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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Juventude e Vocação: caminho, chamado, resposta!


É sempre interessante e importante partilhar experiências e conhecimento, algumas coisas que deram certo e outras que podem ser melhoradas, enfim, continuamente estamos aprendendo, e, crescer juntos faz parte daqueles que estão na busca.

Por isso, quero falar um pouco sobre vocação.

Sou frade franciscano, seguidor de Jesus Cristo ao modo de Francisco de Assis, residente em São Paulo e há pouco mais de cinco anos ordenado sacerdote. Trabalho em um setor chamado Pró-Vocações e ajudo no discernimento vocacional de jovens que querem conhecer mais de perto a vida religiosa franciscana.

Sendo assim, gostaria de desenvolver minha reflexão vocacional direcionada para este tema: o jovem e a vocação. Afinal de contas, a grande maioria dos vocacionados sente-se chamado na juventude. Aliás, é nesta fase da vida que surgem as grandes dúvidas, incertezas, questionamentos e onde faz-se escolhas que vão orientar toda uma vida.

O trabalho com os jovens tem sido, nos últimos anos, uma prioridade da Igreja, ser com e para os jovens, vem sendo o desafio ao qual todos somos chamados, quebrando tabus e preconceitos estabelecidos dentro e fora da própria Igreja. A Conferência dos Bispos do Brasil aponta o caminho:

“Dizer que, para a Igreja, a juventude é uma prioridade em sua missão evangelizadora, é afirmar que se quer uma Igreja aberta ao novo, é afirmar que amamos o jovem não só porque ele representa a revitalização de qualquer sociedade, mas porque amamos, nele, uma realidade teológica em sua dimensão de mistério inesgotável e de perene novidade.” (CNBB 85, §  80-81).

Considerar o jovem como “lugar teológico” é entender que a voz de Deus fala e passa também por ele. A novidade que a cultura juvenil nos apresenta neste momento é o discurso que Deus nos faz através do jovem, é portanto, Deus falando com a sociedade e com a Igreja na juventude. O desafio eclesial é conseguir ver e entender o sagrado que se manifesta de muitas formas, também na realidade juvenil.

Vivo e trabalho em uma cidade grande, a maior do Brasil, e os jovens daqui refletem a realidade de quase todo o país, afinal de contas, nas realidades urbanas os grupos juvenis tem diferentes denominações e líderes, se reúnem em grupos e formam “tribos”, são eles: os emos, góticos, clubbers, punks, skatistas, de esquerda, de direita, universitários, dentre tantos outros. Estes grupos exigem uma análise que identifique a complexidade dos discursos que envolvem esses universos culturais e as práticas de seus participantes.
A grande questão é: como apontar o caminho do seguimento de Jesus Cristo, dentro da pluralidade juvenil atual, cada vez mais complexa e desafiante?

É aqui que entra nosso papel como Igreja e como animadores vocacionais dentro deste contexto. Os jovens que chegam até nós vêm de diferentes realidades: alguns são ativos em suas comunidades, outros passaram por diferentes religiões, outros ainda, estão na busca de entender os desafios que envolvem sua vida, seu papel na Igreja e na sociedade. O interessante, e é isto que mais me chama a atenção, é que todos eles estão sedentos por dar uma resposta a Deus e ao mundo. Não querem ficar acomodados e “ver a banda passar”, querem ser protagonistas, querem dar respostas, querem ser sinais visíveis de algo ou alguém maior que eles.

As perguntas são muitas, e o modo de “falar a língua” destes jovens também, é por isso que todos aqueles que trabalham e ajudam os jovens a descobrir sua vocação, devem estar bem conscientes de sua tarefa no seio da sociedade, e porque não dizer, de sua própria vocação. Devem ir ao encontro, sem esperar que o jovem apenas venha. O próprio Papa nos exorta para esta missão: "Descei para o meio de vossos jovens e chamai-os". É este estar junto que vai despertando vocações, que vai criando uma sintonia com aqueles que já vivenciam uma opção vocacional. 

Por isso, devemos buscar uma forma de apresentar ao jovem a pessoa de Jesus, motivando-o a fazer a experiência do seguimento. Uma boa referência é a forma como Jesus é percebido pelos discípulos de Emaús: alguém que caminha junto, escutando, dialogando e orientando.

Neste trabalho de esforço mútuo, de conhecimento, de troca de experiências, é que vão surgindo as vocações. As respostas partem daqueles que bem orientados, conseguem no turbilhão de opções e informações da sociedade moderna, responder ao chamado do Senhor, que continua a passar pelas “praias”, esquinas e praças de nossas vidas e a repetir o convite: “Vem e Segue-me!”

Enfim, o Senhor continua a chamar, a tocar o coração de tantos jovens, cabe a cada um de nós, orientá-los e ajudá-los na descoberta bonita do que Deus quer de cada um deles.

Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM