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sexta-feira, 10 de junho de 2016

11º domingo do Tempo Comum

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1ª Leitura - 2Sm 12,7-10.13
Salmo - Sl 31,1-2.5.7.11 (R. cf 5ad)
2ª Leitura - Gl 2,16.19-21
Evangelho - Lc 7,36-8,3


36 Certo fariseu convidou Jesus para uma refeição em casa. Jesus entrou na casa do fariseu, e se pôs à mesa. 37 Apareceu então certa mulher, conhecida na cidade como pecadora. Ela, sabendo que Jesus estava à mesa na casa do fariseu, levou um frasco de alabastro com perfume. 38 A mulher se colocou por trás, chorando aos pés de Jesus; com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés. Em seguida, os enxugava com os cabelos, cobria-os de beijos, e os ungia com perfume. 39 Vendo isso, o fariseu que havia convidado Jesus ficou pensando: «Se esse homem fosse mesmo um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, porque ela é pecadora.»

40 Jesus disse então ao fariseu: «Simão, tenho uma coisa para dizer a você.» Simão respondeu: «Fala, mestre.» 41» Certo credor tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentas moedas de prata, e o outro lhe devia cinquenta. 42 Como não tivessem com que pagar, o homem perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?» 43 Simão respondeu: «Acho que é aquele a quem ele perdoou mais.» Jesus lhe disse: «Você julgou certo.» 44 Então Jesus voltou-se para a mulher e disse a Simão: «Está vendo esta mulher? Quando entrei em sua casa, você não me ofereceu água para lavar os pés; ela, porém, banhou meus pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos. 45 Você não me deu o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. 46 Você não derramou óleo na minha cabeça; ela, porém, ungiu meus pés com perfume. 47 Por essa razão, eu declaro a você: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor. Aquele a quem foi perdoado pouco, demonstra pouco amor.»

48 E Jesus disse à mulher: «Seus pecados estão perdoados.» 49 Então os convidados começaram a pensar: «Quem é esse que até perdoa pecados?» 50 Mas Jesus disse à mulher: «Sua fé salvou você. Vá em paz!» 1 Depois disso, Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus. Os Doze iam com ele, 2 e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos maus e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios; 3 Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres, que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam.

Bíblia Sagrada - Edição Pastoral

O perdão nasce do amor – Pe. João Batista Libânio, sj

Tentei ler bem devagarinho, para que vocês começassem a ver a escritura com olhos novos. Esse texto foi trabalhado por anos a fio, ao contrário de nós, que escrevemos um artigo em meia hora. Os autores – Lucas terá sido o último – foram trabalhando e pesando cada palavra. Imagino um grande triângulo isósceles: no alto está o fariseu – a lei. Ele julga Jesus e a pecadora, porque se julga o santo, o puro, o cumpridor da lei. A mulher era a pecadora, e também aquele Homem que se deixara tocar por ela, e que, portanto, não poderia ser o Messias. Os demais eram inferiores, e o fariseu permanecia feliz no alto do triângulo, e assim ficaria eternamente. Os presunçosos, aqueles que se julgam mais que os outros, nunca saem de suas alturas, enquanto todos ficam embaixo.


Jesus vai tomar o triângulo e virá-lo. Não se colocando acima, mas fazendo o que menos esperamos: coloca a pecadora no vértice de cima, tornando-a o grande critério para analisarmos a realidade. Jesus vai então falar de dois devedores, reconhecendo primeiramente que ela era devedora, e de muito – quinhentos ducados de prata. Sem dúvida, o fariseu era um homem justo, que cumpria os mandamentos, mas que também tinha o seu débito de cinquenta ducados, que ele não reconhecia. Ela, que devia quinhentos, reconhecia a sua dívida. Por ele não reconhecer o seu débito, nega a água, o beijo, o óleo. A água, que é a pureza e o bem; o beijo, que é o amor; o óleo, que nos envolve, nos unge e amacia o nosso coração. Portanto, o seu coração é duro e impuro. A mulher lava os pés de Jesus com lágrimas, que é uma das maneiras mais bonitas que nós, seres humanos, temos para expressar o amor, o carinho, a dor, a alegria. Choramos de alegria e de tristeza. Quando somos sucumbidos pela morte de uma pessoa, choramos, e é bonito ver uma pessoa chorar a morte de um pai, de uma mãe, de um filho. As lágrimas lavam o coração.


Essa mulher chora e chora muito, a ponto de poder lavar os pés de Jesus, e, naquela época, como andavam descalços, os seus pés deveriam estar bem sujos. Ela lavou-os com suas lágrimas, enquanto o fariseu, nem água ofereceu a Jesus. Reparem o contraste. Jesus continua com suas metáforas, e vem aí a lição mais bonita. Ele vai ligar duas realidades que parecem tão diferentes: amar e perdoar. Nós achamos que amar é uma coisa e perdoar é outra. Perdoar é sempre um gesto de cima. Eu perdoo, porque sou melhor que os outros. Jesus não permite que entendamos o perdão dessa forma. O perdão nasce do amor.

Ainda outro dia eu falava da compaixão. Para termos compaixão é preciso que desçamos da altura onde estamos e nos coloquemos no mesmo nível das pessoas. Jesus, para falar do perdão, vai dizer a mesma coisa. Já falei várias vezes sobre a origem da palavra perdão. Quem conhece um pouquinho de linguística sabe que a partícula per, em português, significa que determinada ação é levada a seu extremo, a seu grau mais elevado. Perdão é dom, é presente, é o dom maior que eu posso dar. Jesus liga o perdão ao amor, e aí fica um teste para vocês.

Pode ser que aqui haja pessoas separadas, que um dia amaram o marido ou a esposa. Tantas vezes as separações são duras, conflituosas e deixam marcas, mágoas e até ódios. Testem a si mesmos. O amor se mede pelo tamanho do perdão. Primeiro, vem o perdão e só depois, o amor. O amor nasce do perdão, e não o contrário. Precisamos começar a fazer uma violência tremenda dentro de nós, arrancando de nossas vísceras as nossas amarguras, mágoas, sofridos e doídos sentimentos, para dizer que agora estamos limpos, perdoamos e amamos. Se não dermos o passo do perdão, não chegaremos ao amor.

Costumo dizer uma frase que já ouvi tantas vezes: a família é o lugar das maiores alegrias, mas também das maiores tristezas e sofrimentos. Guardem isso! Na família as dores são fortes, porque os amores também são fortes ou, pelo menos, foram um dia. Mesmo que aconteça menos no Brasil, na rica Europa os filhos já não toleram mais seus pais e os encapsulam em asilos, porque já não amam, porque não sabem perdoar. Testem e se perguntem: se sou capaz de perdoar, eu amo. Se não sou capaz de perdoar, tenho apenas a ilusão de que amo, mas ainda não aprendi a amar. Amém.


Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este 11º domingo do Tempo Comum: