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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

18 novos frades no noviciado em Rodeio

oficial


























Moacir Beggo

Ao acolher 18 jovens postulantes no Noviciado São José, em Rodeio (SC), na manhã desta sexta-feira (15 de janeiro), o Vigário Provincial Frei Estêvão Ottenbreit contou a eles que em tempos passados, nesta mesma celebração, o candidato se apresentava impecavelmente vestido e se despojava ali do terno, gravata e sapatos lustrados para receber o hábito da penitência em forma de cruz.

“Os postulantes tiravam o calçado e o mestre dos noviços literalmente arrancava a gravata e o paletó e os jogava para longe, simbolizando assim a despedida do velho homem e o revestimento do homem novo”, explicou Frei Estêvão. “Os costumes mudaram, mas o significado não. Vocês recebem o hábito de São Francisco e começam uma nova e longa caminhada para revestir-se do homem novo, totalmente entregues a Deus, totalmente disponíveis para viver o Evangelho, totalmente dispostos a seguir, em tudo, os passos do Cristo pobre e crucificado”, exortou o Vigário Provincial durante a Oração da Manhã (Laudes) na Igreja São Francisco de Assis.
Esta 115ª turma de noviços a pisar o solo de Rodeio é formada por seis jovens brasileiros e doze angolanos: Frei Francisco Dalilson Cabral, Frei Jonas Ribeiro da Silva, Frei Lucas de Moura J. Souza, Frei Marlon Taxa P. Reis da Silva, Frei Wagner da Silva Neves, Frei Odilon Voss, Frei Antônio da Silva Manuel, Frei Bernardo João Cassinda, Frei Bernardo José Kandangongo, Frei Daniel Kahuvi, Frei Domingos K. Soma, Frei Elias H. Luís, Frei Evaristo S. Joaquim, Frei Feliciano A. Manuel, Frei Hélder J. M. Domingos, Frei Pedro D. Mugiba, Frei Pedro Isaías Vitangui e Frei Simão C. Horacio. Participando deste momento tão especial neste início de vida consagrada franciscana, estavam presentes Frei Evaristo Spengler, Frei Germano Guesser, Frei Evandro Balestrin, Frei Valdir Nunes, Frei José Cambolo, Frei Marco A. Santos, Frei Jorge Lázaro, Frei Rodrigo da Silva, os confrades da Fraternidade, paroquianos e amigos.
A partir desta celebração, os noviços sob a orientação do Mestre Frei Samuel Ferreira de Lima e da Fraternidade do Noviciado, passam a serem chamados de “Frei”, que significa irmão (uma abreviação de frade, que vem do latim frater). Segundo os documentos da Ordem, esses jovens farão um “período de formação mais intensa” em Rodeio, tendo como objetivo “fazer com que os noviços conheçam e experimentem a forma de vida de São Francisco, impregnem mais profundamente a mente e o coração de seu espírito e, avaliando melhor o chamado do Senhor, comprovem seus propósitos e sua idoneidade” (Constituições Gerais da Ordem, art. 152). No final do ano, os noviços estarão aptos para fazer a Primeira Profissão na Ordem Franciscana. No hábito que vestem, o cordão ainda não tem os três nós simbolizando os votos (obediência, pobreza e castidade), mas eles aparecerão durante a primeira profissão.

Frei Estêvão, citando o Evangelho proclamado – “Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” -, lembrou que Francisco de Assis não fugiu diante desta decisão importante em sua vida. “Decisão que vocês estão dispostos a tomar ao iniciar a vida religiosa franciscana na condição de noviços”, dirigiu-se aos postulantes.

“É bom lembrar o que antecedeu à decisão de Francisco de Assis”, convidou o Vigário, citando o momento em que Francisco de Assis entra na igrejinha de São Damião para, diante do Crucifixo, manifestar a pergunta que brotava cada vez mais forte do seu coração: “Senhor, que queres que eu faça?”.
“Depois, pelos caminhos, Francisco evitava encontrar os leprosos até que, em um belo dia venceu essa barreira e conseguiu abraçar um leproso, derrotando o orgulho e o egoísmo, descobrindo o Cristo crucificado naqueles que sofrem. Foi este o aspirantado e o postulantado do jovem Francisco que culminaram na experiência profunda da descoberta do Evangelho. Na igrejinha de Santa Maria dos Anjos ouviu o relato do envio dos apóstolos e a condição que deveriam andar em missão. Tendo ouvido a explicação detalhada do sacerdote depois da missa, exclamou: ‘É isto que eu quero, é isto que eu procuro, é isto que eu desejo fazer do íntimo do coração’.(1Cel, 22). E Celano continua relatando o que aconteceu depois desta experiência que transformará toda a vida de Francisco de Assis: ‘Por conseguinte, apressa-se o santo pai, transbordando de alegria, em cumprir o salutar conselho e não suporta demora alguma, mas começa devotamente a colocar em prática o que ouviu. Desata imediatamente os calçados dos pés, depõe o bastão das mãos e, contente com uma só túnica, trocou a correia por um cordão. Desde então, prepara para si uma túnica que traz a imagem da cruz…, paupérrima e grosseira… E ansiava por cumprir com a máxima diligência e reverência as outras coisas que ouvira. Pois não fora um ouvinte surdo do evangelho, mas, confiando o que ouvira à sua louvável memória, cuidava de cumprir tudo à letra diligentemente’”, continuou o Vigário Provincial.
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Segundo ele, Francisco não foi “um ouvinte surdo do evangelho”. Tomou a decisão e seguiu o Cristo pobre e crucificado, fazendo deste seguimento a sua missão. “Entregou-se de corpo e alma. Entregou sua vida”, disse.
“Caros postulantes, creio que estamos nesta manhã aqui na igreja de Rodeio porque vocês também não são ouvintes surdos do Evangelho. Também vocês querem se entregar de corpo e alma à vocação franciscana que se tornará, doravante, a sua missão. Também vocês fizeram um dia a pergunta que vem do fundo do coração: ‘Senhor, que queres que eu faça?” E certamente cada um teve um momento ou momentos privilegiados ao perceber a voz do Cristo convidando-o a abraçar a vida consagrada a Deus. Em busca de uma decisão clara, também tiveram, certamente, que superar dificuldades, egoísmos e aversões. Mas, cada vez mais foram também percebendo o clamor dos que sofrem todo o tipo de miséria, rejeição e exclusão. Vocês também percorreram o tempo do aspirantado e do postulantado buscando encontrar uma resposta e se preparar para uma entrega total no seguimento do Cristo. Eu me atrevo a crer que, enfim, estamos hoje aqui porque, do fundo de seu coração, vem o grito: ‘É isto que eu quero, é isto que eu procuro, é isto que eu desejo fazer do íntimo de meu coração!’ abraçar a vocação e missão franciscanas”, enfatizou o celebrante.

Segundo o Vigário, com esta vestição, os noviços são acolhidos para viverem um ano de provação. “Quer dizer, vocês abraçam com seriedade e empenho esta vocação e missão no firme propósito de fundamentar esta nova vida no seguimento do Cristo pobre e crucificado. Mais uma vez ouçamos a voz do evangelho de hoje: ‘Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me'”, enfatizou.

Para o Vigário, São Francisco compreendeu muito bem que este seguimento não poderia e não deveria ser um seguimento por palavras, teórico, mas um seguimento que se concretiza no dia a dia da convivência com as pessoas e com todo o criado.

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“Vale a pena também ter presente neste momento a profunda convicção e as palavras de Francisco quando dizia que cada irmão que vinha, movido pela inspiração de Deus, era um dom, um presente, e como tal deveria ser sempre acolhido com profunda gratidão, reverência e respeito”, acrescentou, ressaltando que esses noviços farão um ano em condições especiais: ano capitular, ano de jubileu da presença missionária em Angola e a primeira turma de irmãos angolanos a ultrapassar em número a do Brasil. “São dons maravilhosos. Uma riqueza muito grande. Saibam acolher-se como dons. Saibam viver e conviver no profundo respeito pelas diversas procedências, culturas e histórias pessoais. Francisco quis que o seguimento do Cristo se tornasse realidade na acolhida fraterna das pessoas e de tudo o que Deus criou”, exortou o Vigário.

“Com outras palavras, meus caros jovens, o seguimento do Cristo que será doravante a grande razão de suas vidas, nos pede a contínua entrega de nossa vida (“Mas, quem perder a sua vida por minha causa, há de encontrá-la.”), construindo assim a verdadeira fraternidade. E esta será, enfim, a sua, a nossa missão. Não importa o que fazemos ou o que vamos fazer um dia. O que importa é fazer de nossa vida seguimento, concretizando-o em fraternidade. Assim, a nossa vocação se torna missão”, completou, convidando-os a se sentirem acolhidos na Ordem Franciscana, na Província da Imaculada Conceição do Brasil, na 
Fraternidade do Noviciado em Rodeio.

Fonte: Província Franciscana