PESQUISAR TEMAS E ARQUIVOS DO BLOG

domingo, 4 de outubro de 2015

Francisco de Assis reúne várias tribos no Largo



A 2ª edição da grande festa de São Francisco de Assis no Largo que leva o seu nome, no centro de São Paulo, começou na semana passada, mas teve o seu ápice neste domingo, no dia em que a Igreja celebra o seu padroeiro.

A primeira missa foi celebrada às 7h30 e já contava com um grande número de devotos. Os voluntários também marcaram presença: religiosos e religiosas, leigos e leigas, vocacionados, amigos e benfeitores vestiram a camisa para ajudar na organização da festa.

O que chamou a atenção neste ano foi a quantidade de atividades realizadas, e a diversidade de pessoas e carismas. Devotos de São Francisco, mas também ativistas de ONGs de cuidado animal, grupos de ciclistas, vegetarianos, cristãos e não-cristãos. Todos unidos por uma causa: a atenção ao meio ambiente.

No fim da manhã, enquanto muitos acompanhavam a missa presidida pelo Arcebispo emérito, Dom Claudio Hummes, um grupo de ciclistas ia se reunindo no lado de fora. O Largo foi o ponto de largada do 1º Passeio Ciclístico pelos Animais, organizado pelo Surya Solidária. Frei David Raimundo Santos deu a bênção aos presentes, e falou sobre a importância da bicicleta como atividade física, mas também como meio de locomoção na cidade, evitando assim a poluição dos carros. O frade ressaltou a importância do respeito na relação entre ciclistas, pedestres e motoristas. Os presentes ouviram a oração atribuída a São Francisco antes de partirem rumo à Casa das Caldeiras, na Barra Funda, onde aconteceria um grande evento pelo Dia Mundial do Animal, celebrado também neste dia 4, além do lançamento do calendário da ONG Celebridade Vira-Lata.



Outro grupo que reafirmou a parceria com a Festa de São Francisco foi a ONG Clube dos Vira-Latas. Pelo 2º ano consecutivo o grupo esteve presente na festa, trazendo seu stand com cães para a adoção. Neste ano o grupo conseguiu encaminhar 6 cães para novos donos. Foi o caso da Deise e Beatriz, que ficaram sabendo da adoção através da paróquia e decidiram vir buscar um novo companheiro para suas vidas. Deise conta que há 6 meses perderam um cachorro, que também foi pego da rua, e que a feira foi uma oportunidade de adotar um novo bichinho para a família. Para ela, esta relação com é fundamental, sobretudo por causa de Beatriz, sua filha única. 

Além das adoções, muitos devotos trouxeram seus bichinhos para receber a bênção e participar da celebração e da festa. Foi o caso da Janete, do Jardim Paulista. Ela, sua filha e o Puppy, um yorkshire, estavam participando da festa. Janete conta que em anos anteriores já havia participado da festa, mas com outro cãozinho, que faleceu. Emocionada, ela conta que este é o primeiro ano em que Puppy vem receber a bênção de São Francisco. 



A última missa aconteceu às 15h e foi presidida por Frei Gustavo Medella. A celebração contou ainda com a presença da Pastoral dos Surdos e a missa foi traduzida em libras por Frei Alvaci Mendes da Luz e outros voluntários. 

Em sua homilia, Frei Gustavo fez memória do Papa Francisco, e do pedido que o Santo Padre faz para a Igreja. “A Igreja como hospital de campanha, a Igreja do sorriso, do abraço, da acolhida, das portas abertas. A Igreja sonhada por Francisco de Assis, a Igreja desejada pelo Papa Francisco, o Francisco de Roma”, afirmou.

O frade falou também da importância da Igreja ser uma Igreja em saída, que não fique fechada em si mesma, mas que se abra para receber o outro. E recordou a passagem onde São Francisco é perguntado sobre o local de seu claustro. O santo leva a pessoa para o alto de uma montanha e responde que o seu claustro é tudo aquilo que ela pode ver, ou seja, o mundo. “Todo lugar é lugar da Igreja estar, todo lugar é lugar do franciscano estar, não para demonstrar poder ou força, mas para demonstrar amor”, exclamou.
Para encerrar a homilia, Frei Gustavo recordou outro pedido do Santo Padre, uma Igreja serva. A servidão, segundo o frade, não se faz no campo das idéias, mas na prática, na acolhida dos refugiados, por exemplo. No cotidiano, o cristão é chamado a servir seu vizinho nas pequenas atividades, no cuidado das relações. 


Frei Gustavo pediu as orações dos presentes para que os franciscanos possam ser fiéis no seguimento a Jesus Cristo e Francisco de Assis, não somente os Frades Menores, mas também os leigos, os Franciscanos Seculares. 

A missa terminou por volta das 16 horas e, no Largo São Francisco, a festa foi se encerrando aos poucos, ainda com bênçãos, venda de bolo, pães, sorteios de cestas do Mercado Municipal e da Special Dog, com produtos para os animais, e atrações musicais no palco. Uma festa que reuniu muitas pessoas em torno de uma causa comum!