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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Importância da partilha na família


Nesta quarta-feira, 11 de novembro, o Papa Francisco falou sobre a importância da partilha das relações familiares. O pontífice falou também sobre a importância do convívio e das refeições feitas em família, e do mal que a tecnologia pode causar nas relações. Confira!

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje refletimos sobre uma qualidade característica da vida familiar que se aprende desde os primeiros anos de vida: o convívio, isto é, a atitude a partilhar os bens da vida e a sentir-se feliz por o poder fazer. Partilhar e saber partilhar é uma virtude preciosa! O seu símbolo, o seu «ícone», é a família reunida ao redor da mesa doméstica. A partilha da refeição — e portanto, além do alimento, também dos afetos, das narrações, dos eventos... — é uma experiência fundamental. Quando há uma festa, um aniversário, todos se reúnem à volta da mesa. Nalgumas culturas costuma-se fazê-lo inclusive para um luto, a fim de permanecer próximo de quem sofre pela perda de um familiar.

O convívio é um termômetro garantido para medir a saúde das relações: se em família tem algum problema, ou uma ferida escondida, à mesa compreende-se imediatamente. Uma família que raramente faz as refeições unida, ou na qual à mesa não se fala mas assiste-se à televisão, ou se olha para o smartphone, é uma família «pouco família». Quando os filhos à mesa continuam ligados ao computador, ao telefone, e não se ouvem entre si, isto não é família, é um pensionato.

O Cristianismo tem uma especial vocação para o convívio, todos o sabem. O Senhor Jesus ensinava de bom grado à mesa, e às vezes representava o reino de Deus como um banquete festivo. Jesus escolheu a mesa também para confiar aos discípulos o seu testamento espiritual — fê-lo durante uma ceia — condensado no gesto memorial do seu Sacrifício: dom do seu Corpo e do seu Sangue como Alimento e Bebida de salvação, que nutrem o amor verdadeiro e duradouro.

Nesta perspectiva, podemos dizer que a família é «de casa» na Missa, precisamente porque leva à Eucaristia a própria experiência de convívio e a abre à graça de uma convivência universal, do amor de Deus pelo mundo. Participando na Eucaristia, a família é purificada da tentação de se fechar em si mesma, fortalecida no amor e na fidelidade, e amplia os confins da própria fraternidade segundo o coração de Cristo.

Neste nosso tempo, marcado por tantos fechamentos e por demasiados muros, a convivência, gerada pela família e dilatada pela Eucaristia, torna-se uma oportunidade crucial. A Eucaristia e as famílias nutridas por ela podem vencer os fechamentos e construir pontes de acolhimento e de caridade. Sim, a Eucaristia de uma Igreja de famílias, capazes de restituir à comunidade o fermento diligente da convivência e da hospitalidade recíproca, é uma escola de inclusão humana que não teme confrontos! Não há pequeninos, órfãos, débeis, indefesos, feridos e desiludidos, desesperados e abandonados, que o convívio eucarístico das famílias não possa nutrir, fortalecer, proteger e hospedar.

A memória das virtudes familiares ajuda-nos a compreender. Nós mesmos já conhecemos, e ainda conhecemos, quantos milagres podem acontecer quando uma mãe tem olhar e atenção, assistência e cuidado pelos filhos dos outros, além dos próprios. Até recentemente, era suficiente uma mãe para todas as crianças da praça! E ainda: sabemos bem que força adquire um povo cujos pais estão prontos a mover-se em proteção dos filhos de todos, porque consideram os filhos um bem indivisível, que são felizes e orgulhosos de proteger.

Hoje muitos contextos sociais põem obstáculos ao convívio familiar. É verdade, hoje não é fácil. Devemos encontrar o modo de a recuperar. À mesa fala-se, à mesa ouve-se. Nada de silêncio, aquele silêncio que não é o silêncio das monjas mas o silêncio do egoísmo, onde cada um está sozinho, ou a televisão ou o computador... e não se fala. Não, nada de silêncio. É preciso recuperar aquele convívio familiar adaptando-o aos tempos. A convivência parece que se tornou algo que se compra e se vende, mas assim é outra coisa. 

E o nutrimento não é sempre o símbolo de uma partilha justa dos bens, capaz de alcançar quem não tem pão nem afetos. Nos países ricos somos induzidos a gastar por uma alimentação excessiva e depois de novo somos induzidos a remediar o excesso. E este «negócio» insensato distrai a nossa atenção da fome verdadeira, do corpo e da alma. Quando não há convivência há egoísmo, cada um pensa em si mesmo. Tanto que a publicidade a reduziu a uma apatia de lanches e a uma vontade de docinhos. Enquanto tantos, demasiados irmãos e irmãs permanecem longe da mesa. É um pouco vergonhoso!
Olhemos para o mistério do Banquete eucarístico. O Senhor parte o seu Corpo e derrama o seu Sangue por todos. Deveras não há divisão que possa resistir a este Sacrifício de comunhão; só a atitude de falsidade, de cumplicidade com o mal pode excluir dele. Qualquer outra distância não pode resistir ao poder indefeso deste pão partido e deste vinho derramado, Sacramento do único Corpo do Senhor. A aliança viva e vital das famílias cristãs, que precede, apoia e abraça no dinamismo da sua hospitalidade as dificuldades e as alegrias diárias, coopera com a graça da Eucaristia, que é capaz de criar comunhão sempre nova com a sua força que inclui e salva.

A família cristã mostrará precisamente assim a amplidão do seu verdadeiro horizonte, que é o horizonte da Igreja-Mãe de todos os homens, de todos os abandonados e excluídos, em todos os povos. Rezemos para que este convívio familiar possa crescer e amadurecer no tempo de graça do próximo Jubileu da Misericórdia.

Fonte: Vaticano