PESQUISAR TEMAS E ARQUIVOS DO BLOG

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Pontífice encoraja os jovens paraguaios a serem livres e solidários


O último compromisso do Papa Francisco no Paraguai foi o encontro com jovens, que aconteceu às margens do Rio Costanera.

Alguns jovens partilharam suas experiências, e o Papa Francisco decidiu, de improviso, responder a estes jovens.

Confira abaixo como foi o encontro:

Queridos jovens, boa tarde.

Após a leitura do Evangelho, o Orlando aproximou-se a cumprimentar-me e disse: «Peço ao senhor que reze pela liberdade de cada um de nós, de todos». É a bênção que o Orlando pediu para cada um de nós. É a bênção que agora pedimos todos juntos: a liberdade. Porque a liberdade é um dom que Deus nos dá; mas temos de saber recebê-lo, é preciso saber ter um coração livre, porque sabemos todos que no mundo há tantas amarras que atam o coração e não deixam que o coração seja livre. A exploração, a falta de meios para sobreviver, a toxicodependência, a tristeza, todas essas coisas nos tiram a liberdade. Assim que, todos juntos, agradeçamos ao Orlando que pediu essa bênção, para ter o coração livre, um coração que possa falar o que pensa, que possa falar o que sente e possa fazer o que pensa e o que sente. Este é um coração livre! E é isso que vamos pedir todos juntos: a bênção que Orlando pediu para todos. Repitam comigo: «Senhor Jesus, dai-me um coração livre. Que não seja escravo de todas as armadilhas do mundo. Que não seja escravo do conforto, do engano. Que não seja escravo da boa vida. Que não seja escravo dos vícios. Que não seja escravo de uma falsa liberdade, que é fazer aquilo que eu gosto a cada momento». Obrigado, Orlando, por fazer-nos perceber que temos que pedir um coração livre. Peçam-no todos os dias!

E ouvimos dois testemunhos: o da Liz e do Manuel. A Liz nos ensina uma coisa: do mesmo modo como o Orlando nos ensinou a rezar para ter um coração livre, a Liz, com sua vida, ensina-nos a não ser como Pôncio Pilatos, lavando as mãos. A Liz poderia ter colocado tranquilamente a sua mãe numa casa de repouso, a sua avó em outro asilo e viver a sua vida de jovem, divertindo-se, estudando o que queria. E a Liz disse: «Não. A avó, a mãe...». E a Liz se tornou serva, servidora e, se querem uma expressão ainda mais forte, Liz se tornou como uma empregada doméstica da sua mãe e da avó. E o fez com carinho! A tal ponto que – como ela dizia – os papéis se inverteram e ela acabou sendo a mãe da sua mãe, pelo modo como a cuidava. Sua mãe, que tinha essa doença cruel que confunde as coisas. E ela queimou sua vida até agora, até os 25 anos, servindo sua mãe e avó. Sozinha? Não, a Liz não estava sozinha. Ela disse duas coisas que têm de nos ajudar: falou de um anjo, de uma tia que foi como um anjo; e falou do encontro com amigos nos fins de semana, com a comunidade juvenil de evangelização, com o grupo de jovens que alimentava a sua fé. E esses dois anjos – essa tia que a guardava e este grupo juvenil – deram-lhe mais força para continuar. E isto se chama solidariedade. «Como é que se chama?» [os jovens respondem: «Solidariedade»]. [Há solidariedade] quando assumimos o problema do outro. E ela encontrou ali um repouso para o seu coração cansado. Mas há algo que poderia nos escapar. Ela disse: «Eu faço isso e nada mais». Mas ela também estudou! É enfermeira. E fazendo tudo isso, a ajuda, a solidariedade recebida de vocês, do grupo de vocês, que recebeu desta tia, que era como um anjo, ajudou que ela seguisse em frente. E hoje, aos 25 anos, ela tem a graça que o Orlando nos fazia pedir: ela tem um coração livre. A Liz cumpre o quarto mandamento: «Honra o teu pai e tua mãe». A Liz mostra a sua vida, queimando-a, no serviço à sua mãe. É um grau elevadíssimo de solidariedade, é um grau elevadíssimo de amor. Um testemunho. «Padre, então é possível amar?». Aqui vocês têm alguém que nos ensina a amar.

Em primeiro lugar, liberdade, coração livre. Assim, digamos todos juntos: [os jovens repetem cada frase] «Primeiro, um coração livre». «Segundo: solidariedade para acompanhar». Solidariedade. É isso que nos ensina este testemunho. Já o Manuel não teve uma vida fácil. O Manuel não é um “filhinho de papai”. Não foi um “bebezinho”, não pôde ser criança e ser hoje um jovem de vida fácil. Ele falou palavras duras: «Eu fui explorado, eu fui maltratado, com o risco de cair no vício, estava sozinho». Exploração, maltrato e solidão. E, em vez de sair para fazer maldades, em vez de sair para roubar, ele foi trabalhar. Em vez de sair para vingar-se da vida, ele olhou para frente. E Manuel usou uma frase bela: «Fui capaz de seguir em frente porque na situação em que eu me encontrava era difícil falar de futuro». Quantos jovens – vocês – hoje, têm a possibilidade de estudar, de sentar-se à mesa com a família todos os dias, têm a possibilidade de que não lhes falte o essencial? Quantos de vocês têm isso? Todos aqueles que têm isto em suas vidas digam juntos: «Obrigado, Senhor!». [Os jovens repetem: «Obrigado, Senhor!»]. Porque tivemos aqui um testemunho de um jovem que desde menino soube o que era a dor, a tristeza, que foi explorado, maltratado, que não tinha nada para comer e que estava sozinho. Senhor, salvai esses meninos e meninas que estão nessa situação! E para nós, Senhor, obrigado! Obrigado, Senhor! Todos: Obrigado, Senhor!

Liberdade de coração. Lembram-se? Liberdade de coração; aquilo que o Orlando nos falava. Serviço, solidariedade; aquilo que a Liz nos falava. Esperança, trabalho, lutar pela vida, seguir em frente; aquilo que o Manuel nos falava. Como vocês podem ver, a vida não é fácil para muitos jovens. E quero que vocês entendam isto, quero que metam na cabeça: «Se a vida é relativamente fácil para mim, há outros rapazes e moças para quem não lhes é relativamente fácil». Além disso, o desespero os empurra para a delinquência, empurra-os para o delito, empurra-os para colaborar com a corrupção. A esses jovens, essas moças, temos que dizer-lhes que estamos perto deles, que queremos dar-lhes uma mão, que queremos ajudá-los, com solidariedade, com amor, com esperança.

Duas frases dos dois que falaram, a Liz e o Manuel, eram lindas. Escutem-nas. A Liz disse que começou a conhecer Jesus. Conhecer Jesus significa abrir a porta à esperança. E o Manuel disse: «Eu conheci a Deus, minha fortaleza». Conhecer Deus é fortaleza. Ou seja, conhecer Deus, aproximar-se de Jesus, é esperança e fortaleza. É disso que os jovens precisam hoje: jovens com esperança e jovens com fortaleza. Não queremos jovens «fracotes», jovens estão por ai e nada mais, nem sim nem não. Não queremos jovens que se cansam rápido e que vivem cansados, com cara de tédio. Queremos jovens fortes. Queremos jovens com esperança e fortaleza. Por quê? Porque conhecem Jesus, porque conhecem Deus. Porque têm um coração livre. Coração livre, repitam. [Os jovens repetem cada uma das palavras] Solidariedade. Trabalho. Esperança. Esforço. Conhecer Jesus. Conhecer a Deus, minha fortaleza. Um jovem que viva assim, tem cara de tédio? [Resposta dos jovens: «Não».]. Você tem um coração triste? [Resposta dos jovens: «Não!»]. Esse é o caminho! Mas para isso, é preciso sacrifício, é preciso ir contracorrente. As bem-aventuranças, que lemos há pouco, são o plano de Jesus para nós. O plano é um plano contracorrente. Jesus lhes diz: «Felizes os que têm alma de pobre». Não diz: «Felizes os ricos, que acumulam dinheiro». Não. Aqueles que têm a alma de pobre, que são capazes de aproximar-se e entender o que é um pobre. Jesus não diz: «Felizes aqueles que gozam da vida», mas ele diz, «Felizes aqueles que têm capacidade de afligir-se com a dor dos outros». Por isso, eu lhes recomendo que leiam, mais tarde em casa, as Bem-aventuranças, que estão no quinto capítulo do Evangelho de São Mateus. Em qual capítulo estão? [Resposta dos jovens: «quinto»] De qual Evangelho? [Resposta dos jovens: «São Mateus»]. Leiam-nas e meditem-nas, que lhes fará um bem.

Tenho que agradecer a você, Liz; Obrigado, Manuel; e agradeço-lhe, Orlando. Coração livre, é assim que deve ser.

E eu tenho que ir [os jovens: «Não!»]. Outro dia, um sacerdote brincando me disse: «Sim, o senhor continue aconselhando os jovens a fazerem bagunça. Continue. Mas depois, somos nós que temos de arrumar as bagunças que jovens fazem». Façam bagunça! Mas também ajudem a arrumar e organizar a bagunça que vocês fazem. Duas coisas: façam bagunça e organizem-na bem. Uma bagunça que nos dê um coração livre, uma bagunça que nos dê solidariedade, uma bagunça que nos dê esperança, uma bagunça que nasça de ter conhecido Jesus e de saber que Deus, a quem conheci, é a minha fortaleza. Essa é a bagunça devem fazer.

Como eu já sabia das perguntas, porque tinham-me sido passadas anteriormente, escrevi um discurso para vocês, para entregar-lhes. Mas os discursos são chatos, assim que o deixarei com o Senhor Bispo encarregado da Juventude, para publicá-lo.

E agora, antes de ir, peço-lhes, em primeiro lugar, que continuem rezando por mim; em segundo lugar, que continuem fazendo bagunça; em terceiro lugar, que ajudem a organizar a bagunça para não destruir nada.  E todos juntos agora, em silêncio, vamos elevar o coração a Deus. Cada um, no seu coração, em voz baixa, repita as palavras:

Senhor Jesus, eu vos agradeço por estar aqui. Agradeço-vos por ter-me dado irmãos como a Liz, o Manuel e o Orlando. Agradeço-vos por ter-nos dado muitos irmãos que são como eles. Que vos encontraram, Jesus. Que vos conhecem, Jesus. Que sabem que vós, seu Deus, sois a sua fortaleza. Jesus, peço-vos pelos rapazes e moças que não sabem que sois a sua fortaleza e que têm medo de viver, medo de ser felizes, têm medo de sonhar. Jesus, ensinai-nos a sonhar, a sonhar coisas grandes, coisas belas, coisas que mesmo que pareçam ser do dia-a-dia, são coisas que engrandecem o coração. Senhor Jesus, dai-nos fortaleza, dai-nos um coração livre, dai-nos esperança, dai-nos amor e ensinai-nos a servir. Amém.

Agora, vou dar-lhes a bênção e peço-lhes que, por favor, rezem por mim e por tantos rapazes e moças que não têm a graça que vocês têm de ter conhecido Jesus, que lhes dá esperança, que lhes dá um coração livre e lhes torna fortes.

Abençoe-vos Deus Todo-Poderoso Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Fonte: Vaticano