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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

27º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura - Gn 2,18-24
Salmo - Sl 127,1-2.3.4-5.6 (R. cf. 5)
2ª Leitura - Hb 2,9-11
Evangelho - Mc 10,2-16

Naquele tempo:
Alguns fariseus se aproximaram de Jesus.
Para pô-lo à prova,
perguntaram se era permitido ao homem
divorciar-se de sua mulher.
Jesus perguntou:
'O que Moisés vos ordenou?'
Os fariseus responderam:
'Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio
e despedi-la'.
Jesus então disse:
'Foi por causa da dureza do vosso coração
que Moisés vos escreveu este mandamento.
No entanto, desde o começo da criação,
Deus os fez homem e mulher.
Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe
e os dois serão uma só carne.
Assim, já não são dois, mas uma só carne.
Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!'
Em casa, os discípulos fizeram, novamente,
perguntas sobre o mesmo assunto.
Jesus respondeu:
'Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra,
cometerá adultério contra a primeira.
E se a mulher se divorciar de seu marido
e casar com outro, cometerá adultério'.
Depois disso, traziam crianças
para que Jesus as tocasse.
Mas os discípulos as repreendiam.
Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse:
'Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais,
porque o Reino de Deus é dos que são como elas.
Em verdade vos digo:
quem não receber o Reino de Deus como uma criança,
não entrará nele'.
Ele abraçava as crianças
e as abençoava, impondo-lhes as mãos.
Palavra da Salvação.

Somos construtores do projeto de Deus – Pe. João Batista Libânio, sj

Não é fácil entender esse evangelho, porque há uma imensa distância cultural entre o ambiente em que Jesus vivia e o que vivemos hoje. Algumas coisas, porém, são tão límpidas, tão claras, que parecem evidentes. 
A ciência hoje não duvida que nós, seres humanos, viemos de um longo processo de evolução, que já dura bilhões de anos. Esse processo começou numa grande explosão, chamada big-bang, que chegou a trilhões de graus, passando a um esfriamento, quando se formaram as galáxias. Desses bilhões de galáxias, uma casquinha esfriou um pouquinho mais – é o que se chamou Terra. Também essa Terra passou por um processo, até que um dia surgiram os animais. Apesar da brutalidade desses primeiros anos, Deus havia criado o coração humano: homem e mulher – um projeto! O processo continuou, e um dia esses seres descobriram que homem e mulher foram feitos um para o outro, que era bom amar, e que desse amor nasceria o que há de mais bonito. Deus traça esse projeto, porque quer que homem e mulher fiquem juntos para realizarem o seu plano. Jesus diz como poderíamos fazer isso: “Amai os vossos inimigos”, “sede perfeitos como o vosso Pai Celeste é perfeito!”. Mas nós somos frágeis. Nenhum de nós ama como Jesus quer, nenhum de nós consegue perdoar o inimigo. Mas Deus não desiste e continua o seu projeto. 

Não pensem que esse evangelho é tacanho, apenas reflete uma época em que não havia a consciência de separação. As separações dos povos primitivos do tempo de Jesus eram injustas, sobretudo, em relação à mulher. O que tocava o coração de Jesus não era o problema sexual, mas ver uma mulher humilhada, espancada, repudiada pelos homens. Ele sempre se colocava ao lado do mais frágil, do pequeno. O que fazia doer o seu coração era ver essas pessoas sofrendo, porque, segundo a lei, somente a mulher poderia ser repudiada. É contra isso que Jesus protestou. Ele estava ao lado da mulher repudiada numa sociedade em que elas não valiam nada. Eram os dois grandes grupos de excluídos daquela época: as mulheres largadas e as crianças. Também as crianças não eram as belezinhas que conhecemos hoje. Eram como bichinhos que ocupavam lugar, davam trabalho e despesas. Deveriam ser espantadas como galinhas pelos terreiros. Jesus quis mostrar que a criança era o símbolo do bem, porque ela simplesmente é. Ainda não lhe vestiram as cascas da vaidade, da corrupção. Todos esses programas de TV estragam as nossas crianças, tornando-as adultas antes do tempo. Elas são levadas a darem saltos em seu crescimento, queimam etapas. São crianças erotizadas, vivendo problemas que não são delas. Jesus fala da pureza, da simplicidade do coração de uma criança.

Amor, casamento se fazem na gratuidade, e é assim que têm seu valor. Qualquer forma de comércio, de troca, estremece as relações afetivas. É nisso que temos que pensar, para que o amor seja cada vez mais bonito, mais verdadeiro, mais transparente, mais oblativo. A alegria da mulher deve ser a alegria do homem, assim como a alegria do homem deve ser a alegria da mulher. Que o outro seja a festa, o complemento. Só assim poderemos ter certeza de estarmos realizando o grande projeto de Deus para a humanidade. 

Pe. João Batista Libânio, sj – Um outro olhar, vol 7

Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este 27º domingo do Tempo Comum: