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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Você ainda tem dúvida...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

E se todo o dinheiro da Copa do Mundo no Brasil fosse investido em...


Copa 2014 tem gastos públicos recordes, em benefício da iniciativa privada
Brasileiros ficam sem ingresso e sem legado do Mundial, enquanto futebol se volta à elite

E se todo dinheiro da Copa fosse investido em educação pública?Estima-se que a Copa do Mundo de 2014 custará R$ 28 bilhões. Tomando o estudo do CAQi (Custo Aluno-Qualidade Inicial) como referência, com R$ 25,277 bilhões daria para construir unidades escolares para todos os 3,7 milhões de brasileiros de 4 a 17 anos que estão fora da escola.
por Daniel Cara (revistaeducacao.uol.com.br) e  Jornal do Brasil

Um dos motivos da justa onda de protestos que toma o Brasil é o alto custo da Copa do Mundo de 2014.

Estive a trabalho na África do Sul no período da Copa das Confederações (2009) e da Copa do Mundo (2010). É bom que todos os brasileiros tenham ciência: em qualquer lugar do mundo, os eventos FIFA são demasiadamente onerosos e elitizados. Contudo, no Brasil a situação está mais grave.

Ontem (19/6), o jornalista Jamil Chade, do grupo Estado, informou que em abril o governo estimava que a Copa do Mundo de 2014 custaria de R$ 25,5 bilhões. Anteontem (18/6), o secretário-executivo do Ministério dos Esportes, Luis Fernandes, anunciou que a Copa deverá custar R$ 28 bilhões.

Em comparação com outros Mundiais, o evento no Brasil é o mais dispendioso. Em 2006, a Alemanha gastou na 3,7 bilhões de euros para sediar a Copa, cerca de R$ 10,7 bilhões. Em 2002, Japão e Coreia, gastaram juntos US$ 4,7 bilhões, cerca de R$ 10,1 bilhões. Na África do Sul, em 2010, o custo do evento foi de US$ 3,5 bilhões, perto de R$ 7,3 bilhões. Conclusão: a Copa do Mundo de 2014 será a mais cara da história.

E é um acordo estranho. O Brasil paga a conta, mas é a FIFA quem lucra. Segundo seus próprios dados, a "entidade máxima do futebol" estimava, em 2011, que gastaria US$ 3,2 bilhões para organizar o Mundial, obtendo uma receita de US$ 3,6 bilhões. Mas Jerome Valcke, o mal humorado secretário-geral da FIFA, admitiu que a renda irá superar a marca de US$ 4 bilhões, dobrando o lucro da entidade com o evento. 

Com base nessas informações, realizei um rápido exercício de cálculo. Fui estimulado pela imagem de um cartaz que figurou nos protestos de São Paulo, altamente compartilhada nas redes sociais. O texto dizia: "Eu quero escolas e hospitais 'padrão FIFA'".

Aviso, logo de cara, que tal como ocorre com os estádios de futebol, o chamado padrão FIFA é um luxo desnecessário. Portanto, como referência, vou tomar o único instrumento brasileiro capaz de contabilizar o custo de construção, equipagem e manutenção de escolas dedicadas à relação de ensino-aprendizagem. O mecanismo é de autoria da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e se chama CAQi (Custo Aluno-Qualidade Inicial).

Fiz o seguinte exercício: o que os R$ 28 bilhões que serão gastos com a Copa do Mundo de 2014 fariam pela educação pública?

Como parâmetro de demanda, tomei como base o dado do relatório brasileiro "Todas as crianças na escola em 2015 - Iniciativa global pelas crianças fora da escola", produzido pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e, novamente, pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação. A principal conclusão do documento é que 3,7 milhões de crianças e adolescentes brasileiros, de 4 a 17 anos, estão fora da escola. No entanto, segundo a Emenda à Constituição 59/2009, todos os cidadãos dessa faixa-etária devem estar obrigatoriamente matriculados até 2016.

Assim, o primeiro desafio é o de dimensionar o volume de pré-escolas e escolas que precisam ser construídas. Operando os cálculos, faltam 5.917 estabelecimentos de pré-escolas, 782 escolas para os anos iniciais do ensino fundamental, 593 escolas para os anos finais e 1.711 unidades escolares de ensino médio. Em segundo lugar, é preciso dimensionar os custos de construção e aquisição de equipamentos. Para os 5.917 prédios de pré-escola são necessários R$ 15,047 bilhões. No caso das unidades de ensino fundamental, o custo seria de R$ 1,846 bilhão para os anos iniciais e 1,769 bilhão para os anos finais. Por último, para construir e equipar as escolas de ensino médio, o investimento seria de R$ 6,615 bilhões.

Tudo somado, o Brasil deve aplicar R$ 25,277 bilhões para construir e equipar pré-escolas e escolas capazes de matricular todas as crianças e adolescentes de 4 a 17 anos até 2016. Ainda assim, subtraindo esse montante dos R$ 28 bilhões que devem ser despendidos com a Copa, sobram R$ 2,721 bilhões. É um bom recurso!

Obviamente, esse cálculo trata apenas do investimento em construção e aquisição de equipamentos, com base em um padrão mínimo de qualidade mensurado no CAQi. Não estão sendo considerados, por exemplo, a imprescindível construção de creches, instituições de ensino técnico profissionalizante e de ensino superior. Muito menos estão sendo contabilizados custos essenciais para a manutenção das matrículas com qualidade, como salários condignos para os professores e demais profissionais da educação, custos com uma boa formação inicial e continuada para o magistério, além de uma política de carreira atraente. Como é de conhecimento geral, se tudo isso fosse considerado, tomando outros fatores do CAQi como referência, além de outros instrumentos, o Brasil precisaria investir, em 10 anos, cerca de R$ 440 bilhões em educação pública, ou o equivalente a 10% do seu PIB (Produto Interno Bruto) de 2012.

Hoje investe, conforme dados oficiais, cerca de R$ 233,2 bilhões.

Portanto, o exercício apresentado aqui serve basicamente para estimular uma reflexão: o orçamento público deveria obedecer a uma lógica de prioridade. Por mais que o povo brasileiro ame o futebol, os manifestantes têm declarado que preferem educação pública, saúde pública e transporte público de qualidade. A FIFA tem dito que a Copa de 2014 será um festa, a nossa festa. Se for verdade, será uma comemoração indigesta, pois já estamos sendo obrigados a engolir regras, padrões e ingressos caros e para poucos. E pior: todos os contribuintes brasileiros pagarão a conta.

Estima-se que a Copa do Mundo de 2014 custará R$ 28 bilhões. Tomando o estudo do CAQi (Custo Aluno-Qualidade Inicial) como referência, com R$ 25,277 bilhões daria para construir unidades escolares para todos os 3,7 milhões de brasileiros de 4 a 17 anos que estão fora da escola.

O Brasil tinha a chance de gerar lucro e mudanças importantes com a Copa do Mundo deste ano, sem realizar nenhum gasto público, como fez os Estados Unidos no evento de 1994. A poucos meses para os jogos, porém, se mostra o maior gastador de verbas do governo em Mundial de Futebol, em nome de um evento que deve beneficiar principalmente, ou apenas, a iniciativa privada. Que pode ainda gerar desemprego e outras consequências negativas. Qualquer coisa que se ganhe com a Copa de 2014, então, pode não se comparar ao preço que o país já começou a pagar. Uma das grandes paixões do brasileiro, que virou parte da cultura principalmente nas camadas mais pobres da sociedade, de onde sai, inclusive, a maior parte dos jogadores, agora se volta cada vez mais à elite.

Apenas um terço dos ingressos dos jogos da Copa estão disponíveis para o torcedor brasileiro pela distribuição inicial da Fifa, de acordo com artigo do blog do Rodrigo Mattos, no Uol Esporte. Com 12 cidades-sede, nenhum outro Mundial teve uma oferta de assentos tão grande, mas nem por isso os brasileiros ganharam facilidade para conseguir uma entrada, que não são baratas, inclusive. 

Como ressaltou Christopher Gaffney à Carta Capital em 2011, a Copa era a oportunidade de usar um investimento federal em benefício da população, mas se tornou um evento esportivo financiado com dinheiro público para o lucro privado: "o governo assume o risco e os patrocinadores é que vão receber os benefícios".

Conforme o país adota uma posição mais mercantilista em relação ao futebol, também perde posições no ranking da Fifa. Chegou à 18ª posição em 2012 e agora subiu para a 10a., depois de anos no primeiro lugar. Os meninos brasileiros que crescem com o sonho de se tornarem jogadores, ao mesmo tempo, viraram produtos de exportação para times estrangeiros, até mesmo antes de passar por qualquer time nacional. Muitos, inclusive, são enganados e explorados lá fora. O público nos estádios brasileiros vem caindo ano a ano também. Na década passada, o ex-presidente Lula chegou a comentar que a massiva exportação de jogadores brasileiros acabava ofuscando o desempenho dos times do país.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Juventude contagia em missões #Ituporanga

O rosto de Deus é jovem também E o sonho mais lindo é ele quem tem Deus não envelhece, tampouco morreu Continua vivo no povo que é seu Se a juventude viesse a faltar, o rosto de Deus iria mudar.(Jorge Trevisol)

Eis-me aqui, envia-me! (Is 4,8) Motivados por esse lema e pelo apelo do Papa Francisco, que ao final da JMJ Rio 2013 enviou os jovens, pedindo: “Ide, sem medo, para servir”, aproximadamente 100 jovens responderam com coragem a esse apelo e se dirigiram a Ituporanga, cidade que acolheu os jovens para essa experiência de missão juvenil.

Contando com representantes das fraternidades de SC e PR, a missão, organizada pelo Serviço de Animação Vocacional da Província, foi um verdadeiro sucesso, não só pelo número, mas principalmente pela empolgação contagiante da juventude que foi ao encontro das pessoas, das famílias e dos jovens.
Acolhidos no Seminário São Francisco de Assis, cada jovem, ao chegar, já deixava a marca de seus pés em um grande cartaz intitulado “Benditos os pés que Evangelizam”.
Assim, a quinta e a sexta-feira foram dedicadas para a acolhida, integração e formação dos jovens missionários. Momento marcante aconteceu na noite de quinta-feira, quando Frei Florival, juntamente com os jovens Huan e Ariana, apresentaram suas belas canções do CD Perfeita Alegria. Momento de profunda espiritualidade franciscana!

Na sexta-feira pela manhã, os jovens puderam conhecer a realidade da Diocese de Rio do Sul, assessorados pelo Padre Osmar Debatin, coordenador da Pastoral Diocesana. Frei João Pereira Lopes, Pároco da Paróquia Santo Estevão, também nos falou sobre a Paróquia e deu as boas vindas a todos. Em seguida, iluminados pelas palavras do Papa Francisco, divididos em grupos, os jovens estudaram e partilharam a “A Alegria do Evangelho”, documento iluminador e inspirador para nossas missões. À tarde, após um momento de esportes e gincanas, todos foram divididos e enviados para as comunidades, que ansiosamente os esperava.

Se na sexta-feira à tarde o Seminário São Francisco ficou vazio e silencioso, as seis comunidades da Paróquia que receberam os jovens se encheram de alegria, entusiasmo e jovialidade dos missionários, que ao longo do sábado visitaram inúmeras famílias.
Na noite de sábado, cada comunidade pode realizar uma celebração, contando com a criatividade e presença dos jovens missionários. Uma muda de árvore foi plantada em cada comunidade, marcando aquele momento histórico e despertando para a importância do cultivo desse espírito missionário.

No domingo, nem o tempo fechado e a chuva foram capazes de tirar a alegria dessa juventude missionária, que novamente se reunia para celebrar com toda a paróquia o encerramento das missões. Trazidos pelas famílias que os acolheram, os jovens retornavam das comunidades trazendo nas suas bagagens muitas histórias, amizades e experiências.

Em torno do altar, não faltaram motivos para a nossa Ação de Graças: Jesus, nosso exemplo e mestre na missão; nossos missionários, o rosto jovem da nossa igreja; as famílias e comunidades que nos acolheram, exemplo de acolhida e fraternidade; o povo de Ituporanga, exemplo de generosidade e partilha, os freis, exemplo de fraternidade e dedicação. Enfim, muitos foram os motivos para se celebrar.

Por fim, São Francisco deixou-nos novamente sua mensagem, apresentada pelo grupo de teatro do Frei Pascoal Fusinato, que vieram de Blumenau especialmente para estar conosco.
Certamente essas breves linhas não podem expressar o sentimento que cada um levou dentro de si, nem tampouco os frutos que ficaram nas famílias e comunidades que foram visitadas.

A missão é feita com os pés dos que partem, com as mãos dos que ajudam, e com os joelhos dos que rezam. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Você vai vivendo algumas coisas, algumas coisas vão vivendo em você...


A abertura da mente proporciona buscas, permite caminhos impensados, possibilita aventuras… Nosso destino está em nossas mãos: somos nós que fazemos a vida mais bela ou mais triste, o mundo melhor ou pior. São nossas escolhas e nossos compromissos que transformam a sociedade, que proporcionam soluções, que cria a beleza onde a tristeza impera. E tudo isso se faz quando juntamos fé e esforço em nossa jornada humana.
O humano está pré-destinado ao crescimento, à evolução, à plenitude. O céu está diante de nós para ser conquistado, para fazê-lo acontecer aqui na Terra. E o céu se faz quando rompemos com a casca dura do egoísmo, quando saímos de nossas trincheiras, quando deixamos de fazer guerras… O céu acontece quando vamos ao encontro das pessoas, quando abraçamos, quando perdoamos, quando criamos solidariedade e fraternidade. Você já pensou na missão que Deus tem pra você?
Lembre-se: seu destino está em suas mãos… Então, viva sua vida com intensidade e alegria. Seja feliz, hoje!

Frase para refletir:
“Temos o destino que merecemos. O nosso destino está de acordo com os nossos méritos”
(Albert Einstein).


A alegria é como uma estrada de mão dupla: doamos e recebemos, alegria vai e vem quanto estamos abertos à vida e assumimos a responsabilidade de viver com este compromisso maior. A vida é prazer, é dom, é satisfação, é alegria! E que bom quando entendemos isso e aproveitamos cada momento, cada dia, cada instante. Saborear a vida é tirar o maior prazer possível de cada momento da beleza desta passagem pela vida…
A vida revela-se ao mundo como uma alegria. Há alegria no jogo eternamente variado de cada momento, na voz dos pássaros, na poesia dos poetas, nas mãos que se elevam aos céus…. A morte não pode ser verdade enquanto não desaparecer a alegria do coração do ser humano. A morte será apenas passagem, travessia, o grande encontro com a VIDA em sua plenitude. Viva bem e seja feliz na experiência que Deus te concede!

Frase para refletir:
“Há duas fontes perenes de alegria pura: o bem realizado e o dever cumprido” 
(Eduardo Girão).

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O que é a Fé, Luz que não vejo mas que me guia


A aventura da fé
Textos de abertura
O Senhor disse a Abraão: “Sai da tua terra, do meio dos teus parentes, da casa do teu pai e vai para a terra que te mostrarei. Farei de ti uma grande nação e te abençoarei engrandecendo o teu nome de modo que se torne uma bênção”  (Gênesis  12,1).

A fé  é como uma criança que não dá descanso, não se acostuma a hábito algum, sobretudo da indolência e da tibieza. Repugna-lhe comprometimentos. Ela é uma criança rebelde, ao mesmo tempo vulnerável e temerária, reflexiva e aventureira. Criança que nasceu em plena noite, não feita para a provação da noite, sempre em estado de busca,  desejando a luz  (Sylvie Germain).

1. Estamos vivendo a graça do Ano da Fé.  Toda reflexão sobre o tema  da fé começa com Abraão, que deixa sua terra e sua parentela, seu modo de viver no mundo e seu jeito de organizar a vida  e lança-se a caminho. Alguém avisa que ele, apesar de todos os pesares, apesar do ventre seco de Sara, será pai de uma multidão. Ele creu e por isso foi justificado.   A fé é um movimento de ir, de sair, de  fazer o que é pedido, com parcial clareza ou mesmo nenhum. “Meu Deus, meu  Deus, por que me abandonaste”, grita o homem Jesus no alto da cruz. Sim, a fé é uma criança que não se acalma, nem dá descanso. Coloca os que convoca em estado de busca. Nada tem de mesmice, de indolência, nada tem a ver com um pacote recebido não sei quando e que deve ser levado não sei para onde. A fé sempre questiona, interroga, ilumina, apresenta-se oportuna e inoportunamente à nossa liberdade. Digo bem, ela se apresenta à liberdade de cada um. Na abordagem do tema não é questão apenas de insistir sobre o saber de cor o Credo. Não se trata, em primeiro lugar, de doutrina, e sim do ingresso num universo que nos escapa, numa misteriosa comunhão com Deus, em caminhar na terra  como se víssemos o Invisível. Melhor imagem para explicar a fé: uma luz, uma claridade que dá sentido à vida e que nos permite organizar um consistente projeto de existência.  A luz da fé esclarece nosso presente e projeta luz em nosso  amanhã. Uma das experiências mais trágicas de uma existência é a que fazem os que não creem. A fé é dom do alto que é sempre dado aos pequenos. “Pai, Senhor do céu e da terra, eu te louvo, porque escondeste estas coisas dos sábios e poderosos e as revelaste aos pequenos”.  O dom é dado a quem abre a porta.

2. A fé é escuta e assentimento. No coração da vida  irrompe a voz de um Outro que chama e convoca. A fé tem a ver com o jogar-se naquele que chama, sem medo, correndo todos os riscos, com pouca bagagem. Com certeza, de um lado e questões do outro. Lançar-se sem medo porque quem nos chama nos ama. É um arremesso para frente. É movimento de confiança em Alguém que está fora de nós, que nos chama e convoca a sairmos de nós mesmos e ir ao seu encontro. O que vem depois é segredo ente o Amante e a amada. A fé leva à comunhão. Tornar-se uma pessoa de fé significa deixar-se conduzir por este dinamismo que aponta  para  Jesus  Cristo morto e ressuscitado. E saber que, aqui e agora, eu morro e ressuscito com ele. Um tal movimento de saída de si e busca do Outro comporta aspectos exigentes e, por vezes, dolorosos.  Andar na direção de Alguém exige um distanciamento do lugar em que estamos, daquilo de que se ocupa  nosso coração, nossos afetos, desejos e posses. Andar na direção da fé  implica na renúncia de queremos construir em nosso interior uma imagem desse Alguém de acordo com nossos gostos e nossas expectativas. Trata-se da aceitação humilde de uma descoberta que vai se dilatando ao longo do tempo:  uma vida à luz da fé, do Senhor, do Cristo morto-ressuscitado. Vida de fé que há de reservar suas surpresas.  Não se coloca esse Alguém a nosso serviço. Se assim fosse, estaríamos diante  de um ídolo.

3. Andar na direção desse  Alguém significa aceitar que ele seja diferente. Nem sempre as  exigências da fé coincidem com nosso querer. Nossos critérios nem sempre são os critérios desse Alguém. Não se seleciona aquilo em que deseja-se acreditar. A fé pede que perdoemos setenta vezes sete, nos diz que o corpo apodrecido na sepultura é fadado à gloria,  que há força de redenção no sofrimento. O Outro será acolhido em sua totalidade, em tudo o que é e que diz. Trata-se do tudo ou nada.

4. O movimento da fé não desemboca num vazio, mas encontra um dado objetivo, em alguma  coisa que se acredita, um “regra de fé”.  A fé tem um conteúdo. Situa-se no observável, no coletivo, no comunicável. Há um conjunto de verdades que está diante de nós, um credo a ser conhecido, apreciado, vivido. Não verdades frias.  Há um Deus grande e belo que se revela em Jesus, morto  e ressuscitado,  no coração de uma comunidade de crentes  e que nos faz viver aqui e agora a intimidade com ele de modo nebuloso e esperando a  plenitude  na “vita venturi saeculi”.  Os sentimentos e sensações que cada um experimenta nem sempre são bons conselheiros,  sobretudo quando as pessoas não são  vigilantes nem perseverantes. No campo da fé, a emoção é má conselheira. O “credo”  permite nos ater a um linguajar sóbrio e distinguir os reais fundamentos da fé que são necessários para construir sobre o sólido uma experiência pessoal do Deus de Jesus Cristo.

5. A fé está ligada a uma experiência.  É um dado existencial.  Ela permeia e atravessa a vida de uma pessoa transformando-a através de um processo de conversão e de salvação. Exteriormente, a convicção interior se explicita num testemunho concreto e cotidiano, que arranca a pessoa do egoísmo e da instalação em seus próprios interesses e abre para uma solidariedade mais ampla, a uma justiça mais exigente, a uma caridade mais generosa. Não se pode pensar numa ortodoxia, sem pensar numa ortopraxia. Não se pode  falar de  uma fé solidamente estruturada, sem delinear também  um comportamento, uma moral. O comportamento deve refletir a adesão ao Deus de Jesus Cristo e deixar transparecer a fé através de escolhas coerentes e decisivas. Não existe fé sem obras. Os ritos externos que costumam exprimir a fé sem o fundamento da fé são vazios e inócuos.

6. A fé designa o ato pessoal de crer, de se confiar a Cristo e a seu ensinamento  que não se limita à submissão a códigos engessados ou a um corpo de doutrina.  Christophe Theobald: a fé  tem a ver com uma liberdade que faz a experiência de ser libertada de si mesma.  A  fé cristã significa apostar todas as fichas nesse Jesus de Nazaré, que veio ao mundo da parte de Deus, caminhou pelas estradas da terra, conheceu os mistérios do coração humano, sofreu, morreu e ressuscitou e vive entre nós.  Estará conosco  ate à consumação dos séculos. A fé em Deus não exige renúncia de viver e responder aos convites do tempo. Ela, no entanto, dá um sabor diferente a nossos  planos, projetos e vivência.  A fé não nos fecha  numa modalidade de autossuficiência ou complacência para conosco mesmo.  Convida-nos a nos reabastecer numa fonte fora de nós.  A fé não é qualquer coisa mágica que nos garante tudo  uma vez por todas. Ela coloca à prova nossa  liberdade e nossa  confiança  no cotidiano de nossas escolhas.  A fé informa tudo: casamento, vida de padre, pessoas solteiras, alegrias, sofrimentos, prioridades, vida e morte.  Vivemos como se sempre estivéssemos vendo o Invisível.

7. Crer significa entrar numa relação de confiança com Deus. Repetimos:  ter fé é aderir pessoalmente ao Deus que se revela como o Pai criador,  como Jesus Cristo o Filho, morto e ressuscitado para nós, como Espírito Santo, doador  de vida e santidade. Com todos os homens e mulheres, os cristãos têm perguntas que dançam seus lábios vindas de seu interior.  Como chegar a uma verdadeira felicidade?  Qual o bem a ser feito e o mal a ser evitado?  Como decidir quando as situações são complexas?  Por que os justos sofrem?  Por que o  Senhor parece mudo.  A fé nos convida  a elaborar respostas a estas questões. Ela não é uma caixa de conteúdos e de soluções no sótão da nossa vida.  Ela ilumina. A nós de enxergar e aderir.

8. Crer é saber-se  precedido e amado pelo Senhor na existência.  Aderir  a Deus, é descobrir aquele que é fonte de minha vida, aquele que suscitou minha liberdade e  quer me guiar pelo caminho do amor.  Esta experiência tem suas consequências  práticas:  minhas ações e decisões  terão sentido somente na medida  em que responderem ao dom  do amor de Deus. Sabemos em quem colocamos nossa confiança.  Antes que amássemos esse Outro, ele nos amou. É belo e reconfortante percorrer os salmos e ver como o salmista se sente coberto de amor.  “Bendirei  o Senhor em  todo o tempo…”.

9. Crer nunca é obra solitária, mas significa  ingresso numa tradição herdada dos apóstolos. O compromisso que a fé suscita na vida cotidiana não é um ato isolado, mas testemunho secundado e modelado pela comunidade dos crentes.  Outros viveram a fé  e no-la transmitiram. Como discípulos de Cristo, acreditamos também na Igreja que é seu corpo comunitário animado pelo Espírito. A fidelidade ao Cristo supõe  a fidelidade à sua Igreja. Um documento pastoral dos bispos franceses, reza: “Recebemos da Igreja  encorajamento,  formação e orientações para nosso comportamento. Toda a comunidade cristã é lugar de discernimento da retidão cristã das decisões. Para estarmos certos de responder em nossa vida aos apelos do Espírito de Cristo temos necessidade de buscar tal verificação na comunidade habitada  pelo Espírito como se manifestam os frutos do Espírito”.

10. “A comunidade cristã,  de modo especial pela vida litúrgica,  modela nossa maneira de ver o mundo, instrui nosso caráter moral, e educa  nossa atitude diante de questões éticas.  A liturgia nos descentraliza, nos coloca diante da Palavra de Deus  para que possamos ser imitadores de Cristo. Por seus pastores também a Igreja nos fornece indicações a respeito de nosso seguimento de Cristo”  (Thomasset).

11. A partir de Abraão, o pai dos crentes, crer é entrar em relação.  Um eu diante de um tu, uma resposta de fé à iniciativa de Deus. A fé  é da ordem da relação (e da revelação) e da confiança.  Abraão é a testemunha maior de tal confiança do homem em Deus pessoalmente encontrado: a questão não é mais a da existência de Deus, mas da confiança feita a esse Deus que se interessa pelo homem. “A fé um caminho a ser percorrido, também como foi para Abraão, o ato de caminhar na direção de Deus, do outro e de nos mesmos.  Para o cristãos, esse caminho se faz seguindo um homem que se encarnou em nossa história:  Jesus se Nazaré.  Este homem, Filho de Deus, nos arranca  da crença e da religiosidade, convidando-nos a segui-lo em toda a liberdade  e nos comprometendo a viver o Evangelho e sua mensagem:  amar, partilhar, perdoar e dar a vida.”  (Régine Maire).  A fé nunca é adquirida de uma vez por todas. Dúvidas estão ligadas à fé. A fé é combate que todos os santos conheceram. Podem surgir dificuldades para crer a partir do mal,  da mediocridade do testemunho cristão.  Entramos, por vezes, na noite terrível da dúvida.

12. “ A fé é virtude, atitude habitual da alma, inclinação permanente a julgar e agir segundo o pensamento de Cristo, com espontaneidade e vigor, como convém  a  homens  “justificados”. Com a graça do Espírito Santo, cresce a virtude da fé, se a mensagem cristã é entendida e assimilada como “boa nova”, no sentido salvífico que tem  para a vida cotidiana do homem!  A Palavra de Deus haverá de aparecer a cada um como abertura aos próprios problemas, uma resposta às próprias indagações, compreensão dos próprios valores  e satisfação das próprias aspirações.  A fé se torna facilmente motivo e critério de todas as avaliações e escolhas” (Il Rinnovamento dela Catechesi, n. 52).

13. Michel  Hubaut,  franciscano francês, no seu livro  La Voie Franciscaine  (tr. espanhol  El caminho franciscano)  disserta sobre o horizonte da fé de Francisco. O Poverello busca a fé como se procura um poço  no deserto. Ele se dá conta que ela é uma frágil chama no meio da noite. Vai procurar a fé como se  remexe  a terra para ver se por ali está enterrado um tesouro. A fé começa sempre com uma rutura. O homem frágil,  ergue-se, abre os braços. Como acolher a gratuidade dos dons do Senhor sem deixar cair de nossas mãos nossas pseudo-riquezas? Nos começos de sua caminhada o evangelho fez com que Francisco tivesse dores como aquelas que provoca o bisturi do cirurgião rasgando a carne. A homilia  dominical que mantinha meio adormecida a assembleia tornou-se para ele o evangelho de fogo. Hubaut: “O contrário do medo é a fé.  Ter a coragem de tudo arriscar.  Renunciar ao desejo de  manipular sua vida, seus talentos, seus bens, de cada um seguir seu caminho solitário. Renunciar a tudo isso para  entregar-se à vontade de Deus, para entrar no projeto amoroso que Deus tem para cada um: este é o mistério da fé.  Tudo aposta na fé. Não se pode compreender nada da vida de Francisco quando se esquece este fundamento inicial. Sua conversão é o desejo  do homem que se abre ao desejo de Deus”

14. “Este é o cerne da espiritualidade de Francisco:  a fé vigilante. Para além das ideologias, das sirenes  que anunciam desgraças, dos slogans publicitários sobre a felicidade, permanecer disponível ao chamamento de Deus, ao Espírito do  Senhor.  Iluminar de novo  nossas fontes interiores. Escutar a Deus.  Buscar a Deus. Deixar-se modelar por Deus. Deixar-se conduzir de novo no meio da noite pela esperança que ganhou rosto em  Jesus Cristo. Despertar desta sonolência espiritual em que se entregou o mundo ocidental  no meio de sua abundância.  O projeto evangélico de São Francisco se enraíza na fé. A fé que crê que  Deus é amor, que seu projeto sobre o homem  faz ir pelos ares a estreiteza de nossos horizontes e que esta dependência de amor (a Deus) não aliena o homem, mas o liberta”

Obs.:
Esta reflexão esteve fortemente apoiada  em:
● Introdurre ala  vita di fede oggi,  Roberto Laurita,  in Credere oggi,  n. 89, 5/  1995, p. 89-107
● La Joie de croire, Régine Maire, in  Les cahiers de croire, , n. 284
● Croire c’est imiter Dieu,  Alain Thomasset,  in Les cahiers, op.cit.
Frei Almir Ribeiro Guimarães
www.franciscanos.org.br

TRABALHO ESCRAVO, DENUNCIE!


TRABALHO ESCRAVO, OPRESSÃO, ASSÉDIO MORAL, ROUBO DE PROPRIEDADE INTELECTUAL, FUNÇÃO DIFERENTE DA REGISTRADA EM CARTEIRA DE TRABALHO: DENUNCIE!
"A IMPUNIDADE É O PIOR CRIME"

São Paulo - Um boliviano está sendo procurado sob suspeita de tentar vender dois jovens compatriotas por R$ 1 mil cada em uma feira livre no bairro do Brás, que fica na região central de São Paulo, na noite da última segunda-feira.

Os rapazes estavam sendo oferecidos para pessoas que passavam na rua Coimbra. Acionada, a polícia militar foi até o local e revistou as vítimas como se elas fossem suspeitas. Com a confusão, o homem responsável pela venda dos jovens fugiu.  

Os dois rapazes estão sob proteção em uma paróquia na capital paulista e o boliviano, identificado como Serapio, ainda não foi encontrado.

Os jovens foram aliciados ainda na Bolívia com a promessa de receberem 500 dólares mensais (cerca de R$ 1.200) para trabalharem em uma confecção. Eles se recusaram a trabalhar quando chegaram no local e foram informados de que o salário seria menor.



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Os frutos de uma vida sem fé "A Religião é o ópio do povo" Karl Marx

"A Religião é o suspiro da criatura aflita, o estado de um mundo sem coração, porque é o espírito da situação sem espírito. A religião é o ópio do povo." Karl Marx
Lucas nos faz ver nossa vida em  sua dimensão verdadeira, ter vigilância no meio das vãs ilusões. A vigilância é uma atitude bíblica, desde a noite da libertação do Egito, quando anjo exterminador visitou as casas dos egípcios, enquanto os israelitas, de  pé, cajado na mão,  celebravam Javé  pela refeição pascal, prontos para seguir o seu único Senhor. A vigilância é também uma atitude do cristão, que espera a volta do seu Senhor, que encontrando seus servos a vigiar, os fará assentar-se á mesa e os servirá. Pois jê fez assim. Jesus é o Senhor servo.

“O importante desta mensagem é que cada um, assumindo a gente que Deus lhe  confiou no dia a dia, está preparando sua eterna e alegre companhia junto a Cristo, o Senhor que  serve (o único que serve de verdade...). Pois Cristo ama efusivamente a gente que ele confiou à nossa responsabilidade. Não podemos decepcionar á esperança que ele  coloca em nós.  A visão da vigilância como responsabilidade  mostra bem que a religião do Evangelho não é ópio do povo.
           
Implica até a  conscientização política, quando, solícito pelo bem dos irmãos, a gente descobre que bem administrar não é de vez em quando passar   uma cera ou um verniz, mas também e sobretudo, mexer com as estruturas tomadas pelos cupins...  Esta vigilância escatológica não é uma atitude fácil. Exige que a gente enxergue mais longe que o nariz. É bem mais fácil  viver despreocupado, aproveitar o momento....pois quem sabe quando o Senhor vem?  Para sustentar a atitude de ativa vigilância e solicitude pela causa do Senhor, precisamos de muita fé... É bela a apologia de Hebreus 11. A fé é como possuir antecipadamente aquilo que se espera. É uma intuição daquilo que não se vê.  Com esta definição é claramente enunciado o teor escatológico da fé.  O sentido original da fé não é a adesão da razão a verdades incessíveis, mas o engajamento da existência naquilo que é  visível e palpável, porém tão real que possa absorver o mais profundo de meu ser. Hebreus cita toda uma lista de exemplos desta fé, pessoas que empenharam por aquilo que não se enxergava.  O caso mais marcante é a obediência de Abraão e sua fé na promessa de Deus”.
           
O tempo que Deus nos dá serve para fazer o bem.  Os outros são objetos de nossa administração, ou seja, de nosso amor vigilante. Esta vida ganha sentido quando empregamos o tempo para servir aos que nos foram confiados e quando nos preocupamos com suas necessidades. Os que receberam muitos dons para servir os outros prestarão contas ao Senhor.

O evangelista Marcos vai descrevendo a caminhada de Jesus e seus apóstolos no meio do povo. Um homem se aproxima de  Jesus com uma queixa. “Mestre, eu trouxe a ti meu filho que tem um  espírito mudo. Cada vez que o espírito o ataca,  joga-o no chão e ele começa a espumar, range os dentes e fica completamente rijo. Eu pedi aos teus discípulos para expulsarem o espírito. Mas eles não conseguiram”. E Jesus  se dá conta que paira uma falta de fé no ar. Não é aqui o caso de se fazer uma exegese bíblica sobre o texto. O menino tinha nítidos sintomas de epilepsia. Pouco importa. Jesus fala da fé, ao homem de fé tudo é possível.

Cremos. Nossa vida não teria sentido se não crêssemos. Cremos que há um Pai todo poderoso, belo, eterno, cuidador dos universos, fonte de vida, fornalha de amor, infinitamente bom, aquele que ama os seres  humanos que, por puro amor, os colocou  no mundo. Nosso coração é irrequieto enquanto não descansar nele. Vivemos e existimos por seu poder criador assim o quis.

Cremos que, na plenitude dos tempos, o Pai eterno enviou o Verbo em nosso meio. Este se “instalou” na transparência de Maria. O Verbo, a Palavra, habitou entre nós. Comeu à nossa mesa, falou-nos das coisas do coração do Pai, chorou nossas lágrimas, morreu nossa morte e abriu-nos uma estrada. Esse que morre é o Senhor ressuscitado. Vive entre nós  na trama do amor de verdade, no rosto mais abandonados, na Palavra proclamada, no pão partilhado. Esse  Jesus, ressuscitado, vive… Essa é nossa fé. Vivemos envoltos em seu amor. Cremos em Jesus, Filho do Pai, vivo e ressuscitado.

Cremos que em nosso coração simples, pequeno, humilde, contrito, o Senhor derrama a água do Espírito. Esse sopro, esse hálito  abre caminhos novos, faz com que possamos discernir estradas inusitadas, compreender a Palavra pronunciada por Jesus na terras da Palestina no hoje deste mundo que é o  nosso. Cremos na força do Espírito.

Porque cremos vivemos em comunidades, abrimo-nos ao Senhor, queremos que braços, pernas, mãos e todo o nosso ser se deixem ensopar da força do alto. Vivemos espiritualmente.

Cremos, Senhor, mas aumentai nossa fé!
O Missal Cotidiano da Paulus faz uma observação oportuna a respeito da cura do menino efetuada por Jesus e que os apóstolos não conseguiram realizar: “Há quem veja no modo de narrar de Marcos um aceno implícito à  liturgia catecumenal. O rapazinho é trazido aos discípulos e a Jesus e é curado por este através da oração e da fé, fortemente reclamadas pelo Mestre. O poder transfigurador de Cristo passa a nós na Igreja, mediante a fé e os sacramentos  que são a continuação de sua obra de verdadeiro Messias e Salvador, e primeiro sacramento da salvação” (p. 797).


Só nos resta repetir a mais não poder: “Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé”.


Frei Almir Ribeiro Guimarães
franciscanos.org.br

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Viva São Teotónio (primeiro santo português a subir ao altar)


(Ganfei, Valença, 1082 — Coimbra, 18 de Fevereiro de 1162) foi um religioso português do século XII, tendo sido canonizado pela Igreja Católica.

Formado em teologia e filosofia em Coimbra e Viseu, tornou-se prior da Sé desta última cidade em 1112. Foi em peregrinação a Jerusalém, e ao regressar quiseram-lhe oferecer o bispado de Viseu, o que recusou.

No contexto da independência portuguesa (1139) em relação ao Reino de Leão, São Teotónio tornou-se um dos aliados do jovem Infante Dom Afonso Henriques (o proclamador da independência e primeiro Rei de Portugal) na sua luta contra a mãe, Infanta Dona Teresa de Leão, dizendo a lenda que teria chegado a excomungá-la. Mais tarde, seria conselheiro do então já Rei de Portugal, Dom Afonso I.

Entretanto, foi de novo em peregrinação à Terra Santa, onde quis ficar; regressou porém a Portugal (1132), desta vez a Coimbra, onde foi um dos co-fundadores, juntamente com outros onze religiosos, do Mosteiro de Santa Cruz (adoptando a regra dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho), do qual se tornou prior. Esta viria a ser uma das mais importantes casas monásticas durante a Primeira Dinastia.

Em 1152, renunciou ao priorado de Santa Cruz; em 1153 Papa Adriano IV quis fazê-lo bispo de Coimbra, o que uma vez mais recusou.

Morreu em 18 de Fevereiro de 1162, que é ainda hoje o dia em que é celebrado pela Igreja Católica. Foi sepultado numa capela da igreja monástica supracitada que ajudou a fundar, mesmo ao lado do local onde o primeiro Rei de Portugal, Dom Afonso Henriques (ou Dom Afonso I), se fez sepultar.

Em 1163, um ano depois da sua morte, o Papa Alexandre III canonizou-o; São Teotónio tornava-se assim o primeiro santo português a subir ao altar, sendo recordado sobretudo por ter sido um reformador da vida religiosa nessa Nação nascente que então era o Reino de Portugal (1139-1910); o seu culto foi espalhado pelos agostinianos um pouco por todo o mundo. É o santo padroeiro da cidade de Viseu e da respectiva diocese; é ainda padroeiro da cidade de Valença, sua terra natal. É também o santo que dá nome a um colégio situado em Coimbra, chamado Colégio de São Teotónio.

No concelho de Odemira, a mais extensa freguesia do país recebeu também o nome deste santo. Desta vila, São Teotónio é também o santo padroeiro, sendo as festividades religiosas realizadas anualmente no dia 18 de Fevereiro.

ORAÇÃO:
Senhor nosso Deus, que pela palavra e pelo exemplo de São Teotónio reformastes a disciplina religiosa, concedei-nos, por sua intercessão, que, escolhendo o caminho estreito da perfeição cristã, mais facilmente alcancemos a vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amém

Um pequeno gesto de fraternidade pode falar mais que mil palavras


Francisco não pensava em fundar uma Ordem, uma Fraternidade. Diante dos primeiros companheiros que lhe pediram para compartilhar de sua forma de vida, compreendeu que era o Senhor que lhe enviava irmãos. No fim da vida, ele assim se expressa no Testamento: “E depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me mostrou o que eu deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu deveria viver segundo a forma do Santo Evangelho”.(Test 4, 14) Francisco manifesta a iniciativa de Deus que lhe enviou irmãos, para viver em fraternidade. Soube intuir profundamente a novidade trazida por Cristo, isto é, que Deus é nosso Pai e que nós somos todos irmãos. 

Francisco escolheu por modelo a vida apostólica, ir pelo mundo, sem pão, sem bastão, sem teto, pregando o Evangelho com o testemunho e a palavra, em fraternidade, como irmãos. A caridade evangélica foi o primeiro vínculo importante que os mantinha unidos. 

Tanto Francisco como Clara queriam fazer da Fraternidade uma família, vinculada por um amor terno e concreto: “E mostrem por obras o amor que têm uns aos outros, como diz o apóstolo: Não amemos por palavra, nem com a língua, mas por obra e em verdade”. (RnB 11, 6) Eles dedicavam toda a sua solicitude e preocupação em manter o vínculo da unidade entre si, pois o mesmo Espírito os tinha reunido. 

A fraternidade franciscana abre necessariamente à fraternidade universal. Essa experiência feita por Francisco o levou a sentir-se irmão de todas as criaturas pois provém do mesmo Pai. Por isso, chama de irmão e irmã todas as criaturas, tendo por elas uma atitude de profundo respeito, responsabilidade e cuidado. Vê a criação como espelho em que se reflete a bondade, a grandeza e a beleza do Criador. A reconciliação universal com a natureza é indispensável e urgente. 

A fraternidade é um conceito filosófico profundamente ligado às ideias de Liberdade e Igualdade e com os quais forma o tripé que caracterizou grande parte do pensamento revolucionário francês. Vale lembrar que dos três, foi o único que não esteve no lema Iluminista, que era "Liberdade, Igualdade, Progresso".

A ideia de fraternidade estabelece que o homem, como animal político, fez uma escolha consciente pela vida em sociedade e para tal estabelece com seus semelhantes uma relação de igualdade, visto que em essência não há nada que hierarquicamente os diferencie: são como irmãos (fraternos). Este conceito é a peça-chave para a plena configuração da cidadania entre os homens, pois, por princípio, todos os homens são iguais. De uma certa forma, a fraternidade não é independente da liberdade e da igualdade, pois para que cada uma efetivamente se manifeste é preciso que as demais sejam válidas.

A fraternidade é expressa no primeiro artigo da Declaração universal dos direitos do homem quando ela afirma que todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos.


CÂNTICO DAS CRIATURAS
Altíssimo, omnipotente, bom Senhor,
a ti o louvor, a glória, a honra e toda a bênção.
A ti só, Altíssimo, se hão-de prestar
e nenhum homem é digno de te nomear.
Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as tuas criaturas,
especialmente o meu senhor irmão Sol,
o qual faz o dia e por ele nos alumias.
E ele é belo e radiante, com grande esplendor:
de ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Lua e as Estrelas:
no céu as acendeste, claras, e preciosas e belas.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Vento
e pelo Ar, e Nuvens, e Sereno, e todo o tempo,
por quem dás às tuas criaturas o sustento.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela irmã Água,
que é tão útil e humilde, e preciosa e casta.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pelo irmão Fogo,
pelo qual alumias a noite:
e ele é belo, e jucundo, e robusto e forte.
Louvado sejas, ó meu Senhor, pela nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e governa, e produz variados frutos,
com flores coloridas, e verduras.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados aqueles que as suportam em paz,
pois por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, ó meu Senhor, por nossa irmã a Morte corporal,
à qual nenhum homem vivente pode escapar:
Ai daqueles que morrem em pecado mortal!
Bem-aventurados aqueles que cumpriram a tua santíssima vontade,
porque a segunda morte não lhes fará mal.
Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças
e servi-o com grande humildade…

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Nunca termine um dia sem pedir perdão um ao outro..


Vinte e cinco mil casais se reuniram nesta sexta-feira (14) na Praça de São Pedro sob um sol brilhante, convidados pelo Papa Francisco para celebrar o seu compromisso no casamento, por ocasião do Dia de São Valentim (Dia dos Namorados).

O Conselho Pontifício para a Família, que propôs esta iniciativa inédita ao Papa, chamada de ‘A alegria do sim para sempre’, surpreendeu a todos pela participação em massa: mais de 25.000 casais de 30 países – ainda que majoritariamente da Itália – presentes numa sexta-feira.

Casais receberam flores do Papa
CASAIS RECEBEM FLORES DO PAPA FRANCISCO
O encontro foi precedido por um momento de acolhimento por parte dos namorados, com testemunhos, música e vídeo. Após uma breve saudação ao Papa pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Família, Dom Vincenzo Paglia, três casais de namorados apresentaram ao Santo Padre o seu testemunho e lhe fizeram perguntas sobre o valor do matrimônio, que o Papa respondeu pontualmente.

A primeira pergunta foi sobre a dificuldade e o medo de um compromisso “para sempre”. O casal observou que muitos, hoje, pensam que prometer-se fidelidade por toda a vida é uma tarefa muito difícil, e que o desafio de viver juntos para sempre, se bem que bela e fascinante, é muito exigente e quase impossível.

A esta pergunta o Papa advertiu que o amor não pode ser entendido apenas como um sentimento ou um estado psicofísico, mas sim como uma relação, uma realidade que cresce e que, portanto, se constrói como uma casa. “E a casa se constrói juntos, não sozinhos”, sublinhou o Papa, acrescentando que construir juntos significa favorescer e ajudar o crescimento. “Vocês se preparam para crescer juntos, para construir esta casa, para viver juntos para sempre, e certamente não querem que tenha como base a areia dos sentimentos que vêm e vão, mas a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus e, como o amor de Deus é estável e para sempre, assim também o amor que funda a família deve ser estável e para sempre; e não devemos nos deixar vencer pela ‘cultura do provisório’!”, disse. E o Papa convidou os casais a rezar por esta estabilidade: “Senhor, dá-nos hoje o nosso amor de cada dia, ensina-nos a amar, a amar-nos uns aos outros”, reiterando que quanto mais confiarem n’Ele, mais o seu amor será “para sempre”, capaz de se renovar e vencer todas as dificuldades.

A segunda pergunta foi sobre a dificuldade de viver juntos o “estilo” da vida matrimonial e o casal perguntou ao Papa Francisco se existe um “estilo” da vida de casal, uma espiritualidade da vida quotidiana que os casais possam aprender. E o Papa respondeu dizendo que viver juntos é uma arte, um caminho paciente, bonito e fascinante, que não termina quando se conquistaram um ao outro, um caminho quotidiano que tem regras que se podem resumir nas três palavras que o Papa já disse às famílias e que os namorados podem começar a aprender a utilizar, ou seja: “me dá licença”, “obrigado”, “desculpa”. “Todos sabemos, de fato, disse o Papa, que não existe a família perfeita, e nem mesmo o marido perfeito ou a esposa perfeita, mas nós, pecadores. Jesus, que nos conhece bem, nos ensina um segredo: nunca terminar um dia sem pedir perdão um ao outro, sem deixar que a paz regresse na nossa casa, na nossa família. Se aprendermos a pedir perdão e perdoar-nos uns aos outros, o matrimônio vai durar, irá em frente”.

A terceira e última pergunta feita pelos casais de namorados foi um pedido de conselho, neste momento em que se preparam ao matrimônio, sobre como melhor celebrá-lo. E Papa respondeu dizendo que o devem celebrar como uma verdadeira festa, uma festa cristã, e não uma festa mundana. Ao mesmo tempo, porém, o matrimônio deve ser sóbrio, prosseguiu o Papa, fazendo sobressair o que é realmente importante, pois lguns estão mais preocupados com os sinais exteriores do banquete, fotografias, roupas e flores … “Estas coisas são importantes numa festa, mas somente se forem capazes de indicar o verdadeiro motivo da vossa alegria: a bênção do Senhor sobre o vosso amor. Como em Caná, os sinais exteriores da vossa festa devem revelar a presença do Senhor e devem recordar a vós e a todos os presentes a origem e o motivo da vossa alegria” – concluiu o Papa.

Iniciativa do Papa
‘O sucesso da iniciativa mostra que há uma juventude que vai contra a corrente e que deseja que o seu amor dure para sempre, mesmo que o mundo moderno não acredite na duração dos relacionamentos’, declarou o presidente do Conselho Pontifício, o italiano Vincenzo Paglia, ao dar as boas vindas à multidão.
A presença em massa dos casais reflete a mensagem enviada pelo Papa Francisco aos dois milhões de católicos reunidos durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, em julho: ‘Há quem diga que o casamento está ultrapassado (…) Que não vale a pena se comprometer por toda uma vida. Eu peço a vocês que sejam revolucionários, que sigam contra a corrente: sim, nós nos rebelamos contra a cultura do temporário!’

Ame e faça o que quiser


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Eu quero Eu posso Eu faço Eu consigo e Mereço


Pensar, desejar, querer são ações anteriores ao fazer e ao realizar. Quando dispomos nossa mente de maneira positiva estamos abrindo nossa vontade à força maior do universo. É como se você estivesse dizendo: estou pronto (a) a receber toda força e todo poder do cosmos para que eu possa atingir essa meta, alcançar esse objetivo. Você cria uma dis-posição imensa para o poder do amor envolver suas ações e suas buscas.

Então, evite toda forma de pensamento negativo e tudo aquilo que possa derrubar sua auto estima. Você traz dentro de você mesmo o amor de Deus e a luz divina. Pense, deseje, queira, aja na direção da luz! Somente você pode mudar sua vida e libertar-se de amarras que o (a) impede de lançar-se no voo da felicidade. Então, começa agora positivando sua mente com frases poderosas: eu quero, eu posso, eu sou capaz, eu trabalho, eu sou feliz!

Frase para refletir: “Cultivar estados mentais positivos como a generosidade e a compaixão decididamente conduz a melhor saúde mental e a felicidade” (Dalai Lama)

Esqueça quem você foi ontem e, a partir de agora, seja alguém bem melhor. Basta querer e fazer acontecer.

Deixe fluir na cabeça a consciência do 'eu posso'. Eu posso estar na paz. Impor essa paz é praticar o seu poder pessoal com responsabilidade divina, obtida por herança natural. O melhor para você é um grande sorriso no peito. É a felicidade a que tem direito. Pense assim: "A beleza está em mim. A suavidade está em mim. A ternura, o calor, a lucidez e o esplendor das mais belas formas do universo estão em mim."

Viro do avesso e sinto que não há fronteiras nem barreiras para mim. Sinto que o limite é apenas uma impressão. Sinto que cada condição foi apenas a insistência de uma posição. Sinto que sou livre para deixar trocar qualquer posição por outra melhor. Sou livre para descartar qualquer pensamento ruim, qualquer sentimento ou hábito negativo, qualquer paixão dolorosa. Porque eu sou espírito. Sou luz da vida em forma de pessoa.

Eu sei que muitas vezes somos levados(as) por uma série de pensamentos ruins. Mas é porque não conhecíamos a força da perfeição. Não conhecíamos a lei do melhor. Agora se entregue, se comprometa em fazer o melhor para as pessoas e consigo.

Queira olhar bem e ver como as coisas podem ser maravilhosas e como o seu peito está cheio de vontade. Assuma a responsabilidade sobre essas vontades e se projete com força nessa identidade de saber que "Eu posso, sim, fazer o melhor. Despertar o meu espírito é viver nele. É ter a satisfação de ser eu mesmo(a). É poder ser original, único(a), pequeno(a) e grande ao mesmo tempo. Sei agora que o melhor está a meu favor. Meu sucesso, aliás, é o sucesso de Deus que se manifesta em mim como pessoa em transformação. Eu sinto como se tivesse sentado nessa cadeira da solidez universal porque eu estou no meu melhor. Porque sou o sucesso da eternidade, porque o universo garante, Deus abençoa."

Oração de São Francisco
Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre,
fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
é morrendo, que se vive para a vida eterna!
Amém