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sexta-feira, 10 de julho de 2015

15º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura - Am 7,12-15
Salmo - Sl 84,9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)
2ª Leitura - Ef 1,3-14
Evangelho - Mc 6,7-13

Naquele tempo:
Jesus chamou os doze, 
e começou a enviá-los dois a dois,
dando-lhes poder sobre os espíritos impuros.
Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho,
a não ser um cajado;
nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura.
Mandou que andassem de sandálias
e que não levassem duas túnicas.
E Jesus disse ainda:
'Quando entrardes numa casa,
ficai ali até vossa partida.
Se em algum lugar não vos receberem,
nem quiserem vos escutar, quando sairdes,
sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!'
Então os doze partiram
e pregaram que todos se convertessem.
Expulsavam muitos demônios
e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo.

Palavra da Salvação.

Acompanhe abaixo a reflexão do Pe. João Batista Libânio, sj:

Anunciando horizontes maiores

De tanto ouvir o evangelho, aos poucos vamos nos familiarizando com o que eu chamo de gênero literário. Isto é, a maneira como ele foi escrito e o que o evangelista pretendia ao escrever. Já muitas vezes falei isso. Ele não descreve o que acontece. Não é um livro do passado. Isso é muito importante! Marcos não descreve o que aconteceu, mas escreve para a comunidade que está lendo, para nós, que estamos ouvindo. Ele está descrevendo qual é o nosso caminho, como cristãos. E hoje há uma coisa muito curiosa que Marcos está ensinando.

Vocês perceberam que Jesus chamara os apóstolos – segundo Marcos – fazia pouco tempo. Eles conheciam Jesus, talvez de meses, quiçá um ano. O que é um ano convivendo com uma pessoa de vez em quando? Quase nada. O que sabiam de Jesus? Quase nada. Menos que o que todos nós sabemos. Conhecemos e sabemos muito mais de Jesus do que os apóstolos, quando Ele os enviou. Esse é o fato! Não sabiam nada de Jesus. Apenas o viram, sabiam que fazia alguns milagres. Talvez perceberam o olhar, sua maneira de falar, perceberam alguma coisa de forte. Foram além do conhecimento. Fizeram experiência. E Jesus teve coragem de enviá-los a evangelizar. É como se um bispo chegasse aqui na igreja e dissesse a vocês: “Saiam, dois a dois, para anunciar o Evangelho!” Se disséssemos que não sabíamos nada, ele diria para anunciarmos que estamos aqui, que acreditamos que Jesus está vivo. Anunciar a alegria de ser cristãos e bastaria. É isso que Marcos quer nos dizer. Nós, cristãos, sobretudo católicos, somos medrosos, tímidos, acanhados, somos mineiros demais para o gosto de Jesus. 

Sobretudo na leitura de Marcos, Jesus queria que cada cristão, ao encontrar as pessoas, ao conviver com elas no trabalho, na escola, passasse alguma coisa. Não teoria, não aula de Teologia, mas experiência, vivência. Isso até as crianças podem passar. Contem aos coleguinhas que Jesus passou pelo coração de vocês e o deixou limpinho. Isso já é evangelizar. Jesus fez isso com os apóstolos. Eles eram rudes, analfabetos, não sabiam nada, e aqui tem pessoas com curso superior, cultos, e não falam. Esse é o problema! Os apóstolos não sabiam nada e falavam. Foram para a África anunciar Jesus. O Evangelho de hoje é uma sacudidela para todos nós, que ainda esperamos saber demais para falar. Não é preciso saber demais, basta viver um pouco. Sobretudo sobre a experiência de um dia ter encontrado Deus. A experiência mais profunda na vida é esbarrar com o mistério de Deus, que entra dentro de nós e nos transforma, nos faz felizes por dentro. A coisa mais triste para o ser humano é não ter nenhum horizonte, além da morte; nenhum horizonte transcendente, nenhum horizonte divino. É pensar que morreremos como os animais. Será que fomos reduzidos a essa condição de animal que cai e fica? Nós temos horizontes maiores! É preciso dizer para as pessoas que não somos um animal que cai e morre, mas somos um animal que cai, morre e ressuscita, porque vivemos da vida divina.

É apenas isso que devemos dizer para as pessoas de hoje, porque elas estão tão desnorteadas, tão tristes, tão desanimadas, tão perdidas, que não sabem que existe alguma coisa para além desta vida que aqui termina. Amém. 

Acompanhe também a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este 15º domingo do Tempo Comum: