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sexta-feira, 17 de junho de 2016

12º domingo do Tempo Comum



1ª Leitura - Zc 12,10-11;13,1
Salmo - Sl 62,2.abcd.2e-4.5-6.8-9 (R. 2ce)
2ª Leitura - Gl 3,26-29
Evangelho - Lc 9,18-24

Certo dia:
Jesus estava rezando num lugar retirado,
e os discípulos estavam com ele.
Então Jesus perguntou-lhes:
'Quem diz o povo que eu sou?'
Eles responderam: 'Uns dizem que és João Batista;
outros, que és Elias; mas outros acham
que és algum dos antigos profetas que ressuscitou.'
Mas Jesus perguntou: 'E vós, quem dizeis que eu sou?'
Pedro respondeu: 'O Cristo de Deus.'
Mas Jesus proibiu-lhes severamente
que contassem isso a alguém.
E acrescentou: 'O Filho do Homem deve sofrer muito,
ser rejeitado pelos anciãos,
pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei,
deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia.'
Depois Jesus disse a todos:
'Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo,
tome sua cruz cada dia, e siga-me.
Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la;
e quem perder a sua vida por causa de mim,
esse a salvará.
Palavra da Salvação.

Jesus, o Salvador da humanidade – Pe. João Batista Libânio, sj

Esse evangelho tem uma beleza toda especial, não tanto pelo texto, mas pela moldura. Muitas vezes, um quadro de arte fica ainda mais bonito quando uma moldura faz realçar a obra. O núcleo do texto é esta frase: “Quem vós dizeis que eu sou?”. É uma pergunta que muitos fazem, pois ninguém escapa dessa curiosidade. Agora mesmo, quando vamos terminar um semestre, alguns professores fazem uma revisão, procurando saber a opinião dos alunos sobre o curso, o professor. Também os jogadores, na Copa, devem estar o dia todo procurando nos jornais os comentários que são feitos sobre eles. Sem falar nos políticos, que vivem vasculhando os jornais e revistas para saberem o que dizem deles. Mas será que esse evangelho trata apenas de uma curiosidade de Jesus?

Lucas é muito inteligente e coloca esse evangelho entre dois acontecimentos importantes da vida de Jesus. Começa por retirá-lo para um lugar solitário, aonde foi rezar com os apóstolos. Um pouquinho antes tinha havido a multiplicação dos pães e logo depois aconteceria a transfiguração. Esta é a moldura: a oração num lugar deserto com os apóstolos. Antes estava a multiplicação dos pães, porque nós só saberemos responder quem é Jesus, se participarmos deste pão. Só quem comunga sabe responder quem é Jesus. A multiplicação dos pães é o símbolo, a prefiguração, a antecipação da eucaristia. Portanto, para responder ou perguntar quem é Jesus, precisamos participar da eucaristia. A quem vem aqui e participa, eu posso perguntar, porque comungou, viu, sentiu a sua presença entre nós. 

Lucas coloca ainda a cena do Tabor, que também é muito simbólica. O que mais me encanta nos evangelho são os símbolos, pois são muito mais profundos. No Tabor, Jesus, com o seu corpo físico, normal, de repente, fica fulgurante e conversa com Moisés, um homem que arrancou o povo da escravidão do Egito e o conduziu durante quarenta anos pelo deserto. Conversa ainda com Elias, o profeta que, simbolicamente, subiu aos céus numa carruagem de fogo. No Tabor, os três vão conversar sobre a saída de Jesus, isto é, a sua morte na cruz. Aí está completo o quadro: eucaristia, glória, cruz – a grande trilogia de Jesus! Diante desse quadro completo, cabe a nós responder: quem é Ele em nossa vida? 

É Ele que nos alimenta, que está glorificado, mas, para chegar a isso, terá que passar pela morte, e uma morte tremenda. Só entendendo esse quadro, poderemos entender a pergunta. E devemos reparar que há três negativas: Ele não era João Batista, não era Elias e nem um dos grandes profetas. Essas três negativas também não são fortuitas, e nenhuma delas satisfaz a Jesus.

Jesus não poderia ser João Batista, porque esse trazia a ideia de um deus tremendo, que peneirava o grão para queimar a palha. Jesus trazia uma experiência diferente de Deus Pai. Conhecia o Deus do perdão, da misericórdia, da acolhida. Também não poderia ser Elias, pois esse, de acordo com a simbologia bíblica, nem teria morrido, pois fora para o céu num carro de fogo, deixando um manto maravilhoso para o seu discípulo Eliseu. Jesus morreu nu, sem ter nenhum manto para deixar. Ele era alguém muito próximo de nós. É impressionante quando começamos a meditar sobre a fragilidade de Jesus! O evangelho continua dizendo que Jesus também não é nenhum dos outros profetas, que olhavam para a realidade, percebiam o que era contrário ao projeto de Deus e gritavam contra ela. 

Jesus não fez nada disso. Diante da mulher surpreendida em adultério, mandou que ela fosse em paz. À samaritana, que tinha cinco maridos, revelou-se como Messias. A Zaqueu, que se reconhecia como ladrão, entrou em sua casa e ofereceu-lhe a salvação. Como Ele era diferente dos profetas! Era Jesus, o salvador da humanidade! Amém!

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol 8