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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

4º domingo do Advento

18_dez_evangelho-01

































1ª Leitura - Mq 5,1-4ª
Salmo - Sl 79 2ac.3b.15-16.18-19
2ª Leitura - Hb 10,5-10
Evangelho - Lc 1,39-45

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa,
dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia.
Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
a criança pulou no seu ventre
e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
Com um grande grito, exclamou:
'Bendita és tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre!'
Como posso merecer
que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos,
a criança pulou de alegria no meu ventre.
Bem-aventurada aquela que acreditou,
porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu.'
Palavra da Salvação.

Duas crianças como artífices da salvação – Pe. João Batista Libânio, sj

Esse texto é cheio de simbolismo: Maria parte apressadamente para uma região montanhosa. A montanha sempre significa o lugar da intimidade com Deus. É para onde as pessoas se retiram para encontrarem-se mais próximas do Altíssimo. É o lugar mais puro, mais transparente. Maria vai para as montanhas, e o texto reforça dizendo que ela segue apressadamente. Parece que o sacramento do Novo Testamento tem pressa, enquanto o Antigo Testamento está esperando. Isabel carrega a graça dentro de si: João Batista é uma expectativa. De repente, os dois sacramentos se encontram: Maria e Isabel. A visibilidade está nas vozes. Elas falam e ouvem entre si, mas isso não é importante. O que realmente importa acontece no íntimo: a criança do Antigo Testamento – João Batista – recebe a graça de Jesus – o profeta do Novo Testamento. É essa graça de João Batista que chega até Isabel. Ela fala, ela proclama. A criança em seu seio a acorda para a maravilha que está acontecendo.

Visivelmente, nada de mais acontecia: uma prima jovem que vem visitar a outra que está grávida. É a visita de uma pessoa querida, e não passava disso. Um simples acontecimento doméstico. Mas a criança, em seu seio, percebe o mistério maior. Quem estava ali não era apenas a prima jovem, mas a Mãe do Salvador. É a promessa do Novo Testamento que chega! A criança no seio de Isabel não é mais o João do Antigo Testamento, mas o João Batista envolvido pela graça. Isabel, envolvida pela mesma graça, proclama que, diante dela, está a Mãe do Salvador, eternamente bem-aventurada. A graça prosseguirá naquela relação, de modo que, anos depois, o mesmo João Batista irá proclamar que, diante dele, está o Cordeiro de Deus, aquele que tiraria o pecado do mundo. Até hoje, quando o sacerdote levanta a hóstia, nós recordamos essa verdade, proclamando com os dois já adultos. Mas, antes mesmo de nascidos, eles já se comunicavam. 

Outro mistério é que a criança é fonte de salvação. Não pensem que isso é poesia romântica da cultura brasileira. Naquela época, para o povo judeu, as crianças eram desprezadas. Eram como bichinhos que precisavam ser espantados. As famílias eram numerosas, e as mães não tinham como cuidar de tantos filhos. Muitos morriam, pois não havia toda essa cultura moderna de aleitamento materno, vacinas, soro caseiro. Portanto, crianças eram um peso para as famílias. Pois bem, é através da criança que surge a salvação, e são elas que podem transformar a nossa realidade. Nós, adultos, já não podemos esperar muito, mas essas crianças que estão por aí, podem esperar e podem fazer. Parece que a nossa geração se esqueceu dos valores da beleza, da verdade. Está na hora de começar tudo de novo. Como disse Guimarães Rosa: “nasce uma criança, tudo começa de novo!”.

Assim, também diante desse mistério de duas crianças ainda não nascidas que se encontram, a sociedade começa a se agitar, e a salvação se faz. Esperemos que nossas crianças de hoje, bem orientadas, possam realizar o que aquelas duas outras conseguiram, através do sacramento da graça, comunicando-se internamente, fazendo com que o júbilo de uma passasse para a outra. 

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol. 8

Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para o 4º domingo do Advento: