PESQUISAR TEMAS E ARQUIVOS DO BLOG

sexta-feira, 8 de maio de 2015

6º domingo da Páscoa



6º Domingo da Páscoa
Evangelho - Jo 15,9-17

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
Como meu Pai me amou, 
assim também eu vos amei.
Permanecei no meu amor.
Se guardardes os meus mandamentos,
permanecereis no meu amor,
assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai
e permaneço no seu amor.
Eu eu vos disse isto,
para que a minha alegria esteja em vós
e a vossa alegria seja plena.
Este é o meu mandamento:
amai-vos uns aos outros,
assim como eu vos amei.
Ninguém tem amor maior
do que aquele que dá sua vida pelos amigos.
Vós sois meus amigos,
se fizerdes o que eu vos mando.
Já não vos chamo servos,
pois o servo não sabe o que faz o seu senhor.
Eu vos chamo amigos,
porque vos dei a conhecer
tudo o que ouvi de meu Pai.
Não fostes vós que me escolhestes,
mas fui eu que vos escolhi
e vos designei para irdes e para que produzais fruto
e o vosso fruto permaneça.
O que então pedirdes ao Pai em meu nome,
ele vo-lo concederá.
Isto é o que vos ordeno:
amai-vos uns aos outros.
Palavra da Salvação.

O amor que eleva nossos amores - Pe. João Batista Libânio, sj

Ouvimos tantas vezes esse evangelho, mas ainda não sabemos muitas coisas que estão por trás. A primeira coisa está muito além da religião, mas muito presente em toda a história da humanidade, desde que nos separamos do macaco, uns quatro milhões de anos atrás. Nunca ninguém chegou a dizer isto: que Deus é amor e que Ele amava as pessoas. Pedro, que era judeu e conhecia a religião judaica, depois que conheceu Jesus, fez o seu sermão para os pagãos dizendo que eles não mais precisavam seguir as pesadas leis judaicas. São mais de seiscentos mandamentos, quase impossíveis de suportar. Isso dizia Pedro que, mesmo sendo um rapaz sério e cumpridor de seus deveres, achava pesado demais. Diz aos pagãos que eles estavam livres de todos, deixando apenas três bem simples, que para nós não têm mais sentido e pouco a pouco desapareceram. Isso quer dizer que o cristão está livre de obrigações. Uma única lei nos rege: “amai-vos uns aos outros, como eu – Jesus – vos amei!” 

O amor de Jesus foi tão original, que, quando os evangelistas escrevem, na cultura daquela época, num grego chamado coiné – uma espécie de inglês de computador – , não acharam uma palavra que definisse amor. O grego não conhecia, mesmo tendo grandes filósofos, como Platão e Aristóteles, uma palavra para definir o que o cristão chamava de amor. Para eles existia apenas eros – o amor sensível entre um homem e uma mulher, que é bonito, belíssimo, mas está preso à visibilidade, ao olhar, ao tato, ao estar junto, agarradinho. Os gregos conheciam esse amor, mas o cristão quis trazer algo mais e criou a palavra agape, que, em português, apareceu diferente: ágape, significando refeição. Mas para o grego é agape. É esse amor sensível que todos nós temos, quando vemos Deus nas pessoas e gostamos de ver – acho bonito o olhar das pessoas –, e eleva o eros bem alto, sem deixar a raiz. É como uma árvore que cresce, mas não deixa a raiz. Devemos continuar amando sensivelmente, pois não somos anjos. É bonito, é belíssimo, mas é pouco para o cristão. Não é ruim, é pouco, pois o cristão deve querer mais. 

Jesus diz que existe o agape: aquele que dá a sua vida pelo outro. Sempre demonstramos os nossos amores dando presentes, coisas. Quem não gosta de receber um presentezinho? Mas são coisas, não vida. Pode ser um carro novinho, uma televisão, um DVD, até essa doença nova que os médicos descobriram – celularite aguda. As crianças já nascem falando aos celulares, que nem cabem nas suas orelhas. São presentes, são coisas que elas recebem, às vezes, de pais separados, o que as faz divididas. Até as pesquisas mostram que os pais separados são os que dão mais presentes. Interessante! Se não podem dar amor continuado, têm que dar presentes, entulhar os filhos de presentes, para dizer que amam. Mas a única coisa que importa é que amar é dar a vida. Vida que é o nosso tempo, o nosso carinho, a nossa escuta, o nosso ficar calado ouvindo o outro, percebendo o sofrimento do outro. É incluir, ir ao encontro da necessidade do outro e perceber o que ele gosta, o que sente. É preciso ter os olhos abertos para a face do outro, e nele ver o transcendente. É conversar com o negro, é se aproximar de uma pessoa drogada e procurar ajudar, acolher, estender as mãos a uma pessoa suja, malcheirosa e olhá-la com carinho. Isso é amar, é agape. Eu dou minha vida, o meu tempo, a minha energia, a minha força, e me esgoto nisso. Enquanto eu dou coisas, eu me poupo. Fico bonitinho, novinho, enchendo o outro de coisas. Olhemos para Teresa de Calcutá, que viajava para todos os lados, carregava crianças, lavava-as, dava roupas limpas aos velhos, chamava-os pelo nome, olhava as suas necessidades. 

Que coisa mais linda Deus nos deu nesse mandamento! Vir aqui nesta igreja só tem sentido se amamos. Fazemos porque queremos, queremos porque amamos! Não estamos aqui por obrigação imposta de fora. O menor gesto há de ser por amor. Sem uma dose de amor, os nossos gestos não valem nada, e nada é nada. Mas, se colocamos uma pitadinha de amor, a realidade começa a se construir. Este é o mandamento: Jesus ficará conosco, nós ficaremos com Ele – Jesus, Maria, a Trindade toda. Mas, se não amarmos, todas as novenas, peregrinações, promessas não valem nada, absolutamente nada – N A D A. 
Termino contando um fato acontecido com Maximiliano Kolbe (*). Estava ele num campo de concentração. Vocês, jovens, não têm ideia do que seja isto: uma das coisas mais terríveis, desumanas e loucas que a satânica inteligência humana criou – campos para matar. Mataram mais de doze milhões de pessoas. Ali havia uma regra terrível: se fugisse um prisioneiro, dez seriam executados aleatoriamente. Quem teria coragem de fugir, sabendo que seu ato acarretaria a morte de dez companheiros? Uma maneira horrível de pressionar, para que ninguém fugisse. Mas o desejo da vida é maior, e um dia, contando os prisioneiros, dão pela falta de um. Reuniram todos e, após um dia inteiro de pé, ao sol, não aparecendo o que fugira, o oficial alemão escolhe dez que morreriam. Um dos escolhidos, jovem ainda, em lágrimas, pede clemência. Era pai, esposo e deixaria sua mulher sozinha com seus filhos. Maximiliano Kolbe, um sacerdote honesto, sem mulher nem filhos, se oferece para morrer no lugar do escolhido. É aceito e passa vinte e um dias sem comer. É condenado à morte pela fome. É loucura satânica! Passa três semanas sem comer e todos os outros nove já haviam morrido. Por compaixão, os alemães decidem dar a ele uma injeção letal, e ele morre. Ele deu a vida pelo outro. Isso é agape! Amém! 

(*) Padre franciscano, nascido na Polônia no século XIX, canonizado pelo papa João Paulo II, em 1982.

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar vol. VII

Neste domingo Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM tem uma mensagem especial para as mães, "mulheres de fibra, de luta e de coragem".

Acompanhe: