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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Largo São Francisco se transformou no Santuário de Canindé


Pelo segundo ano consecutivo o Santuário e Convento São Francisco, no centro de São Paulo, fez a abertura dos festejos do padroeiro em grande estilo. As cores e sons do Nordeste do Brasil saudaram São Francisco das Chagas. A missa nordestina aconteceu ao meio dia, neste sábado, dia 26 de setembro.
Animada pela Pastoral do Migrante, a missa foi presidida por Frei Gustavo Medella, e concelebrada por Frei Alvaci Mendes da Luz e por Pe. Valdiran Ferreira dos Santos e contou ainda com a presença de Frei Valter Carvalho.

Frei Gustavo destacou que era a “festa da saudade”, momento onde os nordestinos podiam celebrar São Francisco das Chagas, mesmo à distância. A chuva que caiu durante a manhã e início da tarde em São Paulo foi lembrada como um bom sinal. “A chuva quando cai no Nordeste é sinal de bênção!”

Em sua homilia, o frade destacou a proximidade dos nordestinos com Jesus Cristo, e consequentemente com São Francisco das Chagas. “Nas chagas de Cristo e de São Francisco, o nordestino enxerga as próprias chagas”, afirmou.

E não são poucas as chagas deste povo. A seca, o descaso, a exploração, sair de sua terra para tentar a vida em outro lugar, começar a vida do zero. Por isso, para o nordestino, as feridas não são o ponto final, mas um obstáculo a ser vencido.

“O povo nordestino olha além, para eles é muito claro que a história de Jesus não termina na cruz. Jesus caminha com eles, muito próximo”, acrescentou o frade.

Frei Gustavo, neto de uma paraibana, também destacou a imensa alegria do nordestino. As cores, os cantos e a luta são marcas registradas do Nordeste. Ele encerrou sua homilia lendo o poema de Diógenes da Cunha Lima, poeta potiguar.

Jesus, um Nordestino

Eu penso que Jesus devia nascer em Belém,
Na Paraíba, perto de Guarabira
E vizinho a Pirpirituba.
E se não bastasse a vizinhança
A indicar rima e caminho, Nova Cruz.

Era filho caçula de Dona Maria
Uma mulher dona da beleza
E que germinava bondade nas pessoas.
Era um menino moreno muito esperto,
Embalado em rede de algodão cru.

Tinha sandália com currulepo entre os dedos
E cajus, em dezembro, a lhe matar a sede.

O seu pastor fora um vaqueiro nordestino
De gibão e perneira e guarda-peito
Pra livrar as suas carnes da Jurema.

E vieram adorar o Deus-menino
Os Santos Reis, entrelaçados de bom jeito
Um negro, um índio e um branco português.

Seria fácil encontrar espinhos para a Fronte

Divina coroar, e um caminhão
Que ia por São José do Egito
Pra levar Jesus, o retirante,
Até São Paulo,
Um santo feito para as grandes secas.

Meu Deus, meu Deus, por que
Nos abandonaste, exclamaria
Enquanto repartia com o povo
Nu as suas vestes

Multiplicadas como pães ou peixes.

Criança, era carpinteiro como seu pai
Fazendo caixões azuis para os anjos do lugar.
Brincaria de castanha, um castelo,
Como convém à sua alta nobreza.

Academia, pulava num pé só
E proezas faria num cavalo de pau.
O seu jumento era mais magro, certamente.

E nem serviria pra carne de jabá.
Era um menino desnutrido como os outros

Da região, a fazer o bem, mudar
Aqui as coisas só vão na base do milagre

Ou da força parida da vontade.
Eu penso que Jesus
Devia nascer em Belém
Na Paraíba.


Nossa Senhora, Mãe do Nordeste

A missa contou com a presença do Padre Valdiran Ferreira dos Santos, alagoano. Ele brindou os presentes com uma pequena recordação. Uma oração com imagem de Nossa Senhora Mãe do Nordeste, que leva um jarro na cabeça. Todos foram convidados a rezar juntos a oração de sua autoria:

Nossa Senhora Mãe do Nordeste, torrão seco e sofrido, de gente honesta e trabalhadora que enfrenta a caatinga, os espinhos, a seca e o sol, as dores e o suor para viver com dignidade.

Debaixo desse céu azul, o sol queima nossa pele e nossas plantações. A água é escassa, a seca domina tudo, é um cenário sem graça, não fica quase ninguém , às vezes parece um fim de mundo! A terra nas mãos de poucos, a miséria nos consome, muitos são obrigados a deixar tudo e ir embora para não morrer de fome.

Confiamos no Senhor, porque Santo é o seu nome!

Nossa Senhora Mãe do Nordeste, olha para esse povo de artistas e poetas, cantadores e tocadores, mulheres fortes e profetas.

Olha essa terra de verdes mandacarus, sinal de resistência de um povo que quer viver com justiça e dignidade!

Olha para as mulheres sofridas como tu, fortes e decisivas na defesa da vida, na unidade da família e na luta por pão. Amém!



Muita alegria e confraternização na Tarde de prêmios

A tarde continuou animada no Largo São Francisco. Às 14h teve início a Tarde de prêmios, um momento para reencontro e muita alegria.

Frei Alexandre Rohling, o Frei Xandão, foi o animador do bingo, com muita descontração. Foram 9 rodadas, com 3 prêmios em cada. Foram vendidos quase 300 ingressos. Muitas famílias aproveitaram o sábado para brincar e tentar a sorte. Entre os prêmios havia uma TV, um forno micro-ondas, uma bicicleta, e muitos outros.

A Tarde de prêmios tem como objetivo, além da reunião com os amigos e benfeitores do Pró-Vocações, arrecadar fundos para a Festa de São Francisco, que começa nessa semana e se encerra no domingo, dia 4.