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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Os frutos de uma vida sem fé "A Religião é o ópio do povo" Karl Marx

"A Religião é o suspiro da criatura aflita, o estado de um mundo sem coração, porque é o espírito da situação sem espírito. A religião é o ópio do povo." Karl Marx
Lucas nos faz ver nossa vida em  sua dimensão verdadeira, ter vigilância no meio das vãs ilusões. A vigilância é uma atitude bíblica, desde a noite da libertação do Egito, quando anjo exterminador visitou as casas dos egípcios, enquanto os israelitas, de  pé, cajado na mão,  celebravam Javé  pela refeição pascal, prontos para seguir o seu único Senhor. A vigilância é também uma atitude do cristão, que espera a volta do seu Senhor, que encontrando seus servos a vigiar, os fará assentar-se á mesa e os servirá. Pois jê fez assim. Jesus é o Senhor servo.

“O importante desta mensagem é que cada um, assumindo a gente que Deus lhe  confiou no dia a dia, está preparando sua eterna e alegre companhia junto a Cristo, o Senhor que  serve (o único que serve de verdade...). Pois Cristo ama efusivamente a gente que ele confiou à nossa responsabilidade. Não podemos decepcionar á esperança que ele  coloca em nós.  A visão da vigilância como responsabilidade  mostra bem que a religião do Evangelho não é ópio do povo.
           
Implica até a  conscientização política, quando, solícito pelo bem dos irmãos, a gente descobre que bem administrar não é de vez em quando passar   uma cera ou um verniz, mas também e sobretudo, mexer com as estruturas tomadas pelos cupins...  Esta vigilância escatológica não é uma atitude fácil. Exige que a gente enxergue mais longe que o nariz. É bem mais fácil  viver despreocupado, aproveitar o momento....pois quem sabe quando o Senhor vem?  Para sustentar a atitude de ativa vigilância e solicitude pela causa do Senhor, precisamos de muita fé... É bela a apologia de Hebreus 11. A fé é como possuir antecipadamente aquilo que se espera. É uma intuição daquilo que não se vê.  Com esta definição é claramente enunciado o teor escatológico da fé.  O sentido original da fé não é a adesão da razão a verdades incessíveis, mas o engajamento da existência naquilo que é  visível e palpável, porém tão real que possa absorver o mais profundo de meu ser. Hebreus cita toda uma lista de exemplos desta fé, pessoas que empenharam por aquilo que não se enxergava.  O caso mais marcante é a obediência de Abraão e sua fé na promessa de Deus”.
           
O tempo que Deus nos dá serve para fazer o bem.  Os outros são objetos de nossa administração, ou seja, de nosso amor vigilante. Esta vida ganha sentido quando empregamos o tempo para servir aos que nos foram confiados e quando nos preocupamos com suas necessidades. Os que receberam muitos dons para servir os outros prestarão contas ao Senhor.

O evangelista Marcos vai descrevendo a caminhada de Jesus e seus apóstolos no meio do povo. Um homem se aproxima de  Jesus com uma queixa. “Mestre, eu trouxe a ti meu filho que tem um  espírito mudo. Cada vez que o espírito o ataca,  joga-o no chão e ele começa a espumar, range os dentes e fica completamente rijo. Eu pedi aos teus discípulos para expulsarem o espírito. Mas eles não conseguiram”. E Jesus  se dá conta que paira uma falta de fé no ar. Não é aqui o caso de se fazer uma exegese bíblica sobre o texto. O menino tinha nítidos sintomas de epilepsia. Pouco importa. Jesus fala da fé, ao homem de fé tudo é possível.

Cremos. Nossa vida não teria sentido se não crêssemos. Cremos que há um Pai todo poderoso, belo, eterno, cuidador dos universos, fonte de vida, fornalha de amor, infinitamente bom, aquele que ama os seres  humanos que, por puro amor, os colocou  no mundo. Nosso coração é irrequieto enquanto não descansar nele. Vivemos e existimos por seu poder criador assim o quis.

Cremos que, na plenitude dos tempos, o Pai eterno enviou o Verbo em nosso meio. Este se “instalou” na transparência de Maria. O Verbo, a Palavra, habitou entre nós. Comeu à nossa mesa, falou-nos das coisas do coração do Pai, chorou nossas lágrimas, morreu nossa morte e abriu-nos uma estrada. Esse que morre é o Senhor ressuscitado. Vive entre nós  na trama do amor de verdade, no rosto mais abandonados, na Palavra proclamada, no pão partilhado. Esse  Jesus, ressuscitado, vive… Essa é nossa fé. Vivemos envoltos em seu amor. Cremos em Jesus, Filho do Pai, vivo e ressuscitado.

Cremos que em nosso coração simples, pequeno, humilde, contrito, o Senhor derrama a água do Espírito. Esse sopro, esse hálito  abre caminhos novos, faz com que possamos discernir estradas inusitadas, compreender a Palavra pronunciada por Jesus na terras da Palestina no hoje deste mundo que é o  nosso. Cremos na força do Espírito.

Porque cremos vivemos em comunidades, abrimo-nos ao Senhor, queremos que braços, pernas, mãos e todo o nosso ser se deixem ensopar da força do alto. Vivemos espiritualmente.

Cremos, Senhor, mas aumentai nossa fé!
O Missal Cotidiano da Paulus faz uma observação oportuna a respeito da cura do menino efetuada por Jesus e que os apóstolos não conseguiram realizar: “Há quem veja no modo de narrar de Marcos um aceno implícito à  liturgia catecumenal. O rapazinho é trazido aos discípulos e a Jesus e é curado por este através da oração e da fé, fortemente reclamadas pelo Mestre. O poder transfigurador de Cristo passa a nós na Igreja, mediante a fé e os sacramentos  que são a continuação de sua obra de verdadeiro Messias e Salvador, e primeiro sacramento da salvação” (p. 797).


Só nos resta repetir a mais não poder: “Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé”.


Frei Almir Ribeiro Guimarães
franciscanos.org.br