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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Ser cristão é ajudar o próximo

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Cada homem pode «tornar-se o próximo de quem se encontra em necessidade», contanto que no coração haja «compaixão, isto é, a capacidade de sofrer com o outro». É uma certeza consoladora a que o Papa Francisco tirou da releitura da parábola do bom samaritano, durante a Audiência Geral de quarta-feira, 27 de abril. Prosseguindo com os fiéis presentes na praça de São Pedro as catequeses sobre o tema da misericórdia ligado ao jubileu extraordinário, o Pontífice ofereceu uma reflexão sobre a atualidade do famoso trecho evangélico de Lucas (10, 25-37).

Francisco recordou que «ele põe em cena um sacerdote, um levita e um samaritano». E se «os dois primeiros são personagens ligados ao culto do templo, o terceiro é um judeu cismático, considerado um estrangeiro impuro». Mas quando «o sacerdote e o levita encontram o moribundo», mesmo se «a lei do Senhor em situações semelhantes» previa «a obrigação de o socorrer», ambos «passam além. Estavam – comentou o Papa com uma das suas características observações improvisadas – com pressa.... O sacerdote, talvez, tenha olhado para o relógio e dito: “Mas, chego tarde à missa”. E o outro disse: “Mas, não sei se a lei me permite”».

E aqui a parábola, esclareceu Francisco, «oferece um primeiro ensinamento»: isto é, que «não é automático que quem frequenta a casa de Deus e conhece a sua misericórdia saiba amar o próximo. Podes conhecer a Bíblia inteira, todas as rubricas litúrgicas, toda a teologia, mas do conhecer o amar não é automático». Com efeito, acrescentou o Pontífice, «não existe culto verdadeiro se não se traduzir em serviço ao próximo. Nunca esqueçamos: diante do sofrimento de tantas pessoas esgotadas pela fome, pela violência e injustiças – recomendou – não podemos permanecer espectadores». De resto, «ignorar o sofrimento do homem, significa ignorar Deus. Se não me aproximo de um homem, de uma mulher, de uma criança, de um idoso ou idosa que sofre, não me aproximo de Deus».

Mas o verdadeiro «centro da parábola», prosseguiu o Pontífice, é «o samaritano, sobre o qual ninguém teria apostado algo e que contudo também tinha os seus compromissos, quando viu o homem ferido». E no entanto, ele «não passou além como fizeram os outros dois» mas «teve compaixão» do desventurado. Eis então «a diferença. Os outros dois “viram” mas os seus corações permaneceram fechados, frios. Pelo contrário, o coração do samaritano estava sintonizado com o coração de Deus. De fato, a “compaixão” é uma característica essencial da misericórdia de Deus», que «sofre conosco», sente «os nossos sofrimentos». Por isso, «nos gestos e ações do bom samaritano reconhecemos a ação misericordiosa de Deus. É a mesma compaixão com a qual o Senhor vem ter com cada um de nós: Ele não nos ignora, conhece as nossas dores, sabe quanto precisamos de ajuda e de consolação». 

Portanto, com Jesus dá-se uma viragem das perspetivas humanas. «No início da parábola – observou Francisco – para o sacerdote e o levita o próximo era o moribundo; no final o próximo é o samaritano que se aproximou». Consequentemente, concluiu, a «parábola é um dom maravilhoso para todos» mas «também um compromisso. 
Estamos chamados a percorrer o mesmo caminho do bom samaritano, que é figura de Cristo: Jesus inclinou-se sobre nós, fez-se nosso servo, e assim salvou-nos, para que também nós possamos amar-nos como ele nos amou».