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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

30º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura - Jr 31,7-9

Salmo - Sl 125,1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R. 3)
2ª Leitura - Hb 5,1-6
Evangelho - Mc 10,46-

Naquele tempo:

Jesus saiu de Jericó,
junto com seus discípulos e uma grande multidão.
O filho de Timeu, Bartimeu, cego e mendigo,
estava sentado à beira do caminho.
Quando ouviu dizer que Jesus, o Nazareno,
estava passando, começou a gritar:
'Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!'
Muitos o repreendiam para que se calasse.
Mas ele gritava mais ainda:
'Filho de Davi, tem piedade de mim!'
Então Jesus parou e disse: 'Chamai-o'.
Eles o chamaram e disseram:
'Coragem, levanta-te, Jesus te chama!'
O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus.
Então Jesus lhe perguntou:
'O que queres que eu te faça?'
O cego respondeu: 'Mestre, que eu veja!'
Jesus disse: 'Vai, a tua fé te curou'.
No mesmo instante, ele recuperou a vista
e seguia Jesus pelo caminho.

A Igreja que caminha – Pe. João Batista Libânio, sj


Marcos não poderia ser mais feliz nessa descrição para nos passar a parábola de nossa vida. É muito mais que um milagre, mas a nossa própria história. 


Jesus deixa Jericó, sai com os discípulos e a multidão – símbolo da Igreja: Ele, os apóstolos, que são os representantes oficiais, e a grande assembleia, que é a multidão. É a Igreja que caminha! Quando a Igreja caminha pela história, encontra muitas pessoas, como esse cego e mendigo – dois adjetivos! Ele estava à beira do caminho, à beira da história, à beira da realidade – em termos de hoje, diríamos marginalizado, deixado de lado, alguém para quem os acontecimentos não dizem nada. Ele é cego, não vê. Nós também somos cegos. E há dois tipos de cegueiras opostas: os pessimistas, que são cegos para as suas qualidades, e os vaidosos, que são cegos para os seus limites e defeitos. Jesus vem curar-nos dessas duas cegueiras. 


Os pessimistas são aqueles que pensam que não valem nada, que não servem para nada, que precisam ficar mendigando, como esse cego ao lado da estrada, fora da realidade. É importante que ouçam e percebam que Jesus está passando. É necessário que alguém lhes diga. Aquele cego nunca poderia saber que Jesus estava passando, pois não via. Alguém precisou dizer-lhe. Ele ouviu o burburinho e, de repente, começou a perguntar quem estava passando. Quem passa? – como essa pergunta é importante! Saber o que está acontecendo ao nosso lado, quem está nos provocando, nos chamando, que realidade nos questiona, para que saiamos dessa beira de caminho e possamos gritar: “Filho de Davi, tende piedade de mim!” É o primeiro passo! 


Precisamos olhar para o Senhor e experimentar, de certa maneira, a pessoa de Jesus, como aquele que tem infinita piedade para com as nossas cegueiras pessimistas e vaidosas. Precisamos dessa piedade e também precisamos gritar. Mas tomemos cuidado, porque muitas pessoas tentarão nos impedir de caminhar para o Senhor. Com certeza, muitas vezes sentiremos isso. Ao invés de também elas caminharem mais para perto do Senhor, nos proíbem. Sobretudo entre os jovens. Como encontram tantos colegas de farra, de desvios, de outros tipos de vida! Quando algum jovem quer deixar esses caminhos, encontra outros que o desencorajam, que não querem que ele saia, mas que continue à beira do caminho, à beira da história, à beira da realidade. 


Só que o cego teve mais força, mais energia interior e novamente gritou: “Filho de Davi, tende piedade de mim!”. Tenhamos coragem de gritar uma, duas, três vezes, até que ouçamos aquela palavra tão linda de Jesus: “Chamai-o!”. Ele não chama, mas pede que outros chamem – repararam isso? Ele não nos chama diretamente, mas através de outras pessoas, e continuamente. Quantas vezes seremos nós a levar esse chamado do Senhor a outras pessoas?! Chamemos as pessoas para que elas cheguem perto do Senhor! Chamemos para que elas deixem essa beira do caminho! Que deixem suas cegueiras, suas vidas de mendicantes e se lancem no caminho como esse cego, que jogou fora o seu manto. O manto que o agarrava, o amarrava; o manto da nossa preguiça, dos nossos hábitos, da nossa acomodação. A preguiça é um manto terrível, pesadíssimo. Não conseguimos deixá-lo de repente. O Senhor nos chama, mas precisamos que alguém nos diga para termos coragem, porque o Mestre nos chama. Seremos nós essas pessoas, que diremos às outras, atadas pela preguiça, que deixem esse manto e deem um salto em direção ao Senhor? 

Nesse encontro vem a pergunta mais linda de Jesus: “o que queres que eu te faça?”. Se hoje Jesus nos fizesse essa pergunta, teríamos resposta, saberíamos responder? O cego respondeu imediatamente: “que eu veja!”. Será que temos coragem de ver? Será que temos coragem de pedir a Deus que possamos ver? Ou temos medo! Sempre colocamos óculos escuros para esconder o que não queremos ver. Já repararam como as pessoas usam óculos escuros, como máscaras, para que ninguém as veja, para esconder a realidade na escuridão de seus óculos? O Senhor quer que nós vejamos, e esse cego teve a coragem de pedir: “Mestre, que eu veja!”. 

Quem sabe não é essa a grande graça que precisamos pedir ao Senhor nesta eucaristia: que nos cure dessas duas cegueiras? Primeiramente, da cegueira da vaidade, que bloqueia a nossa percepção dos defeitos. Depois que nos cure da cegueira do pessimismo e nos possibilite aquele caminhar necessário para nos fazer sair de nossos limites e ir sempre em frente, caminhando utopicamente para horizontes maiores, não nos sentindo satisfeitos com o que já está conquistado, mas buscando sempre mais a grandeza de Deus. Que também peçamos ao Senhor que nos liberte das fragilidades que nos prendem, que nos impedem de ver. Precisamos rasgar esses mantos, jogá-los fora e dar o grande salto para o caminho do Senhor. 


O cego viu, será que nós veremos? E depois que viu, o que ele fez? Seguiu Jesus. Se sairmos dessa celebração vendo e seguindo o Senhor, como a nossa vida mudará! Amém. 


Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol 7

Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz para este domingo: