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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

24º domingo do Tempo Comum



1ª Leitura - Is 50,5-9a
Salmo - Sl 114,1-2.3-4.5-6.8-9 (R. 9)
2ª Leitura - Tg 2,14-18
Evangelho - Mc 8,27-35

Naquele tempo:
Jesus partiu com seus discípulos
para os povoados de Cesaréia de Filipe.
No caminho perguntou aos discípulos:
'Quem dizem os homens que eu sou?'
Eles responderam:
'Alguns dizem que tu és João Batista;
outros que és Elias;
outros, ainda, que és um dos profetas'.
Então ele perguntou:
'E vós, quem dizeis que eu sou?'
Pedro respondeu:
'Tu és o Messias'.
Jesus proibiu-lhes severamente
de falar a alguém a seu respeito.
Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo
que o Filho do Homem devia sofrer muito,
ser rejeitado pelos anciãos,
pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei;
devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias.
Ele dizia isso abertamente.
Então Pedro tomou Jesus à parte
e começou a repreendê-lo.
Jesus voltou-se, olhou para os discípulos
e repreendeu a Pedro, dizendo:
'Vai para longe de mim, Satanás!'
Tu não pensas como Deus,
e sim como os homens'.
Então chamou a multidão com seus discípulos
e disse: 'Se alguém me quer seguir,
renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.
Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la;
mas quem perder a sua vida por causa de mim
e do Evangelho, vai salvá-la.
Palavra da Salvação.

O desafio da doação – Pe. João Batista Libânio, sj

Esse evangelho foi preparado pela primeira leitura, uma espécie de umbral, de referencial para o que leríamos. Ele fala do servo sofredor. Para nossa cultura, parece uma categoria longínqua, mas não é. Todos os povos, todas as culturas têm seus grandes símbolos, homens que se imolaram, pessoas que se esvaziaram, desapareceram, para que o povo crescesse. Todos os povos precisam de um símbolo, alguém que carrega o seu sofrimento. [...]

Israel também foi um povo estraçalhado, esmagado, sofreu no exílio, foi massacrado pelos gregos, pelos romanos. É um povo sofrido! É importante que alguém carregue as nossas dores, para que as vençamos. Só que o povo de Israel não sabia, nunca poderia imaginar que viria alguém. E é nesse grande momento que acontece a passagem narrada hoje.

Aparece Jesus e pergunta: “O que vocês pensam de mim?”. João Batista havia sido assassinado. Elias desaparecera num carro de fogo. Aí Pedro diz que Ele era o Messias, mas, com sua cabecinha pequena, tenta impedi-lo de ir a Jerusalém. Diante disso, Jesus, percebendo que ele não entendia nada, lhe diz: “Tu és Satanás para mim!”. É nosso compromisso ajudar alguém a crescer, a seguir o seu caminho. Jesus quis seguir seu caminho, quis dar a sua vida por nós. Ele queria ter a coragem de ser o grande servo sofredor e carregar todas as nossas dores. Satanás é aquele que nos interrompe nos momentos em que queremos caminhar. Esse é Satanás! Nada de capeta com rabo e chifre, não. Satanás é aquele que está ao nosso lado. O pai pode ser satanás para seu filho, os esposos podem também ser ‘satanazes’, os namorados frequentemente são ‘satanazes’ um para o outro, quando conduzem o companheiro ou companheira, não pelos caminhos da beleza, da grandeza, mas por caminhos escusos, escurecidos. Não pensem em demônio!

Jesus ainda continua, e esse é o fato mais lindo. Ele fala em renúncia, e a nossa cultura é toda contrária a isso. É comum que agarremos tudo para nós. Chupamos todas as frutas e deixamos para os outros apenas os caroços, os bagaços. Todos nós somos assim. Jesus diz que isso não nos fará felizes. Só Ele teve coragem de dizer isso. Qual de nós tem coragem de dizer que, para sermos felizes, devemos abrir mão de nós mesmos? Não, queremos emprego, altos salários, ser eleitos à custa de quem quer que seja, acima de toda ética. Quando estiver por cima, serei feliz! Negativo! Assim seremos infelizes. Nenhum sucesso preenche uma vida esvaziada.

Jesus nos lembra que, se quisermos ser felizes, temos que ter os braços abertos para que a vida saia, para que haja amor, haja virtude. Que nunca a guardemos para nós. Se puxarmos toda a água, morreremos afogados, mas se abrirmos os braços, poderemos abraçar milhares e milhares de pessoas. Jesus nos ensina hoje que a humanidade se divide em duas classes: os que se fecharam e os que se abriram. Em qual delas nós estamos?

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar - vol 7

Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este 24º domingo do Tempo Comum: