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terça-feira, 23 de setembro de 2014

A primavera de Francisco de Assis



Por Frei Leandro Costa Santos

Chegamos ao mês em que a beleza da terra é posta diante de nossos olhos. Chegamos à primavera. A estação em que as árvores que perderam as folhas no inverno ganham nova folhagem,cresce a grama, surgem as flores, cantam os pássaros. A estação em que Deus, nas suas criaturas todas, revela sua sensibilidade.

É sensibilidade que gera sensibilidade. É momento de estesia. Não nos vem outra imagem da primavera, se não aquela de um colorido inigualável, de belezas impossíveis de serem copiadas pelas mãos humanas. Uma beleza que ainda não foi corrompida pela ação do homem. A bela e simples natureza que resiste frente a muitas ignorâncias de nós homens e mulheres da contemporaneidade. Essa beleza ainda é mais forte do que nossa fraqueza.

Fala-se de criaturas, e já me vem à mente São Francisco de Assis. Não há como olhar tanta beleza e não se lembrar de tal santo. Francisco foi o apaixonado pela expressão sensível de Deus. Parece que de mãos dadas a tal beleza da primavera vem São Francisco. “Duas belezas de um mesmo jardim.” Duas belezas que se misturam, que se perdem uma ao lado da outra.

A mesma beleza o mesmo perfume da primavera, que Deus um dia introduziu nas rosas, ele incutiu em São Francisco de Assis. Um perfume perene. Inconfundível, incomparável. Uma fragrância que se alastra, que se espalha por todos os quatro cantos da terra, que ainda é absorvido e assimilado por muitos.

Por mais que se tenha passado oitocentos anos da vida deste santo, há quem diga: “Francisco de Assis é um homem atual!” Talvez em meio a multidão surja um que venha a admitir que não o conheça. Talvez! “Francisco de Assis é um homem universal”. Independentemente do credo, Francisco é considerado como exemplo de busca por muitos que possuem por ele uma devota admiração.

A vida deste santo é tão incrível, que nos permitiria comentar muitos aspectos de sua original experiência de Deus. Contudo, voltemos atentamente nossa reflexão a um único aspecto da vida de Francisco, um aspecto que o fez transcender nesta vida: a virtude do enxergar, do perceber, do admirar, do ver.



Em Francisco o ver é conversão de vida: “[...] parecia-me sobremaneira ver leprosos, e o Senhor me conduziu entre eles, e fiz misericórdia com eles” (1Cel 17, 2). É assemelhar à imagem do homem crucificado (1 Cel 94, 1-7). Vendo as criaturas enxergou a manifestação das perfeições de Deus em todo o criado, que culmina, como explosão de exultação, no Cântico das Criaturas. Ver, é prestar atenção para a imitação de Cristo: “Irmãos todos, prestemos atenção ao Bom Pastor que, para salvar suas ovelhas (cf. Jo 10, 11), suportou a paixão da cruz [...]” (Ad 6, 1). E, assim, inumeráveis feitos e fatos da vida deste santo correspondem a virtude do ver.

O ver de São Francisco nos é de todo diferente. Diferente de nossa compreensão literal do que venha a ser o fato do enxergar fisicamente. Não um ver físico que geralmente compreendemos, mas um ver místico, que compreendeu Deus e suas criaturas. Este ver exterior tornou-se para Francisco realidade divina em seu interior. Francisco mudou-se por completo e de forma intensa. O interior mudado mudou em Francisco seu exterior. Interior e exteriormente tudo já era uma coisa só.

Este ver, entendido como perceber, enxergar com bastante nitidez, alimentou Francisco por toda a sua vida. É do ver que Francisco contemplava todas as coisas e por elas louvava. “O amor de Francisco não se baseia num simples romantismo ou sentimentalismo. É algo profundo que nasce em Deus e o conduz até Deus”. (Hartmann). Até mesmo o que fazia lembrar a cruz de nosso Senhor, era motivo para este santo recordar a paixão de Cristo.

Nos perguntamos neste momento: “O que realmente isso quer dizer para nossa real sociedade? O que Francisco nos fala?” O que nos vem de Francisco é um testemunho veraz, um exemplo claro e profético. Tudo isso por sua original e autêntica experiência. Uma testemunha que nos impele a olhar com este seu olhar. Francisco nos “faz ver” o que não percebemos. Só nos resta aceitar Francisco como prova de que isso é possível.

“Pousou, pois, sobre ele a mão do Senhor (cf. Ez 1, 3), e transformou-o a destra do Altíssimo (cf. Sl 76, 11), para que por meio dele [Francisco de Assis] fosse dada aos pecadores a confiança de renascerem para a graça, e ele se tornasse para todos exemplo de conversão a Deus (1Cel 2, 7).

Possível de sermos melhores, pois ele teve aqui na terra uma vida igual a nossa, mas, em tempos diferentes uma vida com as mesmas exigências. Antes de ser considerado santo, Francisco foi, Francisco Bernadone. Foi a partir de um discipulado, que Francisco passou a “viver bem a vida”.

Façamos, nós, esta experiência inédita e original! Com atitudes próprias, com paixão, com vontade real e distinta. De ver as coisas em Deus. De tornarmo-nos mais sensíveis às coisas de Deus. Concluo esta reflexão com algumas palavras de um livro (Cencini). “Uma condição, então, para sermos testemunhas em nosso tempo é aquela de fazer discernir (distinguir) sobre a vida, porque em tempos de constante mudança, é preciso ter criatividade, atenção sensível ao Espírito e às perguntas das pessoas”.

Uma passagem das tantas biografias de Francisco relata-nos:

[...] Quando fervia dentro dele a mais suave melodia do espírito [...] De vez em quando, como vi com os [meus próprios] olhos, ele colhia do chão um pedaço de pau e, colocando-o sobre o ombro esquerdo, mantinha um pequeno arco curvado por um fio na mão direita, puxando-o sobre o pedaço de pau como sobre um violino e, apresentando para isso movimentos próprios, cantava em Frances [cânticos] sobre o Senhor (cf. Sl 12, 6) [...] e este júbilo se convertia em compaixão para com a paixão de Cristo”. (2Cel 127, 1-5).

Desta passagem admiramos a consonância de Francisco com a vida em Cristo. Ele só fez música por ter experimentado o motivo de sua canção, o próprio Cristo, sua razão única.

 Frei Leandro Costa Santos, OFM


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Quem tem R$ 100?



FILHO: Pai, posso fazer uma pergunta?
PAI: Sim, claro, o que é?
FILHO: Pai, quanto você ganha em uma hora?
PAI: Isso não é da sua conta, por que você pergunta uma coisa dessas?
FILHO: Eu só quero saber. Por favor me diga, quanto você ganha em uma hora?
PAI: Se você quer saber eu ganho R$ 100 por hora.
FILHO: Oh (com a cabeça para baixo). Pai, posso pedir por um favor? R$ 50?


E o pai se enfurece.

PAI: A única razão pela qual me perguntou é essa , para conseguir algum dinheiro e comprar mais um brinquedo ou alguma outra coisa sem sentido? vá direto para o seu quarto ,para sua cama e pense o por que você está sendo tão egoísta. Eu trabalhando duro todos os dias para ver tal comportamento infantil.

O menino foi calado para o seu quarto e fechou a porta. O homem sentou e começou a ficar ainda mais nervoso sobre as questões do menino. Como ele ousa fazer tais perguntas só para conseguir algum dinheiro?

Depois de cerca de uma hora, o homem tinha se acalmado e começou a pensar: Talvez houvesse algo que ele realmente precisasse comprar com esses R$ 50 ele realmente não pede dinheiro com muita frequência. 

O homem foi até a porta do quarto do menino e abriu a porta.

PAI: Você está dormindo, meu filho?
FILHO: Não pai, estou acordado.
PAI: Eu estive pensando, talvez eu tenha sido muito duro com você antes. Tive um longo dia e não deveria ter descontado meu stress em você. Aqui estão os R$ 50 que você pediu…
O menino se levantou sorrindo.
FILHO: Oh, obrigado pai!
Então do seu travesseiro ele puxou alguns trocados amassados. O homem viu que o menino já tinha algum dinheiro, começou a se enfurecer novamente. O menino lentamente contou o seu dinheiro e em seguida olhou para seu pai.
PAI: Por que você quer mais dinheiro se você já tem?
FILHO: “Porque eu não tinha o suficiente, mas agora eu tenho.”
Papai, eu tenho R$ 100 agora. Posso comprar uma hora do seu tempo? Por favor, venha para casa amanhã cedo. Gostaria de jantar com você.


“O Pai ficou emocionado… Ele colocou os braços em volta de seu filho e pediu o seu perdão.”

Isto é apenas uma pequena lembrança a todos vocês que trabalham arduamente na vida. Não devemos deixar o tempo passar através dos nossos olhos sem ter passado algum tempo com aqueles que realmente importam para nós, perto de nossos corações.

Podemos ser facilmente substituídos em questão de dias. Mas a família, os amigos, as pessoas queridas que deixamos para trás e também você, irão sentir essa perda para o resto de suas vidas.


A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA
Se existe algo ou alguém em que podemos depositar toda nossa confiança, é na nossa família. Ela nos mostra o que é certo, indica os melhores caminhos, e nos proporciona um amor verdadeiro e incondicional.
Uma família em harmonia, que se ama mutuamente, permanece unida por uma vida toda. E é também fonte de exemplo para todas as gerações, inspirando a formação de novas famílias.

É também no ambiente familiar que conhecemos nossos primeiros valores e recebemos as primeiras regras sociais. Aprendemos a perceber o mundo, damos início a nossa identidade e somos introduzidos no processo de socialização. Por isso, é tão comum que nos comportemos como quem nos criou, como nossos pais e avós, trazendo traços da personalidade e atitudes muito semelhantes.

Não podemos esquecer que cada um tem um papel fundamental dentro de casa, onde existem direitos e deveres, e todos devem cumprir com suas obrigações. Aí entra o respeito mútuo, a consideração pelos mais velhos, as tarefas domésticas, os deveres diários. Há situações em que toda responsabilidade do dia a dia e os serviços de casa ficam por conta da mãe, os filhos culpam os pais por não poderem presenteá-los com aquilo que desejam ou os irmãos vivem se desentendendo. Nestes casos, a família permanece em desarmonia, sobrecarregando apenas um integrante, tornando instável a união do lar e a estrutura familiar.
Certas situações podem causar grandes frustações em uma vida. Muitos definem a família como sendo a “base de tudo”, uma expressão bastante utilizada para caracterizar o laço familiar que vai além do sangue, sendo também emocional e espiritual. Mas esta base pode se desintegrar, desgastando e se tornando prejudicial. Então, é preciso preservá-la sempre.



O psicanalista Evilázio Vieira ressalta que um bom relacionamento familiar é a principal arma de combate às drogas e aos problemas emocionais que acometem os adolescentes e os jovens. Ele explica que, a partir da adolescência, o indivíduo procura o ambiente fora de casa e os amigos para buscar aprovação e se identificar, e depois volta para o lar. Quando a família tem uma base sólida e oferece amor e atenção, ele não sente necessidade de buscar uma fuga da realidade nas ruas, ao lado dos amigos; ele usa o ambiente externo de forma saudável. Mas, quando sua vida é instável no âmbito familiar, ele busca suprir na rua aquilo que lhe falta dentro de casa; neste caso, é onde tem início a dependência química, a rebeldia e o comportamento violento.

Portanto, a família é algo único e insubstituível, extremamente necessário para a formação do ser humano. Sua ausência gera graves consequências. Pais e filhos precisam se manter unidos, dialogando diariamente. É preciso cuidá-la com carinho, dedicação e fé, para que sua estrutura se mantenha forte e seus indivíduos não caiam no mundo dos vícios e das futilidades.

A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA, Fonte: A12

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Impressão das Chagas de São Francisco de Assis

A impressão das Chagas
por Frei Atílio Abati

Ao falar da paixão e morte do Senhor Jesus, por nos ter dado sua própria vida, São Francisco de Assis chegava às lágrimas. Daí sua exclamação de júbilo: “Que felicidade ter um tal irmão” (2CFi 56)
Em 1224, no Monte Alveme, Francisco recebe os estigmas da paixão do Senhor, provavelmente, no dia de São Miguel Arcanjo, 29 de setembro.
A impressão das chagas, em seu corpo, não foi senão a coroação de toda uma vida. Desde o início de sua conversão, ele se deslumbrava ao contemplar o Cristo de São Damião, tão humano, tão despojado, tão pobre e crucificado. Por isso, este Cristo ocupa o lugar central de toda sua vida: “Não quero gloriar-me a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Gal 6,14).

Foi ante este Cristo, que compungido rezou: “Iluminai as trevas de meu espírito, concedei-me uma fé íntegra, uma esperança firme e um amor perfeito” (OrCr). E continua: “Nele está todo perdão, toda graça e toda glória, de todos os penitentes e justos” (RegNB 30).
A cruz, fonte de vida

Assim compreende-se porque na alma deste servo de Deus as chagas já estavam impressas desde o início de seu projeto de vida.
Francisco teve a sensibilidade de descobrir a face do Cristo Sofredor nos conflitos sociais, nos leprosos e nos marginalizados. Vê no Cristo Crucificado o servo perfeito, que aceita viver, sofrer e morrer para nos salvar.

Francisco passou por momentos de crise, mas não perdeu a chama da esperança e da confiança. Apesar das provações, sentiu-se cativado pelo Cristo. Ele sabia que o caminho para a glória passa pelo sofrimento. Sua opção de vida foi pelo caminho da renúncia, da doação e da cruz. Todavia, assumiu sua missão até as últimas conseqüências, porque o caminho da cruz é fonte de vida.
Francisco captou o profundo sentido da cruz e, por isso, sentiu-se envolvido pelo amor do Mestre que salva, que liberta e que impulsiona para a Ressurreição.

Francisco e o Cristo
Francisco vivia fascinado pelo Cristo, que veio para realizar a vontade do Pai e se fez obediente até morte, e morte de cruz. Aqui está a explicação por que Francisco usava o Tau. Este lhe lembrava a cruz, sinal de salvação, símbolo da vitória sobre o mal. Mais, a cruz torna-se símbolo e sinal da bondade e da misericórdia divinas.
Francisco ora ao Pai, pedindo provar no seu corpo as dores do Senhor Jesus e sentir tão grande amor pelo Crucificado como Ele sentiu por nós. As chagas em seu corpo não são senão a aprovação divina e a resposta ao seu ardente desejo de sentir em sua carne os sofrimentos do Crucificado. E de fato aconteceu. Francisco, assim, é açoitado cruelmente pelo sofrimento.

A recompensa do Pai
No Cristo crucificado, Francisco encontra toda vitalidade que lhe abrasava o coração, a ponto de transformar- se no Cristo estigmatizado. O Cristo pobre e sofredor, estava em seu projeto de vida. Seria Ele como uma auto-estrada a conduzi-lo, mais e mais, a uma profunda união com Deus, a ponto de, exteriormente, pelas cinco chagas, gravadas em seu corpo, assemelhar-se ao Cristo crucificado.
Sabemos, outrossim, que na alma deste santo, as chagas do Senhor já estavam impressas. E como Cristo foi recompensado pelo Pai, ressuscitando-o e vencendo a morte, Francisco, no Monte Alverne, também recompensado por Deus, em seu corpo, pela impressão dos estigmas de seu Filho Jesus Cristo. Isto é fruto de sua vida de fidelidade e de seguimento irrestrito ao Senhor.
Esta transformação interior e exterior, identlficando-se ao Cristo, fazia-o exclamar: “Pois para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fil 1,21).

Fazer a vontade de Pai
Em todas as situações, consoladoras ou dolorosas, Francisco procurava fazer a vontade do Pai: “Concede-nos que façamos aquilo que sabemos ser de tua vontade e queiramos aquilo que te agrada. E assim purificados e, interiormente abrasados pelo fogo do Espírito Santo, sermos capazes de seguir os passos de teu Filho Jesus Cristo e chegar a ti, ó Altíssimo” (COrd 50-52).
Gostaríamos de lembrar que, desde a Porciúncula, igrejinha de Nossa Senhora dos Anjos, berço da Ordem Franciscana, local de início de sua conversão concluída no Monte Alverne, Francisco fez uma caminhada lenta e progressiva, até sua total configuração com o Crucificado.

Para reflexão 01. Como justificar os estigmas de Francisco? 02. Os sofrimentos ligam-nos aos sofrimentos, à Cruz do Cristo. Como então aceitar a nossa cruz e os nossos sofrimentos? 03. Diante do Cristo crucificado, Francisco chegava às lágrimas. Que mensagem o Cristo da Cruz lhe deLva?

Texto para meditação (CFI5)
“E agora, anuncio-vos uma grande alegria e um milagre extraordinário. Não se ouviu no mundo falar de tal portento, exceto quanto ao Filho de Deus, que é o Cristo Senhor. Algum tempo antes de sua morte, nosso irmão e pai apareceu crucificado, trazendo gravadas em seu corpo as cinco chagas, que são verdadeiramente os estigmas de Cristo. Suas mãos e seus pés estavam traspassa- dos, apresentando uma ferida como de prego, em ambos os lados, e havia cicatrizes da cor escura dos pregos. O seu lado parecia traspassado por uma lança e muitas vezes saíam gotas de sangue”.

Do livro, “Francisco, um Encanto de Vida”, de Frei Atílio Abati, ofm, editora Vozes, 2002.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Nossa Senhora das Dores, Rogai por nós


A mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cléofas, e Maria Madalena estavam junto à cruz. Jesus viu a mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava. Então disse à mãe: "Mulher, eis aí o seu filho."

Depois disse ao discípulo: "Eis aí a sua mãe." E dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa.

A mãe de Jesus representa aqui o povo da antiga aliança que se conservou fiel às promessas e espera pelo salvador. E o discípulo amado representa o novo povo de Deus, formado por todos os que dão sua adesão a Jesus. 

Na relação mãe-filho, o evangelista mostra a unidade e continuação do povo de Deus, fiel à promessa e herdeiro da sua realização.

Que Nossa Senhora cure suas dores.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Natividade de Nossa Senhora (Nascimento da Mãe de Jesus)



“Eis que a Virgem Conceberá…”
Hoje a Igreja celebra a Festa da Natividade de Nossa Senhora. Deste modo, o Evangelho nos traz a Genealogia de Jesus para explicitar a trajetória de José e Maria até o nascimento de Jesus. Assim se cumpriu à promessa de Isaías que se vê realizada em Mateus: “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho e se chamará Emanuel (Is 7,14)”.
O anjo de Deus aparece a José e lhe dá resposta a seus temores: “Não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará seu povo de seus pecados”. Assim como Maria, José também teve de aceitar a mensagem de Deus através do sinal, a voz do anjo que se fez ouvir.
Esse é um fato singular no plano de Deus para a humanidade e para a Igreja. A compreensão de José para com Maria estabeleceu no mundo o triunfo do amor sobre o ódio, da reconciliação sobre o pecado, do bem sobre o mal, e a vitória do Espírito Santo de Deus que perpassa a História.

O nascimento de Nossa Senhora ou a Natividade de Maria é uma festa litúrgica das Igrejas Católica e Anglicana, celebrada no dia 8 de setembro, nove meses após a sua Imaculada Conceição, celebrada em 8 de dezembro. Também é celebrada pelos cristãos sírios em 8 de Setembro e pelos cristãos coptas em 1 Bashans (equivale a 9 de Maio). Na Igreja Ortodoxa, a Festa de Theotokos, é uma das doze grandes festas do ano litúrgico. Para aquelas igrejas que seguem o calendário juliano, acontece em 8 de Setembro; para as do calendário gregoriano, em 21 de setembro.

Foi neste dia que Deus começa a pôr em prática o Seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Esta “casa”, que é Maria, foi construída com sete colunas, que são os dons do Espírito Santo.

Deus dá um passo à frente na atuação do Seu eterno desígnio de amor, por isso, a festa de hoje, foi celebrada com louvores magníficos por muitos Santos Padres. Segundo uma antiga tradição os pais de Maria, Joaquim e Ana, não podiam ter filhos, até que em meio às lágrimas, penitências e orações, alcançaram esta graça de Deus.

De fato, Maria nasce, é amamentada e cresce para ser a Mãe do Rei dos séculos, para ser a Mãe de Deus. E por isso comemoramos o dia de sua vinda para este mundo, e não somente o nascimento para o Céu, como é feito com os outros santos.

Sem dúvida, para nós como para todos os patriarcas do Antigo Testamento, o nascimento da Mãe, é razão de júbilo, pois Ela apareceu no mundo: a Aurora que precedeu o Sol da Justiça e Redentor da Humanidade.

Que a exemplo de Maria e José, saibamos aceitar a Graça de Deus que se manifesta nas pequenas coisas de cada dia, nutrida pelo grande amor que Deus tem pela humanidade inteira!

Nossa Senhora, rogai por nós! 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Quando descanso? Descanso no amor.



Descansar no Senhor
Santo Ambrósio, bispo e doutor
Isaías 40. 25-31; Mateus 11, 28-30

Quanta esperança nessas palavras de Isaías que ressoam com força nova, proclamadas que são no santo tempo do Advento: “O Senhor não falha nem se cansa, insondável é a sua sabedoria;  ele dá coragem ao desvalido e aumenta o vigor do mais fraco. Cansam-se as crianças e param. Os jovens tropeçam e caem, mas os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como as águias, correm sem se cansar, caminham sem parar”.  O Senhor é aquele que não falha.  Jesus, por sua vez, no evangelho hoje proclamado: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

Viver sob o olhar do Senhor, caminhar por entre as coisas que passam com os olhos fitos nas que não passam, nunca perder de vista o começo, o ponto de partida:  assim procede o peregrino da fé.  Na tentativa de buscar o Senhor, custe o que custar,  esse crente de verdade, faz a experiência  de caminhar à luz do Senhor e na presença do Altíssimo. Corre, se agita, perde o fôlego e tem imensa saudade do repouso, do descanso, da contemplação serena.  Sabe que sua vida é tecida de zelo pelas coisas do Senhor.

Penso aqui na misericórdia bondosa  do Senhor manifestada em seu coração aberto no alto da cruz. Pairando o olhar da fé neste trapo humano com o coração dilacerado, ouvimos, como se fosse pela primeira vez:  “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos, e eu vos darei descanso”.   Há tantos cansaços e tantas fadigas;  dúvidas, preocupações, interrogações,  doença,  mágoas.  Todos temos o direito de olhar para esse coração que amou até o fim e experimentamos descanso  que é sinônimo de paz. “Ele dá coragem ao desvalido e aumenta o vigor do mais fraco”.

O salmo continua no mesmo tom:  “O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo. Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas”.

Quando fixamos nosso olhar no coração aberto de Cristo não estamos praticando uma piedade baratamente sentimental.  Ao contrário,  acolhemos nos cantos mais íntimos de nosso ser esse grito do Senhor: “Que mais poderia eu ter feito por ti?”

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Madre Teresa e Papa João Paulo II - Sempre um encontro alegre



Embaixadora do Papa
Em 1979, mesmo ano que Madre Teresa de Calcutá é agraciada com o Prêmio Nobel da Paz, João Paulo II recebe-a em audiência privada e intitula-a "embaixadora" do Papa em todas as nações, fóruns e assembleias. “Você pode ir aonde eu não posso. Vá e fale em meu nome”, disse o Papa à religiosa.

“João Paulo II entendia muito bem o carisma de Madre Teresa e toda vez que se encontravam era uma festa”, destaca a religiosa da Congregação Missionárias da Caridade, Irmã Luiza.

A santidade da Madre Teresa foi logo reconhecida por João Paulo II após sua morte, em 1997. Foi beatificada pelo Pontífice em uma cerimônia no Vaticano, no dia 19 de outubro de 2003, após uma mulher do norte de Bengala, na Índia, ser curada de um tumor no estômago, por sua intercessão.

"Estou pessoalmente agradecido por esta valorosa mulher, a quem sempre senti próxima de mim. Imagem do Bom Samaritano, ela se acercava a qualquer lugar para servir a Cristo nos mais pobres entre os pobres. Nem os conflitos nem as guerras conseguiram detê-la", disse João Paulo II durante sua homilia na Missa de beatificação de Madre Teresa. 

Para o Papa polonês, o testemunho de vida desta religiosa recordava a todos que a missão evangelizadora da Igreja era vivida por meio da caridade, alimentada na oração e na escuta da palavra de Deus. "A emblemática deste estilo missionário é a imagem que reflete a nova Beata enquanto sustenta, com uma mão, a de uma criança e, com a outra, percorre a coroa do Rosário", afirmou. 

João Paulo II enfatizava sempre que Madre Teresa proclamava o Evangelho com sua vida entregue por inteiro aos pobres, mas, ao mesmo tempo, envolvida na oração. 
"Sua vida é um testemunho da dignidade e do privilégio do serviço humilde. Elegeu ser não só a última, mas a serva dos últimos. Como uma verdadeira mãe dos pobres, inclinou-se aos que sofriam diferentes formas de pobreza. Sua grandeza reside em sua capacidade de dar sem importar o custo, dar "até que doa". Sua vida foi uma vida radical e uma valente proclamação do Evangelho", ressaltou o Pontífice. 

Madre Teresa "levando as almas a Deus e Deus às almas" buscando saciar a sede dos homens por Cristo, principalmente a dos mais necessitados, aqueles cuja visão de Deus ficava obscurecida pelo sofrimento e a dor. 

"Nossa admiração a esta pequena mulher enamorada de Deus, humilde mensageira do Evangelho e infatigável bem feitora da humanidade. Honremos nela a uma das personalidades mais relevantes de nossa época. Acolhamos sua mensagem e sigamos seu exemplo", definiu João Paulo II. 

"A coisa mais fácil? Equivocar-se. O obstáculo maior? O medo. O erro maior? Abandonar-se. A raiz de todos os males? O egoísmo. A distração mais bela? O trabalho. A pior derrota? O desalento. Os melhores professores? As crianças. A primeira necessidade? Comunicar-se O que mais faz feliz? Ser útil aos demais. O mistério maior? A morte. O pior defeito? O mal humor. A coisa mais perigosa? A mentira. O sentimento pior? O rancor. O presente mais belo? O perdão. O mais imprescindível? O lar. A estrada mais rápida? O caminho correto. A sensação mais grata? A paz interior. O resguardo mais eficaz? O sorriso. O melhor remédio? O otimismo. A maior satisfação? O dever cumprido. A aforça mais potente do mundo? A fé. As pessoas mais necessárias? Os pais. A coisa mais bela de todas? O amor."  
Madre Teresa

  • Madre Teresa: ''o próprio espírito da nossa congregação é de abandono total, de amor confiante e de alegria... É a nossa regra, para procurar-mos ‘’fazer alguma coisa de belo por Deus’’.