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sexta-feira, 10 de abril de 2015

2º domingo da Páscoa


1ª Leitura: At 4,32-35
2ª Leitura: 1Jo 5,1-6
Evangelho: Jo 20, 19-31

Jo 20,19-31

Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana,
estando fechadas, por medo dos judeus,
as portas do lugar onde os discípulos se encontravam,
Jesus entrou e pondo-se no meio deles,
disse: 'A paz esteja convosco'.
Depois destas palavras,
mostrou-lhes as mãos e o lado.
Então os discípulos se alegraram
por verem o Senhor.
Novamente, Jesus disse: 'A paz esteja convosco.
Como o Pai me enviou, também eu vos envio'.
E depois de ter dito isto,
soprou sobre eles e disse: 'Recebei o Espírito Santo.
A quem perdoardes os pecados 
eles lhes serão perdoados;
a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos'.
Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze,
não estava com eles quando Jesus veio.
Os outros discípulos contaram-lhe depois:
'Vimos o Senhor!'. Mas Tomé disse-lhes:
'Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos,
se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos
e não puser a mão no seu lado, não acreditarei'.
Oito dias depois, encontravam-se os discípulos
novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles.
Estando fechadas as portas, Jesus entrou,
pôs-se no meio deles e disse: 'A paz esteja convosco'.
Depois disse a Tomé:
'Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos.
Estende a tua mão e coloca-a no meu lado.
E não sejas incrédulo, mas fiel'.
Tomé respondeu: 'Meu Senhor e meu Deus!'
Jesus lhe disse: 'Acreditaste, porque me viste?
Bem-aventurados os que creram sem terem visto!'
Jesus realizou muitos outros sinais
diante dos discípulos,
que não estão escritos neste livro.
Mas estes foram escritos para que acrediteis que
Jesus é o Cristo, o Filho de Deus,
e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.
Palavra da Salvação.

Acompanhe a reflexão do Pe. João Batista Libânio, sj para este domingo:

Tomé - o amor é incondicional

Quando lemos o Evangelho, a primeira inclinação é imaginar que todas essas cenas são descrições. Se assim fosse, teria sido muito fácil para os apóstolos crerem em Jesus. Viram, pegaram, tocaram. É fácil crer, qualquer um é capaz de crer quando se pode pegar. Então a gente suspeita que o evangelista João seja um pouco mais inteligente do que imaginamos. Ele não está querendo dizer que os apóstolos pegaram, viram Jesus. Isto é muito banal para João. E onde estaria então a problemática desse Evangelho?

Vocês viram que Tomé colocou condição para crer, como muitas vezes nós colocamos condição para amar. Aí não dá certo. Eu acho que por aí não vai. Quando colocamos condição para amar ou para crer, não amamos e não cremos. Esse é o problema. Então Tomé não acreditou depois que tocou, não. Ele teve que renunciar às condições para crer.

No fundo, o evangelista quer dizer que o amor é um movimento, um gesto de gratuidade. Nós podemos ter razões, motivos razoáveis como Tomé, mas o amor é uma aventura cega. Eu preciso ter razões que mostrem que a pessoa é digna do meu amor, mas não são essas razões que me levam a crer e a amar. As razões fazem com que eu possa viver num mundo humano, em que as razoabilidades são necessárias para os nossos sentidos. Mas nunca a razoabilidade pode ser a razão para eu amar alguém.

É necessário o salto. O amor é um salto no escuro. Este é um jogo belíssimo da nossa liberdade, que não passa pela inteligência. A inteligência aceita as razões da lógica, porque quer constatar, quer verificar, quer provar. O amor é outro departamento. Não é o departamento da inteligência, e todas as vezes que queremos reduzir o amor ao departamento da inteligência, nós não amamos, nós calculamos, e calcular é com máquina. Amar é com o coração.

Nosso evangelista hoje quer nos dizer que o amor sempre surpreende, é sempre imprevisível, sempre novo, sempre diferente. Nunca pode ser previsto e calculado de antemão. Um arquiteto, um engenheiro calculam cada ângulo da casa, pois do contrário ela cai. Mas o amor não. Por isso a casa do amor pode desabar. Porque não são engenheiros que se casam, são amantes que se casam. Alguém pode ser engenheiro de profissão, mas não pode ser engenheiro do amor, porque se o for, será infeliz. O amor é a novidade da tenda. Um dia um vendaval pode vir e levar a casa. Pode acontecer, mas há a confiança, de que esse vendaval não virá, ou se vier, seremos fortes o suficiente para segurar as balizas da tenda, para que ela não voe e desapareça o nosso amor.

Cristo ressuscitado, quando se apresenta, não se apresenta; quando Ele aparece, Ele não aparece; quando Ele manda tocar, Ele não manda. Todos esses gestos de Jesus não são para os sentidos. São para o itinerário interior do amor. É o olhar do amor de Tomé que toca a chaga, é o olhar do amor dos discípulos que toca o lado de Jesus. Os seus olhos físicos não podiam ver Jesus. Jesus tinha outra dimensão. Assim, os nossos olhos físicos não vêem. E é isso que vocês têm que aprender: o amor não vem dos olhos físicos. Quando vocês só amam o que vêem, vocês ainda não amam. Só amarão de verdade quando o olhar for além do olhar dos sentidos, quando olharem para uma realidade que os nossos olhos não atingem. 

Eu queria terminar falando para vocês daquele livrinho tão lindo, tão simples do Exupéry, que se vocês não leram, deveriam ler “O pequeno príncipe”. Ele diz: “O essencial é invisível aos olhos”. O que nós vemos é sinal, sacramento, para que possamos alcançar o mistério maior que a nossa vista não alcança. Amém. 

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol. 1

Acompanhe também a reflexão do Frei Alvaci Mendes da Luz para este 2º domingo da Páscoa.