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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

2º domingo do Advento


1ª Leitura - Br 5,1-9
Salmo - Sl 125,1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R. 3)
2ª Leitura - Fl 1,4-6.8-11
Evangelho - Lc 3,1-6

No décimo quinto ano do império de Tibério César,
quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia,
Herodes administrava a Galiléia,
seu irmão Filipe, as regiões da Ituréia e Traconítide,
e Lisânias a Abilene;
quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes,
foi então que a palavra de Deus
foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto.
E ele percorreu toda a região do Jordão,
pregando um batismo de conversão
para o perdão dos pecados, 
como está escrito
no Livro das palavras do profeta Isaías:
'Esta é a voz daquele que grita no deserto:
'preparai o caminho do Senhor,
endireitai suas veredas.
Todo vale será aterrado,
toda montanha e colina serão rebaixadas;
as passagens tortuosas ficarão retas
e os caminhos acidentados serão aplainados.
E todas as pessoas verão a salvação de Deus''.

Palavra da Salvação

As presenças de Cristo no nosso cotidiano - Pe. João Batista Libânio, sj

Propositalmente, a liturgia embaralha três vindas de Jesus. Nos domingos anteriores, a liturgia falava da última vinda de Jesus, que não aconteceu ainda – portanto, uma vinda futura. Na próxima semana, o Evangelho vai falar da vinda próxima: o nascimento de Jesus. Hoje fala do Jesus adulto que vai aparecer. Portanto, são três vindas: bem no futuro, gloriosa; outra, o começo da vida pública; ainda outra, no início de sua vida aqui na Terra – o nascimento. Temos que nos perguntar qual dessas é mais importante.

Para a grande História, a mais importante é a chegada de Jesus à Terra. Se não tivesse acontecido, não haveria as outras. Essa é importante, mas já aconteceu. Escolheu o dia, entrou na nossa história e a marcou definitivamente. Não sabemos como acontecerá a última vinda, não sabemos como nos encontraremos, não sabemos que história vamos carregar dentro de nós, quando encontrarmos a luz transparente do Cristo glorioso. Como diz Pe. Antônio Vieira, o grande orador, “a morte tem duas portas: uma pela qual se deixa a Terra e outra pela qual se entra na eternidade”. A porta pela qual se deixa a Terra, nós conhecemos. É isso tudo que estamos vivendo. Mas a porta pela qual entramos na eternidade é extremamente misteriosa, porque ninguém voltou para nos contar. Os espíritas pensam que conhecem alguma coisa, mas não conhecem. Para abrir a porta da eternidade, temos de ter fé e nenhuma ciência. Que essa porta seja para a luz, nenhuma experiência, nenhuma ciência ensina, porque ultrapassa a morte. O médico só é capaz de dar atestado de óbito e termina aí a sua missão. É a porta mais temida para uns e a mais esperada para outros.

Um grande poeta inglês, antes de morrer, disse esta frase: “sou muito feliz, estou muito feliz, serei muito feliz!” Bonito isso. Um poeta, na hora da morte, poder dizer: “eu estou, eu sou, eu serei feliz!” Esse, talvez, vislumbrou, na fé, alguma luz.

Mas essa vinda que lemos hoje no Evangelho é a mais importante para nós, católicos. A primeira, já aconteceu e marcou a História. A última, não sabemos como e nem quando será. Então, esperamos. É uma espécie de horizonte luminoso para que possamos caminhar. Mas a mais importante para cada um de nós é esta que João Batista anunciou: Ele vem para aplainar as estradas, cheias de montanhas; consertar as estradas tortuosas da nossa vida, tirar os pedregulhos dos nossos corações, as colinas orgulhosas das nossas mentes. Ele veio para consertar-nos por dentro, individual e socialmente. Ele está vindo para cada um e, nesta Eucaristia, está aqui, chegando de novo.

Jesus chegou três vezes nesta Eucaristia. Primeiramente, porque nos reunimos: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”. Quando nos reunimos para rezar, Ele está no meio. Está aqui, mais do que nunca, com tanta gente reunida em nome dele. Antes de começar a Eucaristia, já estava presente. Fez-se presente nas leituras. Presença real, verdadeira, não fictícia, não imaginária, não sonhada. Ele está realmente presente, porque nós estamos aqui. Está realmente presente na Palavra proclamada. E estará presente sob o sinal do pão, do vinho, em todo o conjunto dessa celebração. Três grandes presenças!

Mas Ele mostrou outra forma de presença, talvez a mais difícil para nós. Uma presença que acontece em cada pessoa e, sobretudo, naquela mais desprezível. Quando encontrarmos um bêbado, trocando as pernas, caído no chão, sujo, se olharmos com o olhar da fé, Ele estará ali. Quando passarmos pelas ruas obscuras de nossas cidades, também estará lá: naquelas pessoas deprimidas, estragadas, gastas por tanto sexo sem vida, sem carinho, sem ternura. Estará escondido nos velhos que já nem distinguem o dia da noite. Isso é impressionante!

Essa é a única fé que mostra isso. Ele está de muitas maneiras, pedindo a nossa compaixão, pedindo uma palavra firme de nossa parte, de clareza, de clarividência. Não de submissão ou de complacência pelo erro. Temos que aprender a distinguir um juízo forte contra o erro e um carinho imenso para com o que erra. Quem erra merece perdão, o erro não. O crime é crime, a maldade é maldade. Mas a pessoa que a pratica, muitas vezes, age enganada, nas suas buscas desregradas. Ela merece mais compaixão do que julgamento. Também no criminoso está Cristo, escondido em tanta miséria. Ele merece, de nossa parte, compaixão e misericórdia. É isso que João Batista vem dizer.

Diria ainda uma palavra para vocês, jovens e adolescentes, uma geração diferente. Nós conhecemos a geração 60, uma geração que pensou transformar o mundo nos mais diversos países. Nos Estados Unidos, que tanto criticamos, toda uma juventude se revoltou contra a guerra do Vietnã e conseguiu acabar com ela. Não foi um míssil que acabou com a guerra, mas a força dos jovens americanos, que mexeu com os Estados Unidos, e o presidente não teve mais moral de conduzir uma guerra vergonhosa. Vocês têm nas mãos a força de transformar esta sociedade alienante e alienada em que vivem. Vocês podem ser o toque que fará a diferença, o toque que incomodará os acomodados. Esta é a missão que João Batista lhes traz: anunciar no meio do povo a presença real e verdadeira do jovem Jesus. Amém.

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol. V

Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este 2º domingo do Advento: