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terça-feira, 31 de março de 2015

Semana Santa: momento de reflexão para o jovem


Por Frei Claudino Gilz 

Arthur Schopenhauer disse certa vez que a vida é, aos olhos do jovem, um longo futuro. Longo ou breve o modo como a vida se apresenta ao jovem, encontra-se ele imerso numa das etapas mais decisivas de sua existência. Em que sentido?

A juventude é um modo consciente de encarar a vida, amar, sonhar, ousar, exercer a liderança, ser cidadão e protagonista de ações que contribuam para o bem-estar da família, da Igreja e da sociedade. É próprio do jovem abrir-se ao discernimento do sentido da vida, proclamar o sim à verdade e ao diálogo, à participação, ao esforço permanente pela paz e ao respeito pelas culturas.

É admirável quando o jovem procura dizer não ao individualismo, ao preconceito, à indiferença, ao consumismo, à intolerância, à injustiça, à discriminação, à marginalização, à corrupção e à violência. É digno de aplauso o jovem que age em prol do primado do sagrado sobre o profano, da ética sobre a técnica, do testemunho sobre as palavras, do serviço sobre o poder.

Engana-se todo aquele que simplesmente enuncia o jovem como problema, em vez de identificá-lo como agente idealizador de outro mundo possível. É provável que o jovem venha eventualmente a cometer, ao longo de seus passos, muitos erros, alguns por inocência e outros por inexperiência, o que não é de todo ruim. A aprendizagem que pode alcançar dos próprios erros acaba sendo para ele uma boa escola, tal como se deu com o jovem Francisco, há mais de 800 anos, em Assis, na Itália.

Desde a sua infância, Francisco mostrou-se alegre, cortês, generoso, desapegado de si e fiel a seus propósitos. Distinguia-se pela compaixão para com os pobres que encontrava pelo caminho, a ponto de dar-lhes abundantes esmolas. No entanto, chegando à juventude, longos dias foram o tempo que Francisco dedicou ao discernimento da vontade de Deus para com ele. Junto aos amigos, não raras vezes mostrava-se distante e introspectivo. Subtraía-se da presença dos companheiros para ir discretamente rezar ou repartir alguma esmola com os mendigos das ruas. Queria tanto estar em alguma outra cidade, onde, como desconhecido, pudesse trocar as próprias roupas com algum pobre, para experimentar o que era pedir esmolas pelo amor de Deus. Foi aos poucos aprendendo a viver em sintonia com a manifestação dos desígnios divinos para com ele. Uma de suas primeiras e inesquecíveis lições se deu com os leprosos, a tal ponto de tornar-se capaz de vencer a si mesmo inúmeras vezes, tanto se dirigindo ao encontro deles como lhes mostrando amor e compaixão.

“Igreja e Sociedade” é o tema da Campanha da Fraternidade de 2015 que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propôs. Tema esse que não deixa de ser um convite para o jovem de hoje refletir em que pé se encontra sua relação com Deus, com a Igreja (a comunidade religiosa) e sua solidariedade com os mais pobres. Refletir sobre as mais diversas influências que às vezes estão a incidir no seu modo de ser, fazer escolhas, amar e crer.

A Semana Santa em curso, assim como a Páscoa do Senhor que se avizinha, é um tempo mais que oportuno de reflexão para o jovem. Um momento para imbuir-se da mesma inspiração que levou o Mestre de Nazaré a fazer do amor o seu mais memorável testamento.

Frei Claudino Gilz é coordenador de Ensino Religioso do Colégio Bom Jesus.

Fonte: Gazeta do Povo

Terça-feira da Semana Santa


3ª-feira da Semana Santa

Evangelho - Jo 13,21-33.36-38

Naquele tempo:
Estando à mesa com seus discípulos,
Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou:
'Em verdade, em verdade vos digo,
um de vós me entregará.'
Desconcertados,
os discípulos olhavam uns para os outros,
pois não sabiam de quem Jesus estava falando.
Um deles, a quem Jesus amava,
estava recostado ao lado de Jesus.
Simão Pedro fez-lhe um sinal
para que ele procurasse saber 
de quem Jesus estava falando.
Então, o discípulo,
reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe:
'Senhor, quem é?'
Jesus respondeu:
'É aquele a quem eu der o pedaço de pão
passado no molho.'
Então Jesus molhou um pedaço de pão 
e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.
Depois do pedaço de pão,
Satanás entrou em Judas.
Então Jesus lhe disse:
'O que tens a fazer, executa-o depressa.'
Nenhum dos presentes compreendeu
por que Jesus lhe disse isso.
Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam
que Jesus lhe queria dizer:
'Compra o que precisamos para a festa',
ou que desse alguma coisa aos pobres.
Depois de receber o pedaço de pão,
Judas saiu imediatamente.
Era noite.
Depois que Judas saiu,
disse Jesus:
'Agora foi glorificado o Filho do Homem,
e Deus foi glorificado nele.
Se Deus foi glorificado nele,
também Deus o glorificará em si mesmo,
e o glorificará logo.
Filhinhos, 
por pouco tempo estou ainda convosco.
Vós me procurareis,
e agora vos digo, como eu disse também aos judeus:
'Para onde eu vou, vós não podeis ir'.
Simão Pedro perguntou:
'Senhor, para onde vais?'
Jesus respondeu-lhe:
'Para onde eu vou,
tu não me podes seguir agora,
mas me seguirás mais tarde.'
Pedro disse:
'Senhor, por que não posso seguir-te agora?
Eu darei a minha vida por ti!'
Respondeu Jesus:
'Darás a tua vida por mim?
Em verdade, em verdade te digo:
o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes.'

Palavra da Salvação.

É noite!

Os Evangelhos são extremamente sóbrios a respeito da vida de Jesus. Se olharmos o tamanho deles, para uma vida tão importante, uma vida tão significativa, eles são realmente muito pequenos.

E outro enigma desses Evangelhos, apesar deles serem breves, é que, chegando o momento da paixão, parece que há uma desproporção. Para praticamente dois dias da vida de Jesus, o Evangelho dedica uma parte enorme. Por que isso? Porque desde o início os cristãos ficaram tão preocupados com a morte de Jesus que desceram a pormenores, como vocês podem ver: um galo que canta, o nome do soldado, um corta a orelha. Pormenores mínimos, enquanto outras verdades profundíssimas da vida de Jesus ficaram sem ser relatadas. É que, certamente, a comunidade primitiva ficou totalmente deslocada, perdida, confusa com esse mistério. Como é possível que o Filho de Deus tenha sofrido tanto, tenha chegado a esse nível de extrema humanidade, de carregar no seu corpo tanto sofrimento? Uma pergunta que nós não sabemos responder.

Mas, certamente, apesar da nossa sensibilidade mostrar, de sentirmos compaixão por Jesus e acompanhá-Lo em suas dores, apesar de estarmos mais recolhidos, rezarmos mais – tudo isso é belíssimo - não é esse o sentido da paixão de Jesus. Ele não sofreu para que tivéssemos compaixão por Ele. É o inverso e essa é a maravilha. Antes estávamos nós no sofrimento, estávamos nós perdidos na escuridão dessa noite. Antes, nós sim, estávamos confusos. Ele quando olhou para a humanidade disse: “Pobre humanidade! Não sabem para onde vão, não sabem de onde vieram, não sabem porque sofrem e ficam desesperados”. Muitos se suicidam. Como se matam pessoas entre nós!E Ele disse: “Não vou deixar a humanidade assim tão perdida, não vou deixar a humanidade tão desvairada, não vou deixar a humanidade sem uma luz que a ilumine. Eu vou descer até o extremo do sofrimento e vou dizer: lá no extremo do sofrimento está Deus!”. Esse é o grande mistério: lá no extremo do sofrimento está Deus! Não está a doença, não está o câncer, não está a ausência, não está a morte. Está Deus! Quando vamos a um hospital e vemos tantas pessoas sofrendo, no extremo do sofrimento, não está a medicina, não está o médico, não estão as lágrimas, não está o desespero humano, não está a tristeza – está Deus. Se não fosse para isso, Ele não teria sofrido tanto. Ele quer nos tomar lá em baixo para que possamos subir. Nós somos tão fracos, temos a cabeça tão pequena! Nós não entendemos as coisas. Se eu apenas falasse como eu estou falando, ninguém acreditaria. Se fossem palavras de profetas, também ninguém acreditaria. Nós precisamos ver com os olhos, e Ele quis que víssemos com os olhos. Ele assumiu uma carne palpável, um corpo visível, um rosto captável. Pés que andavam, percorrendo cada canto da Palestina. Ele foi se revelando no modo de olhar, no que dizia, respondendo e agindo. Quando parecia tudo maravilhoso na vida Dele, alguém dizia: “Ah, que vida bonita! Até eu queria ser Jesus, fazendo milagres, transformando água em vinho. Festejando, conversando com Marta, com Maria, acolhendo Madalena. Oh, que coisa maravilhosa! Até eu queria ser Filho de Deus assim”. O povo aclamando-O, montado num jumentinho. As crianças abraçando o altar da Sua existência. Assim valia a pena ser Jesus!

Mas Ele não quis nos dar a ilusão de que o Filho de Deus veio para passear na Terra, fazer um grande piquenique, festejar a sua glória, a sua beleza. Não, Ele veio dar sentido a nossa vida, sabendo que ela passa por momentos difíceis. Ele sabe que todos nós, sem exceção, vamos, algum dia, conhecer uma noite muito escura. E vocês, notem bem que hoje no Evangelho fala-se várias vezes de escuridão.

Talvez o que mais me comova sejam duas palavrinhas. Quando Judas sai do Cenáculo João, o evangelista, diz assim: ‘É noite!’. Nada mais. Não explicou, não precisou dizer mais nada. Olha que noite deveria ser: a noite do coração de Judas, a noite do coração de Jesus, a noite do coração dos colegas, a noite da traição. Quem um dia experimentou a traição sabe que noite é essa. Traição na família, traição do amor de um filho, traição do amor de um esposo. Quem um dia experimentou a traição sabe o que significa a frase: “É noite!”. E Jesus a experimentou. Ele não experimentou a traição de uma mulher porque não era casado, mas experimentou a infidelidade de alguém que era mais que filho. Era escolhido por Ele para segui-Lo ao longo de Sua vida, para ser um grande apóstolo. Seria São Judas, não só o Tadeu, mas Judas Iscariotes, um grande missionário. Não quis. “É noite!”. Quando Ele foi crucificado, dizem os sinóticos que baixou em toda a Terra – claro que é simbólico - uma noite escura. Não foi a noite da ausência de sol. O sol continuou brilhando. Foi o sol da vida que escureceu. O sol de todas as alegrias, o sol de todas as esperanças que pareciam desaparecer para, no dia seguinte, esplendorosamente, romper as trevas definitivas da nossa história.

Só Ele foi capaz de fazer isso. Depois de Jesus, depois que Ele desceu à Terra, nenhum de nós tem direito de revoltar-se e dizer: “Deus, porque fizestes isso comigo?” O Filho mostrou que quando nós estamos no extremo do sofrimento lá está Deus Pai. Por isso a esperança nunca morre, porque toda noite termina na luz da madrugada. Amém.

(Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol. 1)

sexta-feira, 27 de março de 2015

Domingo de Ramos



Esta liturgia do Domingo de Ramos é um misto de glória do Cristo, mas também de sofrimento e humilhação. A liturgia fica assim, um pouquinho sem saber o que fazer. Ela usa uma cor mais viva, tira o roxo, coloca o vermelho. Em contraponto, coloca a leitura da Paixão.

Nós perguntamos: é um dia de alegria, de júbilo, porque Cristo entrou triunfante em Jerusalém, ou é um dia de dor e de tristeza, porque Ele vai morrer na cruz? O que responder a essa pergunta? Essa é a metáfora da nossa vida. Nossa vida é exatamente isso: sempre uma mistura simultânea de momentos de alegria e de tristeza, de festa e de luto. Ao mesmo tempo em que uns povos proclamam suas grandes festas, outros choram seus mortos. Uma família chora seu luto, outra comemora seus aniversários, isso tudo simultaneamente. A liturgia quer captar um pouco nossa vida e mostrar que Jesus quis viver exatamente como nós. Ele quis sentir dentro de si essa divisão profunda que sentimos, de dor e alegria. Ele mesmo não sabia como se comportar. Ele ia aprendendo a ser humano.

Interessante é que não lemos toda a Paixão, mas, num texto longo, há um jogo muito inteligente que Marcos faz. O sumo sacerdote pergunta a Jesus: “Tu és o Filho de Deus?” Jesus responde: “O Filho do Homem aparecerá!” Quando o sacerdote se refere a Jesus como sendo o Filho de Deus, Ele responde como Filho do Homem. Na hora em que aparece o extremo de sua humanidade, com Ele pregado na cruz, o centurião proclama: “Este verdadeiramente é o Filho de Deus!” Esse é o mistério de Jesus. Quando queremos encontrar a divindade de Jesus, é a humanidade que encontramos. Foi um centurião, não o bom ladrão, que descobriu isso. Esse centurião somos nós, que estamos aqui. Marcos não escreve o Evangelho para contar o que aconteceu lá. Ele escreve para a comunidade. 

Quando é que reconhecemos Cristo? Quando Ele andou sobre as águas? Quando entrou triunfante em Jerusalém? Não. Vamos reconhecer que Ele era Filho de Deus, quando deu o grande grito de abandono: “Pai, por que me abandonastes?”, ou quando se entregou no grande grito de sua vida. É nesse momento que a comunidade cristã reconhece: “este Homem só pode ser Filho de Deus!” Quando alguém assume o sofrimento ao extremo é que mostra a sua grandeza. Para ser grande nos triunfos, ser grande nos momentos gloriosos não precisa ser Filho de Deus. Basta ser qualquer chefete deste mundo de hoje. Ser grande na dor, na humilhação, ser aquele Homem nu, ensangüentado, coroado de espinhos, o corpo dilacerado e se revelar Filho de Deus é alguma coisa original demais. Devia passar alguma coisa em Jesus que, naquela hora, a comunidade o reconhecia como Filho de Deus. E por quê?

Deus queria que Ele morresse? Não, claro que não! Qual pai vai querer que seu Filho morra daquela maneira? Qual pai vai querer que seu filho seja humilhado? Claro que não! A única coisa que o Pai queria era que Jesus dissesse para a humanidade que Ele nos amava. Como Ele diria isso, Deus Pai não disse. Poderia ser de outra maneira. Jesus poderia ter aparecido e feito mais milagres ainda, abraçado todas as crianças do mundo. Mas Jesus escolheu esse caminho. Ele só tinha que dizer que Deus gostava da gente. E começou a pensar: “se Deus gosta da humanidade, eu vou viver o bem das pessoas. Mas e se elas forem violentas? Sofrerei a violência. E se elas forem más? Sofrerei a sua maldade. E se elas me perseguirem? Sofrerei a perseguição. E se elas me condenarem? Sofrerei a condenação. E se elas me matarem? Sofrerei a morte”. Ele foi acolhendo cada um de nós e aprendendo, de nós, quem somos. Nós somos isso.

Hoje, na aula de Teologia, perguntavam-me: “podemos acreditar nessa humanidade?” Citava certos elementos ideais, certas perspectivas alegres e, olhando para o que está acontecendo agora, eu me pergunto: o que fizeram com este país? Podemos acreditar na humanidade? Jesus diz: “Podemos, porque, quando eu vivi entre os homens, percebi isso”. Isso não é novidade para Jesus. A nossa realidade não está distante de Deus, pois Ele quis mostrar que nos amava convivendo com as pessoas nas suas situações mais radicais. É assim que a gente ama. 

Essa entrada triunfal não pretende mostrar Jesus como um grande rei. Também o verdadeiro sentido da festa de Cristo Rei, quando muitas pessoas o colocam com uma coroa de ouro, não se refere a esse reinado. Jesus é esse Rei que entra montado num jumentinho, uma espécie de metáfora. Não entrou num carro Rolls-Royce, como os presidentes. Foi num jumentinho simples. Hoje, sabemos que Ele entrou por um canto da cidade, aclamado por um pequeno grupo. A maioria das pessoas sequer soube que Jesus entrou em Jerusalém. Nos cálculos que se faz, São Paulo deveria estar lá. Paulo de Tarso, não era São Paulo, não era discípulo ainda.
Ele deveria estar lá e nem soube. Ele mesmo disse que não conhecera Jesus na carne.

Quem aceita entrar num jumentinho é porque está muito consciente de sua grandeza interior, aquela que transcende aparências, porque brota do mais profundo do seu ser. Amém. (12.04.03)

Um outro olhar, vol. 3 - Pe. João Batista Libânio, sj
As homilias podem ser consultadas em: jblibanio.org.br

Acompanhe também a reflexão do Frei Gustavo Medella para este Domingo de Ramos.


quinta-feira, 26 de março de 2015

Papa Francisco reza pela família em Audiência Geral



Nesta quarta-feira, dia 25 de março, a Audiência Geral, realizada pelo Papa Francisco, foi dedicada à Solenidade da Anunciação do Senhor, num pedido especial de oração pelas famílias e pelo Sínodo das Famílias. Acompanhe:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No nosso caminho das catequeses sobre a família, hoje temos uma etapa um pouco especial: será um momento de oração.

De fato, no dia 25 de março a Igreja celebra solenemente a Anunciação, início do mistério da Encarnação. O Arcanjo Gabriel visitou a jovem humilde de Nazaré e anunciou-lhe que teria concebido e dado à luz o Filho de Deus. Com este anúncio o Senhor ilumina e fortalece a fé de Maria, como depois fará também para o seu esposo José, a fim de que Jesus possa nascer numa família humana. Isto é muito bonito: mostra-nos como o mistério da Encarnação, tal como Deus o desejou, abrange de modo profundo não só a concepção no ventre da mãe mas também o acolhimento numa família verdadeira. Hoje gostaria de contemplar convosco a beleza deste vínculo, a beleza desta condescendência de Deus; e podemos fazê-lo recitando juntos a Ave-Maria, que na primeira parte retoma precisamente as palavras do Anjo, as que dirigiu à Virgem. Convido-vos a rezarmos juntos:

«Ave, Maria, cheia de graça,
o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres,
bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós pecadores
agora e na hora da nossa morte.
Amém».

E agora, um segundo aspecto: a 25 de março, solenidade da Anunciação, celebra-se em muitos países o Dia pela Vida. Por isso, há vinte anos, são João Paulo II nesta data assinou a Encíclica Evangelium vitae. Para recordar tal aniversário hoje estão presentes na praça muitos adeptos do Movimento pela Vida. Na Evangelium Vitae a família ocupa um lugar central, enquanto é o ventre da vida humana. A palavra do meu venerado Predecessor recorda-nos que o casal humano foi abençoado por Deus desde o princípio para formar uma comunidade de amor e de vida, à qual está confiada a missão da procriação. Os esposos cristãos, celebrando o sacramento do Matrimônio, tornam-se disponíveis a honrar esta bênção, com a graça de Cristo, por toda a vida. A Igreja, por sua vez, compromete-se solenemente a ocupar-se da família que nasce dele, como dom de Deus para a sua própria vida, na alegria e na tristeza: o vínculo entre Igreja e família é sagrado e inviolável. A Igreja, como mãe, nunca abandona a família, inclusive quando ela é aviltada, ferida e mortificada de muitos modos. Nem quando incorre no pecado, ou se afasta da Igreja; fará sempre de tudo para procurar curá-la, convidá-la à conversão e reconciliá-la com o Senhor.

Pois bem, se esta é a tarefa, é evidente que a Igreja tem necessidade de muita oração para ser capaz, em todos os tempos, de cumprir esta missão! Uma oração cheia de amor pela família e pela vida. Uma oração que saiba rejubilar com quem se alegra e com quem sofre.

Eis então que, juntamente com os meus colaboradores, pensamos propor hoje: renovar a oração para o Sínodo dos Bispos sobre a família. Relançamos este compromisso até outubro próximo, quando terá lugar a Assembleia sinodal ordinária dedicada à família. Gostaria que esta oração, assim como todo o caminho sinodal, fosse animada pela compaixão do Bom Pastor pelo seu rebanho, especialmente pelas pessoas e famílias que por vários motivos estão «cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor» (Mt 9, 36). Desta forma, apoiada e animada pela graça de Deus, a Igreja poderá comprometer-se e estar ainda mais unida, no testemunho da verdade, do amor de Deus e da sua misericórdia pelas famílias do mundo, sem excluir nenhuma, tanto fora quanto dentro do redil.

Peço-vos por favor que não façais faltar a vossa oração. Todos — Papa, Cardeais, Bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis leigos — todos estamos chamados a orar pelo Sínodo. Disto temos necessidade, não de mexericos! Convido a rezar também quantos se sentem distantes ou não estão acostumados a fazê-lo. Esta oração pelo Sínodo sobre a família é para o bem de todos. Sei que esta manhã recebestes uma pequena imagem. Exorto-vos a conservá-la e a levá-la convosco, para que possais recitá-la com frequência nos próximos meses, com santa insistência, como nos pediu Jesus. Agora, recitemo-la juntos:

Jesus, Maria e José,
Em vós, contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,
a Vós, com confiança, nos dirigimos.

Sagrada Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias
lugares de comunhão
e cenáculos de oração,
escolas autênticas do Evangelho
e pequenas Igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré,
que nunca mais se faça,
nas famílias,
experiência de violência, 
egoísmo e divisão:
quem ficou ferido ou escandalizado
depressa conheça consolação e cura.

Sagrada Família de Nazaré,
o próximo Sínodo dos Bispos 
possa despertar, em todos,
a consciência 
do carácter sagrado 
e inviolável da família,
a sua beleza no projeto de Deus.

Jesus, Maria e José,
escutai, atendei a nossa súplica. Amém.

Fonte: Site do Vaticano

Frei Douglas é ordenado diácono em Concórdia


Por João Manoel Zechinatto

Concórdia (SC) – Na véspera da solenidade da Anunciação do Senhor foi conferida a Frei Douglas Paulo Machado, por imposição das mãos de Dom Frei Mário Marquez, OFMCap, Bispo da Diocese de Joaçaba, a sagrada Ordem do diaconato. A celebração, que teve início às 19 horas, foi realizada na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Concórdia, no Oeste Catarinense. Representando o Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, o Definidor Frei Evandro Balestrin, que é também pároco e guardião da Fraternidade local, acolheu os confrades e sacerdotes presentes, em particular, o pároco da Paróquia de origem de Frei Douglas, Pe. Kelvin B. Konz, e vários amigos e familiares que vieram de São José (SC) para participar desta solene celebração.

A Igreja Matriz de Concórdia ficou cheia para celebrar esse momento tão especial da Província Franciscana da Imaculada Conceição, que acolhe esse novo diácono. O ordenando, que terminou os estudos da Teologia no final do ano passado, veio em sua primeira transferência para Concórdia, há menos de três meses.

Frei Douglas teve ao seu lado sua mãe, Dilma Machado, que permaneceu com o filho até a liturgia da Palavra, quando iniciou-se o rito de ordenação. Padre Kelvin, que fez às vezes do diácono, o chamou para ser apresentado diante do Bispo. Frei Evandro testemunhou em seu favor, lembrando o parecer dos formadores e das comunidades onde ele fez seus estágios pastorais.




Partindo do Evangelho da Anunciação, Dom Mário recordou a todos os presentes o sentido do anúncio do anjo como o olhar da graça de Deus que recobre a todos. O sim que Maria deu nada mais é do que se recobrir da graça que faz maravilhas. Ao se dirigir a Frei Douglas, o bispo destacou que o sim da vocação deve ser como o da Virgem Maria, sempre disponível ao serviço. O diácono enquanto servidor é sinal expressivo da missão evangélica tal qual na frase que resume nossa missão e vocação: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a vossa palavra!” E encerrou sua homilia ressaltando o sentido profundo do lema de ordenação que Frei Douglas escolheu: “Eis que venho fazer com prazer, a vossa vontade, Senhor!” Há sempre muitas coisas a serem feitas na missão do Reino, mas só as faz com prazer aquele que compreende o desígnio maior que o próprio Altíssimo lhe comunica através de seu Espírito.

Após a homilia, o rito continuou com o propósito do eleito. Em seguida, foi cantada a Ladainha de todos os Santos, quando Frei Douglas prostrou-se, em sinal de sua entrega total a Deus. Veio, então, o momento central da Ordenação com a imposição das mãos e a Prece de Ordenação. Em seguida, a vestição com a Dalmática e a estola; e a entrega do Evangeliário. Frei Douglas recebeu em seguida os cumprimentos de Dom Mário, dos confrades e sacerdotes e, por último, deu o abraço a sua mãe.

No final da celebração, Frei Douglas agradeceu a todos que contribuíram para sua formação religiosa franciscana, em especial à Província Franciscana da Imaculada Conceição, que o acolheu em todos esses anos de estudos e formação. Por fim, agradeceu a todos que ajudaram e colaboraram para o bom andamento da celebração.




















quarta-feira, 25 de março de 2015

25 de março: Anunciação do Senhor


A visita do Arcanjo Gabriel à Virgem Maria, quando esta se encontrava em Nazaré, cidade da Galiléia, marca o início de toda uma trajetória que cumpriria as profecias do Velho Testamento e daria ao mundo um novo caminho, trazendo à luz a Boa Nova. Ali nasceu também a oração que a partir daquele instante estaria para sempre na boca e no coração de todos os católicos: a Ave Maria.

Maria era uma jovem simples, noiva de José, um carpinteiro descendente direto da linhagem da casa de Davi. A cerimônia do matrimônio daquele tempo, entretanto, estabelecia que os noivos só teriam o contato carnal da consumação depois de um ano das núpcias. Maria, portanto, era virgem.

Maria perturbou-se ao receber do anjo o aviso que fora escolhida para dar a luz ao Filho de Deus, a quem deveria dar o nome de Jesus, e que Ele era enviado para salvar a Humanidade e cujo Reino seria eterno. Sim porque Deus, que na origem do Mundo Criou todas as coisas com sua Palavra, desta vez escolheu depender da palavra de um frágil ser humana, a Virgem Maria, para poder realizar a Encarnação do Redentor da Humanidade. 

Ela aceitou sua parte na missão que lhe fora solicitada, demonstrando toda confiança em Deus e em Seus desígnios, para o cumprimento dessa profecia e mostrou porque foi ela a escolhida para ser Instrumento Divino nos acontecimentos que iriam mudar o destino da Humanidade. 

Ao perguntar como poderia ficar grávida, se não conhecia homem algum e receber de Gabriel a explicação de que seria fecundada pelo Espírito Santo, por graças do Criador, sua resposta foi tão simples como sua vida e sua fé: "Sou a serva do Senhor. Faça-se segundo a Sua vontade".

Com esta resposta, pelo seu consentimento, Maria aceitou a dignidade e a honra da maternidade divina, mas ao mesmo tempo também os sofrimentos, os sacrifícios que a ela estavam ligados. Declarou-se pronta a cumprir a vontade de Deus em tudo como sua serva. Era como um voto de vítima e de abandono. Esta disposição é a mais perfeita, é a fonte dos maiores méritos e das melhores graças. O momento da Anunciação, onde se dá a criação, na pessoa de Maria como a Mãe de Deus, que acolhe a divindade em si mesma, contém em si toda a eternidade e, nesta, toda a plenitude dos tempos.

Por isso a data de hoje marca e festeja este evento que se trata de um dos mistérios mais sublimes e importantes da História do homem na Terra: a chegada do Messias, profetizada séculos antes no Antigo Testamento. Episódio que está narrado em várias passagens importantes do Novo Testamento. 

A festa da Anunciação do Anjo à Virgem Maria, Lc 1,26-38, é comemorada desde o Século V, no Oriente e a partir do Século VI, no Ocidente, nove meses antes do Natal, só é transferida quando coincide com a Semana Santa.

O sacramento da nossa reconciliação

Das Cartas de São Leão Magno, papa  (Epist. 28, ad Flavianum, 4: PL 54,763-767, séc.V)

A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza, pela força, a mortalidade, pela eternidade. Para saldar a dívida de nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à natureza passível. Deste modo, como convinha à nossa recuperação, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-se à morte através de sua natureza humana e permanecer imune em sua natureza divina.

Por conseguinte, numa natureza perfeita e integral de verdadeiro homem, nasceu o verdadeiro Deus, perfeito na sua divindade, perfeito na nossa humanidade. Por “nossa humanidade” queremos significar a natureza que o Criador desde o início formou em nós, e que assumiu para renová-la. Mas daquelas coisas que o Sedutor trouxe, e o homem enganado aceitou, não há nenhum vestígio no Salvador; nem pelo fato de se ter irmanado na comunhão da fragilidade humana, tornou-se participante dos nossos delitos.

Assumiu a condição de escravo, sem mancha de pecado, engrandecendo o humano, sem diminuir o divino. Porque o aniquilamento, pelo qual o invisível se tornou visível, e o Criador de tudo quis ser um dos mortais, foi uma condescendência da sua misericórdia, não uma falha do seu poder. Por conseguinte, aquele que, na sua condição divina se fez homem, assumindo a condição de escravo, se fez homem.

Entrou, portanto, o Filho de Deus neste mundo tão pequeno, descendo do trono celeste, mas sem deixar a glória do Pai; é gerado e nasce de modo totalmente novo. De modo novo porque, sendo invisível em si mesmo, torna-se visível como nós; incompreensível, quis ser compreendido;existindo antes dos tempos, começou a existir no tempo. O Senhor do universo assume a condição de escravo, envolvendo em sombra a imensidão de sua majestade; o Deus impassível não recusou ser homem passível, o imortal submeteu-se às leis da morte.

Aquele que é verdadeiro Deus, é também verdadeiro homem; e nesta unidade nada há de falso, porque nele é perfeita respectivamente tanto a humanidade do homem como a grandeza de Deus.

Nem Deus sofre mudança com esta condescendência da sua misericórdia nem o homem é destruído com sua elevação a tão alta dignidade. Cada natureza realiza, em comunhão com a outra, aquilo que lhe é próprio: o Verbo realiza o que é próprio do Verbo, e a carne realiza o que é próprio da carne.

A natureza divina resplandece nos milagres, a humana, sucumbe aos sofrimentos. E como o Verbo não renuncia à igualdade da glória do Pai, também a carne não deixa a natureza de nossa raça.


É um só e o mesmo – não nos cansaremos de repetir – verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro Filho do homem. É Deus, porque no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus: e o Verbo era Deus. É homem, porque o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,1.14).

terça-feira, 24 de março de 2015

Dom Oscar Romero


Oscar Arnulfo Romero Y Gadamez nasceu em 15 de agosto de 1917, em Ciudad Barrios, em El Salvador. Sua família era numerosa e pobre. Quando criança, sua saúde inspirava cuidados. Com apenas 13 anos entrou no seminário. Foi para Roma completar o curso de teologia com 20 anos e se ordenou sacerdote, em 1943.

Retornou a El Salvador, na função de pároco. Era um sacerdote generoso e atuante: visitava os doentes, lecionava religião nas escolas, foi capelão do presídio; os pobres carentes faziam fila na porta de sua casa paroquial, pedindo e recebendo ajuda. Durante 26 anos, na função de vigário, padre Oscar Romero conheceu a miséria profunda que assolava seu pequeno país.

A maioria dos países sul-americana vivia duras experiências de ditaduras militares, na década de 1970. Também para El Salvador era um período de grandes conflitos. Em 1977, padre Oscar Romero foi nomeado Arcebispo de El Salvador, chegando à capital com fama de conservador. No fundo era um homem do povo, simples, de profunda sensibilidade para com os sofrimentos da maioria, de firme perspicácia aliada à coragem de decisão.

Em 1979, o presidente do país foi deposto pelo golpe militar. A ditadura se instalou no país e, pouco a pouco, se acirrou a violência. Reinou o caos político, econômico e institucional no país. De janeiro a março de 1980 foram assassinados 1015 salvadorenhos. Os responsáveis pertenciam às forças de segurança e às organizações conservadoras do regime militar instalado no país.

Nessa ocasião, dois sacerdotes foram assassinados violentamente por defenderem os camponeses, que foram pedir abrigo em suas paróquias. Dom Romero teve que se posicionar e, de pronto, se colocou no meio do conflito. Não para aumentá-lo, mas para ajudar a resolvê-lo. Esta atitude revelou o quando sua espiritualidade foi realista e o seu coração, sereno e obediente ao Evangelho.

No dia 24 de março de 1980, Dom Romero foi fuzilado, em meio aos doentes de câncer e enfermeiros, enquanto celebrava uma missa na capela do Hospital da Divina Providência, na capital de El Salvador.

Sua ação pastoral visava ao entendimento mútuo entre os salvadorenhos. Criticava duramente tanto a inércia do governo, as interferências estrangeiras, como as injustiças praticadas pelos grupos “revolucionários”. O Arcebispo Dom Oscar Arnulfo Romero foi fiel a Igreja, e pagou com a vida o preço de ser discípulo de Cristo. O seu nome foi incluído na relação dos 1015 salvadorenhos que foram assassinados, em 1980.

Em fevereiro deste ano o Papa Francisco aprovou a beatificação de Dom Oscar Romero.

Dom Oscar Romero nas palavras do Pontífice:

“O mundo mudou muito desde aquele longínquo 1980, mas o pastor de um pequeno país da América Central fala mais forte. Não deixa de ser significativo que sua beatificação tenha lugar enquanto na cátedra de Pedro está, pela primeira vez na história, um papa latino-americano, que quer uma ‘Igreja pobre para os pobres’.”

Dom Oscar Romero nas palavras do amigo Dom Pedro Casaldáliga, bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia:

SÃO ROMERO DE AMÉRICA PASTOR E MÁRTIR

O anjo do Senhor anunciou na véspera…
O coração de El Salvador marcava
24 de março e de agonia
Tu ofertavas o Pão,
O Corpo Vivo
– o triturado Corpo de teu Povo:
Seu derramado Sangue vitoriosa
– O sangue “campesino” de teu Povo em massacre
que há de tingir em vinhos e alegria a Aurora conjurada!
O anjo do Senhor anunciou na véspera
e o verbo se fez morte, outra vez, em tua morte.
Como se faz morte, cada dia, na carne desnuda de teu Povo.
E se fez vida Nova
Em nossa velha Igreja!
Estamos outra vez em pé de Testemunho,
São Romero de América, pastor e mártir nosso!
Romero de uma Paz quase impossível, nesta Terra em guerra.
Romero em roxa flor morada da Esperança incólume de todo Continente
Romero desta Páscoa latino-americana.
Pobre pastor glorioso,
assassinado a soldo,
a dólar
a divisa.
Como Jesus, por ordem de Império.
Pobre pastor glorioso,
abandonado
por teus próprios irmãos de Báculo e de Mesa.
(As Cúrias não podiam entender-te:
Nenhuma Sinagoga bem montada pode entender a Cristo)
Tua pobreza sim te acompanha,
em desespero fiel,
pastor e rebanho, a um tempo, de tua missão profética.
O Povo te fez santo.
A hora do teu Povo te consagrou no “Kairós”.
Os Pobres te ensinaram a ler o Evangelho.
Como um Irmão
ferido
por tanta morte irmã,
tu sabias chorar, a sós, no Horto.
Sabias ter medo, como um homem em combate.
Porém sabias dar a tua palavra,
livre,
o seu timbre de sino.
E soubeste beber
O duplo cálice
do Altar e do Povo
com essa mesma mão consagrada ao Serviço.
América Latina já te elevou à glória de Bernini
– na espuma-auréola de seus mares,
no retábulo antigo de seus Andes,
no dossel irado de todas suas florestas,
na cantiga de todos seus caminhos,
no calvário novo de todos os seus cárceres,
de todas suas trincheiras
de todos seus altares…
na ara garantida do coração insone de seus filhos!
São Romero de América, pastor e mártir nosso,
ninguém
há de calar
tua última Homilia!

domingo, 22 de março de 2015

22 de março - Dia Mundial da Água




Neste domingo, dia 22 de março, se comemora o Dia Mundial da Água. Neste ano, o tema é Água e Desenvolvimento Sustentável. Em todo o mundo haverá debates, oficinas e diversos espaços para tratar este assunto tão importante.

O Dia Mundial da Água foi criado em 1993, pela Organização das Nações Unidas (ONU), preocupados com o tema. Atualmente mais de 40% da população mundial sobre com escassez de água.

O Brasil sofre atualmente as consequências da falta d'água. Em grandes estados, como São Paulo, cidades inteiras sofrem com a falta d'água nos reservatórios, a seca dos rios e dos mananciais. Mas o problema já é recorrente em outras regiões, como o Nordeste do país, que sofre há décadas com a falta d'água.

A água é também, para os cristãos, símbolo muito importante, presente nos sacramentos e na Eucaristia. A Bíblia está repleta de passagens relacionadas à água. A vida pública de Jesus também. No Batismo de Jesus, Bodas de Caná, no encontro com a Samaritana, até em sua morte, quando jorra do lado aberto de Jesus sangue e água.

Gesto concreto

Diante da grande crise enfrentada, muitos de nós mudamos nossa rotina em relação ao consumo de água. Este uso consciente, além de gerar benefícios para o meio ambiente, nos ajuda na relação com a criação e com o próximo.

Algumas dicas podem nos ajudar:

- Feche bem as torneiras após o uso. A torneira aberta durante 1 minuto gasta 3 litros de água.
- Feche a torneira enquanto escova os dentes ou faz a barba. Uma torneira gotejando gasta 46 litros de água/dia; um filete desperdiça de 180 a 750 litros/dia; e uma torneira jorrando gasta de 25 mil a 45 mil litros/dia.
- Desligue o chuveiro para se ensaboar e reabra para se enxaguar. Evite banhos demorados. O chuveiro aberto durante 15 minutos gasta 60 litros de água.
- Antes de lavar a louça, remova restos de comida dos pratos e das panelas, ensaboe, e só abra a torneira para o enxagüe.
- Não lave calçadas e carros. As calçadas podem ser varridas, e os carros podem ser limpos com um pano seco. Deixe a água para o que é necessário.
- Molhe plantas e jardins ao entardecer ou amanhecer. Isso evita a evaporação rápida da água. E utilize regador em vez de mangueira.
- Evite que as crianças brinquem de tomar banho com mangueira.
- Fique atento aos vazamentos em pias, chuveiros e vasos sanitários.
- Faça o reuso da água. A água da máquina de lavar pode servir para limpar o chão e dar a descarga. Muitas pessoas estão inclusive reutilizando a água que cai durante o banho para usar na descarga.

- Toda economia é importante! Não basta contar apenas com a chuva e com as providências dos governos estaduais e federal. O uso consciente da água é responsabilidade de cada um!

sexta-feira, 20 de março de 2015

5º domingo da Quaresma


1ª Leitura: Jr 31,31-34
2ª Leitura: Hb 5, 7-9
Evangelho: Jo 12,20-33

Comentário:

“Dias virão”: esta expressão, no A.T., muitas vezes soa como uma ameaça. Hoje, porém, anuncia uma promessa das mais carinhosas: uma nova Aliança (1ª leitura). A antiga tinha sido rompida demasiadas vezes. Deus recorre ao último recurso: uma nova… Será diferente da anterior. A Lei não mais estará escrita em tábuas ou em rolos, mas no coração de cada um. E não mais precisarão de mestre, pois todos conhecerão Deus. Deus os toma para si, esquecendo seus pecados.

O evangelho nos apresenta Jesus Cristo como cumprimento desta promessa. Veio a “hora”, hora de “glorificação”. Glorificação de Cristo pelo Pai, do Pai por Cristo (Jo 12, 23, 28; cf. 13, 31; 17). Pois a glória é o atributo mais próprio de Deus. Sem sua vontade, não há glória para o Cristo. Esta vontade manifesta-se, de modo dramático, numa antecipação da agonia de Jesus: “Salva-me desta hora, Pai!” A 2ª leitura, Hb 5, comenta esse momento, na conclusão de sua exposição referente a Jesus Cristo, Sumo Sacerdote e Mediador: aquele que participa em tudo de nossa condição humana, menos no pecado. Participa do abismo da agonia. Grita a Deus entre lágrimas, e é por ele ouvido, tirado, não da morte, mas da angústia da morte, porque se sabe na mão de Deus: eis o que ele “aprendeu”. Assim também em Jo: na hora da completa angústia, Jesus reconhece a vontade de Deus, não como algo terrível, mas como glória, ou seja, o íntimo de Deus revelando-se no amor de seu Filho para os seus: “Pai, glorifica teu nome” (12,28). Também nossa vocação, na Nova Aliança, é: conhecer Deus de perto (cf. 1ª leitura), do modo como o aprendeu Jesus (2ª leitura e evangelho).

O tema da aprendizagem divina é comentado na aclamação ao evangelho, o Miserere (Sl 51 [50]), inspirado em Jr 31: pede um coração novo, um espírito puro. Exprime com acerto a aspiração que animou o “tempo de quarenta dias”, que vai para o fim. Só falta ainda a etapa final da aprendizagem (de Cristo e de nós): a morte na cruz.
Conhecer Deus, seu modo de ser e de agir: “Se o grão de trigo não morre na terra, fica só; mas se morre, produz muito fruto”. Os exemplos da “lei do grão de trigo” são muitos, em nossos dias, na América Latina. Pois não foi só para Jesus que ela valeu. “Quem quer servir-me, siga-me, e onde eu estiver, ele também estará, e meu Pai o honrará” (12,26) (aclamação ao evangelho).

O homem moderno talvez se revolte diante desta temática: tal Deus é um opressor! Seria, se não fosse ele mesmo o primeiro envolvido, pois se trata de seu Filho. O que o Filho aprende é o que Deus é. Deus o “atende”, comungando com ele, na mútua comunicação da glória (Jo 12,28), vitória sobre o príncipe deste mundo (Jo 12,31). Também isso acontecerá – e já deveria estar acontecendo – conosco: comungar com o mais intimo de Deus na nossa total doação aos seus filhos, vencendo o mal que os oprime.

No 1° domingo da Quaresma esboçou-se a luta de Jesus contra o poder do mal. Hoje, ao aproximar-nos da Semana Santa, descobrimos a arma com a qual Jesus venceu seu adversário: a obediência no amor até o fim.

Mensagem:

A 1ª leitura deste domingo contém uma das promessas mais carinhosas do Antigo Testamento: a promessa de uma “nova aliança”. A antiga tinha sido rompida demasiada vezes. Ficou gasta. Deus vai recorrer ao último recurso: uma nova aliança, diferente da anterior. A Lei não estará mais escrita em tábuas de pedra ou em rolos de papel, como os dos escribas. Estará inscrita no coração de cada um. Ninguém precisará ainda de mestre! Todos conhecerão Deus, e Deus os acolherá, esquecendo seus pecados.

O evangelho nos propõe Jesus Cristo como cumprimento dessa promessa. Chegou a “hora” – hora da glorificação de Cristo pelo Pai e do Pai por Cristo (Jo 12,23.28; cf. 13,31; 17,1…). A “glória” é o mais próprio ser de Deus. Sem a vontade de Deus, não há glória para Jesus. E esta vontade manifesta-se, de modo dramático, numa antecipação da agonia de Jesus: “Salva-me desta hora”.

A 2ª leitura, da Epístola aos Hebreus, fala no mesmo sentido. Anteriormente, a carta expôs que Jesus substitui as grandes instituições de Israel: ele é o sumo sacerdote no lugar de Aarão, o mediador no lugar de Moisés. Para tanto, ele participa em tudo de nossa condição humana, exceto o pecado. Participa da agonia. Grita a Deus entre lágrimas, e é ouvido pelo Pai. Este o tira, não da morte, mas da angústia. Jesus sabe que Deus está com ele, ele o “aprendeu” (Hb 5,8). Assim, no evangelho, na hora da angústia (12,27: “Pai, salva-me desta hora”), Jesus reconhece a vontade de Deus não como algo terrível, mas como glória, ou seja, como o íntimo de Deus, revelando-se no amor de seu Filho para todos: “Pai, glorifica teu nome” (12,28). Também nossa vocação na “nova Aliança” é: conhecer Deus de perto, do modo como Jesus o aprendeu.

"Se o grão de trigo não morrer na terra, fica só, mas se morre, produz muito fruto” (Jô 12,24). É a “lei do grão do trigo”, o modo de agir de Deus, a instrução da Aliança definitivamente renovada. Deus sabe que o endurecimento só é vencido pela vítima. Quando o adversário a quer abafar, a verdade do amor se afirma. É a força da flor sem defesa. A justiça se vê afirmada e vencedora na hora em que a violência a quer suprimir. Os exemplos da “lei do grão de trigo” são muitos em nosso mundo e na América Latina, terra de justos martirizados pelos que se dizem cristãos. Pois essa lei vale não só para Jesus, mas também para seus seguidores: “Quem quer servir-me, siga-me, e onde estiver eu, estará também aquele que me serve, e meu Pai o honrará”(12,16).

Eis a aprendizagem da nova Aliança, da “lei”, da instrução inscrita em nosso coração. Não é extrínseca, imposta de fora. Faz parte de nosso ser cristão, de nosso ser participante da vida de Cristo. Essa instrução, como a ação escondida do grão na terra, frutificará em nossas atitudes políticas, culturais, humanitárias. Seremos capazes de “morrer” em relação aos nossos proveitos imediatos, a fim de que brote aquilo que, profundamente, sabemos ser verdadeiro e justo?

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

Acompanhe a reflexão de Frei Gustavo Medella, OFM para este domingo:


quinta-feira, 19 de março de 2015

Papa Francisco fala a respeito das crianças em Audiência Geral


Milhares de pessoas participaram na manhã desta quarta-feira, 18, da audiência geral. O sol reapareceu após dias de chuva e o público lotou a Praça São Pedro para ver o Papa e ouvir suas palavras. Depois do tradicional giro de jipe para cumprimentar os fiéis de perto, Francisco se dirigiu ao adro diante da Basílica para proferir a catequese, anunciando seu tema: ‘as crianças, dom para a Humanidade’. E acrescentou, improvisando: “São também as grandes excluídas, pois às vezes nem as fazem nascer”.

Atenção da sociedade às crianças

“Uma sociedade se julga pelo modo em que trata suas crianças, se é livre ou escrava de interesses internacionais”, iniciou o Papa, afirmando que “Deus não tem dificuldade em se explicar às crianças, e elas não têm problemas em entender Deus”. Francisco explicou que o termo ‘pequenos’ indica todas as pessoas que dependem da ajuda e dos cuidados de outros, e citou dois trechos do Evangelho de Mateus que ilustram como as crianças são “uma riqueza para a humanidade e para a Igreja”.
“Elas nos lembram constantemente que a condição necessária para ingressar no Reino de Deus é não se considerar autossuficientes, mas sempre necessitados de ajuda, de amor e de perdão; todos precisamos disto”.

Todos somos filhos

O Pontífice tocou ainda outro ponto: “as crianças nos recordam que somos sempre filhos”, independentemente de nossa idade, de nossa situação, de nossa condição social; somos sempre “radicalmente dependentes”, visto que nós não “nos demos a vida, mas a recebemos. O grande dom da vida é o primeiro presente que recebemos”.
Dentre as riquezas que as crianças oferecem à Humanidade, Francisco citou “o seu modo de ver a realidade, com confiança e pureza”: elas confiam sempre, espontaneamente, na mãe e no pai, em Jesus e Maria, pois dentro de si não são ainda contaminadas, não são ‘calejadas’, não têm o coração endurecido. “As crianças guardam pureza e simplicidade interior”, disse o Papa, completando. “As crianças não são diplomáticas. Dizem o que sentem e veem, não têm duas ‘caras’”.

A ternura infantil

Além disso, as crianças são portadoras da capacidade de receber e de dar ternura: ternura é ter um coração de carne e não de pedra; é poesia, é ‘sentir’ as coisas e os eventos e não tratá-los como simples objetos a serem usados.

Falsidade dos adultos

Crianças também possuem a capacidade de sorrir e de chorar. “Algumas, quando me veem sorriem; outras choram, porque pensam que eu, vestido de branco, sou o médico que veio para lhes dar a vacina. Nós adultos temos que aprender de novo a sorrir e a chorar, e a nos questionar sobre isso. São duas coisas que nos ‘paralisam’”.
Então, prosseguiu o Papa, “é por isso que Jesus nos convida a sermos como crianças, porque “o Reino dos céus é delas e de quem se parece com elas”. Concluindo, Francisco deduziu que “as crianças trazem alegria, esperança; certamente acarretam preocupações e por vezes, problemas, mas é melhor uma sociedade preocupada e problemática do que uma sociedade triste e cinzenta, sem crianças!”.
“Quando vemos que o índice de natalidade de uma sociedade é de 1%, significa que ela é triste e cinza”, terminou.


quarta-feira, 18 de março de 2015

19 de março - São José


Hoje, dia 19 de março, a Igreja celebra São José, pai adotivode Jesus e padroeiro da Igreja.

É um santo de enorme devoção, em várias partes do mundo. No Brasil, não faltam cidades e igrejas dedicadas ao santo. Existe o costume de rezar a novena de São José, e também realizar simpatias, dentro da crença popular.

Não existem dados concretos a respeito da vida de São José, apenas por aquilo que acompanhamos nos Evangelhos, sobretudo em Mateus e Lucas.

Após a passagem da Páscoa em Jerusalém, quando José e Maria não encontram Jesus e voltam para Jerusalém, e o menino, então aos 12 anos, estava ensinando no Templo, não há mais nenhuma referência a São José nos Evangelhos. 

Certamente São José teve grande influência na vida oculta de Jesus. Ensinando seu ofício, cuidando da casa e da educação de Jesus.

Uma das passagens de São José, retratada por muitos artistas, é quando São José é avisado em sonho que Maria, sua futura esposa estava grávida, e que ele deveria então acolhê-la, porque ela de fato estava grávida pela ação do Espírito Santo. José, um homem bom e justo, tinha então a intenção de abandonar Maria, mas sem que ninguém soubesse.

A seguir você acompanha as palavras do Papa Francisco, durante a Audiência Geral realizada em 2014, no dia de São José.

Que São José, padroeiro da Igreja, abençoe sobretudo aos pais e aos trabalhadores! Que São José interceda por todos nós!

"Olhemos para José como o modelo do educador, que protege e acompanha Jesus no seu caminho de crescimento, «em sabedoria, idade e graça», como reza o Evangelho de Lucas (2, 52). Ele era o pai de Jesus: o pai de Jesus era Deus, mas ele desempenhava o papel de pai de Jesus, era pai de Jesus para o fazer crescer. E como o fez crescer? Em sabedoria, idade e graça. E podemos procurar utilizar precisamente estas três palavras — sabedoria, idade e graça — como uma base para a nossa reflexão.

Comecemos pela idade, que constitui a dimensão mais natural, o crescimento físico e psicológico. Juntamente com Maria, José cuidava de Jesus antes de tudo a partir deste ponto de vista, ou seja, «criou-o», preocupando-se a fim de que não lhe faltasse o necessário para um desenvolvimento sadio. Não esqueçamos que a tutela cheia de esmero da vida do Menino comportou também a fuga para o Egito, a dura experiência de viver como refugiados — José foi um refugiado, juntamente com Maria e Jesus — para fugir da ameaça de Herodes. Depois, quando voltaram para a pátria, estabelecendo-se em Nazaré, há outro período da vida escondida de Jesus na sua família, no seio da Sagrada Família. Naqueles anos, José ensinou a Jesus também o seu trabalho, e Jesus aprendeu a profissão de carpinteiro, juntamente com o seu pai José. Foi assim que José educou Jesus, a tal ponto que, quando era adulto, lhe chamavam «o filho do carpinteiro» (Mt 13, 55).

Passemos à segunda dimensão da educação de Jesus, a da «sabedoria». Diz a Escritura que o princípio da sabedoria é o temor do Senhor (cf. Pr 1, 7; Eclo 1, 14). Temor não tanto no sentido de medo, mas de respeito sagrado, de adoração e de obediência à sua vontade, que procura sempre o nosso bem. José foi para Jesus exemplo e mestre desta sabedoria, que se alimenta da Palavra de Deus. Podemos pensar no modo como José educou o pequeno Jesus a ouvir as Sagradas Escrituras, principalmente acompanhando-o aos sábados à sinagoga de Nazaré. E José acompanhava-o para que Jesus ouvisse a Palavra de Deus na sinagoga. E a prova da escuta profunda de Jesus em relação a Deus, José e Maria tiveram-na — de uma maneira que os surpreendeu — quando ele, com doze anos, permaneceu no templo de Jerusalém sem que eles o soubessem; e encontraram-no depois de três dias, enquanto dialogava com os doutores da lei, os quais ficaram admirados com a sua sabedoria. Eis: Jesus está repleto de sabedoria, porque é o Filho de Deus, mas o Pai celeste valeu-se da colaboração de são José, a fim de que o seu Filho pudesse crescer «cheio de sabedoria» (Lc 2, 40).

E por fim, a dimensão da «graça». Diz ainda são Lucas, referindo-se a Jesus: «A graça de Deus estava sobre Ele» (2, 40). Aqui, certamente a parte reservada a são José é mais limitada do que aos âmbitos da idade e da sabedoria. Todavia, seria um erro grave pensar que um pai e uma mãe nada podem fazer para educar os filhos a crescer na graça de Deus. Crescer em idade, crescer em sabedoria, crescer em graça: este é o trabalho que José levou a cabo em relação a Jesus: fazê-lo crescer nestas três dimensões, ajudá-lo a crescer. José fê-lo de um modo verdadeiramente único, insuperável. Com efeito, ele tinha desposado a mulher «cheia de graça» (Lc 1, 28), e sabia bem que Jesus tinha sido concebido por obra do Espírito Santo. Portanto, neste campo da graça, a sua obra educativa consistia em secundar a obra do Espírito no coração e na vida de Jesus, em sintonia com Nossa Senhora. Este âmbito educativo é o mais específico da fé, da oração, da adoração e da aceitação da vontade de Deus e do seu desígnio. Também e sobretudo nesta dimensão da graça, José educou Jesus primariamente com o exemplo: o exemplo de um «homem justo» (Mt 1, 19), que se deixa sempre guiar pela fé, e sabe que a salvação não deriva da observância da lei, mas da graça de Deus, do seu amor e da sua fidelidade.

Queridos irmãos e irmãs, a missão de são José é sem dúvida única e irrepetível, porque Jesus é absolutamente único. E todavia, protegendo Jesus, educando-o a crescer em idade, sabedoria e graça, ele constitui um modelo para cada educador, em especial para cada pai. São José é o modelo do educador e do pai. Portanto, confio à sua salvaguarda todos os pais, os sacerdotes — que são pais — e aqueles que desempenham uma tarefa educativa na Igreja e na sociedade. "

sexta-feira, 13 de março de 2015

Liturgia: 4º domingo da Quaresma


Comentário:
Na Quaresma, a liturgia relaciona a caminhada de Israel com a nossa salvação pela fé em Cristo, professada no batismo.  O episódio narrado hoje, à primeira vista, não parece ilustrar o evangelho (cuja prefiguração veterotestamentária se encontra em Nm 21). Contudo, ao bom observador, a liturgia de hoje aparece atravessada por um fio homogêneo: a passagem da morte à vida, das trevas à luz, do pecado à reconciliação. Israel estava morto: a terra e a cidade destruídas, o povo exilado. Mas Deus o fez reviver, levando-o de volta. E isso, sem mérito da parte de Israel, mas pelo intermédio de um pagão, o rei Ciro (1ª leitura), que se apresenta como encarregado de Javé para realizar essa obra (2Cr 36,23; cf. Is 44,24-45,13). Na mesma linha, a 2ª  leitura fala de nossa revivificação com Cristo, terminologia batismal (cf. Rm 6,3 etc.). Acentua fortemente a gratuidade do agir de Deus. Não foi por nossos méritos (Ef 2,8-9), mas porque Deus o quis, em sua grande misericórdia (2,4-5). O que não quer dizer que não precisamos fazer nada. Não somos salvos pelas obras, mas para as obras: para as obras boas que Deus nos preparou em sua eterna providência (2,10).

Por que não nos salvam nossas obras? Porque nosso relacionamento com Deus não é comercial, mas vital. Como poderíamos restituir àquele de quem recebemos a própria vida? A única maneira de reconciliação é: aceitar. Aceitar a nova vida que nos é oferecida, nossa nova “realização”, numa práxis que vem de Deus mesmo e que nós assumimos em união com Cristo, seu grande dom.

Também o evangelho fala de nossas obras e da bondade de Deus, gratuita e radical, pois dá seu próprio filho por nós (cf. 2° dom. Quar.). Descreve a reação dos homens, na sua práxis, diante da irrupção da oferta de Deus: Jesus Cristo e sua mensagem. O homem pode expor a práxis de sua vida à luz dessa oferta, e então sua práxis será transformada. Ou pode, auto-suficiente, fugir dessa nova iluminação, porque suas obras não agüentam a luz do dia. Portanto – e aqui Jo  se torna muito esclarecedor para nossa problemática atual -, a razão por que alguém aceita ou rejeita Jesus não é tanto uma razão intelectual, mas a práxis que ele está vivendo. Quem “faz a verdade” (3,21) aceita a luz do Cristo.

Para Jo, o julgamento acontece na rejeição de Cristo, enviado do Pai; e isso, desde já; como também a salvação existe, desde já, na sua aceitação (3,18). Ora, esta rejeição ou aceitação acontece na práxis.

Nisto está uma mensagem importante para nossa “subida” à festa pascal em espírito – de conversão (cf. canto da comunhão; oração do dia). Não bastará proclamar na noite pascal o Credo, o compromisso da fé. A proclamação deve ser a confirmação daquilo – que já estamos vivendo e praticando. Desde já, esta Quaresma nos deve levar a uma nova práxis. Dai ser necessário participar da Campanha da Fraternidade e de práticas semelhantes, que nos levem a viver, com convicção, na luz projetada pelo Filho de Deus, morto na cruz por nós. Não só austera abnegação, mas positiva e alegre doação aos necessitados. Não que nossa práxis nos salvasse. Mas é preciso que façamos algo, para que se encarne o que Deus quer para conosco: um amor em atos e verdade (1Jo 3,18).

Não são as nossas obras que nos salvam. Quem nos salva é Deus. Mas nossas obras encarnam sua salvação.

Mensagem:

A liturgia de hoje fala de crime e castigo e, sobretudo, de restauração, pois Deus não quer a morte do pecador, e sim, que ele mude de caminho e viva (cf. Ez 18,23.32). A 1ª leitura mostra como os israelitas se afastaram de Deus. Quando, porém, foram exilados de sua terra e levados à Babilônia, entenderam que sua desgraça era um sinal de seu afastamento. Voltaram seu coração para Deus, que os fez voltar à sua terra. Essa história prefigura a volta de  todos os seres humanos para Deus, reconduzidos pelo amor que Cristo manifestou.

Os que estávamos mortos pelo pecado, mas acreditamos em Cristo, fomos salvos pela graça recebida na fé: “Pela graça fostes salvos” (2ª leitura). Nossos erros mostram que,  por nós mesmos, não somos capazes de trilhar o caminho certo. A única maneira de “voltar” é deixar-nos atrair pela oferta de amizade de Deus.Não nos salvamos pelas nossas obras (no sentido de esforços para “merecer”), mas Deus nos salva para as boas obras que ele preparou para que nós entrássemos nelas: a caridade, a solidariedade… (Ef 2,10). Não são as nossas obras que nos salvam: quem nos salva é Deus. Mas o que fazemos – a nossa prática de vida  fraterna e solidária – encarna nossa salvação.

O evangelho expressa idéias semelhantes. É o fim do diálogo de Jesus com Nicodemos, o fariseu. O trecho que lemos hoje inicia com uma lembrança do Êxodo. Deus tinha castigado a rebeldia do povo com a praga das serpentes. Para os livrar da praga, Moisés levantou numa haste, à vista dos israelitas, uma serpente de bronze. Os que levantaram com fé os olhos para este sinal ficaram curados. Assim devemos levantar com fé os olhos para o Cristo elevado na cruz e receber dele a salvação, pois Deus o deu ao mundo para que testemunhasse seu amor até o fim. “Tanto Deus amou o mundo….”(Jo, 3,14-16).   A liturgia da Quaresma insiste: o pecado não é irreparável. Para os que crêem, existe volta, conversão, perdão e salvação. Jesus não veio para condenar, mas para salvar. Ele é a luz que penetra nossas trevas. Mas há quem fuja da luz, para não admitir que está agindo de maneira errada. Nesse caso, não há remédio (Jô 3,19-21). Assim como a gente gosta de expor-se ao benfazejo sol da manhã, devemos expor-nos à luz de Cristo. Sua prática deve iluminar nossa vida, para que “pratiquemos a verdade”. Todos somos salvos ou devemos ser salvos pelo amor de Deus que Cristo nos manifesta. Ninguém fabrica sua própria salvação. O auto-suficiente permanece nas trevas, ainda que sua suficiência pareça virtude, como era o caso dos fariseus, aos quais se dirige a advertência do evangelho. Por outro lado, se nos deixarmos iluminar por Cristo, sejamos também uma luz para nossos irmãos. O evangelizado seja também evangelizador.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

Confira a reflexão de Frei Gustavo Medella para o 4º domingo do Tempo Comum.