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quarta-feira, 30 de março de 2016

A arte da manutenção


Crônica de Martha Medeiros

Bem que eu gostaria de dizer que essa crônica foi inspirada em Zen e a arte da manutenção de motocicletas, livro de Robert M. Pirsig que, encantada, comecei a ler aos 24 anos e que nunca terminei. Estava adorando e, de repente, cadê o livro? Emprestei, me roubaram ou esqueci no ônibus. Só sei que o perdi. Um dia retomarei essa leitura, não de onde parei, óbvio, e sim desde o início, já que minha memória não dá para mais nada.

Então, como ia dizendo, não me inspirei neste clássico da filosofia moderna, o que me conferiria certo charme, e sim em fuleiras notinhas de rodapé que se repetem sem que ninguém dê a mínima: cinco feridos em carrinho de montanha-russa, casal despenca da roda-gigante, adolescente atingida por um brinquedo que se desprendeu. Os parques de diversões não estão para brincadeira.

A responsabilidade é de quem? De quem deveria zelar pela manutenção, mas ninguém está nem aí. Inaugura-se o parque, o tempo passa, tudo enferruja, o equipamento corrói e salve-se quem puder.

Não resisto à tentação de comparar. Você me conhece. Vou comparar. É ou não é o retrato da maioria das relações?

No começo, tudo parque de diversão. Frio na barriga, vertigem, gritinhos. Depois, acostuma-se, o medo passa, a excitação também. Ninguém mais vê graça na coisa, mas sabe como é, acostumamos, vira hábito, todo sábado à tarde, toda quarta à noite, os amigos estimulam, vamos lá, vamos lá, até que um se esborracha no chão.

Entre dolorido, surpreso e indignado, a vítima se pergunta: o que é que aconteceu? Os responsáveis pelo parque não zelaram pela segurança, apenas isso, e como alertei, não estou falando apenas de parques, mas também de casamentos, paixões, amizades, o prazer maior da vida. Era para ser divertido para sempre, empolgante para sempre, inspirador para sempre, mas a maioria acredita que a longevidade dos amores é atribuição do destino, ele é que tem que tomar conta.

Nenhum encantamento se mantém sem uma boa supervisão. Não basta dar corda e depois cruzar os braços. Não dá pra apertar o botão e depois sair para tomar um lanche. Não se pode confiar na sorte. A engrenagem não se autolubrifica sozinha, os movimentos não se renovam no
automático e o tempo não faz mágica. Diversão, como tudo na vida, também exige cuidado.

Mas quem é que tem paciência para o zelo, de onde tirar disposição para renovar o suspiro mil vezes reprisado? Começa maravilhoso, depois fica legal, aí legalzinho, até o “larguei de mão, cansei”.

Manutenção. Talvez eu tenha extraído aqui, por resquícios indeléveis da memória, alguns substratos do emblemático livro de Robert M. Pirsig, mas o assunto ainda é parque de diversões (os reais e os metafóricos), e o perigo que os ronda quando decaem.

Marta Medeiros - "A graça da coisa"

segunda-feira, 28 de março de 2016

Urbi et Orbi: Papa recorda conflitos e faz apelo pela paz

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Papa Francisco presidiu, na manhã deste domingo de Páscoa (27), na Basílica de São Pedro, a solene celebração Eucarística da Ressurreição do Senhor, da qual participaram milhares de fiéis e peregrinos de várias partes do mundo.

A cerimônia teve início com o rito do Ressurexit, anúncio da Ressurreição do Senhor. O Papa não fez a homilia durante esta celebração, pois ao final da cerimônia dirigiu aos fiéis suas felicitações de Santa Páscoa e concedeu a Bênção “Urbi et Orbi” à Cidade de Roma e ao mundo inteiro, do balcão central da Basílica Vaticana.

A Praça São Pedro foi adornada com mais de 35 mil flores e plantas provenientes da Holanda, como acontece há 30 anos consecutivos por ocasião da solenidade pascal, uma oferta que o Papa agradeceu.

"Jesus Cristo, encarnação da misericórdia de Deus, por amor morreu na cruz e por amor ressuscitou. Por isso, proclamamos hoje: Jesus é o Senhor! A sua Ressurreição realizou plenamente a profecia do Salmo: A misericórdia de Deus é eterna, o seu amor é para sempre, não morre jamais. Podemos confiar completamente Nele e damos-lhe graças porque por nós Ele desceu ao fundo do abismo”, disse Francisco na mensagem Urbi et Orbi, proferida neste Domingo de Páscoa.

“Diante dos abismos espirituais e morais da humanidade, diante dos vazios que se abrem nos corações e que provocam ódio e morte, somente uma infinita misericórdia pode nos dar a salvação. Só Deus pode preencher com o seu amor esses vazios, esses abismos, e fazer-nos não afundar, mas continuar caminhando juntos em direção à Terra da liberdade e da vida.” E o pontífice que acrescentou:

“O anúncio jubiloso da Páscoa: Jesus, o crucificado, não está aqui, ressuscitou nos dá a certeza consoladora de que o abismo da morte foi superado e com ele foram derrotados o luto, o pranto e a dor. O Senhor, que sofreu o abandono dos seus discípulos, o peso de uma condenação injusta e a vergonha de uma morte infame, nos faz agora compartilhar a sua vida imortal, e nos oferece o seu olhar de ternura e compaixão para com os famintos e sedentos, com os estrangeiros e prisioneiros, com os marginalizados e descartados, com as vítimas de abuso e violência. O mundo está cheio de pessoas que sofrem no corpo e no espírito, enquanto as crônicas diárias estão repletas de relatos de crimes brutais, que muitas vezes acontecem dentro dos lares, e de conflitos armados numa grande escala que submetem populações inteiras a provações inimagináveis.”

A seguir, Francisco recordou as nações que estão em conflito:

“Cristo ressuscitado indica caminhos de esperança para a querida Síria, um País devastado por um longo conflito, com o seu cortejo triste de destruição, morte, de desprezo pelo direito humanitário e desintegração da convivência civil. Confiamos ao poder do Senhor ressuscitado os colóquios em andamento, de modo que, com a boa vontade e a cooperação de todos, seja possível colher os frutos da paz e dar início à construção de uma sociedade fraterna, que respeite a dignidade e os direitos de cada cidadão. A mensagem de vida proclamada pelo anjo junto da pedra rolada do sepulcro, vença a dureza dos corações e promova um encontro fecundo entre povos e culturas nas outras regiões da bacia do Mediterrâneo e do Oriente Médio, particularmente no Iraque, Iêmen e na Líbia.”

“A imagem do homem novo, que resplandece no rosto de Cristo, favoreça a convivência entre israelenses e palestinos na Terra Santa, bem como a disponibilidade paciente e o esforço diário para trabalhar no sentido de construir as bases de uma paz justa e duradoura através de uma negociação direta e sincera. O Senhor da vida acompanhe também os esforços para alcançar uma solução definitiva para a guerra na Ucrânia, inspirando e apoiando igualmente as iniciativas de ajuda humanitária, entre as quais a libertação das pessoas detidas.”

O Papa também lembrou os ataques terroristas que ceifaram a vida de tantas pessoas:

“O Senhor Jesus, nossa paz, que ressuscitando derrotou o mal e o pecado, possa favorecer, nesta festa de Páscoa, a nossa proximidade às vítimas do terrorismo, forma de violência cega e brutal que continua derramando sangue inocente em diversas partes do mundo, como aconteceu nos ataques recentes na Bélgica, Turquia, Nigéria, Chade, Camarões e Costa do Marfim. Possam frutificar os fermentos de esperança e as perspectivas de paz na África; penso de modo particular ao Burundi, Moçambique, República Democrática do Congo e o Sudão do Sul, marcados por tensões políticas e sociais.”

“Com as armas do amor, Deus derrotou o egoísmo e a morte; seu Filho Jesus é a porta da misericórdia aberta para todos. Que a sua mensagem pascal possa se projetar cada vez mais sobre o povo venezuelano nas difíceis condições em que vive e sobre aqueles que detêm em suas mãos os destinos do País, para que se possa trabalhar em vista do bem comum, buscando espaços de diálogo e colaboração ente todos. Que de todos os lados possam ser tomadas medidas para promover a cultura do encontro, a justiça e o respeito mútuo, que podem garantir o bem-estar espiritual e material dos cidadãos.”

“O Cristo ressuscitado, anúncio de vida para toda a humanidade, reverbera através dos séculos e nos convida a não esquecer dos homens e mulheres a caminho em busca de um futuro melhor, grupos cada vez mais números de migrantes e refugiados – dentre os quais muitas crianças - que fogem da guerra, da fome, da pobreza e da injustiça social. Esses nossos irmãos e irmãs, que nos seus caminhos encontram com demasiada frequência a morte ou a recusa dos que poderiam oferecer-lhes hospitalidade e ajuda. Que a próxima reunião da Cúpula Mundial Humanitária não deixe de colocar no centro a pessoa humana com a sua dignidade e possa desenvolver políticas capazes de ajudar e proteger as vítimas de conflitos e de outras situações de emergência, especialmente os mais vulneráveis e os que sofrem perseguição por motivos étnicos e religiosos.”

“Neste dia glorioso, 'alegra-se a terra inundada de grande esplendor', mas ainda tão abusada e vilipendiada por uma exploração gananciosa pelo lucro, que altera o equilíbrio da natureza. Penso em particular nas regiões afetadas pelos efeitos das mudanças climáticas, que muitas vezes causam secas ou violentas inundações, resultando em crises alimentares em diferentes partes do planeta”, disse ainda o Papa.

“Com nossos irmãos e irmãs que são perseguidos por causa da sua fé e por sua lealdade ao nome de Cristo e diante do mal que parece prevalecer na vida de tantas pessoas, ouçamos novamente as palavras consoladoras do Senhor: «Não tenham medo! Eu venci o mundo!» Hoje é o dia radiante desta vitória, porque Cristo calcou a morte e com a sua ressurreição fez resplandecer a vida e imortalidade. «Ele nos fez passar da escravidão à liberdade, da tristeza à alegria, do luto à festa, das trevas à luz, da escravidão à redenção. Por isso, proclamemos diante d’Ele: Aleluia!»”
Francisco concluiu a mensagem Urbi et Orbi com as seguintes palavras:

“Para aqueles em nossas sociedades que perderam toda a esperança e alegria de viver, aos idosos oprimidos que na solidão sentem as forças desvanecer, aos jovens aos quais parece não existir o futuro, a todos eu dirijo mais uma vez as palavras do Ressuscitado: «Eis que eu faço novas todas as coisas... a quem tem sede eu darei gratuitamente da fonte de água viva». Que esta mensagem consoladora de Jesus possa ajudar cada um de nós a recomeçar com mais coragem e esperança, para assim construir estradas de reconciliação com Deus e com os irmãos.”

domingo, 27 de março de 2016

Domingo de Páscoa

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1ª Leitura - At 10,34a.37-43
Salmo - Sl 117,1-2.16ab-17.22-23 (R.24)
2ª Leitura - Cl 3,1-4
Evangelho - Jo 20,1-9

No primeiro dia da semana,
Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus,
bem de madrugada, quando ainda estava escuro,
e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.
Então ela saiu correndo
e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo,
aquele que Jesus amava,
e lhes disse: 'Tiraram o Senhor do túmulo,
e não sabemos onde o colocaram.'
Saíram, então, Pedro e o outro discípulo
e foram ao túmulo.
Os dois corriam juntos,
mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro
e chegou primeiro ao túmulo.
Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão,
mas não entrou.
Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás,
e entrou no túmulo.
Viu as faixas de linho deitadas no chão
e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus,
não posto com as faixas,
mas enrolado num lugar à parte.
Então entrou também o outro discípulo,
que tinha chegado primeiro ao túmulo.
Ele viu, e acreditou.
De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura,
segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
Palavra da Salvação.

Entendendo a ressurreição – Pe. João Batista Libânio, sj

Nós somos muito curiosos e, diante desse mistério da ressurreição, procuramos alguma maneira de entender o que aconteceu com Jesus. Nós só temos um caminho para aproveitar as nossas experiências e prolongá-las até o momento de dizer: “Agora eu tenho alguma ideia!”.

Vou tentar mostrar para vocês, como a própria natureza vai-nos ensinando a compreender o mistério da ressurreição. Observem uma pedra num jardim. Se não houver nada, depois de dez, vinte anos, a pedra estará lá, tal qual, porque ali há um mundo que é mínimo. Pode haver movimento de prótons, átomos, mas tudo fica parado naquela pedra. O espiritual aí é quase nada, um mínimo de movimento. Mas se vocês observarem uma
planta, vão ver que é diferente. Passa um tempo e vão ver que ela cresceu. Parece que ela tem um pouco de espírito. Ela consegue subir, esticar seus braços, cobrir-se com suas sombras. É um mínimo de vida. Parece que ela vai mostrando para nós que a vida consegue expandir-se. Mas as raízes a prendem. Você não consegue ver árvores dançando de alegria, porque elas estão agarradas ao solo, mas crescem. Conseguem mostrar que são mais espirituais que a pedra. Que são capazes de expandir-se.

Olhemos para o animal. O animal já se move. Ele não só tem vida, mas a sua vida se expande. Mesmo sendo animal irracional, ocupa tempo e espaço. Um espaço razoável, e alguns até migram e fazem viagens longas por si mesmos. Atravessam até oceanos. Os animais andam. Eles são mais espirituais que a pedra, mais espirituais que a árvore, porque caminham.

Agora olhem pra nós, seres humanos. Parece que Jesus quis mostrar que temos coisas muito parecidas com a ressurreição. Eu estou preso aqui a este lugar. Não posso sair daqui nesta hora, estou ligado ao tempo e ao espaço. Mas a minha palavra é uma só e ela vai, atinge. E se eu tivesse um rádio, uma televisão, poderia atingir mais pessoas.

Portanto, a palavra é algo muito espiritual. É uma ideia, é um conceito. Nós podemos, aqui, fechar os olhos e dizer: ‘Eu amo os chineses, eu amo Cingapura’ e aí meu amor é capaz de abarcar tantas pessoas. Agora imaginem que não a minha palavra, mas o meu amor é que abarca tantas pessoas. É divino. É o Cristo ressuscitado.

O Cristo ressuscitado é aquele que não está mais ligado, como eu estou ligado aqui ao tempo e ao espaço. Ele está aqui, está em Roma, está em qualquer lugar. É como a minha palavra, é como o meu amor. Portanto, não é nenhuma magia. É algo que nós podemos entender a nosso modo, comparando, porque o amor também não está preso. Que o digam as mães, que têm filhos longe, se o amor está preso. Não. O amor é capaz de abarcar quatro, cinco filhos em lugares diferentes, porque vem do coração de mãe. É amor e ele não está ligado ao tempo e espaço.
Outra imagem, bem simples, para entendermos o mistério da ressurreição. Olhem para um casulo. Nosso corpo é um casulo e, dentro dele, tece-se uma vida. E vai tecendo: dez, vinte, quarenta até cem anos, como essa senhora que está aqui. Esta vida vai tecendo e chega um momento em que ela já não cabe no casulo, como a larva não cabe no casulo. Ela rasga o casulo e dele sai aquela borboleta linda, de asas azuis voando.
É o Cristo ressuscitado. O corpo Dele – aquela larva tecida nos trinta, quarenta anos que Ele viveu - não cabe mais no casulo. O amor foi crescendo, crescendo. E houve um momento em que o casulo do seu corpo não mais segurou esse mistério de sua presença que expande e atravessa todos os tempos e espaços.

Esse é o Cristo glorioso. É como a borboleta que voa, mas não a borboleta inseto. É o amor infinito de Jesus. Ele pode mostrar-se em todas as partes, em todos os tempos. É por isso que, em qualquer momento da nossa vida, Ele está bem perto de nós. Em qualquer tempo, em qualquer hora, basta ter fé para ver. Nada mais. Não precisa de esforço. É como aquele filho que sai e sabe que sua mãe o ama em qualquer momento, como aquele filho da parábola do filho pródigo: “Lá na casa do meu pai os escravos estão melhores do que eu”. Ele tinha certeza de que, quando pensou em voltar para casa, o seu pai pensava também nele. Os amores se cruzaram e ele se levantou e voltou à casa de seu pai.

Para que os nossos amores aconteçam e se cruzem, só depende da nossa linha que atravessa todos os lados. Qualquer risco que nós fizermos, cruzaremos com as outras linhas. Porque as linhas do amor de Jesus são tão grandes, são uma rede muito mais tecida do que uma teia de aranha, muito mais tecida do que os nossos tecidos. E aí basta um riscozinho e já encontramos o amor do Senhor.

É essa certeza que nos dá alegria de viver. É o que nos faz aproximar do momento em que o nosso casulo também se romperá, que a larva da nossa história, da nossa existência, da nossa vida não caberá mais neste casulo e não haverá médico, nem remédio que poderá nos deter.
O Espírito não tem limite. É a nossa grande riqueza, a nossa grande alegria, mas também a nossa grande impotência. Porque ele é insaciável, é infinito. E nascemos para o infinito, caminhamos para o infinito, encontraremos o infinito. Amém.

Pe. João Batista Libânio – Um outro olhar, vol. 1

sábado, 26 de março de 2016

Vigília Pascal

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Saudade, esperança, vigília, luz, vitória, Vida Nova - Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM

Começamos o Sábado lembrando aquele que jaz no sepulcro. A manhã deste dia ainda é de recolhimento. Mas, fica sempre aquela cepa de certeza, aquele gostinho de esperança que brota do mais profundo da alma.

A tarde chega, a noite cai. É hora da Vigília das Vigílias, como dizia Santo Agostinho, da luz das luzes, do poder da vida sobre a morte. Afinal, ressuscitado e vivo é o nosso Deus. É por isso que esta noite é tão cheia de significados e de símbolos: Liturgia do fogo e da luz; Liturgia da Palavra; Liturgia Batismal e Liturgia Eucarística. 

Somos, com Cristo, ressuscitados para uma vida nova; somos banhados na pia batismal como homens novos, porque “ele vive e podemos crer no amanhã”; somos povo que caminha rumo, não mais a terra prometida, mas rumo ao Reino dos céus; enfim, comungamos aquele que é o Senhor ressuscitado, nossa Páscoa.

Tudo deveria refletir em nós a alegria que estamos sentindo. A Igreja, toda, iluminada pela luz do Filho do Deus Vivo, mergulhada no abismo de tão profundo mistério e envolvida com a missão de seu Divino Mestre, deveria cantar a uma só voz o “Aleluia”, guardado para este momento tão sublime. E lembrar que a partir deste momento, somos com Ele, ressuscitados para um mundo novo, alicerçado na paz, na justiça, no amor, na concórdia e na fraternidade, onde a Eucaristia brilha mais intensamente como lugar de partilha, de comunhão verdadeira e de ação. Não podemos esquecer que somos sinais, do Cristo ressuscitado.

O tríduo termina com a oração das vésperas (tarde) do Domingo de Páscoa, que é o domingo dos domingos, como afirma Santo Atanásio, mas não a culminação de um tríduo preparatório, e sim a reafirmação da Vitória, já celebrada na grande Vigília do dia anterior.
O maior tesouro da liturgia está nestes três dias, nos quais recordamos a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Nosso Senhor. O Tríduo Pascal é a celebração mais importante na vida da Igreja, na há celebração, em ordem de grandeza que se possa colocar em seu nível. Assim, estes três dias são o centro não só do ciclo da Páscoa como tal, mas também de toda a liturgia e de toda a Igreja.

Que possamos celebrar bem estes dias e que a certeza do Senhor que Vive e Reina, seja a maior das certezas de nossa vida cristã. O mistério pascal que celebramos nos dias do sagrado tríduo é a pauta e o programa que devemos seguir em nossas vidas.

A descida do Senhor à mansão dos mortos - De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo 

Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.

Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’

Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida.

Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.

Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Liturgia: Sexta-feira da Paixão

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1ª Leitura - Is 52,13 - 53,12
Salmo - Sl 30,2.6.12-13.15-16.17.25 (R.Lc 23,46)
2ª Leitura - Hb 4,14-16; 5,7-9
Evangelho - Jo 18,1-19,42

Amor levado ao extremo - Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM

Nossas igrejas se enchem, choramos Aquele que morre na cruz, caminhamos lado a lado com o Senhor Morto. É a sexta-feira da Paixão. Aquele que ontem havia celebrado a Ceia com os seus, mas que havia sido na mesma noite entregue aos “homens deste mundo”, agora jaz no madeiro.

Contudo, e aqui está a beleza da liturgia integrada como única celebração de vida, adoramos o madeiro e o beijamos porque ele, o madeiro da dor, é sinal de glória. Nele adoramos aquele que viverá, que ressurgirá da morte e nos libertará a todos. Identificamo-nos tanto com Ele neste dia que até entendemos que nossas cruzes diárias são parte de nossa humanidade, e que aceitá-las e tentar entendê-las talvez seja um primeiro passo para a vida nova, que todos buscamos. A cruz lembra dor, mas reforça a certeza da vitória.

Cristo ofereceu-se por nós 

Do Tratado sobre a fé de Pedro, de São Fulgêncio de Ruspe, bispo (Cap.22.62: CCL 91A, 726.750-751)

Os sacrifícios das vítimas materiais, que a própria Santíssima Trindade, Deus único do Antigo e do Novo Testamento, tinha ordenado que nossos antepassados lhe oferecessem, prefiguravam a agradabilíssima oferenda daquele sacrifício em que o Filho unigênito de Deus feito carne iria, misericordiosamente, oferecer-se por nós.
De fato, segundo as palavras do Apóstolo, ele se entregou a si mesmo a Deus por nós, em oblação e sacrifício de suave odor (Ef 5,2). É ele o verdadeiro Deus e o verdadeiro sumo-sacerdote que por nossa causa entrou de uma vez para sempre no santuário, não com o sangue de touros e bodes, mas com o seu próprio sangue. Era isto que outrora prefigurava o sumo-sacerdote, quando, uma vez por ano, entrava no santuário com o sangue das vítimas.
É Cristo, com efeito, que, por si só, ofereceu tudo o quanto sabia ser necessário para a nossa redenção; ele é ao mesmo tempo sacerdote e sacrifício, Deus e templo. Sacerdote, por quem somos reconciliados; sacrifício, pelo qual somos reconciliados; templo, onde somos reconciliados; Deus, com quem somos reconciliados. Entretanto, só ele é o sacerdote, o sacrifício e o templo, enquanto Deus na condição de servo; mas na sua condição divina, ele é Deus com o Pai e o Espírito Santo.

Acredita, pois, firmemente e não duvides que o próprio Filho Unigênito de Deus, a Palavra que se fez carne, se ofereceu por nós como sacrifício e vítima agradável a Deus. A ele, na unidade do Pai e do Espírito Santo, eram oferecidos sacrifícios de animais pelos patriarcas, profetas e sacerdotes do Antigo Testamento. E agora, no tempo do Novo Testamento, a ele, que é um só Deus com o Pai e o Espírito Santo, a santa Igreja católica não cessa de oferecer em toda a terra, na fé e na caridade, o sacrifício do pão e do vinho.

Antigamente, aquelas vítimas animais prefiguravam o corpo de Cristo, que ele, sem pecado, ofereceria pelos nossos pecados, e seu sangue, que ele derramaria pela remissão desses mesmos pecados. Agora, este sacrifício é ação de graças e memorial do Corpo de Cristo que ele ofereceu por nós, e do sangue que o mesmo Deus derramou por nós. A esse respeito, fala São Paulo nos Atos dos Apóstolos: Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos colocou como guardas, para pastorear a Igreja de Deus, que ele adquiriu com o sangue do seu próprio Filho (At 20,28). Antigamente, aqueles sacrifícios eram figura do dom que nos seria feito; agora, este sacrifício manifesta claramente o que já nos foi doado.

Naqueles sacrifícios anunciava-se de antemão que o Filho de Deus devia sofrer a morte pelos ímpios; neste sacrifício anuncia-se que ele já sofreu essa morte, conforme atesta o Apóstolo: Quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado (Rm 5,6). E ainda: Quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho (Rm 5,10).

O sentido da morte na morte de Jesus  - Pe. João Batista Libânio, sj

Essa leitura longa já é uma grande homilia da comunidade primitiva para nós.

Gostaria somente de deixar uma única frase: “Essa é a única morte que nos pode dar força diante das outras mortes!” Só esta frase. Esta é a única morte que pode nos dar força diante de todas as mortes que nos cercam, como uma mãe, cujo filho morreu assassinado. Onde essa mulher vai buscar força? É na morte desse Homem, que a assumiu exatamente para estar ao nosso lado nessas horas. A morte de um filho inocente, vítima de um câncer. Onde a mãe, o pai, o irmão vão encontrar forças? É nessa morte. A morte de um pai, a morte de um ente querido, de um amigo, a morte de uma criança... Todas elas são para nós um absurdo, porque a morte é o nada que entra na nossa história, e seria nada mesmo, se não houvesse essa morte que deu sentido a todas as outras. Só por isso valeu a morte de Jesus.

Havia um judeu que estava sendo procurado pela polícia alemã, chamada Gestapo. Ele e sua esposa viviam no mais terrível medo, quando chega a polícia e o prende. Ele volta-se para a esposa e diz esta frase: “O tempo do medo acabou. Agora só existe para nós o tempo da esperança!”.

Uma pessoa faz uma biópsia, não sabe qual o resultado - é o tempo do medo. Vem o resultado, é doença. Começa o tempo da esperança. É esse tempo da esperança que a morte de Jesus nos dá, porque virão doenças, virão dores sobre nós, sobre nossas famílias. Quando chega um diagnóstico terrível, qual a palavra que eu tenho? Nenhuma, a não ser olhar para este Homem que assumiu a morte para estar conosco, não para curar, mas para estar ao nosso lado até à morte, se for o caso. Ele não vai curar. Não procurem milagres, não. Procurem sim, encontrá-Lo nessa hora, para que Ele lhes dê força, para que vocês, na dor, na tristeza, possam levantar a cabeça e dizer: “Eu espero, eu acredito, eu confio. Eu sou capaz até de encontrar alegria aí, porque o meu Senhor morreu da forma que morreu”. Amém!

Pe. João Batista Libânio, sj – Um outro olhar, vol. 1 

Confira a reflexão de Frei Gustavo Medella para esta Sexta-feira da Paixão




quinta-feira, 24 de março de 2016

Quinta-feira Santa



Ex 12, 1-8.11-14
Sl 115 (116B), 12-13.15-16bc.17-18 (R/ cf 1Cor 10,16)
1Cor 11, 23-26
Jo 13, 1-15

Dia do novo mandamento - Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM

Ele, o Mestre, deu testemunho do que dizia, manda amar a todos, ensina que é no lavar os pés: sujos, descalços, pobres, que se identificam os seus seguidores. Que amar aqueles que lhe amam é fácil, mas amar os inimigos, aqueles que comem na mesma mesa sem ser dignos dela, é ser diferente. 
Na missa desta tarde-noite, antecipa-se a entrega total na doação eucarística (Última Ceia). Celebramos o amor que se doa, na cruz e na glória. Mergulhamos, portanto, na sublimidade pascal. Tudo nesta Ceia-doação nos leva à descoberta do amor. É nesta missa que se inicia o Tríduo Pascal.

O Cordeiro imolado libertou-nos da morte para a vida

Da Homilia sobre a Páscoa, de Melitão de Sardes, bispo (N.65-71: SCh123,94-100) (Séc.II)

Muitas coisas foram preditas pelos profetas sobre o mistério da Páscoa, que é Cristo, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém (Gl 1,5).

Ele desceu dos céus à terra para curar a enfermidade do homem; revestiu-se da nossa natureza no seio da Virgem e se fez homem; tomou sobre si os sofrimentos do homem enfermo num corpo sujeito ao sofrimento, e destruiu as paixões da carne; seu espírito, que não pode morrer, matou a morte homicida.

Foi levado como cordeiro e morto como ovelha; libertou-nos das seduções do mundo, como outrora tirou os israelitas do Egito; salvou-nos da escravidão do demônio, como outrora fez sair Israel das mãos do faraó; marcou nossas almas como sinal do seu Espírito e os nossos corpos com seu sangue.
Foi ele que venceu a morte e confundiu o demônio, como outrora Moisés ao faraó. Foi ele que destruiu a iniquidade e condenou a injustiça à esterilidade, como Moisés ao Egito.

Foi ele que nos fez passar da escravidão para a liberdade, das trevas para a luz, da morte para a vida, da tirania para o reino sem fim, e fez de nós um sacerdócio novo, um povo eleito para sempre. Ele é a Páscoa da nossa salvação.

Foi ele que tomou sobre si os sofrimentos de muitos: foi morto em Abel; amarrado de pés e mãos em Isaac; exilado de sua terra em Jacó; vendido em José; exposto em Moisés; sacrificado no cordeiro pascal; perseguido em Davi e ultrajado nos profetas.

Foi ele que se encarnou no seio da Virgem, foi suspenso na cruz, sepultado na terra e, ressuscitando dos mortos, subiu ao mais alto dos céus.

Foi ele o cordeiro que não abriu a boca, o cordeiro imolado, nascido de Maria, a bela ovelhinha; retirado do rebanho, foi levado ao matadouro, imolado à tarde e sepultado à noite; ao ser crucificado, não lhe quebraram osso algum, e ao ser sepultado, não experimentou a corrupção; mas ressuscitando dos mortos, ressuscitou também a humanidade das profundezas do sepulcro.

Confira a reflexão de Frei Gustavo Medella para esta Quinta-feira Santa


quarta-feira, 23 de março de 2016

QUINTA-FEIRA SANTA - CAMINHOS DO EVANGELHO

Audiência: Tríduo Pascal no Jubileu da Misericórdia


Nesta quarta-feira da Semana Santa (23), o Papa Francisco esteve na Praça de São Pedro para a Audiência Geral. O Pontífice abordou o Tríduo Pascal, que será celebrado nos próximos dias, e recordou o Ano da Misericórdia.

"Na Páscoa deste Ano Santo celebramos o mais importante mistério da nossa fé, um mistério que nos fala de misericórdia, de um amor que não conhece obstáculos” – disse o Santo Padre que sublinhou cada um dos dias importantes desta Semana Santa.

Na Quinta-feira Santa – disse o Papa – ao celebrar a instituição da Eucaristia, refletimos sobre amor que se faz serviço; sobre a presença que sacia a fome dos homens e que nos impele a fazer o mesmo com os outros.

Na Sexta-feira, com a Paixão de Cristo, deparamo-nos com o momento culminante do amor, um amor que não exclui ninguém – afirmou o Santo Padre.

No Sábado Santo, contemplamos, no silêncio de Deus, o amor que se solidariza com todos os abandonados e que se faz espera pela vida nova ressuscitada – declarou o Papa que destacou o silêncio de Maria, Mãe de Jesus considerando ser o ícone de Sábado Santo: “Nossa Senhora viveu aquele Sábado Santo esperando” – disse o Papa Francisco.

O Tríduo Pascal é assim – concluiu o Santo Padre – um convite a fixar o olhar na paixão e morte do Senhor, para poder acolher no coração a grandeza do seu amor, na espera da Ressurreição.

Nas saudações em língua italiana destaque para a declaração do Papa Francisco sobre os atentados em Bruxelas nesta terça-feira dia 22 de março: “Com o coração dolorido segui as tristes notícias dos atentados terroristas acontecidos ontem em Bruxelas, que causaram numerosas vítimas e feridos. Asseguro a minha oração e a minha proximidade à cara população belga, a todos os familiares das vítimas e a todos os feridos.”

“Dirijo novamente um apelo a todas as pessoas de boa vontade para unirem-se na unânime condenação destas cruéis abominações que estão a causar apenas morte, terror e horror. A todos peço de perseverar na oração e em pedir ao Senhor, nesta Semana Santa, de confortar os corações aflitos e de converter os corações destas pessoas cegas pelo fundamentalismo cruel, pela intercessão da Virgem Maria.”

Francisco propôs a todos os fiéis uma Avé Maria e um momento de oração em silêncio.

Um Santo Tríduo Pascal para todos!”

O Papa Francisco a todos deu a sua benção.

terça-feira, 22 de março de 2016

22 de março - Dia Mundial da Água

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Hoje, 22 de março, se comemora o Dia Mundial da Água. Neste ano, o tema é  Água e Empregos: Investir em Água é Investir em Empregos. Em todo o mundo haverá debates, oficinas e diversos espaços para tratar este assunto tão importante.

O Dia Mundial da Água foi criado em 1993, pela Organização das Nações Unidas (ONU), preocupados com o tema. Atualmente mais de 40% da população mundial sobre com escassez de água.
A água é também, para os cristãos, símbolo muito importante, presente nos sacramentos e na Eucaristia. A Bíblia está repleta de passagens relacionadas à água. A vida pública de Jesus também. No Batismo de Jesus, Bodas de Caná, no encontro com a Samaritana, até em sua morte, quando jorra do lado aberto de Jesus sangue e água.

Gesto concreto

Diante da grande crise enfrentada, muitos de nós mudamos nossa rotina em relação ao consumo de água. Este uso consciente, além de gerar benefícios para o meio ambiente, nos ajuda na relação com a criação e com o próximo.

Algumas dicas podem nos ajudar:

- Feche bem as torneiras após o uso. A torneira aberta durante 1 minuto gasta 3 litros de água.
- Feche a torneira enquanto escova os dentes ou faz a barba. Uma torneira gotejando gasta 46 litros de água/dia; um filete desperdiça de 180 a 750 litros/dia; e uma torneira jorrando gasta de 25 mil a 45 mil litros/dia.
- Desligue o chuveiro para se ensaboar e reabra para se enxaguar. Evite banhos demorados. O chuveiro aberto durante 15 minutos gasta 60 litros de água.
- Antes de lavar a louça, remova restos de comida dos pratos e das panelas, ensaboe, e só abra a torneira para o enxague.
- Não lave calçadas e carros. As calçadas podem ser varridas, e os carros podem ser limpos com um pano seco. Deixe a água para o que é necessário.
- Molhe plantas e jardins ao entardecer ou amanhecer. Isso evita a evaporação rápida da água. E utilize regador em vez de mangueira.
- Evite que as crianças brinquem de tomar banho com mangueira.
- Fique atento aos vazamentos em pias, chuveiros e vasos sanitários.
- Faça o reuso da água. A água da máquina de lavar pode servir para limpar o chão e dar a descarga. Muitas pessoas estão inclusive reutilizando a água que cai durante o banho para usar na descarga.
- Toda economia é importante! Não basta contar apenas com a chuva e com as providências dos governos estaduais e federal. O uso consciente da água é responsabilidade de cada um!

Oração para pedir chuvas

O Papa Paulo VI escreveu esta belíssima oração, para pedir chuvas. Rezemos com fé e confiança!

Deus, nosso Pai, Senhor do Céu e da terra
Tu és para nós existência, energia e vida
Criaste o homem à Tua imagem
a fim de que com o seu trabalho ele faça frutificar as riquezas da terra
Colaborando assim na Tua criação.
Temos consciência da nossa miséria e fraqueza:
nada podemos fazer sem Ti.
Tu, Pai bondoso, que sobre todos fazes brilhar o sol
e fazes cair a chuva,
Tem compaixão de todos os que sofrem duramente
pela seca que nos ameaça nestes dias.
Escuta com bondade as orações que Te são dirigidas
com confiança pela Tua Igreja,
como satisfizeste súplicas do profeta Elias
que intercedia em favor do Teu povo.
Faz cair do céu sobre a terra árida
a chuva desejada
a fim de que renasçam os frutos
e sejam salvos homens e animais.
Que a chuva seja para nós o sinal
da Tua graça e da Tua bênção:
assim, reconfortados pela Tua misericórdia,
dar-te-emos graças por todos os dons da terra e do céu,
com os quais o Teu Espírito satisfaz a nossa sede.
Por Jesus Cristo, Teu Filho,
que nos revelou o Teu amor,
fonte de água viva, que brota para a vida eterna.

Amém