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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Caminhos do Evangelho - 3° domingo da Quaresma

3º domingo da Quaresma

26_fev_evangelho-01


































1ª Leitura - Ex 3,1-8a.13-15
Salmo - Sl 102,1-2.3-4.6-7.8-11 (R.8a)
2ª Leitura - 1Cor 10,1-6.10.12
Evangelho - Lc 13,1-9

Naquele tempo, vieram algumas pessoas
trazendo notícias a Jesus
a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado,
misturando seu sangue com o dos sacrifícios que
ofereciam.
Jesus lhes respondeu:
'Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores
do que todos os outros galileus,
por terem sofrido tal coisa?
Eu vos digo que não.
Mas se vós não vos converterdes,
ireis morrer todos do mesmo modo.
E aqueles dezoito que morreram,
quando a torre de Siloé caiu sobre eles?
Pensais que eram mais culpados
do que todos os outros moradores de Jerusalém?
Eu vos digo que não.
Mas, se não vos converterdes,
ireis morrer todos do mesmo modo.'
E Jesus contou esta parábola:
'Certo homem tinha uma figueira
plantada na sua vinha.
Foi até ela procurar figos e não encontrou.
Então disse ao vinhateiro:
'Já faz três anos que venho procurando figos nesta
figueira e nada encontro.
Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?'
Ele, porém, respondeu:
'Senhor, deixa a figueira ainda este ano.
Vou cavar em volta dela e colocar adubo.
Pode ser que venha a dar fruto.
Se não der, então tu a cortarás.'
Palavra da Salvação.

O amor de Deus é fogo que não se consome – Pe. João Batista Libânio, sj

A primeira leitura é tão bonita, que sinto necessidade de fazer um pequeno comentário. É a parábola, a metáfora de nossa vida, ainda que pensemos que é a história do povo de Israel.

Moisés vai ao Monte Horeb, que é o mesmo Monte Sinai. Vai à montanha, que, para Israel, é o lugar da tentação, mas também da intimidade com Deus. É o silêncio de quando desligamos a televisão, o rádio e entramos no quarto; então, estamos no monte Horeb que existe em cada uma de nossas casas. Mas, certamente, não no momento em que as televisões estão gritando, as motos passando em alta velocidade. Aí todos os horebs desaparecem. O Sinai está em nossa casa! É o monte da Lei, da Torah, dos relâmpagos e tempestades. Aí Moisés vê uma sarça que arde sem se consumir. A única realidade que arde sem se consumir é um Deus que ama, é o amor de Deus, que está sempre a arder e nunca se consome. Portanto, podemos jogar a água que quisermos: a água do nosso desprezo, do nosso silêncio, da nossa indiferença. A sarça continuará ardendo, ao contrário dos amores humanos, que ardem na paixão e depois de alguns anos só restarão cinzas e nada mais.

Moisés ouve uma voz, indicando que estava próximo do sagrado. As suas sandálias, como as nossas, carregam poeira, pois pisam nas ruas, em tantos lugares contaminados. Como Moisés poderia entrar com elas no santuário? Como podemos nos aproximar de Deus carregados da poeira de nossa futilidade, do vazio, da falta de sentido? Com tudo isso, nada poderemos encontrar em Deus, porque projetaremos nele o nosso vazio terrível, e Ele nos aparecerá também vazio, mesmo que a sarça continue ardendo. Moisés tira a sandália. E nós? Será que tiramos as nossas sandálias para encontrar o Senhor?

A parábola continua: a voz que quer libertar o povo da escravidão. É claro que o povo somos nós. Como já falei em outras ocasiões, quarenta anos eles vão passar no deserto, quando toda uma geração morre. Isto é, nós morremos continuamente para alcançarmos a Terra prometida. Ninguém chegará à Terra Prometida sem antes morrer. Quarenta anos significam a nossa história. Pode-se ter noventa anos, que serão quarenta anos bíblicos. Quarenta é um número simbólico: não é preciso toda uma geração morrer para se chegar à plenitude. Nós só chegaremos à plenitude passando pela porta da morte. É bonito demais!

Pensando se tratar de um dos muitos deuses que havia naquela época, Moisés pergunta: “Como chamas?”. Javé responde ser o Deus de Abraão, Isaac, Jacó, o Deus dos vivos. Ele não é um Deus dos mortos. Podemos dizer que é o Deus dos nossos pais, dos nossos avós, da nossa família, de nossa cultura, de todos os nossos antepassados. Esse é o nosso Deus, aquele que atravessa todas as nossas tradições, toda a nossa história. Uma das coisas mais sérias das gerações de hoje é que as crianças não recebem mais esse Deus. Muitas vezes, os pais têm vergonha de falar dele, ou mesmo não sabem o que falar. O catecismo da infância foi soterrado e ficou apenas o vazio. Acabam não sabendo mais quem é Deus. As crianças e os jovens ficam sem Deus, porque não têm pai, mãe ou avós que lhes falem dele.

Mas não basta falar do Deus das nossas tradições. Isso ainda é pequeno, e Ele mesmo dá uma maravilhosa definição, de uma profundidade fantástica: “Eu sou aquele que sou!”. Nós não somos aquilo que somos. Somos fingidos, enganamos, mentimos, vivemos de aparências, somos maquiados, vestidos de tantas coisas que não são nós mesmos: queremos ostentar cargos e carros que não são nós. Talvez se nos despíssemos daquilo que não somos, viveríamos bem mais leves.

Deus é quem estará com o povo de Israel em todos os momentos da história, mesmo na morte, no fracasso, na traição. Saber que Ele é nosso Deus em qualquer situação é fantástico! Podemos nos debandar por aí afora, mas teremos sempre a certeza de que esse Deus é nosso Deus e de que podemos voltar quando quisermos. Ele estará ali, pois é o que é. Ele não desaparece, não acaba. É a sarça ardente que nunca se consome. Que metáfora linda! Ele não se acaba, e se Deus não se acaba, o seu amor também não se acaba. Se o seu amor não se acaba, em qualquer momento, poderemos voltar para Ele.

Pais, não desanimem jamais com os seus filhos, por mais perdidos que estejam na história da humanidade! Deus sempre estará ardendo de amor por eles, por aquele casal em que um mata e depois suicida, por aquele rapaz envolvido na droga. Podem voltar a qualquer hora. Podem sair, que Ele continuará dentro de cada um de vocês.

Sobre o evangelho, vou falar apenas umas poucas palavras. Ele vem corrigir um preconceito que até hoje existe. Sempre achamos que Deus nos castigou, quando nos acontece qualquer desgraça, ou que tinha mesmo que acontecer, por obra do destino. Será que Deus está sempre nos punindo? Isso está metido na imaginação das pessoas, como se Deus estivesse sempre nos cobrando. Ele não cobra nada! O amor não pode cobrar. Quando cobramos do esposo, da esposa, dos filhos, dos pais, é porque não amamos. O amor é pura gratuidade. Se Deus é pura gratuidade, nunca cobrará nada de ninguém, e nada é nada. Nunca nos esvaziará, pois é sarça ardente que arde sempre. É isso que Jesus está nos dizendo. Se caiu a torre de Siloé não foi nenhum castigo ou punição, mas erro de cálculos humanos. Se fizermos uma curva a cento e oitenta quilômetros por hora, e o carro cair no abismo, não será castigo, mas uma simples lei da física. Tiremos Deus das desgraças humanas! Deus só está olhando para nós e torcendo para que tudo dê certo, para que nunca aconteça um assalto. Mas se acontecer, Ele estará ao nosso lado, ajudando, dando-nos força, animando-nos.

O evangelho de hoje fala de esperança, de consolo, da paciência de tomar aquela figueira e cultivá-la sempre, por mais um ano, que não é temporal, mas todos os que ainda virão. Vejam-se nessa figueira! Os anos virão até o dia em que fecharmos os olhos. Só então não haverá mais chance. Para Deus, os números não existem, assim como os dias e as datas, porque o seu amor não tem calendário. Ele não tem tempo, não conhece anos, porque é eterno e infinito. Nós somos essa figueira que o amor de Deus sempre espera, e a quaresma é o momento bonito de regá-la e adubá-la Amém.

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol 8

Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz para este 3º domingo da Quaresma:

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Santo do dia: Santa Valburga

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Valburga, de origem inglesa, era filha de São Ricardo, rei dos saxões do Oeste. Nasceu por volta de 710 em Devonshire, na Inglaterra meridional. Era uma princesa dos Kents, cristãos que desde o século III se sucediam no trono. Ela viveu cercada de nobreza e santidade. Seus parentes eram reverenciados nos tronos reais, mas muitos preferiram trilhar o caminho da santidade e foram elevados ao altar pela Igreja, como seu pai, são Ricardo e os irmãos Vilibaldo e Vunibaldo.

Valburga tinha completado dez anos quando seu pai entregou o trono ao sobrinho, que tinha atingido a maioridade e levou a família para viver num mosteiro. Poucos meses depois, o rei e os dois filhos partiram em peregrinação para Jerusalém, enquanto ela foi confiada à abadessa de Wimburn. Dois anos depois seu pai morreu em Luca, Itália. Assim ela ficou no mosteiro onde se fez monja e se formou. Depois escreveu a vida de Vunibaldo e a narrativa das viagens de Vilibaldo pela Palestina, pois ambos já eram sacerdotes.

Em 748, foi enviada por sua abadessa à Alemanha, junto com outras religiosas, para fundar e implantar mosteiros e escolas entre populações recém-convertidas. Na viagem, uma grande tempestade foi aplacada pelas preces de Valburga, por ela Deus já operava milagres. Naquele país, foi recebida e apoiada pelo bispo Bonifácio, seu tio, que consolidava um grande trabalho de evangelização, auxiliado pelos sobrinhos missionários.

Designou a sobrinha para a diocese de Eichestat onde Vunibaldo que havia construído um mosteiro em Heidenheim e tinha projeto para um feminino na mesma localidade. Ambos concluíram o novo mosteiro e Valburga eleita a abadessa. Após a morte do irmão, ela passou a dirigir os dois mosteiros, função que exerceu durante dezessete anos. Nessa época transpareceu a sua santidade nos exemplos de sua mortificação, bem como no seu amor ao silêncio e na sua devoção ao Senhor. As obras assistenciais executadas pelos seus religiosos fizeram destes mosteiros os mais famosos e procurados de toda a região.

Valburga se entregou a Deus de tal forma que os prodígios aconteciam com frequência. Os mais citados são: o de uma luz sobrenatural que envolveu sua cela enquanto rezava, presenciada por todas as outras religiosas e o da cura da filha de um barão, depois de uma noite de orações ao seu lado.

Morreu no dia 25 de fevereiro de 779 e seu corpo foi enterrado no mosteiro de Heidenheim, onde permaneceu por oitenta anos. Mas, ao ser trasladado para a igreja de Eichestat, quando de sua canonização, em 893, o seu corpo foi encontrado ainda intacto. Além disso, das pedras do sepulcro brotava um fluído de aroma suave, como um óleo fino, fato que se repetiu sob o altar da igreja onde o corpo foi colocado.

Nesta mesma cerimônia, algumas relíquias da Santa foram enviadas para a França do Norte, onde o rei Carlos III, o Simples, havia construído no seu palácio de Atinhy, uma igreja dedicada a Santa Valburga. O seu culto, em 25 de fevereiro, se espalhou rápido, porque o óleo continuou brotando. Atualmente é recolhido em concha de prata e guardado em garrafinhas distribuídas para o mundo inteiro. Os devotos afirmam que opera milagres.

A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Cesário de Nazianzo, Hereno e Vítor.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A complicada arte de ver

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Crônica de Rubem Alves

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. “Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”.

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram”. Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção”: “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa  - garrafa, prato, facão era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção”.

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.
Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: “A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas”.

Por isso porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver, eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar “olhos vagabundos”…

A complicada arte de ver - Rubem Alves

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Santo franciscano: Bem-aventurada Isabel de França

Web

























Virgem da Segunda Ordem (1225-1270). Leão X concedeu ofício e missa em seu louvor no dia 11 de janeiro de 1520.

Era filha de Luis VIII, Rei da França, e sua esposa Branca de Castela, que com suas notáveis qualidades de piedade, inteligência e energia, soube formar santos também no trono real. A jovem princesa foi iniciada desde pequena na oração e na meditação, numa terna devoção a Deus e a Maria santíssima, e na prática de uma autêntica vida cristã. A escola de virtudes e o exemplo de Branca de Castela deram à Igreja um São Luís IX, Rei da França, e uma Bem-aventurada Branca Isabel. Habilidosa para trabalhos de bordado, ofereceu a várias igrejas trabalhos confeccionados por suas próprias mãos, mostrando assim a sua grande devoção à Sagrada Eucaristia.

Jejuava três dias por semana e sempre se alimentava com parcimônia. Evitava diversões fúteis. Passava os tempos de lazer em companhia do irmão Luís e das damas que tinha ao seu serviço. Visitava com frequência doentes acamados nos hospitais ou nas próprias casas, procurava atender às suas necessidades e incutir-lhes esperança e coragem. Quando por sua vez veio a cair gravemente enferma, a ponto de recear o desfecho mortal, recuperou a saúde graças às orações e aos cuidados de sua santa mãe.
Conrado, filho do Imperador Frederico II, pediu-a em casamento, e tal pedido encheu de alegria sua mãe, seu irmão e até o próprio Papa Inocêncio IV, mas ela declarou que fizera voto de virgindade e de modo nenhum desistiria dessa missão.

Para melhor realizar seu propósito, mandou, em 1261, construir um mosteiro nos arredores de Paris, e para lá foi viver, adotando a regra da Segunda Ordem de Santa Clara. Seguiram-lhe o exemplo várias religiosas que viviam na corte da França. Para essa comunidade ter uma melhor formação franciscana, convidaram a virem juntar-se a elas quatro religiosas de outros mosteiros.

Neste mosteiro viveu Isabel durante nove anos, celebrizando-o com suas virtudes. Morreu em 23 de 
fevereiro de 1270, com 45 anos de idade. No momento do seu desenlace, algumas religiosas ouviram cânticos angélicos entoando: “Na paz está sua morada”. São Luís esteve presente no funeral da irmã, e dirigiu palavras de consolação à comunidade de Clarissas.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

2º domingo da Quaresma

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1ª Leitura - Gn 15,5-12 17-18
Salmo - Sl 26,1.7-8.9abc.13.14 (R. 1a)
2ª Leitura - Fl 3,17-4,1
Evangelho - Lc 9,28b-36

Naquele tempo:
Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago,
e subiu à montanha para rezar.
Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência
e sua roupa ficou muito branca e brilhante.
Eis que dois homens estavam conversando com Jesus:
eram Moisés e Elias.
Eles apareceram revestidos de glória
e conversavam sobre a morte,
que Jesus iria sofrer em Jerusalém.
Pedro e os companheiros estavam com muito sono.
Ao despertarem, viram a glória de Jesus
e os dois homens que estavam com ele.
E quando estes homens se iam afastando,
Pedro disse a Jesus: 'Mestre, é bom estarmos aqui.
Vamos fazer três tendas:
uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.'
Pedro não sabia o que estava dizendo.
Ele estava ainda falando,
quando apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra.
Os discípulos ficaram com medo
ao entrarem dentro da nuvem.
Da nuvem, porém, saiu uma voz que dizia:
'Este é o meu Filho, o Escolhido.
Escutai o que ele diz!'
Enquanto a voz ressoava, Jesus encontrou-se sozinho.
Os discípulos ficaram calados
e naqueles dias não contaram a ninguém
nada do que tinham visto.
Palavra da Salvação.

Transfigurar é ir além da figura – Pe. João Batista Libânio, sj

Essa passagem é extremamente simbólica e pedagógica: pais + agogein, isto é, que conduz a comunidade. É também muito importante para a nossa vida cristã, se levarmos em conta que não é um fato histórico da vida de Jesus. É como se escrevêssemos perguntando: como é que a nossa comunidade vai reagir, como vamos viver a experiência de Jesus? No centro de tudo está a sua figura, tão conhecida dos apóstolos. Muitos o conheceram jovem, adolescente; outros, já adulto. O evangelista sabe que um dia eles irão encontrar um Jesus desfigurado –esse é o problema todo. O mesmo Jesus que tinha uma aparência simples e normal, simpática e agradável, que vivia com eles, dormindo, conversando, passeando, era o Jesus humano, como qualquer pessoa. Mas um dia – talvez um ou dois anos à frente – seria totalmente desfigurado pela paixão, pela coroa de espinhos, pela flagelação, pelo sangue, pela crucifixão, pelas zombarias. Era possível que os apóstolos não suportassem a desfigura de Jesus. Aí o evangelista, didaticamente, coloca essa passagem como para dizer que eles não se assustassem. Abre uma cena nova, levanta um pouco a cortina, para que eles vejam além, e transfigura Jesus – figura/desfigura/transfigura.

Eles precisavam saber que além da desfiguração havia coisa muito mais bonita, muito mais profunda, porque as desfigurações em nossa vida nos machucam muito, nos causam dor, nos fazem desanimar, se não temos nenhuma transfiguração na memória. Enquanto Jesus viveu entre os homens, Ele se configurou na nossa maneira de existir – figura/configura/desfigura – e mostrou apenas um pouquinho do que seria a transfiguração. Por isso, os evangelistas trazem para colocar ao lado de Jesus dois símbolos fundamentais do Antigo Testamento: Moisés, a Lei e Elias, o Profeta! A Lei cruza com a Profecia! Aponta para o que existe como norma, como regra. A profecia vai mais longe: denuncia o erro e anuncia a vitória. Todo esse jogo o evangelista coloca diante dos três apóstolos, símbolos de toda a comunidade. Pedro, o grande apóstolo da Igreja hierárquica; João, a Igreja mais carismática, e Tiago, o apóstolo da fidelidade. Os apóstolos foram bem escolhidos, assim como as duas figuras, além da transfiguração colocada entre a figura e a desfigura de Jesus.

Olhemos para a nossa vida. Quantas situações desfigurantes vivemos?! Quantas vezes convivemos com pessoas cuja figura conhecemos e que, de repente, se desfiguram diante de nós, pela corrupção, pela decadência?! Às vezes, conhecemos um jovem simpático, alegre, festivo e, inesperadamente, ele mergulha no terrível mundo das drogas, do sexo desvairado, e a sua figura se desfigura radicalmente. Se não acreditarmos que existe para ele a chance de uma transfiguração, nosso primeiro movimento será rechaçá-lo definitivamente. Mas acreditamos que a pior figura que possa existir aqui na Terra, mesmo a pessoa mais desfigurada, terá sempre a chance da transfiguração. Um dia, ela poderá ser refeita, reestruturada, refigurada através da força, da graça, do amor das pessoas. É isso que nos anima a viver, a existir, a falar aos jovens de hoje, que não raro se perdem. Às vezes, achamos que não há mais esperança. Sempre haverá esperança!

Por isso, esse evangelho é bonito, porque, quando os apóstolos estiveram com Jesus desfigurado, não perderam toda a esperança, pois sonhavam com a transfiguração que, de fato, veio com a ressurreição. Eles viram e experimentaram, enquanto nós poderemos atravessar um túnel mais escuro, porque muitas transfigurações não poderemos ver. Quantos pais veem seus filhos desfigurados e, talvez, morram na noite escura, sem ver as transfigurações que o evangelho afirma que existem?! Há esperança para todos os seres humanos, pois a transfiguração de Jesus é símbolo e marco para todas as nossas transfigurações.
Quando, na nossa vida, conseguimos experimentar pequenas transfigurações, isso nos anima mais ainda, como quando acontece de alguém, que vimos quebrado, se reerguer. Como eu, que conheci um jovem quebrado, desfeito, saindo do túnel escuro das drogas e, de repente, ele começa a se reconstruir, e eu pude ver a sua transfiguração! Como isso reacende a nossa esperança! Transfigurações são os momentos bonitos da vida, quando tudo fica claro, como Jesus no alto da montanha, quando o rosto irradia alegria. Esses momentos são importantes, e precisamos guardá-los na memória para quando outra onda nos abater. São essas transfigurações que acontecem agora que nos fazem pensar que outras serão possíveis. Deus faz isso acontecer em todos os lugares. Não houve momento na história em que não acontecessem grandes conversões. Pessoas loucas, desanimadas, que depois viveram momentos de grande lucidez. A luz iluminou-lhes o rosto, e elas se transfiguraram.

Lembremos de Raissa e Jacques Maritain (*), que chegaram a fazer um pacto de suicídio, porque não encontravam sentido na vida. Depois, ela galgou os degraus mais altos da mística, perdendo-se em Deus numa profundidade gigantesca – uma verdadeira santa. Também ele, depois de viver desvairado, desanimado, quase desistindo, de repente, se encontra e morre como santo. Deus vai-nos mostrando que as transfigurações existem na história, e que podemos apostar nelas, porque a graça do Senhor é maior do que as nossas fraquezas.

A vida humana não é um passar em brancas nuvens, não é navegar em um lago sereno, mas é esse contraste, esse jogo de alegria e tristeza, de fé e dúvida, de amores e vinganças. Se não semearmos e não colhermos experiências que nos alimentem, como poderemos viver? Aí se nota a diferença de quem tem fé. A fé é exatamente essa luz transfigurante que não nos abandonará nos momentos mais difíceis da nossa vida. Haverá momentos em que as academias, as maquiagens e todas as outras belezas não servirão para nada, e só restará a profundidade da fé. Aí não seremos cabides de grifes, mas teremos interioridade, que só é marcada profundamente, quando a nossa consciência se faz presente a si mesmo, e nessa presença descobrimos o mistério profundo de Deus, que nunca nos deixará.

Transfiguração são momentos de profundas experiências, para que, nos momentos de desfiguração, suportemos o peso da existência, sem desânimo nem desespero. Amém.

Pe. João Batista Libânio, sj – Um outro olhar, vol. 8

Confira a reflexão para este 2º domingo da Quaresma

Caminhos do Evangelho - 2º domingo da Quaresma

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Ler pouco – Rubem Alves

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Crônica de Rubem Alves

Jovem, eu sonhava ter uma grande biblioteca. E fui assim pela vida, comprando os livros que podia. Tive de desenvolver métodos para controlar minha voracidade, porque o dinheiro e o tempo eram poucos. Entrava na livraria, separava todos os livros que desejava comprar e, ao me aproximar do caixa, colocava-os sobre o balcão e me perguntava diante de cada um: “Tenho necessidade imediata desse livro? Tenho outros, em casa, ainda não lidos? Posso esperar?” E assim ia pegando cada um deles e os devolvendo às prateleiras. A despeito desse método de controle cheguei a ter uma biblioteca significativa, mais do que suficiente para as minhas necessidades.

Notei, à medida em que envelhecia, uma mudança nas minhas preferências: passei a ter mais prazer na seção dos livros de arte nas livrarias. Os livros de ciência a gente lê uma vez, fica sabendo e não tem necessidade de ler de novo. Com os livros de arte acontece diferente. Cada vez que os abrimos é um encantamento novo! Creio que meu amor pelos livros de arte têm a ver com experiências infantis.

Talvez que os psicanalistas interpretem esse amor como uma manifestação neurótica de regressão. Não me incomodo. Pois, em oposição à psicanálise que considera a infância como um período de imaturidade que deve ser ultrapassado para que nos tornemos adultos, eu, inspirado por teólogos e poetas, considero a maturidade como uma doença a ser curada. Bem reza a Adélia Prado: “Meu Deus, me dá cinco anos, me cura de ser grande…” E não pensem que isso é maluquice de poeta. Peter Berger, um sociólogo inteligente e com senso de humor, definiu “maturidade”, essa qualidade tão valorizada, como “um estado de mente que se acomodou, ajustou-se ao status quo e abandonou os sonhos selvagens de aventura e realização…” Menino de cinco anos, eu passava horas vendo um livro da minha mãe, cheio de figuras. Lembro-me: uma delas era um prédio de dez andares com a seguinte explicação: “Nos Estados Unidos há casas de dez andares.” E havia a figura de um caçador de jacarés, e de crianças esquimós saudando a chegada do sol.

O fato é que comecei a mudar os meus gostos e chegou um momento em que, olhando para aquelas estantes cheias de livros, eu me perguntei: “Já sou velho. Terei tempo de ler todos esses livros? Eu quero ler todos esses livros?” Não, nem tenho tempo e nem quero. Então, por que guardá-los? Resolvi dar os livros que eu não amava. Compreendi, então, que não se pode falar em amor pelos livros, em geral. Um homem que diz amar todas as mulheres na verdade não ama nenhuma. Nunca se apaixonará. O mesmo vale para os livros. Assim, fui aos meus livros com a pergunta: “Você me ama?” (Acha que estou louco? É Roland Barthes que declara que o texto tem de dar provas de que me deseja. Há muitos livros que dão provas de que me odeiam. Outros me ignoram totalmente, nada querem de mim… ). “Vou querer ler você de novo?” Se as respostas eram negativas o livro era separado para ser dado.

Essa coisa de “amor universal aos livros” fez-me lembrar um texto de Nietzsche sobre o filósofo Tales de Mileto, em que ele recorda que “a palavra grega que designa o “sábio” se prende, etimologicamente, a sapio, eu saboreio, sapiens, o degustador, sisyphos, o homem de gosto mais apurado; um apurado degustar e distinguir, um significativo discernimento, constitui, pois, (…) a arte peculiar do filósofo. (…) A ciência, sem essa seleção, sem esse refinamento de gosto, precipita-se sobre tudo o que é possível saber, na cega avidez de querer conhecer a qualquer preço; enquanto o pensar filosófico está sempre no rastro das coisas dignas de serem sabidas…” E depois, no Zaratustra, ele comenta com ironia: “Mastigar e digerir tudo – essa é uma maneira suína.”

O fato é que muitos estudantes são obrigados a ler à maneira suína, mastigando e engolindo o que não desejam. Depois, é claro, vomitam tudo… Como eu já passei dessa fase, posso me entregar ao prazer de ler os livros à maneira canina. Nenhum cachorro abocanha a comida. Primeiro ele cheira. Se o nariz não disser “sim” ele não come. Faço o mesmo com os livros. Primeiro cheiro. O que procuro? O cheiro do escritor. Se não tem cheiro humano, não como. Nietzsche também cheirava primeiro. Dizia só amar os livros escritos com sangue.

Ler é um ritual antropofágico. Sabia disso Murilo Mendes quando escreveu: “No tempo em que eu não era antropófago, isto é, no tempo em que eu não devorava livros – e os livros não são homens, não contém a substância, o próprio sangue do homem?” A antropofagia não se fazia por razões alimentares. Fazia-se por razões mágicas. Quem come a carne do sacrificado se apropria das virtudes que moravam no seu corpo. Como na eucaristia cristã, que é um ritual antropofágico: “Esse pão é a minha carne, esse vinho é o meu sangue…” Cada livro é um sacramento. Cada leitura é um ritual mágico. Quem lê um livro escrito com sangue corre o risco de ficar parecido com o escritor. Já aconteceu comigo…

Ler pouco – Rubem Alves

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Santo do dia: São Onésimo

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Onésimo era escravo de Filemon, cristão convertido por São Paulo, natural da Frigia, atual Turquia, na Ásia Menor. Tendo prestado maus serviços ao amo, a quem subtraíra uma certa quantia de dinheiro e receando castigo, fugiu para Roma, onde se encontrou com São Paulo, que ali se achava preso no cárcere. Conhecendo a São Paulo por bom amigo de Filemon, contou-lhe sua infelicidade e o motivo da fuga. São Paulo, vendo em todos os homens irmãos em Jesus Cristo, para quem não havia distinção entre romano e grego, escravo e senhor, acolheu-o com caridade, instruiu-o na religião cristã e recebeu-o na Igreja, pelo santo Batismo. Desde aquele dia, Onésimo foi dedicado servidor do Apóstolo que o chamava de caríssimo filho.

O castigo para os escravos recapturados era ter a letra "F" marcada em brasa na testa e para os ladrões era a morte. Por isto foi para Roma onde deve ter cometido alguma infração, pois foi preso e algum tempo depois libertado. No cárcere conheceu o apóstolo Paulo que mais uma vez era prisioneiro dos romanos. Ouvindo sua palavra, o escravo foi tocado pela Paixão de Cristo e se arrependeu. Procurando o apostolo, confessou sua culpa e foi perdoado. Assim, Onésimo se converteu e recebeu o batismo do próprio Paulo, que o enviou de volta para o também amigo Filemon com uma carta.

Nela, o santo apóstolo explicou que estaria disposto a pagar em dinheiro pelo erro do escravo, caso Filemon não o perdoasse, pois estava convencido de que Onésimo estava mudado e se emendara completamente. Narrou a sua conversão e, inspirado pelo Espírito Santo escreveu: "Venho suplicar-te por Onésimo, meu filho, que eu gerei na prisão. Ele outrora não te foi de grande utilidade, mas agora será muito útil, tanto a mim como a ti. Eu envio-o a ti como se fosse o meu próprio coração... Portanto, se me consideras teu irmão na fé, recebe-o como a mim próprio". (Fm 18 e 19)

Sabedor da sinceridade e do poder que Paulo tinha para fazer pessoas se converterem à vida cristã, para dali em diante viverem na honestidade e na caridade, Filemon perdoou Onésimo. Depois, deu total apoio ao seu ex-escravo que passou a trabalhar com a palavra e também com seu próprio exemplo.

Onésimo ficou muito ligado ao apóstolo Paulo, que o enviou à cidade de Colossos como evangelizador. Depois foi consagrado bispo de Éfeso, onde substituiu Timóteo. Durante sua missão episcopal, a fama de suas virtudes ultrapassou os limites de sua diocese. Segundo uma tradição antiga, na época do imperador Domiciano foi preso e levado a Roma, onde morreu apedrejado, como mártir cristão.

Embora este acontecimento não tenha total comprovação, a Igreja incluiu Santo Onésimo entre seus santos, porque são fortes os indícios de que seja realmente um mártir do cristianismo dos primeiros tempos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Nossa Senhora de Lourdes

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No dia 11 de fevereiro de 1858 uma menina de 14 anos, Bernadete Soubirous, simples e humilde, que não sabia ler e escrever direito, foi em companhia de uma irmã e de uma vizinha recolher lenha perto de Massabielle. Deviam passar um riacho descalça. Como Bernadete sofresse de asma hesitava em pôr o pé na água fria.

Ouviu um barulho entre as árvores e levantou os olhos. Viu uma senhora com as faces radiantes, vestida de branco, com uma faixa azul, toda sorridente. Recitou com Bernadete um terço, fazendo uso do rosário que trazia sempre consigo. Foi a irmãzinha de Bernadete que revelou aos pais o segredo. Proibiram a volta à gruta. Como a menina não parasse de chorar deixaram-na retornar. A aparição se repetiu no dia 18 de fevereiro.

A senhora sorriu ao gesto da menina que aspergia a rocha com água benta. Depois disse: "Queres ter a bondade de vir aqui durante quinze dias? Não te prometo a felicidade neste mundo, mas no outro." Durante as aparições a senhora pediu que se rezasse pelos pecadores e convidou os fiéis à penitência.
No dia 25 de fevereiro convidou-a a beber numa fonte, indicando-lhe o lugar. Bernadete arranhou a superfície da terra e começou a verter água que se tomou a fonte milagrosa. A senhora manifestou o desejo de ter ali uma igreja. O pároco, incrédulo, disse a Bernadete: "Dize a essa senhora que diga o seu nome." A resposta foi: "Eu sou a Imaculada Conceição." Havia quatro anos apenas que Pio IX proclamara esse dogma. Primeiro houve proibição da parte das autoridades, mas depois o imperador Napoleão III consentiu o acesso à gruta.

Peregrinos de todas as partes do mundo vão buscar o maior dos milagres de Lourdes que é a paz do espírito. Mas houve também numerosos prodígios físicos nesses mais de cem anos de história de Lourdes.