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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Solenidade do Santissimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo



1ª Leitura - Ex 24,3-8
Salmo - Sl 115,12-13.15.16bc.17-18 (R. 13)
2ª Leitura - Hb 9,11-15
Evangelho - Mc 14,12-16.22-26

No primeiro dia dos Ázimos,
quando se imolava o cordeiro pascal,
os discípulos disseram a Jesus:
'Onde queres que façamos os preparativos
para comeres a Páscoa?'
Jesus enviou então dois dos seus discípulos
e lhes disse: 'Ide à cidade.
Um homem carregando um jarro de água
virá ao vosso encontro. Segui-o
e dizei ao dono da casa em que ele entrar:
'O Mestre manda dizer: onde está a sala
em que vou comer a Páscoa com os meus discípulos?'
Então ele vos mostrará, no andar de cima,
uma grande sala, arrumada com almofadas.
Ali fareis os preparativos para nós!'
Os discípulos saíram e foram à cidade.
Encontraram tudo como Jesus havia dito,
e prepararam a Páscoa.
Enquanto comiam, Jesus tomou o pão
e, tendo pronunciado a bênção,
partiu-o e entregou-lhes, dizendo:
'Tomai, isto é o meu corpo'.
Em seguida, tomou o cálice, deu graças,
entregou-lhes e todos beberam dele.
Jesus lhes disse:
'Isto é o meu sangue, o sangue da aliança,
que é derramado em favor de muitos.
Em verdade vos digo,
não beberei mais do fruto da videira,
até o dia em que beberei o vinho novo 
no Reino de Deus'.
Depois de terem cantado o hino,
foram para o monte das Oliveiras.

Palavra da Salvação.

O sonho da Eucaristia - Pe. João Batista Libânio, sj

Festa do corpo de Cristo, festa do corpo de Jesus! Hoje, vou comparar a Eucaristia a uma cascata que cai em três níveis: ela cai, depois continua reta, cai novamente, segue reta por um determinado trecho e, então, cai uma outra vez. Assim, a Eucaristia tem três momentos diferentes, que formam a beleza do sacramento.

O primeiro momento é aquilo que Jesus quis de imediato com a Eucaristia: que nos reuníssemos e nos lembrássemos dele, construindo, assim, uma comunidade. É o que fazemos aqui. Nós não estamos isolados num quarto, sozinhos, nos lembrando de Jesus, mas fazemos uma comunidade que celebra a sua memória. Para isso, Ele escolheu dois sinais para nos unir. Nós sempre precisamos deles. Por exemplo, as famílias, aos domingos, se reúnem para um churrasco, para um almoço, que são a desculpa para que filhos, netos e amigos se encontrem. Também Jesus escolheu dois sinais bem simples: o pão ázimo e um pouquinho de vinho, não para que o adoremos, mas para que nos reunamos, como comunidade, em torno de sua lembrança.

O segundo momento é para que, ao nos recordarmos dele, participando do pão e do vinho, que é a sua presença real, o Espírito Santo nos transforme numa comunidade em função dos outros. É para fora. Ele quer que testemunhemos amor, bondade, compreensão, cuidado, em função daquele que precisa de nós. Recebemos o Senhor na Eucaristia para sermos para os outros. Não o recebemos para tê-lo conosco, muito bem guardado em nossa vida. Ele vem a nós para que nós cheguemos aos outros, para que acolhamos com bondade, sejamos compreensivos e nos tornemos um só corpo, um só espírito, uma só comunidade.

Recebemos a Eucaristia para transmiti-la, para sermos para o outro, para partilhar e participar. Se seguíssemos isso, não haveria fome nem pobreza. Todos seriam respeitados e amados. Esse era o sonho de Jesus, o sonho da eucaristia! Se comungarmos e a vida não melhorar, nunca passaremos do primeiro degrau.

O terceiro momento é o que vivemos agora. Uma vez que Ele está em nosso meio, nós podemos adorá-lo, fazer visitas ao Santíssimo, levar a comunhão aos enfermos. Não é o mais importante, mas faz parte da cascata, e não pode ser deixado de lado. O que não podemos é inverter a ordem. Não podemos nos contentar apenas com a adoração de Jesus sem partilhar nada, sem ter comunidade. Precisamos celebrar a eucaristia para nos lembrarmos de Jesus, segui-lo, testemunhá-lo aos outros, até que toda a comunidade seja inundada por milhões de sacrários pelo mundo afora.

Que o Senhor nos ilumine neste dia da Eucaristia: lembrar, seguir e adorar a Jesus. Amém.


Pe. João Batista Libânio – Um outro olhar vol. 9

Acompanhe também a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este dia, em que celebramos a festa de Corpus Christi: