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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

22º domingo do Tempo Comum


Eclo 3, 17-20.27-28
Hb 12, 18-19.22-24
Lc 14, 1.7-14

Festejar o sábado é dar vida aos homens

1 Num dia de sábado aconteceu que Jesus foi comer em casa de um dos chefes dos fariseus, que o observavam.

7 Jesus notou como os convidados escolhiam os primeiros lugares. Então contou a eles uma parábola: 8 «Se alguém convida você para uma festa de casamento, não ocupe o primeiro lugar. Pode ser que tenha sido convidado alguém mais importante do que você; 9 e o dono da casa, que convidou os dois, venha dizer a você: ‘Dê o lugar para ele’. Então você ficará envergonhado e irá ocupar o último lugar. 10 Pelo contrário, quando você for convidado, vá sentar-se no último lugar. Assim, quando chegar quem o convidou, ele dirá a você: ‘Amigo, venha mais para cima’. E isso vai ser uma honra para você na presença de todos os convidados. 11 De fato, quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado.»

12 Jesus disse também ao fariseu que o tinha convidado: «Quando você der um almoço ou jantar, não convide amigos, nem irmãos, nem parentes, nem vizinhos ricos. Porque esses irão, em troca, convidar você. E isso será para você recompensa. 13 Pelo contrário, quando você der uma festa, convide pobres, aleijados, mancos e cegos. 14 Então você será feliz! Porque eles não lhe podem retribuir. E você receberá a recompensa na ressurreição dos justos.»

Disponibilidade e gratuidade – Pe. João Batista Libânio

Essas duas historinhas de Jesus parecem simples, mas precisamos ir um pouco mais fundo no seu sentido. Uma primeira regra básica para se entender uma parábola é saber que ela tem uma ideia central, e, em torno dela, vários pormenores menos importantes são tecidos, e esses podem nos tirar a compreensão.

A ideia central da primeira parábola é a de que nós deveríamos estar sempre disponíveis para nos colocar em qualquer lugar, ao contrário de, a priori, tomarmos uma posição rígida e não querermos abrir mão dela. É a primeira grande lição. Muitas vezes, temos uma ideia, um projeto fixo em nossa mente, e ficamos apegados a ele, mesmo que os fatos e até outras opiniões mais sensatas nos levem a mudar. É esse que ocupa o primeiro lugar e de lá não quer sair.

Jesus hoje está nos dizendo que a vida pode nos colocar num segundo, terceiro e até último lugar. Isso não significa que o primeiro dará lugar ao último – é apenas uma maneira simbólica de falar. Jesus quer despertar em nós uma atitude bonita de disponibilidade e liberdade, sobretudo numa sociedade consumista, cheia de ideias equivocadas sobre a realização humana. Jesus quer nos colocar numa situação de disponibilidade. A realidade é que nos ensina, e quando não somos capazes de aprender com ela, quebramos a cabeça. Estamos num ano eleitoral, e isso aparece muito claramente em certos políticos que não têm nada na cabeça. Querem apenas ganhar a eleição a qualquer custo. São os que pretendem os primeiros lugares, mas a realidade pode colocá-los bem atrás, frustrados, sem nenhum voto.

A segunda parábola toma outra perspectiva, a da gratuidade. Não se trata de não convidar amigos para uma festa. O próprio Jesus gostava de ir à casa de Marta, frequentava a casa de amigos, portanto não é isso que Ele está ensinando, mesmo que muitas pessoas quadradas e cúbicas queiram interpretar ao pé-da-letra.

Quando diz que devemos dar um banquete para o cego, Ele quer dizer que o cego não vê e, assim, só pode captar o carinho, o amor que demonstrarmos. Ele nunca verá o nosso rosto, nossas vestes, nossa maquiagem, nossa beleza física, mas somente o nosso coração, pela acolhida, pela maneira de falar. O coxo nunca conseguirá correr atrás de nós, pois mal consegue andar. Mas se nos aproximarmos, andaremos com ele. É um gesto físico, mas também espiritual. Quantos coxos espirituais estão aqui entre nós?! Quantos vivem claudicando, escorregando o dia todo, precisando de alguém que os encaminhe, que os dirija, que os conduza na gratuidade?! Poderíamos falar dos surdos, dos mudos, e seria a mesma coisa, todos precisam ouvir a nossa voz acordando-lhes para a beleza que dorme dentro deles.

Há tantos que falam fisicamente, mas são mudos interiores, porque são incapazes de falar da beleza, do amor. São fechados, são broncos, num fechamento que ninguém consegue penetrar e faz com que eles sofram terrivelmente a solidão do silêncio, da incapacidade de exprimir-se, de comunicar-se. São pessoas que vivem nervosas, mal-humoradas, têm olhares embaçados, porque falta-lhes a leveza da palavra, que liberta e salva. Ela nos diferencia dos animais, pois liberta a nossa mente e a nossa inteligência. Quantas pessoas escutam bem, mas são incapazes de ouvir uma palavra de fora, uma interpelação para a sua existência, que lhes indique um caminho, uma saída? Jesus nos diz para convidarmos essas pessoas, para salvá-las da surdez, da cegueira, do mudismo, para que voltem a caminhar e, mesmo se já estiverem mortas, ressuscitem. Amém.

Pe. João Batista Libânio, sj – Um outro olhar, vol. 8

Confira a reflexão de Frei Gustavo Medella para este 22º domingo do Tempo Comum: