Evangelho.

Assim era Frei Galvão para sua época. Certamente todos aqueles que puderam conviver com ele tinham esta impressão, que diante deles estava alguém diferente.

Que neste penúltimo dia da novena em honra a Frei Galvão rezemos por estas pessoas, que transformam a vida e os locais por onde passam com sua maneira de ser e seu testemunho.

SAUDAÇÃO/ INTRODUÇÃO

Querido devoto e devota de Frei Galvão, Paz e Bem! Durante anos que exerceu o seu sacerdócio, o Santo Frei Galvão tornou-se um sacerdote segundo o coração do Altíssimo. Foi sábio Ministro do Evangelho, seguro e sereno orientador das consciências, confessor sempre disponível, convertedor de pecadores, pregador ambulante do Reino, apoio fraterno de todos os sacerdotes. Chamavam-no de queridíssimo padre Galvão. Nesta Novena, vamos rezar por todos os que exercem esta tarefa de serem ministros de Deus, pelos sacerdotes do mundo inteiro. Que nunca faltem bons e santos sacerdotes para a Igreja.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém

PALAVRA DE DEUS (1Tm 4, 12-14)

“Ninguém te desconsidere a juventude. Ao contrário, torna-te modelo para os fiéis no modo de falar e de viver, na caridade, na fé, na castidade. Aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino. Não descuides da graça que tens”.

COMPROMISSO DO DIA

Todas às vezes em que eu participar de uma santa missa, quando o sacerdote elevar a hóstia e o cálice com o vinho consagrados, rezarei pela santificação dos sacerdotes. Se eu encontrar um sacerdote, irei saudá-lo com muito afeto e respeito; pois São Francisco dizia: “Nada encontro neste mundo corporalmente do Senhor Jesus, senão somente o Corpo e Sangue que eles nos consagram e administram”.

ORAÇÃO FINAL/ BÊNÇÃO

Obrigado, Senhor, pelo santo exemplo que o Santo Frei Galvão deixou como sacerdote segundo o coração do Altíssimo. Guardai os sacerdotes mais idosos e fortalecei aqueles que estão em crise na sua vocação; dai a todos a graça de carregarem a cruz até o fim de suas vidas. Dai a todos os presbíteros a felicidade de serem imagem do Cristo, Bom Pastor. Que o povo de Deus reze sempre pela santificação de seus sacerdotes; que amem a cada sacerdote, não vendo apenas os defeitos, as falhas e os pecados, mais apoiando todo o trabalho apostólico que realizam. Despertai sempre novas vocações para a vida sacerdotal. Amém.

Que o Deus Altíssimo, abençoa nosso dia e nossa jornada, por intermédio de Frei Galvão: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.


sábado, 22 de outubro de 2016

Santo do dia: São João Paulo II


A Igreja Católica celebra hoje, 22 de outubro, a memória litúrgica de João Paulo II, data que marca o dia de início do pontificado de Karol Wojtyla, em1978.

Karol Józef WoJtyła, eleito Papa a 16 de outubro de 1978, nasceu em Wadowice (Polônia), a 18 de maio de 1920. Foi o segundo de dois filhos de Karol Wojtyła e de Emília Kaczorowska, que faleceu em 1929. O seu irmão mais velho, Edmund, médico, morre em 1932, e o seu pai, oficial do Exército, em 1941.

Aos nove anos recebeu a Primeira Comunhão e aos dezoito o sacramento da Confirmação. Terminados os estudos na Escola Superior de Wadowice, inscreveu-se em 1938 na Universidade Jagellónica de Cracóvia.

Depois de as forças ocupantes nazis encerrarem a Universidade em 1939, o jovem Karol trabalhou (1940-1944) numa mina e, posteriormente, na fábrica química Solvay, para poder sustentar-se e evitar a deportação para a Alemanha.

A partir de 1942, sentindo-se chamado ao sacerdócio, frequentou o Curso de Formação do Seminário Maior clandestino de Cracóvia, dirigido pelo Arcebispo local, o Cardeal Adam Stefan Sapieha. Simultaneamente, foi um dos promotores do «Teatro Rapsódico», também este clandestino.

Depois da guerra, continuou os estudos no Seminário Maior de Cracóvia, novamente aberto, e na Faculdade de Teologia da Universidade Jagellónica, até à sua ordenação sacerdotal em Cracóvia a 1 de novembro de 1946. Depois foi enviado pelo Cardeal Sapieha a Roma, onde obteve o doutoramento em Teologia (1948), com uma tese sobre o conceito da fé nas obras de São João da Cruz. Naquele período – durante as suas férias – exerceu o ministério pastoral entre os emigrantes polacos na França, Bélgica e Holanda.

Em 1948, regressou à Polônia e foi coadjutor, primeiro na paróquia de Niegowić, próxima de Cracóvia, e depois na de São Floriano, na própria cidade. Foi capelão universitário até 1951, quando retomou os seus estudos filosóficos e teológicos. Em 1953 apresentou na Universidade Católica de Lublin uma tese sobre a possibilidade de fundar uma ética cristã a partir do sistema ético de Max Scheler. Mais tarde, tornou-se professor de Teologia Moral e Ética no Seminário Maior de Cracóvia e na Faculdade de Teologia de Lublin.

Em 4 de julho de 1958, o Papa Pio XII nomeou-o Bispo Auxiliar de Cracóvia e Titular de Ombi. Recebeu a ordenação episcopal em 28 de setembro de 1958 na Catedral de Wawel (Cracóvia), das mãos do Arcebispo Eugeniusz Baziak.

A 13 de janeiro de 1964 foi nomeado Arcebispo de Cracóvia pelo Papa Paulo VI, que o criou Cardeal a 26 de junho de 1967.

Foi eleito Papa em 16 de outubro de 1978 e, em 22 de outubro, deu início ao seu ministério de Pastor Universal da Igreja.

Morreu em Roma, no Palácio Apostólico do Vaticano, às 21.37h de sábado 2 de abril de 2005, vigília do Domingo in Albis e da Divina Misericórdia, por ele instituído. Os funerais solenes na Praça de São Pedro e a sepultura nas Grutas Vaticanas foram celebrados a 8 de abril.

As informações citadas constam na breve biografia oficial oferecida no Livreto da Celebração da Beatificação de João Paulo II.

Seis anos após seu falecimento, no dia 1° de maio de 2011, sua beatificação foi proclamada pelo Papa Bento XVI.

No dia 27 de abril de 2014, Domingo da Divina Misericórdia, segundo domingo de Páscoa, João Paulo II juntamente com o Papa João XXIII teve sua canonização proclamada pelo Papa Francisco, tendo o papa emérito, Bento XVI, como concelebrante.

Uma das poesias publicadas por ele:

Para os companheiros de viagem - Papa João Paulo II

Se procuras um lugar onde se debatia Jacó,
Não vagueies até países da Arábia,
Não procures nos mapas a torrente.
Encontrarás os rastros muitos mais perto
Deixe só que na perspectiva dos teus pensamentos
Apareçam as luzes dos objetos
Graças a pensamentos sempre mais compactos
E em forma sempre mais simples
Então, não se dissipa a imagem, mas tem peso
E prepara-te, deves suportar em ti aquela imagem
Transforma-te todo naquele conteúdo
Ao qual são propícios silêncio e solidão.
A solidão possível para o homem,
Tanto que nem mesmo a morte o distrai.
Ninguém.
Mesmo que os nossos dias estejam cheios de simples atos
Nos quais a interioridade do átomo é ofuscada pelo gesto inseparável
Possuímos igualmente a certeza
De que um dia aquele gesto caíra
E de que de nossos atos só ficará a verdadeira essência.

Novena de Frei Galvão - 7º dia


Quantas injustiças vemos todos os dias? Desde pequenos atos, uma pessoa prejudicada em seu local de trabalho ou estudo, ou pelos noticiários? Qual é a nossa postura diante desse ato?

Quando acontece conosco, ou com alguma pessoa próxima, nossa reação costuma ser instantânea. Mas a reação não é a mesma quando a pessoa injustiçada é alguém que não conhecemos, ou mesmo se somos nós quem comentemos a injustiça.

Nossa sociedade nos coloca em uma posição muito conflitante com a posição que um cristão deve ter diante do mal. Não podemos compactuar com a injustiça, nos calar diante do mal. Mesmo que ele não nos atinja pessoalmente, é nosso dever lutar por uma sociedade mais justa.

Assim fez Frei Galvão em toda a sua vida. Saiba mais sobre o episódio em que Frei Galvão se coloca contra o poder em defesa de um soldado:

“Governava a Capitania de São Paulo o Capitão-general Martim Lopes Lobo de Saldanha, conhecido pelas suas arbitrariedades e mania de perseguição. Em 1780, exorbitando da autoridade, fez condenar à morte de forca, por conselho de guerra, um soldado de nome Caetano José da Costa, vulgo Caetaninho, condenado anteriormente à prisão perpétua. O crime deste soldado consistira em ter ferido levemente o filho de Martim Lopes, que o havia esbofeteado, achando-se ambos embriagados.
Martim Lopes desrespeitou a sentença e por expressa determinação sua impôs a pena capital. Esta atrocidade lhe valeu a revolta dos paulistanos. Entre os defensores de Caetaninho, encontra-se Frei Galvão. Apesar de todos os protestos, Caetaninho foi executado. Por vingança, o cruel general descarregou sua ira sobre dois religiosos: um monge beneditino e Frei Galvão, com a sentença do desterro para o Rio de Janeiro.

A notícia do desterro se propagou por toda a cidade de São Paulo. Em pouco tempo, homens com escravos armados formaram um bando ameaçador e cercaram a casa do Governador, que diante do alvoroço do povo não teve outra alternativa senão a de revogar a sentença do desterro de Frei Galvão. Ouvida a revogação da ordem, Frei Galvão foi reconduzido ao Convento São Francisco.”

Frei Galvão não teve receio de ser justo, não se calou diante do mal, e não foi desamparado.

Rezemos neste 7º dia da novena em honra a Frei Galvão.

SAUDAÇÃO/ INTRODUÇÃO

Paz e Bem, a você que reza conosco! Sabemos que vivemos num País marcado por injustiças sociais, no qual a riqueza concentra-se cada vez mais nas mãos dos ricos, enquanto a miséria cresce entre os pobres. O Santo Frei Galvão, ao defender com firmeza um soldado que ia, injustamente, ser condenado à morte por se envolver num pequeno conflito com o filho do governador, foi expulso de São Paulo. Neste sétimo dia de nossa novena, aprendamos com o Frei Galvão a sermos defensores da justiça.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém

PALAVRA DE DEUS (Jo 7, 24)

“Não julgueis segundo as aparências. Julgai segundo a Justiça”.

COMPROMISSO DO DIA

Sempre que eu escutar uma calúnia, fofoca, ou maledicência contra alguém, tentarei interromper a fala da pessoa que a faz, manifestando que não concordo com o procedimento dela. Não se deve admitir que falem coisas negativas de qualquer pessoa na ausência dela.

ORAÇÃO FINAL/ BÊNÇÃO

Ó Santo Frei Galvão, que sentiste como é difícil enfrentar a incompreensão e a injustiça, ensinai-nos a manter a serenidade interior, para nunca nos revoltarmos diante dos momentos difíceis que possamos vir a passar. Dai-nos a fortaleza de espírito para termos coragem de defender os pequenos e os injustiçados. Que a verdade sempre triunfe sobre a falsidade.

Ó Jesus, que revelaste: “os que constroem a paz serão chamados filhos queridos de Deus”, dai-nos a graça de lutar corajosamente pela justiça, sem a qual o mundo jamais encontrará a paz duradoura e verdadeira. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Que pelo exemplo de Frei Galvão, o Senhor nos conduza pelos caminhos da Justiça e da Paz: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Perfeição petrificada x Misericórdia vivificante - 30º domingo do Tempo Comum


Eclo 35, 15b-17.20-22ª
Sl 33
2Tm 3, 14-4,2
Lc 18, 9-14

A justificação é dom de Deus

9 Para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola: 10 «Dois homens subiram ao Templo para rezar; um era fariseu, o outro era cobrador de impostos. 11 O fariseu, de pé, rezava assim no seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço, porque não sou como os outros homens, que são ladrões, desonestos, adúlteros, nem como esse cobrador de impostos. 12 Eu faço jejum duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’. 13 O cobrador de impostos ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!’ 14 Eu declaro a vocês: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva, será humilhado, e quem se humilha, será elevado.»

* 9-14: Não basta ser perseverante e insistente. É preciso reconhecer e confessar a própria pequenez, recorrendo à misericórdia de Deus. De nada adianta o homem justificar a si mesmo, pois a justificação é dom de Deus.

Bíblia Sagrada - Edição Pastoral

Perfeição petrificada x Misericórdia vivificante - Pe. Adroaldo Palaoro, sj

Nesta parábola, mais uma vez Jesus desvela a presença de dois personagens em nosso interior: o fariseu, expressão máxima do legalismo, do moralismo, do perfeccionismo, e o publicano, expressão máxima daquele que se reconhece pecador, necessitado da misericórdia divina. Ambos vão ao templo (coração) para orar, e, na oração, cada um deles revela seu rosto e sua identidade. Qual deles prevalece em nosso interior? Qual deles alimentamos?

De fato, é na oração que o ser humano exprime aquilo que é mais íntimo e mostra como ele se relaciona com os outros e com Deus. Jesus nos apresenta o fariseu como protótipo da pessoa que se sente segura de si mesma, e que tem essa segurança porque cumpre minuciosamente com as observâncias religiosas. Não pode ver nem reconhecer suas imperfeições, mesmo estando dentro dos muros de um lugar sagrado. Em sua oração, ele não pede nada, mas informa a Deus sobre sua perfeição: na realidade não é Deus o centro da sua existência, mas seu eu. Ele dá graças por sua conduta perfeita e exemplar.

Não só é perfeito diante de seus olhos, mas quer também mostrar-se perfeito aos olhos de Deus. A tendência à perfeição favorece um egocentrismo refinado.

Na sua oração, o fariseu se considera “justo” e pensa agradar a Deus com suas observâncias e práticas legais. Ocorre que não é nada elegante alguém se apresentar a Deus com as credenciais de “justo”, pois o fariseu se esquece que só Deus pode justificar o ser humano. A autoglorificação impede sua humanização. Petrifica-se em seu legalismo e perfeccionismo.

Ele está cego e não vê que também é pecador, dependente da misericórdia de Deus. Não reconhece sua realidade pobre e limitada e, em sua oração, está ausente o pedido de perdão. Incapaz de olhar intimamente para si, cobre com um véu os próprios pecados, fazendo de conta que eles não existem. Incensurável, respeitador e cumpridor de todas as leis – porém cheio de si -, o fariseu voltou para casa com um pecado a mais. A consequência é vida dupla: a fachada externa perfeita que esconde um interior frio e insensível, resistente a perceber a própria fragilidade.

Na sua autossuficiência, o fariseu pensa que pode “ficar de pé” diante de Deus e à frente de todos; sobe o pedestal da “perfeição” e do “legalismo” e distancia-se do amor e da misericórdia de Deus; com isso, cai no orgulho religioso e é incapaz de ouvir a Deus no seu íntimo.

Na prática, a oração do fariseu significa submeter Deus a si mesmo, cobrando o prêmio pelas boas ações. Agradece porque é sem vícios, não porque se sinta amado por Deus. Seu louvor e agradecimento são apenas um pretexto para louvar a si próprio, inflar o próprio ego; na sua oração Deus não tem o lugar que lhe é devido; a oração passa a ser um monólogo vazio e presunçoso de quem “celebra” seu “eu” e seus méritos diante de Deus. E como fala só consigo mesmo, encontra-se só com seus méritos e suas pretensões. O seu monólogo é um palavreado crônico, exibicionismo enganoso de um “eu” que não tem outro “deus” além de si mesmo. Ele tem méritos e nada deve a Deus; ao contrário, Deus é quem lhe deve: a enumeração de suas boas obras implica a pretensão de uma recompensa.

Por considerar-se “justo”, apresenta a Deus uma lista de pessoas indesejáveis, censurando e condenando a todo mundo. O perfeccionista não pode prescindir da comparação. Tem necessidade de um ponto de referência que destaque sua grande estatura legalista. Por isso o fariseu observa a presença de um pecador com quem se compara e diante de quem se sente superior.

Não há perfeccionista que não seja inquisidor, nem inquisidor que não seja perfeccionista. A tendência à perfeição oprime a pessoa até sufocá-la; sendo excessivamente exigente, oprime e sufoca também os outros. Por isso, a tendência à perfeição é uma doença do espírito, um eu em conflito consigo mesmo. O perfeccionista vive uma batalha interior, uma batalha que jamais se vence; sua vida torna-se estreita, ele se desumaniza e mergulha nos escrúpulos.

Quem se deixa guiar pela ideia de perfeição, cedo se dará conta de que não poderá abraçar a vida. Permanecerá confinado num eu inchado e vazio, que caminha sobre pernas de pau. O “fariseu” que todos hospedamos em nosso interior realiza seu trabalho em silêncio, mas com uma eficácia impressionante: torna o nosso coração impermeável à experiência divina e petrifica nossa compaixão na relação com os outros.

Jesus destrói o conceito de “justificação” rabínica, baseada no cumprimento da lei, quando, na pessoa do publicano, mostra que Deus salva quem julga nada ter a apresentar, sente a necessidade de se converter e de se entregar. Consciente de sua indigência e fragilidade, o publicano prostra-se diante de Deus, volta-se para a o chão, reconhece seu pecado, abre-se à misericórdia de Deus, de quem espera o perdão. Esta humildade é a porta de abertura para sair de um coração fechado em si mesmo, de um coração autossuficiente e perfeccionista, onde tudo gira em torno do próprio eu, onde não há espaço para o Outro e os outros, onde a Misericórdia não tem como agir para poder transforar a pessoa.

Jesus sabia que a pessoa consciente das suas imperfeições é mais disponível ao anúncio do Reino. Sabemos que as escolhas de Jesus não caíram sobre os perfeitos. As pessoas com quem Ele entrou em contato não eram conhecidas por suas boas maneiras nem pelas boas ações, antes, eram pecadoras públicas.

O publicano não tinha esperanças: reconhecendo-se pecador diante de si mesmo, diante de Deus e dos outros, sabia que a única esperança era a misericórdia de Deus. Diante da grandeza e transcendência de Deus, sente uma necessidade instintiva de retirar-se, de deter-se, quase pedindo desculpas por ousar entrar no templo. Ele nada tem para apresentar a Deus, nada de que se orgulhar e nada para exigir. Só lhe resta a pobre oração dos excluídos e dos pecadores assumidos, dos desmoralizados e humildes.

Nesta parábola, Jesus revela também um Deus desprovido de dogmatismos, de controle e de poder. O Deus de Jesus não é um juiz com um catálogo de leis que tem necessidade de mandar, impor, verificar... Basta-lhe a misericórdia, a compaixão...

A misericórdia torna o Deus de Jesus acessível a tudo que é imperfeito, limitado, humano... A misericórdia constitui a resposta à indigência do ser humano. Ela oferece a possibilidade de pôr de lado o julgamento e a condenação. O passado de erros e fracassos é substituído pelo presente de aceitação e perdão. Onde não há misericórdia, não há sequer esperança para o ser humano.

A misericórdia é a resposta de Deus ao delírio do ser humano de querer ser perfeito; é a única força capaz de deter o ser humano naquele processo de autodivinização, própria do fariseu. Jesus propõe um modo de ser humano inseparável da misericórdia do Pai: “Sede misericordiosos como o Pai é misericordioso” (Lc 6,36)

Ser misericordioso “como” Deus constitui o mais elevado convite e a mensagem mais profunda que o ser humano recebe sobre como tratar a si mesmo e aos outros.


Confira a reflexão de Frei Gustavo Medella para este 30º domingo do Tempo Comum:

Novena de Frei Galvão - 6º dia


“O convento da Luz é obra exclusiva de Frei Galvão. Foi ele o único diretor da construção e continuamente assistia aos serviços, auxiliando com suas próprias mãos. Se Frei Galvão destaca a Providência Divina como autora da obra, isto prova a sua confiança inabalável em Deus, mas de modo nenhum limita o seu empenho pessoal na realização. A construção da casa era possível a custo de muito trabalho e penosas viagens para angariar colaborações.

O Servo de Deus possuía uma confiança sem limites na Providência Divina, e sua coragem e espírito de sacrifício eram iguais à sua confiança. Na construção do Mosteiro da Luz, Frei Galvão mesmo pôs suas próprias mãos à obra e convidou as irmãs para que elas fossem as primeiras a tomar a enxadinha para abrir os alicerces do novo convento.”

Da canonização do servo de Deus Frei Galvão

SAUDAÇÃO/ INTRODUÇÃO

Irmão, irmã: Paz e Bem! O Santo Frei Galvão dedicou 48 anos de sua vida na construção do Mosteiro da Luz. Também construí o Mosteiro de Sorocaba. E nesta obra, ele foi o arquiteto, o engenheiro, o mestre de obras e, por vezes, também operário. Por isso, ele foi declarado o Padroeiro dos trabalhadores da Construção civil. Vamos pedir por todos os que buscam a graça de um emprego, pelos que trabalham em formas subumanas, também agradecer por todos os que têm seu trabalho respeitado.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém

PALAVRA DE DEUS (Mt 7, 24-25)

“Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva e vieram as enchentes, sopraram os ventos e deram contra a casa, mas ele não desabou. Estava construída sobre a rocha”.

COMPROMISSO DO DIA

Faço o propósito de rezar por todos os desempregados. Dentro de minhas possibilidades procurarei socorrer uma família que viva em situação precária. Que todo o meu trabalho hoje seja feito por amor a Jesus.

ORAÇÃO FINAL/ BÊNÇÃO

Ó Santo Frei Galvão, padroeiro de todos os que trabalham na área da construção civil. Que o teu exemplo de construir o tão belo Mosteiro da Luz inspire todos nós a levar a sério o trabalho que realizamos no dia-a-dia. Guardai todos os que ajudam a construir um mundo mais humano e mais fraterno. Que Deus conceda aos trabalhadores a graça de poder se dedicar com espírito cristão às tarefas diárias, praticar sempre a caridade e colaborar na grande obra da criação. Que o Senhor não deixe faltar o pão na mesa de nenhum irmão. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Que por intercessão de Frei Galvão, nossas vidas sejam abençoadas e nossos trabalhos guiados pelo Bom Deus: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.




quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Novena de Frei Galvão - 5º dia


“Uma vida tão ativa e um apostolado tão fecundo só eram possíveis com uma intensa vida interior. Com efeito, Frei Galvão era um contemplativo que rezava muito e vivia com seus pensamentos concentrados em Deus. Mesmo quando caminhava, ia recolhido e meditativo.

Tinha o costume de viajar sempre a pé, recusando, por espírito de mortificação e pobreza, montarias ou – o que era frequente na época – liteiras ou cadeirinhas carregadas por escravos.

Os habitantes da Capital de São Paulo, e de tantas outras localidades, estavam habituados a ver o religioso, com sua figura alta e nobre, percorrendo incansavelmente as distâncias empoeiradas, para levar a Palavra de Deus por toda parte”.

O que é ser missionário nos dias de hoje? Muitas vezes não é necessário percorrer grandes distâncias. Pensamos no missionário como alguém que atravessa as fronteiras geográficas. Mas não é a única maneira de ser missionário.

Quantas vezes nossa missão está em nossa família, em nosso local de trabalho? E você, já descobriu qual a sua missão?

Peçamos a intercessão de Frei Galvão por todos aqueles que são missionários! Que Deus suscite no coração dos jovens o desejo de servir mais e melhor!

SAUDAÇÃO/ INTRODUÇÃO

Meu irmão, minha irmã, Paz e Bem! O Santo Frei Galvão foi o grande missionário em nosso solo. Sempre andando a pé, percorreu muitas cidades, como Piraí do Sul – Paraná; São Paulo, Sorocaba, São Luiz do Paraitinga, Taubaté, Rio de Janeiro, e tantos outros lugares. Com Frei Galvão, na novena deste dia, vamos aprender a ser missionários da Boa Nova de Jesus.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém

PALAVRA DE DEUS (2Tim 4, 2.5)

“Prega a palavra, insiste oportuna e inoportunamente, repreende, admoesta, ameaça, exorta com toda a paciência e empenho de instruir... Sê prudente em tudo, suporta os trabalhos, pratica obra de pregador do Evangelho, cumpre teu ministério”.

COMPROMISSO DO DIA

Vou me esforçar para saudar e tratar bem todas as pessoas que eu encontrar ao longo do dia. Se possível, irei visitar uma pessoa que esteja vivendo uma situação difícil, e levando a esta pessoa uma palavra positiva e de muito amor.

ORAÇÃO FINAL/ BÊNÇÃO

Ó Santo Frei Galvão, fostes um missionário incansável e itinerante, pregando pelo exemplo extraordinário da ternura do trato com as pessoas, e pela palavra viva do Evangelho de Jesus. Que o Senhor conceda a todos nós a graça de pregar mais pelo bom exemplo do que pela palavra. Que o mundo, onde o relacionamento entre as pessoas é muitas vezes ríspido e indelicado, possamos tratar as pessoas com ternura, carinho e caridade, vendo em cada irmão o rosto do próprio Cristo. Amém.

Que o Senhor abençoe a nós e a todas as pessoas que encontrarmos neste dia: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.


quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Novena de Frei Galvão - 4º dia



Frei Galvão demonstrou que é para nós um dos mais belos exemplos de alguém que amou profundamente Maria Santíssima. Demonstrou isso na sua filial entrega a Ela, declarando-a minha Senhora, digna Mãe e Advogada e considerando-se ‘filho e perpétuo escravo’. Essa entrega foi assinada por Frei Galvão com o próprio sangue, num documento datado em 9 de novembro de 1766, quatro anos depois de sua ordenação sacerdotal, aos 27 anos de idade.

Foi a partir dessa confiança fortíssima na proteção de Maria que criou as “pílulas de Frei Galvão”. Assim como nas Bodas de Caná, Maria pediu a Jesus o primeiro milagre, e Jesus o realizou, Frei Galvão confiava que pedindo a Jesus, por meio de Maria, Ele nunca o deixaria de atender. Assim, escreveu num papel a frase: “Post partum, Virgo, inviolata permansisti. Dei Genitrix, intercede pro nobis” – Virgem, após o parto permanecestes intacta. Mãe de Deus, intercede por nós. Enrolou o papelzinho como uma “pílula” e deu para um doente tomar. O milagre aconteceu.

SAUDAÇÃO/ INTRODUÇÃO

Salve Maria! O Santo Frei Galvão nutria por Maria Santíssima uma devoção pura e fervorosa. Num determinado momento de sua vida, ele se declarou como “filho e perpétuo escravo” da Virgem Mãe. Foi de sua confiança a Mãe de Jesus que veio o costume de dar aos doentes as conhecidas “pílulas”. Por isso, neste nosso quarto encontro, vamos a aprender com Frei Galvão a amar muito a Mãe que Jesus nos deu, e louvá-la como a “Bendita entre todas a mulheres”.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém

PALAVRA DE DEUS (Jo 19, 25-27)

“Junto à Cruz de Jesus estavam de pé: sua Mãe, a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas e Maria Madalena. Vendo a mãe e, perto dela o discípulo a quem amava, disse Jesus para a mãe: ‘Mulher, eis aí o teu filho’. Depois disse para o discípulo: ‘Eis aí tua mãe’. E desde aquela hora o discípulo a recebeu aos seus cuidados”.

COMPROMISSO DO DIA

Quando alguém que professa outra religião criticar a figura da Mãe de Jesus, não vou discutir, mas rezar por essa pessoa. Serei um apóstolo: quando houver alguém doente ou com problemas na família, falarei sobre a força de Maria em nossa vida de cristãos e, se puder, levarei as pessoas a rezarem a novena e tomarem as pílulas de Frei Galvão com muita fé.

ORAÇÃO FINAL/ BÊNÇÃO

Ó Santo Frei Galvão, que em plena juventude tivestes coragem de vos consagrar totalmente à Santíssima Virgem Maria, como filho e escravo. Guardai-nos sempre sob a proteção de Maria, ela que foi preparada para ser uma digna habitação para Jesus e, para isto, preservada de todo pecado, em vista dos merecimentos do seu divino Filho. Curai em nós as feridas do pecado original. Que o Senhor nos conceda a graça de evitar todo pecado, e de um dia poder chegar, purificados de toda culpa, na vida eterna. Amém.

Que pelo auxílio de Frei Galvão e da Santa Mãe de Deus, o Senhor no abençoe: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.