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sábado, 29 de novembro de 2014

Todos os Santos da Ordem Franciscana


Santos canonizados da primeira ordem, 110; Santas canonizadas da segunda ordem, 9; Santos e Santas canonizados da terceira ordem regular e secular, 53; Religiosos da primeira ordem beatificados, 161; Religiosas da segunda ordem beatificadas, 34; da terceira ordem regular e secular, 95 beatificados.

Total de membros das ordens franciscanas canonizados e beatificados, no fim do milênio, 482.

No aniversário da aprovação da regra de São Francisco Honório III, no dia 29 de novembro de 1223, a ordem franciscana recolhe-se em oração festiva para contemplar a grandiosa árvore de santidade nascida daquele livrinho que Francisco dizia ter recebido do próprio Jesus e constituía a “medula do Evangelho”.

Era esse precisamente o projeto de vida e o carisma do pobrezinho: ser sal da terra e luz do mundo, fazer reviver na Igreja o Evangelho em sua pureza, ou seja, apresentar perante os homens a vida de Cristo em todas as suas dimensões: desde a pobreza ao zelo pela salvação de todos, do anúncio da Boa Nova ao sacrifício da cruz.

Quem poderia contar a imensa multidão de Santos, Beatos, Veneráveis e Servos de Deus – se quisermos utilizar esta terminologia canônica – ou melhor ainda, de todos os irmãos e irmãs, sem nome e sem rosto, que nos limites da sua fragilidade viveram a perfeição evangélica, fazendo da regra franciscana a norma da sua vida? É um imenso capital de santidade e de amor, muitas vezes desconhecido, outras vezes esquecido, quando não mesmo desprezado pelo mundo! O bem dá menos nas vistas do que o mal; no entanto, a história do bem, tantas vezes anônima e despercebida, tem escrito o nome e o rosto de Cristo. É essa história que impede o mundo de cair no desespero e fecunda as atividades da Igreja.

São Francisco disse um dia aos irmãos, numa explosão de alegria: “Caríssimos, consolai-vos e alegrai-vos no Senhor! Não vos deixeis entristecer pelo fato de serem poucos, nem vos assusteis da minha simplicidade nem da vossa, pois o Senhor me revelou que há de fazer de nós uma inumerável multidão e nos propagará até os confins do mundo. Ele me mostrou um grande número de pessoas a vir ter conosco, com o desejo de viverem segundo a nossa regra. Ainda me parece ouvir o ruído dos seus passos! Enchiam diversos caminhos, vindos de todas as nações: eram franceses, espanhóis, alemães, ingleses, uma turba imensa de várias outras línguas e nações”.

Ao ouvirem estas palavras, uma santa alegria se apoderou dos irmãos, pela graça que Deus concedia ao seu Santo.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

1º domingo do Advento


1ª Leitura: Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7
Sl 79
2ª Leitura: 1 Cor 1,3-9
Evangelho: Mc 13,33-37

A espera vigilante

Chegamos a um novo ano litúrgico e com ele, novamente, nossas esperanças se renovam. O tempo do advento, como bem sabemos, é um período de espera atenta e vigilante, contudo, um espera já imersa numa alegria contagiante. Afinal de contas, temos a certeza de que Ele virá e que sua vinda é nossa salvação.
Deus é Pai e redentor, nos revela a primeira leitura da liturgia deste domingo. Não existe nenhuma situação tão dramática que ele não tenha condições de resolver. Não existe homem algum tão escravo do pecado que ele não tenha o poder de redimir.
O redentor vem, mas é preciso vigiar, nos ensina o evangelho, para poder receber a sua salvação. Quem dorme continua escravo do pecado, não é libertado.
Portanto, o cristão é aquele que não espera passivamente a vinda do seu Senhor. Trabalha, se esforça; espera sim, que o Senhor faça surgir um mundo novo, mas colabora para construí-lo.

Frei Alvaci Mendes da Luz

Papa Francisco fala sobre Igreja Peregrina



Acompanhe abaixo a Audiência Geral desta quarta-feira, dia 26 de novembro, no Vaticano.

Amados irmãos e irmãs, bom dia!

Este dia é um pouco feio, mas vós sois corajosos, parabéns! Esperemos que possamos rezar juntos hoje.

Ao apresentar a Igreja aos homens do nosso tempo, o Concílio Vaticano II estava perfeitamente consciente de uma verdade fundamental, que nunca podemos esquecer: a Igreja não é uma realidade estática, parada, com finalidade em si mesma, mas está continuamente a caminho na história, rumo à meta derradeira e maravilhosa, que é o Reino dos Céus, do qual a Igreja na terra é o germe e o início (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 5). Quando dirigimos o nosso olhar para este horizonte, sentimos que a nossa imaginação se detém, revelando-se capaz unicamente de intuir o esplendor do mistério que excede os nossos sentidos. E em nós brotam espontaneamente algumas interrogações: quando terá lugar esta passagem final? Como será a nova dimensão na qual a Igreja entrará? Então, o que será da humanidade? E da criação que nos circunda? Mas estas perguntas não são novas, dado que já os discípulos as dirigiam a Jesus naquela época: «Mas quando acontecerá isto? Quando chegará o triunfo do Espírito sobre a criação, sobre as criaturas, sobre todas as coisas…». São interrogações humanas, perguntas antigas. Também nós as fazemos!
Perante estas perguntas que ressoam desde sempre no coração do homem, a Constituição conciliar Gaudium et spes afirma: «Ignoramos o tempo em que a terra e a humanidade atingirão a sua plenitude, e também não sabemos que transformação sofrerá o universo. Porque a figura deste mundo, deformada pelo pecado, passa certamente, mas Deus ensina-nos que se prepara uma nova habitação, uma nova terra, na qual reinará a justiça e cuja felicidade satisfará e superará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens» (n. 39). Eis a meta para a qual a Igreja tende: é, como se diz na Bíblia, a «nova Jerusalém», o «Paraíso». Mais que de um lugar, trata-se de uma «condição» da alma em que as nossas expectativas mais profundas serão realizadas de modo superabundante e o nosso ser, como criaturas e como filhos de Deus, alcançará o seu pleno amadurecimento. Seremos finalmente revestidos da alegria, da paz e do amor de Deus, de maneira completa, já sem qualquer limite, e estaremos face a face com Ele! (cf. 1 Cor 13, 12). É bom pensar nisto, pensar no Céu! Todos nos encontraremos lá, todos. Isto é bom, revigora a alma!
Nesta perspectiva, é bom compreender que já existem uma continuidade e uma comunhão de fundo entre a Igreja que está no Céu e aquela ainda a caminho na terra. Com efeito, aqueles que já vivem na presença de Deus podem sustentar-nos e interceder por nós, rezar por nós. Por outro lado, também nós somos sempre convidados a oferecer boas obras, preces e a própria Eucaristia para aliviar a tribulação das almas que ainda se encontram à espera da Bem-Aventurança sem fim. Sim, porque na perspectiva cristã a distinção não se faz mais entre quantos já estão mortos e aqueles que ainda vivem, entre quem está em Cristo e quem não se encontra n’Ele! Este é elemento determinante, verdadeiramente decisivo para a nossa salvação, para a nossa felicidade.
Ao mesmo tempo, a Sagrada Escritura ensina-nos que o cumprimento deste desígnio maravilhoso não pode deixar de abranger também tudo aquilo que nos circunda e que saiu do pensamento e do Coração de Deus. O apóstolo Paulo afirma-o de forma explícita, quando diz que «também ela (a criação, será) libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). Outros textos utilizam a imagem do «novo céu» e da «nova terra» (cf. 2 Pd 3, 13; Ap 21, 1), no sentido que o universo inteiro será renovado e libertado de uma vez para sempre de todos os vestígios de mal e da própria morte. Por conseguinte, aquela que se prepara como cumprimento de uma transformação que na realidade já está em acção a partir da morte e ressurreição de Cristo, é uma nova criação; portanto, não se trata de aniquilar o cosmos e tudo o que nos circunda, mas de levar todas as coisas à sua plenitude de ser, de verdade e de beleza. Este é o desígnio que Deus Pai, Filho e Espírito Santo, desde sempre, deseja realizar e já está a concretizar.
Estimados amigos, quando pensamos nestas realidades maravilhosas que nos esperam, damo-nos conta de que pertencer à Igreja é verdadeiramente uma dádiva admirável, que traz inscrita em si uma vocação excelsa! Então peçamos à Virgem Maria, Mãe da Igreja, que vele sempre sobre o nosso caminho e que nos ajude a ser, como Ela, um jubiloso sinal de confiança e de esperança no meio dos nossos irmãos.

Fonte: Site do Vaticano

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

São Leonardo de Porto Maurício

Sacerdote da Primeira Ordem (1676-1751).
Canonizado por Pio IX no dia 29 de junho de 1867.

São Leonardo foi proclamado pela Igreja como Padroeiro das missões entre fiéis, pela orientação particular que deu ao seu apostolado e pela amplidão da sua obra missionária, que se estendeu a todas as cidades da península itálica. Nasceu em Porto Maurício, na Ligúria, e frequentou em Roma o colégio gregoriano. Entrou ainda jovem na ordem dos frades menores, e desde o noviciado propôs imitar o mais fielmente possível a vida de São Francisco. Veio a conseguir o seu intento, sobretudo na penitência, que raiava pelo heroísmo, na altíssima contemplação e no zelo apostólico.

Ordenado sacerdote, dedicou-se por mais de 40 anos à pregação, com grande proveito para os fiéis, escolhendo como temas as mais importantes verdades cristãs, seguindo também  neste pormenor a exortação de São Francisco.

A simples apresentação da sua figura já constituía um bom princípio de pregação: austero, magro, ardente de fé e de amor. O seu estilo retórico, em conformidade com o costume da época valia-se de sinais exteriores destinados a causar impacto e mover à contrição e às lágrimas, apelando à sensibilidade. Neste clima se situa a grande devoção da Via Sacra, de que foi eminente divulgador.

Deixou algumas obras escritas, desde simples esboços até tratados de ascética e de pregação.
A pregação de São Leonardo caracterizava-se por algo de dramático e até trágico. Multidões imensas acorriam a escutá-lo, e ficavam impressionadas pela sua palavra ardente, convidando à penitência e à piedade cristã. Dizia dele Santo Afonso Maria de Ligório, que era “o maior missionário do século”.

Não era raro durante a sua pregação o auditório inteiro prorromper em pranto e em soluços. Pregou por toda a Itália, mas a região favorita foi a Toscana, por causa do jansenismo, que ele se propôs combater com todo o empenho, abordando para isso os temas que lhe pareceram mais eficazes: o nome de Jesus, a Virgem Maria e a Via Sacra. Quando ele fazia uma missão na Córsega, os bandidos desta atormentada ilha deram tiros para o ar gritando: “Viva Frei Leonardo! Viva a Paz!”.

Bastante desgastado pelos constantes trabalhos apostólicos, foi chamado a Roma, onde, em apaixonados sermões a que o próprio papa por vezes assistia, preparou o clima espiritual para o jubileu de 1750. Foi nessa altura que erigiu a Via Sacra no Coliseu, declarando sagrado aquele lugar onde muitos mártires tinham vertido o sangue por Cristo. No ano seguinte ainda se deslocou à região de Bolonha, para as suas últimas pregações.

Regressando a Roma, ao convento de São Boaventura no Palatino, a 26 de novembro, com 75 anos de idade, terminou a carreira terrena este incomparável missionário do povo cristão. As autoridades tiveram de recorrer às forças de segurança para controlarem a multidão dos devotos que queriam ver o Santo e levar relíquias dele. Foi a respeito dele que disse o papa Lambertini: “Perdemos um amigo na terra, mas ganhamos um Santo no céu”.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

Santo do dia: Bem-aventurado Tiago Alberione

Bem-aventurado Tiago Alberione - Fundador da Família Paulina

Tiago Alberione nasceu em 4 de abril de 1884, em São Lourenço de Fossano, norte da Itália, de uma família de camponeses simples e laboriosos. Vinte quatro horas após o nascimento, foi batizado e recebeu o nome de "Tiago".  Buscando melhores terras para a lavoura, a família Alberione mudou para a cidade de Cherasco, onde Tiago passou sua infância e adolescência. Foi lá que se manifestou a vocação para o sacerdócio. 

- Quero ser padre! foi a resposta que deu à professora, Rosina Cardona, que perguntava aos seus oitenta alunos o que queriam ser quando crescessem. 

A resposta, que poderia parecer impensada, veio de um menino de bom coração e piedoso. Com o passar do tempo, a vocação fortificou-se e ele foi encaminhado para o seminário, onde não perdia tempo e procurava aprender de todos e de tudo. Inquietavam Alberione as transformações que aconteciam na sociedade e os apelos do papa, Leão XIII, para que todos se voltassem para Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, salvação da humanidade. 

Foi ordenado sacerdote no dia 29 de junho de 1907, com vinte e três anos de idade. Todas as organizações de renovação existentes, então, na Igreja foram acolhidas por padre Alberione, que participou, ativamente, dos movimentos: missionário, litúrgico, pastoral, social, bíblico, teológico e, mais tarde, do movimento ecumênico. Em todos os movimentos Alberione-profeta vislumbrava espaços carentes de evangelização e atualização. 

Impulsionado pelo Espírito Santo, tornou realidade sua intuição carismática com a fundação de várias congregações e institutos para, juntos, anunciar Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, com os meios da comunicação social. Padres e irmãos Paulinos em 1914; Irmãs Paulinas em 1915; Discípulas do Divino Mestre em 1924; Irmãs Pastorinhas em 1938; e Irmãs Apostolinas em 1957. Fundou, também, os institutos seculares de Nossa Senhora da Anunciação e São Gabriel Arcanjo em 1958; os institutos Jesus Sacerdote e Sagrada Família em 1959; além da Associação dos Cooperadores Leigos em 1917. Hoje, os membros dessas fundações estão presentes em todos os continentes mostrando que é possível santificar-se e comunicar, a todas as pessoas, Jesus Cristo com os meios técnicos e eletrônicos. 

Após a fundação dos dois primeiros ramos - Paulinos e Paulinas - a vida de Alberione fundiu-se com suas obras nascentes. Acompanhava de perto a vida de seus filhos e filhas da Itália e do exterior com numerosas e prolongadas viagens. Preocupava-se não só com fundações e organizações, mas principalmente com a formação e a vida religiosa de seus seguidores, apesar do conturbado contexto histórico em que viveu: duas grandes guerras, revolução industrial, conflagrações nacionalistas e sociais, emancipação dos operários e da mulher, além de crises institucionais na família e na Igreja. 

Padre Tiago Alberione, jamais esmoreceu, continuou firme na sua fé, acreditando que a obra que realizava era querida e abençoada por Deus. Com humildade e coragem, o fundador da Família Paulina, o profeta e o apóstolo de uma evangelização moderna, chegou ao fim de seus dias em 26 de novembro de 1971, aos oitenta e sete anos. 

Tiago Alberione foi no dia 27 de abril de 2003, foi proclamado "bem-aventurado" num reconhecimento oficial da Igreja ao homem que foi um santo, um profeta e o pioneiro na evangelização eletrônica. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Frei Sérgio Silas é ordenado diácono em Campo Largo/ PR

Do Site Franciscanos

“Ser diácono não é um privilégio para mim, mas um serviço!”. Com essas palavras o nosso confrade Frei Sérgio Silas Damasceno exprimiu todo o seu desejo de ser diácono: servir! E neste serviço, ele afirma que tem como parâmetro a pessoa de Jesus Cristo, pobre, humilde e crucificado.

Dessa forma, neste último sábado, dia 22 de novembro, numa bonita celebração na Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, em Campo Largo, Frei Sérgio foi ordenado diácono. O bispo ordenante, Dom Pedro Fedalto, com muita alegria elencou ao ordenando a missão do diácono na Igreja: anunciar a Palavra de Deus, servir ao altar e promover o Reino dos Céus aqui na terra, ao exemplo do Bom Pastor que dá sua vida pelas ovelhas. Nesse contexto, Dom Pedro ainda brincou dizendo que se antes o pastor deixava noventa e nove ovelhas para procurar uma que se perdera, hoje é preciso deixar uma e procurar noventa e nove que parecem estar perdidas. Assim, com muito carinho, o neodiácono foi animado por palavras sábias de um pastor, que muito experiente, mostrou a missão que Jesus desempenhou como modelo primordial de um diácono.

Durante a celebração, no momento dos agradecimentos, Frei Silas fez questão de exaltar toda a comunidade paroquial na pessoa do Padre Aguinaldo Martins, que incansavelmente fizeram um dedicado trabalho durante os dias da missão em preparação para a ordenação. Também Dom Pedro dirigiu carinhosas palavras de agradecimento a Frei Sérgio e a toda a Ordem Franciscana, que segundo ele, está muito presente na história da Arquidiocese de Curitiba.

Impulsionado por este momento tão bonito, com todo o carinho do povo, dos confrades e com a bênção de Deus, o então Diácono Frei Sérgio poderá realizar aquilo que ele mesmo escolhera como lema: “Estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc 22,27b).

NO DIA SEGUINTE

Os festejos comemorativos em virtude da Ordenação Diaconal de Frei Silas continuaram, no domingo, 23/11, na Fraternidade São Boaventura.

Na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, Frei Sérgio Silas serviu como diácono pela primeira vez ao Altar do Senhor. Esta celebração foi presidida pelo nosso guardião Frei João Mannes que, durante a homilia, enfatizou o novo sentido da dimensão de realeza em Jesus Cristo, não estando mais pautada no ser servido, mas no gesto concreto de estar no meio como aquele que serve.
Sendo presenteado pela fraternidade, Frei Silas recebeu com júbilo suas novas “ferramentas de trabalho”: o Sacramentário, o Ritual de Bênçãos e o aspersório. Em seguida, embalados pelo hino de sua ordenação, toda assembleia cumprimentou o neo-diácono com uma calorosa salva de palmas.
Pela tarde, nossa fraternidade juntamente com familiares e amigos de Frei Silas se confraternizou com um saboroso churrasco no tradicional Paiol do convento.

Advento: tempo de espera!


No próximo domingo, dia 30 de novembro, a Igreja inicia o Ano Litúrgico com o Tempo do Advento. Momento de espera confiante! Acompanhe abaixo a reflexão de Ir. Alois, prior da comunidade ecumênica de Taizé, sobre o Advento.

E se o tempo do Advento viesse renovar em nós a esperança? Não um otimismo fácil, que fecha os olhos à realidade, mas esta esperança forte que se ancora em Deus e que permite viver plenamente o momento presente.

O ano cristão começa com o Advento, tempo de espera. Por quê? Para nos revelar a aspiração que nos habita e para a aprofundar: o desejo de um absoluto, para o qual tende cada um com todo o seu ser, corpo, alma, inteligência, a sede de amor que arde em cada um, da criança à pessoa de idade avançada, e que a maior intimidade humana não pode apaziguar completamente.

Vemos frequentemente esta espera como algo que nos falta ou como um vazio difícil de assumir. Mas, longe de ser anormal, ela faz parte da nossa pessoa. É um dom, conduz-nos a abrirmo-nos, orienta toda a nossa pessoa para Deus.

Ousemos acreditar que o vazio pode ser habitado por Deus e que já podemos viver a espera com alegria. Santo Agostinho ajuda-nos quando escreve: «Toda a vida do cristão é um santo desejo. Deus, ao fazer esperar, alarga o desejo; ao fazer desejar, alarga a alma; ao alargar a alma, ele torna-a capaz de receber… Se desejas ver a Deus, já tens fé.»

O irmão Roger, nosso fundador, gostava muito deste pensamento de Santo Agostinho e é neste espírito que rezava: «Deus que nos amas, quando temos o desejo de acolher o teu amor, este simples desejo já é o começo de uma humilde fé. Pouco a pouco acende-se uma chama no mais profundo da nossa alma. Pode ser frágil, mas é uma chama que está sempre a arder.»

A Bíblia destaca a longa caminhada do povo de Israel e mostra como Deus lentamente preparou a vinda de Cristo. O que na Bíblia é apaixonante é o fato de narrar toda a história de amor entre Deus e a humanidade. Começa com a frescura de um primeiro amor, depois vêm os extremos e mesmo as infidelidades. Mas Deus não se cansa de amar, ele procura sempre o seu povo. De fato, a Bíblia é a história da fidelidade de Deus. «Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu bebé? Ainda que ela se esquecesse dele, eu nunca te esqueceria» (Is 49,15).

Ler esta longa história pode despertar em nós o sentido das maturações lentas. Por vezes desejamos tudo, no imediato, sem ver o valor do tempo de maturação! Mas os salmos abrem-nos uma outra perspectiva: «O meu destino está nas tuas mãos, Senhor» (Sl 31,16).

Saber esperar… Estar presente, simplesmente, gratuitamente. Ajoelhar-nos para reconhecer, até com o corpo, que Deus age de forma muito diferente do que imaginamos. Abrir as mãos em sinal de acolhimento. A resposta de Deus surpreende-nos sempre. Ao prepara-nos para o Natal, o Advento prepara-nos para acolhê-lo.

Mesmo se nem sempre conseguimos expressar com palavras o nosso desejo interior, fazer silêncio é já a expressão de uma abertura a Deus. Durante este período do Advento, lembramo-nos que o próprio Deus veio, em Belém, num grande silêncio.

O vitral da Anunciação, que se encontra na igreja de Taizé, mostra-nos Nossa Senhora totalmente recolhida e disponível: ela fica em silêncio, esperando que se realize a promessa do anjo de Deus.

Do mesmo modo que a longa história que precedeu Cristo foi o prelúdio da sua vinda à terra, também o Advento nos permite cada ano fazer uma abertura progressiva à presença de Cristo em nós. Jesus discerne a nossa espera como um dia discerniu a de Zaqueu. Tal como a ele, diz-nos: «Hoje tenho de ficar em tua casa.» (Lc 19,5)

Deixemos nascer em nós a alegria de Zaqueu. Então nossos corações, como o seu, abrir-se-ão aos outros. Zaqueu decide dar metade dos seus bens aos pobres. Hoje sabemos que uma grande parte da humanidade tem necessidade de um mínimo de bens materiais, de justiça, de paz. Durante o tempo de Advento, haverá na nossa vida alguma ação de solidariedade que possamos assumir?

Os textos lidos na liturgia durante o Advento expressam um sonho de paz universal: «uma grande paz até ao fim dos tempos» (Sl 72,7), «uma paz sem limites» (Is 9,6), uma terra onde «o lobo habitará com o cordeiro» e onde não haverá mais violência (Is 11,1-9).

São textos poéticos que despertam, no entanto, um ardor em nós. E vemos que «a paz sobre a terra» pode germinar nos atos de reconciliação que se realizam e na confiança mútua. A confiança é como um pequeno grão de mostarda que cresce e, pouco a pouco, se torna na grande árvore do reino de Deus por onde se estende uma «paz sem limites». A confiança sobre a terra é um humilde começo da paz.

Fonte: Site da Comunidade Taizé

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

33º domingo do Tempo Comum


1ª Leitura: Pr 31,10-13.19-20.30-31
Sl 127
2ª Leitura: 1Ts 5,1-6
Evangelho: Mt 25,14-30

* 14 «Acontecerá como um homem que ia viajar para o estrangeiro. Chamando seus empregados, entregou seus bens a eles. 15 A um deu cinco talentos, a outro dois, e um ao terceiro: a cada qual de acordo com a própria capacidade. Em seguida, viajou para o estrangeiro.
16 O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco. 17 Do mesmo modo o que havia recebido dois lucrou outros dois. 18 Mas, aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra, e escondeu o dinheiro do seu patrão.
19 Depois de muito tempo, o patrão voltou, e foi ajustar contas com os empregados. 20 O empregado que havia recebido cinco talentos, entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. 21 O patrão disse: ‘Muito bem, empregado bom e fiel! Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha alegria’. 22 Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. 23 O patrão disse: ‘Muito bem, empregado bom e fiel! Como você foi fiel na administração de tão pouco, eu lhe confiarei muito mais. Venha participar da minha alegria’. 24 Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: ‘Senhor, eu sei que tu és um homem severo pois colhes onde não plantaste, e recolhes onde não semeaste. 25 Por isso, fiquei com medo, e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. 26 O patrão lhe respondeu: «Empregado mau e preguiçoso! Você sabia que eu colho onde não plantei, e que recolho onde não semeei. 27 Então você devia ter depositado meu dinheiro no banco, para que, na volta, eu recebesse com juros o que me pertence’. 28 Em seguida o patrão ordenou: ‘Tirem dele o talento, e dêem ao que tem dez. 29 Porque, a todo aquele que tem, será dado mais, e terá em abundância. Mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30 Quanto a esse empregado inútil, joguem-no lá fora, na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes.»

Reflexão – Frei Gustavo Medella
Um Reino construído com suor e espírito

Na matemática das grandes conquistas, 20% de inspiração e 80% de transpiração. Os talentos recebidos pelos empregados é a confiança que o senhor deposita neles. Cada um recebe de acordo com a capacidade que possui para “transpirar”. Os talentos são o ponto de partida, marcam o início da missão. Entregá-los é iniciativa do senhor. A partir de agora, fazê-los render e produzir bons frutos é responsabilidade daqueles com quem o senhor decidiu contar. Poderia escolher outros, mas decidiu por aqueles três, a quem entregou cinco, dois e um talento.

Simbolicamente, o talento é a vida de cada ser humano. Ninguém é dono da própria vida, afinal nunca conheci alguém que tivesse pedido para nascer. Aos olhos da fé, a vida é um chamado de Deus, é um dom confiado pelo Pai. Trabalhar para desenvolver este dom é tarefa pessoal e intransferível de cada pessoa. Agir com responsabilidade e critério, suar a camisa de fato como gesto de gratidão e reconhecimento a Deus é caminho seguro para a realização plena do ser humano, ainda que venham dificuldades.

Reconhecer-se agraciado e trabalhar para repartir e difundir a graça é a estrada percorrida por aqueles que sentem no coração o desejo profundo de servir a Deus e veem realizada na própria vida a profecia do Salmo 128: “Feliz és tu, se temes o Senhor e trilha os seus caminhos. Do trabalho de tuas mãos irá viver, serás feliz, tudo irá bem”.

Fonte: Site dos Franciscanos

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Audiência Geral desta quarta-feira


Acompanhe abaixo o texto da Audiência Geral desta quarta-feira, dia 12 de novembro.

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!

Na catequese precedente pusemos em evidência como o Senhor continua a apascentar a sua grei através do ministério dos bispos, coadjuvados pelos presbíteros e diáconos. É neles que Jesus se faz presente, no poder do seu Espírito, e continua a servir a Igreja alimentando nela a fé, a esperança e o testemunho da caridade. Portanto, estes ministérios constituem um grande dom do Senhor para cada comunidade cristã e para a Igreja inteira, pois são um sinal vivo da sua presença e amor.

Hoje queremos perguntar-nos: o que se pede a estes ministros da Igreja, para que possam viver o seu serviço de modo genuíno e fecundo?

Nas «Cartas pastorais» enviadas aos seus discípulos Timóteo e Tito, o apóstolo Paulo pondera atentamente sobre a figura dos bispos, dos presbíteros e dos diáconos — e também sobre a figura dos fiéis, dos idosos e dos jovens. Descreve cada cristão na Igreja, delineando o objeto da chamada dos bispos, presbíteros e diáconos, e as prerrogativas que devem ser reconhecidas em quantos são escolhidos e investidos de tais ministérios. Pois bem, é emblemático que para além dos dotes inerentes à fé e à vida espiritual — que não podem ser desatendidas, porque são a própria vida — sejam enumeradas algumas qualidades requintadamente humanas: acolhimento, sobriedade, paciência, mansidão, confiança e magnanimidade. Este é o alfabeto, a gramática básica de cada ministério! Deve ser a gramática básica de cada bispo, sacerdote, diácono. Sim, porque sem esta predisposição boa e genuína para encontrar, conhecer, dialogar, apreciar e relacionar-se com os irmãos de modo respeitoso e sincero, não é possível oferecer um serviço e um testemunho deveras jubilosos e credíveis.

Além disso, há uma atitude de fundo que Paulo recomenda aos seus discípulos e, por conseguinte, a todos aqueles que são investidos deste ministério pastoral, quer sejam bispos, sacerdotes, presbíteros ou diáconos. O apóstolo exorta a reavivar continuamente o dom recebido (cf. 1 Tm 4, 14; 2 Tm 1, 6). Isto significa que deve ser sempre viva a consciência de que não somos bispos, sacerdotes ou diáconos porque somos mais inteligentes, capazes, melhores que os outros, mas só em virtude de um dom, de uma dádiva de amor conferida por Deus no poder do seu Espírito, para o bem do seu povo. Esta consciência é deveras importante e constitui uma graça que devemos pedir cada dia! Com efeito, o Pastor consciente de que o seu ministério brota unicamente da misericórdia e do Coração de Deus, nunca poderá assumir uma atitude autoritária, como se todos estivessem aos seus pés, como se a comunidade fosse sua propriedade, seu reino pessoal.

A consciência de que tudo é dom, tudo é graça, ajuda o pastor também a não cair na tentação de se pôr no centro da atenção e de confiar só em si mesmo. São as tentações da vaidade, do orgulho, da suficiência, da soberba. Deus não permita que um bispo, um sacerdote ou um diácono pense que sabe tudo, que tem sempre a resposta certa para tudo e que não precisa de ninguém! Ao contrário, a consciência de ser o primeiro objecto da misericórdia e da compaixão de Deus deve levar o ministro da Igreja a ser sempre humilde e compreensivo em relação ao próximo. Embora tenha a consciência de ser chamado a preservar com coragem o depósito da fé (cf. 1 Tm 6, 20), ele deve pôr-se à escuta do povo. Com efeito, está consciente de ter sempre algo a aprender, inclusive daqueles que ainda podem estar longe da fé e da Igreja. Depois, com os seus irmãos de hábito tudo isto deve levar a assumir uma atitude nova, caracterizada pela partilha, co-responsabilidade e comunhão.

Caros amigos, devemos estar sempre gratos ao Senhor, porque na pessoa e no ministério dos bispos, dos sacerdotes e dos diáconos Ele continua a guiar e formar a sua Igreja, levando-a a crescer ao longo do caminho da santidade. Ao mesmo tempo, devemos continuar a rezar, para que os pastores das nossas comunidades possam ser imagens vivas da comunhão e do amor de Deus.