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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O patriarca Bartolomeu sobre a salvaguarda da Criação - Como o rico insensato


«Como cristãos ortodoxos fomos instruídos pelos padres da Igreja a limitar na medida do possível as nossas necessidades. Contrastamos o princípio do consumismo com o princípio da ascese, limitando as necessidades ao indispensável. Isto não significa privação mas racionalização do consumo e condenação ética do desperdício. “Contentemo-nos pois com ter que comer e com que nos cobrir” (1 Tm 6, 8), como nos exorta o apóstolo de Cristo».

É o convite contido na mensagem do patriarca ecumênico, Bartolomeu, arcebispo de Constantinopla, difundida por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. O próprio Cristo – frisou o primaz ortodoxo – «depois da multiplicação dos pães e dos peixes e de ter saciado com eles cinco mil homens, mulheres e crianças, ordenou que fosse recolhido o que sobejava “para que nada se perca” (Jo 6, 12). Infelizmente as sociedades hodiernas abandonam o cumprimento deste mandamento, dando-se ao desperdício e ao uso irracional para a satisfação das percepções vaidosas de prosperidade».

Bartolomeu recordou que o dia 1º de setembro de cada ano foi dedicado, por iniciativa do patriarcado ecumênico («e recentemente também da Igreja católica romana»), à oração pela proteção do meio ambiente natural. Infelizmente «nós, homens, individual ou coletivamente, muitas vezes nos comportamos de modo contrário. Abusamos da natureza de maneira que as mudanças climáticas e ambientais acontecem inesperadamente e de forma indesejável».

Na mensagem Bartolomeu afirmou que «nós, homens, somos os destruidores da criação com a nossa avidez, com o nosso apego à terra, aos bens terrenos, que nos esforçamos continuamente em aumentar, como o “rico insensato” do Evangelho. Esquecemos o Espírito Santo, no qual vivemos, nos movemos e existimos».

Fonte: News.VA

Sem coração purificado não há mãos limpas


No evangelho deste domingo, o evangelista Marcos fala-nos da disputa entre Jesus, alguns fariseus e escribas acerca da tradição dos antigos. Para Jesus essas tradições são “preceitos de homens”, que não devem nunca tomar o lugar dos “mandamentos de Deus”.

E a disputa nasce porque os escribas e fariseus aplicavam-nos de forma escrupulosa e eram apresentados como expressão de autêntica religiosidade. Por isso, eles repreendem a Jesus e aos seus discípulos o não cumprimento desses preceitos, sobretudo os relativos à purificação exterior do corpo. Mas Jesus faz-lhes notar que estão a transcurar o mandamento de Deus em favor das tradições do homem.

Palavras – disse o Papa  - que nos enchem de admiração pelo nosso Maestro, sentindo que nele está a esperança e a sapiência que nos liberta de preconceitos. E recorda que estas palavras são também dirigidas a nós hoje, para não pensarmos que a observação exterior da lei é suficiente para ser bons cristãos.

“Mas atenção! Com estas palavras, Jesus quer chamar também a nossa atenção, hoje, a não pensarmos que a observação exterior da lei seja suficiente para ser bons cristãos”.

Tal como no tempo dos fariseus – prosseguiu o Papa – existe também para nós hoje o perigo de nos considerarmos melhor que os outros pelo simples facto de observar as regras, os usos e costumes, mesmo se não amamos o próximos, se somos duros de coração e orgulhosos. A observância literal dos preceitos é estéril se não houver mudanças dos corações, se não houver abertura a Deus e à sua Palavra e se isto não se traduzir em atitudes concretas como a justiça e a paz, o socorro dos pobres, dos fracos, dos oprimidos. E aqui o Papa recordou quão mal fazem à Igreja, aquelas pessoas que, com frequência vão à Igreja, mas na vida quotidiana transcuram a família, falam mal dos outros e assim por diante. Isto  é algo que Jesus condena, porque é o contrário de um testemunho cristão.

Não são as coisas exteriores que fazem uma pessoa santa ou não santa. É o coração que exprime as nossas intenções. O nosso coração geralmente está lá onde está o nosso tesouro. Podemos, então, perguntar-nos: onde está o meu coração. Qual é o meu tesouro? – É Jesus e a sua Doutrina, ou é alguma outra coisa? Portanto, é o coração que deve ser purificado e convertido. Sem um coração purificado não podemos ter mãos limpas e lábios que pronunciem palavras sinceras de amor. Tudo é duplo: dupla vida, vida de hipócritas – disse o Papa, frisando que o perdão e a misericórdia só podem vir de um coração sincero e purificado.

E exortou a pedir ao Senhor, por meio de Nossa Senhora, para que nos dê um coração puro, livre de qualquer hipocrisia, por forma a sermos capazes de viver segundo o espírito da lei e chegar à sua finalidade última que é o amor.

Depois da reza das Ave Marias,  o Papa recordou a beatificação do bispo mártir libanês, Melki que viveu entre os séculos XIX e XX, e o drama dos cristãos perseguidos assim como de migrantes e refugiados em geral, muitos dos quais morrem nas suas viagens. Ainda depois do Angelus, o Papa saudou diversos grupos de os peregrinos de várias partes da Itália e do mundo, de modo particular, os  escuteiros de Lisboa,  a todos desejando bom domingo e pedindo como sempre orações para ele … e sendo ora do almoço, não faltou o desejo que fosse bom para todos, antes do arrivederci… até nos vermos… 

Fonte: News.VA

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

22º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura: Dt 4,1-2.6-8
Sl 14
2ª Leitura: Tg 1,17-18.21b-22.27
Evangelho: Mc 7,1-8.14-15.21-23

Os fariseus e alguns doutores da Lei foram de Jerusalém e se reuniram em volta de Jesus. Eles viram então que alguns discípulos comiam pão com mãos impuras, isto é, sem lavar as mãos. Os fariseus, assim como todos os judeus, seguem a tradição que receberam dos antigos: só comem depois de lavar bem as mãos. Quando chegam da praça pública, eles se lavam antes de comer. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre.

Os fariseus e os doutores da Lei perguntaram então a Jesus: «Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, pois comem pão sem lavar as mãos?» Jesus respondeu: «Isaías profetizou bem sobre vocês, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim. Não adianta nada eles me prestarem culto, porque ensinam preceitos humanos’. Vocês abandonam o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens.»

Em seguida, Jesus chamou de novo a multidão para perto dele e disse: «Escutem todos e compreendam: o que vem de fora e entra numa pessoa, não a torna impura; as coisas que saem de dentro da pessoa é que a tornam impura. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.»
Pois é de dentro do coração das pessoas que saem as más intenções, como a imoralidade, roubos, crimes, adultérios, ambições sem limite, maldades, malícia, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas essas coisas más saem de dentro da pessoa, e são elas que a tornam impura.»

Amar é a única razão do amor – Pe. João Batista Libânio, sj

A primeira leitura é um toque muito bonito, que eu não gostaria deixar passar sem uma palavrinha. Fala muito mais de nós do que do povo de Israel. Voltando-se para eles, o profeta diz: “Que povo tão bendito é esse, que tem Deus tão perto?”. Se isso valeu para o povo de Israel, vale muito mais para nós. Olhando para vocês aqui, posso dizer: “Que comunidade tão querida é essa, que tem o Senhor tão próximo?”.

Vocês sabem o que significa ter Deus tão perto de nós? Já pensaram nisso? Toda vez que uma personalidade importante passar em sua cidade, não corram para vê-la. Não precisamos ver pessoas importantes, porque temos o Senhor, que vai além de todas as coisas que foram criadas. Nós temos aquele que é existente para cada um de nós. É Ele que nós temos tão próximo, é Ele que nos reúne. Se nos déssemos conta disso, quão felizes seríamos! Seríamos mais tranquilos, atravessaríamos as realidades da vida com mais serenidade, suportaríamos muito melhor as dores e tristezas, as horas dolorosas e machucadas da vida. Nossos olhos seriam mais transparentes, mais ternos. Teríamos o coração muito maior, mais amplo, mais aberto. O Senhor Criador, aquele que faz tudo, em quem, por quem, para quem todas as coisas foram criadas, é o Senhor da nossa comunidade. Guardemos isso, principalmente nós, mais velhos, que nos aproximamos cada vez mais do grande momento da transparência. Sempre precisaremos da certeza de que não cairemos num túnel escuro e definitivo, que não desapareceremos num nada. Precisamos ter a certeza de que uma imensa luz transparente nos envolverá.

O evangelho de hoje nos fala da coisa mais linda que temos, que é o amor. Todas as outras coisas são menores. Se eu misturo interesse ao amor, ele se corrompe. Mesmo que seja um mínimo. Qualquer amor salpicado de interesse, torna-se impuro. Se uma mãe amar seu filho interessadamente, esse amor será impuro, apesar de ser amor de mãe. Interesse, vaidade, egoísmo, ciúme, tudo isso apaga o amor, porque não bate com ele. O amor bonito é aquele que olha nos olhos, é o amor que confia. Temos que ter isto bem presente: a única motivação para amar é amar! Qualquer outra razão estraga o amor. A nossa cultura da propaganda, do colorido, das fantasias, destrói o amor. Ficam os adjetivos, e o substantivo desaparece, e aqueles sozinhos nada valem.

Podemos tomar qualquer outra realidade. Se a justiça é uma justiça interessada, já não será justa. Se convido alguém para uma festa interessadamente, que valor terá? A pessoa vale por simpatia, por amor, pela alegria de estar junto com ela. Qualquer outro interesse torna impuro esse convite. Jesus nos diz que nossos olhos devem ser transparentes. O interesse vem de dentro e suja qualquer realidade. As más intenções, a comercialização nos amores sujam as nossas relações. É isso que o Senhor quer nos dizer.

Jesus continua. Ele não era contra os ritos. É claro que os fariseus tinham direito de lavar as mãos, e ninguém seria contra isso. Os ritos, os costumes são necessários. Jesus quer nos dizer que não podemos ser escravos dos ritos. Nosso Deus é diferente, é transcendente, é infinito, maravilhoso. Ele é grande, é luz. O próprio nome – Deus – já diz. Vem de dies, em latim – luz! Nosso Deus é uma luz suave que envolve cada um de nós. Se tivéssemos essa consciência, nunca ficaríamos tristes, abatidos, entupidos de antidepressivos.

Vejo o exemplo de Frei Betto, que esteve preso durante quatro anos. Ele me disse que nunca tomou um antidepressivo, porque nunca precisou. A fé sempre o sustentou diante de tanto crime, vendo tantos amigos serem assassinados, torturados. Nenhum de vocês tem ideia do que foi o Brasil na década de setenta. Jovens como vocês foram torturados, massacrados, expulsos de sua pátria. Eles precisavam acreditar em alguma coisa maior.

Tenhamos a certeza de que temos um Deus próximo, que nunca vai castigar, que nunca vai nos virar o rosto, que nunca será capaz de nos olhar com raiva. Ele não castigou a mulher surpreendida em adultério. Um Deus que ama, perdoa, acolhe é a nossa única certeza! Amém.

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol. 7

Santo do dia: Santo Agostinho


Bispo e doutor da Igreja (354-430)

Aurélio Agostinho nasceu no dia 13 de novembro de 354, na cidade de Tagaste, hoje região da Argélia, na África. Era o primogênito de Patrício, um pequeno proprietário de terras, pagão. Sua mãe, ao contrário, era uma devota cristã, que agora celebramos como santa Mônica, no dia 27 de agosto. Mônica procurou criar o filho no seguimento de Cristo. Não foi uma tarefa fácil. Aliás, ela até adiou o seu batismo, receando que ele o profanasse. Mas a exemplo do provérbio que diz que "a luz não pode ficar oculta", ela entendeu que Agostinho era essa luz.

Aos 16 anos de idade, na exuberância da adolescência, foi estudar fora de casa. Na oportunidade, envolveu-se com a heresia maniqueísta e também passou a conviver com uma moça cartaginense, que lhe deu, em 372, um filho, Adeodato. Assim era Agostinho, um rapaz inquieto, sempre envolvido em paixões e atitudes contrárias aos ensinamentos da mãe e dos cristãos. Possuidor de uma inteligência rara, depois da fase de desmandos da juventude, centrou-se nos estudos e formou-se, brilhantemente, em retórica. Excelente escritor, dedicava-se à poesia e à filosofia.

Procurando maior sucesso, Agostinho foi para Roma, onde abriu uma escola de retórica. Foi convidado para ser professor dessa matéria e de gramática em Milão. O motivo que o levou a aceitar o trabalho em Milão era poder estar perto do agora santo bispo Ambrósio, poeta e orador, por quem Agostinho tinha enorme admiração. Assim, passou a assistir aos seus sermões. Primeiro, seu interesse era só pelo conteúdo literário da pregação; depois, pelo conteúdo filosófico e doutrinário. Aos poucos, a pregação de Ambrósio tocou seu coração e ele se converteu, passando a combater a heresia maniqueísta e outras que surgiram. Foi batizado, junto com o filho Adeodato, pelo próprio bispo Ambrósio, na Páscoa do ano de 387, com 33 e 15 anos de idade, respectivamente.

Nessa época, Agostinho passou por uma grande provação: seu filho morreu. Era um menino muito inteligente, a quem dedicava muita atenção e afeto. Decidiu, pois, voltar com a mãe para sua terra natal, a África, mas Mônica também veio a falecer, no porto de Óstia, não muito distante de Roma. Depois do sepultamento da mãe, Agostinho prosseguiu a viagem, chegando a Tagaste em 388. Lá, decidiu-se pela vida religiosa e, ao lado de alguns amigos, fundou uma comunidade monástica, cujas Regras escritas por ele deram, depois, origem a várias Ordens, femininas e masculinas. Porém, o então bispo de Hipona decidiu que "a luz não devia ficar oculta" e convidou Agostinho para acompanhá-lo em suas pregações, pois já estava velho e doente. Para tanto, ele consagrou Agostinho sacerdote e, logo após a sua morte, em 397, Agostinho foi aclamado pelo povo como novo bispo de Hipona.

Por 34 anos, Agostinho foi bispo daquela diocese, considerado o pai dos pobres, um homem de alta espiritualidade e um grande defensor da doutrina de Cristo. Na verdade, foi definido como o mais profundo e importante filósofo e teólogo do seu tempo. Sua obra iluminou quase todos os pensadores dos séculos seguintes. Escreveu livros importantíssimos, entre eles sua autobiografia, "Confissões", e "Cidade de Deus".

Depois de uma grave enfermidade, morreu amargurado, aos 76 anos de idade, em 28 de agosto de 430, pois os bárbaros haviam invadido sua cidade episcopal. Em 725, o seu corpo foi transladado para Pavia, Itália, sendo guardado na igreja São Pedro do Céu de Ouro, próximo do local de sua conversão. Santo Agostinho recebeu o honroso título de 'Doutor da Igreja' e é celebrado no dia de sua morte.

Fonte: Paulinas 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Pontífice fala sobre a importância da oração na família


O Papa concedeu na manhã desta quarta-feira (26/8), a sua centésima Audiência Geral no Vaticano. A primeira do Pontificado de Francisco foi no dia 27 de março de 2013, duas semanas após a sua eleição. 

Desde 10 de dezembro de 2014, Francisco está desenvolvendo catequeses sobre a Família, que será o tema do próximo Sínodo, em outubro. Neste mês de agosto, já dissertou sobre duas dimensões do ritmo de vida familiar: a festa e o trabalho. Hoje foi a vez do tempo da oração. 

Ouvimos continuamente dizer que “o tempo é pouco; nunca chega para tudo... deveria rezar mais…, gostaria, mas não tenho tempo”, lamentam muitos cristãos, com sinceridade. Quem tem uma família, aprende a resolver uma equação que nem os grandes matemáticos conseguem: dentro das vinte e quatro horas do dia, fazem entrar o dobro. Há pais e mães que merecem o Prêmio Nobel por isso! O segredo está no carinho que têm por seus queridos”. 

O Papa questionou os fiéis sobre o amor que sentem pelo Senhor: “Conseguimos pensar em Deus como uma carícia que nos dá e mantém a vida, uma carícia da qual nem a morte nos pode separar? Ou pensamos Nele apenas como num grande Ser todo-poderoso, num Juiz que tudo vê e controla nossas atitudes? Quando o afeto por Deus não acende o fogo, o espírito da oração não aquece o tempo; mas se o coração for habitado por Deus, até um pensamento sem palavras ou um beijo mandado por uma criança a Jesus se transformam em oração”.


Inserindo este conceito no âmbito da catequese nas famílias, o Pontífice acrescentou que “é belo ver as mães ensinando aos filhos pequenos a mandar um beijo a Jesus ou a Nossa Senhora. Este é o espírito da oração, que nos leva a encontrar tempo para Deus, fazendo-nos sair da obsessão de uma vida onde sempre falta tempo, para encontrar a paz das coisas necessárias”. 

A este ponto, o Papa citou o episódio narrado no Evangelho de Lucas que fala da visita de Jesus às irmãs Maria e Marta, quando esta aprendeu que oferecer a hospitalidade, apesar de importante, não era tudo. Escutar o Senhor, como fazia Maria, era a coisa realmente essencial, a “parte melhor” do tempo.
“Na oração da família, em seus momentos mais fortes e nas vicissitudes mais difíceis, nos entregamos uns aos outros, para que todos sejamos protegidos pelo amor de Deus”, disse Francisco, concluindo com as seguintes palavras:

“O Evangelho, lido e meditado na Família, é como um pão bom que nutre o coração de todos de manhã até a noite. Quando formos para a mesa, aprendamos a rezar juntos, com simplicidade: é Jesus que vem à nós. Uma coisa que levo no coração e que vi nas cidades: muitas crianças ainda não aprenderam a fazer o sinal da Cruz. Mães, pais, ensinem suas crianças a rezar e a fazer o sinal da Cruz; é um dever muito bonito dos pais!”.

Depois de ser longamente aplaudido por suas palavras e gestos, o Papa saudou os presentes que lotaram a Praça e leitores traduziram sua catequese em várias línguas. Em português, os novos alunos do Colégio Pio Brasileiro de Roma mereceram uma saudação especial. 

Fonte: News.VA

Santa Mônica


Mônica nasceu em Tagaste, atual Argélia, na África, no ano 332, no seio de uma família cristã. Desde muito cedo dedicou sua vida a ajudar os pobres, que visitava com frequência, levando o conforto por meio da Palavra de Deus. Teve uma vida muito difícil. O marido era um jovem pagão muito rude, de nome Patrício, que a maltratava. Mônica suportou tudo em silêncio e mansidão. Encontrava o consolo nas orações que elevava a Cristo e à Virgem Maria pela conversão do esposo. E Deus recompensou sua dedicação, pois ela pôde assistir ao batismo do marido, que se converteu sinceramente um ano antes de morrer.

Tiveram dois filhos, Agostinho e Navígio, e uma filha, Perpétua, que se tornou religiosa. Porém Agostinho foi sua grande preocupação, motivo de amarguras e muitas lágrimas. Mesmo dando bons conselhos e educando o filho nos princípios da religião cristã, a vivacidade, inconstância e o espírito de insubordinação de Agostinho fizeram com que a sábia mãe adiasse o seu batismo, com receio de que ele profanasse o sacramento.

E teria acontecido, porque Agostinho, aos 16 anos, saindo de casa para continuar os estudos, tomou o caminho dos vícios. O coração de Mônica sofria muito com as notícias dos desmandos do filho e por isso redobrava as orações e penitências. Certa vez, ela foi pedir os conselhos do bispo, que a consolou dizendo: "Continue a rezar, pois é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas".

Agostinho tornou-se um brilhante professor de retórica em Cartago. Mas, procurando fugir da vigilância da mãe aflita, às escondidas embarcou em um navio para Roma, e depois para Milão, onde conseguiu o cargo de professor oficial de retórica.

Mônica, desejando a todo custo ver a recuperação do filho, viajou também para Milão, onde, aos poucos, terminou seu sofrimento. Isso porque Agostinho, no início por curiosidade e retórica, depois por interesse espiritual, tinha se tornado freqüentador dos envolventes sermões de santo Ambrósio. Foi assim que Agostinho se converteu e recebeu o batismo, junto com seu filho Adeodato. Assim, Mônica colhia os frutos de suas orações e de suas lágrimas.

Mãe e filho decidiram voltar para a terra natal, mas, chegando ao porto de Óstia, perto de Roma, Mônica adoeceu e logo depois faleceu. Era 27 de agosto de 387 e ela tinha 56 anos.

O papa Alexandre III confirmou o tradicional culto a santa Mônica, em 1153, quando a proclamou Padroeira das Mães Cristãs. A sua festa é celebrada no dia de sua morte. O seu corpo, venerado durante séculos na igreja de Santa Áurea, em Óstia, em 1430 foi trasladado para Roma e depositado na Igreja de Santo Agostinho.

Uma de suas frases: "Nada está longe de Deus".

Fonte: Paulinas

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Somos os únicos responsáveis pelo êxito de nossa vocação!


Gostaria de começar esta reflexão a partir da aceitação de algumas premissas necessárias e importantes, no processo de discernimento vocacional. 

A primeira delas é de que Deus não muda. Lembremos do famoso texto de Santa Teresa escrito num momento de crise profunda. Ela o conservou em seu breviário até o fim da vida. O início é assim: “Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa. Só Deus não muda”. A carta aos hebreus afirma também que Cristo não muda: “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre” (13,8).

A segunda premissa que gostaria de chamar atenção é de que tudo muda neste mundo, já diziam os romanos: “os tempos, as coisas mudam e nós mudamos com eles”. Os filósofos falavam da mudança constante, nós mesmos, frequentemente falamos que a cada dia não somos os mesmos, enfim, estamos num mundo que muda.

Fiz estas duas afirmações contraditórias, mas interligadas, para começar minha reflexão acerca da vocação a santidade, o caminho a ser percorrido pelo coração para chegar ao “lugar” onde todos nós queremos um dia estar. 

Deus nos fez para ele, e inquieto está o nosso coração enquanto nele não repousar, dizia Santo Agostinho. Esta inquietude presente na vida de Agostinho e de tantos outros santos é o chamado a santidade. E a plenitude da santidade é o repouso em Deus. Tantos a sentiram antes de nós: Abraão, Isaías, Francisco, Clara, Luciano Mendes de Almeida, Teresa de Calcutá, Dulce dos pobres, enfim, homens e mulheres que viveram esta busca. 

Interessante ressaltar aqui, que, o desejo de santidade não depende do tempo e do espaço. A santidade não está ligada ao mundo rural, urbano, industrial, moderno ou pós-moderno. Ou seja, quando buscamos responder à vocação à qual somos chamados, não estamos dando respostas ao mundo que nos cerca, mas às inquietações que nascem dentro de nós mesmos. Por isso, ninguém fora de mim, pode solucionar e dar respostas à inquietude que eu sinto, o desejo de “repousar no útero” de onde eu vim. 

Estamos, portanto, diante de uma questão pessoal, intransferível, não delegável. Não depende de quem são meus pais, em que colégio estudei, onde moro, qual a data do meu nascimento, que profissão exerço. Não depende portanto, de nada que é mutável (segunda premissa), a minha necessidade de responder e repousar naquele é imutável (primeira premissa). “Ajudado, por vezes constrangido por aqueles que o educam e rodeiam, cada um, sejam quais forem as influencias que sobre ele se exerçam, permanece o artífice principal do seu êxito ou do seu fracasso” (Paulo VI na Populorum Progressio).

No pós-Concílio se falou muito em caminhada, termo, aliás, criado pela igreja no Brasil e que não consegue tradução nas outras línguas latinas. Mas corremos (nos tempos passado e presente) o perigo de longa caminhada para fora, à procura de um Deus invisível, e até citamos com ênfase os versos do poeta Antônio Machado: “Caminhante, não há caminho, faz-se caminho ao caminhar”. E chega o momento (talvez seja este) em que nos damos conta decepcionados, que atrás de nós "sobram apenas sulcos no mar". Isto porque o caminhar para fora, leva a lugar nenhum, lugar nenhum que até tem nome: utopia; se antes eu não fizer a caminhada para dentro do meu eu, lugar seguro do Espírito Santo.

Posso citar dezenas de desafios. Posso somar os desafios enfrentados por Abraão, os desafios encontrados por Isaías, os desafios que envolveram João Batista, Francisco de Assis, Frei Galvão, irmã Dulce. Todos eles somados se resumem num só e que é, na verdade, meu único desafio: Deus.

Colocar-me dentro de Deus e fazer com ele uma coisa só, um programa só, uma vontade só, um destino só. Nenhum santo fará isto por mim. Nenhum mestre fará isto por mim. A lugar nenhum me levará o Espírito Santo, se eu não fizer uma unidade com Deus como o rio faz com seu leito. É preciso que eu assuma este gesto decisivo, intransferível, de unidade com Deus, onde ora é Deus que corre em mim, que sou seu leito, ora sou eu que corro no leito que é Deus e juntos somos levados pelo Espírito Santo ao grande mar da santidade, ao eterno útero da bem aventurança.

Que possamos com a vida, responder ao grande chamado que o eterno Deus, constantemente nos faz.

Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM

Se você deseja saber mais sobre a vida religiosa franciscana, confira este vídeo:


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Santo franciscano: São Luís da França



São Luís IX, Rei da França. Protetor da Ordem Terceira (1215-1270). Canonizado por Bonifácio VIII no dia 11 de agosto de 1297.

Luís IX, rei da França nasceu aos 25 de abril de 1215. Foi educado rigidamente por sua mãe Branca de Castela e por ela encaminhado à santidade. Começou a ser rei da França em 1226. Casado com Margarida de Provença, ele impôs-se por toda vida exercício diário de piedade e penitência em meio de uma corte elegante e pomposa. Viveu na corte como o mais rígido monastério e tomou a todo o país como campo de sua inesgotável caridade. Quando o qualificavam de demasiado liberal com os pobres, respondia: “prefiro que meus gastos excessivos estejam constituídos por luminoso amor de Deus, e não por luxos para a vã glória do mundo”.

Sensível e justo, concedia audiência a todos debaixo do célebre bosque de Vincennes. Admirava-lhes sua serena justiça, objetiva supremo de seu reinado. A seu primogênito e herdeiro lhe disse uma vez: “preferiria que um escocês viesse da Escócia e governasse o reino bem e com lealdade, e não que tu meu filho, o governasse mal”. Toda sua vida sonhou em poder liberar a Terra Santa das mãos dos turcos. Por uma primeira cruzada promovida por ele terminou em fracasso. O exército cristão foi derrotado e dizimado pela peste. O rei caiu prisioneiro, precisamente a prisão de Luís IX foi o único resultado da expedição. As virtudes do rei impressionaram profundamente os muçulmanos, que o apontaram “o sultão justo”.

Em uma segunda expedição ao oriente, ele mesmo morreu de tifo em 1270. Antes de expirar mandou dizer ao Sultão de Túnez: “Estou resoluto a passar toda minha vida de prisioneiro dos sarracenos sem voltar a ver a luz, contanto que tu e teu povo possais fazer-se cristãos”.

Os terceiros franciscanos festejam neste dia 25 de agosto a seu patrono, São Luís, rei da França, ilustre coirmão na terceira Ordem da penitência. Foi sua mãe Branca de Castela que o encaminhou à santidade. Foi um terceiro franciscano que teve de Deus o encargo de exercitar a caridade em terras da França. Na história da França se recorda como um soberano sapientíssimo e também enérgico. O vemos praticar todas as obras de misericórdia convencional, traduz sua fé em ação e buscou no solo viver, e também governar segundo os preceitos da religião. São Luís IX, rei da França, morreu em 25 de agosto com a idade de 55 anos.

Os cruzados voltaram para a França trazendo o corpo do rei Luís IX, que já tinha fama e odor de santidade. O seu túmulo tornou-se um local de intensa peregrinação, onde vários milagres foram observados. Assim, em 1297 o papa Bonifácio VIII declarou santo Luís IX, rei da França, mantendo o culto já existente no dia de sua morte.

“Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

Fonte: Província Franciscana

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Benfeitores se reúnem em São Paulo para encontro de espiritualidade



Na manhã do último domingo, 23 de agosto, benfeitores do Pró-Vocações e Missões Franciscanas se reuniram em São Paulo, para um momento de reencontro e oração.
Quase 100 pessoas estiveram presentes, de diversas regiões de São Paulo e até mesmo de Santos. O Encontro Regional de benfeitores é um momento muito aguardado por todos, como afirmou Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM. “Nós sabemos de vocês, recebemos sua contribuição, e muitas vezes nosso único meio de comunicação é o boletim, que não substitui este encontro pessoal e fraterno”, afirmou. 

O encontro teve início às 9h, com a Celebração Eucarística, celebrada no Santuário e Convento São Francisco de Assis, na região central. A missa foi presidida por Frei Alvaci e contou ainda com a presença de Frei Alexandre Rohling, o Frei Xandão, nos cantos. Em sua homilia, Frei Alvaci agradeceu aos benfeitores pela resposta positiva ao convite para o encontro, e destacou a importância da presença de cada um. O frade falou ainda sobre o papel dos leigos na Igreja, que celebra no 4º domingo de agosto a vocação laical. 

“A nossa Igreja depende de cada um, na sua particularidade, no seu jeito. Quem não tem condições de fazer nada na Igreja, ajuda de outra forma, sendo benfeitor, por exemplo”, explicou Frei Alvaci. O frade falou ainda sobre os leigos que colaboram nas paróquias e comunidades, e afirmou que se não fosse a vocação leiga, a vocação religiosa não teria sentido, pois sem os leigos a Igreja não se sustentaria.

Ao final da missa, Frei Alvaci agradeceu de modo especial aos leigos que se dedicam na catequese de Primeira Eucaristia, já que a missa das 9h é celebrada com as crianças e catequistas. O frade agradeceu pela dedicação destes jovens e adultos que dispõe parte do seu tempo na evangelização das crianças da região. Os catequistas receberam das mãos de Frei Alvaci e Frei Odorico uma lembrança.

Ordem Franciscana Secular recebe os benfeitores

Após a missa, o encontro teve continuidade na igreja vizinha, dedicada a São Francisco das Chagas, que é administrada pela OFS – Ordem Franciscana Secular. Os benfeitores puderam ouvir de Maria Nascimento Silva, ministra da Fraternidade local, alguns detalhes sobre a igreja, que passou por um processo de restauro que durou 7 anos e foi reaberta em maio de 2014. A ministra falou ainda sobre a fraternidade, que atualmente conta com 92 irmãos, e deixou o convite para aqueles que desejam conhecer um pouco mais da OFS.



Origem da Ordem Franciscana Secular

A OFS tem suas origens no século XIII, quando leigos manifestaram o desejo de seguir os passos de São Francisco de Assis, seu fundador e fonte de inspiração. No início de sua história vê-se reconhecida pela Igreja como irmãos e irmãs da penitência. O Papa Gregório IX em 20 de maio de 1221 aprova a primeira Regra “Memorial e Propositi” com a primeira denominação Ordem da Penitência. Em 18 de agosto de 1289 o Papa franciscano Nicolau IV, com a Bula “Supra Montem” reconhecia São Francisco como fundador da Ordem da Penitência e a denominava de Ordem Terceira de São Francisco. (Informações do site: www.ofs.org.br)

Visita às dependências da igreja

Após a fala da ministra, os presentes puderam conhecer as dependências da igreja, que foi concluída em 1736. O passeio incluiu visitas ao memorial e ao mausoléu, onde estão enterrados irmãos da OFS, entre eles Rafael Tobias de Aguiar, um dos fundadores da Polícia Militar do Estado de São Paulo, e nomeado em 1831 como presidente da Província de São Paulo, um cargo semelhante a governador. Tobias de Aguiar pertencia à OFS. Os benfeitores puderam também conhecer a sacristia e o acervo de documentos, imagens e paramentos litúrgicos que a igreja de São Francisco das Chagas possui.



Para a benfeitora Anna Maria, o encontro foi emocionante. É o terceiro encontro em que ela está presente. Ela afirmou que faz parte de uma paróquia que vive a espiritualidade carmelita, mas que o encontro despertou nela o desejo de conhecer mais de perto da Ordem Franciscana Secular. Anna Maria também destacou o trabalho de restauração da igreja das Chagas.

A equipe do PVF agradece aos benfeitores que estiveram presentes. Foi uma manhã muito agradável, de encontro e convivência. Que São Francisco, que em breve vamos celebrar, anime a caminhada de cada um e cada uma e que Deus os abençoe abundantemente.

Confira mais imagens:

















Santo do dia: São Bartolomeu


Bartolomeu, também chamado Natanael, foi um dos 12 primeiros apóstolos de Jesus. É assim descrito nos evangelhos de João, Mateus, Marcos e Lucas, e também nos Atos dos Apóstolos.

Bartolomeu nasceu em Caná, na Galileia, uma pequena aldeia a 14 quilômetros de Nazaré. Era filho do agricultor Tholmai. No Evangelho, ele também é chamado de Natanael. Em hebraico, a palavra "bar" que dizer "filho" e "tholmai" significa "agricultor". Por isso os historiadores são unânimes em afirmar que Bartolomeu-Natanael trata-se de uma só pessoa. Seu melhor amigo era Filipe e ambos eram viajantes. Foi o apóstolo Filipe que o apresentou ao Messias.

Até esse seu primeiro encontro com Jesus, Bartolomeu era cético e, às vezes, irônico com relação às coisas de Deus. Porém, depois de convertido, tornou-se um dos apóstolos mais ativos e presentes na vida pública de Jesus. Mas a melhor descrição que temos de Bartolomeu foi feita pelo próprio Mestre: "Aqui está um verdadeiro israelita, no qual não há fingimento".

Ele teve o privilégio de estar ao lado de Jesus durante quase toda a missão do Mestre na terra. Compartilhou seu cotidiano, presenciou seus milagres, ouviu seus ensinamentos, viu Cristo ressuscitado nas margens do lago de Tiberíades e, finalmente, assistiu sua ascensão ao céu.

Depois do Pentecostes, Bartolomeu foi pregar a Boa-Nova. Encerradas essas narrativas dos evangelhos históricos, entram as narrativas dos apócrifos, isto é, das antigas tradições. A mais conhecida é da Armênia, que conta que Bartolomeu foi evangelizar as regiões da Índia, Armênia Menor e Mesopotâmia.

Superou dificuldades incríveis, de idioma e cultura, e converteu muitas pessoas e várias cidades à fé do Cristo, pregando segundo o evangelho de são Mateus. Foi na Armênia, depois de converter o rei Polímio, a esposa e mais 12 cidades, que ele teria sofrido o martírio, motivado pela inveja dos sacerdotes pagãos, os quais insuflaram Astiages, irmão do rei, e conseguiram uma ordem para matar o apóstolo. Bartolomeu foi esfolado vivo e, como não morreu, foi decapitado. Era o dia 24 de agosto do ano 51.

A Igreja comemora são Bartolomeu Apóstolo no dia de sua morte. Ele se tornou o modelo para quem se deixa conduzir pelo outro ao Senhor Jesus Cristo.

Fonte: Paulinas

sábado, 22 de agosto de 2015

O desafio da vocação laical


O desafio da vocação laical - Dom Pedro José Conti

Ao longo do mês de agosto somos convidados a refletir sobre as diferentes vocações. Temos o domingo do padre, dos pais, dos religiosos e religiosas, dos leigos e catequistas. A vocação laical por ser a vocação mais comum, ou seja, da maioria absoluta dos batizados e batizadas, não é entendida como tal. No máximo, nos chamados Encontros Vocacionais, é apresentada como vocação ao matrimônio. Vocação laical não é só formar uma família, diz a respeito à própria profissão e trabalho, a responsabilidade de colaborar na construção de uma sociedade mais humana e fraterna, a missão de anunciar e fazer crescer o Reino de Deus dentro da história sem se confundir com o mundo, mas também sem negá-lo ou condená-lo de antemão. Também se olhamos dentro da Igreja, cada vez mais os leigos e as leigas assumem atividades e tarefas nas nossas comunidades, felizes de poder colaborar com a grande obra da evangelização, obra que, fique bem claro, é responsabilidade de todo o Povo de Deus e não somente reservada aos pastores. Está na hora de explicar mais e melhor porque o ser leigo e leiga é uma verdadeira vocação, uma forma consciente de viver o próprio batismo, um caminho específico de santificação dentro da “vocação universal à santidade” como ensinou, cinquenta anos atrás, o Concílio Vaticano II (cf. LG cap. 5).

Peço desculpa por simplificar muito as questões, mas, espero que isso ajude a entender. Usarei o esquema do tempo e das virtudes teologais. A hierarquia tem a missão de conservar a Fé, transmitida de geração em geração, com fidelidade e ao mesmo tempo, com o desafio de atualizá-la não tanto na doutrina em si, quanto na linguagem e nas expressões. Assim a fé pode ser entendida e abraçada como uma “boa notícia” sempre capaz de iluminar a vida das pessoas que acolhem este dom com consciência, liberdade e compromisso. De maneira especial aos padres é confiada a celebração da Eucaristia, para que, com a sua “memória”, o evento da salvação de Jesus se torne contemporâneo em todos os tempos “até que ele venha” (cf. 1Cor 11,26). Esta memória é decisiva; sem ela perderíamos a nossa identidade de cristãos e acabaríamos confundidos com outras formas religiosas e crenças que cada vez mais pretendem usar o nome de Jesus.

Os religiosos e as religiosas, com todas as suas variadas formas de vida e carismas, têm um comum os três votos: de pobreza, castidade e obediência. Com isso, eles e elas formam comunidades-famílias (cf. Mt 12,49-50) que mantém viva no meio do Povo de Deus a certeza da meta final onde terão valor somente os tesouros acumulados no céu (cf. Mt 6,20). Rumo a esta meta todos os batizados devem caminhar “pressurosos, peregrinando na penumbra da fé” animados pela Esperança que não engana (cf. Prefácio da Solenidade de Todos os Santos). Também a clareza sobre a meta da nossa existência humana é decisiva para a nossa vida de cristãos. Quem não sabe para onde vai, nunca encontra o caminho e, sobretudo, evita a tentação de parar, de achar que já chegou, conformando-se assim às coisas passageiras, às modas daquele momento, aos ídolos que sempre atraem com suas falsas promessas.

Sobra para os leigos, me perdoem dizer assim, o tempo presente e a virtude teologal da Caridade. Isto não porque padres, religiosos e religiosas não vivam também encarnados na realidade do momento ou, menos ainda, porque não sejam chamados a praticar a caridade. Não quero dizer isso, seria um gravíssimo mal entendido. No entanto, é próprio da vocação laical atuar dentro dos acontecimentos, circunstâncias e situações que a vida ordinária lhes apresenta e oferece, no dia a dia, buscando ali a própria santificação e a construção do Reino de Deus. A vocação laical não é uma vocação inferior ou de sobra, porque estes irmãos e irmãs não foram nem padres e nem religiosos ou religiosas, mas é a resposta responsável e consciente de quem se sente chamado e apto a colocar as mãos na massa do mundo, agindo como o fermento, como sal e luz da terra.

Todo batizado e batizada deveria ter esta consciência e abraçar este desafio com a paciência de quem semeia e planta, na maioria das vezes, sem ver os frutos do seu esforço. O Reino é semelhante ao grão de mostarda...O importante, para os leigos e leigas, porém, não é somente não desistir nunca, mas, muito mais, aprender a reconhecer os sinais e as sementes do Reino presentes na história humana, dons da liberdade do Divino Espírito Santo. Os leigos e as leigas que estão no mundo experimentam todos os dias a tristeza da miséria humana, do egoísmo, da desonestidade, da violência, mas também reconhecem, agradecidos, que não têm o monopólio da bondade, da generosidade e do sacrifício. Por isso aceitam dialogar com todas as pessoas de boa vontade religiosas ou não, além das cores políticas e das ideologias. O olhar da verdadeira vocação laical é ao mesmo tempo realista, porque não esconde os problemas e as contradições da sociedade, mas também está cheio de fé e esperança porque tem a certeza que o amor de Jesus já venceu o pecado e a morte. Um pouco, ou muito, amor colocado na hora certa e no momento certo muda os corações, valoriza o bem, desmascara a superficialidade, a mentira e a indiferença. Muda a história.

Existe situação ou ambiente onde não esteja precisando de tudo isso? O leigo e a leiga já estão lá, sem propaganda e sem alarde, simplesmente “presentes”. Pode parecer pouco, mas, em certos lugares, é tudo o que é possível fazer naquele momento. É o discípulo-missionário de Jesus cumprindo a sua vocação. É o Reino acontecendo. Sem medo de avançar para águas mais profundas (cf. Lc 5,4).

Feliz dia do leigo para todos aqueles que colaboram nesta missão tão importante!

Fonte: CNBB

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

21º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura - Js 24,1-2a.15-17.18b
Salmo - Sl 33,2-3.16-17.18-19.20-21.22-23 (R.9a)
2ª Leitura - Ef 5,21-32
Evangelho - Jo 6,60-69

Naquele tempo:
muitos dos discípulos de Jesus
que o escutaram, disseram:
'Esta palavra é dura.
Quem consegue escutá-la?'
Sabendo que seus discípulos estavam murmurando 
por causa disso mesmo,
Jesus perguntou:
'Isto vos escandaliza?
E quando virdes o Filho do Homem
subindo para onde estava antes?
O Espírito é que dá vida,
a carne não adianta nada.
As palavras que vos falei são espírito e vida.
Mas entre vós há alguns que não crêem'.
Jesus sabia, desde o início,
quem eram os que não tinham fé
e quem havia de entregá-lo.
E acrescentou:
'É por isso que vos disse:
ninguém pode vir a mim
a não ser que lhe seja concedido pelo Pai'.
A partir daquele momento,
muitos discípulos voltaram atrás
e não andavam mais com ele.
Então, Jesus disse aos doze:
'Vós também vos quereis ir embora?'
Simão Pedro respondeu:
'A quem iremos, Senhor?
Tu tens palavras de vida eterna.
Nós cremos firmemente e reconhecemos
que tu és o Santo de Deus'.

Palavra da Salvação.

Alegrias e dores do cotidiano – Pe. João Batista Libânio

Depois dessa leitura vocês têm que se colocar na situação dela. Josué foi aquele homem que, depois de Moisés, conduziu o povo do deserto para a Terra Prometida. Ele sacrificou sua vida pelo povo. Acreditava em Javé e tinha uma enorme segurança de que Deus estaria ao lado do povo. É esse homem que pergunta o que eles queriam. Será que querem voltar à vida anterior, continuar adorando os deuses? Nós também temos os nossos deuses: vícios, pecados, apegos, idolatrias. Será que eles queriam voltar a uma vida desregrada, a uma vida perdida? Será que nós queremos os deuses da mídia, os deuses vulgares que continuam nos sendo oferecidos, os deuses do consumismo, do hedonismo? Ou queremos o Deus que nos criou e nos chamou? Ele olha aquele jovem encostado na parede e diz que ele é importante, tão importante que seu Filho veio à Terra para falar dele a você 

Nós temos cinco sentidos exteriores e, para saber o que é bom para eles, Jesus não precisaria vir do céu, porque já sabemos. Todos nós sabemos que queremos ver coisas bonitas. Não gostamos de ver certas imagens que passam na televisão: crianças esqueléticas, famintas, famílias abatidas pelas tragédias. Quem gosta de apalpar coisas duras e espinhosas? Portanto, para nos dizer isso, não precisava Jesus ter vindo à Terra, porque essas realidades já conhecemos. É a felicidade dos sentidos comum a todos os seres vivos. A planta quer água para crescer. Se acariciamos um cachorrinho, ele nos olha feliz com alegria cachorral. Tudo isso já conhecemos, e Deus não precisaria nos ensinar. Mas Jesus vem nos dizer alguma coisa que dificilmente entenderíamos. Ele nos diz que devemos renunciar a todo poder, a todo o extraordinário, a todo privilégio para viver o cotidiano. Para sermos felizes, temos que viver o cotidiano sem privilégios. Se observarmos atentamente a situação atual, perceberemos que vivemos numa cultura mítica, que quer nos arrancar do cotidiano e nos fazer felizes num instante. A nossa realidade nos mostra que, para uma pessoa simples construir uma casa, tem que lutar, ajuntar uma pequenina poupança, amealhar pedra sobre pedra na luta, no amor, no trabalho. Isso é que é bonito! Mas a mídia não nos mostra isso. Basta escrever uma cartinha para o Faustão, sem precisar fazer mais nada. Será que não percebemos que querem nos enganar, que querem tirar o cotidiano da nossa vida? Será que não percebemos que toda essa mídia quer nos tirar o real, quer que vivamos num mundo de sonhos, sem esforço, sem luta? Querem que sejamos Ronaldinho sem treinar, sejamos Barichello sem entrar num carro, que passemos no vestibular apenas navegando, sem estudo, sem esforço. Querem fazer psicologia para depois vender cachorro-quente ou para ajudar casais a se encontrar, a se amar. 

O cotidiano é a coisa mais bonita, mas também a mais dolorosa. Jesus nos diz esta palavra dura: que assumamos o nosso dia a dia como ele é, sem querer milagres. Não precisamos ir a Aparecida buscar milagres. O maior milagre é viver! Viver com honestidade, com amor, com seriedade, chorando quando for preciso chorar. Não vai acontecer nenhum milagre. Nenhum anjo vai aparecer para nos tirar de um problema. Precisamos assumir as nossas realidades inexoráveis. Podemos nos embebedar, mas a realidade não vai mudar. Essa é a palavra dura do Senhor. É nessa realidade que seremos felizes, tornando-a mais bonita para os outros, para que as pessoas não sofram tanto, mas suportem, resistam, encontrem sentido numa vida que vai para além. Tudo isso nos dá força para resistir, porque nenhum crime, nenhuma tristeza vale um instante de eternidade. A única felicidade possível é saber que um dia estaremos junto aos nossos entes queridos glorificados, que estaremos acima de toda dor, de todo sofrimento. 

O Senhor nos diz: “não vereis o Filho do Homem subindo?”, isto é, não vereis que um dia estaremos glorificados? É isso que vai nos sustentar nas agruras da vida, nas noites escuras sem estrelas, nas dores da existência humana. Mas também nos fará rejubilar nos momentos felizes de nossa existência. Amém. 

Pe. João Batista Libânio - Um outro olhar, vol. 7

Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este 21º domingo do Tempo Comum:



Santo do dia: São Pio X


São Pio X Papa da Terceira Ordem (1835-1914). Canonizado por Pio XII no dia 29 de maio de 1954.

Giuseppe Sarto, assim era o seu nome, nasceu em Riese (Treviso), em 1835, em uma família de camponeses. Depois de estudar no Seminário de Pádua, foi ordenado sacerdote aos 23 anos. No começo, foi vigário em Tombolo, após pároco em Salzano, depois cônego da catedral de Treviso, com o encargo de chanceler episcopal e diretor espiritual do Seminário Diocesano. Nestes anos de rica e generosa experiência pastoral, o futuro Pontífice mostrou aquele profundo amor a Cristo e à Igreja, aquela humildade e simplicidade e aquela grande caridade com relação aos mais necessitados, que foram características de toda a sua vida. Inscreveu-se na Ordem Terceira de São Francisco e do humilde e pobre Santo de Assis quis aprender mais profundamente as virtudes que sempre queria em seu coração.

Em 1884, foi nomeado Bispo de Mântua e, em 1893, Patriarca de Veneza. Em 4 de agosto de 1903, foi eleito Papa, ministério que aceitou com hesitação, porque não se considerava digno de uma tarefa assim tão alta.

O pontificado de São Pio X deixou um sinal indelével na história da Igreja e foi caracterizado por um notável esforço de reforma, sintetizado no seu lema Instaurare omnia in Christo (Renovar todas as coisas em Cristo). Suas intervenções, de fato, envolveram os diversos ambientes eclesiais. Desde o início, dedicou-se à reorganização da Cúria Romana; após, deu início aos trabalhos para a redação do Código de Direito Canônico, promulgado pelo seu Sucessor, Bento XV. Promoveu, em seguida, a revisão dos estudos e do “iter” (processo) de formação dos futuros sacerdotes, fundando também vários Seminários regionais, equipados com boas bibliotecas e professores preparados. Outro setor importante foi aquele da formação doutrinal do Povo de Deus. Desde os anos em que era pároco, havia escrito ele próprio um catecismo e, durante o episcopado em Mântua, trabalhou a fim de se chegasse a um catecismo único, se não universal, pelo menos italiano. Como autêntico pastor, havia entendido que a situação da época, também devido ao fenômeno da emigração, tornava necessário um catecismo a que todos os fiéis pudessem recorrer independentemente do local e das circunstâncias da vida. Como Pontífice, preparou um texto de doutrina cristã para a Diocese de Roma, que se difundiu  depois por toda a Itália e no mundo. Esse Catecismo é chamado “de Pio X” e foi, para muitos, um guia seguro no aprender as verdades da fé através de uma linguagem simples, clara e precisa, com eficácia positiva.

Notável atenção dedicou à reforma da Liturgia, em particular da música sacra, para conduzir os fiéis a uma mais profunda vida de oração e a uma mais plena participação nos Sacramentos. No Motu Proprio Tra le sollecitudini (1903, primeiro ano de seu pontificado), ele afirma que o verdadeiro espírito cristão tem a sua primeira e indispensável fonte na participação ativa nos sacrossantos mistérios e na oração pública e solene da Igreja (cf. ASS 36 [1903], 531). Por isso, recomendou a recorrência frequente aos sacramentos, favorecendo a frequência cotidiana à Santa Comunhão, bem preparados, e antecipando oportunamente a Primeira Comunhão das crianças para em torno de sete anos de idade, “quando a criança começa a raciocinar” (cf. Sagrada Congregação De Sacramentis, Decretum Quam singulari: AAS 2 [1910], 582).

Fiel à missão de confirmar os irmãos na fé, São Pio X, frente a algumas tendências que se manifestaram no contexto teológico no final do século XIX e início do século XX, interveio decisivamente, condenando o “Modernismo”, para defender os fiéis das concepções errôneas e promover um aprofundamento científico da Revelação em consonância com a Tradição da Igreja. Em 7 de maio de 1909, com a Carta Apostólica Vinea electa, fundou o Pontifício Instituto Bíblico. Os últimos meses de sua vida foram marcados pelos clarões da guerra. O apelo aos católicos do mundo, lançado em 2 de agosto de 1914 para expressar “a amargura” do momento presente, foi o grito sofredor do pai que vê os filhos se colocarem uns contra os outros. Morreu pouco tempo depois, em 20 de agosto, e a sua fama de santidade começou a se espalhar rapidamente entre o povo cristão.

Queridos irmãos e irmãs, São Pio X ensina a nós todos que a base da nossa ação apostólica, nos vários campos em que atuamos, sempre deve ser uma íntima união pessoal com Cristo, a se cultivar e crescer dia após dia. Esse é o núcleo de todo o seu ensinamento, de todo o seu compromisso pastoral. Somente se estamos enamorados pelo Senhor seremos capazes de levar os homens a Deus e apresentá-los a Seu amor misericordioso, e, assim, apresentar o mundo à misericórdia de Deus.

No dia 20 de agosto de 1914, aos setenta e nove anos, Pio X morreu. O povo, de imediato, passou a venerá-lo como um santo. Mas só em 1954 ele foi oficialmente canonizado.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

Da Constituição Apostólica Divino aflatu, de São Pio X, papa

A voz da Igreja que canta suavemente

Compostos por divina inspiração, os salmos colecionados na Sagrada Escritura foram desde os inícios da Igreja empregados, como se sabe, não apenas para alimentar maravilhosamente a piedade dos fiéis que ofereciam sempre a Deus o sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que louvam seu nome (cf. Hb 13,15; Os 14,3); mas também, como já era costume na antiga Lei, para ocupar lugar eminente na sagrada liturgia e no ofício divino. Daí nasceu, na expressão de Basílio, “a voz da Igreja” e a salmodia. Salmodia que é “filha de sua hino dia, que sempre a Igreja canta diante do trono de Deus e do Cordeiro”, como expõe nosso predecessor Urbano VI. Assim a Igreja ensina aos homens particularmente devotados ao culto divino, conforme as palavras de Atanásio, “de que modo se deve louvar o Senhor e com que palavras dignamente” confessá-lo. A este respeito disse muito bem Agostinho:“Para ser bem louvado pelo homem, Deus mesmo se louvou; e, aceitando louvar-se, deu ao homem encontrar o modo de louvá-lo”. 

Além disto, nos salmos há uma maravilhosa força para despertar nos corações o desejo de todas as virtudes. Pois, “embora toda a nossa Escritura, tanto a antiga quanto a nova, seja inspirada por Deus e útil para a instrução, como está escrito (cf. 2Tm 3,16), o livro dos salmos porém, semelhante a um paraíso, que contém em si os frutos dos demais livros, produz o canto, e, ainda mais, oferece seus próprios frutos unidos aos dos outros durante a salmodia”. Essas palavras são novamente de Atanásio, que acrescenta: “A mim me parece que os salmos são como um espelho para quem salmodia, onde este se contempla a si e os movimentos de seu espírito, e, assim impressionado, os recita”. Também diz Agostinho nas Confissões: “Como chorei por causa de teus hinos e cânticos, vivamente comovido pelas suaves palavras do canto de tua Igreja! As palavras fluíam em meus ouvidos e instilava-se a verdade em meu coração, fazendo arder a piedade; corriam-me as lágrimas e sentia-me bem com elas”. 

Na verdade, a quem não comovem aquelas frequentes passagens dos salmos onde se canta profundamente a imensa majestade de Deus, a onipotência, a indizível justiça,a bondade ou a clemência e todos os outros infinitos louvores? A quem não inspiram iguais sentimentos as ações de graças pelos benefícios recebidos de Deus, ou as humildes e confiantes preces pelo que se deseja, ou os clamores do arrependimento dos pecados? A quem não inflama a cuidadosamente velada imagem do Cristo Redentor “cuja voz ouvia Agostinho em todos os salmos a salmodiar, a gemer, a alegrar-se na esperança ou a suspirar pela realização?”

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Caminhos do Evangelho - 21º domingo do Tempo Comum

O trabalho concede dignidade ao ser humano


Na Audiência Geral desta semana, que aconteceu na manhã de ontem, o Papa Francisco falou sobre família e trabalho, destacando a importância do trabalho para a dignidade da família e de cada pessoa.

Confira:

Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Depois de ter refletido sobre o valor da festa na vida da família, hoje meditemos sobre o elemento complementar, que é o trabalho. Ambos fazem parte do desígnio criador de Deus, a festa e o trabalho.

O trabalho, diz-se normalmente, é necessário para manter a família, criar os filhos, garantir aos próprios entes queridos uma vida digna. De uma pessoa séria, honesta, o que de mais bonito se possa dizer é: «É um trabalhador», precisamente uma pessoa que trabalha, que na comunidade não vive às custas dos outros. Há muitos argentinos aqui, vejo-vos, e direi como dizemos nós: «No vive de arriba».

Com efeito, o trabalho nas suas mil formas, a partir daquele doméstico, cuida também do bem comum. E onde se aprende este estilo de vida laboriosa? Antes de mais aprende-se em família. A família educa para o trabalho com o exemplo dos pais: pai e mãe que trabalham para o bem da família e da sociedade.

No Evangelho, a Sagrada Família de Nazaré aparece como uma família de trabalhadores, e o próprio Jesus é chamado «filho do carpinteiro» (cf. Mt 13, 55) ou até «o carpinteiro» (cf. Mc 6, 3). São Paulo não deixa de advertir os cristãos: «Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer» (2 Ts 3, 10). Esta é uma boa receita para emagrecer, não trabalhas, não comes! O apóstolo refere-se explicitamente ao falso espiritualismo de alguns que, de facto, vivem às custas dos seus irmãos e irmãs «ocupando-se de futilidades» (2 Ts 3, 11). O compromisso do trabalho e a vida do espírito, na concepção cristã, não estão absolutamente em contraste entre si. É muito importante entender isto! Oração e trabalho podem e devem estar juntos, em harmonia, como ensina são Bento. A falta de trabalho prejudica também o espírito, assim como a falta de oração deteriora inclusive a atividade prática.

Trabalhar — repito, nas suas mil formas — é próprio da pessoa humana. Exprime a sua dignidade de ter sido criada à imagem de Deus. Por isso, diz-se que o trabalho é sagrado. E portanto a gestão do emprego é uma grande responsabilidade humana e social, que não pode ser deixada nas mãos de poucos nem acabar num «mercado» divinizado. Causar uma perda de lugares de trabalho significa provocar um grave dano social. Entristeço-me quando vejo que há pessoas sem trabalho, que não encontram emprego e não têm a dignidade de levar o pão para casa. Alegro-me muito quando vejo que os governantes fazem grandes esforços para criar postos de trabalho a fim de que todos o tenham. Ele é sagrado, confere dignidade à família. Devemos rezar para que não falte trabalho na família.

Por conseguinte, também o trabalho, como a festa, faz parte do desígnio de Deus Criador. No livro do Gênesis, o tema da terra como casa-jardim, confiada aos cuidados e ao trabalho do homem (cf. 2, 8.15), é antecipado com um trecho muito comovedor: «Quando o Senhor Deus fez a terra e os céus, não havia arbusto algum pelos campos, nem sequer uma planta germinara ainda, porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem para a cultivar. Mas da terra elevava-se um vapor que regava toda a superfície» (2, 5-6). Não é romantismo, é revelação de Deus; e nós temos a responsabilidade de a compreender e assimilar até ao fundo. A Encíclica Laudato si’, que propõe uma ecologia integral, contém também esta mensagem: a beleza da terra e a dignidade do trabalho existem para estar juntas. Caminham juntas: a terra torna-se bonita quando é trabalhada pelo homem. Quando o trabalho se afasta da aliança de Deus com o homem e a mulher, quando se separa das suas qualidades espirituais, quando é refém só da lógica do lucro e despreza os afetos da vida, o aviltamento da alma contamina tudo: inclusive o ar, a água, as ervas, os alimentos... A vida civil corrompe-se e o habitat deteriora-se. E as consequências atingem sobretudo os mais pobres e as famílias mais pobres. A moderna organização do trabalho às vezes mostra uma perigosa tendência a considerar a família como um obstáculo, um peso, uma passividade, para a produtividade do trabalho. Mas esquecemo-nos: qual produtividade? E para quem? A chamada «cidade inteligente» sem dúvida é rica de serviços e organização; contudo, por exemplo, com frequência é hostil a crianças e idosos.

Às vezes quem projeta está interessado na gestão da força de trabalho individual, para montar e utilizar ou descartar de acordo com a conveniência econômica. A família é um grande teste. Quando a organização do trabalho a mantém refém, ou até lhe impede o caminho, então estamos certos de que a sociedade humana começou a agir contra si mesma!

As famílias cristãs recebem desta conjuntura um grande desafio e uma grande missão. Elas apresentam os fundamentos da criação de Deus: a identidade e o vínculo do homem e da mulher, a geração dos filhos, o trabalho que torna a terra doméstica e habitável. A perda desses fundamentos é um problema muito sério, e já temos demasiadas fendas na casa comum! A tarefa não é fácil. Às vezes as associações de famílias podem ter a impressão de ser como David diante de Golias... mas sabemos como se concluiu aquele desafio! São necessárias fé e astúcia. Deus nos conceda receber com alegria e esperança a sua chamada, neste momento difícil da nossa história, a chamada ao trabalho para dar dignidade a nós mesmos e à própria família.

Fonte: Site do Vaticano

Santo do dia: São Bernardo de Claraval


Bernardo nasceu na última década do século XI, no ano 1090, em Dijon, França. Era o terceiro dos sete filhos do cavaleiro Tecelim e de sua esposa Alícia. A sua família era cristã, rica, poderosa e nobre. Desde tenra idade, demonstrou uma inteligência aguçada. Tímido, tornou-se um jovem de boa aparência, educado, culto e de caráter reto e piedoso. Mas chamava a atenção pela sabedoria, prudência, poder de persuasão e profunda modéstia.

Quando sua mãe morreu, seus irmãos quiseram seguir a carreira militar, enquanto ele preferiu a vida religiosa, ouvindo o chamado de Deus. Na ocasião, todos os familiares foram contra, principalmente seu pai. Porém, com uma determinação poucas vezes vista, além de convencê-los, trouxe consigo o pai, os irmãos, primos e vários amigos. Ao todo, 30 pessoas seguiram seus passos, sua confiança na fé em Cristo, e ingressaram no Mosteiro da Ordem de Cister, recém-fundada.

A contribuição de Bernardo dentro da ordem foi de tão grande magnitude que ele passou a ser considerado o seu segundo fundador. No seu ingresso, em 1113, eram apenas vinte membros e um mosteiro. Dois anos depois, foi enviado para fundar outro na cidade de Claraval, do qual foi eleito abade, ficando na direção durante 38 anos. Foi um período de abundante florescimento da Ordem, que passou a contar com 165 mosteiros. Bernardo, sozinho, fundou 78 e, em suas mãos, mais de 700 religiosos professaram os votos. Quando Bernardo faleceu, havia 700 monges em Claraval.

Bernardo viveu uma época muito conturbada na Igreja. Muitas vezes, teve de deixar a reclusão contemplativa do mosteiro para envolver-se em questões que agitavam a sociedade. Foi pregador, místico, escritor, fundador de mosteiros, abade, conselheiro de papas, reis, bispos e também polemista político e tenaz pacificador. Nada conseguia abater ou afetar sua fé, imprimindo sua marca na história da espiritualidade católica romana.

Ao lado dessas atividades, nesse mesmo período, teve uma atividade literária muito expressiva, em quantidade de obras e qualidade de conteúdo. Tornou-se o maior escritor do seu tempo, apesar de sua saúde sempre estar comprometida. Isso porque Bernardo era um religioso de vida muito austera, dormia pouco, jejuava com frequência e impunha-se severa penitência.

Em 1153, participando de uma missão em Lorena, adoeceu. Percebendo a gravidade do seu estado, pediu para ser conduzido para o seu Mosteiro de Claraval, onde pouco tempo depois morreu, no dia 20 de agosto do mesmo ano. Foi sepultado na igreja do mosteiro, mas teve suas relíquias dispersadas durante a Revolução Francesa. Depois, sua cabeça foi entregue para ser guardada na catedral de Troyes, França.

Seus livros de teologia e de ascética são lidos ainda hoje. Recorde-se "Tratado do amor de Deus" e "O Cântico dos Cânticos", uma terna declaração de amor à Virgem.

Um de seus pensamentos: "Amar a Deus é ter caridade. Procurar ser amado por Deus é servir à caridade".

São Bernardo de Claraval, canonizado em 1174,por Alexandre II, recebeu, com toda honra e justiça, o título de doutor da Igreja em 1830, por Pio VIII.

Fonte: Paulinas

Dos Sermões sobre o Cântico dos Cânticos, de São Bernardo, abade

O amor basta-se a si mesmo, em si e por sua causa encontra satisfação. É seu mérito, seu próprio prêmio. Além de si mesmo, o amor não exige motivo nem fruto. Seu fruto é o próprio ato de amar. Amo porque amo, amo para amar. Grande coisa é o amor, contanto que vá a seu princípio, volte à sua origem, mergulhe em sua fonte, sempre beba donde corre sem cessar. De todos os movimentos da alma, sentidos e afeições, o amor é o único com que pode a criatura, embora não condignamente, responder ao Criador e, por sua vez, dar-lhe outro tanto. Pois quando Deus ama não quer outra coisa senão ser amado, já que ama para ser amado; porque bem sabe que serão felizes pelo amor aqueles que o amarem.  

O amor do Esposo, ou melhor, o Esposo-Amor somente procura a resposta do amor e a fidelidade. Seja permitido à amada corresponder ao amor! Por que a esposa e esposa do Amor não deveria amar? Por que não seria amado o Amor?  

É justo que, renunciando a todos os outros sentimentos, única e totalmente se entregue ao amor, aquela que há de corresponder a ele, pagando amor com amor. Pois mesmo que se esgote toda no amor, que é isto diante da perene corrente do amor do outro? Certamente não corre com igual abundância o caudal do amante e do Amor, da alma e do Verbo, da esposa e do Esposo, do Criador e da criatura; há entre eles a mesma diferença que entre o sedento e a fonte.  

E então? Desaparecerá por isto e se esvaziará de todo a promessa da desposada, o desejo que suspira, o ardor da que a ama, a confiança da que ousa, já que não pode de igual para igual correr com o gigante, rivalizar a doçura com o mel, a brandura com o cordeiro, a alvura com o lírio, a claridade com o sol, a caridade com aquele que é a caridade?Não. Mesmo amando menos, por ser menor, se a criatura amar com tudo o que é, haverá de dar tudo. Por esta razão, amar assim é unir-se em matrimônio, porque não pode amar deste modo e ser menos amada, de sorte que no consenso dos dois haja íntegro e perfeito casamento. A não ser que alguém duvide ser amado primeiro e muito mais pelo Verbo.