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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

4º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura: Dt 18,15-20
2ª Leitura: 1Cor 7,32-35
Evangelho: Mc 1,21-28

Comentário:

Uma das características do antigo judaísmo é seu caráter profético, o fato de ser orientado por personagens carismáticos, considerados porta-vozes de Deus.

Nos três séculos antes do exílio babilônico, a figura do profeta ganhou sua imagem “clássica”. Com a reforma religiosa de Josias (620 a.C.), surge o livro do Deuteronômio, recapitulação da Lei de Moisés. Comporta uma espécie de definição do que deve ser um profeta (nem todos eram assim!): alguém como Moisés, alguém que escute a palavra de Deus, alguém a quem Deus coloque suas palavras na boca para transmiti-las, alguém que não fale em nome de Deus o que este não lhe tiver inspirado, nem fale em nome de outros deuses; alguém cujas palavras sejam confirmadas pelos fatos (Dt 18,15-22) (1ª leitura).

Pela instituição do profetismo, o povo de Israel se distingue das nações pagãs, que praticam todo tipo de adivinhação e superstição (18,14). Mas pouco depois do exílio, a instituição entra em declínio. A partir do século IV a.C., Israel não tem mais profetas. Aí surge a saudade. O texto de Dt 18,15.18, que fala genericamente do “profeta como Moisés” – originalmente indicando a instituição profética -, é agora interpretado no sentido individual, como apontando uma figura do tempo messiânico: o Messias-profeta.

Ora, a figura do “profeta como Moisés”, que a 1ª leitura da liturgia de hoje evoca, é apenas um “aperitivo” daquilo que o evangelho (Mc 1,21-28) deixa entrever. Apresenta Jesus como alguém que ensina com autoridade, portanto, não como os escribas! Essa “autoridade” evoca o poder profético de ensinar no nome de Deus e fazer sinais que confirmem a palavra. Porém, o termo grego (exousia) não é costumeiro no judaísmo helenístico para falar do poder profético, e sim, do poder escatológico do Filho de Homem e de Deus, no livro de Daniel! O episódio de Mc 1,21-28 (evangelho) dá a entender que o povo teve, diante de Jesus, a impressão de ver um profeta, o que é confirmado pelas opiniões populares citadas em Mc 6,15 e 8,28.

Mas a constatação da presença da “autoridade” esconde algo que o povo não consegue entender: “Que é isso?” (1,27). Ao percorrermos o evangelho de Mc, descobriremos que a identidade que Jesus atribui a si mesmo é a do Filho do Homem, o enviado escatológico de Deus, prefigurado em Dn 7. A este pertence a exousia (Dn 7,14), a “autoridade”. Quem parece suspeitar a identidade de Jesus é o demônio que é expulso naquela ocasião (Mc 1,24); ele conhece seu adversário.

No evangelho de Mc paira um mistério sobre a figura de Jesus. Aos demônios (1,25.34; 3,12), aos miraculados (1,44; 5,43; 7,34; 8,26), aos discípulos (8,30; 9,9), Jesus lhes proíbe publicar o exercício de sua “autoridade” que eles presenciaram. O mistério da identidade de Jesus só é desvendado na hora da morte, quando o centurião romano, representante do mundo inteiro, proclama: “Este homem era verdadeiramente o Filho de Deus” (15,39). Só na morte fica claro, sem ambigüidade, o modo e o sentido da obra messiânica de Cristo, segundo “os pensamentos de Deus” (cf. 8,3 1-33).

Portanto, se Jesus ensina com autoridade (e com essa misteriosa autoridade expulsa demônios, confirmando sua palavra profética), devemos enxergar no profeta de Nazaré (cf. 6, 4) o Filho do Homem, que vem com os plenos poderes de Deus.
A 2ª leitura é tomada, mais uma vez, das “questões práticas” da 1 Cor. Na linha da “reserva escatológica” (cf. dom. passado), Paulo explica as vantagens do celibato, ao menos, quando assumido com vistas à escatologia. Como o sentido da escatologia é que o Senhor nos encontre ocupado com sua causa (cf. 1° dom. Adv. B), é melhor adotar o estado de vida que deixe nosso espírito mais livre para pensar nisso. É um conselho de Paulo, não para truncar nossa liberdade, mas para a libertar mais ainda.

Claro, está falando do celibato assumido, não do celibato “levado de carona”, como é, muitas vezes, o do nosso clero; pois, quando não é assumido interiormente, desvia mais a mente da causa do Senhor do que as preocupações matrimoniais. Bem entendido, porém, o celibato, além da liberdade para Deus que proporciona aos que o assumem, é também um lembrete para os casados, ajudando-os, no meio de suas preocupações, a conservarem, também eles, a reserva escatológica, que os faz ver o caráter provisório de seu estado e problemas e, sobretudo, o sentido último que deve ser dado a tudo isso.

Mensagem:

Jesus é o profeta do Reino de Deus. Mas que é um profeta? Conforme a 1ª leitura, o profeta é mediador e porta-voz de Deus. Os antigos israelitas, vivendo ao lado dos cananeus, estavam tentados a consultar, como estes, as divindades dos “lugares altos” por aí (que supostamente conheciam bem as necessidades locais). Consultavam os sortilégios, os búzios, os necromantes que evocavam espíritos etc. Não eram muito diferentes de muitos dos nossos contemporâneos.

Diante disso, Moisés lhes lembra que, quando da manifestação de Deus no monte Sinai (Ex 19), eles tiveram tanto medo que Deus precisou estabelecer um intermediário para falar com eles: o primeiro profeta bíblico, ele mesmo. Em vista disso, sempre haveria profetas em Israel para serem mediadores e porta-vozes de Deus, de modo que os israelitas não precisariam mais consultar os deuses de Canaã, nos santuários locais. O profeta é aquele que fala com a autoridade de Deus, que o envia. Muitas vezes, sua palavra é corroborada por Deus por meio de milagres, “sinais”.

No evangelho, Jesus é apresentado como porta-voz de Deus e de seu Reino.Deus mostra que está com ele. Dá-lhe poder de fazer sinais: na sinagoga de Cafarnaum, Jesus expulsa um demônio, e o povo reconhece sua autoridade profética: “Um ensinamento novo, dado com autoridade…” (Mc 1,27). Ora, os sinais milagrosos servem para mostrar a autoridade do profeta, mas não são propriamente sua missão. Servem para mostrar que Deus está com ele, mas sua tarefa não é fazer coisas espantosas. Sua tarefa é ser porta-voz de Deus. Jesus não veio para fazer milagres, e sim, para nos dizer e mostrar que Deus nos ama e espera que participemos ativamente de seu projeto de amor. Por outro lado, os sinais, embora não sejam sua tarefa propriamente, não deixam de revelar um pouco em que consiste o reino que Jesus anuncia. São sinais da bondade de Deus.

Jesus nunca faz sinais danosos para as pessoas (como as pragas do Egito que aconteceram pela mão de Moisés). O primeiro sinal de Jesus, em Mc, é uma expulsão de demônio. A obsessão demoníaco simboliza o mal que toma conta do ser humano sem que este o queira. Libertando o endemoninhado do seu mal, Jesus demonstra que o Reino por ele anunciado não é apenas apelo livre à conversão de cada um, mas luta vitoriosa contra o mal que se apresenta maior que a gente.

O mal que é maior que a gente existe também hoje: a crescente desigualdade social, a má distribuição da terra e de seus produtos, a lenta asfixia do ambiente natural por conta das indústrias e da poluição, a vida insalubre dos que têm de menos e dos que têm demais, a corrupção, o terror, o tráfico de drogas, o crime organizado, o esvaziamento moral e espiritual pelo mau uso dos meios de comunicação… Esses demônios parecem dominar muita gente e fazem muitas vítimas. O sinal profético de Jesus significa a libertação desse mal do mundo, que transcende nossas parcas forças. E sua palavra, proferida com a autoridade de Deus mesmo, nos ensina a realizar essa libertação.
Como Jesus, a Igreja é chamada a apresentar ao mundo a Palavra de Deus e o anúncio de seu Reino. Como confirmação dessa mensagem, deve também demonstrar, em sinais e obras, que o poder de Deus supera o mal: no empenho pela justiça e no alívio do sofrimento, no saneamento da sociedade e na cura do meio ambiente adoentado. Palavra e sinal, eis a missão profética da Igreja hoje.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Papa Francisco fala sobre a paternidade em Audiência Geral


Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Retomamos o caminho das catequeses sobre a família. Hoje deixamo-nos guiar pela palavra «pai». Uma palavra que a nós cristãos é muito querida, porque é o nome com o qual Jesus nos ensinou a dirigir-nos a Deus: pai. O sentido deste nome recebeu uma nova profundidade precisamente a partir do momento em que Jesus o usava para se dirigir a Deus e manifestar a sua relação especial com Ele. O mistério bendito da intimidade de Deus, Pai, Filho e Espírito, revelado por Jesus, é o coração da nossa fé cristã.

«Pai» é uma palavra que todos conhecem, é uma palavra universal. Ela indica uma relação fundamental cuja realidade é antiga como a história do homem. Contudo, hoje chegou-se a afirmar que a nossa seria «uma sociedade sem pais». Noutros termos, sobretudo na cultura ocidental, a figura do pai estaria simbolicamente ausente, esvaecida, removida. Num primeiro momento, isto foi sentido como uma libertação: libertação do pai-patrão, do pai como representante da lei que se impõe de fora, do pai como censor da felicidade dos filhos e impedimento à emancipação e à autonomia dos jovens. Por vezes havia casas em que no passado reinava o autoritarismo, em certos casos até a prepotência: pais que tratavam os filhos como servos, sem respeitar as exigências pessoais do seu crescimento; pais que não os ajudavam a empreender o seu caminho com liberdade — mas não é fácil educar um filho em liberdade —; pais que não os ajudavam a assumir as próprias responsabilidades para construir o seu futuro e o da sociedade.

Certamente, esta não é uma boa atitude; mas, como acontece muitas vezes, passa-se de um extremo ao outro. O problema nos nossos dias não parece ser tanto a presença invasiva dos pais, mas ao contrário a sua ausência, o seu afastamento. Por vezes os pais estão tão concentrados em si mesmos e no próprio trabalho ou então nas próprias realizações pessoais, que se esquecem até da família. E deixam as crianças e os jovens sozinhos. Quando eu era bispo de Buenos Aires apercebia-me do sentido de orfandade que vivem os jovens de hoje; e muitas vezes perguntava aos pais se brincavam com os seus filhos, se tinham a coragem e o amor de perder tempo com os filhos. E a resposta era feia, na maioria dos casos: «Mas, não posso, porque tenho tanto trabalho...». E o pai estava ausente daquele filho que crescia, não brincava com ele, não, não perdia tempo com ele.

Mas, neste caminho comum de reflexão sobre a família, gostaria de dizer a todas as comunidades cristãs que devemos estar mais atentos: a ausência da figura paterna da vida das crianças e dos jovens causa lacunas e feridas que podem até ser muito graves. Com efeito os desvios das crianças e dos adolescentes em grande parte podem estar relacionados com esta falta, com a carência de exemplos e de guias respeitáveis na sua vida de todos os dias, com a falta de proximidade, com a carência de amor por parte dos pais. É mais profundo de quanto pensamos o sentido de orfandade que vivem tantos jovens.

São órfãos na família, não dão aos filhos, com o seu exemplo acompanhado pelas palavras, aqueles princípios, aqueles valores, aquelas regras de vida das quais precisam como do pão. A qualidade educativa da presença paterna é tanto mais necessária quanto mais o pai é obrigado pelo trabalho a estar distante de casa. Por vezes parece que os pais não sabem bem que lugar ocupar na família e como educar os filhos. E então, na dúvida, abstêm-se, retiram-se e descuidam as suas responsabilidades, talvez refugiando-se numa relação improvável «ao nível» dos filhos. É verdade que deves ser «companheiro» do teu filho, mas sem esquecer que és o pai! Se te comportas só como um companheiro igual ao teu filho, isto não será bom para o jovem. E vemos este problema também na comunidade civil. A comunidade civil com as suas instituições, tem uma certa responsabilidade — podemos dizer paterna — em relação aos jovens, uma responsabilidade que por vezes descuida e exerce mal. Também ela muitas vezes os deixa órfãos e não lhes propõe uma verdadeira perspectiva. Assim, os jovens permanecem órfãos de caminhos seguros para percorrer, órfãos de mestres nos quais confiar, órfãos de ideais que aqueçam o coração, órfãos de valores e de esperanças que os amparem diariamente. Talvez sejam ídolos em abundância mas é-lhes roubado o coração; são estimulados a sonhar divertimentos e prazeres, mas não lhes é dado trabalho; são iludidos com o deus dinheiro, mas são-lhes negadas as verdadeiras riquezas.

E então fará bem a todos, aos pais e aos filhos, ouvir de novo a promessa que Jesus fez aos seus discípulos: «Não vos deixarei órfãos» (Jo 14, 18). De fato, Ele é o Caminho a percorrer, o Mestre a ouvir, a Esperança de que o mundo pode mudar, de que o amor vence o ódio, que pode haver um futuro de fraternidade e de paz para todos. Algum de vós poderia dizer-me: «Mas Padre, hoje foi demasiado negativo. Só falou da ausência dos pais, do que acontece quando os pais não acompanham o crescimento dos filhos... É verdade, quis frisar isto, porque na próxima quarta-feira continuarei esta catequese pondo em evidência a beleza da paternidade. Por isso escolhi começar pela escuridão para chegar à luz. Que o Senhor nos ajude a compreender bem estas coisas. Obrigado.

Fonte: Site do Vaticano

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

São Tomás de Aquino


São Tomás de Aquino foi um importante teólogo, filósofo e padre dominicano do século XIII. Foi declarado santo pelo papa João XXII em 18 de julho de 1323. É considerado um dos principais representantes da escolástica (linha filosófica medieval de base cristã). Foi o fundador da escola tomista de filosofia e teologia.

Tomás nasceu em 1225, no castelo de Roccasecca, na Campânia, da família feudal italiana dos condes de Aquino. Possuía laços de sangue com as famílias reais da Itália, França, Sicília e Alemanha, esta ligada à casa de Aragão. Ingressou no mosteiro beneditino de Montecassino aos cinco anos de idade, dando início aos estudos que não pararia nunca mais. Depois, frequentou a Universidade de Nápoles, mas, quando decidiu entrar para a Ordem de São Domingos encontrou forte resistência da família. Seus irmãos chegaram a trancá-lo num castelo por um ano, para tentar mantê-lo afastado dos conventos, mas sua mãe acabou por libertá-lo e, finalmente, Tomás pôde se entregar à religião. Tinha então dezoito anos. Não sendo por acaso a sua escolha pela Ordem de São Domingos, que trabalha para unir ciência e fé em favor da humanidade.

Foi para Colônia e Paris estudar com o grande Santo e doutor da Igreja, Alberto Magno. Por sua mansidão e silêncio foi apelidado de “boi mudo”, por ser também, gordo, contemplativo e muito devoto. Depois se tornou conselheiro dos papas Urbano IV, Clemente IV e Gregório X, além do rei São Luiz da França. Também, lecionou em grandes universidades de Paris, Roma, Bologna e Nápoles e jamais se afastou da humildade de frei, da disciplina que cobrava tanto de si mesmo quanto dos outros e da caridade para com os pobres e doentes.

Grande intelectual, vivia imerso nos estudos, chegando às vezes a perder a noção do tempo e do lugar onde estava. Sua norma de vida era: “oferecer aos outros os frutos da contemplação”. Sábios e políticos tentaram muitas vezes homenageá-lo com títulos, honras e dignidades, mas Tomás sempre recusou. Escrevia e publicava obras importantíssimas, frutos de seus estudos solitários desfrutados na humildade de sua cela, aliás seu local preferido. Seus escritos são um dos maiores monumentos de filosofia e teologia católica.

Tomás D’Aquino morreu muito jovem, sem completar os quarenta e nove anos de idade, no mosteiro de Fossanova, a caminho do II Concílio de Lion, em 07 de março de 1274, para o qual fora convocado pelo papa Gregório X. Imediatamente colégios e universidades lhe prestaram as mais honrosas homenagens. Suas obras, a principal, mais estudada e conhecida, a “Summa Teológica”, foram a causa de sua canonização, em 1323. Disse sobre ele, nessa ocasião, o papa João XXII: “Ele fez tantos milagres, quantas proposições teológicas escreveu”. É padroeiro das escolas públicas, dos estudantes e professores.

No dia 28 de janeiro de 1567, o papa São Pio V lhe deu o título de “doutor da Igreja”, e logo passou a ser chamado de “doutor angélico”, pelos clérigos. Em toda a sua obra filosófica e teológica tem primazia à inteligência, estudo e oração; sendo ainda a base dos estudos na maioria dos Seminários. Para isso contou, mais recentemente, com o impulso dado pelo incentivo do papa Leão XIII, que fez reflorescer os estudos tomistas.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Festa franciscana da juventude em Concórdia


Entre os dias 22 e 25 de janeiro, aconteceu em Concórdia (SC), as Missões Franciscanas da Juventude, com o tema: “Vai, reconstrói a minha igreja”. Mais de 215 jovens participantes, além de uma grande infraestrutura de cozinha e apoio, e as equipes das 8 comunidades que receberam os jovens missionários. A fraternidade e a comunidade da Paróquia Nossa Senhora do Rosário acolheram as Missões Franciscanas com muita alegria e entusiasmo.

As atividades começaram na quinta-feira de manhã (22), com a chegada dos participantes, vindos do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e diversas cidades de Santa Catarina. O salão paroquial foi preparado com muito carinho, com diversos ambientes. Na entrada, os missionários encontraram um túnel, com frases bíblicas, um outro espaço com almofadas para descanso, dois ambientes que foram utilizados na primeira noite como dormitório. No palco, uma imagem de São Francisco, o crucifixo de São Damião e o tau com a arte do Frei Dito,  o símbolo das Missões Franciscanas.

No final da tarde, os jovens foram reunidos para a abertura oficial. Eles foram recebidos com animação pelo coordenador do Serviço de Animação Vocacional (SAV), Frei Diego Atalino de Melo. No final da noite, uma belíssima oração foi preparada na igreja, que estava ornamentada com velas e panos. Os jovens puderam ouvir a partilha de uma das participantes, Mariana Rogoski, de 27 anos, que falou sobre sua vida pessoal e afetiva, e como acabou se afastando da Igreja em determinado momento da vida. Em seguida, Frei Diego fez a unção dos jovens com óleo, simbolizando o envio dos jovens missionários para as comunidades.


Conhecendo o local da missão

Na sexta-feira, após a oração da manhã, os jovens puderam conhecer um pouco mais da história da cidade de Concórdia, contada pelo pároco Frei Evandro Balestrin. Em seguida, o Ministro Provincial Frei Fidêncio Vanboemmel destacou  a importância da missão para o carisma franciscano. O frade falou sobre o episódio da vida de São Francisco, quando Jesus fala através do crucifixo de São Damião: “Vai, reconstrói a minha igreja”. “A Igreja de Deus não são pedras, tijolos, a Igreja de Deus é cada um de nós, e juntos, formamos as pedras vivas”, afirmou Frei Fidêncio, que falou ainda sobre a importância do discernimento para descobrir o desejo de Deus para a vida de cada um. “O sonho de Deus acontece onde a gente pisa, onde eu vivo a minha história”, acrescentou. O Ministro Provincial recordou ainda trechos da fala do Papa Francisco durante a Vigília na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. 

Após o almoço, os jovens puderam ouvir o testemunho da Carol, uma jovem presidiária, que está cumprindo pena por tráfico de drogas há 4 anos. A jovem contou um pouco de sua história, que serviu como alerta para os jovens terem cuidado com as amizades e os relacionamentos, para que não se desviem do caminho do bem e nunca se afastem de Deus.

A fala da Carol preparou os jovens para um momento muito especial das Missões. Na sexta à tarde, o grupo se dividiu em dois. Um visitou o Presídio Regional de Concórdia. A outra metade do grupo fez o plantio de 600 mudas de árvores no entorno do Rio Queimados, um dos mais importantes da região. Os responsáveis pela ONG Queimados Vivo também falaram aos jovens, explicando a história da ONG e a situação do rio hoje e sua importância para a cidade de Concórdia.

Os dois grupos partiram para a missão propriamente dita. O grupo que visitou o presídio teve que caminhar alguns quilômetros para chegar ao presídio, onde se dividiram em grupos. Alguns visitaram a ala feminina, outros os presos em regime semi-aberto e outros dois grupos visitaram os presos em regime fechado. Foi um momento de muita emoção e muita descoberta para estes jovens. Eles puderam perceber que a missão não era algo grandioso. Ouvir os presos, suas histórias, aquilo que eles trazem no coração, levar uma palavra de carinho, conforto, perdão. A missão no presídio foi assim, simples, mas transformadora. A maior parte dos jovens nunca tinha entrado em uma carceragem e pode perceber como um gesto simples pode transformar a vida de uma pessoa.

Para Samuel Cavalcanti do Amaral, de Nilópolis (RJ), as Missões Franciscanas serviram para mostrar a alegria de se colocar à disposição daqueles que mais necessitam. Através de pequenos gestos, visitando os encarcerados, cuidando da natureza, reconstruindo uma igreja, entre tantas ações. “Foram dias de festa, acolhimento, alegria, dança, demonstrações de fé e sobretudo muito amor partilhado”, destacou o jovem.

Para Renan Nilson Bacca, de Gaspar (SC), a experiência serviu para se desconectar de um mundo consumista e superficial. “Nestes quatro dias tive a oportunidade de sair deste fluxo e coloquei-me diante de uma experiência diferente, forte, que dia após dia foi ganhando forma, mostrando um rosto juvenil, alegre, persistente, que levou Cristo nos corações de cada morador de Concórdia”, afirmou.


Comunidades recebem os jovens missionários

Apenas 8, das mais de 60 comunidades da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, foram escolhidas para acolherem os jovens. Os grupos foram formados de acordo com a realidade local e com a necessidade de cada uma. Frei Jeâ Paulo de Andrade, vigário paroquial, ajudou a coordenar e organizar as experiências. Os jovens foram para os bairros: Nova Brasília, Santa Rita, Nações, Catarina Fontana, Vista Alegre, Petrópolis, Natureza/ Poente do Sol e Fragosos.

O bairro Natureza e Poente do Sol receberam os jovens com muito entusiasmo e uma queima de fogos. Para Paula Eliana Gomes, do grupo de jovens da comunidade, a chegada dos participantes foi muito especial. “Quando os jovens viram que havia um pessoal na entrada do bairro esperando por eles, ficaram muito felizes. Para nós foi uma recepção muito simples, mas o modo como eles reagiram, os sorrisos que eles deram, tornou o momento muito marcante”, afirmou.

Os participantes seguiram a pé com a comunidade até o Centro Comunitário, onde foram recebidos com um risoto no tacho, um prato típico. Os ministros leigos falaram um pouco sobre a realidade local e o Santuário Santa Augusta, que está em construção há 4 anos. De Rossi, ministro leigo, explicou para os jovens sobre a vida de Santa Augusta. Este Santuário é a réplica do Santuário da Itália, e única réplica existente no mundo. A igreja ainda não está terminada, e parte da missão dos jovens foi construir um pequeno jardim na entrada.

No sábado de manhã os jovens se dividiram em 4 grupos, que foram visitar os enfermos, famílias e idosos. Na parte da tarde, os participantes se reuniram com a comunidade para ajudar na construção do jardim. Quem tinha mais experiência ajudava os iniciantes, e cada um, conforme seus dons, fez sua parte. O jardim ficou pronto, com dois canteiros laterais e um coração com flores. A comunidade se reuniu para a celebração da Palavra à noite. Após a celebração, Frei Diego Melo abençoou o jardim, que foi aprovado pelos paroquianos.

Para Paula Eliana Gomes, a presença dos jovens missionários mudou completamente a rotina da comunidade, e os frutos serão colhidos por muito tempo. “As marcas que eles deixaram vai muito além do jardim que foi feito, eles mudaram a cara da comunidade, eles fizeram reviver a esperança nos jovens daqui, eles fizeram muitas pessoas repensar no modo como vivem, como agem e falam, nos sentimos pessoas diferentes. Na primeira noite havia uma fogueira com brasas acesas, os jovens missionários fizeram essa fogueira incendiar”, testemunhou a jovem.

Nossa Senhora de Lourdes abençoou os missionários

Era de madrugada quando se ouvia a movimentação nos bairros de Concórdia. Os 8 grupos começaram a se dirigir para a gruta Nossa Senhora de Lourdes por volta das 4 horas da manhã. Os jovens saíram em caminhada com velas nas mãos, partindo em direção à matriz, para a missa de encerramento. Não somente os jovens, muitos adultos, crianças e pessoas de idade quiseram acompanhar a caminhada. Eram pessoas das comunidades e famílias que receberam os jovens em suas casas. Assim, uma longa procissão se formou, com cantos, orações, todos celebrando a alegria do reencontro e a partilha das experiências. O grupo parou em uma paróquia local para um encontro muito especial: com Cristo Eucarístico. Frei Daniel Dellandrea conduziu a breve adoração, onde os caminheiros puderam descansar e rezar. O grupo foi em seguida para o hospital São Francisco de Assis, onde alguns puderam passar nos quartos para visitar os enfermos. Mais um momento de emoção. Pessoas internadas e seus familiares puderam receber um carinho e uma palavra de confiança dos jovens missionários. Após a visita, a próxima parada foi na matriz, onde chegaram por volta das 7h30, recebidos com alegria e uma calorosa queima de fogos.


Missa marca o encerramento e o anúncio das Missões Franciscanas 2016

Após um tempo de descanso e o café da manhã, a comunidade e os jovens missionários celebraram juntos a Eucaristia. A missa foi presidida por Frei Fidêncio, que esteve presente durante todo o tempo das Missões, inclusive na caminhada.

Em sua homilia, o frade fez uma releitura da passagem do envio de Jonas à cidade de Nívive, que era a 1ª leitura deste domingo (Jn 3,1-5.10). “Levanta-te e vai para a cidade de Concórdia”, parafraseou Frei Fidêncio. O Ministro Provincial destacou que a esta é talvez, a maior paróquia da Província, com mais de 60 comunidades e que não foi possível visitar todas as comunidades. “O foco deste encontro era a missão, evangelizar do jeito de São Francisco e no apelo que Jesus fez a Francisco – Vai, reconstrói a minha igreja”.

Frei Fidêncio destacou que esta igreja, tanto para São Francisco como para os jovens missionários, não é o templo de pedra, mas a Igreja espiritual, sobretudo na Igreja mais sofrida. O frade destacou a visita ao presídio e a visita ao hospital, como locais de encontro com o Cristo naquele que sofre. “A palavra de Deus nos pede uma coisa muito importante: conversão. Conversão significa voltar-se para o Senhor, para Deus. Nós sempre precisamos ser pessoas convertidas. Conversão significa viver a radicalidade do Evangelho, significa perguntar para o Senhor: que queres que eu faça?”, acrescentou.

O Ministro Provincial falou ainda sobre o chamado de Jesus aos apóstolos, e a cada um de nós. “Jesus convoca não apenas missionários, mas toda a Igreja. Somos chamados a sermos seguidores de Jesus Cristo!”, afirmou Frei Fidêncio, lembrando que este chamado não é feito em sala de aula: o aprendizado do Evangelho se dá na ação, no decorrer da missão. E recordou o pedido do Papa Francisco de sermos uma Igreja em saída. “É no caminho que se faz com o Cristo, que nós temos nosso aprendizado. Jesus cada dia nos surpreende. Quando vocês chegam aqui nem imaginavam o que iria acontecer. E muitas vezes tivemos que nos dobrar diante das surpresas que Jesus foi nos oferecendo”, concluiu Frei Fidêncio.

No momento de ação de graças, os jovens foram convidados a colocar dentro do tau, símbolo das Missões Franciscanas, o seu nome, em um pedaço de papel. Este nome ficará para sempre dentro do tau, como símbolo permanente desta missão.

No final da missa, Frei Diego fez o anúncio oficial do local que receberá as Missões Franciscanas da Juventude em 2016. Será a cidade de Chopinzinho, no Paraná. Os jovens de Concórdia entregaram então o tau para os jovens chopinzinhenses que estavam presentes, que ficaram muito emocionados.

Frei Diego, coordenador do SAV e organizador das Missões Franciscanas, destacou 4 aspectos desta edição. A adesão e o entusiasmo dos jovens neste projeto. No ano passado foram 100 participantes na primeira edição, e neste ano o número de participantes mais que dobrou. “O envolvimento das comunidades da paróquia de Concórdia proporcionou o bom andamento desta missão, também os jovens contribuíram para dar um novo fôlego para estas comunidades, que colherão muitos frutos desta missão”, destacou Frei Diego. Ele falou ainda de mais 2 aspectos importantes desta edição: a descoberta do jovem como missionários e evangelizadores. A capacidade de doação, a criatividade, tudo isso torna o jovem protagonista, e o olhar que se teve para as periferias. “Os jovens foram levados para realidades desafiadoras, que são pouco atendidas, realidades desafiadoras”, destacou Frei Diego. A visita ao presídio, ao centro de detenção provisória para menores infratores, foram locais de destaque nesta missão. Houve também uma atenção especial aos jovens surdos da cidade, que através do trabalho de tradução do Frei Jhones Martins, puderam participar de alguns momentos das missões. A preocupação com o meio ambiente também foi um dos destaques, segundo o organizador, no plantio das mudas no entorno do Rio Queimados. “A reconstrução da igreja se dá de diversas maneiras e existem muitas faces desta igreja que precisa ser reconstruída, a Igreja da evangelização, a igreja do ser humano, a igreja do serviço social, do cuidado com o meio ambiente, entre outras”, concluiu Frei Diego.


Para Frei Fidêncio Vanboemmel, Ministro Provincial, o caráter missionário deve estar sempre presente na vida cristã, mais ainda na vida franciscana, pois no espelhamos no exemplo de Francisco de Assis. “O espírito missionário deve ser a alma de toda a evangelização, e muito particularmente da nossa evangelização franciscana”, afirmou. Para os jovens, a presença do Ministro Provincial durante todo o encontro foi muito marcante. Para Frei Fidêncio, sua presença foi uma resposta à “feliz e grande aposta da Província”. E acrescentou: “Fiz-me presente porque acredito no segundo objetivo específico do nosso Plano de Evangelização que é: ‘Revigorar a animação vocacional’, tendo com uma das estratégias o ‘investimento no trabalho com a juventude’”.

“Vi jovens provenientes de diversas realidades e regiões da nossa Província (SC, PR, SP e RJ) e senti que todos estavam dispostos a responder ao apelo do Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude na noite da Vigília na praia de Copacabana, ‘Vai, repara a minha casa’.

Vi jovens atentos e senti que eles mesmos experimentaram a alegria do ‘vencer-se a si mesmo’ quando perceberam as diferentes facetas do mesmo Crucificado em tantas verdades nuas e cruas da vida humana: misérias, doenças, solidão, experiências de perdas, encarcerados, hospitalizados etc.

Vi jovens acreditarem que a nossa Igreja deve ser uma ‘Igreja em saída’. Senti que eles perceberam que o verdadeiro discipulado não se faz em salas de aula, somente com reflexões de uma catequese abstrata, mas no caminhar com Cristo e ir com Ele a todas as periferias existenciais.”

Frei Fidêncio Vanboemmel deixou uma mensagem aos participantes das Missões Franciscanas da Juventude: “Vocês, jovens, são os verdadeiros protagonistas da Igreja do futuro. Portanto, acreditem nas potencialidades que  carregam no coração. Por favor, não tenham medo de  insistir junto aos nossos frades por um espaço na comunidade de Fé. Que o Senhor nos abençoe e nos guarde!”

Santa Ângela de Mérici


Virgem da Ordem Terceira (1470-1540). Fundadora das Congregação das Irmãs de Santa Úrsula. 

Canonizada por Pio VII no dia 24 de maio de 1807

A glória de Santa Ângela de Merici está ligada à difusão da Congregação das Ursulinas com suas escolas para a juventude feminina espalhadas em todo o mundo. Nascida em 1474, em Desenzano, Garda, recebeu uma profunda formação religiosa. Passou sua infância trabalhando em casa. Com a morte de seus pais, aos quinze anos, foi acolhida junto com sua irmã na casa de um tio. Através de lutas e dolorosas provas, encontrou-se com Deus, recebendo grande consolo. Foi admitida na Terceira Ordem Franciscana no convento de Garda, tendo este programa: Renúncia a tudo para alcançar e possuir somente a Deus, Sumo e Eterno Bem; considerar-se nada para encontrar-se todo em Deus. Dedicou sua vida à piedade, às santas leituras, meditações e às obras de misericórdia.

Ângela pensou em melhorar a sociedade de seu tempo, atuando na família, na formação religiosa das mulheres cristãs. Depois de haver consagrado sua virgindade a Deus, buscou seu verdadeiro caminho. Realizou peregrinações por toda a Itália. Esteve na Terra Santa e no regresso teve uma aparição: viu uma longa escada que chegava aos céus sendo percorrida por muitas meninas, e uma voz a convidava para fundar uma comunidade religiosa. Ela se lembrou da célebre obra de Santa Úrsula, que foi martirizada pelos Hunos juntamente com onze moças. Tudo isso foram motivos para que Ângela iniciasse a nova instituição colocando o nome de Santa Úrsula.

Em 1525, foi à Roma para ganhar indulgência do jubileu e nessa ocasião teve a graça de contar ao Papa Clemente VII seu programa religioso e social para a instituição. O Papa a animou e abençoou seus propósitos. Ângela, junto com Catarina Patengla, mudou-se para Bréscia, onde pôde realizar o seu ideal. As ursulinas difundiram-se rapidamente. A regra de vida era moderna, ajustada às necessidades da sociedade de seu tempo. Viviam no mundo e não tinham nenhum sinal que as distinguisse das demais; observavam a pobreza e se ocupavam com jovens formandas. No mundo devastado pelos maus costumes, com a pureza de suas vidas, salvaram muitas jovens.

A morte de Ângela de Merici se deu no dia 27 de janeiro de 1540, tendo 66 anos de idade. Às ursulinas, ela deixou seu testamento espiritual com os primeiros esboços da Regra, que constituíram a herança da Santa.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Conversão de São Paulo


O martírio de São Paulo é celebrado junto com o de São Pedro, em 29 de junho, mas sua conversão tem tanta importância para a história da Igreja que merece uma data à parte. Neste dia, no ano 1554, deu-se também a fundação da que seria a maior cidade do Brasil, São Paulo, que ganhou seu nome em homenagem a tão importante acontecimento.

Saulo, seu nome original, nasceu no ano 10 na cidade de Tarso, na Cilícia, atual Turquia. À época era um pólo de desenvolvimento financeiro e comercial, um populoso centro de cultura e diversões mundanas, pouco comum nas províncias romanas do Oriente. Seu pai Eliasar era fariseu e judeu descendente da tribo de Benjamim, e, também, um homem forte, instruído, tecelão, comerciante e legionário do imperador Augusto. Pelo mérito de seus serviços recebeu o título de Cidadão Romano, que por tradição era legado aos filhos. Sua mãe uma dona de casa muito ocupada com a formação e educação do filho.

Portanto, Saulo era um cidadão romano, fariseu de linhagem nobre, bem situado financeiramente, religioso, inteligente, estudioso e culto. Aos quinze anos foi para Jerusalém dar continuidade aos estudos de latim, grego e hebraico, na conhecida Escola de Gamaliel, onde recebia séria educação religiosa fundamentada na doutrina dos fariseus, pois seus pais o queriam um grande Rabi, no futuro.

Parece que era mesmo esse o anseio daquele jovem baixo, magro, de nariz aquilino, feições morenas de olhos negros, vivos e expressivos. Saulo já nessa idade se destacava pela oratória fluente e cativante marcada pela voz forte e agradável, ganhando as atenções dos colegas e não passando despercebido ao exigente professor Gamaliel.

Saulo era totalmente contrário ao cristianismo, combatia-o ferozmente, por isso tinha muitos adversários. Foi com ele que Estêvão travou acirrado debate no templo judeu, chamado Sinédrio. Ele tanto clamou contra Estevão que este acabou apedrejado e morto, iniciando-se então uma incansável perseguição aos cristãos, com Saulo à frente com total apoio dos sacerdotes do Sinédrio.

Um dia, às portas da cidade de Damasco, uma luz, descrita nas Sagradas Escrituras como "mais forte e mais brilhante que a luz do Sol", desceu dos céus, assustando o cavalo e lançando ao chão Saulo , ao mesmo tempo em que ouviu a voz de Jesus pedindo para que parasse de persegui-Lo e aos seus e, ao contrário, se juntasse aos apóstolos que pregavam as revelações de Sua vinda à Terra. Os acompanhantes que também tudo ouviram, mas não viram quem falava, quando a luz desapareceu ajudaram Saulo a levantar pois não conseguia mais enxergar. Saulo foi levado pela mão até a cidade de Damasco, onde recebeu outra "visita" de Jesus que lhe disse que nessa cidade deveria ficar alguns dias pois receberia uma revelação importante. A experiência o transformou profundamente e ele permaneceu em Damasco por três dias sem enxergar, e à seu pedido também sem comer e sem beber.

Depois Saulo teve uma visão com Ananias, um velho e respeitado cristão da cidade, na qual ele o curava. Enquanto no mesmo instante Ananias tinha a mesma visão em sua casa. Compreendendo sua missão, o velho cristão foi ao seu encontro colocando as mãos sobre sua cabeça fez Saulo voltar a enxergar, curando-o. A conversão se deu no mesmo instante pois ele pediu para ser Batizado por Ananias. De Damasco saiu a pregar a palavra de Deus, já com o nome de Paulo, como lhe ordenara Jesus, tornando-se Seu grande apóstolo.

Sua conversão chamou a atenção de vários círculos de cidadãos importantes e Paulo passou a viajar pelo mundo, evangelizando e realizando centenas de conversões. Perseguido incansavelmente, foi preso várias vezes e sofreu muito, sendo martirizado no ano 67, em Roma. Suas relíquias se encontram na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, na Itália, festejada no dia de sua consagração em 18 de novembro.

O Senhor fez de Paulo seu grande apóstolo, o apóstolo dos gentios, isto é, o evangelizador dos pagãos. Ele escreveu 14 cartas, expondo a mensagem de Jesus, que se transformaram numa verdadeira "Teologia do Novo Testamento". Também é o patrono das Congregações Paulinas que continuam a sua obra de apóstolo, levando a mensagem do Cristianismo a todas as partes do mundo, através dos meios de comunicação.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Santo do dia: São Francisco de Sales


Bispo de Genebra, enfrentou vitoriosamente, em controvérsias públicas, os mais reputados teólogos protestantes. Pela pregação, pelos escritos e pelo aconselhamento espiritual realizou prodígios de apostolado. Escreveu diversas obras de espiritualidade. Fundou, com Santa Joana de Chantal, a Ordem das Visitandinas. É padroeiro dos jornalistas e escritores católicos.

Francisco de Sales, primogênito dos treze filhos dos Barões de Boisy, nasceu no castelo de Sales, na Saboia, em 21 de agosto de 1567. A família devota de São Francisco de Assis, escolheu esse para ele, que posteriormente o assumiu como exemplo de vida. A mãe se ocupava pessoalmente da educação de seus filhos. Para cada um escolheu um preceptor. O de Francisco era o padre Deage, que o acompanhou até sua morte, inclusive em Paris, onde o jovem barão fez os estudos universitários no Colégio dos jesuítas.

Francisco estudou retórica, filosofia e teologia que lhe permitiu ser depois o grande teólogo, pregador, polemista e diretor espiritual que caracterizaram seu trabalho apostólico. Por ser o herdeiro direto do nome e da tradição de sua família, recebeu também lições de esgrima, dança e equitação, para complementar sua já apurada formação. Mas se sentia chamado para servir inteiramente a Deus, por isso fez voto de castidade e se colocou sob a proteção da Virgem Maria.

Aos 24 anos, Francisco, doutor em leis, voltou para junto da família, que já lhe havia escolhido uma jovem nobre e rica herdeira para noiva e conseguido um cargo de membro do Senado saboiano. Ao vê-lo recusar tudo, seu pai soube do seu desejo de ser sacerdote, através do tio, cônego da catedral de Genebra, com quem Francisco havia conversado antes. Nessa mesma ocasião faleceu o capelão da catedral de Chamberi, e, o cônego seu tio, imediatamente obteve do Papa a nomeação de seu sobrinho para esse posto.

Só então seu pai, o Barão de Boisy, consentiu que seu primogênito se dedicasse inteiramente ao serviço de Deus. Sem poder prever que ele estava destinado a ser elevado à honra dos altares; e, muito mais, como Doutor da Igreja!

Durante os cinco primeiros anos de sua ordenação, o então padre Francisco, se ocupou com a evangelização do Chablais, cidade situada às margens do lago de Genebra, convertendo, com o risco da própria vida, os calvinistas. Para isso, divulgava folhetos nos quais refutava suas heresias, mediante as verdades católicas. Conseguindo reconduzir ao seio da verdadeira Igreja milhares de almas que seguiam o herege Calvino. O nome do padre Francisco começava a emergir como grande confessor e diretor espiritual.

Em 1599, foi nomeado Bispo auxiliar de Genebra; e, três anos depois, assumiu a titularidade da diocese. Seu campo de ação aumentou muito. Assim, Dom Francisco de Sales fundou escolas, ensinou catecismo às crianças e adultos, dirigiu e conduziu à santidade grandes almas da nobreza, que desempenharam papel preponderante na reforma religiosa empreendida na época com madre Joana de Chantal, depois Santa, que se tornou sua cofundadora da Ordem da Visitação, em 1610.

Todos queriam ouvir a palavra do Bispo, que era convidado a pregar em toda parte. Até a família real da Saboia não resistia ao Bispo-Príncipe de Genebra, que era sempre convidado para pregar também na Corte.

Publicou o livro que se tornaria imortal: “Introdução à vida devota”. Francisco de Sales também escreveu para suas filhas da Visitação, o célebre “Tratado do Amor de Deus”, onde desenvolveu o lema: “a medida de amar a Deus é amá-lo sem medida”. Os contemporâneos do Bispo-Príncipe de Genebra não tinham dúvidas a respeito de sua santidade, dentre eles Santa Joana de Chantal e São Vicente de Paulo, dos quais foi diretor espiritual.

Francisco de Sales faleceu no dia 28 de dezembro de 1622, em Lion, França. O culto ao Santo começou no próprio momento de sua morte. Ele é celebrado no dia 24 de janeiro porque neste dia, do ano de 1623, as suas relíquias mortais foram trasladadas para a sepultura definitiva em Anneci. Sua beatificação, em 1661, foi a primeira a ocorrer na basílica de São Pedro em Roma. Foi canonizado quatro anos depois. Pio IX declarou-o Doutor da Igreja e Pio XI proclamou-o o Padroeiro dos jornalistas e dos escritores católicos. Dom Bosco admirava tanto São Francisco de Sales que deu o nome de Congregação Salesiana à Obra que fundou para a educação dos jovens.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

3º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura: Jn 3,1-5.10
2ª Leitura: 1Cor 7,29-31
Evangelho: Mc 1,14-20

Depois que João Batista foi preso, Jesus voltou para a Galileia, pregando a Boa Notícia de Deus: «O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia.»

Seguir a Jesus é comprometer-se -* Ao passar pela beira do mar da Galiléia, Jesus viu Simão e seu irmão André; estavam jogando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse para eles: «Sigam-me, e eu farei vocês se tornarem pescadores de homens.» Eles imediatamente deixaram as redes e seguiram a Jesus.

Caminhando mais um pouco, Jesus viu Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes. 20 Jesus logo os chamou. E eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados e partiram, seguindo a Jesus.

Conversão é uma mensagem freqüente na Bíblia. Mas ela não tem sempre o mesmo conteúdo. Na 1ª leitura e no evangelho de hoje encontramos a mensagem da conversão em duas articulações bem diferentes, revelando a
distinção entre o antigo e o novo. Em Jn 3 (1ª leitura), trata-se de uma pregação ameaçadora, dirigida à maior cidade que o autor conhecia, Nínive, capital da Assíria; diante do medo que a pregação inspira, a população abandona o pecado e faz penitência, proclamando o jejum e vestindo-se de saco; e Deus, demonstrando à “capital do mundo” sua misericórdia universal, poupa a cidade.

No N.T., trata-se da pregação inaugural de Jesus, não no centro do mundo, nem mesmo no centro do judaísmo, Jerusalém, mas num canto perdido, meio pagão, da Palestina: os arredores do lago de Genesaré, na Galiléia. Não anuncia uma catástrofe, mas a plenitude do tempo. “Está cumprido o tempo”: chega de castigo (cf. Is 40, 2; 2° dom. Adv. B), cumpriu-se o tempo das profecias, das promessas: o “Reino de Deus” está aí. É uma mensagem de salvação, dirigida não aos cidadãos da capital do império, mas aos pobres da Galiléia. Realizando as profecias de Is (40,1-2.9; 42,1;61,1-2), o Filho que recebe toda a afeição do Pai, ungido com seu Espírito profético e messiânico (cf. Mc 1,11, batismo de Jesus), leva a Boa-Nova aos pobres, assumindo sua opressão e demonstrando assim a compreensão verdadeira do amor universal de Deus, que começa pelos últimos.
Enquanto a mensagem de Jonas logrou êxito por causa do medo, a mensagem de Cristo solicita conversão na base da fé na boa-nova (evangelho).

A gente deve voltar a Deus, não por causa do medo de perder o bem-estar, mas levado por uma profunda confiança nos bens que ainda não conhece e que se tornam próximos em seu Enviado, resumidos no termo “Reino de Deus”. Este é o acontecer da vontade amorosa do Pai, como reza o Pai-nosso: “Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade”. A pregação da proximidade do Reino, por Jesus, significa: lá onde reina o amor, que é a vontade de Deus para com seus filhos e filhas, acontece o Reino de Deus. Na medida em que Jesus se identifica com esta vontade e a cumpre até o fim, até a morte, ele realiza e traz presente em sua própria pessoa esse Reino. Ele é o Reino de Deus que se torna presente. Todo o evangelho de Mc desenvolve esta verdade fundamental, que, nesta primeira mensagem do Cristo, está envolta no mistério de sua personalidade e palavra, mas, aos poucos, revelará seu significado para quem acreditar na Boa-Nova, sobretudo quando esta se tomar Cruz e Ressurreição.

Por isso, enquanto na história de Jonas a aceitação da mensagem faz Deus desistir de seus planos, sem que o povo se envolva com estes, em Mc 1 vemos que a proclamação da Boa-Nova exige fé e participação ativa no Reino, cuja presença é anunciada. A aceitação da pregação de Jesus faz o homem participar do Reino que ele traz presente. Essa adesão ativa, no evangelho de Mc, é exemplificada por diversas perícopes dedicadas ao seguimento. Aderir ao Cristo é seguí-lo. Por isso, imediatamente depois de ter evocado a primeira pregação de Jesus, Mc narra a vocação dos primeiros discípulos. Vocação esta que é uma transformação, pois faz dos pescadores de peixe “pescadores de homens”. E eles abandonam o que eram e o que tinham – até mesmo o pai no barco…

A 2ª leitura é tomada da secção das “questões particulares” da 1Cor (cf.. dom. passado). Ao fim de toda uma exposição sobre o matrimônio (recordando as palavras do Senhor) e o celibato (oferecendo seus próprios conselhos), Paulo esboça uma visão global referente aos estados de vida. O estado de vida é uma realidade provisória, perdendo sua importância diante do definitivo, que se aproxima depressa (Paulo, como os primeiros cristãos em geral, acreditava que Cristo voltaria em breve). Casamento, prazer, posse, como também o contrário de tudo isso, são o revestimento provisório da vida, o “esquema” (como diz o texto grego) que desaparecerá. Já temos em nós o germe de uma realidade completamente nova, e esta é que importa. Assim, Paulo evoca a dialética entre o provisório e o definitivo, o necessário e o significativo, o urgente e o importante. Mas esta dialética deve ser formulada novamente por cada geração e cada pessoa (4).

(4) Nossa maneira de articular não precisa ser, necessariamente, a da “santa indiferença”que Paulo demonstra, tendo em vista a vinda próxima do Cristo glorioso. Certo, repartiremos com ele um sadio “relativismo escatológico”(Quid hoc ad aeternitatem?”), porém, a maneira de relativizar o provisório pode ser diferente da sua. Relativizar significa “tornar relativo”, “pôr em relação”. Também o cuidado de viver bem o casamento, como qualquer outra realidade humana, como sejam o trabalho, o bem-estar etc., é uma maneira de relativizar, se este “vivem bem”significa: conforme a vontade de Deus, procurando em primeiro lugar seu Reino e sua justiça.

Pescadores de gente

Muitos jovens dentre aqueles que demonstram sensibilidade aos problemas dos seus semelhantes encontram-se diante de um dilema: continuar dentro do projeto de sua família ou dispor-se a um serviço mais amplo, lá onde a solidariedade o exige…
Foi um dilema semelhante que Jesus causou para seus primeiros discípulos (evangelho). Jesus estava anunciando o reinado do Pai celeste, enquanto eles estavam trabalhando na empresa de pesca do pai terrestre. Jesus os convidou a deixarem o barco e o pai e a se tornarem pescadores de gente.

O Reino de Deus precisa de colaboradores que abandonem tudo, para catarem a massa humana, que necessita o carinho de Deus. Deus quer proporcionar ao mundo seu carinho, sua graça. Não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva. Provocar tal conversão na maior cidade do mundo de então, em Nínive, tal foi a missão que Deus confiou ao “profeta a contragosto”, Jonas ( 1ª leitura). Também Jesus convida à conversão, porque o Reino de Deus chegou (Mc 1, 14-15). Para ajudar, chama pescadores de gente.

Tiramos daí três considerações:

- Deus espera a conversão de todos, para que possam participar de seu reino de amor, fr justiça e de paz.

- Para proclamar a chegada do seu reinado e suscitar a conversão, o coração novo, capaz de acolhê-lo, Deus precisa de colaboradores, que façam de sua missão a sua vida, inclusive às custas de outras ocupações (honestas em si);

- Mas além dos que largam seus afazeres no mundo, também os outros – todos – são chamados a participar ativamente na construção desse Reino, exercendo o amor e a justiça em toda e qualquer atividade humana.

É este o programa da Igreja, chamada a continuar a missão de Jesus: o anúncio da vontade de Deus e de sua oferta de graça ao mundo; a vocação, formação e envio de pessoas que se dediquem ao anúncio; e a orientação de todos a participarem do Reino de Deus, vivendo na justiça e amor.

Jesus usou a experiência dos pescadores como base para elevá-los a outro nível de “pescaria”. A Igreja pode seguir o mesmo modelo: partir da experiência humana, profissional, social, cultural, para orientar as pessoas à grande pescaria. Sem essa base humana, os anunciadores parecem cair de pára-quedas no mundo ao qual eles são enviados, parecem extraterráqueos. Mas se aproveitam a experiência de vida que têm, “conhecendo o mar do mundo”, poderão recolher gente para Deus. Para Paulo, ser apóstolo é fazer da própria vida um anúncio do Evangelho: “Ai de mim se eu não envagelizar” (1Cor 9,16). Ele não faz apostolado, oito horas por dia, fim de semana livre, férias e décimo terceiro… Ele é apóstolo, “apóstolo 24 horas”. Faz até coisas que não precisaria fazer: ganhar seu pão com o próprio trabalho manual, dispensar a companhia de uma mulher etc. Faz tudo de graça, para não provocar a suspeita de proveito próprio. Porque sua maior recompensa é a felicidade de anunciar o Evangelho gratuitamente. O Evangelho é sua vida.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

"Deixa-te surpreender pelo amor de Deus!", afirma Papa Francisco aos jovens filipinos


No último domingo, dia 18, o Papa Francisco esteve reunido com os jovens em Manila, nas Filipinas. Acompanhe abaixo o discurso pronunciado de improviso pelo Santo Padre.

Começo por uma notícia triste. Ontem, quando estava prestes a principiar a Missa, caiu uma das torres e atingiu uma jovem, que morreu. O seu nome é Cristal. Ela trabalhou na organização daquela Missa. Tinha 27 anos, era jovem como vós e trabalhava para uma associação. Era uma voluntária. Queria que nós todos juntos – vós, jovens como ela – rezássemos em silêncio por um minuto e depois invocássemos a nossa Mãe do Céu.

Façamos uma oração também por seu pai e sua mãe. Era filha única. A sua mãe está em viagem de Hong Kong, enquanto o pai já chegou a Manila e espera a esposa.

É uma alegria para mim estar hoje convosco. Saúdo cordialmente a cada um de vós e agradeço a todos aqueles que tornaram possível este encontro. Durante a minha visita às Filipinas, senti uma vontade particular de me encontrar convosco, queridos jovens, para vos escutar e falar. Desejo exprimir o amor e a esperança que a Igreja tem por vós. A minha intenção é encorajar-vos, como cidadãos cristãos deste país, na oferta de vós mesmos feita com entusiasmo e honestidade para o grande compromisso de renovar a vossa sociedade e contribuir para a construção de um mundo melhor.

De modo especial, agradeço aos jovens que me dirigiram palavras de boas-vindas: Jun, Leandro e Rikki. Muito obrigado!

Um aparte… sobre a reduzida representação das mulheres. Demasiado pouco! As mulheres têm muito a dizer-nos na sociedade atual. Às vezes somos demasiado machistas, e não deixamos espaço à mulher. Mas a mulher sabe ver as coisas com olhos diferentes dos homens. A mulher sabe fazer perguntas que nós, homens, não conseguimos compreender. Senão vede… Ela [indica Glyzelle] fez hoje a única pergunta que não tem resposta. E não lhe vinham as palavras, teve de a dizer com as lágrimas. Assim, quando vier o próximo Papa a Manila, que haja mais mulheres!

Agradeço-te, Jun, que apresentaste com tanta coragem a tua experiência. Como disse antes, o núcleo da tua pergunta quase não tem resposta. Somente quando formos capazes de chorar sobre as coisas que vós vivestes, é que podemos compreender qualquer coisa e dar alguma resposta. A grande pergunta que se põe a todos: Porque sofrem as crianças? Porque sofrem as crianças? Precisamente quando o coração consegue pôr a si mesmo a pergunta e chorar, então podemos compreender qualquer coisa. Há uma compaixão mundana que para nada serve! Uma compaixão que, no máximo, nos leva a meter a mão na carteira e dar uma moeda. Se esta tivesse sido a compaixão de Cristo, teria passado, teria curado três ou quatro pessoas e teria regressado ao Pai. Somente quando Cristo chorou e foi capaz de chorar é que compreendeu os nossos dramas.

Queridos moços e moças, no mundo de hoje falta o pranto! Choram os marginalizados, choram aqueles que são postos de lado, choram os desprezados, mas aqueles de nós que levamos uma vida sem grandes necessidades não sabemos chorar. Certas realidades da vida só se vêem com os olhos limpos pelas lágrimas. Convido cada um de vós a perguntar-se: Aprendi eu a chorar? Quando vejo uma criança faminta, uma criança drogada pela estrada, uma criança sem casa, uma criança abandonada, uma criança abusada, uma criança usada como escravo pela sociedade? Oh! O meu não passa do pranto caprichoso de quem chora porque quereria ter mais alguma coisa? Esta é a primeira coisa que vos queria dizer: aprendamos a chorar, como ela [Glyzelle] nos ensinou hoje. Não esqueçamos este testemunho. A grande pergunta – porque sofrem as crianças? – foi feita por ela a chorar e a grande resposta que lhe podemos dar todos nós é aprender a chorar.

No Evangelho, Jesus chorou, chorou pelo amigo morto. Chorou no seu coração por aquela família que perdeu a filha. Chorou no seu coração, quando viu aquela pobre mãe viúva que levava o seu filho ao cemitério. Comoveu-Se e chorou no seu coração, quando viu a multidão como ovelhas sem pastor. Se vós não aprenderdes a chorar, não sois bons cristãos. E este é um desafio. Jun lançou-nos este desafio. E quando nos fizerem a pergunta «porque sofrem as crianças, porque acontece isto ou aquilo de trágico na vida», que a nossa resposta seja o silêncio ou a palavra que nasce das lágrimas? Sede corajosos, não tenhais medo de chorar.

A seguir veio Leandro Santos. Fez perguntas sobre o mundo da informação. Hoje, com tantos mass-media, estamos superinformados: será mal isto? Não. Isto é bom e ajuda, mas corremos o perigo de viver acumulando informações. E temos tantas informações, mas talvez não saibamos o que fazer com elas. Corremos o risco de nos tornarmos «jovens-museu» e não jovens sapientes. Poder-me-íeis pedir: Padre, como se chega a ser sapiente? E este é outro desafio: o desafio do amor. Qual é o assunto mais importante que é preciso aprender na universidade? Qual é o mais importante que se deve aprender na vida? Aprender a amar! E este é o desafio que o dia de hoje vos põe: aprender a amar! Não só acumular informações, sem saber o que fazer delas. É um museu. Mas, através do amor, fazer com que esta informação seja fecunda. Com este objetivo, o Evangelho propõe-nos um caminho sereno, tranquilo: usar as três linguagens, ou seja, a linguagem da mente, a linguagem do coração e a linguagem das mãos. E usar estas três linguagens de forma harmoniosa: aquilo que pensas, isso mesmo sentes e realizas. A tua informação desce ao coração, comove-o e realiza-se. E isto harmoniosamente: pensar o que se sente e o que se faz. Sentir aquilo que penso e faço; fazer o que penso e sinto. As três linguagens. Sois capazes de repetir, em voz alta, as três linguagens?

O verdadeiro amor é amar e deixar-me amar. É mais difícil deixar-me amar do que amar. Por isso é tão difícil chegar ao perfeito amor de Deus, porque podemos amá-Lo, mas o importante é deixar-se amar por Ele. O verdadeiro amor é abrir-se a este amor que nos precede e gera surpresa. Se tudo o que possuís é informação, toda a informação, estais fechados às surpresas; o amor abre-te às surpresas: o amor é sempre uma surpresa, porque pressupõe um diálogo a dois. Entre quem ama e quem é amado. E nós dizemos que Deus é o Deus das surpresas, porque Ele nos amou primeiro e espera-nos com uma surpresa. Deus surpreende-nos... Deixemo-nos surpreender por Deus! E não tenhamos a psicologia do computador: crer que sabe tudo. Isto que quer dizer? Um átimo e o computador dá-te todas as respostas, nenhuma surpresa. No desafio do amor, Deus manifesta-Se com surpresas. Pensemos em São Mateus… Era um bom homem de negócios; mas traía a sua pátria porque recolhia os impostos dos judeus para os dar aos romanos. Enfim, estava cheio de dinheiro e recebia os impostos. Passa Jesus, fixa-o e diz-lhe: «Segue-Me!» Aqueles que estavam com Jesus, dizem: Chama este que é um traidor, um vilão? Ele vive agarrado ao dinheiro... Mas a surpresa de ser amado vence-o e ele segue Jesus. Naquela manhã, quando se despedia da esposa, nunca teria pensado que iria voltar sem dinheiro e com pressa para dizer à sua esposa que preparasse um banquete. O banquete para Aquele que o tinha amado primeiro; que o havia surpreendido com algo mais importante do que todo o dinheiro que ele tinha.

Deixa-te surpreender pelo amor de Deus! Não tenhas medo das surpresas, que te agitam, põem em crise, mas de novo te colocam em caminho. O verdadeiro amor impele-te a gastar a vida, mesmo a risco de ficares com as mãos vazias. Pensemos em São Francisco: deixou tudo, morreu com as mãos vazias, mas com o coração cheio.

Estais de acordo? Não jovens de museu, mas jovens sapientes. Para ser sapientes, usai as três linguagens: pensar bem, sentir bem e fazer bem. E para ser sapientes, deixai-vos surpreender pelo amor de Deus! Ide e gastai a vida!

Obrigado pela tua contribuição de hoje!

Quem veio com um bom programa para nos ajudar a ver que podemos fazer na vida, foi Rikki. Contou todas as atividades, tudo aquilo que fazem, tudo o que querem fazer. Obrigado, Rikki! Obrigado pelo que fazeis, tu e os teus companheiros. Mas, quero fazer-te uma pergunta: Tu e os teus amigos estais comprometidos em dar – dais, dais, dais, ajudais... –, mas deixais também que vos dêem? Responde no teu coração. No Evangelho, que há pouco ouvimos, há uma frase que, para mim, é a mais importante de todas. O Evangelho diz que Jesus fitou o olhar naquele jovem e o amou (cf. Mc 10, 21). Quando alguém vê o grupo de Rikki e os seus companheiros, gosta muito deles porque fazem coisas muito boas, mas a frase mais importante que Jesus diz é: «Falta-te apenas uma coisa» (Mc 10, 21). Cada um de nós ouça em silêncio esta frase de Jesus: «Falta-te apenas uma coisa».

Que me falta? A todos aqueles que Jesus ama muito porque dão muito aos outros, eu pergunto: Deixais vós que os demais vos dêem outras riquezas que vós não tendes? Os saduceus, os doutores da Lei do tempo de Jesus davam muito ao povo, davam a Lei, ensinavam, mas nunca deixaram que o povo lhes desse qualquer coisa. Teve que vir Jesus para Se deixar comover pelo povo. Quantos jovens como vós, que estão aqui, sabem dar, mas não são igualmente capazes de receber!

«Falta-te apenas uma coisa». Isto é o que nos falta: aprender a mendigar daqueles a quem damos. Isto não é fácil de compreender: aprender a mendigar. Aprender a receber da humildade daqueles a quem ajudamos. Aprender a ser evangelizados pelos pobres. As pessoas que ajudamos – pobres, doentes, órfãos… – têm tanto para nos dar. Faço-me mendigo e peço também isto? Ou então sinto-me auto-suficiente e sei apenas dar? Vós que viveis dando sempre e julgais que de nada precisais, sabeis que sois verdadeiramente pobres? Sabeis que tendes uma grande pobreza e precisais de receber? Deixas-te ajudar pelos pobres, pelos doentes e por aqueles que ajudas? Isto é o que ajuda a amadurecer os jovens comprometidos como Rikki no trabalho de dar aos outros: aprender a estender a mão a partir da sua miséria.

Há alguns pontos que eu tinha preparado. O primeiro, que já disse, é aprender a amar e deixar-se amar. É o desafio da integridade moral.

Temos outro desafio, que é cuidar do meio ambiente. Isto não se deve apenas ao fato de que o vosso país, mais do que outros, corre o risco de ser seriamente afetado pelas alterações climáticas.

E, finalmente, há o desafio dos pobres. Amar os pobres. Os vossos Bispos querem que vos preocupeis com os pobres, sobretudo neste «Ano dos pobres». Vós pensais nos pobres? Sentis com os pobres? Fazeis algo pelos pobres? E pedis aos pobres para vos darem aquela sabedoria que eles possuem? Isto é o que eu vos queria dizer. Perdoai-me porque não li quase nada do que tinha preparado. Mas há uma expressão que me consola um pouco: «A realidade é superior à ideia». E a realidade que apresentastes, a realidade que sois é superior a todas as respostas que eu tinha preparado. Obrigado!

Fonte: Site do Vaticano

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Santo do dia: São Vicente Pallotti


Vicente Pallotti (1795-1850) é o fundador da Congregação dos Padres Palotinos e das Irmãs Palotinas. Ele foi um sacerdote romano que, com a sua profunda vida espiritual, suas múltiplas atividades apostólicas e a realização profética do apostolado, influiu de modo relevante na história da Igreja no século XIX.

Nasceu em Roma , dia 21 de abril de 1795, numa família de classe média. Com sua mãe aprendeu a amar os irmãos mais pobres, crescendo generoso e bondoso. Enquanto nos estudos mostrava grande esforço e dedicação, nas orações mostrava devoção extremada ao Espírito Santo. Passava as férias no campo, na casa do tio, onde distribuía aos empregados os doces que recebia, gesto que o pai lhe ensinara: nenhum pobre saía de sua mercearia de mãos vazias.

Às vezes sua generosidade preocupava, pois geralmente no inverno, voltava para casa sem os sapatos e o casaco. Pallotti admirava Francisco de Assis, pensou em ser capuchinho, mas não foi possível devido sua frágil saúde. Em 1818, se consagrou sacerdote pela diocese de Roma, onde ocupou cargos importantes na hierarquia da Igreja. Muito culto obteve o doutorado em Filosofia e Teologia.

Mas foi a sua atuação em obras sociais e religiosas que lhe trouxe a santidade. Teve uma vida de profunda espiritualidade, jamais se afastando das atividades apostólicas. É fruto do seu trabalho, a importância que o Concílio Vaticano II, cento e trinta anos após sua morte, decretou para o apostolado dos leigos, dando espaço para o trabalho deles junto às comunidades cristãs. Necessidade primeira deste novo milênio, onde a proliferação dos pobres e da miséria, infelizmente se faz cada vez mais presente.

Vicente defendia que todo cristão leigo, através do sacramento do batismo, tem o legítimo direito assim como a obrigação de trabalhar pela pregação da fé católica, da mesma forma que os sacerdotes. Esta ação de apostolado que os novos tempos exigiria de todos os católicos, foi sem dúvida seu carisma de inspiração visionária . Fundou, em 1835, a Obra do Apostolado Católico, que envolvia e preparava os leigos para promoverem as suas associações evangelizadoras e de caridade, orientados pelos religiosos das duas Congregações criadas por ele para esta finalidade, a dos Padres Palotinos e das Irmãs Palotinas.

Vicente Pallotti morreu em Roma, no dia 22 de janeiro 1850, aos cinquenta e cinco anos de idade. De saúde frágil, doou naquele inverno seu casaco a um pobre, adquirindo a doença que o vitimou. Assim sendo não pôde ver as duas famílias religiosas serem aprovadas pelo Vaticano, que devolvia as Regras indicando sempre algum erro. Com certeza um engano abençoado, pois a continuidade e a persistência destas Obras trouxeram o novo ânimo que a Igreja necessitava. Em 1904, foram reconhecidas pela Santa Sé, motivando o pedido de sua canonização.

O Papa Pio XI o beatificou Vicente Pallotti e, em 1963, as suas ideias e carisma espiritual foram plenamente reconhecidos pelo papa João XXIII, que o proclamou santo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Audiência Geral desta semana faz memória da Viagem Apostólica do Papa Francisco


A Audiência Geral desta quarta-feira fez memória dos momentos mais marcantes da Viagem Apostólica ao Sri Lanka e Filipinas, ocorrida na semana passada.

O Santo Padre recordou a visita a estes dois países que, em tempos recentes, viveram grandes tribulações e necessitam da força e solidariedade de todos no seu caminho de reconstrução social e material. O Sri Lanka rejubilou com o seu primeiro santo – S. José Vaz –, cujo exemplo de santidade e amor ao próximo continua a inspirar a Igreja no seu serviço de caridade e promoção humana aberto a todos os necessitados sem distinção de religião ou grupo social. Em particular o Santo Padre encontrou-se com os vários líderes religiosos daquele país:

“O meu encontro com os expoentes religiosos foi uma confirmação das boas relações que existem entre as várias comunidades. Em tal contexto quis encorajar a cooperação já iniciada entre os seguidores das diferentes tradições religiosas, também com o fim de poder curar com o bálsamo do perdão todos os que ainda estão aflitos pelos sofrimentos dos últimos anos.”

O Papa Francisco referiu-se depois ao objetivo principal da sua visita às Filipinas que era levar conforto e encorajamento às populações que atingidas pelo tufão Yolanda. E salientou em especial o seu encontro com as famílias e com os jovens:

“Os encontros com as famílias e com os jovens em Manila, foram momentos salientes da visita nas Filipinas. As famílias sãs são essenciais à vida da sociedade. Dá consolação e esperança ver tantas famílias numerosas que acolhem os filhos como um verdadeiro dom de Deus. Eles sabem que cada filho é uma bênção. Ouvi dizer que as famílias com muitos filhos e o nascimento de tantas crianças estão entre as causas da pobreza. Parece-me uma opinião simplista. Posso dizer que a causa principal da pobreza é um sistema econômico que tirou a pessoa do centro e aí colocou o deus dinheiro; um sistema econômico que exclui e que cria a cultura do descartável em que vivemos. Evocando uma vez mais a figura de S. José, que protegeu a vida do “Santo Niño”, tão venerado naquele país, recordei que ocorre proteger as famílias, que enfrentam diversas ameaças, para que possam testemunhar a beleza da família no projeto de Deus. É preciso também defendê-las das novas colonizações ideológicas que atentam à sua identidade e à sua missão.”

O Papa Francisco saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

Com sentimentos de grata estima, vos saúdo, caríssimos peregrinos de língua portuguesa, pedindo a vossa solidariedade espiritual e material em favor das populações duramente provadas do Sri Lanka e das Filipinas. Isto faz parte daquele «diálogo da caridade» que visa a plena comunhão de todos os filhos de Deus, como nos recorda nestes dias o Oitavário de Oração pela unidade dos cristãos. Sobre vós e vossas famílias desça a Bênção do Senhor.

No final da audiência geral o Santo Padre lançou um apelo pelas vítimas das manifestações violentas no Níger que atingem as comunidades cristãs onde morreram pelo menos 10 pessoas e mais de 40 igrejas foram destruídas:

“Caros irmãos e irmãs,

Gostaria agora de convidar-vos a rezar juntos pelas vítimas das manifestações destes últimos dias na amada Nigéria. Invoquemos do Senhor o dom da reconciliação e da paz, porque nunca o sentimento religioso se torne ocasião de violência, de prepotência e de destruição. Não se pode fazer a guerra em nome de Deus. Desejo que o mais depressa possível se possa restabelecer um clima de respeito recíproco e de pacífica convivência para o bem de todos.”

O Papa Francisco deu a todos sua bênção!

Fonte: NEWS.VA