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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Liturgia: Solenidade de Todos os Santos

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1ª Leitura - Ap 7,2-4.9-14
Salmo - Sl 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)
2ª Leitura - 1Jo 3,1-3
Evangelho - Mt 5, 1-12a

Naquele tempo:
Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se.
Os discípulos aproximaram-se,
e Jesus começou a ensiná-los:
'Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados os aflitos,
porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos,
porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração,
porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz,
porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que são perseguidos
por causa da justiça,
porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem
e perseguirem, e mentindo,
disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim.
Alegrai-vos e exultai,
porque será grande a vossa recompensa nos céus.
Palavra da Salvação.

A santidade ao alcance de cada um – Pe. João Batista Libânio, sj

A Festa de Todos os Santos abarca não apenas os santos que estão no céu, mas também um pouquinho de cada um de nós que está aqui na terra. Hoje, a liturgia nos apresenta três retratos diferentes sobre que coisa é ser santo.

O primeiro é um retrato glorioso, mostrado por um discípulo de João que escreveu o Apocalipse. Ele fecha os olhos, e sua imaginação começa a funcionar. Imagina o trono esplendoroso de Deus, o grande Javé, o Deus maior, ao lado de seu Filho, na forma de Cordeiro, não mais sangrando na cruz, mas já glorioso, e o Espírito Santo – a corte divina, tendo ao lado quatro anciãos, que podemos imaginar como sendo os quatro evangelistas. A ideia de ancião não se mede pela idade, pois há muito velho caduco querendo parecer jovem, e muito jovem envelhecido por ter perdido o gosto pela vida. Nós, sacerdotes, somos anciãos, mesmo os que ainda são jovens, pois estamos junto às comunidades para ajudar.

Presbyteros/presbyter em grego e em latim, significa presbítero – sacerdotes, padres. Para a Escritura, o que interessa é aquele que carrega a experiência, a vida, o amor, o encanto, aquele que sabe comunicar-se, passar alegria e entusiasmo para quem dele necessita. E todos nós, jovens e velhos, deveríamos ter um pouco desse ancião, um pouquinho dessa beleza, dessa transparência, para passar para os outros alguma coisa que os faça crescer. As pessoas estão muito sofridas, muito cortadas, podadas, necessitando de vigor, de uma força interior que as faça erguer. Vocês, jovens, precisam de mestres em suas vidas! Vocês têm desorientadores demais, sites inconvenientes aos bilhões, e falta-lhes alguém que lhes aponte o caminho do bem, da beleza e da verdade.

João continua apresentando uma multidão gigantesca – cento e quarenta e quatro mil pessoas, evidentemente, um número que simboliza as doze tribos de Israel –, todo o povo de Israel salvo diante do trono, pois, para a Bíblia, mil significa o infinito inumerável. Todos vestem uma túnica branca, símbolo da vitória sobre as batalhas da existência, todas as dores e sofrimentos por que passamos aqui. O Cordeiro olha para aquelas túnicas e vê que, paradoxalmente, elas haviam sido alvejadas no seu próprio sangue. É um sangue vermelho, mas que purifica a todos nós. Era uma multidão gigantesca de todos os que haviam morrido em Cristo. Nesse primeiro quadro dos santos, imagino os nossos pais, avós, todas as pessoas que já morreram e estão nesse grande cortejo.

Num segundo retrato, São João olha para dentro de nós, que não temos consciência da glória que trazemos em nosso interior. Tudo aquilo que o Apocalipse descreveu está dentro de nós, só que oculto, mas um dia há de se revelar. É a glória, a beleza, a santidade que está oculta no coração de cada um de vocês que está aqui, e que será revelado, quando um dia nos encontrarmos no esplendor da glória celeste. É a santidade chegando mais perto. Se conseguíssemos ver a beleza que existe dentro de cada um de nós, ficaríamos cegos, pois os nossos olhos são pequenos.

O terceiro retrato mira mais longe ainda e não vê apenas os cristãos que, pelo batismo, já trazem a presença de Jesus dentro de si. É uma santidade que vê até mesmo aqueles que nem foram batizados, nem chegaram a conhecer Jesus, como um Gandhi (*), por exemplo. Sabem que no Oriente vivem mais de um bilhão de pessoas que nunca ouviram falar em Jesus? Mas entre elas há pessoas que trabalham pela justiça, pela paz, são misericordiosas, têm um olhar transparente e um dia verão a Deus. É uma santidade que contempla também aqueles que cuidam dos pobres, que são mansos até mesmo quando se grita contra eles. Portanto, as bem-aventuranças nos tecem um quadro de todas as pessoas que viveram uma dessas virtudes. Esse terceiro retrato mostra quais são os que estão caminhando para o reino da verdadeira santidade.

Hoje é a festa dos gloriosos retratados no Apocalipse, é um pouco também a festa de cada um de nós que traz a graça escondida dentro de si e que realiza um pouco dessas bem-aventuranças que acabamos de ouvir. Ainda que sejamos caluniados, perseguidos, injustiçados, dentro de nós nenhuma mentira baterá, pois prevalecerá a nossa verdade, que um dia brilhará eternamente. Amém.

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol 7

Confira  reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para esta Solenidade de Todos os Santos: