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sábado, 14 de novembro de 2015

Beatificação de Padre Victor, o anjo tutelar de Três Pontas

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Cerca de 100 mil pessoas irão à cidade de Três Pontas (MG), neste sábado, 14, para participarem da beatificação do Padre Francisco de Paula Victor, o “Anjo Tutelar” dos três pontanos. Vencendo todos os preconceitos e barreiras sociais da sua época, marcada pela escravidão, Padre Victor se tornou o primeiro padre ex-escravo do Brasil.

Nascido em Campanha , no dia 12 de abril de 1827, era filho da escrava Lourença Maria de Jesus. Vocacionado, procurou Dom Antônio Ferreira Viçoso, bispo de Mariana, manifestando-lhe o desejo de ser padre. Assim, o jovem dirigiu-se ao Seminário de Mariana – MG, e foi ordenado em 1851. Visitava doentes, amparava os inválidos, zelava pela infância desvalida, atendia a população em suas necessidades. A sua dedicação e virtudes o fizeram admirado por todos; com zelo e carinho, colocou-se acima de todas as críticas. Procurou catequizar e instruir o seu povo, chegando a criar a escola “Sagrada Família”, com uma organização perfeita. Padre Victor instruiu muitos filhos de famílias humildes, fazendo deles grandes homens de cultura, que passaram a viver da inteligência, nas mais variadas profissões.

Padre Victor pregou, pelo exemplo, a fé, a esperança, a fortaleza, a prudência, a justiça, a obediência, a castidade, a temperança, a humildade, o temor a Deus e, sobretudo, a caridade. Amava a Deus na pessoa do seu semelhante, de modo especial nos mais pobres. Os paroquianos, em suas necessidades, recorriam a ele. “Padre Victor vivia de esmolas e dava esmolas”. Faleceu no dia 23 de setembro de 1905.
A celebração será presidida pelo prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, Cardeal Angelo Amato, o mesmo que em maio de 2013, beatificou, em Baependi, na mesma Diocese de Campanha, Francisca de Paula de Jesus, a Nhá Chica.

Em entrevista à Rádio Vaticano, o Cardeal Amato destacou as características da santidade do Padre Victor:

“Padre Victor foi um pároco generoso e dinâmico. Garantia sempre a santa missa, celebrada no domingo com grande solenidade e com a participação de pregadores conhecidos. Era muito ativo na catequese e na administração dos sacramentos. Introduziu o mês em homenagem a Nossa Senhora e percorria a cavalo as áreas rurais para levar conforto espiritual aos mais distantes. De 1852 a 1905, ano de sua morte, batizou 8.790 recém-nascidos filhos de brancos e 383 filhos de escravos. Incentivou a educação dos jovens, especialmente os pobres. Por isso, fundou em sua paróquia uma escola gratuita. Dava aos pobres as ofertas que recebia. Beneficiava também aqueles que no início o desprezaram. Os seus paroquianos, cerca de vinte anos depois de sua morte, colocaram uma placa em sua homenagem com a inscrição: “A sua vida foi um Evangelho”, afirmou.