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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

33º domingo do Tempo Comum

15_nov_evangelho-01

1ª Leitura - Dn 12,1-3
Salmo - Sl 15,5.8.9-10.11 (R.1a)
2ª Leitura - Hb 10,11-14.18
Evangelho - Mc 13,24-32

Naquele tempo:
Jesus disse a seus discípulos:
Naqueles dias, depois da grande tribulação,
o sol vai se escurecer, e a lua não brilhará mais,
as estrelas começarão a cair do céu
e as forças do céu serão abaladas.
Então vereis o Filho do Homem vindo nas nuvens
com grande poder e glória.
Ele enviará os anjos aos quatro cantos da terra
e reunirá os eleitos de Deus,
de uma extremidade à outra da terra.
Aprendei, pois, da figueira esta parábola:
quando seus ramos ficam verdes
e as folhas começam a brotar,
sabeis que o verão está perto.
Assim também, quando virdes acontecer essas coisas,
ficai sabendo que o Filho do Homem está próximo,
às portas.
Em verdade vos digo,
esta geração não passará até que tudo isto aconteça.
O céu e a terra passarão,
mas as minhas palavras não passarão.
Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe,
nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai.
Palavra da Salvação.

Cada dia é único em nossa vida – Pe. João Batista Libânio, sj

Quando o ano vai chegando ao fim, a liturgia coloca essas leituras, que chamamos, em teologia, apocalípticas, escatológicas. Nós falamos linguagens diferentes, embora, muitas vezes, não nos demos conta disso. Estamos conversando, por exemplo, e, de repente, alguém começa a se entusiasmar, contando um fato. Percebemos que ele muda o tom da voz, a maneira de falar. Termina de contar e comenta uma fofoca, novamente muda o tom de voz, muda o assunto. Temos uma quantidade enorme de variações, que chamamos, em linguística, gêneros literários. Nós sabemos entender isso. Quando alguém conta um fato, faz uma pergunta, admira-se ou fala uma poesia, muda a entonação, a maneira de falar, de gesticular. Tudo isso determina os gêneros literários.

Existe, portanto, um gênero chamado apocalíptico. É uma maneira de escrever. Entendendo como descrição, nos equivocamos totalmente. Ele não descreve nada do que vai acontecer. Tirem isso da cabeça! Não vai cair o sol nem estrelas. Descrição é o relato de como as coisas são exatamente. Ao contrário, o gênero apocalíptico quer traduzir uma experiência de perseguição, angústia e medo. Quando estamos com medo, exageramos tudo. É próprio de quem fala com medo: “Encontrei um monstro na rua!”. Poderá ter sido uma formiga e já achou que era monstro. Outras veem almas do outro mundo. Nada disso, estão todas tranquilas em Deus. O gênero apocalíptico é uma experiência de medo, de previsão de alguma coisa que está para acontecer. Se estivéssemos, por exemplo, na véspera de um pacote econômico, da queda das bolsas, experimentaríamos o gênero apocalíptico. A imprensa anunciaria: “As bolsas despencam!”, e ninguém vê nenhuma bolsa despencar, é uma linguagem exagerada. “Os dólares saíram voando para o exterior!”. Ninguém vai pensar que está chovendo dólares, o que, aliás, seria ótimo. Nós temos essa maneira de falar. Tiremos, pois, da cabeça, que o evangelho está descrevendo o fim do mundo.

Esse texto foi escrito na época em que os judeus viviam a destruição de Jerusalém. Destruíram o único Templo deles. É normal que estivessem apavorados. Prenderam, crucificaram, deportaram uma quantidade enorme de judeus. É nessa situação de perigo, angústia e ameaça que esses textos foram escritos. Para um judeu, destruir o Templo é como se o sol, a lua e as estrelas caíssem. Mas isso aconteceu no ano 70. Então, para que servem esses textos para nós? O evangelista descreve uma experiência forte para nos dizer que tudo isso pode acontecer. Mas apenas uma coisa prevalece: a força da presença de Deus na nossa vida – “As minhas palavras não passarão!”. Podem cair as bolsas de valores, pode o real entrar em crise, mas a Palavra de Deus continua para nós. Ela nos une e nos dá certeza. Essa é a primeira razão.

A segunda razão é que Jesus quer que nós pensemos. Essa é a vigilância cristã, que não é medo, mas responsabilidade diante de cada dia que passa. Eu já falei tantas vezes sobre isso! Um dia nunca se repete. Somos responsáveis por cada acontecimento, nossa cidade é criada a cada dia. Se não fizermos nada, passará, isso sim, a ocasião de mudar alguma coisa. Essa é a razão de nos organizarmos, de lutarmos. Tem que ser agora, porque isso passa. Se não marcarmos a história com a nossa presença, ela passará e continuará sem nós. A nossa responsabilidade é enorme, porque vivemos uma única vez, sem reencarnação. Cada dia é único em nossa vida! Essa vigilância, assim como os acontecimentos, vai anunciando-nos as decisões que devemos tomar, conforme as diferentes situações que estamos vivendo. Diante dessa nova crise econômica, teremos que repensar muitas coisas neste país. Não podemos continuar na mesma inércia. A situação, mais uma vez, é muito grave. De repente, o país é sacudido pela queda de uma Bolsa de Valores lá em Hong-Kong, em virtude da globalização de uma estrutura econômica. Temos que abrir os nossos olhos responsavelmente e construir uma sociedade justa, fraterna, com emprego, dignidade. É nesse sentido que esse evangelho nos chama a atenção.


Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este 33º domingo do Tempo Comum: