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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

21º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura - Js 24,1-2a.15-17.18b
Salmo - Sl 33,2-3.16-17.18-19.20-21.22-23 (R.9a)
2ª Leitura - Ef 5,21-32
Evangelho - Jo 6,60-69

Naquele tempo:
muitos dos discípulos de Jesus
que o escutaram, disseram:
'Esta palavra é dura.
Quem consegue escutá-la?'
Sabendo que seus discípulos estavam murmurando 
por causa disso mesmo,
Jesus perguntou:
'Isto vos escandaliza?
E quando virdes o Filho do Homem
subindo para onde estava antes?
O Espírito é que dá vida,
a carne não adianta nada.
As palavras que vos falei são espírito e vida.
Mas entre vós há alguns que não crêem'.
Jesus sabia, desde o início,
quem eram os que não tinham fé
e quem havia de entregá-lo.
E acrescentou:
'É por isso que vos disse:
ninguém pode vir a mim
a não ser que lhe seja concedido pelo Pai'.
A partir daquele momento,
muitos discípulos voltaram atrás
e não andavam mais com ele.
Então, Jesus disse aos doze:
'Vós também vos quereis ir embora?'
Simão Pedro respondeu:
'A quem iremos, Senhor?
Tu tens palavras de vida eterna.
Nós cremos firmemente e reconhecemos
que tu és o Santo de Deus'.

Palavra da Salvação.

Alegrias e dores do cotidiano – Pe. João Batista Libânio

Depois dessa leitura vocês têm que se colocar na situação dela. Josué foi aquele homem que, depois de Moisés, conduziu o povo do deserto para a Terra Prometida. Ele sacrificou sua vida pelo povo. Acreditava em Javé e tinha uma enorme segurança de que Deus estaria ao lado do povo. É esse homem que pergunta o que eles queriam. Será que querem voltar à vida anterior, continuar adorando os deuses? Nós também temos os nossos deuses: vícios, pecados, apegos, idolatrias. Será que eles queriam voltar a uma vida desregrada, a uma vida perdida? Será que nós queremos os deuses da mídia, os deuses vulgares que continuam nos sendo oferecidos, os deuses do consumismo, do hedonismo? Ou queremos o Deus que nos criou e nos chamou? Ele olha aquele jovem encostado na parede e diz que ele é importante, tão importante que seu Filho veio à Terra para falar dele a você 

Nós temos cinco sentidos exteriores e, para saber o que é bom para eles, Jesus não precisaria vir do céu, porque já sabemos. Todos nós sabemos que queremos ver coisas bonitas. Não gostamos de ver certas imagens que passam na televisão: crianças esqueléticas, famintas, famílias abatidas pelas tragédias. Quem gosta de apalpar coisas duras e espinhosas? Portanto, para nos dizer isso, não precisava Jesus ter vindo à Terra, porque essas realidades já conhecemos. É a felicidade dos sentidos comum a todos os seres vivos. A planta quer água para crescer. Se acariciamos um cachorrinho, ele nos olha feliz com alegria cachorral. Tudo isso já conhecemos, e Deus não precisaria nos ensinar. Mas Jesus vem nos dizer alguma coisa que dificilmente entenderíamos. Ele nos diz que devemos renunciar a todo poder, a todo o extraordinário, a todo privilégio para viver o cotidiano. Para sermos felizes, temos que viver o cotidiano sem privilégios. Se observarmos atentamente a situação atual, perceberemos que vivemos numa cultura mítica, que quer nos arrancar do cotidiano e nos fazer felizes num instante. A nossa realidade nos mostra que, para uma pessoa simples construir uma casa, tem que lutar, ajuntar uma pequenina poupança, amealhar pedra sobre pedra na luta, no amor, no trabalho. Isso é que é bonito! Mas a mídia não nos mostra isso. Basta escrever uma cartinha para o Faustão, sem precisar fazer mais nada. Será que não percebemos que querem nos enganar, que querem tirar o cotidiano da nossa vida? Será que não percebemos que toda essa mídia quer nos tirar o real, quer que vivamos num mundo de sonhos, sem esforço, sem luta? Querem que sejamos Ronaldinho sem treinar, sejamos Barichello sem entrar num carro, que passemos no vestibular apenas navegando, sem estudo, sem esforço. Querem fazer psicologia para depois vender cachorro-quente ou para ajudar casais a se encontrar, a se amar. 

O cotidiano é a coisa mais bonita, mas também a mais dolorosa. Jesus nos diz esta palavra dura: que assumamos o nosso dia a dia como ele é, sem querer milagres. Não precisamos ir a Aparecida buscar milagres. O maior milagre é viver! Viver com honestidade, com amor, com seriedade, chorando quando for preciso chorar. Não vai acontecer nenhum milagre. Nenhum anjo vai aparecer para nos tirar de um problema. Precisamos assumir as nossas realidades inexoráveis. Podemos nos embebedar, mas a realidade não vai mudar. Essa é a palavra dura do Senhor. É nessa realidade que seremos felizes, tornando-a mais bonita para os outros, para que as pessoas não sofram tanto, mas suportem, resistam, encontrem sentido numa vida que vai para além. Tudo isso nos dá força para resistir, porque nenhum crime, nenhuma tristeza vale um instante de eternidade. A única felicidade possível é saber que um dia estaremos junto aos nossos entes queridos glorificados, que estaremos acima de toda dor, de todo sofrimento. 

O Senhor nos diz: “não vereis o Filho do Homem subindo?”, isto é, não vereis que um dia estaremos glorificados? É isso que vai nos sustentar nas agruras da vida, nas noites escuras sem estrelas, nas dores da existência humana. Mas também nos fará rejubilar nos momentos felizes de nossa existência. Amém. 

Pe. João Batista Libânio - Um outro olhar, vol. 7

Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este 21º domingo do Tempo Comum: