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sexta-feira, 31 de julho de 2015

18º domingo do Tempo Comum


18º domingo do Tempo Comum

1ª Leitura - Ex 16,2-4.12-15
Salmo - Sl 77,3.4bc.23-24.25.54 (R. 24b)
2ª Leitura - Ef 4,17.20-24
Evangelho - Jo 6,24-35

Naquele tempo:
Quando a multidão viu
que Jesus não estava ali,
nem os seus discípulos,
subiram às barcas 
e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum.
Quando o encontraram no outro lado do mar,
perguntaram-lhe:
'Rabi, quando chegaste aqui?'
Jesus respondeu:
'Em verdade, em verdade, eu vos digo:
estais me procurando não porque vistes sinais,
mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos.
Esforçai-vos não pelo alimento que se perde,
mas pelo alimento que permanece até a vida eterna,
e que o Filho do Homem vos dará.
Pois este é quem o Pai marcou com seu selo'.
Então perguntaram:
'Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?'
Jesus respondeu:
'A obra de Deus é que acrediteis
naquele que ele enviou'.
Eles perguntaram:
'Que sinal realizas, 
para que possamos ver e crer em ti?'
Que obra fazes?
Nossos pais comeram o maná no deserto,
como está na Escritura:
'Pão do céu deu-lhes a comer'.
Jesus respondeu:
'Em verdade, em verdade vos digo,
não foi Moisés quem vos deu
o pão que veio do céu.
É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu.
Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu
e dá vida ao mundo'.
Então pediram:
'Senhor, dá-nos sempre desse pão'.
Jesus lhes disse:
'Eu sou o pão da vida.
Quem vem a mim não terá mais fome
e quem crê em mim nunca mais terá sede.
Palavra da Salvação.

Um presente nos torna presentes - Pe. João Batista Libânio, sj

A liturgia é bonita, porque tece textos com pensamentos distantes em milhares de anos. Ao mesmo tempo em que coloca o povo de Israel caminhando no deserto, apresenta Jesus falando em Cafarnaum. Ambos os textos falam acerca do pão que caiu do céu.

Se repararam bem, tanto na primeira leitura quanto no evangelho, aqueles judeus pensaram unicamente nos pássaros e no pão. Ninguém pensou naquele que doou o presente, e sobre isso Javé chamou a atenção através de Moisés, afirmando que eles teriam o maná à saciedade, para que soubessem que, por trás daquela dádiva recolhida displicentemente, estava Ele, o Senhor e Deus. O mesmo aconteceu com aquele povo que se fartou com o pão que Jesus distribuiu e, somente por isso, viviam correndo atrás dele.

Isto acontece com todos nós. Recebemos presentes que nos alegram, mas, como vivemos presos à materialidade, nos esquecemos do carinho, do afeto, do cuidado, de todo o significado que ele carrega e que é muito mais importante do que o próprio presente. Nossos olhos buscam a coisa e se esquecem da pessoa, porque não somos despertados para o símbolo. Somos rudes, nossa inteligência é oca, agarra-se às coisas sem saber que elas irradiam outra realidade. E o pior é que educamos as nossas crianças desde cedo para isso. Quando chega uma tia, um padrinho trazendo um presente, elas logo saem correndo para o quarto, encantadas com o brinquedo, sem se darem conta de quem o deu, enquanto os adultos se esquecem de alertá-las de que, por trás do presente, está o cuidado, o olhar de quem deu. Precisamos guardar isto: quando recebemos um presente, na verdade, recebemos o presente e também a pessoa que nos deu. É diferente de recebermos uma encomenda trazida pelo correio, pois essa não torna ninguém presente. Presente, portanto, é uma coisa material que reflete, irradia, é sinal de amizade, de carinho, de amor, de atenção, da lembrança de alguém. É por isso que um presente vale! Um presente formal, vazio, mesmo que tenha grande valor econômico, pode ser terrível, principalmente quando esconde a ausência, o descaso, a compensação por não ter sido capaz de dar afeto. Quantas vezes um embrulho bonito, amarrado com fitas coloridas, esconde o vazio, a culpa por um amor que não está presente?!

Assim também é Deus, mas nós agarramos as coisas, esquecidos do mais importante, Ele, que está por trás de tudo, sempre junto de nós, nos sustentando nas alegrias e nas tristezas, nos sofrimentos e no gozo, nos problemas, mas também nas soluções, nas incompreensões e também nos reencontros. Ele está em todas as situações, mesmo diferentemente, e essa é a nossa grande dificuldade. Está nos sofrimentos para nos animar, para que encontremos coragem para superá-los. Está nas alegrias, para que nos alegremos com Ele. Quando temos o coração rasgado pela dor, Ele se coloca ao nosso lado como um grande cirurgião para reconstituir as fibras. Deus estará nas mãos dos médicos, no carinho dos pais, nas lágrimas da mãe chorando pelo medo da morte de um filho. Mesmo quando a morte acontece, Ele também está conosco. Está ao nosso lado em todas as confusões em que nos metemos para nos ajudar a sair delas. Quando deu o pão para que aquele povo se alimentasse, queria alimentar muito mais que o estômago, dar o conforto através da presença, do carinho, do amor, da entrega, da revelação de quem Ele era.
Jesus deu àquele povo um pão comum, mas afirmando que era Ele o pão da vida! Ele é – o verbo ser sem qualquer complemento –, enquanto nós apenas estamos. É essa a grande diferença! Nós e todas as realidades passamos, mas Deus é e continua sustentando a cada um de nós num amor sem limites. Amém. 

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol. VII

Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este 18º domingo do Tempo Comum:



Santo do dia: Santo Inácio de Loyola



Conversão: Inácio de Loyola nasce em 1491, na Espanha, numa família da nobreza basca, onde é, desde cedo, iniciado na alegria e valentia desse povo. Aos 26 anos, os seus sonhos de grandes conquistas militares e amorosas caem por terra, feridos de morte por uma bala de canhão que o deixa gravemente ferido e coxo para o resto da vida. Durante a sua longa convalescença, entretém-se com os livros que lhe conseguiram arranjar: vida de Jesus e dos santos. Tocado por esses relatos, experimenta uma alegria profunda e duradoura ao imaginar-se a seguir os seus passos, na radicalidade de uma vida entregue a Deus. Da frustração nascem assim novos sonhos e ideais maiores…

Uma experiência espiritual profunda: Sem outro projeto que o de imitar os santos, Inácio parte para os arredores de Barcelona, fixando-se na pequena localidade de Manresa. Permanece aí retirado durante longos meses, num clima de austeridade, penitência e profunda oração. Durante esse tempo, sente-se conduzido por Deus numa segunda conversão. Descobre a proximidade de Deus, não apenas nas duras provas que impunha a si mesmo, mas sobretudo na oração, falando-Lhe como a um amigo. Nos movimentos do seu coração - alegria, tristeza, ânimo - encontra respostas às suas inquietações e ajuda para discernir a vontade de Deus. Em Manresa, descobriu, ainda, que Deus o chamava a ajudar os outros a encontrá-Lo, partilhando a sua experiência, que transpôs no seu pequeno livro de Exercícios Espirituais. 

Da universidade para o mundo: Depois de uma viagem à Terra Santa, motivada pelo desejo de proximidade com Jesus, Inácio dá-se conta de que necessita estudar para ajudar melhor aqueles que o procuram, sem deixar de manter o seu estilo de vida simples. Na Espanha e depois em Paris, o peregrino, como ele chama a si mesmo, prepara-se para o sacerdócio, ao mesmo tempo em que reúne à sua volta amigos e companheiros com o desejo de imitar a sua vida. Em 1539, esse grupo de amigos no Senhor decide constituir-se como corpo, sob a autoridade de Inácio, e oferecer-se ao Papa para as missões que ele julgue prioritárias. Uns, como Francisco Xavier, são enviados para o Oriente; outros, como Pedro Fabro, para dialogar com a Reforma protestante na Alemanha, enquanto Inácio permanece em Roma, conduzindo a Companhia de Jesus nascente no seu serviço à Igreja universal. 

500 anos mais tarde: A inspiração de Santo Inácio de Loyola permaneceu viva, muito além da sua morte, em 1565, até os nossos dias, através da Companhia de Jesus e de todos os que, sem serem jesuítas, partilham do desejo de Inácio de amar a Deus em todas as coisas, e todas as coisas em Deus. A espiritualidade inaciana, alicerçada sobre a experiência interior de Inácio, contida nos Exercícios Espirituais, procura encontrar a Deus em todas as realidades, criadas para ajudar o homem na sua busca de felicidade. A atenção à voz do Espírito, que fala através dos acontecimentos do mundo e da vida interior de cada um, permite encontrar o caminho de realização que Deus sonha para cada homem e mulher. A oração constitui, assim, uma aprendizagem de liberdade interior, alimentada pelo desejo de um crescimento contínuo e de uma adesão cada vez maior a Jesus Cristo. É a este “mais” que Santo Inácio nos convida por meio do seu lema: para a maior glória de Deus (Ad Maiorem Dei Gloriam).

Fonte: Anchietanum

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Santo do dia - São Pedro Crisólogo


Pedro Crisólogo, ou Pedro "das palavras de ouro", nome dado sabiamente pelo povo, pelo qual tornou-se conhecido para sempre. Ele nasceu em Ímola, uma província de Ravena, não muito distante de Roma, no ano 380. E mereceu este título, assim como os outros que a Igreja lhe concedeu.

Filho de pais cristãos, foi educado na fé e cedo ordenado diácono. Considerado um dos maiores pregadores da história da Igreja, era assistido, frequentemente, pela imperatriz romana Galla Plácida e seus filhos. Ela o fez seu conselheiro pessoal e, em 424, influenciou para que ele se tornasse o arcediácono de Ravena. Numa época em que a cidade era a capital do Império Romano no Ocidente e, também, a metrópole eclesiástica.

Mais tarde, o próprio imperador romano, Valentiniano III, filho de Galla Plácida, indicou-o para ser o bispo de Ravena. Em 433, Pedro Crisólogo tornou-se o primeiro bispo ocidental a ocupar essa diocese, sendo consagrado pessoalmente pelo papa Xisto III.

Pedro Crisólogo escreveu, no total, 166 homilias de cunho popular, pelas quais dogmas e liturgias foram explicados de forma simples, direta, objetiva e muito atrativa, proporcionando incontáveis conversões.

Em 448, recebeu a importante visita de um ilustre bispo do seu tempo, Germano de Auxerre, que adoeceu e, assistido por ele, morreu em Ravena. Também defendeu a autoridade do papa, então Leão I, o Grande, sobre a questão monofisista, que pregava Cristo em uma só natureza. Essa heresia, vinda do Oriente, propagava-se perigosamente, mas foi resolvida nos concílios de Éfeso e Calcedônia.

Pedro Crisólogo morreu na sua cidade natal, numa data incerta. Alguns historiadores dizem que foi em 31 de julho de 451, mas ele é venerado pela Igreja no dia 30 de julho de 450, data mais provável do seu falecimento.

A autoria dos seus célebres sermões, ricos em doutrina, conferiu-lhe outro título, o de doutor da Igreja, concedido em 1729 pelo papa Bento XIII. São Pedro Crisólogo, ainda hoje, é considerado um modelo de contato com o povo e um exemplo de amor à pregação do Evangelho, o ideal de pastor para a Igreja.

(Retirado do livro "Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente", Paulinas Editora)

Fonte: Paulinas

Dos Sermões de São Pedro Crisólogo (Séc.IV)

Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.

O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.

Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.

Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia;deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza.

Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração,jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas.

Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado (cf. Sl 50,19).

Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.

Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia.

Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

2 de agosto: O perdão de Assis


Para entender melhor o significado da data, é preciso remontar ao ano de 1216.

De acordo com as Fontes Franciscanas, Francisco estava rezando na igrejinha da Porciúncula, próximo a Assis, quando o local ficou totalmente iluminado e o santo viu sobre o altar o Cristo e, à sua direita, Nossa Senhora, rodeados por uma multidão de anjos.

Perguntado sobre o que desejava para a salvação das almas, Francisco respondeu: "Santíssimo Pai, mesmo que eu seja um mísero pecador, te peço que, a todos quantos arrependidos e confessados, virão a visitar esta igreja, lhes conceda amplo e generoso perdão, com uma completa remissão de todas as culpas".

O Senhor teria lhe respondido: "Ó Irmão Francisco, aquilo que pedes é grande, de coisas maiores és digno e coisas maiores tereis: acolho portanto o teu pedido, mas com a condição de que tu peças esta indulgência, da parte minha, ao meu Vigário na terra (o Papa)".

Logo após, Francisco apresentou-se ao Santo Padre Honório III partilhou a visão que teve e o Papa concedeu sua aprovação. "Não queres nenhum documento?" teria perguntado o Pontífice. E Francisco respondeu: "Santo Pai, se é de Deus, Ele cuidará de manifestar a obra sua; eu não tenho necessidade de algum documento. Esta carta deve ser a Santíssima Virgem Maria, Cristo o Escrivão e os Anjos as testemunhas".

Alguns dias após, junto aos Bispos da Úmbria, ao povo reunido na Porciúncula, Francisco anunciou a indulgência plenária e disse: "Irmãos meus, quero mandar-vos todos ao paraíso!".

Indulgências

As indulgências têm o poder de apagar as consequências dos pecados (penas temporais) que já foram perdoados pelo sacramento da confissão (que perdoa a culpa). A indulgência pode ser parcial, que redime parcialmente dessa pena, ou plenária, que apaga totalmente a pena temporal dos pecados.

Para se receber a indulgência, os fiéis precisam da confissão sacramental para estar em graça de Deus (oito dias antes ou depois); participar da Missa e Comunhão Eucarística; visitar uma igreja paroquial, onde se reza o Credo e o Pai Nosso e rezar pelas intenções do Papa. A graça da indulgência pode ser pedida para si mesmo ou para um falecido.

Confira o texto da carta do Bispo Teobaldo de Assis, documento que comprova a veracidade da Indulgência da Porciúncula ou Perdão de Assis.

Aqui se propõe o texto completo do documento traduzido a partir da recente edição paleográfica feita sob os cuidados de Stefano Brufani a partir do original, onde ainda se conserva pendente o selo de cera; documento esse conservado no arquivo público do Estado de Perugia, Corporações religiosas supressas, São Francisco ao Prado, pergaminho 56 (1310, agosto, 10), descoberto em 1964 por Roberto Abbondanza. Segue o documento:

“Irmão Teobaldo, por graça de Deus, Bispo de Assis, aos fiéis cristãos que lerem esta carta, saúde no Salvador de todos.

Por causa de alguns faladores que, impelidos pela inveja, ou talvez pela ignorância, impugnam desaforadamente a indulgência de Santa Maria dos Anjos, situada perto de Assis, somos obrigados a fazer esta comunicação a todos os fiéis cristãos. Através da presente carta, queremos comunicar o modo e a forma desse benefício e como o bem-aventurado Francisco, enquanto estava vivo, o impetrou ao senhor papa Honório.
Morando, o bem-aventurado Francisco, junto à Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, o Senhor, durante a noite, lhe revelou que se dirigisse ao sumo Pontífice, o senhor Honório, que temporariamente se encontrava em Perugia. A finalidade era impetrar-lhe a indulgência para a mesma igreja de Santa Maria da Porciúncula, há pouco restaurada por ele mesmo. Francisco, levantando-se, de manhã, chamou frei Masseo de Marignano, companheiro seu, com o qual morava, e se apresentou diante do mencionado senhor Honório, e disse:

- Santo Padre, há pouco acabei de restaurar para o senhor uma igreja dedicada à Virgem Mãe de Cristo. Suplico à vossa Santidade que a enriqueçais com uma indulgência, mas, sem a necessidade de nenhuma oferta em dinheiro.

O Papa respondeu-lhe:

- Não convém fazer uma coisa dessas. Pois, quem pede uma indulgência precisa que a mereça dando uma mão. Mas, diz-me para quantos anos você a quer, e quanta indulgência lhe deva conceder.

São Francisco replicou-lhe:

- Santo Padre, sua santidade queira-me dar não anos, mas, almas.

E o senhor Papa respondeu:

- De que modo quer almas?

E o bem-aventurado Francisco declarou:

- Santo Padre, se aprouver à sua santidade, quero que todos quantos se achegarem a essa igreja, confessados e arrependidos e, como convém, absolvidos pelo sacerdote, se tornem libertados da pena e da culpa, no céu e na terra, desde o dia do Batismo até o dia e a hora de sua entrada na mencionada igreja.

O santo Padre acrescentou:

- Isso que pede, Francisco, é muito. E não é costume da Cúria romana conceder semelhante indulgência.

Então, o bem-aventurado Francisco respondeu:

- Senhor, não estou pedindo isto a partir de mim, mas, a partir daquele que me mandou, o Senhor Jesus Cristo.

Diante desse argumento, o senhor Papa concluiu imediatamente, dizendo por três vezes:
- Agrada-me que tenhas essa indulgência.

Os senhores Cardeais presentes, porém, intervieram:

- Vê, se o senhor der essa indulgência, estará destruindo a indulgência do além mar, bem como, virá destruída e considerada nula aquela dos Apóstolos Pedro e Paulo.

O senhor Papa respondeu:

- Agora já a damos e a concedemos; não podemos e nem convém que se destrua o que foi feito. Mas, a modificaremos, de modo que fique limitada apenas para um dia.

Então, chamou São Francisco e disse-lhe:

- Portanto, de hoje em diante, concedemos que, qualquer um que for e entrar na mencionada igreja, bem confessado e contrito, será absolvido da pena e da culpa; e queremos que isso valha todos os anos por somente um dia, das primeiras vésperas até o dia seguinte.

O bem-aventurado Francisco, de cabeça inclinada, começou a retirar-se do palácio. O senhor Papa, então, como o visse saindo, chamou-o dizendo-lhe:

- Ó, simplesinho, aonde vai? Que documento leva desta indulgência?

Respondeu Francisco:

- A mim basta sua palavra. Se for obra de Deus, Deus mesmo deverá manifestá-la. Não quero nenhum outro documento desse privilégio senão este: que a carta seja a bem-aventurada Virgem Maria, o notário Jesus Cristo e os anjos as testemunhas.

Depois disso, Francisco, deixando Perugia, retornou a Assis. No caminho repousou um pouco, juntamente com seu companheiro, num lugar chamado Colle, onde havia um hospital de leprosos, e lá passou a noite. De manhã, acordado e feita a oração, chamou o companheiro e disse-lhe:

-Frei Masseo, digo-lhe, da parte de Deus, que a indulgência a mim concedida através do sumo pontífice está confirmada pelo céu.

Tudo isso foi contado por frei Marino, sobrinho do mencionado frei Masseo, que frequentemente o ouviu da boca do tio. Esse frei Marino, ultimamente, perto do ano de 1307, repleto de dias e de santidade, repousou no Senhor.

Depois da morte do bem-aventurado Francisco, frei Leão, um dos seus companheiros, homem de vida integralíssima, passou adiante esse fato, assim como o havia recebido da boca de São Francisco; e assim, também, frei Benedito de Arezzo, um dos companheiros de São Francisco, e frei Rainério de Arezzo contaram, tanto para os frades como para os seculares, muitas coisas referentes a essa indulgência, como as tinham ouvido do mencionado frei Masseo. Muitos desses ainda estão vivos e confirmam todas essas notícias.
Não pretendemos, pois, escrever com que solenidade essa indulgência foi tornada pública, durante a consagração da mesma igreja efetuada por sete Bispos. Vamos tão somente referir aquilo que Pedro Zalfani, presente à cerimônia, falou diante do Ministro frei Ângelo, diante de frei Bonifácio, frei Guido, frei Bartolo de Perugia, e outros frades do lugar da Porciúncula. Contou ele que esteve presente à consagração da mencionada igreja no dia 2 de Agosto, e ouviu o bem-aventurado Francisco que pregava diante daqueles Bispos segurando na mão um documento, e dizia:

- Quero mandar-vos todos para o céu. Anuncio-vos a indulgência que recebi da boca do sumo pontífice: todos vós que hoje vindes e todos aqueles que virão cada ano, neste dia, com um coração bom e contrito, obterão a indulgência de todos os seus pecados.
Fizemos essas considerações acerca da indulgência por causa daqueles que a ignoram. Assim não podem mais usar como desculpa a ignorância. E, acima de tudo, o fazemos por causa dos invejosos e faladores. Estes, em alguns lugares, procuram destruir, suprimir e condenar aquilo que, toda a Itália, a França, a Espanha e outras províncias, tanto de cá como de lá dos montes, ou melhor, o próprio Deus, em reverência à sua santíssima Mãe (pois, como se sabe, a indulgência é dela), quase todos os dias, vem revelando, engrandecendo, glorificando e espalhando com frequentes e manifestos milagres.
Como ousarão invalidar, com suas funestas persuasões, aquilo que já há tanto tempo, diante da Cúria romana, permaneceu com toda sua validade? Pois, também em nosso tempo, o próprio senhor Papa Bonifácio VIII enviou para essa igrejinha seus magníficos embaixadores para que, por sua vez, no dia da indulgência, nos pregassem com toda a solenidade. Às vezes, enviou até Cardeais. Vindos pessoalmente para celebrar a indulgência e, na esperança de receber o perdão, a aprovaram como verdadeira e certa com sua própria presença.

Diante do testemunho de todas essas coisas, e na fé mais certa, assinalamos a presente 
carta com nosso selo.

Dada em Assis, na festa de São Lourenço, no ano do Senhor de 1310”.

Santo do dia: Santa Marta


As Escrituras contam que, em seus poucos momentos de descanso ou lazer, Jesus procurava a casa de amigos em Betânia, local muito agradável há apenas três quilômetros de Jerusalém. Lá moravam Marta, Lázaro e Maria, três irmãos provavelmente filhos de Simão, o leproso. Há poucas mas importantíssimas citações de Marta nas Sagradas Escrituras.

É narrado, por exemplo, o primeiro momento em que Jesus pisou em sua casa. Por isso existe a dúvida de que Simão fosse mesmo o pai deles, pois a casa é citada como se fosse de Marta, a mais velha dos irmãos. Mas ali chegando, Jesus conversava com eles e Maria estava aos pés do Senhor, ouvindo sua pregação. Marta, trabalhadora e responsável, reclamou da posição da irmã, que nada fazia, apenas ouvindo o Mestre. Jesus aproveita, então, para ensinar que os valores espirituais são mais importantes do que os materiais, apoiando Maria em sua ocupação de ouvir e aprender.

Fala-se dela também quando da ressurreição de Lázaro. É ela quem mais fala com Jesus nesse acontecimento. Marta disse a Jesus: "Senhor, se tivesses estado aqui, o meu irmão não teria morrido. Mas mesmo agora, eu sei que tudo o que pedires a Deus, Deus dará".

Trata-se de mais uma passagem importante da Bíblia, pois do evento tira-se um momento em que Jesus chora: "O pranto de Maria provoca o choro de Jesus". E o milagre de reviver Lázaro, já morto e sepultado, solicitado com tamanha simplicidade por Marta, que exemplifica a plena fé na onipotência do Senhor.

Outra passagem é a ceia de Betânia, com a presença de Lázaro ressuscitado, uma prévia da última ceia, pois ali Marta serve a mesa e Maria lava os pés de Jesus, gesto que ele imitaria em seu último encontro coletivo com os doze apóstolos.

Os primeiros a dedicarem uma festa litúrgica a santa Marta foram os frades franciscanos, em 1262, e o dia escolhido foi 29 de julho. Ela se difundiu e o povo cristão passou a celebrar santa Marta como a padroeira dos anfitriões, dos hospedeiros, dos cozinheiros, dos nutricionistas e dietistas.

Fonte: Paulinas

Felizes os que mereceram receber a Cristo em sua casa - Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo 

As palavras de nosso Senhor Jesus Cristo nos advertem que, em meio à multiplicidade das ocupações deste mundo, devemos aspirar a um único fim.

Aspiramos porque estamos a caminho e não em morada permanente; ainda em viagem e não na pátria definitiva; ainda no tempo do desejo e não na posse plena. Mas devemos aspirar, sem preguiça e sem desânimo, a fim de podermos um dia chegar ao fim.

Marta e Maria eram irmãs, não apenas irmãs de sangue, mas também pelos sentimentos religiosos. Ambas estavam unidas ao Senhor; ambas, em perfeita harmonia, serviam ao Senhor corporalmente presente. Marta o recebeu como costumam ser recebidos os peregrinos. No entanto, era a serva que recebia o seu Senhor; uma doente que acolhia o Salvador; uma criatura que hospedava o Criador. Recebeu o Senhor para lhe dar o alimento corporal, ela que precisava do alimento espiritual. O Senhor quis tomar a forma de servo e, nesta condição, ser alimentado pelos servos, por condescendência, não por necessidade.

Também foi por condescendência que se apresentou para ser alimentado. Pois tinha assumido um corpo que lhe fazia sentir fome e sede.

Portanto, o Senhor foi recebido como hóspede, ele que veio para o que era seu, e os seus não o acolheram. Mas, a todos que o receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,11-12). Adotou os servos e os fez irmãos; remiu os cativos e os fez co-herdeiros. Que ninguém dentre vós ouse dizer: Felizes os que mereceram receber a Cristo em sua casa! Não te entristeças, não te lamentes por teres nascido num tempo em que já não podes ver o Senhor corporalmente. Ele não te privou desta honra, pois afirmou: Todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes (Mt 25,40).

Aliás, Marta, permite-me dizer-te: Bendita sejas pelo teu bom serviço! Buscas o descanso como recompensa pelo teu trabalho. Agora estás ocupada com muitos serviços, queres alimentar os corpos que são mortais, embora sejam de pessoas santas. Mas, quando chegares à outra pátria, acaso encontrarás peregrinos para hospedar? encontrarás um faminto para repartires com ele o pão? um sedento para dares de beber? um doente para visitar? um desunido para reconciliar? um morto para sepultar? Lá não haverá nada disso. Então o que haverá? O que Maria escolheu: lá seremos alimentados, não alimentaremos. Lá se cumprirá com perfeição e em plenitude o que Maria escolheu aqui: daquela mesa farta, ela recolhia as migalhas da palavra do Senhor. Queres realmente saber o que há de acontecer lá? É o próprio Senhor quem diz a respeito de seus servos: Em verdade eu vos digo: ele mesmo vai fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá (Lc 12,37).

domingo, 26 de julho de 2015

Santa Ana e São Joaquim - dia dos avós


Hoje a Igreja celebra Santa Ana e São Joaquim, os avós de Jesus. Por este motivo é celebrado o dia dos avós. 

Queremos parabenizar os avós que curtem nossa página pelo seu dia. Conheça mais sobre a vida de Santa Ana e São Joaquim: 

Ana e seu marido Joaquim já estavam com idade avançada e ainda não tinham filhos. O que, para os judeus de sua época, era quase um desgosto e uma vergonha também. Os motivos são óbvios, pois os judeus esperavam a chegada do messias, como previam as sagradas profecias.

Assim, toda esposa judia esperava que dela nascesse o Salvador e, para tanto, ela tinha de dispor das condições para servir de veículo aos desígnios de Deus, se assim ele o desejasse. Por isso a esterilidade causava sofrimento e vergonha, e é nessa situação constrangedora que vamos encontrar o casal.

Mas Ana e Joaquim não desistiram. Rezaram por muito e muito tempo até que, quando já estavam quase perdendo a esperança, Ana engravidou. Não se sabe muito sobre a vida deles, pois passaram a ser citados a partir do século II, mas pelos escritos apócrifos, que não são citados na Bíblia, porque se entende que não foram inspirados por Deus. E eles apenas revelam o nome dos pais da Virgem Maria, que seria a Mãe do Messias.

No Evangelho, Jesus disse: "Dos frutos conhecereis a planta". Assim, não foram precisos outros elementos para descrever-lhes a santidade, senão pelo exemplo de santidade da filha Maria. Afinal, Deus não escolheria filhos sem princípios ou dignidade para fazer deles o instrumento de sua ação.

Maria, ao nascer no dia 8 de setembro de um ano desconhecido, não só tirou dos ombros dos pais o peso de uma vida estéril, mas ainda recompensou-os pela fé, ao ser escolhida para, no futuro, ser a Mãe do Filho de Deus.

A princípio, apenas santa Ana era comemorada e, mesmo assim, em dias diferentes no Ocidente e no Oriente. Em 25 de julho pelos gregos e no dia seguinte pelos latinos. A partir de 1584, também são Joaquim passou a ser cultuado, no dia 20 de março. Só em 1913 a Igreja determinou que os avós de Jesus Cristo deviam ser celebrados juntos, no dia 26 de julho.

(Retirado do livro "Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente", Paulinas Editora)

Fonte: Paulinas

Avó...
Ednar Andrade

Avó, nome mais doce que brigadeiro, 
A segurança do abraço quente, 
Do colo que aconchega,
Da certeza nos momentos de incerteza.
A conversa longa... Sem pressa;
Do olho no olho, sem julgar; 
A compreensão do olhar aflito; 
A estrada curta que leva ao infinito;
O beijo terno;  A bronca... 
O olhar severo; 
A mão segura de quem já viveu; 
O prato certo na hora da fome; 
A cama feita, quando o cansaço consome; 
A benção certa no amanhecer; 
A saudade na ida 
E a pergunta da demora; 
O amor, quase perfeito, 
Que carrega no peito 
O menor gesto 
De quem agora cresce...
A criança doce, 
Viva nas lembranças; 
A sobremesa da vida, 
Alguém disse. 
Avó, o cheiro vindo da cozinha; 
O pratinho quente; 
A compreensão; 
O silêncio. 
Ninguém nasce avó; 
Aprende-se a ser. 
Aquela que ensina os primeiros passos; 
Ajuda a ler o que é quase traço; 
Brinca, corre junto 
E vai no compasso 
Deste amor uno 
Que dele precisa 
Quem na vida crê.

sábado, 25 de julho de 2015

Santo do dia: São Cristóvão


A devoção a são Cristóvão é uma das mais antigas e populares da Igreja, tanto do Oriente como do Ocidente. São centenas de igrejas dedicadas a ele em todos os países do mundo. Também não faltam irmandades, patronatos, conventos e instituições que tomaram o seu nome, para homenageá-lo. Ele consta da relação dos "14 santos auxiliadores" invocados para interceder pelo povo nos momentos de aflições e dificuldades. Assim, o vigor desta veneração percorreu os tempos com igual intensidade e alcançou os nossos dias da mesma maneira.

Entretanto são poucos os dados precisos sobre sua vida. Só se tem conhecimento comprovado de que Cristóvão era um homem alto e musculoso, extremamente forte. Alguns escritos antigos o descrevem como portador de "uma força hercúlea". Pregou na Lícia e foi martirizado, a mando do imperador Décio, no ano 250. Depois disso, as informações fazem parte da tradição oral cristã, propagada pela fé dos devotos ao longo dos tempos, e que a Igreja respeita.

Ela nos conta que seu nome era Réprobo e que nasceu na Palestina. Como um verdadeiro gigante Golias, não havia quem lhe fizesse frente em termos de força física. Assim, só podia ter a profissão que tinha: guerreiro. Aliás, era um guerreiro indomável e invencível. A sua simples presença era garantia de vitória para o exército do qual participasse. 

Conta-se que, estando cansado de servir aos caprichos de um e outro rei, apenas porque fora contratado para lutar em seu favor, foi procurar o maior e mais poderoso de todos, para servir somente a este. Então, ele se decidiu colocar a serviço de satanás, pois não havia quem não se curvasse de medo ao ouvir seu nome.

Mas também se decepcionou. Notou que toda vez que seu chefe tinha de passar diante da cruz, mudava de caminho, evitando o encontro com o símbolo de Jesus. Abandonou o anjo do mal e passou, então, a procurar o Senhor. Um eremita o orientou a praticar a caridade para servir ao Todo Poderoso como desejava, então ele abandonou as armas imediatamente. Integrou-se a uma instituição de caridade e passou a ajudar os viajantes. De dia ou de noite, ficava às margens de um rio onde não havia pontes e onde várias pessoas se afogaram por causa da profundidade, transportando os viajantes de uma margem à outra.

Certo dia, fez o mesmo com um menino. Mas conforme atravessava o rio, a criança ia ficando mais pesada e só com muito custo e sofrimento ele conseguiu depositar com segurança o menino na outra margem. Então perguntou: "Como pode ser isso? Parece que carreguei o mundo nas costas". O menino respondeu: "Não carregou o mundo, mas sim seu Criador". Assim Jesus se revelou a ele e o convidou a ser seu apóstolo.

O gigante mudou seu nome para Cristóvão, que significa algo próximo de "carregador de Cristo", e passou a peregrinar levando a palavra de Cristo. Foi à Síria, onde sua figura espetacular e nada normal chamava a atenção e atraía quem o ouvisse. Ele, então, falava do cristianismo e convertia mais e mais pessoas. Por esse seu apostolado foi denunciado ao imperador Décio, que o mandou prender. Mas não foi nada fácil, não por causa de sua força física, mas pelo poder de sua pregação.

Os primeiros quarenta soldados que tentaram prendê-lo converteram-se e por isso foram todos martirizados. Depois, quando já estava no cárcere, mandaram duas mulheres, Nicete e Aquilina, à sua cela para testar suas virtudes. Elas também abandonaram o pecado e batizaram-se, sendo igualmente mortas. Foi quando o tirano, muito irado, mandou que ele fosse submetido a suplícios e, em seguida, o matassem. Cristóvão foi, então, flagelado, golpeado com flechas, jogado no fogo e por fim decapitado.

São Cristóvão é popularmente conhecido como o protetor dos viajantes, assim como dos motoristas e dos condutores.

Fonte: Paulinas

São Tiago, o maior


Hoje, 25 de julho, a Igreja celebra dois grandes santos, São Tiago e São Cristóvão. São Tiago Maior era filho de Zebedeu e irmão de São João, apóstolo. Foi testemunha de Jesus Cristo e segundo relatam os Evangelhos, esteve presente na maior parte dos milagres realizados por Jesus. Foi morto por Herodes, no ano 42o, foi o primeiro mártir cristão, e é também o padroeiro da Espanha. O famoso Caminho de Santiago de Compostela atrai milhares de turistas e devotos todos os anos.

Saiba mais sobre a história de São Tiago Maior:

Tiago nasceu doze anos antes de Cristo, viveu mais anos do que ele e passou para a eternidade junto a seu Mestre. Tiago, o Maior, nasceu na Galileia, filho de Zebedeu e Salomé, segundo as Sagradas Escrituras. Era, portanto, irmão de João Evangelista, os "Filhos do Trovão", como os chamara Jesus. É sempre citado como um dos três primeiros apóstolos, além de figurar entre os prediletos de Jesus, juntamente com Pedro e André. É chamado de "maior" por causa do apóstolo homônimo, Tiago, filho de Alfeu, conhecido como "menor".

Nas várias passagens bíblicas, podemos perceber que Jesus possuía apóstolos escolhidos para testemunharem acontecimentos especiais na vida do Redentor. Um era Tiago, o Maior, que constatamos ao seu lado na cura da sogra de Pedro, na ressurreição da filha de Jairo, na transfiguração do Senhor e na sua agonia no horto das Oliveiras.

Consta que, depois da ressurreição de Cristo, Tiago rumou para a Espanha, percorrendo-a de norte a sul, fazendo sua evangelização, sendo por isso declarado seu padroeiro. Mais tarde, voltou a Jerusalém, onde converteu centenas de pessoas, até mesmo dois mágicos que causavam confusão entre o povo com suas artes diabólicas. Até que um dia lhe prepararam uma cilada, fazendo explodir um motim como se fosse ele o culpado. Assim, foi preso e acusado de causar sublevação entre o povo. A pena para esse crime era a morte.

O juiz foi o cruel rei Herodes Antipas, um terrível e incansável perseguidor dos cristãos. Ele lhe impôs logo a pena máxima, ordenando que fosse flagelado e depois decapitado. A sentença foi executada durante as festas pascais no ano 42. Assim, Tiago, o Maior, tornou-se o primeiro dos apóstolos a derramar seu sangue pela fé em Jesus Cristo.

No século VIII, quando a Palestina caiu em poder dos muçulmanos, um grupo de espanhóis trouxe o esquife onde repousavam os restos de são Tiago, o Maior, à cidade espanhola de Iria. Segundo uma antiga tradição da cidade, no século IX, o bispo de lá teria visto uma grande estrela iluminando um campo, onde foi encontrado o túmulo contendo o esquife do apóstolo padroeiro. E a Espanha, que nesta ocasião lutava contra a invasão dos bárbaros muçulmanos, conseguiu vencê-los e expulsá-los com a sua ajuda invisível.

Mais tarde, naquele local, o rei Afonso II mandou construir uma igreja e um mosteiro, dedicados a são Tiago, o Maior, com isso a cidade de Iria passou a chamar-se Santiago de Compostela, ou seja, do campo da estrela. Desde aquele tempo até hoje, o santuário de Santiago de Compostela é um dos mais procurados pelos peregrinos do mundo inteiro, que fazem o trajeto a pé.

A rota, conhecida como "caminho de Santiago de Compostela", foi feita também pelo papa João Paulo II em 1989. Acompanhado por milhares de jovens do mundo inteiro, foi venerar as relíquias do apóstolo são Tiago, o Maior, depositadas na magnífica catedral das seis naves, concluída em 1122.

(Retirado do livro "Os Santos e os Beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente", Paulinas Editora)

Fonte: Paulinas

Das Homilias sobre Mateus, de São João Crisóstomo, bispo

Participantes da paixão de Cristo

Os filhos de Zebedeu pedem a Cristo: Deixa-nos sentar um à tua direita e outro, à tua esquerda (Mc 10,37). Que resposta lhes dá o Senhor? Para mostrar que no seu pedido nada havia de espiritual, e se soubessem o que pediam não teriam ousado fazê-lo, diz: Não sabeis o que estais pedindo (Mt 20,22), isto é, não sabeis como é grande, admirável e superior aos próprios poderes celestes aquilo que pedis. Depois acrescenta: Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? (Mt 20,22). É como se lhes dissesse: “Vós me falais de honras e de coroas; eu, porém, de combates e de suores. Não é este o tempo das recompensas, nem é agora que minha glória há de se manifestar. Mas a vida presente é de morte violenta, de guerra e de perigos”.

Reparai como o Senhor os atrai e exorta, pelo modo de interrogar. Não perguntou: “Podeis suportar os suplícios? podeis derramar vosso sangue? Mas indagou: Por acaso podeis beber o cálice? E para os estimular, ainda acrescentou: que eu vou beber? Assim falava para que, em união com ele, se tornassem mais decididos. Chama sua paixão de batismo, para dar a entender que os sofrimentos haviam de trazer uma grande purificação para o mundo inteiro. Então os dois discípulos lhe disseram: Podemos (Mt 20,22). Prometem imediatamente, cheios de fervor, sem perceber o alcance do que dizem, mas com a esperança de obter o que pediam.

Que afirma o Senhor? De fato, vós bebereis do meu cálice (Mt 20,23), e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado (Mc 10,39). Grandes são os bens que lhes anuncia, a saber: “Sereis dignos de receber o martírio e sofrereis comigo; terminareis a vida com morte violenta e assim participareis da minha paixão”. Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. Meu Pai é quem dará esses lugares àqueles para os quais ele os preparou (Mt 20,23). Somente depois de lhes ter levantado os ânimos e de tê-los tornado capazes de superar a tristeza é que corrigiu o pedido que fizeram.

Então os outros dez discípulos ficaram irritados contra os dois irmãos (Mt 20,24). Vedes como todos eles eram imperfeitos, tanto os que tentavam ficar acima dos outros, como os dez que tinham inveja dos dois? Mas, como já tive ocasião de dizer, observai- os mais tarde e vereis como estão livres de todos esses sentimentos. Prestai atenção como o mesmo apóstolo João, que se adianta agora por este motivo, cederá sempre o primeiro lugar a Pedro, quer para usar da palavra,quer para fazer milagres, conforme se lê nos Atos dos Apóstolos. Tiago, porém, não viveu muito mais tempo. Desde o princípio, pondo de parte toda aspiração humana, elevou-se a tão grande santidade que bem depressa recebeu a coroa do martírio.

(Liturgia das Horas)

sexta-feira, 24 de julho de 2015

17º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura - 2Rs 4,42-44
Salmo - Sl 144,10-11.15-16.17-18 (R. cf.16)
2ª Leitura - Ef 4,1-6
Evangelho - Jo 6,1-15

Naquele tempo:
Jesus foi para o outro lado do mar da Galiléia,
também chamado de Tiberíades.
Uma grande multidão o seguia, 
porque via os sinais que ele operava
a favor dos doentes.
Jesus subiu ao monte
e sentou-se aí, com os seus discípulos.
Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus.
Levantando os olhos, 
e vendo que uma grande multidão estava vindo ao seu encontro,
Jesus disse a Filipe:
'Onde vamos comprar pão para que eles possam comer?'
Disse isso para pô-lo à prova, 
pois ele mesmo sabia muito bem o que ia fazer.
Filipe respondeu:
'Nem duzentas moedas de prata bastariam
para dar um pedaço de pão a cada um'.
Um dos discípulos, 
André, o irmão de Simão Pedro, disse:
'Está aqui um menino com
cinco pães de cevada e dois peixes.
Mas o que é isso para tanta gente?'
Jesus disse:
'Fazei sentar as pessoas'.
Havia muita relva naquele lugar,
e lá se sentaram, aproximadamente, cinco mil homens.
Jesus tomou os pães,
deu graças
e distribuiu-os aos que estavam sentados,
tanto quanto queriam.
E fez o mesmo com os peixes.
Quando todos ficaram satisfeitos,
Jesus disse aos discípulos:
'Recolhei os pedaços que sobraram, 
para que nada se perca!'
Recolheram os pedaços
e encheram doze cestos
com as sobras dos cinco pães,
deixadas pelos que haviam comido.
Vendo o sinal que Jesus tinha realizado,
aqueles homens exclamavam:
'Este é verdadeiramente o Profeta,
aquele que deve vir ao mundo'.
Mas, quando notou que estavam querendo levá-lo
para proclamá-lo rei,
Jesus retirou-se de novo, sozinho, para o monte.
Palavra da Salvação.

Multiplicando por palavras – Pe. João Batista Libânio, sj

Naquele tempo... Não é um pronome demonstrativo, comum na gramática. É aquele tempo que não tem limite e atravessa todos os tempos.

Jesus foi para o outro lado. Quando se vai para o outro lado, se tem alguma novidade - outra cidade, outro trabalho, outro emprego, outro namorado – vêm as surpresas, não é verdade?

Foi para o outro lado do Mar da Galiléia, também chamado Tiberíades. E lá o que acontece? Uma grande multidão O seguia, porque via os sinais que Ele operava. Sinais: algo visível que aponta para algo invisível. Jesus subiu ao monte, como Moisés subiu ao monte para receber a Lei. Sentou-se, como um bom mestre senta-se para dar aula. Outro pormenor simbólico: estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus, lá onde se anunciava a entrega do Cordeiro. É festa, é alegria. Não é tristeza, não é dor, não é luto.

Levantando os olhos – o símbolo mais lindo para falar de Transcendência. Nós não abaixamos os olhos, levantamos, porque a Transcendência sempre, para nós, é alto. Lá embaixo estão os que rastejam. Jesus levantou os olhos e, vendo uma grande multidão que estava vindo ao Seu encontro, disse para Felipe uma coisa que parece tão banal, mas não é.

Mandou-o comprar pão para que eles pudessem comer. Disse isso para prová-lo, pois Ele  mesmo sabia muito bem o que iria fazer. Tudo que acontece na nossa pobre história. Deus sabe muito bem quem somos nós. Felipe respondeu, uma resposta de quem não entendeu do assunto: nem duzentas moedas, cheques, bastariam para dar um pedaço de pão para cada um. Felipe nem de longe entendia o mistério que estava para acontecer.

Outro discípulo, não qualquer um – é “André” – Andros, em grego: corajoso, varonil, destemido, irmão de Simão Pedro – a pedra, o fundamento – olhem como o evangelista brinca.

Ele diz: “Está aqui um menino” - tudo começa com a criança. Como diz Guimarães Rosa (*): “Nasce uma criança, tudo começa de novo!”. E lá também começa com o menino. Não um adulto, um profeta do passado. Um menino: é futuro, é esperança, é beleza, é inocência.
Havia um menino com cinco pães e dois peixes. Cinco mais dois: sete. E por que sete, o número da perfeição? Porque no céu – três: Pai, Filho e Espírito Santo. Na Terra: Norte, Sul, Leste, Oeste. Temos os quatro pontos cardeais unindo toda a Terra e a Trindade no céu. 
Mas o que é isso para tanta gente? Jesus diz: “Fazei sentar as pessoas”. Havia muita relva. Olhem que detalhe: havia relva, porque era primavera. Olhem o símbolo aí: é vida! Não é inverno, frio, quando seca tudo, mata tudo. Aqui não. Há relva, há vida, há esperança, há verde – símbolo da esperança. Menino inteligente, este João!

E lá se assentaram aproximadamente cinco mil homens. Claro que ele não contou. Mil para a Bíblia é um número ilimitado. Mil se pensa uma coisa infinita. Tomou os pães – como o padre faz na missa - deu graças, distribuiu como na Eucaristia, porque os que liam já conheciam o gesto. Distribuiu aos que estavam assentados, tanto quanto queriam. Vocês podem participar da Eucaristia tanto quanto quiserem. Não participam mais porque não querem. O limite não vem daqui, o limite vem daí. Repararam isso? O limite não vem de Deus. Ele nos dá o oceano, só que o nosso copo é pequeno e nele cabe pouca água. E fez o mesmo com os peixes.

Todos ficaram satisfeitos. Perceberam que, quando Deus se nos dá, ficamos satisfeitos e com todos os outros prazeres saímos sempre insatisfeitos? [...] Com a ação do Senhor, saímos satisfeitos. “Satis-facere”: fazer muito, fazer bastante.

Jesus disse aos discípulos: “Recolhei os pedaços que sobraram para que nada se perca”. Imaginem quantos cestos sobraram! Sobraram doze cestos. E por que doze? Quantas foram as tribos de Israel? Doze tribos – todo o povo de Israel. Quantos apóstolos? Doze – todo o Novo Testamento. É toda a história da salvação. Doze: Ele pega Israel inteira e pega o Novo Testamento inteiro e, além do mais, multiplicando o céu (três) pela Terra (quatro) dá doze.

Todas essas coisas não são brincadeiras, são símbolos, para mostrar que cada palavra da Escritura é carregada de sentido. E continua ainda. Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamaram - será que vocês exclamam quando vêem o sinal de Deus? Eles exclamaram, ficaram fascinados e disseram: “Este é verdadeiramente o Profeta, Aquele que deve vir ao mundo!”. Já tinha vindo. Aquele que deve vir ao mundo é o profeta escatológico, é o profeta do final dos tempos, anunciando já o final de toda a história. Eles vêem o fato aqui e apontam o final da história. Mas quando Jesus notou que queriam levá-lo para fazê-lo rei, Jesus se retira sozinho, para o monte. 

Pe. João Batista Libânio, sj – Um outro olhar, vol. 2

Confira também a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este 17º domingo do Tempo Comum:


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Se aproxima a celebração do Perdão de Assis


Nos dias 1º e 2 de agosto será celebrado em todas as paróquias do mundo e em todas as igrejas franciscanas o Perdão de Assis, ou, a Indulgência da Porciúncula. A origem desta graça está ligada à história da pequena Porciúncula, dentro da Basílica Santa Maria dos Anjos, em Assis, de São Francisco e de toda a Ordem Franciscana.

A visão

“Na noite do ano do Senhor de 1216, Francisco estava mergulhado em oração e na contemplação na igrejinha da Porciúncula quando, improvisadamente, uma luz muito forte tomou conta do local e Francisco viu sobre o altar o Cristo revestido de luz e à sua direita a sua Mãe Santíssima, circundada por uma multidão de Anjos”.

Este é o início da história, atestada pelo Diploma de Teobaldo (FF 3391 – 3399), que deu início a este evento celebrado no início de agosto. Prostrado com a visão mística, Francisco pediu a Jesus uma graça: "Senhor, peço que todos aqueles que, arrependidos e confessados, entrando nesta igrejinha, tenham o perdão de todos os seus pecados e a completa remissão das penas devidas às suas culpas".

Jesus respondeu a ele: "Grande é a graça que me pedes, ó Francisco; todavia, a concedo a ti, se minha Mãe me pedir". Francisco então pediu a mediação da Virgem Maria, a qual com sua súplica, seu Divino Filho concedeu a graça. Porém, quis que apresentasse ao seu Vigário, o Sumo Pontífice, para obter a sua confirmação.

Papa Honório III

Dito isto, cessou a visão e Francisco imediatamente foi ao Papa Honório III e ele, depois de várias dificuldades, lhe confirmou a graça, limitando-a, porém, a um dia somente, por todos os anos e fixando para esta o dia 2 de agosto, a começar das Vésperas da Vigília.

Indulgência estendida a todas igrejas franciscanas

Mais tarde, com a Bula do dia 4 de julho de 1622, o Papa Gregório XV estendeu esta grande indulgência a todas as Igrejas da Ordem Franciscana e prescreveu que, além da confissão, era necessária a comunhão e a oração pelo Sumo Pontífice. Em 12 de janeiro de 1678, o Papa Inocêncio XI declarou que a dita indulgência estava aplicada também às almas do Purgatório.

Toties quoties

Esta indulgência tornou-se célebre pela sua origem extraordinária e pela circunstância singularíssima que esta pode ser lucrada toties quoties, isto é, tantas vezes quanto se visita a igreja que goza de tal favor e nas quais se cumprem as prescrições requeridas, fato confirmado pela Santa Sé.

O Papa Pio X permitiu, para maior comodidade dos fiéis, que o Perdão de Assis poderia ser obtido também nas igrejas ou oratórios que, na aplicação do privilégio com o consenso do Bispo e que o Perdão de Assis pudesse ser transferido do dia 2 de agosto para o domingo seguinte.

O Papa Bento XV, em 16 de abril de 1921, estendeu esta indulgência do Perdão de Assis a todos os dias do ano, in perpetuo, mas somente na Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis. Ainda hoje, em todas as Igrejas do mundo, a indulgência é aplicada neste dia.

Jubileu do Perdão

Particularmente solenes e participadas, como em todos os anos, serão as celebrações na Basílica Santa Maria dos Anjos, onde os Freis preparam-se para festejar, no próximo ano, um Grande Jubileu do Perdão no oitavo centenário (1216-2016) do pedido do Pobre de Assis na Porciúncula, em “feliz e providencial” concomitância com o Jubileu extraordinário da Misericórdia convocado pelo Papa Francisco, de 8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016.

Marcha Franciscana

Da intensa programação, consta a chegada da XXXV Marcha Franciscana, com o tema este ano “Busco a tua face”, e que verá chegar na Porciúncula cerca de 1,6 mil jovens caminhantes provenientes de toda a Itália e também de países vizinhos, como Albânia, Croácia, Eslovênia e Áustria. Os jovens expressarão com uma festa na Praça diante da Basílica a alegria pelo Perdão recebido na Porciúncula.

A programação completa está disponível no site da Porciúncula: http://www.porziuncola.org/

Fonte: Rádio Vaticano

150 jovens nas Missões Franciscanas de Colatina


Por Lucas Moreira Almeida

Alegria, esperança e fé resumem o que foram as Missões da Juventude Franciscana no Estado do Espírito Santo, realizadas de 17 a 19 de julho, na Paróquia Santa Clara de Assis, em Colatina. Cerca de 150 missionários atenderam ao apelo da Fraternidade de Santa Clara e do Serviço de Animação Vocacional da Província da Imaculada para anunciar e levar a alegria do Evangelho a todos.

Este encontro, contudo, começou muito antes, na preparação, com inúmeras pessoas dispostas a organizar e trabalhar para que tudo acontecesse de maneira agradável e fosse bem vivenciado por todos. E assim o foi, quando já no dia 17 de julho, às 19 horas, no Santuário do Divino Espírito Santo, em Vila Velha, houve a missa de envio dos jovens missionários. Presidida pelo pároco Frei Paulo Roberto Pereira e concelebrada por Frei Clarêncio Neotti, Frei Diego Atalino de Melo e Frei Jeâ Paulo de Andrade, além dos frades estudantes de filosofia Júnior Mendes e Davi Belinelli, a celebração foi marcada pela animação e presença dos jovens que iam chegando diretamente de seus trabalhos, aos poucos. Estando os dois ônibus lotados, partiram em direção a Colatina, onde chegaram por volta das 23h. Era notável a animação dos jovens da referida paróquia, recepcionando a todos que ali chegavam com músicas, palmas, danças e vivas! Após a janta, todos foram direcionados para as famílias acolhedoras.



No sábado pela manhã houve um momento de formação com Frei Diego Melo, do Serviço de Animação Vocacional, para explicitar mais claramente o caráter missionário do cristão, especialmente do franciscano, acerca do modo como acolher, levar a palavra de Deus, a bênção e a escuta a todos os que precisam.

Após o almoço todos foram direcionados para os setores definidos, que ao todo se somavam sete comunidades que receberiam os jovens. E assim os jovens partiram pelas ruas de Colatina cantando, saudando as pessoas, acolhendo e partilhando a Palavra de Deus com seu jeito jovem e espontâneo de ser. Encontrar Cristo nas mães, pais, filhos, filhas, pessoas que por vezes estavam passando por momentos difíceis, mas que muito se alegravam ao pedir a bênção de Deus para as suas casas, na esperança de que no Senhor todas as dificuldades poderiam ser superadas. Experiência forte e marcante foi a de ser portador do consolo e da força de Deus também para os enfermos, que mesmo acamados se alegravam por ver tantos jovens dispostos a evangelizar.

Assim, encerrando o sábado de visitas missionárias, cada comunidade reuniu-se para na Eucaristia celebrar a vida de Jesus presente na vida do povo, especialmente daquelas famílias visitadas. Depois da celebração e do jantar, os jovens continuaram sua missão com um oportuno tempo de convivência com as famílias que os estavam acolhendo.
No dia do Senhor, último dia da missão, foi a vez da Comunidade Nossa Senhora da Saúde acolher aos quase 200 jovens para a celebração de encerramento das missões, presidida pelo Pároco Frei Gilson Kammer e concelebrada por Frei Diego, Frei Mario Stein, e Frei Pedro do Nascimento Viana. Na celebração, conduzida de modo alegre e vibrante, não faltou alegria e expectativa após o anúncio de que em breve as missões iriam acontecer em Vila Velha, que então será a anfitriã dos jovens de Colatina.

Se a mesa eucarística deu força para todos continuarem firmes na missão, a mesa com um farto almoço oferecido pela comunidade capacitou a todos para uma divertida tarde de gincanas, dinâmicas, recreação e muita alegria, coroando estes dias de intensa convivência e novas amizades.

Já findando a tarde de domingo e após as despedidas, e-mails e whatsapp trocados, os jovens regressaram para suas casas com a certeza de que aquele cansaço e dedicação os tinham dado ainda mais vigor e ânimo, fazendo-os lembrar das palavras do Papa Francisco: “Se uma pessoa sabe que, morta de cansaço, pode prostrar-se em adoração e dizer: ‘Senhor, por hoje basta!’, rendendo-se ao Pai, sabe também que não tomba mas renova-se, pois o Senhor que ungiu com o óleo da alegria o povo fiel de Deus, também unge a ela: ‘Muda a sua cinza em coroa, o seu semblante triste em perfume de festa e o seu abatimento em cantos de festa’ (cf. Is 61, 3)”.

Por fim, pedimos a Deus que os jovens continuem com a sua força alegre e profética, assumindo sempre o seu protagonismo na Evangelização.

Fonte: Província Franciscana