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sexta-feira, 28 de março de 2014

Nãos somos mais os mesmos

A Alegria da Vida dentro do Carisma Franciscano


"A criança é alegria como o raio de sol e estímulo como a esperança."

A ALEGRIA DA VIDA FRANCISCANA
"Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!"Esse conselho que é dado por São Paulo aos cristãos de Filipo ecoa sobre todo o cristianismo e chega até nós como uma dica do que é ser cristão. A alegria que São Paulo nos convida a permanecer não deve ser confundida ou comparada com a alegria que costumamos observar na sociedade. Alegria esta, que podemos denominar como uma falsa alegria, pois se resume num passageiro momento de prazer, e que na maioria das vezes fere a alegria do próximo. 

São Francisco de Assis compreendeu intensamente esta mensagem acolhendo para si e transmitindo para o seus filhos espirituais. Diversas vezes ele orienta os frades a não perderem a alegria que nos é dada pelo próprio Cristo: "E guardem-se os irmãos de se mostrarem em seu exterior como tristes e sombrios hipócritas. Mas antes comportem-se como gente que se alegra no Senhor, satisfeitos e amáveis, como convém." (RB 7, 15-16)

É comum percebermos nas pessoas a mentalidade de que a alegria só está presente nos momentos que  julgam serem positivos. Mas Francisco mergulhou com mais afinco no sentido da alegria cristã. Por ter dado tanta ênfase a esta propriedade da dimensão humana/cristã, tal alegria pode ser denominada "alegria franciscana". Não que essa característica seja apanágio dos franciscanos, mas pela propagação que Francisco e seus seguidores optaram em fazer.

A alegria franciscana não se restringe aos momentos de prazeres, mas deve ser intensa e constante. Lembremo-nos da exortação de São Paulo: "Alegrai-vos sempre no Senhor". A expressão "sempre" nos dá essa conotação de não possuir intervalos. A alegria cristã e franciscana se faz presente também nas tribulações. Eis a diferença entre a verdadeira alegria e a falsa alegria pregada pelo "mundo". 

O próprio Francisco nos deixou esse exemplo com a própria vida. Lembremo-nos do fato ocorrido logo em que ele se despojou dos bens do pai terreno. Ora, Francisco saiu de sua cidade natal em busca de um lugar onde pudesse ficar só e refletir o que Deus queria dele. Sucedeu que ao andar pela floresta, alegre e cantando os louvores do Senhor, foi surpreendido por dois ladrões que sem dó e piedade o espancaram e o deixaram numa fossa cheia de neve. Mas nem por isso Francisco se deixou esmorecer, mais assim que os dois ladrões foram embora, o santo retomou o seu canto e louvou ao Senhor com mais alegria do que antes.

De fato, é um desafio pregar essa alegria num mundo regido por um sistema que só prega o prazer, o individualismo e as competições. Até mesmo entre algumas comunidades cristãs, os valores cristãos estão sendo invertidos. A cruz vem sendo colocada como antagônica à alegria, sendo que deveria ser tida como um caminho, assim como foi para o próprio Jesus. Lendo o capítulo 8 do Fioretti onde Francisco explica a Frei Leão o que é a perfeita alegria, ali se percebe a grande lição de espiritualidade que o pai seráfico quer dar a todos nós. Lição esta que ele aprendeu pela própria experiência do Cristo.

Longe de ser um masoquismo, a Perfeita Alegria consiste em estar sereno em todos os estantes e mesmo no sofrimento, saber tirar uma lição de vida e crescimento com aquela dor. Só assim mostraremos ao mundo que a Alegria Perfeita está em amar e servir, independente do reconhecimento. 

Paz e Bem a todos :D

terça-feira, 25 de março de 2014

São Francisco de Assis, patrono da ecologia, tem espaço em Noronha


Padre Glênio com a imagem de São Francisco 
(Foto: All Angle-Sandro Rodrigues/Divulgação)

São Francisco de Assis, patrono da ecologia. O então padre da ilha e mergulhador, Glênio Guimarães, realizava uma cerimônia submarina e, com apoio do Instituto Chico Mendes, transformava a Caverna da Sapata (ponto tradicional de mergulho) num santuário dedicado a São Francisco, que também é considerado o protetor dos animais.

“Eu acho muito importante esta iniciativa. Ao longo dos tempos, Fernando de Noronha prestou homenagens a diversos santos como Nossa Senhora dos Remédios, São Pedro e Santo Antônio, mas não contava com um espaço para reverenciar o patrono da ecologia, justo a ilha que tem um ecossistema tão rico”, avaliou a historiadora Marieta Borges, que também é especialista em assuntos religiosos. Desde então, a caverna tem uma imagem de São Francisco, numa profundidade de 18 metros.



64% dos Cristãos usam Redes Sociais para evangelizar (e tornar o mundo melhor...)


64% dos cristãos usam redes sociais para evangelizar, revela pesquisa inglesa

De acordo com o Charisma News, uma pesquisa sobre o comportamento cristão on-line revela que Cristãos usam cada vez mais as redes sociais para compartilhar a fé.

Entre os 700 cristãos entrevistados, 84% concordaram que o espaço on-line foi um enorme espaço de missão, e 64% disseram que usavam redes sociais como o Facebook, Twitter e YouTube.

O estudo mostrou que não apenas os jovens eram alcançados, mas pessoas de todas as faixas de idade. 71% das pessoas postavam links com conteúdo cristão de valor missional, enquanto 73% postavam ou criavam um atalho para o conteúdo de compartilhamento da fé.

No entanto, os jovens têm mais chances de ter amigos não-cristãos e são mais ativos quando compartilham sua fé cristã, respondendo por 87% das pessoas que evangelizam intencionalmente na faixa etária dos 16 aos 18 anos.

Também entre os entrevistados, 79% concordaram que a melhor maneira de evangelizar era através de relacionamentos.

Apesar dos números positivos para as redes sociais, apenas 25% dos entrevistados disseram que sua igreja encorajava a evangelização on-line, enquanto 78% opinaram que as igrejas deveriam ser mais ativas nas redes sociais. Entre os pontos que eles acreditam que incentivariam o uso da internet, seriam mais orações e treinamento das ferramentas para abraçar os canais on-line abertos à igreja.

E você, já falou de Cristo hoje?
Paz e Bem :)

O que é ser santo?


O que significa dizer ser santos? Quem é chamado a ser santo? Muitas vezes, somos levados ainda a pensar que a santidade seja uma meta reservada a poucos eleitos. [...] A santidade, a plenitude da vida cristã, não consiste em cumprir ações extraordinárias, mas em unir-se a Cristo, em viver os seus mistérios, em fazer nossas as suas atitudes, seus pensamentos, seus comportamentos. A medida da santidade é dada pela estatura que Cristo alcança em nós, através da qual, com a força do Espírito Santo, modelamos toda a nossa vida sobre a sua. É o ser conforme a Jesus. Todos somos chamados à santidade: é a medida mesma da vida cristã”, ressaltou.
O Sucessor de Pedro propôs dois questionamentos fundamentais: Como podemos percorrer a estrada da santidade, responder a esse chamado? É possível apenas com nossas próprias forças? “A respota é clara: uma vida santa não é fruto principalmente do nosso esforço, das nossas ações, porque é Deus que nos torna santos, é a ação do Espírito Santo que nos anima a partir de dentro, é a vida mesma de Cristo Ressuscitado que nos é comunicada e que nos transforma”.

A santidade tem sua raiz última na graça batismal, pois é devido a ela que nosso destino é ligado indissoluvelmente ao seu. “Mas Deus respeita sempre a nossa liberdade e pede que aceitemos esse dom e vivamos as exigências que ele comporta, pede que nos deixemos transformar pela ação do Espírito Santo, conformando a nossa vontade à vontade de Deus”, explicou.

Como viver? O que é essencial? É possível?
Aqui surgem duas outras indagações importantes: Como pode acontecer que o nosso modo de pensar e as nossas ações tornem-se o pensar e o agir com Cristo e de Cristo? Qual é a alma da santidade? “De novo o Concílio Vaticano II precisa; diz-nos que a santidade cristã não é nada mais que a caridade plenamente vivida, o dom primeiro e mais necessário. Mas, para que a caridade cresça na alma e ali frutifique, cada fiel deve escutar voluntariamente a Palavra de Deus e, com o auxílio da sua graça, realizar as obras de sua vontade, participar frequentemente dos sacramentos, sobretudo da Eucaristia e da santa liturgia; aplicar-se constantemente à oração, à abnegação de si mesmo, ao serviço ativo dos irmãos e ao exercício de toda a virtude. A caridade dirige todos os meios de santificação, lhes dá forma e condu-los ao seu objetivo”, definiu Bento XVI.

Frente à possível dificuldade de compreensão dos marcos pastorais do Concílio, o Papa diz que talvez seja preciso dizer as coisas de modo mais simples. “O que é essencial?”, pergunta, e indica não deixar nunca de participar do encontro com Cristo Ressuscitado na Eucaristia aos domingos, não começar e não terminar o dia sem ao menos um breve contato com Deus e seguir os indicadores que ele coloca à beira do caminho de nosso vida. “Essa é a verdadeira simplicidade, grandeza e profundidade da vida cristã, do ser santos”, frisou.

O Papa lança ainda outro questionamento: Podemos nós, com os nossos limites, buscar a uma meta tão alta? Bento XVI explica que a Igreja convida, durante todo o Ano Litúrgico, a fazer memória de uma legião de Santos que viveram plenamente a santidade na sua vida cotidiana, os quais dizem-nos que é possível percorrer essa estrada.

“Na realidade, devo dizer que também para a minha fé pessoal muitos santos, não todos, são verdadeiras estrelas no firmamento da história. E gostaria de complementar que, para mim, não somente alguns grandes santos que amo e que conheço bem são ‘indicadores do caminho’, mas propriamente também os santos simples, isto é, as pessoas boas que vejo na minha vida, que não serão nunca canonizadas. São pessoas normais, por assim dizer, sem heroísmo visível, mas na sua bondade de todo dia vejo a verdade da fé. Essa bondade, que amadureceram na fé da Igreja, é para mim a mais segura apologia do cristianismo e o sinal de onde esteja a verdade”, ressaltou.

fonte: franciscanos.org.br

segunda-feira, 24 de março de 2014

A espiritualidade da estação de Outono


As estações marcam etapas, distintas entre si, diferentes por regiões, marcantes pelo que revelam, sentimentos diferentes… Cada folha que o vento leva é sinal de perda, de poda, de morte.. É sinal que é tempo de morrer para nascer, de perder para ganhar, de se recolher para brotar algo novo. É o mistério da vida no seu recolher e no seu pulsar…
Assim, no outono da vida, vamos aprendendo que é preciso deixar morrer aquilo que precisa morrer… E, dessa morte, virá o broto, o novo, a verdura! Daquilo que o vento leva, trará algo de volta, permitirá a cura e o renascer de um sonho. Assim, vida e morte estão juntas no mesmo pulsar, no mesmo desejo intenso de ressurreição!

Frase para refletir:
“Se um dia lágrimas vierem ao seu rosto, não pense no por que! Pense nas folhas do outono, elas não caem porque querem, e sim porque chegou a hora” (Raphael Bacellar).


sexta-feira, 21 de março de 2014

O mais humano dos homens

quinta-feira, 20 de março de 2014

As três palavras do Papa Francisco para um casamento bem sucedido...


1ª Pergunta: O medo do «para sempre»

Santidade, hoje em dia numerosas pessoas pensam que prometer a fidelidade um ao outro para a vida inteira constitui um empreendimento demasiado difícil; muitos sentem que o desafio de viver juntos para sempre é bonito e até fascinante, mas demasiado exigente, praticamente impossível. Pedir-lhe-íamos uma palavra para nos iluminar a este propósito.

Agradeço-vos o testemunho e também a pergunta. Explico-vos: eles enviaram-me as perguntas antecipadamente. Compreende-se. E deste modo eu pude meditar e pensar sobre uma resposta um pouco mais sólida.

É importante interrogar-se se é possível amar-se «para sempre». Trata-se de uma pergunta que temos o dever de formular: é possível amar-se «para sempre»? Hoje em dia, muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas. Certo dia um jovem disse ao seu bispo: «Eu quero tornar-me sacerdote, mas somente por dez anos!». Ele tinha medo de uma escolha definitiva. Mas trata-se de um medo geral, próprio da nossa cultura. Parece impossível fazer escolhas para a vida inteira. Hoje tudo muda rapidamente, nada dura no tempo. E esta mentalidade leva muitas pessoas que se preparam para o matrimónio a afirmar: «permaneçamos juntos, enquanto o amor durar»; e depois? Muitas saudações e até à vista! E assim termina o matrimónio. Mas o que entendemos por «amor»? Apenas um sentimento, uma condição psicofísica? Sem dúvida, se for assim, não será possível construir sobre ele algo de sólido. Ao contrário, se o amor for uma relação, então será uma realidade que cresce, e como exemplo até podemos dizer que se constrói como uma casa. E a casa constrói-se juntos, não sozinhos! Aqui, construir significa favorecer e ajudar o crescimento. Estimados noivos, vós estais a preparar-vos para crescer juntos, para construir esta casa, para viver juntos para sempre. E não desejais alicerçá-la sobre a areia dos sentimentos que vão e voltam, mas sobre a rocha do amor autêntico, do amor que provém de Deus. A família nasce deste desígnio de amor, que quer crescer como se constrói uma casa que se torne um lugar de carinho, de ajuda, de esperança e de apoio. Do mesmo modo como o amor de Deus é estável e para sempre, assim também no caso do amor que funda a família, desejamos que ele seja estável e para sempre. Por favor, não devemos deixar-nos dominar pela «cultura do provisório»! Esta cultura que hoje invade todos nós, esta cultura do provisório. Não pode ser assim!

Portanto, como se cura este medo do «para sempre»? Cura-se dia após dia, confiando-se ao Senhor Jesus numa vida que se torna um caminho espiritual quotidiano, feito de passos, de pequenos passos, de passos de crescimento comum, feito de compromisso a tornarmo-nos mulheres e homens maduros na fé. Porque, queridos noivos, o «para sempre» não é apenas um problema de duração! Um matrimónio não é bem sucedido unicamente quando dura, mas é importante a sua qualidade. Estar juntos e saber amar-se para sempre, eis no que consiste o desafio dos esposos cristãos. Vem ao meu pensamento o milagre da multiplicação dos pães: também para vós, o Senhor pode multiplicar o vosso amor e conceder-vo-lo vigoroso e bom todos os dias. Ele possui uma reserva infinita de amor! E oferece-vos o amor que está no fundamento da vossa união, enquanto o renova todos os dias, fortalecendo-o. Além disso, torna-o ainda maior quando a família cresce com os filhos. Neste caminho é importante, é sempre necessária a oração. Ele por ela, ela por ele, e ambos juntos. Pedi a Jesus que multiplique o vosso amor. Na oração do Pai-Nosso, nós dizemos: «O pão nosso de cada dia nos dai hoje». Os cônjuges podem aprender a rezar com estas palavras: «Senhor, o amor nosso de cada dia nos dai hoje», porque o amor quotidiano dos esposos é o pão, o verdadeiro pão da alma, o pão que os sustenta a fim de que possam ir em frente. E a oração: podemos fazer a prova para saber se sabemos recitá-la? «Senhor, o amor nosso de cada dia nos dai hoje». Todos juntos! [noivos: «Senhor, o amor nosso de cada dia nos dai hoje»]. Mais uma vez! [noivos: «Senhor, o amor nosso de cada dia nos dai hoje»]. Esta é a prece dos namorados e dos esposos. Ensinai-nos a amar-nos, a querer o bem um do outro! Quanto mais vos confiardes a Ele, tanto mais o vosso amor será «para sempre», ou seja, capaz de se renovar, superando assim todas as dificuldades. Era precisamente isto que eu vos queria dizer, respondendo à vossa pergunta. Obrigado!

2ª Pergunta: Viver juntos: o «estilo» da vida matrimonial

Santidade, viver juntos todos os dias é bom, enche de alegria e ampara. No entanto, constitui um desafio que deve ser enfrentado. Cremos que é necessário aprender a amar-nos. Existe um «estilo» da vida de casal, uma espiritualidade da vida quotidiana que gostaríamos de aprender. Santo Padre, pode ajudar-nos nisto?

Viver juntos é uma arte, um caminho paciente, bonito e fascinante. Ele não termina quando vos conquistastes um ao outro... Pelo contrário, é precisamente neste momento que ele tem início! Este caminho de cada dia possui regras que podem ser resumidas naquelas três palavras que tu disseste, palavras que eu já dirigi inúmeras vezes às famílias, e que vós já podeis aprender a utilizar entre vós: com licença, ou seja, «posso», como tu dissestes, e desculpa.

«Posso, com licença?». É o pedido amável para poder entrar na vida de outra pessoa, com respeito e atenção. É necessário aprender a pedir: posso fazer isto? É do teu agrado, se fizermos assim, que tomemos esta iniciativa, que eduquemos os nossos filhos desta maneira? Gostarias de sair comigo esta noite?... Em síntese, pedir licença significa saber entrar com amabilidade na vida dos outros. Contudo, ouvi bem isto: saber entrar com amabilidade na vida dos outros. E não é fácil, isto não é fácil. Por vezes, recorremos a maneiras um pouco pesadas, como determinadas botas de montanha! O amor autêntico não se impõe com aspereza nem com agressividade. Nas chamadas Florinhas de são Francisco encontra-se a seguinte expressão: «Deves saber que a cortesia é uma das propriedades de Deus... e a cortesia é irmã da caridade, a qual extingue o ódio e conserva o amor!» (Cap. 37). Sim, a amabilidade conserva o amor. E hoje, no seio das nossas famílias, no nosso mundo muitas vezes violento e arrogante, há necessidade de muito mais amabilidade. E isto pode começar a partir de casa.

«Obrigado!». Parece fácil pronunciar esta palavra, mas sabemos que não é assim. No entanto, ela é importante! Nós ensinamo-la às crianças, mas depois nós mesmos a esquecemos! A gratidão é um sentimento importante: recordai-vos do Evangelho de Lucas? Certa vez, uma senhora idosa disse-me em Buenos Aires: «A gratidão é uma flor que cresce em terra nobre!». É necessária a nobreza da alma para que esta flor possa crescer. Recordais-vos do Evangelho de Lucas? Jesus cura dez doentes de lepra, e em seguida só um deles volta atrás para agradecer a Jesus. E o Senhor diz-lhe: e onde estão os outros nove? Isto é válido também para nós: sabemos agradecer? Nos nossos relacionamentos, e amanhã na nossa vida matrimonial, é importante manter viva a consciência de que a outra pessoa constitui uma dádiva de Deus, e aos dons de Deus é necessário dizer obrigado! Devemos sempre dar graças por eles. E nesta atitude interior é preciso dizer obrigado um ao outro, por todas as coisas. Não se trata de uma palavra amável para ser utilizada com os estranhos, para sermos educados. É necessário saber dizer obrigado um ao outro, para poder caminhar em frente, bem e juntos, na vida matrimonial.

A terceira palavra: «Desculpa». Na vida cometemos numerosos erros, enganamo-nos muitas vezes. E isto acontece com todos nós. Mas aqui está porventura presente alguém que nunca cometeu um erro? Se houver alguém assim, que levante a mão: uma pessoa que nunca cometeu erros? Todos nós os cometemos. Todos! Talvez não passe nem sequer um só dia sem que os cometamos. A Bíblia recorda que a pessoa mais justa comete sete pecados por dia. Por isso, todos nós cometemos erros... Eis, então, por que motivo é necessário utilizar esta palavra tão simples: «desculpa». Em geral, cada um de nós está pronto para acusar o nosso próximo, justificando-nos assim a nós mesmos. Isto teve início a partir do nosso pai Adão, quando Deus lhe perguntou: «Adão, comeste por acaso daquele fruto?». «Eu? Não! Foi ela que me mo deu!». Acusar o outro para não dizer «desculpa», «perdão». Trata-se de uma história antiga! É um instinto que se encontra na origem de muitas calamidades. Aprendamos a reconhecer os nossos erros e a pedir desculpa. «Desculpa, se hoje levantei a minha voz»; «desculpa, se passei sem cumprimentar»; «desculpa, se cheguei atrasado», «desculpa, se esta semana estive tão silencioso», «desculpa, se falei demais, sem nunca escutar»; «desculpa, se me esqueci»; «desculpa, se eu estava com raiva e te tratei mal». Cada dia podemos pedir muitas vezes «desculpa». É também deste modo que uma família cristã prospera. Todos nós sabemos que não existe uma família perfeita, ou um marido perfeito, ou uma esposa perfeita. Nem sequer falemos de uma sogra perfeita... Existimos nós, pecadores. Jesus, que nos conhece bem, ensina-nos um segredo: nunca devemos terminar o dia sem pedir perdão, sem que a paz volte ao nosso lar, à nossa família. É normal que os esposos discutam, há sempre algo sobre o que discutir. Talvez tenhais discutido entre vós, talvez tenha voado um prato, mas por favor, recordai-vos disto: nunca termineis o dia sem fazer as pazes! Nunca, nunca, nunca! Este é um segredo, um segredo para conservar o amor e fazer as pazes. Não é necessário fazer um bonito discurso. Por vezes é suficiente um simples gesto... e a paz volta a instaurar-se. Nunca deixeis que termine o dia... pois se tu permitires que termine o dia sem que as pazes se restabeleçam, aquilo que tens dentro de ti, no dia seguinte, será frio e empedernido, e assim será mais difícil fazer as pazes. Recordai bem: nunca termineis o dia sem fazer as pazes! Se aprendermos a pedir desculpa e a perdoar-nos reciprocamente, o matrimónio durará e irá em frente. Quando vêm às audiências ou às Santas Missas aqui em Santa Marta, casais idosos, que celebram as bodas de ouro, eu pergunto-lhes: «Quem suportou quem?». E isto é bonito! Todos olham uns para os outros, depois olham para mim e dizem-me: «Ambos!». E isto é bonito! Trata-se de um bonito testemunho!

3 ª Pergunta: O estilo da celebração do Matrimónio

Santidade, ao longo destes meses estamos a fazer muitos preparativos para as nossas núpcias. Pode dar-nos alguns conselhos para celebrar bem o nosso casamento?

Fazei com que se trate de uma festa verdadeira — porque o matrimónio é uma festa — uma festa cristã, e não uma festa mundana! O motivo mais profundo da alegria daquele dia é-nos indicado pelo Evangelho de João: recordai-vos do milagre das bodas de Caná? Numa certa altura veio a faltar vinho, e a festa parece estragada. Imaginai se tivessem que terminar a festa a beber chá! Não, não pode ser! Sem vinho não há festa! Por sugestão de Maria, naquele momento Jesus revela-se pela primeira vez e realiza um sinal: transforma a água em vinho e, agindo assim, salva a festa nupcial. O que aconteceu em Caná há dois mil anos acontece na realidade em cada festa de casamento: aquilo que tornará completo e profundamente verdadeiro o vosso matrimónio será a presença do Senhor, que se revela e concede a sua graça. É a sua presença que oferece o «vinho bom», Ele é o segredo da alegria completa, do júbilo que aquece verdadeiramente o nosso coração. Disto se vê a presença de Jesus naquela festa. Que seja uma festa bonita, mas com Jesus! Não com o espírito do mundo, não! E sente-se quando o Senhor está presente!

Mas ao mesmo tempo, é bom que o vosso matrimónio seja sóbrio e permita salientar aquilo que é verdadeiramente importante. Algumas pessoas estão mais preocupadas com os sinais exteriores, com o banquete, com as fotografias, com as roupas e com as flores... Trata-se de elementos importantes numa festa, mas somente se forem capazes de indicar o motivo autêntico da vossa alegria: a bênção do Senhor sobre o vosso amor! Fazei com que, como no caso do vinho das bodas de Caná, os sinais exteriores da vossa festa revelem a presença do Senhor e vos recordem, tanto a vós como a todos os presentes, a origem e o motivo da vossa alegria.

No entanto, há algo do que tu disseste que desejo frisar imediatamente, porque não quero deixar passar. O matrimónio é também um trabalho para realizar em cada dia, poderia dizer um trabalho artesanal, uma obra de ourivesaria, uma vez que o marido tem a tarefa de fazer com a sua esposa seja mais mulher, e a esposa tem o dever de fazer que com que o marido seja mais homem. É preciso crescer também em humanidade, como homem e como mulher. É isto que deveis fazer entre vós. E isto chama-se crescer juntos. Isto não provém do ar! É o Senhor que o abençoa, mas deriva das vossas mãos, das vossas atitudes, do vosso estilo de vida, do modo como vos amais um ao outro. Deveis fazer-vos crescer um ao outro! Fazer com que o outro prospere sempre. Trabalhar para isto. E assim, sei lá, penso em ti que um dia caminharás pela rua da tua cidade e as pessoas dirão: «Mas olha como é bonita aquela mulher, como é exemplar! ...». «Com o marido que tem, compreende-se!». E também a ti: «Olha como ele é!». «Com a esposa que tem, compreende-se!». É isto, é preciso chegar a isto: fazer crescer um ao outro. E os filhos receberão esta herança de ter tido um pai e uma mãe que cresceram juntos, fazendo-se — reciprocamente — mais homem e mais mulher!

terça-feira, 18 de março de 2014

Como experimentar o amor de Cristo?


Irmãos, quero que saibais que luta difícil sustento por vós, pelos fiéis de Laodicéia e por tantos outros, que não me conhecem pessoalmente para que sejam consolados e se mantenham unidos na caridade. Que eles cheguem a entender profunda e plenamente o mistério divino, ao conhecer o Cristo, no qual estão encerrados todos os tesouros da sabedoria e da ciência ( Paulo aos Colossenses 2, 2-3).

1. Cristo Jesus, ontem, hoje e sempre! Somos cristãos. Somos discípulos de Cristo. Vivemos envolvidos nele e respiramos sua presença na história de nossa historia. Nos momentos de meditação e de reflexão silenciosa tomamos plena consciência desse que é a imagem do Pai, que não podia dar mais nada para exprimir seu amor e o amor do Pai. Faz o dom de sua vida, morre dando suas entranhas e pela ferida de seu peito, depois de morto, pudemos olhar um ninho de tesouros de sabedoria e de ciência. Diante do amor de Cristo ficamos extasiados. Ao longo de nossa vida somos convidados a conhecer experimentalmente esse amor.

2. Para muitos tudo pode ter tido seu início muito simplesmente: começamos a descobrir Jesus em nossas casas. Os pais nos falaram dele, as imagens e ilustrações nos santinhos do missal da mãe, as missas, o catecismo, as homilias. Aos poucos fomos tendo um conhecimento “nocional” de Cristo. Pode ser que não poucos tenham parado apenas na apreensão de noções a seu respeito: nascimento, milagres, posturas, textos a respeito dele nos evangelhos. Importante e fundamental que todos os cristãos venham a se aprofundar nesse conhecimento “intelectual”. Para tanto existem cursos de formação cristã. Mas isto é pouco.

3. De tanto ler as páginas dos evangelhos, depois de participar de dias de recolhimento e de retiro, muitos foram se dando conta de que esse Jesus é o vivo, o ressuscitado, aquele que está bem perto de nós e, com sua força e seu espírito, ele vai fazendo conosco nossa história. Não sabemos apenas intelectualmente que instituiu a eucaristia, mas na fé, experimentamos a força desse alimento na consecução de nosso projeto de vida. Em muitos momentos, como os primeiros discípulos, nossos olhos se abrem. “É o Senhor”. Temos a nítida certeza de que ele nos chama, nos interpela. Tudo isso no universo da fé, mas existencialmente.

4. Os que são tocados por Cristo desejam abeirar-se dele e deixar que ele se revele com ajuda das palavras das Escrituras e com suas inspirações. Aos poucos, bem aos poucos, os discípulos sinceros, acolhendo a presença do Ressuscitado vão se dando conta que esse Jesus é a expressão do Pai, revelação do Pai. Ele nos atrai e nos leva ao Pai num jogo de amor contemplativo que não se realiza quando os ruídos, a superficialidade de uma catequese o impedem. Felizes aqueles que, abertos ao mistério, tiveram catequistas e pregadores lúcidos, humildes e competentes para falar dos mistérios de Deus.

5. Ele se apresenta como sabedoria, sabor, experiência saborosa das coisas de Deus. Paulo o diz claramente: em Cristo Jesus estão encerrados os tesouros da sabedoria e da ciência. Na convivência com Cristo, ao longo da vida, na saúde e na doença, no casamento e na viuvez, sacerdotes e religiosos, jovens e menos jovens vão sendo “seduzidos por ele, de modo especial quando contemplam o Coração aberto do Senhor. Sabedoria do amor e ciência da oração, sabedoria em dar mais do que receber, ciência da compreensão de que aquele coração aberto é o coração de Deus. Deixamos para trás um conhecimento frio e passamos a dizer que esse Cristo é o ar que respiramos, o presente que vivemos e o amanhã que esperamos. O amor do coração aberto nos mostra esse Cristo.

6. Na mesma epístola ao Colossenses Paulo afirma que serve à Igreja exercendo o cargo “de transmitir a palavra de Deus em sua plenitude. Esta palavra é o mistério escondido por séculos e gerações, mas agora revelado a seu povo santo. A este Deus quis manifestar como é rico e glorioso entre as nações este mistério: a presença de Cristo junto a vós, a esperança da glória. Nós o anunciamos, admoestando a todos e ensinando a todos, com toda sabedoria, para tornar perfeitos a todos a sua união com Cristo. Para isso eu me esforço com todo o empenho, sustentado pela força que em mim opera” (1, 25-29).

7. Paulo fala do mistério escondido que se revela e que se manifesta mais abertamente na paixão de Cristo e em seu peito aberto. Insiste na necessidade da união com Cristo. Precisamente esta união é que leva ao conhecimento experimental. E os que convivem leal e sinceramente com Cristo Jesus entram no universo da união mística. Ele, o Senhor, opera em cada um. São Boaventura afirma: “Considera, ó homem redimido, quem é aquele que por tua causa está pregado na cruz, qual a sua dignidade e grandeza. A sua morte dá a vida aos mortos; por sua morte choram o céu e a terra, e fendem-se até as pedras mais duras. Para que do lado de Cristo morto na cruz se formasse a Igreja e se cumprisse a Escritura que diz: Olharão para aquele que traspassaram”.

8. Francisco de Assis foi convivendo carinhosamente com Cristo. Tomás de Celano, um de seus biógrafos, afirma: “Os irmãos que viveram com ele sabem com quanta ternura e suavidade, cada dia e continuamente falava-lhes de Jesus. Sua boca falava da abundância de seu coração e a gente teria dito que a fonte do puro amor que enchia sua alma, jorrava de sua superabundância. Quantos encontros entre Jesus e ele. Levava Jesus no seu coração, Jesus em seus lábios, Jesus nos ouvidos, Jesus nos seus olhos, Jesus em suas mãos, Jesus em toda parte. Durante as viagens também, muitas vezes, de tanto meditar e cantar Jesus, esquecia-se de caminhar e convidava todos os elementos a louvarJesus” (1Celano 115). Estamos diante de um conhecimento todo experimental.

9. Francisco, segundo sólida tradição, teve as chagas de Cristo em seu corpo. No alto do La Verna o Poverello se une como que definitivamente a seu Senhor. Os biógrafos falam de uma oração que teria feito o Serafim de Assis: “Meu Senhor Jesus Cristo eu te suplico que me concedas duas graças antes de morrer: a primeira é que durante a minha vida eu sinta em minha alma e em meu corpo, tanto quanto possível, a dor que, ó doce Jesus, suportaste na hora de tua crudelíssima paixão; a segunda é que eu sinta em meu coração, tanto quanto possível, o amor sem medida de que estavas abrasado e que te levou à tua crudelíssima paixão”. Estamos diante de um conhecimento nada livresco, mas experiencial e místico. Todos somos chamados a conhecer os mistérios de Deus pela janela do Coração de Jesus.

Isto também passará...


Assim como as flores que secam no inverno e voltam na primavera, as tribulações também passam...

Conta-se de um rei bondoso e sábio que se encontrava no final de sua vida. Um dia pressentindo a chegada da morte, chamou seu único filho, tirou do dedo um anel e deu-lhe dizendo:
- Quando fores rei, leve sempre contigo este anel. Nele está uma inscrição. 
Quando passares por momentos difíceis ou de glórias, retire o anel e leia o que nele está escrito.

O velho sábio rei morreu, e seu filho passou a reinar em seu lugar, sempre usando o anel que seu pai lhe dera. Passado algum tempo, surgiram conflitos com o reino vizinho que culminaram numa grande guerra.

E num momento de grande angústia no aceso das batalhas, vendo mortos e muitos feridos caídos em meio ao rio de sangue; lembrou-se do anel, tirou-o e leu a inscrição: "Isto também passará". E continuou a lutar com seu valente exército. Perdeu batalhas, venceu outras tantas, mas ao final saiu vitorioso.

Ao retornar para seu reino, entra coberto dos lauréis da conquista e coroado de glórias, sendo aclamado por todos como o maior dos heróis. Neste momento ele lembra de seu velho e querido pai. Tira o anel, e novamente lê: "Isto também passará".

Como é importante administrar com sabedoria os momentos de dor e os momentos de glória. No furor dos embates da vida, é primordial ter a certeza que a nossa tribulação é leve e momentânea.
Isto é, não dura para sempre...

"Isto também passará"

segunda-feira, 17 de março de 2014

Solenidade de São José


São José, esposo da Virgem Maria e patrono da Igreja universal

Esposo da Virgem Maria, pai legal de Jesus, patrono da Igreja, dos carpinteiros e dos doentes.
Festa para toda a Igreja, para os carpinteiros,  para os pais e suas famílias, para os doentes que honram São José como seu patrono. O nome de José é muito comum e por isso mesmo são muitos os que hoje festejam seu onomástico. Também é festa para a Ordem Franciscana, pois São José é um dos seus protetores: muitos santos religiosos têm por ele uma terna devoção. Muitos membros da Ordem difundiram amplamente seu culto.

São raros os dados sobre as origens, a infância e a juventude de José, o humilde carpinteiro de Nazaré, pai terrestre e adotivo de Jesus Cristo, e esposo da Virgem de todas as virgens, Maria. Sabemos apenas que era descendente da casa de David. Mas, a parte de sua vida da qual temos todo o conhecimento basta para que sua canonização seja justificada. José é, praticamente, o último elo de ligação entre o Velho e o Novo Testamento, o derradeiro patriarca que recebeu a comunicação de Deus vivo, através do caminho simples dos sonhos. Sobretudo escutou a palavra de Deus vivo. Escutando no silêncio.

Nas Sagradas Escrituras não há uma palavra sequer pronunciada por José. Mas, sua missão na História da Salvação Humana é das mais importantes: dar um nome a Jesus e fazê-lo descendente de David, necessário para que as profecias se cumprissem. Por isso, na Igreja, José recebeu o título de “homem justo”. A palavra “justo” recorda a sua retidão moral, a sua sincera adesão ao exercício da lei e a sua atitude de abertura total à vontade do Pai celestial. Também nos momentos difíceis e às vezes dramáticos, o humilde carpinteiro de Nazaré nunca arrogou para si mesmo o direito de pôr em discussão o projeto de Deus. Esperou a chamada do Senhor e em silêncio respeitou o mistério, deixando-se orientar pelo Altíssimo.

Quando recebeu a tarefa, cumpriu-a com dócil responsabilidade: escutou solícito o anjo, quando se tratou de tomar como esposa a Virgem de Nazaré, na fuga para o Egito e no regresso para Israel (Mt 1 e 2, 18-25 e13-23). Com poucos mas significativos traços, os evangelistas o descreveram como cuidadoso guardião de Jesus, esposo atento e fiel, que exerceu a autoridade familiar numa constante atitude de serviço. As Sagradas Escrituras nada mais nos dizem sobre ele, mas neste silêncio está encerrado o próprio estilo da sua missão: uma existência vivida no anonimato de todos os dias, mas com uma fé segura na Providência.

Somente uma fé profunda poderia fazer com que alguém se mostrasse tão disponível à vontade de Deus. José amou, acreditou, confiou em Deus e no Messias, com toda sua esperança. Apesar da grande importância de José na vida de Jesus Cristo não há referências da data de sua morte. Os teólogos acreditam que José tenha morrido três anos antes da crucificação de Jesus, ou seja quanto Ele tinha trinta anos.

Por isso, hoje é dia de festa para a Fé. O culto a São José começou no Egito, passando mais tarde para o Ocidente, onde hoje alcança grande popularidade. Em 1870, o Papa Pio IX o proclamou São José, padroeiro universal da Igreja e, a partir de então, passou a ser venerado no dia 19 de março. Porém, em 1955, o Papa Pio XII fixou também, o dia primeiro de maio para celebrar São José, o trabalhador. Enquanto, o Papa João XXIII, inseriu o nome de São José no Cânone romano, durante o seu pontificado.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Como despertar o Cristo interno?

quarta-feira, 12 de março de 2014

Fraternidade e o Modelo de Paz para o Mundo



1. A serviço do Evangelho de Jesus Cristo
Os franciscanos e as franciscanas de ontem e de hoje se caracterizam por uma peculiar experiência vivencial e concreta do Evangelho, seja em nível de serviço dentro da fraternidade ou em nível de serviço fora dela, procurando assim responder aos diversos contextos do mundo. Foi desse modo que os fundadores da Família Franciscana entenderam, assimilaram e praticaram profundamente a proposta de Jesus Cristo. Cada aspecto das vidas de São Francisco e Santa Clara reflete a capacidade que tiveram de ir alem das letras e das palavras escritas. Podemos lembrar, por exemplo, a superação de Santo Pai quanto ao “nojo” de leprosos (Test 1). Da Mãe Clara, recordamos a ousadia que teve de abandonar as comodidades familiares e fugir de casa pela “porta dos mortos” (LSC 7-8). Foi dessa maneira que os dois se deixaram contagiar por Jesus Cristo e, nesse entusiasmo, encantaram muita gente.

1.1 A Regra franciscana: “observar o Evangelho”
Sabemos muito bem e vale a pena acentuar, que as Regras de São Francisco, de Santa Clara e da Ordem Franciscana Secular têm como núcleo o Evangelho de Jesus Cristo com suas reais consequências para a vida cotidiana, seja na dimensão religiosa ou leiga. Embora canonizadas, isto é, reconhecidas pela Igreja, essas regras não podem ser vistas e tomadas como normas jurídicas em si, mas como um conjunto de princípios vitais que dão sentido à vocação de cada pessoa inspirada a abraçar o ideal de vida franciscano.
A Regra não Bulada (1221) de São Francisco, em duas passagens, enfatiza o conteúdo da vocação evangélica dos frades menores com os seguintes termos: “Esta é a vida do Evangelho de Jesus Cristo, que Frei Francisco pediu que lhe fosse concedida e confirmada pelo senhor Papa. E ele o concedeu e confirmou para si e seus irmãos, presentes e futuros.” (RNB prol. 2). E continua mais adiante: “A regra e vida destes irmãos é esta, a saber, viver em obediência, em castidade e sem nada de próprio, e seguir a doutrina e as pegadas de nosso Senhor Jesus Cristo…” (RNB 1,1).

Por sua vez, de forma mais sintética, a Regra Bulada (1223) retoma e reitera o mesmo teor evangélico da regra anterior: “A Regra e a vida dos Frades Menores é esta: observar o santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem nada de próprio e em castidade.” (RB 1,1).

Santa Clara, fiel companheira do Santo de Assis, introduziu em sua Regra, aprovada depois de muitas lutas em 1253, o mesmo propósito evangélico dos frades menores: “A forma de vida da Ordem das Irmãs Pobres, que o bem-aventurado Francisco instituiu, é esta: observar o santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem nada de próprio e em castidade.” (RSC 1,1).

A Regra da Ordem Franciscana Secular, após referir-se sobre a pertença desse ramo à Família Franciscana, afirma que os irmãos e as irmãs seculares estão comprometidos pela Profissão, a partir da convivência fraterna, a viver o Evangelho, espelhando-se na experiência do Seráfico Pai: “Nelas [nas fraternidades], os irmãos e as irmãs, impulsionados pelo Espírito a atingir a perfeição da caridade no próprio estado secular, são empenhados pela Profissão a viver o Evangelho à maneira de São Francisco e mediante esta Regra confirmada pela Igreja.” (RegOFS 2). Mais adiante, no capítulo II, encontramos a caracterização da forma de vida desses irmãos e irmãs: “A Regra e a vida dos franciscanos seculares é esta: observar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo o exemplo de São Francisco de Assis, que fez do Cristo o inspirador e o centro da sua vida com Deus e com os homens.” (RegOFS 4). Todavia, conforme o mesmo texto, essa proposta só será eficaz a partir do momento que se realizar a passagem do “Evangelho à vida e da vida ao Evangelho” (RegOFS 4).

Baseados nas fontes acima, percebemos que a Regra franciscana é a mesma para todos: “observar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Nesta perspectiva das três regras, o que significa observar ? Esse termo, aqui empregado, não é simplesmente uma questão de olhar ou prestar atenção em algo que foi feito ou se faz, como se viveu ou se vive. Expressa, sobretudo, envolvimento e participação nos acontecimentos atuais. E mais, tem a acepção de colocar em prática aquilo que é inerente à identidade do projeto que uma pessoa ou um grupo abraçou. Em outras palavras, na ótica franciscana, observar implica seguimento de uma proposta de vida, obediência a princípios fundamentais, vivência de valores essenciais, comprometimento com as situações concretas da comunidade, inserção no mundo e serviço à vida dos seres humanos e de todas as criaturas através do anúncio de Jesus Cristo e pelo testemunho do amor fraterno.

Nesta dimensão da observância do Evangelho, tão fundamental para São Francisco e Santa Clara, cada franciscano e franciscana, subjetiva e objetivamente, terá uma definição plausível da vocação e da caminhada quando projetar essas no horizonte da experiência e vivência profundas dos valores que significam o jeito de ser e agir, aqui e agora, no chão da história.

2. A serviço dos irmãos e da Fraternidade
Não há fraternidade sem irmãos e tampouco estes sem aquela. Ambos são indispensáveis para que o serviço ao Evangelho seja eficazmente situado. Tanto São Francisco, como Santa Clara, apreenderam o verdadeiro sentido da fraternidade e, principalmente, aprenderam a ser irmão e irmã na relação fraterna e no empenho das obrigações cotidianas. O itinerário dos dois compreendia as diferentes dimensões da vida religiosa: oração, formação, relação fraterna, trabalho manual, cuidado dos irmãos e irmãs sadios e doentes, comunhão eclesial, missão, etc . Assim, a fraternidade primitiva franciscana pode ser vista e entendida sob vários ângulos: reconhecimento e valorização das qualidades uns dos outros, intensidade das relações afetivas, interesse e cuidado uns com os outros, disponibilidade para os trabalhos internos e externos e, naturalmente, enfrentamento de desafios e dificuldades.

2.1 Uma “fraternidade perfeita”
De modo absoluto, não há nenhuma sociedade humana perfeita, terminada e pronta, de forma que não necessite mais de mudanças e renovação no tempo e no espaço. O que existe, de fato, é um processo dinâmico, porque o ser humano caminha e se transforma no curso da história, da qual ele é o protagonista. Neste mesmo sentido, a primitiva fraternidade estava em vias de construção paulatina. Quem ingressava nela tinha a grave tarefa de fazer parte desse processo de crescimento.

A fraternidade franciscana estava (e está) no rumo da perfeição. São Francisco tinha uma visão muito nítida das capacidades de cada um dos companheiros. Acolhia indistintamente a todos como “dom” de Deus (Test 14) e com eles queria fazer a singular experiência evangélica. Nessa atmosfera, o Santo de Assis havia aprendido que a “fraternidade perfeita” correspondia à soma qualitativa dos dons e virtudes dos irmãos. Assim, depois de uma percepção profunda dos próprios valores, destacou de cada um deles os aspectos de significativa importância para o amadurecimento pessoal e fraterno.

A biografia Espelho da Perfeição apresenta uma bela lista de nove frades com suas virtudes, que segue: 1- Frei Bernardo com sua ardente fé e seu amor à pobreza; 2- Frei Ângelo com sua simplicidade, pureza, grande cortesia e gentileza; 3- Frei Masseo e sua distinção e o bom senso natural, sua bela e piedosa eloquência; 4- Frei Gil e seu espírito elevado à contemplação; 5- Frei Rufino e sua prece virtuosa e constante; 6- Frei Junípero, sua paciência e ardente desejo de imitar a Cristo; 7- Frei João das Laudes e seu vigor corporal e espiritual; 8- Frei Rogério e sua ardente caridade; e, por fim, 9- Frei Lúcio e sua inquietação, que não queria ficar em um mesmo lugar mais que um mês, dizendo: “Não temos morada aqui, mas no céu” .

Pela exposição acima, o frade tem seu valor não pelo número de qualidades que possui, mas pela relevância da virtude dele, mesmo que seja só uma. Além disso, o elencamento dos dons aponta para dimensões específicas da vocação franciscana: seguimento de Jesus Cristo, vida de oração, contemplação, pobreza, simplicidade, cortesia (gentileza e acolhida), paciência, piedade, caridade fraterna, dom da pregação (eloquência), itinerância (inquietação). A fraternidade é servida no compartilhamento dos talentos de todos e se expande no serviço ao Reino através dos dons colocados em prática.

2.2 Fraternidade e relações afetivas sinceras
O que mais nos chama a atenção nas primeiras gerações franciscanas é a forma como se dava o cultivo das relações fraternas. Conforme Tomás de Celano, quando se encontravam, em algum lugar, para celebrar momentos importantes, por ocasião de capítulos ou por outras razões, os frades tratavam-se de forma calorosa. Os irmãos se portavam do mesmo jeito ad intra e ad extra, isto é, agiam igualmente dentro e fora da fraternidade (espaço físico). Esse modo de relacionar-se deixava impressões positivas no meio do povo, que passava a estimar e admirar os frades.
Apresentamos a seguir três sucintos textos que caracterizam o clima afetivo que existia entre os irmãos menores das primeiras gerações, a solicitude de um para com o outro e o impacto que isso suscitava nas pessoas.

O primeiro texto, de Celano, retrata o intenso amor fraterno que aquecia a vida daqueles frades: “Quando se reuniam em algum lugar, ou quando se encontravam na estrada, reacendia-se o fogo do amor espiritual, espargindo suas sementes de amizade verdadeira sobre todo o amor. E como? Com castos abraços, com terno afeto, com ósculos santos, uma conversa amiga, sorrisos modestos, semblante alegre, olhar simples, ânimo suplicante, língua moderada, respostas afáveis, o mesmo desejo, pronto obséquio e disponibilidade incansável.” (1Cel 38).

O segunda texto, da Legenda dos Três Companheiros, destaca sobretudo a dedicação e empenho dos irmãos na oração e no trabalho, e a solicitude fraterna que tomava conta de todos: “Todos os dias eram solícitos para rezar e trabalhar com as próprias mãos para afastar absolutamente toda ociosidade, inimiga da alma… Amavam-se com entranhado amor e cada qual servia e nutria o outro como uma mãe com seu filho único e dileto. ”(LTC 41).

Por fim, o terceiro texto, do Anônimo Perusino, chama a atenção para o impacto que o testemunho de vida dos irmãos provocava no meio do povo: “O povo, vendo-os serenos em meio aos sofrimentos aceitos pacientemente pelo Senhor, e sempre esforçados para rezar com devoção, recusando receber e ter consigo dinheiro, como o faziam os outros pobres, e eles querendo bem um ao outro, sinal de que eram discípulos de Cristo: muitos ficaram comovidos e arrependidos, e foram pedir-lhes desculpas pelos maus tratos… Alguns até acabavam pedindo para serem recebidos em seu grupo…” (AP 24; cf. Tb LTC 41).

2.3 Fraternidade e desafios cotidianos
Enquanto realidade mutável, sujeita às vicissitudes históricas, a fraternidade franciscana se deparou (e ainda se depara) com situações concretas de diferentes naturezas: humana, formativa, estrutural, econômica, administrativa, social etc. Paulatinamente, depois de identificados, os desafios eram superados dentro do tempo certo.
São Francisco não era alheio a nenhuma dessas situações. Estava atento a tudo que se passava ao seu redor. Acompanhava todos os passos da fraternidade em todas as dimensões. Conhecia as necessidades pessoais e básicas dos irmãos. Procurava servi-los com esmero e especial cuidado, pois o confrade lhe era muito caro.

2.3.1 Serviço gratuito ao irmão: amor caritativo
O amor caritativo é aquele amor fraterno desinteressado, isto é, aquela expressão de compaixão incondicional que se dobra diante das necessidades do próximo. Ademais, significa um modo informal, espontâneo e gratuito, sempre disponível para ajudar e servir o outro sem medir esforços ou impor barreiras. Trata-se de uma experiência vital que transcende os limites pessoais, sociais, religiosos e culturais. Sem dúvida, é algo que revela também a capacidade que o ser humano tem de sair de si mesmo e ir ao encontro do semelhante (o/a leproso/a e o/a samaritano/a).

A espiritualidade franciscana está marcada profundamente por esse amor entranhado. As Fontes Franciscanas e, de forma mais direta, os Escritos de São Francisco, sublinham, com relevância, a experiência desse amor-serviço caritativo. O Santo de Assis, durante a sua vida, soube cuidar do irmão sem reservas ou medo de perder alguma coisa. Foi alguém todo comprometido com a caminhada pessoal, vocacional e espiritual dos companheiros(irmãos).

O caso típico que ilustra a disposição do Poverello para apoiar o outro é o do Frei Leão que precisou da ajuda e foi benevolamente atendido, conforme o texto da singela carta que o Seráfico Pai lhe enviou, que aqui transcrevemos: “1 Frei Leão, teu irmão Francisco deseja-te saúde e paz. 2 Assim te digo, meu filho, como uma mãe: coloco brevemente nesta frase todas as palavras que falamos pelo caminho e [te] aconselho; e, se depois precisares por motivo de conselho vir a mim, assim te aconselho: 3 qualquer que seja o modo que te pareça melhor agradar ao Senhor Deus (cf. 1Cor 7,32) e seguir seus passos (cf. 1Pd 2,21) e pobreza, faze-o com a bênção do Senhor Deus e com minha obediência. 4 E, se te for necessário outra consolação para tua alma e quiseres vir a mim, Frei Leão, vem!”
De igual modo, todos os irmãos eram educados a manifestar uns aos outros as próprias necessidades e a ter aquele amor sincero e prestativo de mãe pelo confrade em todas as circunstâncias da vida (RNB 9,10-11) . Portanto, acreditamos que esta orientação pedagógica, quando posta em prática, fortalece os vínculos fraternos, estimula a convivência nas diferenças e sustenta, hoje também, os passos dos franciscanos e franciscanas.

Outrossim, na mesma dimensão do amor-doação, o Papa Bento XVI, na sua primeira carta encíclica, Deus Caritas Est (2005), ao citar alguns Santos, menciona também o nome de São Francisco de Assis que, entre tantos homens e mulheres suscitados por Deus, procurou servir ao Senhor na pessoa do próximo, respondendo às situações prementes do seu tempo (cf. n. 40). Portanto, o Santo de Assis não foi alguém surdo e indiferente aos gritos e necessidades do irmão, tanto dentro como fora da comunidade. O Evangelho se encarnava em São Francisco através de sua experiência(vivência) cotidiana.

2.3.2 Trabalho e serviço: compromisso fraterno
Quando olhamos e sentimos de perto as situações concretas da primitiva fraternidade franciscana, descobrimos muitos outros aspectos que nos levam a compreender a dinâmica de vida de São Francisco e seus companheiros. Acima já constatamos alguns. Mas, outro elemento caro ao Santo Pai era a questão do trabalho . Este era (e ainda o é hoje) um meio pelo qual o irmão dava significado ao seu sentido de pertença à fraternidade e colaborava com o seu suor para o bem de todos.

Ele, o próprio Poverello, dava testemunho com o trabalho manual que fazia e queria realizar em todo tempo (Test. 20), pois tinha-o como graça recebida de Deus: “Os irmãos a quem o Senhor deu a graça de trabalhar, trabalhem fiel e devotamente.”(RB V,1). É nesse entendimento que Insistia para que todos os frades trabalhassem e se não soubessem, procurassem aprender, não por interesses particulares, mas para descruzar os braços e fugir das acomodações (Test. 21).
Em síntese, podemos afirmar que o trabalho era (e continua sendo) uma das maneiras de colocar em prática aquilo que se aprendia na escola franciscana. Além do mais, sob essa ótica, pelo trabalho e como assalariados, os frades davam testemunho do estilo de vida que haviam assumido e, através desse instrumento de subsistência, podiam exercer sua missão de evangelizadores. Sendo assim, o trabalho adquiria um significado mais amplo, isto é, não visava apenas o provimento das necessidades básicas, mas também o anúncio do Reino de Deus e sua justiça.

CONCLUSÃO 

O Evangelho é a força vital que ontem deu sentido à vocação de São Francisco e de Santa Clara e hoje dinamiza e revigora a própria essência do Carisma Franciscano. A observância dos princípios e valores evangélicos por parte dos irmãos e irmãs franciscanos significa manter viva a chama do propósito assumido. Como vimos acima, a vida fraterna compreende um conjunto de componentes ou forças que solidificam a caminhada pessoal e comunitária. 

Os membros da Família Franciscana são os personagens principais para a construção da Fraternidade, em sentido mais amplo, sem fronteiras, aqui e agora. Para tanto, faz-se necessária a participação, o compromisso e a colaboração de cada um e de todos para a eficácia do “projeto de vida franciscano”, servindo ao Evangelho e à Fraternidade, como bem entendeu e viveu o Pobrezinho de Assis, quando disse: “Como sou servo de todos, a todos estou obrigado a servir e a prestar-lhes em serviço as odorosas palavras de meu Senhor”(2CtaFi 2). 

De tudo isso, podemos afirmar que a fidelidade ao Evangelho ou à forma vitae (forma de vida) alcançará a sua significação à medida que forem contemplados os diversos componentes que caracterizam a fisionomia do itinerário franciscano, enquanto realidade dinâmica e prenhe de vitalidade. Ou seja, aqueles aspectos que conhecemos – relações fraterno-afetivas, formação, oração, trabalho e serviço, missão e evangelização, responsabilidade com a vida do ser humano e das criaturas e outros – são exigências fundamentais que garantem a permanência do Evangelho na atuação e itinerância dos franciscanos e das franciscanas de todos os tempos e em todos os lugares.

terça-feira, 11 de março de 2014

A vocação de Jesus



1 – DESENVOLVENDO O TEMA
Jesus também teve uma vocação. Respondendo a um chamado do Pai, veio ao mundo com uma missão. Encarnou-se e viveu no meio de um povo simples, trabalhou com suas próprias mãos, amou com coração humano, participou da comunidade. Esteve presente em Caná, entrou na casa de Zaqueu, assentou-se á mesa dos publicanos e pecadores. Em seus gestos e palavras revelou o amor do Pai e a sublime vocação do ser humano.

A vocação e missa de Jesus foi revelar o Projeto do Pai. Viveu em íntima relação como o Pai, a ponto de dizer: “Meu alimento e fazer a vontade de meu Pai”. No seu estilo de vida simples e acolhedor, ele revelou um jeito novo de viver, aberto e ao serviço mútuo. “Um só é o vosso Pai e vós sois todos irmãos”, dizia.

Acolheu os pobres, doentes, pecadores e marginalizados. Apresentou sua mensagem direta e sem medo, com imagens simples e cheias de calor. Soube ir ao encontro das pessoas. Aos pastores apresentou-se: “Eu sou o Bom Pastor”; à Samaritana: “Sou eu, que falo contigo”; aos agricultores: “Eu sou o Pão da Vida”; e a todos nós: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.

Para nós Jesus é o Messias esperado, o Senhor e Salvador, Deus e homem verdadeiro, aquele que veio reunir os filhos e conduzi-los para Casa do Pai. Esse é o centro e o destino final da história humana. Mas, Jesus continua presente no meio de nós e paga a pena segui-lo e abrir-se à amizade com ele. Aliás o convite vem dele: “Fui eu que vos escolhi”.

2 – APROFUNDANDO O ASSUNTO
“Eu vos escolhi e vos chamei de amigos”. No começo da vida pública, em Nazaré, Jesus entra na sinagoga e lê uma passagem de Isaías, que resume a sua missão. Leia com atenção e peça ao Espírito Santo que o ajude a entender: Lc 4,14-22.

São Francisco de Assis é um bom guia no seguimento de Cristo. Eis com o Tomás de Celano seu primeiro biógrafo o apresenta: “Sua maior intenção, seu desejo principal e plano supremo era observar o Evangelho em tudo e por tudo, imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor, os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo, no seguimento de sua doutrina. Estava sempre meditando em suas palavras e recordava seus atos com muita inteligência. Gostava tanto de lembrar a humildade de sua encarnação e o amor de sua paixão, que nem queria pensar em outra coisa” (1Cel 84).

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