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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O sermão das árvores

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O sermão das árvores – Rubem Alves

Relata-se que São Francisco - a quem muito amo pregava aos peixes e às aves. Se a lenda é verdadeira imagino que os peixes e as aves, ouvindo a pregação do santo, riam e sorriam discretamente para não ofendê-lo. E isso porque não se pode pregar a seres perfeitos. Prega-se a seres imperfeitos para que eles se tornem perfeitos. Acontece que peixes e aves são perfeitos, são felizes naquilo que são. Peixes não querem ser aves. Aves não querem ser peixes. Mangueiras não pensam jabuticabas. Jabuticabeiras não pensam mangas. Fico pasmado, olhando uma jabuticabeira florida no Dali. Pobrezinha, teve galhos cortados, ficou espremida entre paredes. Mas ela tudo ignora. Está coberta de flores brancas. É como se tivesse caído neve. As flores têm aquele delicioso perfume de infância e pés descalços. As abelhas, atraídas pelo perfume, vêm e zumbem, zumbem... Assim é: cada bicho e cada planta estão contentes com o que são. São felizes no que são. Feuerbach, filósofo-poeta sensível, observou sobre a desconhecida psicologia das plantas:
"Se as plantas tivessem olhos, gosto e capacidade de julgar, cada planta diria que a sua flor é a mais bonita."

Esse não é o nosso caso. Somos os únicos seres que não estão contentes com o que são. Queremos ser diferentes. Por isso estamos infelizes e doentes.

"Ah, como os mais simples dos homens
São doentes e confusos e estúpidos
Ao pé da clara simplicidade
E saúde em existir
Das árvores e das plantas!"
Dizia Alberto Caeiro.

Assim, o certo não somos nós. Confusos e estúpidos, pregamos às criaturas. O certo é que elas, felizes, preguem a nós. As criaturas falam. O salmista olhava para os céus e percebia que pelos espaços vazios se ouvia a pregação sem linguagem e sem fala das estrelas (salmo 19). Olhava, fechava a boca e escutava. Mas nós, cuja loucura está em nos considerarmos superiores, achamos que podemos pregar e ensinar. Parte da nossa estupidez é a incontinência verbal, a constante ejaculação de palavras - quando a verdadeira sabedoria seria fazer silêncio, parar os pensamentos, para ouvir a pregação das estrelas, dos peixes, das aves, das plantas.

Jesus dizia aos perturbados pelas ansiedades da vida que eles deviam olhar para as flores a fim de aprender delas tranquilidade. O salmista (salmo 1) pregava aos homens falando de um ideal de vida em que somos como "a árvore plantada junto a ribeiros de águas". Regatos e árvores nos ensinam sabedoria.
Por isso, continua em mim a suspeita de que as árvores são uma forma mais evoluída de vida que a nossa. Me contestarão dizendo que somos superiores porque pensamos e as árvores não. Pergunto se a capacidade de pensar é sinal de superioridade. O pensamento não surge, precisamente, da nossa doença? Ou como sintoma dela ou como tentativa de cura? Caeiro dizia que "pensar é estar doente dos olhos". Pensamos porque não estamos felizes com o que somos. Quando estou feliz meus olhos vêem a árvore e descansam nela. Não penso outras coisas. Eu e a árvore somos um. Quando estou doente meus olhos vêem a árvore mas não descansam nela. Penso. Meu corpo, no pensamento, vai para um outro lugar. Pensamos porque não estamos felizes onde estamos. Daí a nossa agitação, tão bem descrita numa palavra inglesa que não pode ser traduzida: restlessness: o estado em que estamos permanentemente sem descanso. Inclusive eu, que penso esses pensamentos: penso para ver se descubro uma forma de ficar simples e calmo como as árvores.

Gosto de caminhar. Caminho olhando para cima e para os lados. Acho estranhas as pessoas que caminham olhando para o chão. Compreendo. Para elas não faz diferença. O pensamento delas não está colado ao corpo. Se estivesse, ele estaria colado às árvores, aos pássaros, ao céu, e elas estariam olhando para os lados e para cima. Infelizes, o pensamento caminha por outros lugares. Por isso, é indiferente que olhem para o chão ou para as árvores.

Olho para cima e para os lados para ver as árvores. Tento ouvir a sua silenciosa pregação. Se pregam é porque pensam. Mas seus pensamentos são diferentes dos nossos. Elas pensam da mesma forma como produzem brotos e flores. Não pensam pensamentos da cabeça, como nós. As árvores não têm cabeça. Não precisam ter cabeça. Elas pensam com o corpo: raízes, tronco, galhos, folhas, flores, frutos. Pensam sempre os pensamentos que devem ser pensados, isto é, pensamentos que têm a ver com a vida. Agora, depois da chuva, as tipuanas e outras árvores estão cobertas de brotos novos. Os brotos novos são seus pensamentos alegres, pensamentos que as árvores devem ter, quando a primavera se aproxima. Os ipês têm outros pensamentos. Eles não são iguais às tipuanas. Estão floridos. Faz duas semanas, eram os ipês-amarelos. Agora, os ipês-rosas e os ipês-brancos. Floriram não por felicidade mas por medo. Floriram por causa da seca. Floriram por medo de morrer e trataram de ejacular sementes para que, no evento de sua morte, suas sementes estivessem espalhadas pelo mundo. Os ciprestes italianos têm fantasias teológicas: afinam-se e querem tocar os céus. Os chapéus-de-sol - que alguns chamam de amendoeiras -, ao contrário, são seres desse mundo. Estendem seus galhos na horizontal. Os paus-ferro, livres de cascas velhas enrugadas, exibem uma pele lisa e branca onde pessoas malvadas gravam, a canivete, seus nomes. Passo neles a minha mão porque é gostoso sentir sua lisura.

As árvores jovens têm a sua beleza. Mas, sendo jovens, não têm estórias para contar. Não se pode assentar à sua sombra, suas copas oferecem pouco lugar para os pássaros e seus galhos não são fortes o bastante para que neles se amarrem balanços. "Olhe estas velhas árvores. Quanto mais velhas mais amigas..." - dizia Bilac. Isso, isso mesmo. As árvores são amigas. Estão sempre fielmente no mesmo lugar, à espera. E se não comparecermos, elas continuarão lá, do mesmo jeito. E sem nada dizer. E jamais se vingam. É só olharmos para elas com a cabeça vazia de pensamentos para sermos possuídos por uma imensa tranquilidade.

As árvores sabem que a única razão da sua vida é viver. Vivem para viver. Viver é bom. Raízes mergulhadas na terra, não fazem planos de viagem. Estão felizes onde estão. Enfrentam seca e chuva, noite e dia, chuva e calor, com silenciosa tranquilidade, sem acusar, sem lamentar. E morrem também tranquilas, sem medo. Ah! Como as pessoas seriam mais belas e felizes se fossem como as árvores. É possível que os estóicos e Spinoza tenham se tornado filósofos tomando lições com as árvores.
Olhando para as árvores, tive por um momento a ideia de que Deus é uma árvore em cuja sombra nós, crianças, brincamos e descansamos. Pura generosidade sem memória.

Acho que o verdadeiro, sobre São Francisco, não é que ele tenha pregado aos peixes e pássaros. A verdade é que ele ouviu o sermão das árvores. Por isso ficou tão manso, tão tranquilo. Ele tinha a beleza das árvores. Estava reconciliado com a vida. Então os pássaros fizeram ninhos nos seus galhos e os peixes comeram dos seus frutos que caíam na água...

Sejamos simples e calmos
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!... (Alberto Caieiro)

RUBEM ALVES  - O AMOR QUE ACENDE A LUA

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Santos Inocentes

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Somente a monstruosidade de uma mente assassina, cruel e desumana, poderia conceber o plano executado pelo sanguinário rei Herodes: eliminar todas os meninos nascidos no mesmo período do nascimento de Jesus para evitar que vivesse o rei dos judeus. Pois foi isso que esse tirano arquitetou e fez.
Impossível calcular o número de crianças arrancadas dos braços maternos e depois trucidadas. Todos esses pequeninos se tornaram os "santos inocentes", cultuados e venerados pelo Povo de Deus. Eles tiveram seu sangue derramado em nome de Cristo, sem nem mesmo poderem "confessar" sua crença.
Quem narrou para a história foi o apóstolo Mateus, em seu Evangelho. Os reis magos procuraram Herodes, perguntando onde poderiam encontrar o recém-nascido rei dos judeus para saudá-lo. O rei consultou, então, os sacerdotes e sábios do reino, obtendo a resposta de que ele teria nascido em Belém de Judá, Palestina.

Herodes, fingindo apoiar os magos em sua missão, pediu-lhes que, depois de encontrarem o "tal rei dos judeus", voltassem e lhe dessem notícias confirmando o fato e o local onde poderia ser encontrado, pois "também queria adorá-lo".

Claro que os reis do Oriente não traíram Jesus. Depois de visitá-lo na manjedoura, um anjo os visitou em sonho avisando que o Menino-Deus corria perigo de vida e que deveriam voltar para suas terras por outro caminho. O encontro com o rei Herodes devia ser evitado.

Eles ouviram e obedeceram. Mas o tirano, ao perceber que havia sido enganado, decretou a morte de todos os meninos com menos de dois anos de idade nascidos na região. O decreto foi executado à risca pelos soldados do seu exército.

A festa aos Santos Inocentes acontece desde o século IV. O culto foi confirmado pelo papa Pio V, agora santo, para marcar o cumprimento de uma das mais antigas profecias, revelada pelo profeta Jeremias: a de que "Raquel choraria a morte de seus filhos" quando o Messias chegasse.

Esses pequeninos inocentes de tenra idade, de alma pura, escreveram a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e mereceram a glória eterna, segundo a promessa de Jesus. A Igreja preferiu indicar a festa dos Santos Inocentes para o dia 28 de dezembro por ser uma data próxima à Natividade de Jesus, uma vez que tudo aconteceu após a visita dos reis magos. A escolha foi proposital, pois quis que os Santinhos Inocentes alegrassem, com sua presença, a manjedoura do Menino Jesus.

domingo, 27 de dezembro de 2015

São João Evangelista

Web

























João quer dizer “graça de Deus”, ou “em quem está a graça”, ou “ao qual foi dada a graça”, ou “aquele que recebeu um dom de Deus”. É muito difícil imaginar que esse autor do quarto evangelho e do Apocalipse tenha sido considerado inculto e não douto. Mas foi dessa forma que o sinédrio classificou João, o apóstolo e evangelista, conhecido como “o discípulo que Jesus amava”. Ele foi o único apóstolo que esteve com Jesus até a sua morte na cruz.


João, filho de Zebedeu e de Salomé, irmão de Tiago Maior, de profissão pescador, originário de Betsaida, como Pedro e André, ocupa um lugar de primeiro plano no elenco dos apóstolos. O autor do quarto Evangelho e do Apocalipse, será classificado pelo Sinédrio como indouto e inculto. No entanto, o leitor, mesmo que leia superficialmente os seus escritos, percebe não só o arrojo do pensamento, mas também a capacidade de revestir com criativas imagens literárias os sublimes pensamentos de Deus. A voz do juiz divino é como o mugido de muitas águas.


João é sempre o homem da elevação espiritual, mais inclinado à contemplação que à ação. É a águia que desde o primeiro bater das asas se eleva às vertiginosas alturas do mistério trinitário: “No princípio de tudo, aquele que é a Palavra já existia. Ele estava com Deus e ele mesmo era Deus.”


Ele está entre os mais íntimos de Jesus e nas horas mais solenes de sua vida João está perto. Está a seu lado na hora da ceia, durante o processo, e único entre os apóstolos, assiste à sua morte junto com Maria. Mas contrariamente a tudo o que possam fazer pensar as representações da arte, João não era um homem fantasioso e delicado. Bastaria o apelido humorista que o Mestre impôs a ele e a seu irmão Tiago: “Filhos do trovão” para nos indicar um temperamento vivaz e impulsivo, alheio a compromissos e hesitações, até aparecendo intolerante e cáustico.

No seu Evangelho designa a si mesmo simplesmente como “o discípulo a quem Jesus amava.” Também se não nos é dado indagar sobre o segredo desta inefável amizade, podemos adivinhar uma certa analogia entre a alma do Filho do homem e a do filho do trovão, pois Jesus veio à terra não só trazer a paz mas também o fogo. Após a ressurreição, João está quase constantemente ao lado de Pedro. Paulo, na epístola aos Gálatas, fala de Pedro, Tiago e João como colunas na Igreja.


No Apocalipse, João diz que foi perseguido e degredado para a ilha de Patmos “por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo”. Conforme uma tradição unânime ele viveu em Éfeso em companhia de Maria e sob o imperador Domiciano foi colocado dentro de uma caldeira com óleo a ferver, mas saiu ileso e, todavia, com a glória de ter dado testemunho. Depois do exílio de Patmos voltou definitivamente para Éfeso, onde exortava continuamente os fiéis ao amor fraterno, resultando em três cartas, acolhidas entre os textos sagrados, assim como o Apocalipse e o Evangelho. Morreu em Éfeso durante o império de Trajano (98-117), onde foi sepultado.

Solenidade da Sagrada Família de Nazaré

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Lc 2, 41-52

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa.
Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume.
Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse:
— “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”.
Jesus respondeu: — “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?”
Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera.
Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas. E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens.

Palavra da Salvação

Refletindo sobre a família – Pe. João Batista Libânio, sj

A liturgia consagra este dia à Sagrada Família e coloca esse relato, que parece ser um mau exemplo de Jesus, pois Ele se apresenta desobediente, fugindo da família, deixa seus pais angustiados até que o encontram depois de três dias. José e Maria custaram a entender que aquele Menino era diferente. Ele tinha uma relação muito íntima com aquele Javé poderoso, que tanto os assustava, para o qual ninguém poderia sequer olhar. Já criança, Jesus mostrava a imensa liberdade que norteará toda a sua vida. Mas será que a liturgia estará sugerindo que vocês, jovens, desobedeçam a seus pais ou haverá um mistério maior na família? Acho que o grande mistério da família começa na criança. Os pais, muitas vezes, pensam que o filho é fabricação deles, e não se dão conta de que, quando colocam um filho no mundo, estão colocando algo muito maior do que eles mesmos. Embora seja fisicamente pequenina, dentro de si, a criança carrega o infinito. Se conseguíssemos ver os nossos jovens como portadores do infinito, talvez pudéssemos compreendê-los muitos melhor e ajudá-los a crescer, não apenas em estatura, mas em sabedoria e graça. Se fossem sábios, poderiam distinguir melhor os caminhos que os levariam à felicidade ou à perdição. Para que amanhã não seja muito tarde, precisamos ajudar aos nossos jovens e às nossas crianças a se desviarem dos abismos que os ameaçam.

Gostaria de fazer uma reflexão, tomando um pouquinho do aspecto cultural. Até o advento do capitalismo, a única família que se conhecia era aquela que não se constituía com base no amor. A família era constituída sobre três grandes princípios: a dinastia, isto é, a conservação do sangue familiar. Daí vem toda a história dos reis, da nobreza, em que os pais escolhiam as esposas e esposos, e os filhos não opinavam em nada. Outro princípio muito comum era o econômico, que, infelizmente, ainda funciona até hoje em certos lugares. As famílias se unem para manter o patrimônio, para que o dinheiro não se desvie para mãos diferentes. Várias famílias se formam através de ajustes econômicos. Havia também famílias bem simples, mas essas também não escolhiam nada. Prevaleciam os costumes locais. Em todos os casos, a emoção, o carinho e o amor ficavam de fora. Como eram três realidades muito firmes e difíceis de serem enfrentadas, as famílias eram sólidas e nisso havia pontos positivos e negativos. Como negativo, temos a ausência do amor; e como ponto positivo, a estabilidade. Ai da mulher que rompesse o vínculo matrimonial! Mesmo no evangelho, podemos perceber que até José ficou hesitante quando soube que Maria estava grávida de um filho que não era dele. Se a rejeitasse, ela seria severamente punida numa cultura de uma pequena cidade como Nazaré. Só com o advento do capitalismo, e já num estágio bem mais avançado, nas últimas décadas do século passado, é que vai surgir o matrimônio pela escolha recíproca dos noivos. Ao mesmo tempo em que houve um grande avanço, houve também um grande risco. O grande avanço é que ninguém é mais forçado a casar com quem quer que seja, mas estamos pagando um preço muito alto. O amor entre os jovens é muito instável, e acaba em dois, três meses, se tanto. A riqueza do amor como critério de escolha levou à instabilidade familiar. Li um artigo do Frei Betto em que ele diz que a média da estabilidade no Brasil é de sete anos. É bom que vocês, jovens, pensem seriamente nisso.

O amor é instável porque é muito difícil, na idade jovem, distinguir amor de paixão. O que realmente é instável não é o amor, mas a paixão, e como os dois são muito parecidos, os jovens frequentemente se enganam, e basta uma pequena chuva para extinguir o fogo de uma grande paixão, que logo será substituída por outra e por outra. Antes isso só acontecia com os homens, e as mulheres eram deixadas de lado. Com o avanço do capitalismo, a mulher adquiriu uma grande autonomia e não é mais dependente do homem nem econômica, nem afetivamente. Ela não se sente mais vinculada, e começa a passar pela mesma instabilidade afetiva. É com essa família que temos que conviver.

Diante de tal situação, me volto para os pais com filhos e filhas em idade namorável e namorível, para dizer-lhes que a função de nós, mais velhos, é a mesma do sábio, daquele que aprendeu da experiência e não apenas a viveu. Ter experiência, todos nós temos, mas precisamos usá-las para chegarmos à sabedoria, depois de muito pensar, refletir e trabalhar sobre ela. Daí pode vir a grande saída para a instabilidade familiar, com os pais elaborando com seus filhos as experiências que eles próprios viveram, levando os jovens a tomarem consciência do valor de uma verdadeira experiência de amor. Deixando seus filhos entregues ao fogaréu das paixões, eles não terão nunca uma garantia de estabilidade. Ao assistir a tantos matrimônios, eu pergunto aos meus botões: por quanto tempo? A instabilidade afetiva é quase visível pelo olhar, pela maneira daqueles noivos se sentirem mutuamente. Muitos trazem a profundidade de uma quadra de basquete. E quem pode ajudá-los é apenas quem viveu e experimentou. Mostrando aos seus filhos, até mesmo uma experiência fracassada, mas refletida e trabalhada, vocês pais, poderão ajudá-los a não entrarem pelos mesmos sofrimentos, livrando-os das consequências de uma separação, que sempre será muito sofrida, fazendo com que eles percam as referências, que, para eles, somos nós, os mais velhos, que nos consideramos um pouquinho mais sábios. Amém.

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar

Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para este domingo:



sábado, 26 de dezembro de 2015

Santo Estêvão

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Depois do Pentecostes, os apóstolos dirigiam o anúncio da mensagem cristã aos mais próximos, aos hebreus, aguçando o conflito apenas acalmado da parte das autoridades religiosas do judaísmo. Como Cristo, os apóstolos conheceram logo as humilhações dos flagelos e da prisão, mas apenas libertados das correntes retomam a pregação do Evangelho. A primeira comunidade cristã, para viver integralmente o preceito da caridade fraterna, colocou tudo em comum, repartindo diariamente o que era suficiente para o seu sustento. Com o crescimento da comunidade, os apóstolos confiaram o serviço da assistência diária a sete ministros da caridade, chamados diáconos.

Entre eles sobressaía o jovem Estêvão, que em grego quer dizer “coroa”, em hebraico “regra”. Ele foi a coroa, isto é, o líder dos mártires do novo testamento, assim como Abel foi do Antigo.

Estevão, além de exercer as funções de administrador dos bens comuns, não renunciava ao anúncio da Boa Nova, e o fez com tanto sucesso que os judeus “apareceram de surpresa, agarraram Estêvão e levaram-no ao tribunal. Apresentaram falsas testemunhas, que declararam: “Este homem não faz outra coisa senão falar contra o nosso santo templo e contra a Lei de Moisés. Nós até o ouvimos afirmar que esse Jesus de Nazaré vai destruir o templo e mudar as tradições que Moisés nos deixou”.

Estêvão, como se lê nos Atos dos Apóstolos, cheio de graça e de força, como pretexto de sua autodefesa, aproveitou para iluminar as mentes de seus adversários. Primeiro, resumiu a história hebraica de Abraão até Salomão, em seguida afirmou não ter falado contra Deus, nem contra Moisés, nem contra a Lei, nem fora do Templo. Demonstrou, de fato, que Deus se revelava também fora do Templo e se propunha a revelar a doutrina universal de Jesus como última manifestação de Deus, mas os seus adversários não o deixaram prosseguir no discurso, “taparam os ouvidos e atiraram-se todos contra ele, em altos gritos. Expulsaram-no da cidade e apedrejaram-no.”

Dobrando os joelhos debaixo de uma tremenda chuva de pedra, o primeiro mártir cristão repetiu as mesmas palavras de perdão pronunciadas por Cristo sobre a Cruz: “Senhor, não os condenes por causa deste pecado.”

Estêvão foi lapidado no ano da ascensão do Senhor, no começo do mês de agosto, na manhã do terceiro dia. Os santos Gamaliel e Nicodemos, que defendiam os cristãos em todos os conselhos dos judeus, sepultaram-no num terreno pertencente a Gamaliel e realizaram seus funerais com grande reverência. O bem-aventurado Estêvão era um dos principais cristãos de Jerusalém, e após sua morte começou uma onda de perseguição a eles que, excetuados os apóstolos, que eram os mais corajosos, os cristãos dispersaram-se por toda a província da Judeia, conforme o Senhor havia recomendado: “Se forem perseguidos numa cidade, fujam para outra”.

Em 415 a descoberta das suas relíquias suscitou grande emoção na cristandade. A festa do primeiro mártir foi sempre celebrada imediatamente após a festividade do Natal.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal de Jesus

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A encarnação do Verbo de Deus assinala o início dos “últimos tempos”, isto é, a redenção da humanidade por parte de Deus. Cega e afastada de Deus, a humanidade viu nascer a luz que mudou o rumo da sua história. O nascimento de Jesus é um fato real que marca a participação direta do ser humano na vida divina. Esta comemoração é a demonstração maior do amor misericordioso de Deus sobre cada um de nós, pois concedeu-nos a alegria de compartilhar com ele a encarnação de seu Filho Jesus, que se tornou um entre nós. Ele veio mostrar o caminho, a verdade e a vida, e vida eterna. A simbologia da festa do Natal é o nascimento do Menino-Deus.

No início, o nascimento de Jesus era festejado em 6 de janeiro, especialmente no Oriente, com o nome de Epifania, ou seja, manifestação. Os cristãos comemoravam o natalício de Jesus junto com a chegada dos reis magos, mas sabiam que nessa data o Cristo já havia nascido havia alguns dias. Isso porque a data exata é um dado que não existe no Evangelho, que indica com precisão apenas o lugar do acontecimento, a cidade de Belém, na Palestina. Assim, aquele dia da Epifania também era o mais provável em conformidade com os acontecimentos bíblicos e por razões tradicionais do povo cristão dos primeiros tempos.

Entretanto, antes de Cristo, em Roma, a partir do imperador Júlio César, o 25 de dezembro era destinado aos pagãos para as comemorações do solstício de inverno, o “dia do sol invencível”, como atestam antigos documentos. Era uma festa tradicional para celebrar o nascimento do Sol após a noite mais longa do ano no hemisfério Norte. Para eles, o sol era o deus do tempo e o seu nascimento nesse dia significava ter vencido a deusa das trevas, que era a noite.

Era, também, um dia de descanso para os escravos, quando os senhores se sentavam às mesas com eles e lhes davam presentes. Tudo para agradar o deus sol.

No século IV da era cristã, com a conversão do imperador Constantino, a celebração da vitória do sol sobre as trevas não fazia sentido. O único acontecimento importante que merecia ser recordado como a maior festividade era o nascimento do Filho de Deus, cerne da nossa redenção. Mas os cristãos já vinham, ao longo dos anos, aproveitando o dia da festa do “sol invencível” para celebrar o nascimento do único e verdadeiro sol dos cristãos: Jesus Cristo. De tal modo que, em 354, o papa Libério decretou, por lei eclesiástica, a data de 25 de dezembro como o Natal de Jesus Cristo.

A transferência da celebração motivou duas festas distintas para o povo cristão, a do nascimento de Jesus e a da Epifania. Com a mudança, veio, também, a tradição de presentear as crianças no Natal cristão, uma alusão às oferendas dos reis magos ao Menino Jesus na gruta de Belém. Aos poucos, o Oriente passou a comemorar o Natal também em 25 de dezembro.

Passados mais de dois milênios, a Noite de Natal é mais que uma festa cristã, é um símbolo universal celebrado por todas as famílias do mundo, até as não-cristãs. A humanidade fica tomada pelo supremo sentimento de amor ao próximo e a Terra fica impregnada do espírito sereno da paz de Cristo, que só existe entre os seres humanos de boa vontade. Portanto, hoje é dia de alegria, nasceu o Menino-Deus, nasceu o Salvador.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

"E uma criança pequena os guiará"

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A fotografia é simples: duas mãos dadas, uma mão segurando a outra. Uma delas é grande, a outra é pequena, rechonchuda. Isso é tudo. Mas imaginação não se contenta com o fragmento e completa o quadro: é um pai que passeia com seu filhinho. O pai segura com firmeza e ternura a mãozinha do filho, que termina no meio da palma de sua mão. O pai conduz o filho, indica o caminho, aponta para as coisas, mostra como são interessantes, bonitas, engraçadas. O menininho vai sendo apresentado ao mundo.
É assim que as coisas acontecem: os grandes ensinam, os pequenos aprendem. As crianças nada sabem sobre o mundo. Também pudera! Nunca estiveram aqui. Tudo é novidade. Alberto Caeiro tem um poema sobre o olhar (dele), que diz ser igual ao de uma criança: Meu olhar é nítido como um girassol. E o que vejo a cada momento é aquilo que nunca antes eu tinha visto, eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial que tem uma criança se, ao nascer, reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento para a eterna novidade do mundo.

O olhar das crianças é pasmado! Veem o que nunca tinham visto! Não sabem o nome das coisas. O pai vai dando os nomes. Aprendendo os nomes as coisas estranhas vão ficando conhecidas e amigas. Transformam-se num rebanho manso de ovelhas que atendem quando são chamadas.

Quem sabe as coisas são os adultos. Conhecem o mundo. Não nasceram sabendo. Tiveram de aprender. Houve um tempo em que a mãozinha gorda rechonchuda era a deles. Um outro, de mão grande, os conduziu. O mais difícil foi aprender quando não havia ninguém que ensinasse. Tiveram de tatear pelo desconhecido. Erraram muitas vezes. Foi assim que os caminhos e rotas foram descobertos. Já imaginaram os milhares de anos que tiveram de se passar até que os homens aprendessem que certas ervas têm poderes de cura? E as comidas que comemos, os pratos que nos dão prazer! Por detrás deles há milênios de experimentos, acidentes felizes, fracassos! Vejam o fósforo, essa coisa insignificante e mágica: um esfregão e eis o milagre: o fogo na ponta de um pauzinho. Gostaria, um dia, de dar um curso sobre a história do pau de fósforo. Na sua história há uma enormidade de experimentos e pensamentos.

Ensinar é um ato de amor. Se as gerações mais velhas não transmitissem o seu conhecimento às gerações mais novas, nós ainda estaríamos na condição dos homens pré-históricos. Ensinar é o processo pelo qual as gerações mais velhas transmitem às gerações mais novas, como herança, a caixa onde guardam seus mapas e ferramentas. Assim, as crianças não precisam começar da estaca zero. Ensinam-se os saberes para poupar àqueles que não sabem o tempo e o cansaço do pensamento: saber para não pensar. Não preciso pensar para riscar um pau de fósforo. Os grandes sabem. As crianças não sabem. Os grandes ensinam. As crianças aprendem. A educação é um progressivo despedir-se da infância.

Todo mundo sabe que as coisas são assim: as crianças nada sabem, quem sabe são os adultos. Segue-se, então, logicamente, que as crianças são os alunos e os adultos são os professores.
Pois o Natal é uma absurda inversão pedagógica: os grandes aprendendo dos pequenos. Um profeta do Antigo Testamento - certamente sem entender o que escrevia, pois os profetas nunca sabem o que estão dizendo - resumiu essa pedagogia invertida numa frase curta e maravilhosa: e uma criança pequena os guiará (Isaías. 11.6).

Rubem Alves - educador e escritor

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Santo do dia: São Pedro Canísio

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A catequese sempre exerceu um fascínio tão grande sobre Pedro Canísio que, quando tinha menos de treze anos, ele já reunia meninos e meninas à sua volta para ensinar passagens da Bíblia, orações e detalhes da doutrina da Igreja. Mais tarde, seria autor de um catecismo que, publicado pela primeira vez em 1554, teve mais de duzentas edições e foi traduzido em quinze línguas. Mas teve também grande atuação no campo teológico, combatendo os protestantes.

Peter Kanijs para os latinos, Pedro Canísio nasceu em 8 de maio 1521, no ducado de Geldern, atual Holanda. Ao contrário dos demais garotos, preferia os livros de oração às brincadeiras. Muito estudioso, com quinze anos seu pai o mandou estudar em Colônia e, com dezenove, recebeu o título de doutor em filosofia. Mas não aprendeu somente as ciências terrenas. Com um mestre profundamente católico, Pedro também mergulhou, prazerosamente, nos estudos da doutrina de Cristo, fazendo despertar a vocação que se adivinhava desde a infância.

No ano seguinte ao da sua formatura, os pais, que planejaram um belo futuro financeiro para a família, lhe arranjaram um bom casamento. Mas Pedro Canísio recusou. Não só recusou como aproveitou e fez voto eterno de castidade. Foi para Mainz, dedicar-se apenas ao estudo da religião. Orientado pelo padre Faber, célebre discípulo do futuro santo Inácio de Loyola, em 1543 ingressou na recém-fundada Companhia de Jesus. Três anos depois, ordenado padre jesuíta, recebeu a incumbência de voltar para Colônia e fundar uma nova Casa para a Ordem. Assim começou sua luta contra um cisma que abalou e dividiu a Igreja: o protestantismo.

Quando era professor de teologia em Colônia, sendo respeitado até pelo imperador, Pedro Canísio conseguiu a deposição do arcebispo local, que era abertamente favorável aos protestantes. Depois, participou do Concílio de Trento, representando o cardeal Oto de Augsburg. Pregou e combateu o cisma, ainda, em Roma e Messina, onde lecionou teologia. Mas teve de voltar à Alemanha, pois sua presença se fazia necessária em Viena, onde o protestantismo fazia enormes estragos.

Foi nesse período que sua luta incansável trouxe mais frutos e que também escreveu a maior parte de suas obras literárias. Fundou colégios católicos em Viena, Praga, Baviera, Colônia, Innsbruck e Dillingen. Foi nomeado pelo próprio fundador, Inácio de Loyola, provincial da Ordem para a Alemanha e a Áustria. Pregou em Strasburg, Friburg e até na Polônia, sempre denunciando os seguidores do sacerdote Lutero, pai do protestantismo.
Admirado pelos pontífices e governantes do seu tempo, respeitado como primeiro jesuíta de nacionalidade alemã, Pedro Canísio morreu em 21 de dezembro de 1597, em Friburg, atual Suíça, após cinqüenta e quatro anos de dedicação à Companhia de Jesus e à Igreja. Foi canonizado por Pio XI, em 1925, para ser festejado, no dia de sua morte, como são Pedro Canísio, doutor da Igreja, título que também recebeu nessa ocasião.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

4º domingo do Advento

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1ª Leitura - Mq 5,1-4ª
Salmo - Sl 79 2ac.3b.15-16.18-19
2ª Leitura - Hb 10,5-10
Evangelho - Lc 1,39-45

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa,
dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia.
Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
a criança pulou no seu ventre
e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
Com um grande grito, exclamou:
'Bendita és tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre!'
Como posso merecer
que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos,
a criança pulou de alegria no meu ventre.
Bem-aventurada aquela que acreditou,
porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu.'
Palavra da Salvação.

Duas crianças como artífices da salvação – Pe. João Batista Libânio, sj

Esse texto é cheio de simbolismo: Maria parte apressadamente para uma região montanhosa. A montanha sempre significa o lugar da intimidade com Deus. É para onde as pessoas se retiram para encontrarem-se mais próximas do Altíssimo. É o lugar mais puro, mais transparente. Maria vai para as montanhas, e o texto reforça dizendo que ela segue apressadamente. Parece que o sacramento do Novo Testamento tem pressa, enquanto o Antigo Testamento está esperando. Isabel carrega a graça dentro de si: João Batista é uma expectativa. De repente, os dois sacramentos se encontram: Maria e Isabel. A visibilidade está nas vozes. Elas falam e ouvem entre si, mas isso não é importante. O que realmente importa acontece no íntimo: a criança do Antigo Testamento – João Batista – recebe a graça de Jesus – o profeta do Novo Testamento. É essa graça de João Batista que chega até Isabel. Ela fala, ela proclama. A criança em seu seio a acorda para a maravilha que está acontecendo.

Visivelmente, nada de mais acontecia: uma prima jovem que vem visitar a outra que está grávida. É a visita de uma pessoa querida, e não passava disso. Um simples acontecimento doméstico. Mas a criança, em seu seio, percebe o mistério maior. Quem estava ali não era apenas a prima jovem, mas a Mãe do Salvador. É a promessa do Novo Testamento que chega! A criança no seio de Isabel não é mais o João do Antigo Testamento, mas o João Batista envolvido pela graça. Isabel, envolvida pela mesma graça, proclama que, diante dela, está a Mãe do Salvador, eternamente bem-aventurada. A graça prosseguirá naquela relação, de modo que, anos depois, o mesmo João Batista irá proclamar que, diante dele, está o Cordeiro de Deus, aquele que tiraria o pecado do mundo. Até hoje, quando o sacerdote levanta a hóstia, nós recordamos essa verdade, proclamando com os dois já adultos. Mas, antes mesmo de nascidos, eles já se comunicavam. 

Outro mistério é que a criança é fonte de salvação. Não pensem que isso é poesia romântica da cultura brasileira. Naquela época, para o povo judeu, as crianças eram desprezadas. Eram como bichinhos que precisavam ser espantados. As famílias eram numerosas, e as mães não tinham como cuidar de tantos filhos. Muitos morriam, pois não havia toda essa cultura moderna de aleitamento materno, vacinas, soro caseiro. Portanto, crianças eram um peso para as famílias. Pois bem, é através da criança que surge a salvação, e são elas que podem transformar a nossa realidade. Nós, adultos, já não podemos esperar muito, mas essas crianças que estão por aí, podem esperar e podem fazer. Parece que a nossa geração se esqueceu dos valores da beleza, da verdade. Está na hora de começar tudo de novo. Como disse Guimarães Rosa: “nasce uma criança, tudo começa de novo!”.

Assim, também diante desse mistério de duas crianças ainda não nascidas que se encontram, a sociedade começa a se agitar, e a salvação se faz. Esperemos que nossas crianças de hoje, bem orientadas, possam realizar o que aquelas duas outras conseguiram, através do sacramento da graça, comunicando-se internamente, fazendo com que o júbilo de uma passasse para a outra. 

Pe. João Batista Libânio, sj - Um outro olhar, vol. 8

Confira a reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM para o 4º domingo do Advento: