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sexta-feira, 31 de julho de 2015

18º domingo do Tempo Comum


18º domingo do Tempo Comum

1ª Leitura - Ex 16,2-4.12-15
Salmo - Sl 77,3.4bc.23-24.25.54 (R. 24b)
2ª Leitura - Ef 4,17.20-24
Evangelho - Jo 6,24-35

Naquele tempo:
Quando a multidão viu
que Jesus não estava ali,
nem os seus discípulos,
subiram às barcas 
e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum.
Quando o encontraram no outro lado do mar,
perguntaram-lhe:
'Rabi, quando chegaste aqui?'
Jesus respondeu:
'Em verdade, em verdade, eu vos digo:
estais me procurando não porque vistes sinais,
mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos.
Esforçai-vos não pelo alimento que se perde,
mas pelo alimento que permanece até a vida eterna,
e que o Filho do Homem vos dará.
Pois este é quem o Pai marcou com seu selo'.
Então perguntaram:
'Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?'
Jesus respondeu:
'A obra de Deus é que acrediteis
naquele que ele enviou'.
Eles perguntaram:
'Que sinal realizas, 
para que possamos ver e crer em ti?'
Que obra fazes?
Nossos pais comeram o maná no deserto,
como está na Escritura:
'Pão do céu deu-lhes a comer'.
Jesus respondeu:
'Em verdade, em verdade vos digo,
não foi Moisés quem vos deu
o pão que veio do céu.
É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu.
Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu
e dá vida ao mundo'.
Então pediram:
'Senhor, dá-nos sempre desse pão'.
Jesus lhes disse:
'Eu sou o pão da vida.
Quem vem a mim não terá mais fome
e quem crê em mim nunca mais terá sede.
Palavra da Salvação.

Um presente nos torna presentes - Pe. João Batista Libânio, sj

A liturgia é bonita, porque tece textos com pensamentos distantes em milhares de anos. Ao mesmo tempo em que coloca o povo de Israel caminhando no deserto, apresenta Jesus falando em Cafarnaum. Ambos os textos falam acerca do pão que caiu do céu.

Se repararam bem, tanto na primeira leitura quanto no evangelho, aqueles judeus pensaram unicamente nos pássaros e no pão. Ninguém pensou naquele que doou o presente, e sobre isso Javé chamou a atenção através de Moisés, afirmando que eles teriam o maná à saciedade, para que soubessem que, por trás daquela dádiva recolhida displicentemente, estava Ele, o Senhor e Deus. O mesmo aconteceu com aquele povo que se fartou com o pão que Jesus distribuiu e, somente por isso, viviam correndo atrás dele.

Isto acontece com todos nós. Recebemos presentes que nos alegram, mas, como vivemos presos à materialidade, nos esquecemos do carinho, do afeto, do cuidado, de todo o significado que ele carrega e que é muito mais importante do que o próprio presente. Nossos olhos buscam a coisa e se esquecem da pessoa, porque não somos despertados para o símbolo. Somos rudes, nossa inteligência é oca, agarra-se às coisas sem saber que elas irradiam outra realidade. E o pior é que educamos as nossas crianças desde cedo para isso. Quando chega uma tia, um padrinho trazendo um presente, elas logo saem correndo para o quarto, encantadas com o brinquedo, sem se darem conta de quem o deu, enquanto os adultos se esquecem de alertá-las de que, por trás do presente, está o cuidado, o olhar de quem deu. Precisamos guardar isto: quando recebemos um presente, na verdade, recebemos o presente e também a pessoa que nos deu. É diferente de recebermos uma encomenda trazida pelo correio, pois essa não torna ninguém presente. Presente, portanto, é uma coisa material que reflete, irradia, é sinal de amizade, de carinho, de amor, de atenção, da lembrança de alguém. É por isso que um presente vale! Um presente formal, vazio, mesmo que tenha grande valor econômico, pode ser terrível, principalmente quando esconde a ausência, o descaso, a compensação por não ter sido capaz de dar afeto. Quantas vezes um embrulho bonito, amarrado com fitas coloridas, esconde o vazio, a culpa por um amor que não está presente?!

Assim também é Deus, mas nós agarramos as coisas, esquecidos do mais importante, Ele, que está por trás de tudo, sempre junto de nós, nos sustentando nas alegrias e nas tristezas, nos sofrimentos e no gozo, nos problemas, mas também nas soluções, nas incompreensões e também nos reencontros. Ele está em todas as situações, mesmo diferentemente, e essa é a nossa grande dificuldade. Está nos sofrimentos para nos animar, para que encontremos coragem para superá-los. Está nas alegrias, para que nos alegremos com Ele. Quando temos o coração rasgado pela dor, Ele se coloca ao nosso lado como um grande cirurgião para reconstituir as fibras. Deus estará nas mãos dos médicos, no carinho dos pais, nas lágrimas da mãe chorando pelo medo da morte de um filho. Mesmo quando a morte acontece, Ele também está conosco. Está ao nosso lado em todas as confusões em que nos metemos para nos ajudar a sair delas. Quando deu o pão para que aquele povo se alimentasse, queria alimentar muito mais que o estômago, dar o conforto através da presença, do carinho, do amor, da entrega, da revelação de quem Ele era.
Jesus deu àquele povo um pão comum, mas afirmando que era Ele o pão da vida! Ele é – o verbo ser sem qualquer complemento –, enquanto nós apenas estamos. É essa a grande diferença! Nós e todas as realidades passamos, mas Deus é e continua sustentando a cada um de nós num amor sem limites. Amém. 

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol. VII

Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este 18º domingo do Tempo Comum: