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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Frei Silas será ordenado presbítero neste sábado

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Por Moacir Beggo

“Às vezes imaginamos que ser ordenado é o fim de uma caminhada. É o estar pronto e acabado. Até dizemos: ‘Agora você está pronto’! E por afirmarmos isso, as pessoas acreditam que devemos dar respostas para tudo e sanar todas as dificuldades. Aqui gostaria de citar uma frase do Papa Francisco que me chamou muito a atenção. Ele dizia: ‘As pessoas esperam de mim respostas, mas eu não tenho resposta pra tudo. Deus tem a resposta e Ele é a resposta’.” Com essa clareza e objetividade, Frei Sérgio Silas Damasceno será ordenado presbítero por Dom Nelson Westrupp, SCJ, no dia 4 de julho, às 16h, na Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem (Basílica Menor), na Praça da Matriz, no Centro de São Bernardo do Campo (SP). Frei Sérgio escolheu como lema para sua ordenação “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16).
No dia 5 de julho, às 10 horas, na Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima (Rua Silveira Sampaio, 109 – próxima ao antigo Palestra), no bairro de Ferrazópolis, em São Bernardo do Campo, Frei Silas celebrará a Primeira Missa. Conheça mais este futuro presbítero!

Site Franciscanos – Fale um pouco de sua história de vida e de sua vocação. Como se deu seu discernimento vocacional?

Frei Silas – Eu sou natural de São Bernardo do Campo/SP. Venho de uma família de cinco irmãos. Meu pai faleceu quando eu era muito pequeno. Meus pais eram operários e desde muito cedo aprendi o valor do trabalho e do estudo. Sempre trabalhei e estudei ao mesmo tempo. Não venho de uma família totalmente católica e, até os meus 16 anos, não participava de nenhuma comunidade e nunca havia participado de uma missa. Não tinha conhecimento nenhum sobre a Igreja e nem havia feito a catequese. Eu só era batizado. Na verdade, na compreensão da minha família, esse processo catecumenal não era uma obrigação. Eu não era obrigado a nada, nem mesmo a estar numa igreja. Eu cresci ouvindo esta frase: “Você decide que religião seguir”. Até hoje é assim em minha família.

Site Franciscanos – Como foi a opção por ser frade menor?

Frei Silas – Eu sempre costumo dizer que Deus se utiliza de situações e pessoas para nos mostrar o nosso caminho. E isso eu pude comprovar na minha própria vida. É justamente aí que entra Deus, pois não conhecia nada, não sabia nada de Igreja, nem o Pai-Nosso eu sabia rezar e, no entanto, houve um convite. Deus se utilizou de uma pessoa para me convidar a conhecer a Igreja. Isso aconteceu em 1998. Uma senhora, que me conhecia muito bem, convidou-me a participar de um encontro de jovens. Aquele encontro foi fantástico e transformador. Saí de lá com muita sede de conhecer mais e mais a Igreja. Entrei para o movimento de Schoenstatt (movimento mariano), e foi nesse movimento que aprendi muita coisa sobre a Igreja. Fiz vários cursos e fui catequista. Até que um dia fui tocado e comecei a fazer o discernimento vocacional. Este processo vocacional durou 3 anos, pois nem sempre é fácil tomar uma decisão. Até porque eu trabalhava, estudava e namorava. Mas eu tinha uma certeza: não queria ser diocesano. Queria viver em comunidade. Foi aí que conheci os franciscanos. Foi amor à primeira vista, fiquei encantado com o modo de viver e de ser de São Francisco. Não conseguia me imaginar não sendo franciscano. No começo muitos me questionavam o porquê de ser franciscano, sendo que eu estava numa paróquia diocesana. Mas esta foi a minha escolha e não me arrependo. Sou muito feliz por ser frade menor!

Site Franciscanos – O que é ser um padre hoje?

Frei Silas – Acredito que a pergunta deveria ser formulada assim: O que é ser um franciscano ordenado nos dias de hoje? A nossa primeira vocação, como frade, é ser irmão. Antes de ser “padre” sou frade (irmão), e isso eu nunca deixarei de ser, mesmo sendo ordenado. Serei um frade presbítero, e quero viver este ministério a partir da opção primeira: o ser frade. Isto já indica um caminho e uma proposta, ou seja, viver o ministério numa concepção franciscana. Partindo desta compreensão, ser “padre” é se colocar a serviço do povo, principalmente dos mais necessitados e pobres, seguindo a Cristo “caminho, verdade e vida”. É ser pastor (ou pai), não como o pastor mercenário do Evangelho, mas como “aquele que dá a vida pelas ovelhas”. Ser “padre”, hoje, exige consciência clara do que somos e do que queremos viver, ainda mais quando a sociedade nos impõe verdades e compromissos efêmeros e transitórios. Ser “padre” é a indicação de que a vida pode ser vivida, sim, a partir de uma verdade definitiva: Jesus Cristo. Parafraseando Paulo: para alguns pode ser motivo de loucura, mas para mim é sentido de vida e caminho.

Site Franciscanos – O que podemos esperar do presbítero Frei Sérgio Silas?

Frei Silas – Eu sempre costumo dizer que toda espera gera uma expectativa, e eu não gosto de gerar expectativa em ninguém. Até porque a expectativa é a visão esperançosa do que o outro pode esperar de mim. Mas respondendo a pergunta. Podem esperar uma vivência autêntica e fiel do meu ministério, o meu comprometimento com o povo de Deus confiado a mim, o meu comprometimento firme com a causa do Evangelho e, claro, tudo isso observando as promessas já realizadas e as promessas que farei na ordenação presbiteral. No mais, o dia a dia mostrará.

Site Franciscanos – Ser chamado por Deus para esta missão é assumir todas as dores, dificuldades e alegrias que o ministério traz. Há novos desafios, problemas e tarefas na linha de frente para um padre. Como você se preparou para isso?

Frei Silas – Primeiro: é preciso desmistificar a figura do padre. No senso-comum o padre é visto quase como um ser anormal. Padre é uma pessoa comum e, como qualquer pessoa, passa por dificuldades, dores e alegrias etc. Os desafios fazem parte do ministério. O importante é saber lidar com os desafios e chegar num equilíbrio. O equilíbrio é o ponto, não os extremos.
Segundo: Vivemos tempos de mudanças rápidas e quase se torna impossível acompanhar tudo. Hoje tudo está interligado, e o mundo – não há como fugir disso- está em constantes transformações. São muitas perguntas e uma multiplicidade de respostas. Uma variedade de grupos e gêneros, e, ao mesmo tempo, cada grupo tentando se autoafirmar. A sociedade se inventa e se reinventa a cada instante, e novos valores são afirmados a todo o momento. A nós, enquanto Igreja, impõe-se o desafio de encontrar uma resposta que atenda aos anseios da humanidade. Hoje se fala muito em crise, e há crise pra tudo. A grande crise hoje não é econômica, familiar, estrutural, mas a crise do humano. O ser humano está em crise. É necessário empenhar-se no diálogo com os diversos grupos da sociedade, buscando entender como o Evangelho lança luz sobre as crises e dificuldades. Porém, o mundo espera de nós clareza e discernimento sobre aquilo que somos e propomos, para não perder a identidade cristã. A identidade cristã é fundamental para uma resposta concreta e satisfatória.
Terceiro: Às vezes imaginamos que ser ordenado é o fim de uma caminhada. É o estar pronto e acabado. Até dizemos: “Agora você está pronto”! E por afirmarmos isso, as pessoas acreditam que devemos dar respostas para tudo e sanar todas as dificuldades. Aqui gostaria de citar uma frase do Papa Francisco que me chamou muito a atenção. Ele dizia: “As pessoas esperam de mim respostas, mas eu não tenho resposta pra tudo. Deus tem a resposta e Ele é a resposta”. Creio que é isso, por mais que estejamos preparados, nunca teremos toda a resposta. Acredito que a preparação para este ministério e para os desafios atuais vai muito além de um estudo filosófico e teológico. Não há como não estudar e dialogar com outras ciências. Se quisermos ter credibilidade é preciso ter embasamento. Não podemos ficar no “achismo”. Estudo e experiência de Deus são imprescindíveis e se completam.

Site Franciscanos – Deixe uma mensagem para um jovem que quer ser um religioso franciscano:

Frei Silas – A vocação não é um chamado acabado, pronto e estático, exige cuidado e atenção, pois é uma semente que precisa ser cultivada a todo instante. Por isso, é necessário estar aberto ao chamado de Deus, ter ouvidos atentos e sensibilidade para perceber a voz d’Aquele que nos chama. “Porque muitos são os chamados, poucos os escolhidos” (Mt 22,14); “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Lc 10,2ss). É preciso não ter medo. Então, você, JOVEM, não tenha medo de se lançar nas mãos de Deus. Seja feliz sendo um franciscano religioso!


Fonte: Franciscanos