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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo

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1ª Leitura: Gn 14,18-20
Sl 109
2ª Leitura: 1Cor 11,23-26
Evangelho: Lc 9,11b-17

Saciar a fome do povo

11b Jesus acolheu-as, e falava a elas sobre o Reino de Deus, e restituía a saúde a todos os que precisavam de cura. 12 A tarde vinha chegando. Os doze apóstolos se aproximaram de Jesus, e disseram: «Despede a multidão. Assim eles podem ir aos povoados e campos vizinhos para procurar alojamento e comida, porque estamos num lugar deserto.» 13 Mas Jesus disse: «Vocês é que têm de lhes dar de comer.» Eles responderam: «Só temos cinco pães e dois peixes... A não ser que vamos comprar comida para toda esse gente!» 14 De fato, estavam aí mais ou menos cinco mil homens. Mas Jesus disse aos discípulos: «Mandem o povo sentar-se em grupos de cinqüenta.» 15 Os discípulos assim fizeram, e todos se sentaram. 16 Então Jesus pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou sobre eles a bênção e os partiu, e ia dando aos discípulos a fim de que distribuíssem para a multidão. 17 Todos comeram, ficaram satisfeitos, e ainda foram recolhidos doze cestos de pedaços que sobraram.

Bíblia Sagrada - Edição Pastoral

Eucaristia, banquete universal - Johan Konings, SJ
O distintivo dos primeiros cristãos era a refeição comunitária (cf At 2,32-34 etc.). O gesto de Jesus reunindo o povo no deserto e providenciando milagrosamente pão para todos é um símbolo da Igreja. Jesus quis ficar presente na Igreja no sinal da refeição aberta a todos que aderissem a ele – muito diferente daqueles banquetes onde geralmente só se convidam as pessoas da mesma classe, ou os que podem pagar…

A multiplicação dos pães é sinal messiânico, sinal dos tempos em que tudo acontecerá conforme o desejo de Deus, sinal do Reino de Deus: fartura e comunhão. Mas é ainda prefiguração. A refeição à beira do lago da Galileia se tornará completa somente quando Jesus der seu próprio Corpo e Sangue, na cruz. Então já não será passageira: será uma realidade de uma vez para sempre, no sacramento confiado à Igreja. Este é também o sentido profundo que a Igreja vê no misterioso pão e vinho oferecidos pelo sumo sacerdote Melquisedec, a quem até o pai Abraão presta reverência (1ª leitura).

A Eucaristia deve, então, ser verdadeiro banquete messiânico, sinal dos tempos novos e definitivos, em que as divisões e provações são superadas, na vida da fé em Cristo Jesus. A desigualdade, o escândalo de super-ricos ao lado de pobres morrendo de fome, a marginalização são incompatíveis com a Eucaristia (2ª leitura). Na Eucaristia, Cristo identifica a comida partilhada com sua própria vida e pessoa. O pão repartido se torna presença de Cristo. Onde não se reparte o pão, Cristo não pode estar presente.

Tudo isso dá o que pensar. Na multiplicação dos pães, Jesus não fez descer pão do céu, como o maná de Moisés. Nem transformou pedras em pão, como lhe sugerira o demônio quando das tentações no deserto. Mas ordenou aos discípulos: “Vós mesmos, dai-lhes de comer”… e o pão não faltou. Porém, se não observarmos esta ordem de Jesus e não dermos de comer aos nossos irmãos, ele também não poderá tomar-se presente em nosso dom. Então, não só o pão, mas Cristo mesmo faltará.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz: