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terça-feira, 30 de junho de 2015

Último encontro vocacional reúne 21 jovens


O SAV (Serviço de Animação Vocacional) da Província Franciscana da Imaculada Conceição encerrou a sequência de três encontros em seu território, totalizando a participação de 53 jovens que puderam conhecer um pouco mais do carisma franciscano, bem como aprofundar a própria vocação e chamado.

O último encontro foi realizado de 26 a 28 de junho, no Seminário Frei Galvão, em Guaratinguetá, reunindo 21 jovens do Estado de São Paulo.

Esses jovens foram acolhidos pelos frades e postulantes do Seminário na sexta-feira (26). No final da tarde, o grupo já estava formado para ter belíssimo momento de oração, tendo como base para reflexão o subsídio da Ordem dos Frades Menores para o cultivo do Espírito de Oração e Devoção: O caminho que leva ao “lugar do coração”,achegas para descobrir interioridade e silêncio na vida franciscana.

No segundo dia, já no ritmo da formação religiosa da Fraternidade, os vocacionados iniciaram o dia rezando a Liturgia das Horas e participando da santa Missa. Também tiveram oportunidade de vivenciarem um pouco da vida formativa no Postulantado. Em seguida, cada jovem vocacionado partilhou um pouco de suas experiências e Frei Diego Melo, animador provincial do SAV, juntamente a Frei Alvaci Mendes da Luz, animador regional do SAV, de maneira leve e espontânea, abordaram um tema vocacional.

Aproveitando o dia de sol, o grupo continuou bebendo do carisma franciscano ao visitar a casa de Frei Antônio de Sant'Anna Galvão, a Catedral onde o primeiro santo brasileiro foi batizado e rezou sua primeira Missa. Em seguida, todos se dirigiram para o Mosteiro das Irmãs Clarissas, que fica na Fazenda Esperança, para um momento de partilha sobre o chamado de Deus e sobre o carisma de São Francisco e Santa Clara. Os vocacionados não perderam a oportunidade de esclarecer todas as suas dúvidas com as irmãs, que muito profundamente responderam suas interrogações. No final, as Irmãs Clarissas surpreenderam a todos com uma bênção cantada e derramada sobre todos os vocacionados e frades presentes.


Em seguida, os vocacionados puderam conhecer a Casa de Apoio Sol Nascente, que acolhe portadores de HIV já em fase bastante avançada, que ficaram muito felizes com a visita e relataram suas experiências de vida. Certamente, foi uma experiência rica e cheia de Deus!

Encerrando o sábado, os vocacionados, juntamente aos postulantes e frades da casa, confraternizaram-se com um jantar recreativo e terminaram o dia aos pés de Jesus, em um momento de Adoração Eucarística.

No domingo, após a Missa celebrada com a comunidade local, houve momento de avaliação e partilha das impressões, ressaltando o quão profundo e intenso foi este final de semana vivido em fraternidade. A grande lição que se tira desse encontro é que vocação é um chamado de Deus, a resposta é pessoal, mas a vivência e o caminho são sempre em fraternidade.

Fonte: Franciscanos

SEFRAS lança campanha de inverno


Com a chegada da estação do inverno, o SEFRAS (Serviço Franciscano de Solidariedade) se mobiliza, ao longo desses três meses, com a Campanha: “Abra o Guarda-Roupa do Seu Coração”. A instituição pretende sensibilizar as pessoas para a doação de cobertores, agasalhos, meias entre outros vestuários típicos desta estação.

Nas regiões Sul e Sudeste, onde o inverno é mais rigoroso, pessoas em situação de rua, refugiados e famílias em vulnerabilidade social são os que mais sofrem com essas baixas temperaturas. Além disso, em campanhas emergenciais, o Sefras também dispõe do que foi arrecadado às famílias atingidas por incêndios, despejos entre outras situações.

Mais do que apenas aquecer do frio, com esta Campanha, o Sefras quer proteger a saúde das pessoas que serão beneficiadas pelas doações. “O inverno é a estação do ano que mais resulta na proliferação de doenças respiratórias, viroses e demais complicações de saúde em decorrência do frio. Todos os anos, pessoas em situação de vulnerabilidade social desenvolvem essas doenças pela falta de roupas suficientes para se aquecerem e se protegerem adequadamente. Quando desprotegidas podem chegar a óbito, sobretudo, na população que vive em situação de rua”, explicou o coordenador do setor de captação e mobilização de recursos do Sefras, Rafael Rangel.

Igualmente, por causa da senilidade, os idosos ficam mais vulneráveis às doenças provocadas nesta estação. Entre os públicos atendidos pelo Sefras, os idosos, também, são beneficiados com as doações recebidas. A Campanha é uma iniciativa anual da instituição para promover um inverno mais solidário a fim de favorecer e suplantar as necessidades da população atendida nos serviços do Sefras.

Qualificação do espaço:

Em São Paulo, no chamado Chá do Padre, no Largo São Francisco, durante as baixa temperaturas, o atendimento das pessoas em situação de rua passa de 300 a 500 por dia. Muitos recorrem ao serviço para encontrar com um lugar mais quente e tomar o chá da tarde. Para melhor atendê-los e proporcionar um lugar mais digno, no próximo mês de julho, o espaço passará por reformas e adequações e diante disso, a instituição busca parceiros e doadores para contribuírem com o trabalho em solidariedade com este público atendido.

Postos de Arrecadação em São Paulo:

SEDE DO SEFRAS: Rua Hanneman, 352 – Pari, SP
PARÓQ. STO. ANTÔNIO: Praça Padre Bento, s/n – Pari, SP
SANTUÁRIO S. FRANCISCO: Largo S. Francisco – Centro, SP
PARÓQ. S.FRANCISCO: Rua Borges Lagoa, 1209 – Vila Clementino, SP
UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO (USF): Rua Antonieta Leitão, 129, Freguesia do Ó, SP e nos campi de Campinas, Bragança e Itatiba.

Disponibilize sua empresa, loja, comércio, escola, para ser um posto de arrecadação solidário.

Entre em contato conosco:
Tel.:(11) 3291-4433 (Rafael Rangel)

Email: solidariedade.sefras@franciscanos.org.br

Fonte: SEFRAS

segunda-feira, 29 de junho de 2015

"Uma Igreja em oração é uma Igreja de pé, sólida, em caminho", afirma Papa Francisco




Nesta segunda-feira, 29 de junho, celebramos a Solenidade de São Pedro e São Paulo. No Vaticano, o Papa Francisco celebrou a Santa Missa, e abençoou os pálios, que foram entregues aos novos arcebispos. Confira a homilia na íntegra:

A leitura tirada dos Atos dos Apóstolos fala-nos da primeira comunidade cristã assediada pela perseguição. Uma comunidade duramente perseguida por Herodes, que «mandou matar à espada Tiago (...) e mandou também prender Pedro (...). Depois de o mandar prender, meteu-o na prisão» (12, 2-4).

Mas não quero deter-me nas atrozes, desumanas e inexplicáveis perseguições, infelizmente ainda hoje presentes em tantas partes do mundo, muitas vezes sob o olhar e o silêncio de todos. Prefiro hoje venerar a coragem dos Apóstolos e da primeira comunidade cristã; a coragem de levar por diante a obra de evangelização, sem medo da morte nem do martírio, no contexto social dum império pagão; venerar a sua vida cristã, que para nós, crentes de hoje, é um forte apelo à oração, à fé e ao testemunho.

Um apelo à oração. A comunidade era uma Igreja em oração: «Enquanto Pedro estava encerrado na prisão, a Igreja orava a Deus, instantemente, por ele» (At 12, 5). E, pensando em Roma, as catacumbas não eram lugares para escapar das perseguições, mas principalmente lugares de oração, para santificar o domingo e para elevar, do seio da terra, uma adoração a Deus que nunca esquece os seus filhos.

A comunidade de Pedro e Paulo ensina-nos que uma Igreja em oração é uma Igreja de pé, sólida, em caminho! Na verdade, um cristão que reza é um cristão protegido, guardado e sustentado, mas sobretudo não está sozinho.

E a primeira leitura continua: «Diante da porta estavam sentinelas de guarda à prisão. De repente apareceu o anjo do Senhor e a masmorra foi inundada de luz. O anjo despertou Pedro, tocando-lhe no lado (…) e as correntes caíram-lhe das mãos» (12, 6-7).

Pensamos porventura nas vezes sem conta que o Senhor respondeu à nossa oração enviando-nos um Anjo? Aquele Anjo que, inesperadamente, vem ao nosso encontro para nos salvar de situações difíceis? Para nos arrancar das mãos da morte e do maligno; para nos apontar o caminho perdido; para reacender em nós a chama da esperança; para nos fazer uma carícia; para consolar o nosso coração dilacerado; para nos despertar do sono existencial; ou simplesmente para nos dizer: «Não estás sozinho».

Quantos anjos coloca Ele no nosso caminho, mas nós, dominados pelo medo ou a incredulidade ou então pela euforia, deixamo-los fora da porta – precisamente como aconteceu a Pedro quando bateu à porta da casa e «uma serva chamada Rode veio atender. Reconheceu a voz de Pedro e com alegria, em vez de abrir, correu a anunciar que Pedro se encontrava em frente da porta» (12, 13-14).

Nenhuma comunidade cristã pode prosseguir sem o apoio da oração perseverante! A oração que é o encontro com Deus, com Deus que jamais desilude; com o Deus fiel à sua palavra; com Deus que não abandona os seus filhos. Assim Jesus nos punha a questão: «E Deus não fará justiça aos seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite?» (Lc 18, 7). Na oração, o crente exprime a sua fé, a sua confiança, e Deus exprime a sua proximidade, inclusive através do dom dos Anjos, os seus mensageiros.



Um apelo à fé. Na segunda leitura, São Paulo escreve a Timóteo: «O Senhor, porém, esteve comigo e deu-me forças, a fim de que, por meu intermédio, o anúncio [do Evangelho] fosse plenamente proclamado (…). Assim fui arrebatado da boca do leão. O Senhor me livrará de todo o mal e me levará a salvo para o seu Reino celeste» (2 Tm 4, 17-18). Deus não tira os seus filhos do mundo ou do mal, mas dá-lhes a força para vencê-los. Só quem acredita pode verdadeiramente dizer: «O Senhor é meu pastor, nada me falta» (Sal 22/23, 1).

Ao longo da história, quantas forças procuraram – e procuram – aniquilar a Igreja, tanto a partir do exterior como do interior, mas todas foram aniquiladas e a Igreja permanece viva e fecunda! Inexplicavelmente, permanece firme para poder – como diz São Paulo – aclamar, «a Ele, a glória pelos séculos dos séculos» (2 Tm 4, 18).

Tudo passa, só Deus resta. Na verdade, passaram reinos, povos, culturas, nações, ideologias, potências, mas a Igreja, fundada sobre Cristo, não obstante as inúmeras tempestades e os nossos muitos pecados, permanece fiel ao depósito da fé no serviço, porque a Igreja não é dos Papas, dos Bispos, dos padres e nem mesmo dos fiéis; é só e unicamente de Cristo. Só quem vive em Cristo promove e defende Igreja com a santidade da vida, a exemplo de Pedro e Paulo.

Em nome de Cristo, os crentes ressuscitaram os mortos; curaram os enfermos; amaram os seus perseguidores; demonstraram que não existe uma força capaz de derrotar quem possui a força da fé!

Um apelo ao testemunho. Pedro e Paulo, como todos os Apóstolos de Cristo que na vida terrena fecundaram a Igreja com o seu sangue, beberam o cálice do Senhor e tornaram-se os amigos de Deus.

Em tom comovente, Paulo escreve a Timóteo: «Quanto a mim, já estou pronto para oferecer-me como sacrifício; avizinha-se o tempo da minha libertação. Combati o bom combate, terminei a corrida, permanecia fiel. A partir de agora, já me aguarda a merecida coroa, que me entregará, naquele dia, o Senhor, justo juiz; e não somente a mim, mas a todos os que anseiam pela sua vinda» (2 Tm 4, 6-8).

Uma Igreja ou um cristão sem testemunho é estéril; um morto que pensa estar vivo; uma árvore ressequida que não dá fruto; um poço seco que não dá água! A Igreja venceu o mal, através do testemunho corajoso, concreto e humilde dos seus filhos. Venceu o mal, graças à convicta proclamação de Pedro: «Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo», e à promessa eterna de Jesus (cf. Mt 16, 13-18).

Amados Arcebispos que, hoje, recebestes o pálio! Este é o sinal que representa a ovelha que o pastor carrega aos seus ombros como Cristo, Bom Pastor, sendo, pois, símbolo da vossa tarefa pastoral; é «sinal litúrgico da comunhão que une a Sé de Pedro e o seu Sucessor aos Metropolitas e, através deles, aos outros Bispos do mundo» (Bento XVI, Angelus do dia 29 de Junho de 2005).

Hoje, com o pálio, quero confiar-vos este apelo à oração, à fé e ao testemunho.


A Igreja quer-vos homens de oração, mestres de oração: que ensinam ao povo que o Senhor vos confiou que a libertação de todas as prisões é apenas obra de Deus e fruto da oração; que Deus, no momento oportuno, envia o seu anjo para nos salvar das muitas escravidões e das inúmeras cadeias mundanas. E sede vós também, para os mais necessitados, anjos e mensageiros da caridade!

A Igreja quer-vos homens de fé, mestres de fé: que ensinem os fiéis a não terem medo de tantos Herodes que afligem com perseguições, com cruzes de todo o gênero. Nenhum Herodes é capaz de apagar a luz da esperança, da fé e da caridade daquele que crê em Cristo!

A Igreja quer-vos homens de testemunho: como dizia São Francisco aos seus frades, pregai sempre o Evangelho e, se for necessário, também com as palavras! (cf. Fontes Franciscanas, 43). Não há testemunho sem uma vida coerente! Hoje sente-se necessidade não tanto de mestres, mas de testemunhas corajosas, convictas e convincentes; testemunhas que não se envergonham do Nome de Cristo e da sua Cruz, nem diante dos leões que rugem nem perante as potências deste mundo. Seguindo o exemplo de Pedro e Paulo e de muitas outras testemunhas ao longo de toda a história da Igreja; testemunhas que, embora pertencendo a diferentes confissões cristãs, contribuíram para manifestar e fazer crescer o único Corpo de Cristo. Apraz-me sublinhá-lo na presença – sempre muito grata – da Delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, enviada pelo querido irmão Bartolomeu I.

O motivo é muito simples: o testemunho mais eficaz e mais autêntico é aquele que não contradiz, com o comportamento e a vida, aquilo que se prega com a palavra e aquilo que se ensina aos outros!

Ensinai a oração, orando; anunciai a fé, acreditando; dai testemunho, vivendo!

Fonte: Site do Vaticano

domingo, 28 de junho de 2015

Dia do Papa


Na festa de São Pedro e São Paulo lembramos o martírio desses dois grandes Apóstolos, muito importantes no início da vida da Igreja e também hoje: Pedro representa a unidade e a firmeza da fé da Igreja; Paulo, a ação missionária no meio de todos os povos, como Jesus pediu: “ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura” (cf Mc 16,15).

Hoje, a Igreja reza sobretudo pelo Papa, Sucessor de Pedro, que recebeu a missão de “confirmar os irmãos na fé” (cf Lc 22,32) e de cuidar com amor, em nome do Bom Pastor, de todas as ovelhas e cordeiros do rebanho de Cristo (cf Jo 21,15-17).
São Pedro morreu mártir em Roma, enquanto cuidava da comunidade cristã local, Por isso, o Bispo de Roma é sempre Sucessor de Pedro e Pastor universal da Igreja. Ele é o “Papa” (“pai”), que preside a toda a Igreja de Cristo na unidade da verdade, da fé e da 
caridade.

A missão do Papa é muito importante; não por motivos políticos ou de mera tradição histórica, mas por uma questão de fé. Quem está unido ao Sucessor de Pedro, está na Igreja Católica; e os filhos da Igreja permanecem na unidade com o Sucessor de Pedro e se deixam conduzir na  verdade do Evangelho por ele.

A festa de hoje também é conhecida como o “Dia do Papa”. Já se lê nos Atos dos Apóstolos que “a Igreja toda rezava por Pedro” (cf At 12,5), pedindo pela sua libertação da prisão e do martírio. E, agora, nós devemos rezar pelo Sucessor de Pedro, o papa Francisco, para que Deus o assista, ilumine e fortaleça no cumprimento de sua grande e difícil missão.

Hoje, também somos convidados a fazer um gesto concreto de apoio à missão do Papa,  mediante a coleta do “Óbolo de São Pedro”. Com nossa generosa ajuda generosa, o Papa pode fazer a caridade, em nome de todos, em muitas situações de necessidade extrema pelo mundo. Nossa fé também se expressa nesse gesto concreto.

Deus conserve o Papa Francisco com saúde e sabedoria e o inspire na condução da Igreja e no  testemunho do Evangelho na Igreja e diante de todos os povos e nações. E Deus não permita que o rebanho de Cristo se divida ou disperse por caminhos enganosos...

Card. Odilo P. Scherer - Arcebispo de São Paulo

Folheto O Povo de Deus em São Paulo, 29/06/2015.

sábado, 27 de junho de 2015

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro


A devoção à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro nasceu de um ícone milagroso, roubado de uma igreja, na ilha de Creta, Grécia, no século XV. Trata-se de uma pintura sobre madeira, de estilo bizantino, através do qual o artista, sabendo que a verdadeira feição e a santidade de Maria e de Jesus jamais poderão ser retratadas só com mãos humanas, expressa a sua beleza e a sua mensagem em símbolos.

Nesse quadro a Virgem Maria foi representada a meio corpo, segurando o Menino Jesus nos braços. O Menino segura forte a mão da Mãe e observa assustado, dois anjos que lhe mostram os elementos de sua Paixão. São os Arcanjos Gabriel e Miguel que flutuam acima dos ombros de Maria. A belíssima obra é atribuída ao grande artista grego Andréas Ritzos daquele século e pode ter sido uma das cópias do quadro da Virgem pintado por São Lucas, segundo os peritos.

Diz a tradição que no século XV, um rico comerciante se apropriou do ícone para vendê-lo em Roma. Durante a travessia do Mediterrâneo, uma tempestade quase fez o navio naufragar. Uma vez em terra firme, foi para a Cidade Eterna tentar negociar o quadro. Depois de várias tentativas frustradas, acabou adoecendo. Procurou um amigo para ajuda-lo, mas logo faleceu. Antes, porém contou sobre o ícone e lhe pediu para leva-lo à uma igreja, para ser venerado outra vez pelos fiéis. A esposa do amigo não quis se desfazer da imagem. Após ficar viúva, a Virgem Maria apareceu à sua filha e lhe disse para colocar o quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro numa igreja, entre as basílicas de Santa Maria Maior e São João Latrão. Segundo a menina, o título foi citado pela Virgem sem nenhuma recomendação.

O ícone foi entronizado na igreja de São Mateus, no dia 27 de março de 1499, onde permaneceu nos três séculos seguintes. A notícia se espalhou e a devoção à Virgem do Perpétuo Socorro se propagou entre os fiéis. Em 1739, eram os agostinianos irlandeses exilados do seu país, os responsáveis dessa igreja e do convento anexo, no qual funcionava o centro de formação da sua Província, em Roma. Ali, todos encontravam paz sob a devoção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Três décadas depois os agostinianos irlandeses foram designados para a igreja de Santa Maria em Posterula, também em Roma, e para lá também seguiu o quadro da “Virgem de São Mateus”. Mas alí já se venerava Nossa Senhora da Graça. O ícone foi colocado na capela interna e acabou quase esquecido. Isto só não ocorreu, por causa da devoção de um agostiniano remanescente do antigo convento.

Mais tarde, já idoso ele quis cuidar para a devoção de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, não ser esquecida e contou a história do ícone milagroso à um jovem coroinha. Dois anos depois de sua morte, em 1855 os padres redentoristas compraram uma propriedade em Roma, para estabelecer a Casa Generalícia da Congregação fundada por Santo Afonso de Ligório. Mas não sabiam que aquele terreno era da antiga igreja de São Mateus, escolhida pela própria Virgem para seu santuário. No final desse ano ingressou com a primeira turma do noviciado aquele jovem coroinha.

Em 1863, já padre, ajudou os redentoristas a localizarem o ícone de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, depois da descoberta oficial dessa devoção nos livros antigos da igreja de São Mateus. O quadro entregue pelo próprio Papa Pio I, com a especial recomendação: “Fazei que todo o mundo A conheça”, foi entronizado no altar-mor do seu atual santuário, em 1866. Outras cópias seguiram com esses missionários para a divulgação da devoção a partir das novas províncias instaladas por todo o mundo. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi declarada Padroeira dos Redentoristas, sendo celebrada no dia 27 de junho.

Fonte: Paulinas

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Solenidade de São Pedro e São Paulo



1ª Leitura - At 12,1-11
Salmo - Sl 33(34),2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 5)
2ª Leitura - 2Tm 4,6-8.17-18
Evangelho - Mt 16,13

Naquele tempo:
Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe
e ali perguntou aos seus discípulos:
"Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?"
Eles responderam:
"Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias;
Outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas".
Então Jesus lhes perguntou:
"E vós, quem dizeis que eu sou?"
Simão Pedro respondeu:
"Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo".
Respondendo, Jesus lhe disse:
"Feliz es tu, Simão, filho de Jonas,
porque não foi um ser humano que te revelou isso,
mas o meu Pai que está no céu.
Por isso eu te digo que tu és Pedro,
e sobre esta pedra construirei a minha Igreja,
e o poder do inferno nunca poderá vencê-la.
Eu te darei as chaves do Reino dos Céus:
tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus;
tudo o que tu desligares na terra 
será desligado nos céus".

Palavra da Salvação.

Quem sou eu perante Deus? – Pe. João Batista Libânio, sj

Essas três leituras são tão bonitas, que não vou me deixar levar somente pela tradição de apenas explicar o Evangelho. Todas merecem uma palavrinha. Todas elas são uma grande metáfora. Eu sempre gosto de olhar sob esse aspecto. 

Na primeira, aquela descrição que vocês ouviram. No fundo, uma metáfora de cada um de nós que está aqui. Quantas vezes os poderosos gostam, se divertem, prendendo, punindo, castigando, tratando mal as pessoas? A história da Igreja conheceu milhões de cristãos que sofreram isso. Simplesmente porque os poderosos quiseram. Mas quando Pedro é preso, é sustentado – frase bonita – pela oração da comunidade. De vez em quando é bom que tomemos consciência disso. Às vezes estamos atravessando uma época difícil, uma situação dolorosa. Nos sentimos sozinhos, mas não é verdade. Nunca estamos sozinhos. Mesmo que as pessoas não mencionem o nosso nome. Não é necessário isso, porque somos essa comunidade. Saibam que vocês sempre são sustentados pela oração de todos, em qualquer momento em que estiverem.

Pedro está na prisão e aí aparece um anjo. Esses anjos são as coisas mais lindas que temos na vida. Claro que não são os anjos que vem de cima. Deus não precisa mandar anjos do céu porque nos deu tantos aqui na Terra. Muitas vezes não percebemos nem descobrimos esses anjos. São aqueles que trazem uma palavra de consolo, aqueles que abrem as nossas prisões. Quantas vezes estamos presos nas nossas tristezas, na nossa dor, fechados em nós mesmos, presos por tantos apegos? Chega o anjo e abre a porta para que saiamos. Quantos estão presos na droga, na vida fútil, presos nas televisões da vida, e vem o anjo e abre a porta?! No começo não nos damos conta de que a porta foi aberta. Diz a leitura que caem as cadeias.

Aquelas cadeias que nos atavam por tanto tempo caem, simplesmente, porque o anjo apareceu. Pode ser a mãe, o pai, o irmão, um amigo, um colega, até uma pessoa estranha que, de repente, nos diz uma palavra. É o anjo que abre a porta e faz as cadeias caírem. E nós, sonâmbulos, caminhamos como Pedro. As portas da cidade se abrem, não só as da prisão. As portas da cidade, da política, que nos jogam para um mundo maior. Também se abre esta grande porta da história. Quem conhece Jerusalém, imagina aquelas grandes portas se abrindo para Pedro. E ele cai em si. Esse momento é importante, quando caímos em nós mesmos, quando tomamos consciência de que estamos sendo livres e libertados, de que há um anjo que nos está conduzindo. Deus nunca deixará de colocar anjos em nossa vida! É que, muitas vezes, não os vemos, embora Ele os coloque, e muitos. 
Paulo usou uma metáfora bonita das Olimpíadas. Ele se imaginou como alguém que estava correndo, como aqueles corredores das maratonas que ele conheceu na Grécia ou em Roma. Não a maratona das Olimpíadas, para ganhar uma medalha qualquer, que ficará guardada depois daquela glória pequena de um momento e que todos irão esquecer. Quem se lembra dos vencedores das Olimpíadas de quarenta, trinta anos atrás? Paulo diz: “Essa minha medalha é eterna. Eu nunca a esquecerei”. E ninguém nunca esquecerá. Até hoje falamos de Paulo e pouco falamos das Olimpíadas gregas. Não sabemos os nomes daqueles atletas. Mas de Paulo falamos, porque a sua medalha tinha o sangue da entrega da sua vida.

O Evangelho pode ir e pode voltar. Vem Jesus e pergunta a cada um de nós: “Quem vocês dizem que eu sou?” Mas não há um lugar só para responder. Aqui, é claro que respondemos: “Você é aquele que se nos entrega na Eucaristia!” Mas e na rua, no trabalho? Em cada lugar a resposta é diferente. Não é aquela fórmula: “Tu és o Messias, o Filho de Deus!” Não! Tu és aquele que eu persigo, mas é aquele que me chama. Tu és aquele que me envia, aquele que está sempre ao meu lado. Tu és aquele que abre os meus olhos. Tu és... Há tantos “Tu és” para Jesus! Ele é tão diferente em cada momento. Muitas vezes nos prendemos às frases. O que importa é a experiência da vida, que é abundante. As frases são vazias. Que fiquem para os gramáticos e a vida fique para nós. Este “Tu és” vai nos dar milhares de respostas de quem é Jesus.

Mas eu queria deixar-lhes outra pergunta e essa eu não posso responder. Essa vocês irão responder individualmente. Se Jesus perguntasse: “Que dizes de ti mesmo? Quem és tu?” Vocês diriam logo o nome. Mas o nome é algo tão externo! Pode-se ir ao cartório e mudar, porque não gostou. Quem sabe, por exemplo, que Leonardo Boff se chama Genésio? Ninguém sabe. O nome dele é Genésio Boff, mudou para Leonardo, que é um nome tão bonito e todos o conhecem assim. Portanto, o nome não basta. 

Ah, eu sou advogado, médico, engenheiro, professora, estudante, estou quase formado... É pouco. As profissões passam, ainda mais hoje. Muda-se de profissão a cada hora. Fica-se desempregado. É pouco definir alguém pela profissão. Então, como vamos nos definir? Quem somos nós? Guardem essa pergunta e respondam-na. Será que são capazes de responder quem são vocês? Quando eu estava pensando nesta homilia, me perguntava: quem sou eu? Invertam. Imaginem que o Senhor encontra cada um de vocês e faz esta pergunta: “Quem é você?” Amém. 

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol 2

Confira a homilia de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para a Solenidade de São Pedro e São Paulo.



quinta-feira, 25 de junho de 2015

Papa Francisco fala sobre as famílias que sofrem com brigas e separações


Na Audiência Geral desta quarta-feira o Papa Francisco deu continuidade às catequeses sobre a família, tocando num ponto muito delicado para a sociedade e para a Igreja: os casais que se separam e o drama que os filhos vivem com esta situação. Confira na íntegra:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Nas últimas catequeses falamos da família que vive as fragilidades da condição humana, a pobreza, a doença, a morte. Ao contrário, hoje refletimos sobre as feridas que se abrem precisamente no seio da convivência familiar. Ou seja, quando na própria família nos magoamos reciprocamente. O aspecto mais negativo!

Sabemos bem que em nenhuma história familiar faltam momentos em que a intimidade dos afetos mais queridos é ofendida pelo comportamento dos seus membros. Palavras e ações (e omissões!) que, em vez de exprimir amor, o subtraem ou, pior ainda, o mortificam. Quando estas feridas, ainda remediáveis, são descuidadas, agravam-se: transformam-se em prepotência, hostilidade, desprezo. E a este ponto podem tornar-se lacerações profundas, que separam marido e esposa, que induzem a procurar alhures entendimentos, apoio e consolação. Mas frequentemente estes «apoios» não pensam no bem da família!

O esvaziamento do amor conjugal difunde ressentimento nas relações. E muitas vezes a desunião «desaba» sobre os filhos.

Então, os filhos. Gostaria de analisar um pouco este ponto. Não obstante a nossa sensibilidade aparentemente evoluída, e todas as nossas requintadas análises psicológicas, pergunto-me se não nos entorpecemos também em relação às feridas da alma das crianças. Quanto mais se procura compensar com presentes e docinhos, tanto mais se perde o sentido das feridas — mais dolorosas e profundas — da alma. Falamos muito sobre distúrbios de comportamento, saúde psíquica, bem-estar da criança, ansiedade dos pais e dos filhos... Mas sabemos porventura o que é uma ferida da alma? Sentimos o peso da montanha que esmaga a alma de uma criança, nas famílias onde as pessoas se magoam reciprocamente e causam mal umas às outras, até quebrar o vínculo da fidelidade conjugal? Que peso tem nas nossas escolhas — escolhas erradas, por exemplo — quanta importância tem a alma das crianças? Quando os adultos perdem o raciocínio, quando cada um só pensa em si mesmo, quando o pai e a mãe se ferem, a alma das crianças sofre muito, prova um sentido de desespero. E são feridas que deixam a marca para toda a vida.

Na família, tudo está interligado: quando a sua alma está ferida em qualquer ponto, a infecção contagia todos. E quando um homem e uma mulher, que se comprometeram a ser «uma só carne» e a formar uma família, pensam obsessivamente nas próprias exigências de liberdade e de gratificação, este desvio corrói profundamente o coração e a vida dos filhos. Muitas vezes as crianças escondem-se para chorar sozinhas... Devemos compreender bem isto. Marido e esposa são uma só carne. Mas as suas criaturas são carne da sua carne. Se pensarmos na severidade com a qual Jesus admoesta os adultos para que não escandalizassem os pequeninos — ouvimos o trecho do Evangelho — (cf. Mt 18, 6), podemos compreender melhor também a palavra sobre a grande responsabilidade de preservar o vínculo conjugal que dá início à família humana (cf. Mt 19, 6-9). Quando o homem e a mulher se tornam uma só carne, todas as feridas e todos os abandonos do pai e da mãe incidem sobre a carne viva dos filhos.

Por outro lado, é verdade que há casos em que a separação é inevitável. Por vezes, pode tornar-se até moralmente necessária, quando se trata de defender o cônjuge mais frágil, ou os filhos pequenos, das feridas mais graves causadas pela prepotência e a violência, pela humilhação e a exploração, pela alienação e a indiferença.

Graças a Deus não faltam aqueles que, apoiados pela fé e pelo amor aos filhos, testemunham a sua fidelidade e um vínculo no qual acreditaram, embora pareça impossível fazê-lo reviver. Contudo, nem todos os separados sentem esta vocação. Nem todos reconhecem, na solidão, um apelo que o lhes Senhor dirige. Ao nosso redor encontramos diversas famílias em situações chamadas irregulares — eu não gosto desta palavra — e colocamo-nos muitas interrogações. Como podemos ajudá-las? Como podemos acompanhá-las? Como podemos acompanhá-las para que as crianças não se tornem reféns do pai ou da mãe?


Peçamos ao Senhor uma fé grande, a fim de ver a realidade com o olhar de Deus; e uma grande caridade, para aproximar as pessoas ao seu Coração misericordioso.

Fonte: Site do Vaticano

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Santo do dia: São João Batista


João Batista: tradição e profecia (Pe. João Batista Libânio, sj)

Desde o início da vida, João Batista cresceu nos desertos, viveu uma vida solitária e mergulhou no mistério profundo de Javé. Não conheceu Jesus até a idade adulta. Eram primos próximos, mas só se encontraram no mistério, no seio de suas mães. A tradição da Igreja diz que, naquele saltitar de João, no momento em que a graça o envolveu, ele se santificou. Por isso é o único santo cujo aniversários celebramos. Isto tudo para dizer que ele já nasce santo. Os outros nasceram pecadores e tiveram que ser batizados. 

Celebramo-lhes a morte, porque esperamos que aí já fossem santos. João, não. Santo no início, santo na morte. Ele tem, portanto, duas festas – quando nasce e quando morre. 
Nasce neste esplendor, neste momento tão importante, em que duas mulheres são as protagonistas. Os homens ficaram de lado. Zacarias, mudo. José, nem aparece. Maria e Isabel: duas mulheres que se tornam candelabros acesos da história da salvação. Isabel, a velha, a estéril – o Antigo Testamento - fecundada, para que pudesse olhar para o Novo Testamento. Maria, o Novo Testamento, carregando o Senhor, o seu Filho Jesus.

João nasce, cresce e aparece. E quando aparece, começa a pregar. Ele prega com os dois pés. Por isso cantamos: “Bem-aventurados os pés daqueles que evangelizam”. Ele colocou um pé na tradição. Era um homem que captava todo o Antigo Testamento e fechava a sua porta. Era o último homem do Antigo Testamento. Simbolizava tudo aquilo que significou o povo de Israel, nestes dois mil anos de história. Carregava em si Moisés, Adão, Noé, Abraão, Josué, os profetas. Carregava toda essa gigantesca tradição. Por isso, estava imbuído daquela ideia forte de Javé. Pensava num Deus vigoroso, que iria limpar a eira, que iria varrer a sujeira, que iria queimar a palha. Só conhecia aquele Deus forte, o Deus dos relâmpagos do Sinai, o Deus de tantos castigos.

Tinha um pé no Novo Testamento, mas este pé era muito frágil. Porque ele não conhecia bem o que seria o seu primo. Sabia, ouvia, talvez a notícia chegara até o deserto: de Maria nascera alguém importante, que era fundamental e que tinha o seu próprio sangue. Os dois se encontrarão num momento tão bonito da vida de Jesus! Quando Jesus toma a difícil decisão de sair de sua casa, deixar sua mãe. Provavelmente era viúva e iria viver na solidão mariana de seu coração. Jesus parte e a deixa e vai encontrar-se com João. Não se conheciam, mas quando Jesus desponta, ilumina-se a inteligência de João. Claro que tinham traços fisionômicos semelhantes, pois eram primos, mas ele vê mais do que traços fisionômicos. João entende: este é o Messias! 

Vê o Messias naquela fila de pecadores. Espanta-se. Como é que aquele Homem que veio salvar, o Filho de Maria, o Filho de Deus, entra na fila dos pecadores, espera a sua vez para ser batizado? Quando Ele se aproxima de João para o batismo, acontece aquele diálogo tão bonito. João diz: “Não é você que precisa ser batizado por mim. Sou eu que preciso ser batizado por você”. Olha para as sandálias de Jesus e diz: “Eu não sou digno nem de desatar a correia de sua sandália”. Jesus fixa o olhar em João e diz: “João, esta é a hora da graça. Cumpra a sua missão de ser o precursor. Batiza-me, porque neste momento o Espírito de Deus vai se manifestar para todo o povo!” Quando João faz o batizado, é o Espírito Santo que invade a alma e o coração dos dois de uma maneira profunda. Só aí ele compreende parte do mistério. Vai continuar a sua tarefa de batizar, e Jesus começa as suas pregações.

Agora vem um momento muito bonito e difícil da vida de João. Nós imaginamos que os santos, os profetas tinham uma vida tranquila, que sabiam de tudo. Não, eles tinham vastos  continentes de ignorância, vastas noites em suas cabeças. Ele começa a ouvir os ecos da pregação de Jesus, quando chegam discípulos seus, que estiveram ouvindo Jesus e lhe contam: “Ele fala assim e assim de Deus. Fala que Deus perdoa, que não vai castigar, que não tem juízo nenhum, que não tem fogo nem machado nenhum para cortar as árvores. Vocês precisam se encontrar!”. Aí João Batista estremece em suas bases do Antigo Testamento. 

O seu pé, que estava fincado em Israel, começa a tremer: “Será possível que tudo que eu herdei do meu passado, da tradição cai diante da atualidade de Jesus?”. Passado, presente – o eterno choque de gerações. Pais e filhos, gerações e gerações. Mas mesmo diante de uma tradição questionada, prevalece a coragem daquele jovem, e ele hoje aparece, na tradição da Igreja, como o grande precursor. Ele cumpre a sua missão e deixa aberta a porta para que entre a novidade de Jesus, a realização da profecia de amor que ele iniciara. Amém. 


Confira também a reflexão do Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este dia:


terça-feira, 23 de junho de 2015

Sudário atrai na direção do rosto de Jesus



Foi durante os ritos de conclusão da santa Missa em Turim que o Papa Francisco recitou a oração do Angelus. Desde logo, destaque para a sua mensagem antes da oração na qual o Santo Padre dirigiu o seu pensamento à Virgem Maria, Mãe amorosa que Jesus nos confiou da Cruz, no Seu gesto de amor maior. E um ícone deste amor é o Santo Sudário – afirmou o Santo Padre:

“O Sudário atrai na direção do rosto e do corpo martirizado de Jesus e, ao mesmo tempo, impele em direção ao rosto de cada pessoa em sofrimento e injustamente perseguida. Impele-nos na mesma direção do dom do amor de Jesus.”

Recordando o lema de S. Giuseppe Benedetto Cottolengo que era precisamente a expressão de S. Paulo: “O amor de Cristo impele-nos”, o Papa Francisco – antes da oração do Angelus – invocou o ardor apostólico de tantos sacerdotes santos de Turim e da região do Piemonte, com especial referência a S. João Bosco no bicentenário do seu nascimento. Aos sacerdotes presentes pediu-lhes para anunciarem o Evangelho na proximidade às pessoas e aos seus problemas. Aos bispos, o Santo Padre exortou a estarem próximos dos padres com afeto paternal.

O Papa Francisco confiou a cidade de Turim e toda a região à Virgem Maria para que vivam na justiça, na paz e na fraternidade, em particular, as famílias, os jovens os idosos e todos os que sofrem, com um pensamento especial para os doentes de leucemia ao celebrar-se neste domingo a Jornada Nacional contra Leucemias, Linfomas e Mieloma.

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção! 

Fonte: Rádio Vaticano

segunda-feira, 22 de junho de 2015

21/06 - São Luís Gonzaga



Luís nasceu no dia 9 de março de 1568, na Itália. Foi o primeiro dos sete filhos de Ferrante Gonzaga, marquês de Castiglione delle Stiviere e sobrinho do duque de Mântua. Seu pai, que servia ao rei da Espanha, sonhava ver seu herdeiro e sucessor ingressar nas fileiras daquele exército. Por isso, desde pequenino, Luís era visto vestido como soldado, marchando atrás do batalhão ao qual seu pai orgulhosamente servia.

Entretanto, Luís não desejava essa carreira, pois, ainda criança fizera voto de castidade. Quando tinha dez anos, foi enviado a Florença na qualidade de pajem de honra do grão-duque de Toscana. Posteriormente, foi à Espanha, para ser pajem do infante dom Diego, período em que aproveitou para estudar filosofia na universidade de Alcalá de Henares. Com doze anos, recebeu a primeira comunhão diretamente das mãos de Carlos Borromeu, hoje santo da Igreja.

Desejava ingressar na vida religiosa, mas seu pai demorou cerca de dois anos para convencer-se de sua vocação. Até que consentiu; mas antes de concordar definitivamente, ele enviou Luís às cortes de Ferrara, Parma e Turim, tentando fazer com que o filho se deixasse seduzir pelas honras da nobreza dessas cortes.

Luís tinha quatorze anos quando venceu as resistências do pai, renunciou ao título a que tinha direito por descendência e à herança da família e entrou para o noviciado romano dos jesuítas, sob a direção de Roberto Belarmino, o qual, depois, também foi canonizado.

Lá escolheu para si as incumbências mais humildes e o atendimento aos doentes, principalmente durante as epidemias que atingiram Roma, em 1590, esquecendo totalmente suas origens aristocráticas. Consta que, certa vez, Luís carregou nos ombros um moribundo que encontrou no caminho, levando-o ao hospital. Isso fez com que contraísse a peste que assolava a cidade.

Luís Gonzaga morreu com apenas vinte e três anos, em 21 de junho de 1591. Segundo a tradição, ainda na infância preconizara a data de sua morte, previsão que ninguém considerou por causa de sua pouca idade. Mas ele estava certo.

O papa Bento XIII, em 1726, canonizou Luís Gonzaga e proclamou-o Padroeiro da Juventude. A igreja de Santo Inácio, em Roma, guarda as suas relíquias, que são veneradas no dia de sua morte. Enquanto a capa que são Luís Gonzaga usava encontra-se na belíssima basílica dedicada a ele, em Castiglione delle Stiviere, sua cidade natal.

Fonte: Paulinas

Papa Francisco: "A grandeza do amor revela-se no cuidar das pessoas necessitadas"



No final da tarde deste domingo dia 21 de junho, o Papa Francisco encontrou-se com os jovens de Turim, concluindo, assim, o seu primeiro dia naquela diocese. Publicamos aqui a versão integral do discurso do Santo Padre aos jovens de Turim:

Queridos jovens,

Agradeço-vos esta calorosa recepção! E obrigado pelas vossas perguntas, que nos levam ao coração do Evangelho.

A primeira, sobre o amor, questiona-nos sobre o sentido profundo do amor de Deus, que nos é oferecido pelo Senhor Jesus. Ele mostra-nos até onde chega o amor: até ao dom total de si próprio, dando a sua vida, como contemplamos no mistério do Santo Sudário, quando nele reconhecemos o ícone do '' amor maior. " Mas este dom de nós mesmos não deve ser imaginado como um raro gesto heroico ou reservado para uma qualquer ocasião excepcional.

Podemos de fato assumir o risco de cantar o amor, de sonhar o amor, de aplaudir o amor... sem deixarmo-nos tocar e envolver com ele! A grandeza do amor revela-se no cuidar das pessoas necessitadas, com lealdade e paciência; por isso é grande no amor quem sabe fazer-se pequeno para os outros, como Jesus, que se fez servo.

Amar é fazer-se próximo, tocar a carne de Cristo nos pobres e, nos últimos, abrir à graça de Deus as necessidades, os apelos, as solicitações das pessoas que nos circundam. O amor de Deus, assim, entra, transforma e torna grandes as coisas pequenas, torna-as sinal da sua presença. S. João Bosco é nosso mestre, precisamente, pela capacidade de amar e educar a partir da proximidade que ele vivia com os rapazes e os jovens.

À luz desta transformação, fruto do amor, podemos responder à segunda questão, sobre a falta de confiança na vida. A falta de emprego e de perspetivas para o futuro, certamente, ajuda o movimento da própria vida, colocando muitos na defensiva: pensar em si mesmos, gerir o tempo e os recursos de acordo com o seu próprio bem, limitar os riscos de qualquer generosidade... São todos sintomas de uma vida mantida e preservada a todo custo e que, no final, pode levar à resignação e ao cinismo.

Jesus ensina-nos, ao invés, a percorrer a estrada oposta: ‘Quem quiser salvar a sua própria vida perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por minha causa, salvar-se á’ (Lc 9:24). Isto significa que não devemos atender a circunstâncias externas favoráveis, ​​para metermo-nos, verdadeiramente no jogo, mas que, pelo contrário, apenas empenhando a vida – conscientes de perdê-la – criamos para os outros e para nós as condições de uma nova confiança no futuro.

E aqui os meus pensamentos vão espontaneamente para um jovem que realmente passou assim a sua vida, tornando-se um modelo de confiança e ousadia evangélica para as jovens gerações de Itália e do mundo: o Beato Pier Giorgio Frassati. Um dos seus lemas era: "Viver e não ir vivendo." Esta é a estrada para experimentar em plenitude a força e a alegria do Evangelho. Assim, não só encontrareis confiança no futuro, mas conseguireis gerar esperança entre os vossos amigos e nos ambientes em que viveis.

Uma grande paixão de Pier Giorgio Frassati era a amizade. E a vossa terceira pergunta, dizia exatamente: como viver a amizade de uma forma aberta, capaz de transmitir a alegria do Evangelho? Soube que esta praça nas noites de sexta-feira e sábado, é muito frequentada pelos jovens. Assim acontece em todas as nossas cidades e vilas.

Penso que alguns de vós encontrais-vos aqui ou noutros lugares com os vossos amigos. E então faço-vos uma pergunta – que cada um pense e responda dentro de si mesmo: nesses momentos, quando estais em companhia, conseguis fazer transparecer a vossa amizade com Jesus nas atitudes, no modo que vos comportamentais? Pensais, algumas vezes, mesmo no tempo livre, no lazer, que sois pequenos ramos ligados à videira que é Jesus?

Garanto-vos que pensando com fé nesta realidade, sentireis correr em vós a "força vital" do Espírito Santo, e levareis frutos, quase sem vos aperceberdes: sabeis ser corajosos, pacientes, humildes, capazes de partilhar, mas também de diferenciar-vos, de alegrar-vos com quem se alegra e chorar com quem chora, sabereis gostar de quem não nos quer bem, responder ao mal com o bem. E, assim, anunciareis o Evangelho!

Os Santos e as Santas de Turim ensinam-nos que cada renovação, mesmo aquela da Igreja, passa através da nossa conversão pessoal, através daquela abertura do coração que acolhe e reconhece as surpresas de Deus, impulsionado pelo amor maior (cf. 2 Cor 5 , 14), que nos faz amigos também das pessoas, em sofrimento e marginalizadas.

Queridos jovens, juntamente com estes irmãos e irmãs maiores que são os santos, na família da Igreja, temos uma Mãe, não nos esqueçamos! Desejo que confieis plenamente nesta terna Mãe que indicou a presença do '' amor maior "precisamente no meio dos jovens, nesta festa de núpcias. A Nossa Senhora "é a amiga sempre atenta, para que não venha a faltar o vinho na nossa vida" (ibid., N. Evangelii Gaudium, 286). Rezemos para que não nos deixe faltar o vinho da alegria!

Obrigado a todos! Deus abençoe todos vós. E, por favor, rezai por mim.

Congresso Internacional Franciscano abre inscrições



Estão abertas as inscrições para o Congresso Internacional Franciscano, que será realizado de 30 de novembro a 3 de dezembro, em Curitiba (PR). O Congresso sediará dois eventos simultâneos: o V Encontro de Centros de Estudos Franciscanos Superiores Ibero-Americanos e o I Congresso Nacional de Educadores Franciscanos – CFMB.

Realizado pela Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, sob o tema “Educação Franciscana: Esperança em uma Nova Humanidade”, o evento trará reflexões, debates e trocas de experiências sobre o papel dos cristãos comprometidos com a tarefa educacional, suas responsabilidades e as melhores práticas para a formação de pessoas com virtudes e valores.

No período da manhã, a programação será única para os dois eventos e, à tarde, serão distintas. O V Encontro Ibero-Americano terá uma programação exclusiva. Já os participantes do I Congresso Nacional podem escolher duas oficinas que ocorrem na tarde do dia 1.º de dezembro.

As vagas são limitadas e as inscrições podem ser realizadas até o mês de novembro. Mais informações em www.congressofranciscano.com.br.

O Congresso Internacional Franciscano tem o apoio da FAE Centro Universitário, da Universidade São Francisco e do Colégio Bom Jesus.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

CAMINHOS DO EVANGELHO - 12º DOMINGO DO TEMPO COMUM

12º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura - Jó 38,1.8-11
Salmo - Sl 106,23-24.25-26.28-29.30-31 (R. 1b)
2ª Leitura - 2Cor 5,14-17
Evangelho - Mc 4,35-41

Naquele dia, ao cair da tarde,
Jesus disse a seus discípulos:
'Vamos para a outra margem!'
Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo,
assim como estava na barca.
Havia ainda outras barcas com ele.
Começou a soprar uma ventania muito forte
e as ondas se lançavam dentro da barca,
de modo que a barca já começava a se encher.
Jesus estava na parte de trás,
dormindo sobre um travesseiro.
Os discípulos o acordaram e disseram:
'Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?'
Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar:
'Silêncio! Cala-te!'
O ventou cessou e houve uma grande calmaria.
Então Jesus perguntou aos discípulos:
'Por que sois tão medrosos?
Ainda não tendes fé?'
Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros:
'Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?'

Palavra da Salvação.

Jesus nos acompanha a outra margem - Pe. João Batista, sj

Se Marcos tivesse simplesmente nos descrito uma tempestade, seria uma a mais em relação a tantas outras que acontecem nos mares, nos lagos, nos rios. Mas vocês perceberam que o Evangelho está cheio de pequenos pormenores. Cada um deles é um toque simbólico. 

A leitura não começa com a tradicional expressão “naquele tempo”, mas “naquele dia”. Aquele dia, não qualquer dia. O ano tem trezentos e sessenta e cinco dias, mas aquele dia é diferente. Não é um dia anódino, insosso, inodoro, acromático; não é um dia vulgar, banal, como tantos que atravessamos no ano. Era aquele dia. E a que hora? Não no despertar do dia, não no fulgor do meio-dia, não na escuridão da noite, mas ao cair da tarde, no crepúsculo, no intermédio, num momento de silêncio. Há pinturas bonitas que podemos ver em museus de dois camponeses bretões, nesse horário do crepúsculo, diante de um rio bonito. Um deles com a cabeça inclinada, tirando um chapéu tosco. Eram seis horas, a hora do angelus, e eles rezavam. É nessa hora, nesse momento de um dia, que o Senhor disse esta frase: “vamos para a outra margem!” Essa é para mim a chave de leitura desse evangelho. Outros podem ver a tempestade, a canoa, eu prefiro ficar com esta frase: “vamos para a outra margem!” O que significa ir para a outra margem? 
Os apóstolos estavam tranquilos, fixos, estagnados, como estamos agora aqui: sem exaltação, sem dificuldade. Nessa hora não há risco, mas segurança. Mas, num dado momento da vida, parece que uma voz insufla o nosso coração e diz: passe para a outra margem! Há tantos missionários! São holandeses, alemães, poloneses que um dia ouviram esta palavra: vão para a outra margem! Deixaram as suas casas, suas famílias, suas línguas – é duro deixar o seu idioma – , a sua pátria e partiram para lugares onde sempre serão estrangeiros. Assumiram o risco de passar para a outra margem. 

O Evangelho coloca um pormenor importante: “Levaram Jesus Cristo consigo, porque Ele estava na barca”. A barca é a nossa existência, a nossa história. Levaram Jesus, mas é possível, e tantas tragédias acontecem, que muitas pessoas passem para a outra margem e não levem o Senhor consigo. Imaginem um jovem bom, puro, vivendo com sua família e, de repente, passa para a margem da droga. O Senhor não foi naquela barca. Passa para a prostituição, o engodo, a corrupção, a mentira, e o Senhor não está lá. Sem Ele presente, imaginem o medo que provoca uma tempestade! O mar está violento, o vento sopra, a barca é agitada e olhando não se vê ninguém. O Senhor não está na barca, porque não o levamos, não porque Ele não quisesse estar. Diz o Evangelho que havia muitas barcas nas quais Ele não estava. 

Quando entramos na barca do risco, da vida, do trabalho voluntário, sabemos que o Senhor está na barca, mesmo nas horas difíceis de dor, de sofrimento, da morte de um ente querido. Somos como Pedro que diz: “Senhor, não te importa que estejamos em perigo?”. Sim, Ele se importa! Desperta e diz ao mar e ao vento que se calem. Voltam o silêncio e a paz. Essa é a grande história que Marcos nos conta. 

O Evangelho é belíssimo, pois está descrevendo o nosso cotidiano, a nossa luta. Muitas vezes, queiramos ou não, somos empurrados para outras margens: a margem do desemprego, da separação matrimonial, de uma vida difícil, de um trabalho no estrangeiro – tantas margens diferentes e diversas. Mas o que importa não é ir para uma outra margem, mas levar ou não levar o Senhor na barca. Essa é a grande decisão! Para qualquer margem que formos, se o Senhor estiver na barca, não haverá perigo. Podem vir as tempestades, os tufões que quiserem, os tsunamis que vierem, que a nossa barca poderá ser agitada, mas o Senhor estará lá. Ainda que durma, poderá despertar e, despertando, tranquilizará o mar. 

Jovens, quando vocês entrarem na barca da existência, na barca das aventuras, das motos nas quais vocês andam desvairadamente por aí, se o Senhor não estiver com vocês poderá ser terrível. Quando vier a tempestade, para quem poderão gritar? Não poderão acordar o Senhor, porque Ele não estará lá. Por isso, nunca saiam numa barca sem levar o Senhor consigo. 

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol. 7

Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este 12º domingo do Tempo Comum:




quinta-feira, 18 de junho de 2015

"Esta Encíclica deve ser um estilo de vida"

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Por Frei Fidêncio Vanboemmel, OFM

Estou regressando do nosso Capítulo Geral celebrado há poucos dias em Santa Maria dos Anjos (Porciúncula), na cidade Assis, Itália, berço de São Francisco e Santa Clara e solo sagrado que, sem dúvida alguma, inspirou Francisco de Assis a cantar “Laudato sie, mi’ Signore, cum tucte le tue creature”.

O famoso “Cântico das Criaturas”, composto pelo Poverello de Assis, expressa sua grandiosa visão de “mundo universo” e sintetiza a alma da espiritualidade franciscana. E este cântico, cantado há mais de VIII séculos, adquire hoje, dia 18 de junho de 2015, novo vigor e redobrado eco nesta Carta Encíclica ‘Laudato Si’ do nosso Papa, o Francisco de Roma, que novamente nos alerta a um redobrado “cuidado da casa comum”.

Pois bem, ao longo do nosso Capítulo Geral, em diferentes momentos, mencionou-se esta Carta Encíclica que estava prestes a sair. Penso que nós, Frades Menores, não só devemos ler e/ou tomar conhecimento desta Encíclica, mas fazer com que o “cuidado da casa comum” seja um estilo de vida e uma dimensão transversal de toda a nossa evangelização franciscana.

Penso que nós, Frades Menores, por dever vocacional de fidelidade ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e fiéis discípulos de São Francisco de Assis, devemos ser os novos arautos e mensageiros da essência desta primeira Encíclica do Papa Francisco. “Laudato Si” deve ser o nosso cântico de louvor e convite para que o ‘mundo universo’ se una no ‘cuidado da casa comum’.

Frei Fidêncio Vanboemmel é Ministro Provincial da Província da Imaculada Conceição do Brasil

Pontífice fala sobre a morte e o luto em Audiência Geral



Nesta quarta-feira (17/06), o Papa Francisco deu continuidade à sua catequese sobre as famílias, falando nesta semana sobre a morte, dedicando atenção especial às mães e pais que perdem seus filhos.

Confira:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No percurso de catequeses sobre a família, hoje inspiramo-nos diretamente no episódio narrado pelo evangelista Lucas, que há pouco ouvimos (cf. Lc 7, 11-15). Trata-se de uma cena muito comovedora, que nos mostra a compaixão de Jesus por quantos sofrem — neste caso, uma viúva que perdeu o seu único filho — e nos manifesta também o poder de Jesus sobre a morte.

A morte é uma experiência que diz respeito a todas as famílias, sem exceção alguma. Faz parte da vida; e no entanto, quando atinge os afetos familiares, a morte nunca consegue parecer-nos natural. Para os pais, sobreviver aos próprios filhos é algo de particularmente desolador, que contradiz a natureza elementar das relações que dão sentido à própria família. A perda de um filho ou de uma filha é como se o tempo parasse: abre-se um abismo que engole o passado e também o futuro. A morte, que leva embora o filho pequeno ou jovem, é uma bofetada às promessas, aos dons e aos sacrifícios de amor jubilosamente confiados à vida que fizemos nascer. Muitas vezes vêm à Missa em Santa Marta pais com a fotografia de um filho, filha, criança, rapaz, moça, e dizem-me: «Ele foi-se, ela foi-se!». E o seu olhar está cheio de dor. A morte acontece, e quando se trata de um filho, fere profundamente. A família inteira permanece como que paralisada, emudecida. E algo semelhante padece também a criança que permanece sozinha, com a perda de um dos pais, ou de ambos. E pergunta: «Mas onde está o meu pai? Onde está a minha mãe?» — Está no Céu!» — «Mas por que não o vejo?». Esta pergunta oculta uma angústia no coração da criança que permanece sozinha. O vazio do abandono que se abre dentro dela é ainda mais angustiante porque ela nem sequer tem a experiência suficiente para «dar um nome» àquilo que lhe aconteceu. «Quando volta o meu pai? Quando volta a minha mãe?». Que responder, quando a criança sofre? Assim é a morte em família.

Nestes casos, a morte é como um buraco negro que se abre na vida das famílias e ao qual não sabemos dar explicação alguma. E às vezes chega-se até a dar a culpa a Deus! Quantas pessoas — entendo-as — ficam com raiva de Deus e blasfemam: «Por que me tiraste o filho, a filha? Não há Deus, Deus não existe! Por que me fez Ele isto?». Muitas vezes ouvimos frases como esta. Mas a raiva é um pouco aquilo que provém do cerne de uma grande dor; a perda de um filho ou de uma filha, do pai ou da mãe, é uma dor enorme! Isto acontece continuamente nas famílias. Em tais casos, como eu disse, a morte é como que um buraco. Mas a morte física possui «cúmplices» que são até piores do que ela, e que se chamam ódio, inveja, soberba, avareza; em síntese, o pecado do mundo que trabalha para a morte, tornando-a ainda mais dolorosa e injusta. Os afectos familiares parecem as vítimas predestinadas e inermes destes poderes auxiliares da morte, que acompanham a história do homem. Pensemos na absurda «normalidade» com que, em certos momentos e lugares, os acontecimentos que acrescentam horror à morte são provocados pelo ódio e pela indiferença de outros seres humanos. O Senhor nos livre de nos habituarmos a isto!

No povo de Deus, com a graça da sua compaixão conferida em Jesus, muitas famílias demonstram concretamente que a morte não tem a última palavra: trata-se de um verdadeiro ato de fé. Todas as vezes que a família em luto — até terrível — encontra a força de conservar a fé e o amor que nos unem a quantos amamos, ela impede desde já que a morte arrebate tudo. A escuridão da morte deve ser enfrentada com um esforço de amor mais intenso. «Meu Deus, ilumina as minhas trevas!», é a invocação de liturgia da noite. À luz da Ressurreição do Senhor, que não abandona nenhum daqueles que o Pai lhe confiou, nós podemos privar a morte do seu «aguilhão», como dizia o apóstolo Paulo (1 Cor 15, 55); podemos impedir que ela envenene a nossa vida, que torne vãos os nossos afectos, que nos leve a cair no vazio mais obscuro.

Nesta fé, podemos consolar-nos uns aos outros, conscientes de que o Senhor venceu a morte de uma vez para sempre. Os nossos entes queridos não desapareceram nas trevas do nada: a esperança assegura-nos que eles estão nas mãos bondosas e vigorosas de Deus. O amor é mais forte do que a morte. Por isso, o caminho consiste em fazer aumentar o amor, em torná-lo mais sólido, e o amor preservar-nos-á até ao dia em que todas as lágrimas serão enxugadas, quando «já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor» (Ap 21, 4). Se nos deixarmos amparar por esta fé, a experiência do luto poderá gerar uma solidariedade de vínculos familiares mais forte, uma renovada abertura ao sofrimento das outras famílias, uma nova fraternidade com as famílias que nascem e renascem na esperança. Nascer e renascer na esperança, é isto que nos propicia a fé. Contudo, gostaria de ressaltar a última frase do Evangelho que ouvimos hoje (cf. Lc 7, 11-15). Depois que Jesus restituiu à vida este jovem, filho da mãe que era viúva, o Evangelho reza: «Jesus entregou-o à sua mãe». Esta é a nossa esperança! O Senhor restituir-nos-á todos os nossos entes queridos que já partiram, e encontrar-nos-emos todos juntos. Esta esperança não desilude! Recordemos bem este gesto de Jesus: «Jesus entregou-o à sua mãe», assim fará o Senhor com todos os nossos amados familiares!

Esta fé protege-nos da visão niilista da morte, assim como das falsas consolações do mundo, de tal maneira que a verdade cristã «não corra o risco de se misturar com mitologias de vários tipos», cedendo aos ritos da superstição, antiga ou moderna» (Bento XVI, Angelus de 2 de Novembro de 2008). Hoje é necessário que os Pastores e todos os cristãos exprimam de modo mais concreto o sentido da fé em relação à experiência familiar do luto. Não se deve negar o direito de chorar — devemos chorar no luto — pois até Jesus «começou a chorar» e sentiu-se «intensamente comovido» pelo grave luto de uma família que Ele amava (Jo 11, 33-37). Ao contrário, podemos haurir do testemunho simples e vigoroso de numerosas famílias que souberam ver, na dificílima passagem da morte, também a passagem certa do Senhor, crucificado e ressuscitado, com a sua promessa irrevogável da ressurreição dos mortos. O esforço amoroso de Deus é mais forte do que a obra da morte. É deste amor, precisamente deste amor, que nos devemos tornar «cúmplices» laboriosos, com a nossa fé! E recordemos aquele gesto de Jesus: «Jesus entregou-o à sua mãe»; assim fará Ele com todos os nossos entes queridos e também conosco, quando nos encontrarmos, quando a morte for derrotada definitivamente em nós. Ela é vencida pela cruz de Jesus. Jesus restituir-nos-á todos à família!

Fonte: Site do Vaticano